31.12.09

The end

Sou, a partir de hoje, uma mulher divorciada. Tive de me arrastar a mancar até à Conservatória, a audiência estava marcada para esta manhã há algum tempo. Vai ser literalmente "Ano novo vida nova". Mentira, não é nada. A vida nova já não é nova, não é de agora, já tem muitos meses. E, da mesma forma que um papel que oficializa uma relação não altera sentimentos, ou não deveria alterar, o papel que oficialmente a dissolve também nada muda, especialmente quando os sentimentos morreram anos antes. Resumindo, estou na mesma, sinto-me a mesma. A única coisa que poderá mudar é a percepção que os outros têm de mim, porque o estigma da "mulher divorciada" é ainda bastante evidente, e que pessoalmente acho que é uma perfeita estupidez, assim como todos os rótulos inventados pela sociedade. Contudo, como acredito que os actos são o que define as pessoas, não as palavras, e não a raça ou o credo, e muito menos o estado civil, cá estou, eu própria, a mesma, de cabeça erguida, cagando de alto para todos os que, condicionados pelo meu estado civil, se deixem levar pela estupidez e comecem a achar que o meu comportamento vai mudar. Para todos esses, caguei.

30.12.09

Living on the couch

É... é neste estado vergonhoso que me encontro, a viver no sofá. Contra a minha vontade, mas tem de ser. Lá no quarto aborreço-me porque não tenho tantos canais no televisor e depois a cozinha fica mais longe. De modos que me deixo estar por aqui pelo sofá, quentinha, pousadinha, a encorrilhar. Vida dura... Trouxeram-me toda a tralha que estava em cima da minha secretária, pedi e trouxeram-me. Trabalhei qualquer coisa durante a tarde, já não foi mau. Amanhã há mais, apesar do office estar fechado e provavelmente toda a gente extra-office também. Os fornecedores deverão estar todos fechados, já os clientes acredito que alguns escaparão, modernices... Eu conto trabalhar mais amanhã, quanto mais não seja para me entreter e me distrair da dor na perna. Está quase na hora da pica, é o ponto alto do meu dia. Credo... isto está mesmo mau... Disseram-me que não devo abusar de bebidas alcoólicas, por isso um copo de vinho branco não é abusar pois não? Não é... ou é?... Na... abusar seria uma garrafa, certo? E assim, acabo de instaurar a Happy Hour cá em casa, só assim... senão não aguento.

29.12.09

Molho

1ª nova experiência: dar injecções a mim própria, na barriga. Hoje apliquei a segunda, a primeira foi a enfermeira ontem na urgência. Faltam 5, uma por dia e sensivelmente à mesma hora.

2ª nova experiência: ficar em casa de perna ao alto durante 3 dias, e depois ficar em casa de perna ao alto, mas não necessáriamente o dia todo, durante no mínimo 3 semanas. Nem consigo imaginar como é que vou aguentar ficar em casa tanto tempo sem ir para o trabalho, sim, porque trabalhar remotamente a partir de casa não é a mesma coisa.

3ª nova experiência: tomar medicação durante 6 meses e uma vez por mês ter de ir ao hospital fazer o controlo do sangue porque a medicação vai dilui-lo e há que verificar mensalmente.

Portanto, estarei de molho, e durante tanto tempo vou de certeza ficar toda encorrilhadinha.

Ah, esclareço já que não tive o impulso que ir partir o focinho ao médico que me diagnosticou a lesão no tendão de Aquiles, porque o pobre homem foi induzido em erro pela aparência perfeita da minha perna. A gaja não inchou, não ficou vermelha nem quente, que são os sintomas habituais numa situação destas, que na altura deveria ser uma Trombo-flebite. Só me doía, e muito. Por isso outro qualquer médico teria feito a mesma coisa. E só se chegou ao diagnóstico correcto porque a dor piorou... perna enganadora...

28.12.09

Isto vai de mal a pior

Fiquei a saber hoje, após 7 horas na Urgência do Hospital (e de muuuuiiiiiiitas dores) que afinal o meu tendão de Aquiles está bem e recomenda-se, aliás nunca esteve marado. O que eu tenho afinal é uma Trombose Venosa Profunda, ou seja tenho as veias da perna direita todas estuporadas. O que é fixe é que não tem rigorosamente nada a ver com a minha noitada a dançar em cima dos saltos altos. Agora a sério, esta merda pelos vistos é perigosa e pode dar em embolia pulmonar. De maneiras que amanhã de manhã volto ao hospital para ser observada pela equipa de cirurgia vascular e fazer mais uns exames para determinar o tratamento a fazer. Não está excluida a hipótese de internamento, pelo que as calças que iam substituir o vestido, podem muito bem vir a ser substituidas pelo pijamito. O que não me convinha lá muito é que o pijama tenha de ser substiuido por um daqueles panos azuis muito em voga nos blocos operatórios... E prontos, era isto. Se não nos virmos mais, gostei muito de vos conhecer.

(e agora vou ao google ver o que quer dizer "veia poplítea" e "vasos tibiais posteriores" que segundo diz o relatório da ecografia, estão todos fodidos, com a vossa licença...)

Inverno

Não chovia, e o vento só o percebi no final da recta que termina no mar. Não é só o mar, os quilómetros que faço para lá chegar também me fazem bem. Não o vi, só vislumbrei as linhas brancas sofregas que uma atrás da outra se desfaziam no negro. O dia tinha morrido no caminho. Contornei a rotunda e segui na marginal e vi só as luzas dos navios ao longe. Ninguém. Continuei a subir e a água já não era mar, era rio, bravo, revolto. A água corria baça, negra e baça. Ainda ninguém. Vento, folhas e umas gotas de água avulsas. A outra margem repetida na água mas desfocada, difusa. A água corria baça. As luzes da outra margem são baças, tristes. Apeteceu-me parar e sair, apeteceu-me vento e frio na cara, apeteceu-me. Não saí, continuei. A água corria baça. As luzes continuam tristes. O vento continua a soprar o Inverno, na rua, na água. É Inverno na rua, na água, e em mim.

27.12.09

Férias

A ter em conta a falta que me fizeram na noite de Natal, esta semana que começou há pouco mais de meia hora adivinha-se penosa. E merdas à parte, é verdade, é verdade sim senhor, não os ter perto de mim na noite de Natal custou-me muito mais do que as 2 semanas de férias no Verão. Vou ter saudades de tudo, até das coisas que me enervam, já tenho. E este silêncio já me começa a irritar. Vou sair. Foda-se. E mais logo vou ver o mar, nem que chova a potes.

26.12.09

Spooky

Muito raramente as pessoas que me rodeiam me surpreendem. Parece que as conheço demasiado bem. Parece que já sei o que vão fazer ou dizer. E há alturas em que isso me sabe muito bem. Se por um lado tenho momentos em que sei exactamente o que fazer para obter uma determinada reacção e isso quase que me diverte, por outro nunca sou surpreendida. Nada me surpreende, nada de novo e aborreço-me. É aqui que penso que conhecer bem as pessoas, conseguir ler nas entrelinhas das palavras e acções, e analisar tudo quase que automaticamente, saber o que fazer ou dizer para que alguém vá em determinada direcção, não é lá muito bom... vem-me à cabeça uma palavra, manipular. E não gosto, faz-me impressão. É como se eu tivesse uma capacidade que me permite controlar de certa forma o comportamento dos outros, condiciona-los e orienta-los, provocar as reacções que quero, e é assim... ligeiramente... assustador.

23.12.09

Choque

Ontem, na festa de Natal da empresa, o meu filho mais velho supreendeu-me. Estava eu a meter-me com o filho de uma colega, o miúdo tem 17 anos e obviamente tal como todos os outros filhos das outras colegas que são da mesma faixa etária encostam-se a um canto qualquer da sala, e enquanto nós, as mães e os miúdos pequenos dançamos e saltamos, eles não se misturam, ficam lá, a conversar ou a mandar sms ou a olhar, o que é normal nos putos daquela idade. Ainda por cima, como nos conhecemos todos há anos, os miúdos que pegamos ao colo, vão crescendo e alguns já são homens e mulheres feitos, o que é engraçado, ano após ano vemo-los e deitamos as mãosinhas à cabeça e percebemos que estamos velhos. Aquelas coisas do costume. Dizia eu, que estava na brincadeira com um deles, a gozar com ele e com os outros todos, e vem o meu filho, toca-me no ombro e com o indicador no ar, sobrancelha franzida e com o tom de voz mais reprovador possível diz-me: Mãe, o que estás a fazer? Confesso que não percebi imediatamente o que estava a acontecer e disse-lhe: Estou a falar com o filho da G. porquê? Ao que ele respondeu: Ah... ok... então está bem. Aí percebi que o gajo me estava a controlar, nem queria acreditar, caiu-me tudo ao chão. Tem 10 anos. Vai bem, vai. Está mesmo a ver-se o que me espera não está?

22.12.09

Gosto porque

- há alegria verdadeira, não é fingida, todos quantos estão estão felizes por estar;
- há pessoas mais velhas que se emocionam por verificarem que os mais novos se deram ao trabalho de pensar neles e de lhes comprar um presente;
- há confusão e papéis rasgados e fitas e coisas tipo pedaços de esferovite espalhados pelo chão porque os miúdos fazem questão de utilizar imediatamente todos os brinquedos;
- há gente sempre a chegar, mesmo os que jantam noutras casas vêm cá ter depois, para a troca de presentes, vão chegando em grupos até às 2:00h ou 3:00 da manhã;
- há risota, jogos e disparates variados, nos quais participam os mais velhos e os mais novos;
- há o conforto de saber que todas aquelas pessoas são minhas e que eu sou delas;
- há os doces que gosto mais do quaisquer outros doces em qualquer altura do ano, feitos pela minha tia mais velha, que apesar de ter quase 80 anos ainda não passou a pasta e passa a tarde de volta do fogão de lenha.

E há amor, sem o qual nada do que descrevi acima seria possível.

21.12.09

Boys

Quando se é mãe de 2 rapazes acaba-se a gostar de determinadas coisas típicas de rapazes. Carros, motas, aviões, jogar bilhar, jogar às cartas, coisas assim. Mas... Espera aí... Eu já gostava disto tudo antes... Ui... ainda bem que tive rapazes... Se eu tivesse de levar com Nenucos, ou Barbies, fitinhas, lacinhos, folhinhos, tiaras, brilhos, estrelas, corações, ai... nem quero imaginar... só um momento, estou a ficar enjoada, volto já.

20.12.09

Closure

Ele: Como se sente?
Eu: Sossegada.
Ele: Está tudo arrumado dentro da sua cabeça?
Eu: Está tudo devidamente arquivado.
Ele: Sente-se bem então?
Eu: Sim, sinto-me muito bem.
Ele: O que é que mudou?
Eu: Já não tenho aqueles momentos em que me sentia uma fraca, quando pensava: isto só acontece porque eu deixo. Já não tenho esses momentos.
Ele: Gosta mais de si agora?
Eu: Gosto muito mais de mim agora, mas muito mais.
Ele: O que aprendeu com tudo isto?
Eu: Que não devo deixar de verbalizar os sentimentos, bons ou maus.
Ele: Que erros acha que cometeu?
Eu: O maior erro foi ter deixado arrastar uma situação que de alguma forma me diminuía e me fazia mal por tanto tempo. Deveria ter posto um ponto final mais cedo.
Ele: O que espera do ano que vai começar?
Eu: Nada de especial, espero ter força e bom senso para poder orientar os meus filhos, só isso
Ele: Não anseia por nada de especial então?
Eu: Não, sinto que tudo pode acontecer, que está tudo em aberto e não excluo nenhuma possibilidade.
Ele: Não quer voltar a ser adolescente então? Não sente necessidade de viver tudo o que não viveu?
Eu: Não, de todo. O que sou hoje devo-o ao meu percurso até aqui e às minhas opções. Não mudaria nada excepto o detalhe de não ter tomado uma atitude mais cedo. Estou muito bem assim. Mas saio, divirto-me, só que invisto naquilo que me dá realmente prazer.
Ele: Está mais exigente então?
Eu: Sim, de certa forma sim.
Ele: Está mais impulsiva?
Eu: Não, isso não é da minha natureza, já sabe.
Ele: Não há ressentimentos?
Eu: Nenhum, só quero que esteja tudo bem.
Ele: E necessidade de castigar?
Eu: Também não, há coisas que não consigo perdoar, mas arquivei.
Ele: Libertou-se então?
Eu: Completamente, tirando as situções absolutamente necessárias, passo dias e dias sem sequer me lembrar que em minha casa algum dia foi diferente.
Ele: Foi um acumular de coisas más que depois saíram todas ao mesmo tempo.
Eu: Exactamente, fiz uma limpeza geral. Uma purga.

