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18.9.14

Sede da alma

"Tinha imaginado o amor como um êxtase de tal maneira arrebatador que todo o mundo se transformasse em Primavera. Tinha ansiado por uma felicidade extasiante. Mas isto não era felicidade, era uma sede da alma, um anseio doloroso, uma angustia amarga que não sabia existir. Tentou descobrir o momento em que começou. Não conseguiu. Só se lembrava que, de cada vez que entrava na casa de chá, depois das primeiras duas ou três vezes, sentia um aperto que lhe fazia doer o coração. E lembrou-se que quando ela falava com ele, ele ficava estranhamente sem respiração. Quando ela se ia embora era pura infelicidade, e quando a via novamente era puro desespero."

Somerset Maugham em "Servidão humana"

12.9.14

Assombroso

Poucos filmes me tocaram e me marcaram profundamente.

Um deles é "O Amante" baseado no romance homónimo de Marguerite Duras, o outro é "O cozinheiro, o ladrão, a mulher dele e o amante dela", e o último, vi-o ontem na sessão do Cineclube, é "Only lovers left alive" e qualquer coisa mudou dentro de mim.

(Não escrevi o título em português - "Só os amantes sobrevivem" -  porque acho que se perde algo na tradução)

11.7.14

Está quase a acabar


Tive um pequeno "argument" com a minha professora de Literatura Inglesa sobre a data de entrega do último trabalho, coincidia com a data de entrega de um outro de Literatura Portuguesa já programado há muito, e senti-me injustiçada.

Disse-lho.

Ela cedeu e deu-me mais algum tempo. Entreguei o trabalho 48 horas depois da data inicialmente prevista.

Ontem foram publicadas as notas e hoje de manhã tinha esta mensagem no e-mail:

"Very good work! You ought to be proud of yourself. It was a very well reasoned piece of work."

Um pequeno reconhecimento sabe tão bem, sobretudo quando o que apetece fazer é desistir mas para além do respeito pelo esforço de quem nos apoiou nestes três anos não se desiste, avança-se porque é feio e vergonhoso desistir no fim.

9.7.14

Não sei

Não sei se é por estar sozinha em casa mas não deve ser já que passo bastante tempo sozinha em casa durante o ano todo, não sei porquê mas ontem, pela primeira vez, a minha cama pareceu-me tão grande, tão vazia.

4.6.14

Queixas


Não tenho por hábito queixar-me e quando o faço é a pessoas muito próximas e da minha inteira confiança. Ou então aqui, espaço neutro e que é o saco de todos os meus desabafos. Não tem fundo nem eco, não julga nem censura, e sobretudo não responde. Despejo aqui para o mundo, tão público mas tão privado, quem sabe a quem chegará mas também não importa, não conheço, não me conhecem. E se há algumas pessoas que possam ler o que aqui escrevo que me conhecem pessoalmente, essas merecem-me a maior estima e confiança, de outra forma ou não me conheceriam pessoalmente, ou desconheceriam este blogue. Por isso, quando aqui me queixo, também me queixo a pessoas muito próximas e da minha inteira confiança. Venho queixar-me, hoje. Venho queixar-me do meu cansaço, das minhas indecisões, das minhas inseguranças, das minhas fraquezas. Venho queixar-me das minhas incertezas, de não saber muito bem para onde vou, para onde quero ir. Venho queixar-me de achar que o plano que tracei me parecer agora quase patético, venho queixar-me de estar convencida que não vou ser capaz de o levar a cabo, venho queixar-me da minha ignorância, da minha estupidez. Venho queixar-me unicamente de mim.

6.3.14

Bruta



Eu ali a ouvi-lo e a sentir-me cada vez mais pequena. Cada vez mais ignorante. Cada vez mais bruta. Ouvia o fascínio, a admiração. Ouvia as explicações, as interpretações. Ouvia tudo e não sentia nada. Mas sentia. Sentia uma inesperada mistura da recusa que cultivei estes anos todos, com uma curiosidade medrosa e quase infantil pela obra que sempre me intimidou. Nunca quis ler aquele homem com medo de sem querer lhe roubar as palavras e de sem saber querer fazê-las minhas, levada pela vaidade e pela soberba, que quando se me mostram me envergonham e me fazem sentir pequena, ignorante e bruta.

8.10.12

Devenir

"On ne naît pas femme, on le devient"

Simone de Beauvoir

17.9.12

Verdades

Pedir desculpa serve, basicamente e na grande maioria das vezes, só para que quem o faz se sinta melhor consigo próprio. Assim como contar a verdade, às vezes só resulta em sofrimento de quem ouve, independentemente de se poder bater com a mão no peito e afirmar que se é honesto, cagando-se de alto para quem tem de ouvir, engolir, e sofrer. E é rídiculo que se ache que por ter contado a verdade já se merece tratamento menos duro, uma palmadinha a atenuar a asneira. Há verdades que nunca devem ser ditas, não mudam nada. Só aliviam a consciência de quem as conta e destroçam quem as ouve. Nas infidelidades é óbvio que quem conta ao cônjuge que traiu só espera aligeirar o peso na consciência, espera ser perdoado só por ter contado a facada, vês? podia ter estado calado mas fui sincero. Ora merda. Ninguém quer saber que foi traído, pois vê-se forçado a tomar uma decisão. Ou perdoa e demonstra fraqueza ou não perdoa e rompe, o que talvez não tenha estrutura para fazer. Fica-se mal de uma forma ou de outra, mesmo que se faça um pé de vento e se grite, esperneie e leve tudo à frente. Quem é traído e abandona nunca fica por cima, ainda que pareça que sim. Contar uma verdade destas é cruel e trucidante. Quem trai e sente culpa tem de guardar só para si, tem de carregar o peso sozinho. Pode ser que um dia passe. Ou não. Mas tem de arrecadar com as consequências sozinho.