Aquiles

Depois de puxar a fita atrás, acho que já sei como é que estuporei o meu tendão. No sábado passado tive um jantar, não de Natal, mas um jantar que acontece todos os anos (... este foi o de 2008, atrasadíssimo portanto) onde me junto a mais de uma dúzia de amigas, algumas colegas de trabalho e outras não. Juntamo-nos, comemos e bebemos, e depois vamos dançar a qualquer lado. Então, aqui a nina resolveu empoleirar-se nuns sapatos de salto alto que não lhe magoam os pés. Pois... achando que se iria aguentar toda a noitinha a dançar. Mas aguentei-me, aguentei-me bem, os pés sobreviveram intactos, dancei toda a noite e nada, nem uma bolha, uma categoria. Fodi foi o tendão, mas isso é só um pormenor. Não dei por nada nem no sábado, nem no domingo nem na segunda. Só na terça é que acordei com a perna a doer-me. Não liguei nenhuma. Na quarta fui à farmácia comprar pomada para distensões musculares e meti uns anti-inflamatórios. Continuei a não ligar nenhuma. Na quinta, aquela merda não melhorava e ao fim do dia, já me doía não só a perna, como o tornozelo e também o pé. Alto e pára o baile! Médico imediatamente. Diagnóstico: tendão de Aquiles todo marado. E pronto, verifico que os saltos altos são o meu calcanhar de Aquiles, l-i-t-e-r-a-l-m-e-n-t-e !!! E assim o magnífico vestido que comprei para a passagem de Ano fica no armário para dar lugar às calças que serão acompanhadas das botas de salto raso. Está decidido.

18.12.09

Always think twice

Não gosto de gente impulsiva. Este assunto surgiu durante uma conversa com alguém que muito estimo e admiro. Fez-me várias perguntas às quais respondi honestamente. Perguntou-me se estou mais impulsiva. Não estou, não sou. E não gosto de gente impulsiva, que não pensa antes de falar ou de fazer. Que não mede as consequências do que vai fazer ou dizer. Não gosto. Mas também não gosto de gente que pensa demais e contorna e desvia e evita. Não gosto de gente calculista, que não dá ponto sem nó. O que eu gosto é de gente espontânea, mas que não magoa gratuitamente e que tem consciência do que diz, do que faz e do que é. Gente autêntica. Com os outros e consigo própria.

Sintonia

Deito-me e os lençóis trazem-me a suavidade da tua pele, e já não posso evitar tudo o que toma conta de mim. As minhas mãos já não são minhas, são as tuas que percorrem o meu corpo sofregamente, ávidas de mim, de ti, de nós... O fogo, louco... atrai os meus, os teus dedos que percorrem o caminho que tão bem conheces. Sentes-me? Quente, em brasa, pronta para ti... tortura. Acelero, o coração dispara, não páro, não pares agora...

17.12.09

Ser mãe também é...

ter o tendão d'Aquiles todo fodido, a doer mais do que parir um filho e ter de trazer os putos pra casa na mesma, dar-lhes banho e jantar. Noutro dia qualquer teriam ficado a dormir em casa dos meus pais deixando-me sossegada. Sucede que a minha mãe tem trabalho logo pela manhã e não pode tratar deles e leva-los à escola. Calhou bem, não calhou? Só me apetece ganir...

Juro que não sei como é que dei cabo do puto do tendão! Fico fodida!

K.O.

Esta noite dormi sensivelmente 10 horas, ainda não estou em mim. Para quem dorme em média 4 a 5 horas por noite, isto é altamente perturbador. Parece que acordei de uma anestesia, ainda fui ver se tinha uma cicatriz escondidita algures, mas não, e galos na cabeça também não encontrei. Tudo normal portanto. Não percebo o que me aconteceu para ter aterrado àquela hora. Tenho a sensação que mais logo vou entrar em casa com medo, algo estranho se passa. Está bem que me ando a queixar de falta de sono há meses, mas também não é preciso exagerar, certo? É que a dormir não se aprende nada.

16.12.09

Spark

Entramos, e enquanto tirava o casaco
Não tiraste os olhos de mim.
Fingi não perceber, sentamo-nos.
Finalmente encarei-te, não foi preciso mais.
Olhos nos olhos e incendiamo-nos.

Work out

Se esta merda já era um circo para estacionar todas as manhãs, agora que estão a fazer obras de recuperação no edifício daqui do lado é um inferno. Com menos uns 10 lugares, ocupados neste momento com areia, arames, tábuas, telhas, etc... temos de nos desenrascar da melhor maneira para conseguir vir trabalhar. Há quem deixe o carro no parque do supermercado ali do fundo da rua, há quem deixe nas inúmeras garagens desta rua, e há quem deixe em cima do passeio. Tudo mal, o problema é que não há um parque de estacionamento dentro de um raio de distância minimamente aceitável. Eu juro que se não tivesse de deixar os miúdos na escola viria a pé. Já fiz a experiência e sobrevivi. 20 minutos desde a porta do meu prédio até ao centro, sempre a subir, e depois mais 5 minutos para chegar aqui ao office. Acontece que está prestes a abrir um mini-parque de estacionamento nas traseiras de uma casa, Ok, porreirinho penso eu. Já lá estou. Mas 60,00€ por mês??? Merda para isto, é caro! Eu acho caro! Quer me parecer que vou continuar a fazer as minhas manobras milimétricas para estacionar uma carrinha que mais parece uma traineira em sítios que ninguém acredita. Se o caminho a pé me faria bem às pernas, as manobras fazem-me bem aos braços. Ok...

15.12.09

Driving

Vi-te.
Ao longe.
Aproximei-me e encontrei-te.
Depois, acelerei e ultrapassei-te.
Pela direita, a todo o gás.
De vez em quando olho para o retrovisor.
Ainda lá estás.
Ao fundo.
E não aceleras.

Quit

Hoje, pela primeira vez pensei em deixar de fumar. Mesmo. Não como todas as tentativas que fiz, em que a melhor durou 5 semanas, todas foram sem vontade. Sim eu sei, sei disso tudo, é impossível não saber ou ficar indiferente a toda a informação, basta não ser cega nem surda e saber ler. Mas sempre, sempre, o prazer de fumar um cigarro, o prazer de cada cigarro bateu tudo o resto. Nunca tive vontade de deixar de fumar. Estive sem fumar durante muito tempo por duas vezes. Durante a gravidez e aleitamento, das duas vezes. Mas só porque sabia que acabando, podia voltar a fumar. Aguentei-me bem porque sabia que era temporário. Gosto tanto, mas tanto de fumar, é o inspirar o fumo, é o expira-lo, não sei explicar, tanto me acalma como me excita, o que sei é que só fumo se puder disfrutar o cigarro como deve ser. Se for às escondidas, é esquecer, não fumo. Se tiver de ser à pressa também não gosto. Gosto de fumar nas calmas, ou então nem vale a pena. Sou capaz de estar um dia inteiro sem fumar se as condições não se reunirem, e não me importo. Espero até poder fumar com prazer. Depois, estou convencida que mesmo que deixe de fumar, vou pensar nos cigarros o resto da vida. Vou penar, para sempre. Acho que nunca os vou esquecer, que vai ser um calvário, pensar em fumar e ter de contrariar a vontade, diariamente, vinte vezes por dia. Não sei se aguento, o mais provavel é não aguentar. Por isso nunca me martirizei muito com a ideia de parar de fumar definitivamente. Fiz tentativas, mas sem convicção. Uma amiga francesa que tive, dizia-me: j'ai arreté d'essayer d'arreter, parei de tentar parar, mas em francês é muito mais engraçado. Ela tinha encontrado a paz, estava constantemente a tentar deixar de fumar e era uma  miserável, depois desistiu de tentar, e vivia sossegada. Hoje foi a sério, veio de dentro de mim, não sei, veremos o que isto vai dar. E agora o último antes de dormir.

14.12.09

Always look at the bright side

O primeiro carro que tive foi um um carro usado, era pequenino, não estava em mau estado e não era potente. Era um carro porreirinho para uma miúda de 18 anos acabadinha de tirar a carta. Mas eu gostava dele. Isso de dizerem que não há amor como o primeiro é bem verdade, comigo e com os meus carros bate certo. O meu carro foi assaltado, numa noite fria que me gelou quando de manhã cheguei ao pé dele e vi o canhão da chave arrombado e um buraco no sítio do rádio. Fiquei doente, mas lá fui trabalhar. Chegada à empresa, contei a "percipécia" (adoro corromper esta palavra) à malta. Eu tristinha, chateada, revoltada, e diz-me um dos motoristas: "Oh menina, não se enerve, pense bem, era muito pior se lhe tivessem levado o carro e tivessem deixado ficar o rádio..." Quase que nos atiramos para o chão a rir. Desde esse dia que tento ver o "outro lado" da vida, às vezes é difícil de encontrar, mas tento. Seja o que for que nos aconteça, temos de pensar que poderia ter sido muito pior.

Keep it simple

Para quê complicar se no fim, o mais simples é o que nos dá mais prazer? Mas porque é que nos perdemos tantas vezes em pormenores esquecendo o essencial? Mania de dar voltas, florear, torcer e retorcer as coisas, querer que tudo seja afinado, moldado e ajustado ao nosso olhar. O crú agride-nos porque não é exactamente como queríamos que fosse. Não estamos preparados para ver o que lá está, queremos ao invés, ver o que nos convém. Não vale a pena, o que é, é. Independentemente da  nossa vontade. Só podemos decidir se queremos ou não.
Eu quero.
Puro.

12.12.09

Irracional

Ainda hoje o meu coração acelera e a minha pele se arrepia. Ainda hoje fecho os olhos e respiro fundo. Nada mudou portanto, Prince meu amor... há quanto tempo me cantas o Purple Rain?

11.12.09

Suspiro

De cada vez que me olho ao espelho e me aborreço com  as dimensões das coxas e da anca, levanto os olhinhos, pouso-os no decote e sorrio. Ah... que maravilha. Gosto mesmo das minhas mamas, agora. Pena que estejam prestes a ir à vida... É... a vida é feita de escolhas, e eu tenho de escolher entre ter um par de mamas minimamente aceitável ou caber nas putas das calças. Como não estou para comprar roupa nova, adeus mamas... azar.

10.12.09

As good as it gets

O puto tem 6 anos, não sabe falar inglês, tirando aquelas coisas básicas das cores, animais etc... que aprendeu no infantário e agora na 1ª classe. Mas curte à brava cantar alto e bom som em inglês. Não faz a mínima ideia do que está a dizer, repete os refrões mais ou menos bem, pelo menos identificam-se as palavras, o resto é apenas imitação de sons que se tornam hilariantes porque está com os "coisos" do Mp3 metidos nos ouvidos. Vai dos Pink Floyd aos U2, passa pelo Michael Jackson e pela Madonna. Mas gritos e saltos é com os Rage Against the Machine. Estas merdas comovem-me, que querem?

Belíssima


Das mulheres mais bonitas que já vi.
Monica Belluci.



Cambada

A mim disseram-me que no século XXI iriamos ter uma série de merdas fixes e nada. Fico fodida, claro que fico. Por exemplo, a mim disseram-me que no século XXI uma pessoa ia poder meter-se numa cena parecida com uma cabine telefónica e carregar num botão e desaparecer de dentro da cena e aparecer dentro doutra cena noutro sítio qualquer, e diziam que aquilo era altamente, ou seja o teletransporte. Quem é que não se lembra de ver esta merda na televisão? Ele era o Star Trek, ele era o Espaço 1999, e por aí fora. Ah pois, mentiram-nos com todos os dentinhos da boca. E nós, burros, acreditamos. E convencemo-nos que quando fossemos adultos iriamos usufruir destas e doutras cenas fixes amplamente divulgadas na televisão. E quê? Nada! Quer dizer, os melhores cérebros do mundo escavam túneis com quilómetros de comprimento, com máquinas e computadores e fios e merdas que não lembram ao diabo, gastam milhões ou biliões, eu sei lá, e nem uma cabinezinha telefónica para a gente dar um saltinho rapidinho ali a Paris, ou a Londres ou a outra cidade qualquer? Ir num pé e vir noutro? Dava tanto jeito... Cambada de mentirosos...

8.12.09

Não sei que lhe diga.

Não consigo ser uma boa amiga quando falo com ela. Quando ela me conta todas as dores de cabeça e de alma que tem. Quando ela se queixa de como ainda lhe dói. Não consigo dizer-lhe nada que a possa ajudar. Tudo o que me ocorre é descabido, desajustado ou insensível. Tenho pena, muita pena de não a poder ajudar. Contudo passei por uma situação muito semelhante, mas com uma grande, enorme diferença. Ela, ela ainda gosta dele. Depois da confusão, depois de todas as mágoas, ela, sempre gostou dele, ainda gosta dele. Não sei que lhe diga. Por isso, eu não passei. A minha fase da confusão e das agressões já não tinha nada que ainda magoasse. Essa parte foi antes, muito antes. Ela acabou a relação antes de acabar o amor. Eu acabei a relação depois do amor ter acabado. Não sei que lhe diga, não consigo dizer-lhe nada de jeito.

Talvez

Ficou-me um gostinho amargo.
Eu achei que iria ser doce, não foi.
Foi bom, mas não foi doce.
Talvez nem haja doce.
Talvez, não sei.

A questão da idade

Há dias assaltou-me uma ideia, (e de revólver em punho a gaja...), que, confesso, me surpreendeu. Tenho 34 anos, já ia sendo tempo de começar a usar um creme anti-rugas não? Se calhar era bom. Isto nem parece meu, mas pensando bem, já tenho idade para uma série de coisas, agora que exploro esta coisa da idade. Se eu fizer uma "check list" pegando no exemplo da minha mãe é capaz de ser engraçado, ora vamos lá:

A minha mãe, quando tinha a minha idade:

- tinha 2 filhos, um de 10 (eu) e outro de 7
- era elegantéeeerrima e continua a ser
- usava saltos altíssimos a que chamamos "stilettos" agora
- usava saias travadas e casacos de peles
- fartava-se de trabalhar, tanto em casa como no trabalho
- tinha os pais a seu cargo, a mãe já incapacitada
- tinha um irmão solteiro a viver em sua casa que lhe "tocou" pois ficou a viver com os pais depois de se casar
- não tinha mulher a dias, fazia ela tudo o que envolve a manutenção de uma casa com 7 pessoas, sendo destas 2 velhos e 2 crianças
- continua casada com o meu pai, e no dia de hoje celebram 35 anos de casados.

Agora moi:

- tenho 2 filhos, um de 10 e outro de 6
- sou rechonchuda, luto contra o excesso de peso desde que me conheço e a tendência é piorar com a idade
- começo apenas agora a usar saltos altos, mas é esporadicamente e nem se comparam aos "stilettos" matadores da minha mãe
- uso basicamente jeans e casacos que descambam para o estilo motard, mas começo a piscar o olho a alguns vestidos
- farto-me de trabalhar, mas mais no trabalho do que em casa
- nunca tive ninguém a meu cargo além dos meus filhos
- em minha casa éramos 4, agora somos 3 e tenho mulher a dias uma vez por semana
- acabo de meter a papelada do divórcio ao fim de 12 anos de casamento

Hum, quer dizer... E eu a pensar que isto era capaz de ser engraçado, analisando o raio da lista não achei piadinha nenhuma, juro que não.

7.12.09

Certezas

Tenho muitas dúvidas. Questiono-me e questiono os outros vezes sem fim mas sempre em silêncio. Quando verbalizo, normalmente é porque não é importante. As questões importantes têm direito a silêncio e observação, o decorrer do tempo traz algumas respostas. Nem sempre obtenho respostas, mas vou recolhendo alguma informação que às vezes me sossega, outras vezes me perturba.  Por outro lado, também tenho certezas, que não sei explicar de onde vêm, não têm qualquer origem lógica ou racional, mas que dentro de mim são certezas. São coisas que sei. Simplesmente sei. Estas certezas acontecem-me assim, e não consigo livrar-me delas. Deve ser isto a que chamam intuição, não sei. Contudo, o que é mais perturbador nestas certezas, é que não me lembro de nenhuma vez em que me tenha enganado. De todas as certezas que tive, não foram muitas, nenhuma falhou. Bateu tudo certo. Isso é que me perturba. Já me aconteceu olhar para alguém e saber o que ia acontecer. Houve um momento, não sei explicar como, em que soube. E aconteceu. Já me aconteceu ver 2 pessoas conversarem normalmente e eu soube que aquelas duas pessoas iriam ficar juntas. E ficaram, assim como também soube mais tarde que se iriam separar, sem qualquer sinal. Não sei, eu olhava para eles e sabia. E separaram-se. Cheguei a comentar e ninguém acreditou. Também tenho a convicção de que vou ter mais 2 filhos, não sei explicar porquê. Quando nasceu o primeiro, imediatamente soube que iria ter mais 3 filhos. Houve outras, algumas más, muito más, e também não me enganei. Tudo isto me perturba, mais do que por saber o que vai acontecer, perturba-me porque nada posso fazer para o mudar.

6.12.09

Toranja - A carta

(Nunca tinha prestado atenção a esta letra, até hoje, quando a encontrei por acaso)

"Não falei contigo
Com medo que os montes e vales que me achas
Caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
Que a estabilidade lógica
De quem não quer explodir
Faça bem ao escudo que és...
Saudade é o ar
Que vou sugando e aceitando
Como fruto de Verão
Nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
Que num dia maior serás trapézio sem rede
A pairar sobre o mundo
Em tudo o que vejo...
É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Desconfio que ainda não reparaste
Que o teu destino foi inventado
Por gira-discos estragados
Aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
De sincronização do coração
São leis como paredes e tectos
Cujos vidros vais pisando...
Anseio o dia em que acordares
Por cima de todos os teus números
Raízes quadradas de somas subtraídas
Sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
Um ciclo vicioso
Harmonioso ao teu gesto mimado
E à palma da tua mão...
É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Numa chama minha e tua.
Desculpa se te fiz fogo e noite
Sem pedir autorização por escrito
Ao sindicato dos deuses...
Mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
Como refúgio dos meus sentidos
Pedaço de silêncios perdidos
Que voltei a encontrar em ti...
É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...
...nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Numa chama minha e tua.
Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém...
Se não te deste a ninguém
Magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.
A mim... passou-me ao lado."

5.12.09

Recap

No dia em que fez 6 meses que ele se foi embora, entreguei os papéis na Conservatória. Não foi premeditado ser precisamente nesse dia, apenas calhou assim. A correr bem, embora não acredite muito na rapidez do processo, começo o próximo ano já com novo estado civil. Veremos. Lembro-me de mais ou menos por esta altura, no ano passado alguém no trabalho ter ido ver as provisões do horóscopo para 2009. A mim diziam-me que este ano iria ser um ano de grande mudança, e eu ria-me. Eu já sabia disso. Eu já sabia o que iria dizer o meu horóscopo. Sucede que não sei, nem quero saber o que vai acontecer em 2010, como se eu acreditasse nas previsões dos astros. Mas prefiro assim, está tudo em aberto, tudo pode acontecer. É bom este sentimento de expectativa sem esperar nada de concreto. A certeza de que há um mundo de possibilidades à minha espera, sem que eu queira nada de especial. Que tenho tudo ao meu alcance, tudo à minha disposição, e eu sem pressa nem ânsia. É bom.

4.12.09

Amo-te

Amo-te. E depois?
As palavras valem pouco quando não são coerentes com a atitude.
Amo-te. E depois?
As palavras valem pouco quando são usadas como uma borracha  para apagar o sofrimento causado.
Amo-te. E depois?
As palavras valem pouco quando são usadas como tábua de salvação.
Amo-te. E depois?
As palavras não valem nada.

Nunca duvidei que de facto me amasses.
Provavelmente ainda me amas.
Mas não me soubeste amar.
Há muito que não te amo.
Percebeste isso.
Só que há pouco.

3.12.09

And the Oscar goes to:

Por acaso, só por acaso, deparei-me com a melhor tradução de sempre na história do audiovisual em Portugal, (ui, que isto até rimou!) que como toda a gente sabe há-de ser das piores nações a traduzir títulos de filmes, séries, etc... Excepção seja feita a títulos básicos de uma palavrinha só como o Dallas, mas esses não contam como traduções certo? Nomes não se traduzem, dahaaaa!!!

Pois muito bem, senhoras e senhores, o Oscar para a categoria de "melhor tradução de título" vai para a série infantil (transmitida não sei em que canal, não fixei, mas que é um verdadeiro marco histórico):

Lazy town

Traduzido para português como: 

Vila Moleza

(É ou não é do melhor? Hein?)

2.12.09

Risks

"Risks. How we feel about them says a lot about us."

(unknown)

1.12.09

De longe a longe

...encarno um personagem. Não se trata de mentir, e também não considero que seja fingir. Acontece que há alturas em que para que as pessoas se dêm conta das suas próprias atitudes não adianta nada contrariá-las, a única atitude que resulta é ser burra e obediente. É  mais ou menos equivalente a mostrar-lhes um espelho. Temos sempre essa possibilidade, eu faço isso muito mais do que entrar em discussões inúteis, há posturas que podemos ter, que simplemente são como esfregar-lhes com um espelho na cara. Sem precisar de gritos nem zangas, é muito mais eficaz mostrar. Este "personagem "é extremamente eficaz se utilizado com pessoas inteligentes que tenham a capacidade de a dada altura analisar a própria postura e ajustar a atitude de acordo com o que acabaram de ver no tal espelho que lhes mostro, caso contrário é perder tempo. Burra e obediente, sou-o as vezes que forem necessárias, e sou tão boa nisso.

30.11.09

Abraço

Conheço-te a pele, as mãos, o sexo. Conheço-te os olhos, a boca, os lábios. Mas não te conheço o abraço. Aquele que se dá depois, aquele que diz que se está bem, exactamente onde se quer estar naquele momento. Aquele que mostra que mesmo tendo, não se tem pressa de ir, e que cristaliza o momento numa boa recordação. Não te conheço esse abraço, esse, não o deste. Nem eu to pedi.

27.11.09

Stretchy weekend

E eis que de repente, dois dias de sorna se transformam em quatro. Há lá coisa melhor do que um fim de semana que só acaba na terça-feira à noite? Há nada...

What goes around comes around

Ontem à noite:
"Não mãe, não te levantes, deixa-te estar, eu faço-te o chá"
O meu filho fez-me um chá, coisa insignificante para muitos, mas para mim foi um momento marcante. Foi a primeira vez desde há muitos anos que alguém fez alguma coisa por mim. Ainda por cima o meu filho. E lembrei-me de quando era miúda e a minha mãe tratava de mim quando estava doente. Venha quem vier, é um facto incontornável que só quando nos tornamos pais percebemos o que significa estar constantemente disponíveis e alerta para as necessidades dos filhos. Não importa se estamos doentes, se nos dói a cabeça ou se estamos mal dispostos, eles estão primeiro e reduzem as nossas próprias dores à insignificância. Aí relembramos todos os momentos enquanto crianças em que a nossa mãe ou o nosso pai nos trouxeram o leite à cama ou nos acarinharam durante a noite afastando os nossos pesadelos. Aí pensamos que nem por um segundo nos ocorreu que também eles poderiam sentir-se mal mas abdicaram sempre deles próprios em nosso proveito. Aí, secretamente agradecemos todos esses mimos e além do amor e dedicação que lhes temos, agarramo-nos também a essa recordação que nos traz ainda mais força para fazermos exactamente a mesma coisa pelos nossos próprios filhos. E depois os nossos filhos crescem e começam a retribuir e nós ficamos tão contentes. E pela primeira vez percebi que também eu proporcionei momentos destes à minha mãe.

26.11.09

Porque mesmo uma mulher como eu tem as suas fraquezas

Quem me conhece sabe que o "outfit" abaixo é a minha cara.
Ok, menos as botas...
Acontece que nunca na puta da vida me iria assentar como à manequim, por isso olho para a foto e nem sequer me permito sonhar com a roupa, tenho a certeza absoluta de que adquiri-la representaria um esforço completamente em vão. Fico-me pelo delírio, que é uma cena que não chega a ser um sonho, de tão estapafúrdio que é. É verdade, juro, eu tenho destas cenas às vezes, eu sei que não parece, mas é verdade, a sério, tenho, tenho.


Vivienne Westwood - Fall 2009 Ready to wear collection

25.11.09

Pronto, já está!

Os 7 dias de molho do mais velho acabaram, já curou a gripe e amanhã regressa à escola. Chego do trabalho hoje e o pequeno tem febre. Porreiro, outro que fica 7 dias recolhido, começa amanhã. Acaba um e começa outro, se fosse combinado não acertavam. Mas nem tudo é mau, se tivessem de ficar os dois em casa ao mesmo tempo, alguém iria entrar em depressão profunda, rouquidão extrema e cansaço muscular generalizado. Os meus filhos dão-se bem, que fique claro. Mas é só durante os primeiros 30 minutos, depois... bem depois... é uma alegria!

Keane

Por acaso travei conhecimento com a música destes três moços logo no início, o que não é normal. Normalmente, quando se trata de bandas ou cantores novos, quando eu percebo que existem já têm dois ou três trabalhos publicados e já não são recentes. Ando sempre atrasada nestas coisas. Mas neste caso não. Lembro-me que ouvi na rádio um piano que me surpreendeu, uma melodia muito bem construida e uma letra honesta que me prenderam o ouvido. E fiquei atenta. Não apanhei o nome da banda ou do cantor, mas fiquei atenta. Alguns dias depois consegui saber quem tinha feito aquilo, Keane, banda inglesa, três putos, ok. Comprei o cd e escusado será dizer que me apaixonei por eles. Já não falo do piano, que toda a gente sabe da minha obcessão por ele, mas rendi-me completamente à música destes três putos. Gostei da simplicidade de apenas umas teclas uma bateria e voz. Tão pouco e tão extraordinário. A composição é bem estruturada, complexa, não tem nada de simples. Só quem sabe muito bem o que está a fazer é capaz de compor música assim, estes rapazes não aprenderam a tocar na garagem. Goste-se ou não do género, temos de lhes dar crédito, eles sabem ler pautas, conhecem os tempos, os ritmos, sabem ler e escrever notas e aproveitam os sustenidos e os bemóis. Acontece que eu gosto do género. Gosto de ouvir o piano, mas ouvi-lo bem e não disfarçado no meio de muitos instrumentos, gosto de escutar letras honestas, mesmo sendo umas mais lamechas do que outras. Não são complicadas de perceber, mas são fortes, palavras simples, mas frases fortes. E entendo e aceito que neste último trabalho eles tenham querido experimentar e tenham percorrido um caminho novo para eles, que quanto a mim resultou também bem. Reconheço as letras potentes, e a música também é pontente. Já ouvi dizer que ficaram descaracterizados, mas não concordo. Todos têm o direito de mudar, de experimentar, de tentar fazer e trazer algo de novo. Seria um tédio ficar sempre no mesmo registo, até porque depois também há quem critique dizendo que é mais do mesmo, nada de inovador. Eu gosto deles, aprecio a música que os moços fazem, tanto o antigo como o novo registo. Não tive oportunidade de os ouvir ao vivo, mas hei-de ter. Enquanto eles fizerem música de que eu goste, e enquanto tocarem ao vivo, oportunidades não faltarão. Aqui fica uma das que gosto mais.

Gastronomia

Uma conversa que tive ontem fez-me pensar, e pensei.
Sou exigente, é verdade. A questão foi colocada de forma ligeira, foi comparada com snacks e boas refeições. Entre debicar uns snacks e esperar para ter uma boa refeição com tudo a que tenho direito, prefiro sempre esperar pela refeição, dá-me muito mais gozo sentar-me à mesa e disfrutar das entradas, do prato ou talvez dois e da sobremesa, tudo regado com um bom vinho, do que ir comendo snacks aqui e ali.
Nem sempre há é restaurante à altura. Mas eu sei esperar, nisso sou muito boa para não dizer excelente.
E posso sempre recorrer ao Guia Michelin, os melhores estão todos lá.

24.11.09

Padrão

Eu tenho uma tendência estúpida para adiar aquelas coisas que só dependem de mim e são só para mim. É um facto indiscutível. Não faz lá muito sentido, porque sendo apenas eu a beneficiar da decisão o mais lógico seria tratar de vida, não seria? Volto à questão da disciplina, ou da falta dela. Do excesso de preguiça, ou de inércia. Que nojo. É cansaço também, que toma conta de mim depois de muito tempo em grande agitação. Não me apetece fazer nada, quer dizer, apetece-me mas depois não faço. É estúpido. Hoje, por exemplo estive à procura de um sítio para ir no próximo fim-de-semana e encontrei-o, o sítio ideal para passar dois dias nas calmas, sozinha e na sorna total. Nem sequer é longe, mas depois pensei, e entre ter de preparar a mala ainda que pequenina, de me meter à estrada provavelmente com um tempo de merda e no fim ter de voltar, também provavelmente com um tempo de merda e o passar o fim-de-semana no quentinho da minha casa, aninhada no meu sofá, na companhia da minha lareira e se correr bem, com o meu livro novo, não sei... hesito. Mesmo agora, ao ler isto que acabo de escrever, parece-me cada vez mais que a solução do descanso, no conforto da minha casa, é a que me fará melhor. Sempre ponho o sono em dia, ou quase, e se gostar do livro, tanto melhor.

Planeta X

Se os opostos se atraem, este lindo mês de Novembro só deveria ter-me trazido coisinhas boas, dado o meu "estado" negativo.
Mas não.
Aqui a nina anda mais por baixo e só lhe acontecem misérias. Devo viver noutro planeta onde as leis da Física tal como se conhecem na Terra não se aplicam.
É... deve ser isso. Tadinha de mim que está tudo contra mim, não tenho sortinha nenhuma, ai meu Deus o que é que eu faço?
P'ra já p'ra já só meto mesmo nojo, fazer fazer, começo já a fazer alguma coisa por mim abaixo este fim de semana. Ai não, não faço!

23.11.09

Flying high



Este vídeo foi gamado ao Pulha Garcia, aka O Bom Sacana (e não sei meter links nesta merda, sorry) mas não foi por mal, que eu gosto muito dele.

Life and death

Há 10 anos que não estou só. O mais velho faz hoje 10 anos. Desde o dia 23 de Novembro de 1999 que eu não penso só por mim, que eu não decido só por mim, que eu não ajo só por mim, ou seja tornei-me refém. Os progenitores são reféns dos filhos, temos sempre medo pelos filhos, ficamos presos a eles, desde que nascem até que um de nós morra. Não importa onde nem quando. Tudo o resto pode ir e vir, ser e não ser, estar e não estar, menos os filhos. Os meus filhos são a única constante da minha vida. E da morte também, serei vossa mãe mesmo depois de morrer, sereis meus filhos mesmo depois de morreres.
Estranhamente ainda não perdi a ideia de que terei 4 filhos, ainda persiste apesar de tudo. Algo em mim acha que ainda há mais dois para vir, o que neste momento é praticamente um absurdo, mas mesmo assim este sentimento não se esbate, e eu aceito-o.

Mal pensado

Foi mal pensado, o largar as rédeas. Ok... descansar e tal... ver a vida passar... mal pensado. Ver a vida passar não tem piada nenhuma, e além do mais a vidinha que vi passar é um tédio total. Fico mal disposta com esta vidinha entediante. Estou mal disposta. Tomar medidas, tenho de tomar medidas.

A partir de AGORA.

22.11.09

Tristeza

Amanhã despacham o meu livro, recebi a confirmação há uns minutos. Estou ansiosa por tê-lo nas mãos. Quero ver a minha reacção, quero ver se é a mesma que tenho tido nos últimos tempos. Uma tristeza profunda porque não tenho vontade de ler, pego e largo. Tem sido assim, pego e largo, nem a meio chego. O pior é que os livros provavelmente até são bons, o último que tentei ler é dum homem que já ganhou muitos prémios, o livro deve ser bom, eu é que não presto.

De certeza que foi por causa disto que demorei três meses a decidir comprar o livro. O desânimo toma sempre conta de mim de cada vez que pouso um livro, por isso não tive qualquer pressa, e tenho medo que aconteça a mesma coisa. Começar com muito entusiasmo e depois, ao fim de 2 ou 3 capitulos abandonar, e desanimar. Mas porque é que já não me entusiasmo como dantes? Ainda não percebi.

Será este que vai mudar tudo?

Write

"Better to write for yourself and have no public than to write for the public and have no self."

Cyril Connolly

21.11.09

Brand new old

Acabo de comprar um livro num leilão online. 7,50€ incluindo portes de envio. Um livro que me aconselharam a ler há 3 meses. Só hoje me dispus a encontra-lo e a compra-lo apesar de não me ter saido da ideia desde então. Está feito. É um livro velho, usado. Para mim será novo em folha. Levou-me 3 meses. É muito, mas estou satisfeita, comigo.

(É "O fio da navalha" de Somerset Maugham)

20.11.09

How is life?

Hoje, ao telefone com o S.

S.: So, how is life?
Eu: Life is pretty shitty right now actually...
S.: Why?
Eu: My son is sick.
S.: Oh, I'm sorry. I thought you were going to say that you don't fuck...
Eu: Ahahahah. But... true, I don't fuck much... life is pretty shitty in that department too...
S.: Ahahahah

19.11.09

Assombro

Ainda me espanto, depois destes anos todos com as coisas que os meus filhos me fazem.

O pequeno está aqui, estivemos a jogar às cartas, ora às orelhas ora à pesca. Momentos de puro gozo, sem televisão mas com o cd dele a tocar, com a selecção de música que ele fez e que o tio gravou. Pelo meio da palhaçada ia dizendo, tu gostas desta música mãe, eu sei que gostas, e eu a dizer que sim e a sorrir por dentro. Não há muito melhor do que isto.

O maior está doente, amanhã não vai para a escola. Por isso ficou em casa dos avós e assim amanhã não precisa de se levantar cedo nem de apanhar frio. E não me sai do pensamento, nem por um segundo.

É assombrosa esta capacidade que tenho de ao mesmo tempo e com a mesmíssima intensidade, sentir pura felicidade e estar triste como a noite.

And your promisses will turn into lies

Não compreendo as mulheres que caem no conto do vigário, que acreditam nas promessas deles que até querem mas não podem, que é muito complicado, que vão resolver tudo e que vão ser só delas, bla bla bla... mas nunca mais se despacham, e elas ficam à espera, deixam-se estar, têm peninha deles, e tudo e tudo. Ora, este fadinho tem dois significados apenas: ou é tudo treta, o que faz deles mentirosos, o que é mau, ou é mesmo verdade fazendo deles uns grandessíssimos cagões, o que é péssimo. Pelos mentirosos consigo ter algum respeito, é preciso ser bom para manter uma mentira deste calibre e conseguir iludir completamente uma fulana. Já pelos cagões não consigo ter respeito nenhum. Têm medo, não têm coragem de perseguir o que querem, e ainda se fazem passar por vítimas - vómito - despertando a compaixão e as ternuras à gaja. Prefiro gajos que assumem que o que querem é o que nós sabemos, que não estão com rodeios, e que não iludem ninguém. Sim, aqueles mulherengos do piorio, tipo: é p'ra isto, se queres tudo bem, se não queres, há quem queira. Estes ao menos não são mentirosos e muito menos cagões, além de que são muito mais divertidos.

18.11.09

Nem acredito

que o meu filho mais velho começou a ler um livro... nem acredito. Até tenho medo de falar nisto, mas aqui não é propriamente falar, por isso aqui posso. Começou ontem a ler "O diário de Anne Frank". É adaptado à idade dele (faz 10 anos daqui a 5 dias) obviamente, e hoje, como ontem, antes de dormir quis ler. Perguntei-lhe se estava a gostar e ele resumiu a parte que já leu ontem, interessadíssimo na história. Nem caibo em mim de contente. Desde que ele sabe ler que tento incentivá-lo a ler livros, livros mesmo, que os outros não contam. Nem acredito que está a resultar. Não vou contar a ninguém, não vá estragar-se o "encanto".

Não, não se trata de hipocrisia

Há o que eu digo, o que eu faço e o que eu sinto, 3 coisas diferentes. Se primeira e a segunda andam quase sempre a par, e se não andam não é de forma voluntária, a terceira tanto pode estar em perfeita sintonia com as duas primeiras, como pode estar completamente isolada e independente delas. O que sinto nunca condicionou o que faço ou o que digo, apenas se limita a existir. É sempre uma escolha minha permitir ou não que o resto esteja de acordo com isso.

O que não é necessariamente uma coisa boa.

16.11.09

Portishead - Sour Times

Last call

Não me contentarei com menos.
Quero e posso ter mais.
Não falo de sentimentos, nunca falei.
É tudo ou nada.
Tenho de sentir que o mundo é meu.
Naquele momento tem de ser meu.
Não me contentarei com menos.

Home



And I thank you
For bringing me here
For showing me home
For singing these tears
Finally I found that I
Belong
Feels like home
I should have known
From my first breath

It's no good



Don't say you want me
Don't say you need me
Don't say you love me
It's understood

Don't say you're happy
Out there without me
I know you can't be
Cause it's no good

15.11.09

Healing


DEPECHE MODE 14-11-2009 PAVILHÃO ATLÂNTICO

O som trespassa o peito e impõem o ritmo ao coração. Os olhos fecham-se e cada grave é um arrepio na espinha, que se estende pela pele molhada e quente. E no meio de milhares de pessoas estou só, no meio de milhares de pessoas não está lá mais ninguém, pois tudo, mas tudo é sentido como se fosse só para mim. Só para mim.

Never let me down again

14.11.09

Negação

Há homens que dão pouco e mesmo sendo pouco, parece muito.
Há homens que dão pouco e mesmo sendo muito, parece pouco.

Quero pouco, preciso de pouco, mas entre receber pouco e ter a sensação de que é muito, e receber pouco mesmo que seja muito tendo a sensação que é pouco, eu prefiro que o pouco que recebo pareça muito.

Na prática recebo o mesmo, eu sei, mas pouco parecendo muito faz-me muito melhor do que pouco parecendo pouco.

13.11.09

Agora sim

Depois de anos a arrastar-me num limbo ridiculamente longo, agora sinto. Sinto fúria e raiva, sinto alegria, tenho momentos de pura felicidade, e momentos em que me sinto uma completa miserável. Há dias em que sou pequenina, noutros sou poderosíssima. Agora sim, vivo. Tudo.

12.11.09

Scar tissue

Já não me apetece muito ir ao concerto dos Depeche Mode. Vou, mas depois da desilusão de Julho, agora já não tenho a mesma pica.

É sempre a mesma merda, depois de sofrer uma desilusão, já não é a mesma coisa. Acontece-me isto. Sempre.

Depois, até gosto, só que a desilusão é como uma cicatriz. Mesmo sarada, fica lá.

Gostava que um dia me provassem que não, que estas cicatrizes desaparecem, sem cirurgias.

Perfect fit

Todas temos aquele par de calças que é o nosso preferido. Aquele que nos assenta bem, que nos conhece as curvas, que nos envolve o corpo sem hesitar. Conhecemos bem o prazer de vestir aquelas calças, podem ser de ganga ou de sarja, podem até ser de fazenda, mas são aquelas que nos fazem sentir bem, são as que nos fazem gostar das nossas ancas e coxas, sempre que baixamos os olhos e temos a perspectiva que nos faz sorrir por dentro.

Há homens assim, que nos assentam como uma luva, que nos envolvem não a mão, mas o corpo todo, sem hesitar. Há homens que nos conhecem as curvas, mesmo que seja a primeira vez, há homens que tal como as nossas calças favoritas, nos fazem sentir bem, nos fazem gostar do nosso corpo e nos fazem também, baixar os olhos e gostar daquela perspectiva, tão bem que ficam nas nossas ancas, entre as nossas coxas…

11.11.09

Bálsamo

Já não me apetece chorar, já passou.
Os deveres, as gargalhadas, o banho, alguns gritos, as gargalhadas, o jantar, a conversa, as cartas, as orelhadas, as gargalhadas, as cócegas, as gargalhadas, o edredon, o beijo, o abraço e o sorriso,  o dorme bem meu amor, e o até amanhã.

Só me apetece

chorar.

Pesadelo

Não sei se chorei mesmo ou se só sonhei que chorei. No meu sonho chorei desalmadamente porque o meu filho mais velho, apesar de dormir profundamente na sua cama, me tinha sido levado. Eu tinha-o, mas tinham-mo tirado. Tão confuso, tão estranho. E eu chorava sabendo-o na sua cama e sentindo que o não tinha. O mais novo tentava consolar-me e não conseguia. Adivinho um dia mau...

10.11.09

Ironia

Durante muitos anos passei despercebida onde quer que fosse. Nunca me importei com isso, aliás a grande maioria das vezes o objectivo foi mesmo esse. Ultimamente não tenho passado despercebida, o que não deixa de ser estranho. Não é a indumentária que chama a atenção, essa mantém-se mais ou menos a mesma desde há vários anos. Continuo com o meu estilo muito básico e sempre de tons escuros ou neutros. Nada chama a atenção, daí que é estranha esta sensação de não passar despercebida. Mais, comparando o meu aspecto com o das pessoas que me rodeiam, a lógica seria que eu fosse a última a chamar a atenção. Não uso saias, nem curtas nem compridas, não uso decotes que quase nada há para revelar num decote mais profundo, não uso roupa da moda nem com brilhos nem estampados vistosos, e também não me maquilho. Não sou alta nem esguia, muito pelo contrário. Mas também, não olho para o chão, não encolho os ombros, não murmuro, nem tão pouco me escondo. Olho em frente quando ando na rua, olho nos olhos as pessoas a quem me dirijo, falo-lhes abertamente e com um sorriso, e não sou tímida, longe disso. Se quero passar e alguém está no meu caminho não hesito em pedir para se desviarem e se me chamam respondo. O mais divertido disto tudo é que já me olharam de cima a baixo e eu a ver que naqueles olhos que me olhavam estava a expressão de quem estava convencido que estava a ver uma gaja gay. Tive a certeza. A roupa simples e a falta de pose levaram a criatura a pensar isso. Além disso, a forma como o olhei e lhe disse: "Com licença, já está servido? Posso passar?" deu-lhe a certeza absoluta, que se lhe traduziu na expressão do olhar, de que estava perante alguém com atitude de gajo, portanto, só pode ser fufa a gaja. E é isto, é esta a dedução que normalmente se faz. Como não tenho medo de existir, como não me visto de acordo com o último grito da moda nem me apresento cheia de "não me toques", só posso ser gay. Ironia das ironias... não sou gay, só não vou é em paneleirices.

9.11.09

Follow

E não, não tem nada a ver com os concertos da semana passada!

What are the odds?

Quais são as probabilidades de pensares e escreveres sobre quereres ter um amante que te inunde de desejo, de descreveres cenas de um filme e fantasiares com isso, e dois dias depois te dizerem que vás ter a determinado sítio daí a 2 horas, e à chegada te agarrarem e te beijarem quase sem te deixarem falar, te empurrarem para cima de uma cama e te despirem quase furiosamente?

Quais são as probabilidade de sentires naquele momento que aquele homem te deseja intensamente e de por isso mesmo quase te deixares à mercê dele, de não pensares sequer em tudo o que imaginaste fazer-lhe se viesse, de quereres que seja ele a conduzir, a dominar, para saboreares todo o seu desejo por ti?

Quais são as probabilidades de isto tudo isto vir do homem que tu achavas que já não viria?

As probabilidades de tudo isto acontecer são muito reduzidas, eram muito reduzidas.
Tão reduzidas que tudo pode ser apenas uma mera coincidência.

8.11.09

Como se nada fosse

Cresci num ambiente onde toda a gente sempre disse o que tinha a dizer, na cara de quem tivesse de o ouvir. Sempre foi assim. Quando os meus pais casaram, talvez porque a minha mãe é a mais nova dos irmãos, ficaram a viver com os meus avós. Por isso, desde que sou gente que fomos sempre muitos em casa. Os meus pais, os meus avós, o meu tio solteiro (que vivia com os pais, logo connosco) o meu irmão e eu. Uma das lembranças que tenho de pequenita é de por a mesa para sete pessoas. E esta gente toda foi sempre assim, sempre que havia algo a dizer, dizia-se. E depois passava, passava-se à frente e ficava tudo bem. Fui educada assim, a não ter problema nenhum em falar, e a ter a certeza que depois tudo iria ficar na mesma. Quer dizer, não na mesma, mas sem ressentimentos nem amuos. Mesmo entre as minhas tias, a minha mãe tem 4 irmãs, mesmo entre elas é assim. Discutem umas com as outras, discordam umas das outras, mas nenhuma delas manda recado, dizem na cara o que têm a dizer, quase que se “insultam” mas nunca se zangaram. São irmãs e amam-se incondicionalmente. Não têm inveja umas das outras, e ajudam-se sempre que necessário. Admiro-as a todas, cada uma com as suas características, de todas aprendo sempre alguma coisa, aprendo sempre alguma coisa importante, aquelas mulheres na sua simplicidade de quase iletradas dão-me bocadinhos de sabedoria que nem sempre sei aproveitar. Voltando ao assunto, faz parte de mim o espírito de bater de frente, e perturbam-me as pessoas que não dizem o que querem dizer, que guardam para mais tarde e depois vêem com rodeios, e massacram espetando a faca na ferida, de mansinho mas certeiras, durante dias e semanas e meses… Conheci pessoas assim, convivi com estas pessoas, que são todas sorrisos pela frente e depois lançam a areia a cada oportunidade com o objectivo de desestabilizar. De tanto que insistem acabam por vencer pelo cansaço que provocam, porque já não se pode aturar mais. Eu não consigo ser assim. Aturei este tipo de atitude durante anos, aturei toda uma família assim durante anos, esta família sendo o oposto daquilo que sou. Ninguém batia de frente, sempre com rodeios, sempre com agulhadas, aquelas bocas meias de lado, como quem não quer a coisa, instalando aquele ambiente de cortar à faca. Até que já não podia aturar mais. E deixei de os aturar. A todos. Agora só tenho as discussões com o meu pai, com a minha mãe ou com o meu irmão, em que se berra alto e bom som, onde se diz que não, que não é nada disso, ou que se está a ser um grande palerma ou um grande burro, mas na certeza que no dia seguinte ou nem isso, que 15 minutos depois se restabelece a normalidade e se conversa sobre qualquer assunto com toda a naturalidade, e se reflecte sobre a discussão e quem tem razão não se vangloria e quem a não tem cala o bico e enfia a carapuça e promete a si próprio tentar fazer melhor na próxima vez. Assim, simples.

7.11.09

Comfort zone

"The comfort zone is a behavioural state within which a person operates in an anxiety-neutral condition, using a limited set of behaviours to deliver a steady level of performance, usually without a sense of risk."

This is where I want to be, in my comfort zone. I've been out there for quite some time and I am tired, I need to lay back and rest.

Baking

Pediram-me um bolo de chocolate, e eu disse que sim. Vou fazer o bolo de chocolate, com amor. Mas vou esperar por eles, porque essa é a melhor parte do bolo de chocolate, tê-los à minha volta, cheios de amor. Estão quase a chegar.

6.11.09

Stop // Pause

O constante exercício que faço de olhar para mim de fora para dentro, conjugado com a análise que faço de dentro para fora cansa-me, desgasta-me, suga-me uma boa parte da energia que ainda me resta. Se por um lado me facilita a escalada e me dá impulso para me levantar quando caio, por outro faz com que frequentemente me sinta no limiar da exaustão e deseje que fosse possível ficar algum tempo a ver a vida passar. Como se eu fosse uma simples espectadora, completamente impotente no desenrolar dos acontecimentos. Sempre fiz questão de tomar as minhas decisões antes que alguém as tome por mim, sempre fiz questão de analisar e racionalizar tudo o que sinto ou faço, mas tenho momentos em que a ideia de me sentar e encostar para trás e ficar só a ver não me desagrada de todo, levar as mãos à nuca e entrelaçar os dedos, levantar as pernas e cruzar os pés pousando-os em cima da mesa, enfim, descansar. Vou tentar, só por um bocado. Até recuperar o fôlego para voltar a tomar as rédeas. Tenho é de ficar quieta, senão arrisco-me a apanhar areia na curva e sem contar, sacar uns peões e acabar espatifada contra um muro. É este o grande problema de se soltar as rédeas, basta 1 segundo de distracção para sofrer um violentíssimo acidente. Por isso, quieta... quietinha...

5.11.09

Eu assino!!!

Comprei hoje outro par de sapatos de salto alto. Há cerca de um mês tinha comprado uns botins. No fim do verão comprei umas sandálias e em Março passado comprei também um par de sapatos. Todos de salto alto.

Mau!!!

Isto não é normal, ah não! Já vou em quatro pares de calçado de salto alto em poucos meses, alguma coisa no meu cérebro desligou, ou então alguma coisa entrou em "auto mode". Alguma função até aqui desconhecida disparou e começou a dar ordens aos olhos para se poisarem nos ditos, aos pés para os experimentarem e às mão para sacarem o cartão. Mas isto até se compreende, desconfio que a culpa é do cromossoma. Agora, a função mais complexa e díficil de desligar é a que afirma e confirma que gosta.

Dêem-me um papel onde esteja escrito que me vão internar que eu assino. Eu assino!!! Ráaaaapido...

A doce e inocente J.

A J. é uma moça americana, de origem eslovaca que vive em Los Angeles e que trabalha no escritório que a empresa onde trabalho lá tem, em Los Angeles, USA.

Ontem, ao telefone com ela:

Ela: So, how are you?
Eu: I'm good, thank you dear...
Ela: Listen, I'm anxiously waiting for you to be my friend on Facebook
Eu: Didn't I tell you that I had closed my Facebook account? Actually, it's been a while now...
Ela: Yes you did, but I was hoping you'd get back...
Eu: No J. I'm not really into that stuff right now, I'm more into real people, you know... flesh and bone...

4.11.09

Ronan Keating

Rapaz engraçado, que nunca levei a sério. Nem a ele nem à musiquinha dele. Só guardei uma frase de uma canção muito light, mas que na sua ligeireza me calha hoje muito bem. Diz assim:

"Life is a roller coaster, you just have to ride it"

Sendo hoje um dos dias em que a montanha russa está muito em baixo, com sérias dificuldades em subir, encravada diria até... tento pensar que eventualmente subirá, voltará a engrenar e a vista ampla substituirá a medonha perspectiva que hoje tenho a partir do fundo do poço.

Bottom line: as montanhas russas não se aproveitam de olhos fechados, há que mantê-los abertos mesmo quando estamos cagados de medo.

Não se aplica

A expressão "um dia de cão" não se aplica no meu caso. No meu caso seria "um dia de cadela", contudo nem no feminino se aplica pois até o bicho, independentemente do género, está errado.
Um dia de formiga, ou um dia de joaninha, ou um dia de mosquito, tão pequena que estou hoje. Existo, estou aqui, visível a olho nú, mas pequenina e frágil. Não, lembrei-me agora daqueles bichinhos que ao mínimo toque se enrolam sobre si próprios transfigurando-se em pequeninas esferas que tendem sempre a rolar para cantinhos onde mais ninguém os vê. É isso, hoje sou um bichinho desses, enroladinha sobre mim própria, só não consigo é ir para onde ninguém me veja. Tenho a sensação que estes bichinhos estão relacionados de alguma forma com a merda, mas até isso bate certo, há tanta à minha volta.

Hoje encolhi outra vez. Há dias em que encolho, reduzo, mingo. Minguei sob o peso da culpa. Pesa-me nos ombros, empena-me os braços e as pernas. Fico lenta, desajeitada.

E depois saio de mim e olho para mim, e vejo uma daquelas pessoas que desprezo, que têm pena de si próprias e que basicamente me metem nojo. Meto-me nojo hoje, porque esta manhã adormeci. Tive de saltar da cama e acelerar o ritmo para conseguir sair de casa a tempo. Só que não consegui. E o puto chegou atrasado à escola e a culpa é minha. É minha!!! E é tão grande que me esmaga, me transforma num bichinho redondinho que tenta rolar para onde ninguém o veja e não pode, tem de desenrolar e ir dar a cara ao Director de Turma e justificar a falta do rapaz.

Inspira.
Expira.
Agora vai.

3.11.09

National Geographic

As feras começam a mostrar as garras, é bom. Mas acho que há ainda toda uma selva a desbravar, um novo mundo a descobrir e explorar. Mas isto sou eu, que gosto de uma boa aventura.

1.11.09

O amante

Ou como um dia magnifico termina numa noite sumptuosa. Continuo com o meu copo de vinho e deparo-me com um do filmes que mais me marcou nos verdes anos. Sempre me interroguei sobre como seria rever este filme agora. Ver este filme com os novos olhos que tenho, com a nova cabeça que tenho, senti-lo como a nova pessoa que sou. Evidentemente que o vi de forma diferente. Vi-o sumptuosamente. Avassalador. Derrubou-me. Vi muito do que sou hoje, muito do que recentemente descobri sobre mim. Fez-me rir quando vi a rapariga desabotoar a camisa do chinês, percebi porque gosto tanto de botões, de botões desabotoados revelando a pele. Vi porque gosto tanto do contacto da pele, vi tanto, mas tanto. Eu sou aquela rapariga, só que já não sou rapariga. Sou mas já não sou. Nunca fui, e fui sempre a rapariga que desabotoa a camisa ao chinês, que lhe acaricia a pele macia na voracidade da descoberta. Eu gostava de ter um amante. Um amante que me tomasse à porta, cujo desejo o impedisse de chegar sequer à cama, que me saciasse ali, no chão, como eles pregados um ao outro no chão. Eu gostava de ter um amante, que não me amasse, como eles, sem amor, só desejo de pele e de carne. Desprovidos de sentimentos, e no entanto cúmplices na escuridão do quarto, mas expostos ao ruído da rua. Eu gostava de ter um amante, mas ao contrário dele, que não se apaixonasse perdidamente por mim, garantindo-me pelo menos a ilusão de que eu nunca me apaixonaria por ele. Há-de haver um homem, algures, capaz disto, é um homem, é um amante assim que eu quero.

31.10.09

Eu sou

Acabei de jantar, mas ainda não terminei o meu vinho. Nem sei quando irá terminar, pode até ser só quando terminar a garrafa. Sinto-me bem. Apetece-me continuar a beber o vinho branco, Periquita, não sei qual é o ano nem importa, porque gosto dele, é bom. Hoje foi um dia perfeito, não podia deixar de o registar. Começou com o acordar os miúdos com o habitual beijo, o pequeno almoço e o vestir. Tudo decorreu calmamente. Depois foram à aula de natação, aproveitei e arrumei a casa, as roupas e saí. Estive com o meu melhor amigo, tomamos um café e conversamos um bocadinho, só um bocadinho, ele estava a preparar uma sessão fotográfica que teria mais tarde para uma revista do ramo dele, está a ficar famoso. Fico feliz por ele, merece. Tem um talento extraordinário, efectivamente merece. Depois fui às compras, abastecer a casa de mantimentos, a velocidade a que desaparecem é alucinante. Depois do almoço os miúdos regressaram e inacreditavelmente estiveram cada um no seu quarto a fazer os trabalhos de casa enquanto eu arrumei o armário do stock. Chamo-lhe assim porque neste armário guardo os mantimentos, lembra-me os filmes antigos, do tempo da guerra em que as famílias guardavam mantimentos para quando os não houvesse. Faz-me lembrar os tempos em que as famílias se uniam, os grandes abriam as asas para proteger os pequenos, hoje sinto-me assim, de asas abertas com as minhas crias debaixo delas, aninhadas e quentinhas, protegidas do mundo. Mais um golo de vinho, tão bom. Depois saímos para a festa. Tão atrasada esta festa, tantas vezes perguntada esta festa. E finalmente marcada, organizada e oferecida à alegria, gargalhadas e energia inesgotável de 15 putos completamente libertos nos gritos e correria, derretidos em suor perdoado por ser a festa, sujos em bolo e sumo perdoados por ser a festa. Tanta alegria, tanta energia, tanta que não cabe numa só que eu sou e que sente que não podia, não me perdoaria se não lhe desse esta festa, nunca me perdoaria. Depois o regresso, atulhado de presentes. O inevitável banho, na minha banheira que eles adoram e eu delicio-me com os dois nús, a rir embrulhados em espuma e champo, e a água que queima e os faz saltar, e a toalha macia e fofa, e o cabelo a pingar. O pijama lavado já estava pronto, tão bem que cheira o pijama mãe, e eu sorrio. O jantar foi a cereja no topo do bolo, lasanha!!! Ena mãe, lasanha, a nossa comida preferida! E o vinho sabe-me cada vez melhor. Estarei enebriada pelo vinho talvez, mas nada supera, absolutamente nada supera estar enebriada pela felicidade.

29.10.09

Canalhice

Faz-me imensa confusão ver determinadas mulheres a colocarem-se gratuitamente em situações que permitem aos seus parceiros (ou potenciais parceiros) terem absoluto domínio sobre elas. É uma condição que me transcende há muitos anos, desde a altura em que na escola as miúdas mandavam a melhor amiga falar com o rapaz por quem estavam apaixonadas. Aquelas coisas de putos. Mesmo nessa altura eu questionava por que raio quereriam elas que eles soubessem, não tendo elas a menor ideia se eles correspondiam ou não. Colocavam-se automaticamente numa posição de "inferioridade", ou não? Eles depois fariam o que bem lhes apetecesse com essa informação. E provavelmente não fariam o que elas queriam verdadeiramente, ser correspondidas. Olhando para trás, atribuo este comportamento à imaturidade típica da adolescência. Hoje, em mulheres adultas este tipo de comportamento é simplesmente estúpido. Acho uma perfeita estupidez, não consigo dar-lhe outro nome. Mesmo sabendo que hoje em dia não compete sempre ao macho fazer a primeira aproximação, clichés aparte, eu não acho que se deva entregar o ouro ao bandido. E vejo-as prostrarem-se, entregarem-se, porem-se à mercê deles. E vejo-os deliciarem-se com isso. E as desgraçadas sofrem como cadelas, e eles alimentam-se disso. Têm um prazer em explorar esta miséria que não consigo explicar. Compreenderia se se tratasse de uma situação meramente carnal, se fosse apenas físico. Saber que alguém nos deseja faz bem ao ego, aceito. Mas explorar emoções alheias é de muito mau gosto. Alimentar-se da miséria alheia é cruel. Fazer crer que se gosta apenas para deleite próprio é pura canalhice. Elas metem-me pena, eles metem-me nojo. Para não falar dos que depois ainda as ridicularizam, esses só me suscitam desprezo, o pior sentimento de todos, que equivale a nada. Nada.

28.10.09

27.10.09

Começar bem o dia

Ok, tens vinte e seis mil, quatrocentas e setenta e quatro merdas para fazer, todas elas perfeitamente exequivéis. Mas não todas ao mesmo tempo. Nem sequer se trata de trabalho, se fosse era mais fácil. Em separado fazes tudo com uma perna às costas, com todas ao mesmo tempo sentes-te a encolher perante a grandiosidade da montanha.
Pára. Inspira.
Fecha os olhos. Expira.
Agora deixa-te de merdas e faz-te à vida. Define prioridades, estipula tempos. Arregaça as putas das mangas e mexe-te. Estás proibida de ter pena de ti própria, sabes perfeitemente que já passaste por muito pior e sobreviveste. Deixa-te de merdas, foda-se! E andamento, que se faz tarde!

(Hoje de manhã antes de me levantar desanquei-me, precisei de me meter na ordem, dei-me à panelereirice, baaaaaahhhh)

26.10.09

Try again

Na tentativa de transformar um falhanço pessoal numa vitória, resolvi registar desde o início, esperando que este registo seja uma fonte de vergonha no futuro. Pois que a vergonha, no que me diz respeito é bastante parca, eu estava no fim da fila e quando chegou a minha vez já não havia muita para dar. Por outro lado, não sei como, quando deram a preguiça fui logo das primeiras, e tocou-me um bom pedaço. Mas enfim, tentarei mais uma vez, e este ano é já pelo menos a terceira ou quarta. Vou então começar um programa de exercício físico, que vai consistir em caminhar (ou correr, mas não deitemos foguetes antes da festa) num tapete que não tem motor, só desliza ao ritmo do passo de quem em cima dele estiver. Pu-lo no meu quarto, obrigatóriamente colocado de forma a poder ver televisão, porque se à minha preguiça adicionar o tédio, pulverizo qualquer possibilidade de sucesso. Aqui virei, registar o tempo da caminhada de todas as vezes que caminhar. Não quero fazer previsões sobre a frequência pois arrisco-me a descambar logo à segunda vez. Prometo que farei o registo, mas não posso, caso falhe, prometer que tenha vergonha. Tenho tão pouca, precisarei dela, talvez, para outras andanças.

25.10.09

Pop up

Outra merda que embora não tendo sido nenhuma descoberta é de vez em quando confirmada. Destas merdas todas, há as que me perturbam, há as que são muito úteis na prevenção de posteriores dissabores, e há as que... as que... ora bem, há as que... não é que eu não soubesse já, mas... aquelas coisas que são... pronto, são aquelas coisas.

23.10.09

Script

Este fim-de-semana pretendo seguir a inspiração que esta música me traz. Sem me prender em detalhes ou dificuldades menores. Ir, ao sabor da inspiração. O filme que já fiz na minha cabeça inclui também um carro e conduzir a alta velocidade. Até onde me apetecer.

HQ

Um espécime de altíssima qualidade.
Sean Bean, actor, irlandês, maduro e bad ass.


22.10.09

Fire


É-me Impossível

explicar, então só me resta descrever que sofro por não poder sofrer. Isto é tão verdadeiro quanto contraditório. Se eu pudesse sofrer por eles, se eu pudesse fazer magia e transferir para mim as dores deles. Eles não sabem lidar com a dor, eu sei. Eles desesperam, eu não. E o desespero deles sufoca-me, rasga-me o peito, mata-me. O miúdo mais novo acordou literalmente a gritar, em pânico. Não conseguia articular palavra, demorei a perceber o que o atormentava, o ouvido. Os minutos que levei a ir buscar o analgésico e a verter água para o copo foram de sofrimento atroz, quando me aproximei dele batia com a cabeça na cabeceira da cama. Dei-lhe o xarope e de seguida a água, o sabor do xarope dá-lhe náuseas, e enrolei-me nele. Abracei-o o mais que pude e sussurrei-lhe ao ouvido promessas inúteis enquanto lhe limpei as lágrimas, grossas que já tinham molhado a almofada. Senti as minhas a querer saltar. Não, tu não importas agora, deixa-te disso, concentra-te nele que precisa da tua voz serena e segura. Tu não importas nada, só serves agora para lhe garantir que vai passar já, que a mãe está aqui e que vai tratar de ti muito bem, mas tens de te acalmar meu amor para parares de chorar e adormeceres porque quando acordares já não vai doer. Dorme meu amor, sossega. Só quando tu sossegares é que a mãe pode voltar a viver.

21.10.09

Alerta vermelho

Fui levantar os resultados das análises. Como sempre abri imediatamente o envelope para verificar os valores. Começo a ler a nada de mais, até que vejo o valor do colesterol: 220 quando o ideal é inferior a 200. Pensei que não é nenhuma desgraça, nada que uma dietinha saudável não resolva. E aqui soaram todos os alarmes. Oh que caralho! Dieta?! Lá se vão as mamas pr'o galheiro!!! Estou fodida, nunca terei umas mamas de jeito! Se não for duma maneira é doutra. É o destino, esse camelo do destino na minha ficha de certezinha que escreveu assim: Terás cú e ancas que se vejam (só porque são grandes, mais nada) mas mamas, minha filha, nem penses.

(Tenho p'ra mim que se algum dia pensar em próteses, o destino desenvolve-me imediatamente uma diabetes só para me impedir de as colocar)

20.10.09

Lume

Eu sei perfeitamente que ainda não está frio que justifique, mas eu andava mortinha por usá-la. A chuva e descida de temperatura de hoje foram desculpa suficiente para encher o cesto de lenha e trazê-lo, para logo ao chegar a casa acender a lareira. Gosto tanto, mas tanto de olhar para ela. Devo ter uma costela incendiária, que me impele para o lume. Gosto de lareiras, de fogueiras e de lume. Nunca na minha vida incendiei nada, só acendo lareiras, ou melhor acendo uma lareira. Ainda gosto mais dela este Outono do que no Outono passado, porque ela agora é minha.

O que sentes?

Sabes aquelas coisas que fazes sem sequer te aperceberes que as fizeste? Sabes aquelas coisas que simplesmente não consegues perceber como fizeste? Porque não viste o que estava tão perto de ti, e dás voltas à cabeça e não entendes como foi possível? Toda a gente já teve alguma vez na vida esta experiência. Imagina que o que não viste foi uma senhora na casa dos cinquenta e o que fizeste foi passar-lhe com a viatura por cima, mesmo em cima duma passadeira. Devagar, que a curva era apertada e estavas a tentar entrar com jeitinho. Imagina que só te apercebes quando já passaste com a roda da frente por cima da senhora. Imagina que algumas horas depois recebes a notícia que se a senhora sobreviver, se sobreviver, não andará mais pelo próprio pé porque ficou com a bacia desfeita, de tal forma que ainda não encontraram forma de a poder operar. Agora imagina viveres com esta irremediável culpa para o resto da tua vida. Imagina tudo isto. E se esta senhora for a tua mãe? E se esta senhora for a tua mulher? E se esta senhora for a tua irmã? Sentes-te capaz de matar o cabrão, em cuja pele te meteste há apenas alguns segundos, quando leste ali em cima. E agora, o que sentes? Consegues explicar o que sentes?

Não se enxergam

Há gente que não sabe e há gente que não sabe e acha que sabe, e mesmo com provas irrefutáveis de que não sabe à frente do nariz, continua a recusar-se a admitir que não sabe, para poder começar a aprender. Teimosos!

Esta também

é das que me mexe com o sistema:

19.10.09

Merda nos olhos

Estou no banco, ao balcão a depositar uns cheques. O rapaz já me conhece, é um fixolas, sempre simpático e bem humorado. Aparece uma moça, simpática também que me cumprimenta com um sorriso sempre que me vê apesar de nunca ter conversado comigo sobre coisíssima nenhuma. Vira-se para mim e diz-me assim, toda gaiteira: "Já abriu conta para a sua filhota?" Mau, começas bem tu, penso eu. Escavo fundo e vou buscar um sorriso que me custa um bocado e respondo: "Eu não tenho filhota, tenho dois filhos, mas porquê?" Ela, embasbacada mas sem perder a pose continua: "Ah, porque temos um produto que oferece uns prémios, que são uma PSP, ou uma bicicleta, ou (outra coisa qualquer que não me lembro), pode ser que lhe interesse" Resolvi alimentar um nadinha a coisa e digo que daquilo tudo o que eventualmente me interessaria seria a PSP porque eles têm uma e com duas acabava-se a trolhice. O rapaz da caixa começa a rir discretamente. Uso a palavra trolhice de propósito para tentar situá-la, só que não resulta. Estou já a dirigir-me para a porta, e ela chama-me: "Ah, mas tem de ver este cartão de crédito tão giro da Hello Kitty, tá a ver, olhe só, em fushia e com a bonequinha toda em strass, veja bem... não é o máximo?" Estaco, já está a ser demais. Explico-lhe que tenho 2 rapazes, não tenho meninas. "Eu sei, eu sei, mas para si!" A esta altura já o rapaz se ri às gargalhadas. Com toda a diplomacia que consigo, que não é muita, olho-a e digo-lhe: "Olhe para mim, olhe bem para mim, acha que sou mulher para andar com um cartão desses? Acha? Por favor!" E ela: "Então é melhor ficarmo-nos só pela PSP, não é?" "É, é melhor." E desandei dali para fora. Convém esclarecer que nem a minha vestimenta poderia induzi-la em erro porque nesse dia caprichei no básico: jeans, t-shirt lisa, não era um top da moda, era mesmo uma t-shirt clássica, lisinha, do mais simples que pode haver e sapatilhas allstar pretas. A gaja deve ter merda nos olhos, só pode. Hello Kitty? Eu? Está tudo doido?

Trivia

Há coisas que me passam completamente ao lado, outras coisas não. Dentro das coisas que não me passam ao lado há aquelas que eu gostaria que me passassem. Preocupo-me com merdas que adoraria que não me preocupassem de todo, e fico lixada porque me martelam na cabeça pormenores que considero verdadeiras paneleirices. A saber:
Paneleirice #1
Ficar com vestígios de comida nos dentes é uma merda que me chateia. Se estou com malta conhecida, faço aquele sorriso forçado e mostro a cremalheira para verificação. Se não estou fico aflita e tenho de ir à casa de banho ver-me ao espelho. Só depois de ter a certeza que não há pedaços de azeitona ou folhas de alface presas nos dentes é que fico descansada e relaxo.
Paneleirice #2
Ficar com a cueca à mostra quando me sento é outra cena que me consome. Aderi à moda do fio dental (no questions asked please) e não sendo eu uma rapariga propriamente elegante, a visão da cuequita a espreitar no lombo não corresponde de todo ao imaginário sexy de ninguém. Se a cadeira for tapada fico na boa, se não for passo a vidinha a passar a mão nas costas para ter a certeza absoluta que a parte de cima cobre perfeitamente toda a zona perigosamente ridícula.
Paneleirice #3
Os óculos de sol, sempre os óculos de sol. Tenho de os ter sempre comigo, é estupidamente inexplicável.
Paneleirice #4
Aspirinas, tenho de ter sempre aspirinas. À falta delas, poderão pontualmente ser substituídas por outro analgésico qualquer mas não descanso enquanto não comprar aspirinas para ter sempre na carteira, é doentio. Já pareço o House com o Vicodin, só que não as meto sem ter dores de cabeça ou de dentes, não exageremos.
Paneleirice #5
Gosto de um determinado tipo de isqueiros, os Bic mas dos grandes, e pretos. São já bastante raros agora e sempre que os encontro à venda compro vários e guardo. Gosto de gastar o meu isqueiro até ao fim, e fico doente quando o perco ou alguém mo gama. Há gente com a mania de meter os isqueiros ao bolso. Fico podre quando me fazem essa merda, o que me obriga a estar sempre atenta ao paradeiro do meu isqueiro.
Paneleirice #6
Os cabelos brancos, que já são muitos, e que pinto de castanho-escuro, a minha cor natural. Ao fim de 2 semanas já brilham as raízes, e obviamente que num cabelo castanho-escuro se vêem lindamente. Odeio. Mais valia não ter começado. Tinha agora umas valentes madeixas grisalhas e cagava. Do mal, o menos, como a minha mãe é cabeleireira não preciso de apanhar secas nos salões das dondocas. Ela atende-me ou à hora de almoço ou à noite, conforme me der mais jeito.

Vou parar por aqui, já vou na meia dúzia, e levar com meia dúzia de paranóias de gaja, convenhamos, é o limite, até para mim. E já é muito, arre!

No fundo, no fundo

o que me acende, o que me faz fechar os olhos e esquecer o mundo, o que faz vibrar todas as fibras do meu corpo, será por já não ser nenhuma catraia talvez, é uma boa música rock.
Just good old rock n'roll.

Tipo esta:

18.10.09

Hipocrisia

Manias e afins

Eu tenho a mania de sair de mim e olhar para mim como se fosse outra pessoa qualquer, com a vantagem de me conhecer melhor do que a outra pessoa qualquer. E às vezes percebo coisas que mais valia ficarem enterradinhas bem lá no fundo do subconsciente. Aquele tipo de informação totalmente desnecessária, que não contribui em nada para a felicidade de ninguém, completamente inútil. Se fosse sobre outra pessoa qualquer era igual ao litro, só que como é sobre mim é altamente perturbador.

O piropo do ano

Não ouvi mas foi-me transmitido 2 minutos após ter sido proferido: "E mais uma para escachar a minha cama". Também não foi para mim, mas escachei-me a rir à mesma.

17.10.09

Absolut(amente) triste

A miúda era lindíssima. Fresca, de sorriso fácil e luminoso. Uma boa aposta para servir bebidas no bar. Até aqui tudo bem. Quando se dirigiu a mim para me atender disse-lhe que queria uma Absolut com sumo de limão. Sorriu e explicou-me educadamente que sendo noite da mulher, se a vodka fosse Eristoff seria oferta, já Absolut não poderia ser. Eu sorri e disse: "Absolut, se faz favor". Olhou para mim, aproximou-se como quem quer contar um segredo e: "Mas... não é a mesma coisa?" Respirei fundo e nem abri a boca, ela percebeu.

(E está uma rapariga que não sabe a diferença entre Eristoff e Absolut a servir bebidas... aposto que também não distingue o paté do foie gras mas, também aquilo não é nenhum restaurante. Está certo...)

16.10.09

Música light, só porque é sexta-feira

Vai ter de ser

Foi esta manhã, a seguir ao pequeno almoço, que veio a pergunta que eu aguardava há já algum tempo.

"Mãe, quando é que me dás o telemóvel? "

Não foi "um telemóvel", foi "o telemóvel" porque eu havia prometido que quando começasse o 5º ano, ele teria um telemóvel, não antes. Ele esperou, calminho. O 5º ano começou e eu mantive-me em silêncio (talvez ele se esqueça pensei eu, sou crente...) e só hoje ele se manifestou. Vou ter de lho dar, já o tenho guardado há muito.

"Parece-me que sou o único da minha turma que não tem telemóvel, sabes? E estou um bocado triste com isso."

Posto isto, não há qualquer hipótese de adiar mais. Apesar de não perceber para que raio precisa um puto de 9 anos de ter telemóvel (mau era eu não saber, aos 9 anos, onde é que ele anda durante o dia, a todas as horas e minutos) vou ter de ceder, só para que o miúdo não seja descriminado. É ruim... os putos são tão cruéis nesta idade e o meu sofre tanto... É ruim...

15.10.09

Ok... ok...

Ok, parece que tenho de dar a mão à palmatória... quer dizer, tenho nada. Os moços ganharam, mas a cena toda continua a não me seduzir. Por falar em seduzir, é de mim ou os moços malteses são muito mais giros do que os nossos? É, tive de ver, não tive hipótese, mas só vi até cantarem o hino. Mais do que isso, desculpem-me mas para mim é violento.

14.10.09

Pois... se fosse eu...

Nem digo esta merda a ninguém que ainda me lincham publicamente com honras de estado, mas vingo-me aqui que ninguém vê. Irrita-me tanto o entusiasmo futebolístico, que quase que desejo que os gajos percam e acaba-se a confusão, o stress, a correria, os infinitos programas de televisão depois dos jogos, a euforia, o histerismo, as palavras dessa língua inventada utilizada por jogadores, treinadores, comentadores e jornalistas, para não falar da corrupção (ok, aceito que a nível de selecções não se verifique como nos clubes). Se fosse eu que mandasse acabava com esta merda toda. E mais, irritam-me infinitamente mais as mulheres histéricas com o futebol do que os grunhos dos homens, eles aproveitam para extravasar aquilo que o politicamente correcto não lhes permite, o que não quer dizer que lhes justifique a estupidez. Há jogo logo à noite e desde a hora de almoço que já ninguém trabalha. Mete-me nojo! É vê-los nas esplanadas de pipo ao Sol, a emborcar a cervejola por baixo de orgulhosas bandeiras que nascem espontâneamente em qualquer varanda. À hora do jogo já está tudo bem bebido, uma alegria. Se a equipa ganha metem-me todos nojo, se a equipa perde também. Se fosse eu que mandasse acabava com esta merda toda. Trabalhem que é disso que o país precisa, não é de jogos de futebol, que só vêm arruinar os índices de produtividade das empresas. E depois há crise, bando de podres!

13.10.09

E quando

acordas e são 2:00h da matina, e estás deitada no sofá, e ficas toda contente por já teres dormido, e te levantas e vais para o quarto quase sem abrir os olhos, apagas televisão e luzes pelo caminho, fazes o xixi sem acender a luz da casa de banho e lavas os dentes de olhos fechados, e te metes na cama devagarinho, e bocejas e te esticas, e… e de repente a suavidade dos lençóis na tua pele te desperta sensações que te tiram completamente o sono? Ah? Ah? Não ficas fodida? Eu fico.

É por causa de

inteligentes condutores como V. Exa. que este país é um paraíso de civismo. Passe bem e vá aprender a estacionar.

Foi o miminho que lhe deixei no párabrisas. Tivesse a criatura aparecido e ficava a esguichar sangue, mas deixei-lhe um bilhete educado.

Foi uma sorte

Foi por pouco que não parti as trombas ao grandessíssimo(a) camelo(a) que cagou (sim, cagou!) o carro no estacionamento e me obrigou a fazer vinte e uma mil manobras para conseguir sair. Com um metro e meio de espaço à frente o(a) anormal deixou o cú de fora impedindo a passagem à minha viatura. Não fosse a minha falta de tempo e tinha-lhe feito uma espera só para lhe dar cabo do focinho. Ainda perdi uns bons 20 minutos, fartei-me de apitar e nada. Veio o vizinho lá da rua e foi bater às portas dos possíveis sítios onde o(a) enorminho(a) pudesse estar. É que há vários, desde um bar, passando por 2 ou 3 lojas e acabando num cabeleireiro. Sim há espertinhos(as) que vão para o cabeleireiro e deixam os carros mal estacionados. Depois não ouvem o povo a apitar por causa dos secadores. Bando de burros!
Lá consegui tirar o carro, fiz-me valer da minha perícia nas manobras, que sem querer armar ao cagalhão é muito superior a muitos que por aí andam, aceitei a ajuda do vizinho lá da rua e passei com não mais de 2cm de cada lado e mais de vinte e uma mil manobras. Podia ter chamado a polícia, pois podia, mas o que me apetecia mesmo era dar-lhe cabo das trombas, logo ali. Não tive foi tempo.

(esta merda está por um triz, eu bem a sinto a vir, ela está quase a chegar...)

12.10.09

Serve chilled

Hoje, devido à visita de familiares que não conseguiram evitar o assunto, revisitei um período da minha vida que há muito tempo tinha fechado na gaveta. E hoje, apenas hoje respondi a uma pergunta que tinha ficado sem resposta, mas que não impediu o arquivo do assunto. A pergunta para a qual nunca consegui encontrar uma resposta exacta, que me perguntei muitas vezes, mas cuja resposta não mudaria rigorosamente nada. Nada do que houve antes, nem nada do que se seguiu. Por isso, o caso foi arquivado, com a pergunta por responder. Hoje, falando novamente no assunto, regressando ao período ou ao dia em que tomei provavelmente a decisão mais pesada da minha vida adulta, encontrei a resposta. O que foi que me fez decidir, o que despoletou o processo, o que me fez ter a certeza que tinha chegado ao limite? Hoje sei. O copo estava cheio de um cocktail de várias coisas, tinha a base da bebida, a maior quantidade. Uns dls de mais algumas coisas, e umas gotas de outras. Mas a gota que fez transbordar o copo foi sem dúvida nenhuma a humilhação que nesse dia senti. E nessa noite foi o fim.

Disciplina

Luto diariamente contra a sensação de que deveria ser mais disciplinada. Nunca estou satisfeita, principalmente no que diz respeito a mim própria. Cumpro as minhas obrigações para com os outros, já as para comigo são muito mais difíceis. E não é porque não haja ninguém a reclamar que vou deixando andar, porque há. Farto-me de reclamar. E sinto que falho comigo. Dos outros não ouço queixas, mas calar a voz "from the back of my head" é que não consigo. O pior é que sei perfeitamente que é só uma questão de treino, de força de vontade. E uma gaja que sente que não é suficientemente disciplinada e que sabe que se tivesse força de vontade até podia ser, fica a pensar que é assim um bocado p'ró fraquinho.

Ou assim?

Porque é que já não se escrevem poemas assim?

11.10.09

Crias

Tenho duas, já cresciditas. Bem fixes. Embarquei na maternidade não por sentir aquelas tretas do relógio biológico, mas porque fazia sentido passar à fase seguinte. Nunca fui do tipo maternal que faz festas a todas as criancinhas que passam, aliás sempre tive pouca paciência. Mas ok, alinhei. Tive medo, claro que tive. Tive medo de não estar à altura, de não conseguir fazer depois tudo o que se exige a uma mãe sem me sentir contrariada ou irritada, tive medo de acabar por culpar a criancinha pelo meu mau humor. Tive medo de não acordar de noite (sempre dormi como uma pedra). Tive medo de me esquecer das horas de comer. Tive medo de, basicamente, não saber tratar da minha cria devidamente. E, como imagino que todas as mulheres façam partilhei os meus receios com a minha mãe. A todas as questões a única resposta que tive foi um "Não te preocupes com isso" perfeitamente despreocupado. Admito que me irritava esta resposta. Em vez de me acalmar só me irritava ainda mais. A minha primeira grande surpresa foi ter decidido instintivamente escolher o parto normal e natural, à moda antiga. Dentro de mim sabia que queria experimentar o que desde há milhares de anos todas as fêmeas experimentam, parir. Assim sem paneleirices, parir. E parir é um fenómeno. Não encontro outra palavra para melhor definir o que é parir, é simplesmente um fenómeno. Para mim foi, porque operou dentro de mim tal mudança que não tem explicação, nem racional, nem emocional. Mas esta mudança teve o seu espaço exclusivo, deu-se dentro de um território próprio. Um país que nasceu dentro de outro país, com as fronteiras claramente definidas e fechadas. Ao mesmo tempo que nasceu a criança nasceu a mãe. Ao contrário da criança a mãe nasceu completamente preparada, com todas as ferramentas para tratar da cria, e com a habilidade para as usar. Veio com tudo incluido. Esta foi a segunda surpresa. E isto nada mais é do que o instinto da fêmea que protege a sua cria. Nada mais. Básico, e simples. A terceira surpresa foi ver-me a fazer tudo, tudo mesmo, com uma leveza e prazer extraordinários. Nunca contrariada, nunca aborrecida. Com a vida virada de pernas para o ar, com uma criatura que domina e absorve todos os detalhes que se possam imaginar, e a fêmea ali, sem parar, sem respirar, a vigiar a cria, e na maior. Estão ali, as duas crias no sofá a ver televisão. A mãe prepara-lhes o pequeno-almoço e leva-lhes, e enquanto as crias se alimentam a mãe escreve sobre elas e sobre o que elas lhe fizeram, e na maior.