11.3.12

Desilusão

Ouvi no outro dia um escritor famoso dizer que a primeira frase do primeiro romance que escreveu foi muito bem pensada. Que pensou, pensou, pensou até que a frase fosse perfeita, pois o objetivo era que prendesse a atenção do leitor. Desilusão. Eu achava que quem escreve o faz porque tem de o fazer, porque lhe vem de dentro, do coração ou das entranhas, ou porque a ideia lhe martela na cabeça até ser libertada através de letras e palavras, simplesmente por necessidade de escrever, como o pintor tem de pintar e o compositor de compor, de materializar o que lhe vai na alma ou de dar vida a demónios e monstros capazes de feitos inconfessáveis, ou de fazer emergir pessoas e vidas não vividas mas imaginadas em turbilhões de imagens mentais, e nunca para agarrar a atenção de alguém ou a pensar se quem lê irá gostar. Sempre achei que o escritor escrevia primeiro para si. Sou mesmo ingénua. E parva.

8.1.12

Porquê?

Mãe, agora nunca estamos contigo. Porque é que tinhas de ir para a universidade?

(Achei que com duas noites por semana a deixa-los a dormir em casa dos meus pais me safava. Achei mal e tenho de dar a volta a isto no próximo semestre, ou faço menos cadeiras ou simplesmente deixo aquilo. Dói-me demasiado. Não quero ouvir mais o que ouvi hoje. Não quero).

6.11.11

Changes

"...and what would be the point of living if we didn't let life change us?"

26.10.11

Nunca pensei

Choca-me a necessidade que algumas pessoas sentem de magoar, o tempo que gastam a construir raciocínios e formas subtis de atingir o epicentro da fragilidade, não é para todos. Choca-me mais até do que me dói.

19.10.11

Física

Se acariciar os lábios com a língua durante algum tempo consigo sentir o sabor da tua boca na minha, como às vezes ao tocar inadvertidamente na minha pele sinto o toque quente dos teus dedos, ou como quando de manhã ao acordar me viro na cama e sinto o teu cheiro nos lençóis, sim, o meu corpo ainda é o teu.

18.10.11

Jardim

Eram uns oito ou nove, jovens e giros ali a tostar ao sol. Encaixavam as pedrinhas brancas e as pretas no desenho pré-definido. Estão a acabar de calcetar o jardim ali no centro. Tão engraçados com os coletes amarelos e os capacetes. Juro que me apeteceu abrandar, meter a cabeça de fora do carro e atirar um grandessíssimo piropo, daqueles que normalmente se esperaria que fossem eles a mandar às moças. Não tive coragem, mas abrandei e ao passar olhei para eles e sorri. Eles sorriram-me de volta, que bom.

13.10.11

Tudo bons rapazes

O Bita deve ter mais uns dez anos do que eu. Vive com a mãe e com o irmão mais novo, o pai morreu há poucos anos. É o mais velho de seis irmãos, todos rapazes, e um deles morreu de acidente de carro também há uns anos. O Bita é um tipo que está sempre bem disposto, trabalha há anos para o mesmo patrão e tem uma adoração tremenda pela mãe e pelos irmãos. Fez-me chorar quando no enterro do pai gritou ao irmão já ido há muito, Zé, toma conta do nosso pai! Faz-me sorrir sempre que fala comigo, estás boa rapariga? Tudo bem Bita, e tu? Tudo em ordem, até logo. A mãe diz que o meu Vítor é a alma da casa, que sempre foi. Foi o primeiro filho, e teve problemas em pequeno, e por isso é que ficou assim, nunca deu nada na escola, tem problemas de cabeça, diz a mãe. Mas todos sabemos que é um homem bom, puro. O Bita não tem maldade, todos gostam dele e o respeitam. É um gosto vê-lo ao sábado de manhã a empurrar o carro do super mercado, acena-me sempre, enquanto a mãe escolhe nas prateleiras e o irmão mais novo coloca dentro do carro. Os do meio já saíram de casa, casados ou não, já não vivem com a mãe. Ficaram o mais velho e o mais novo. Aquela mãe, viúva agora, deve ser das mães mais realizadas. Aqueles homens fazem tudo por ela, vê-se-lhes a meiguice e o carinho com ela, que também sempre fez, sabe Deus as dificuldades, tudo por eles, tal como faz agora pelos netos. São todos bons rapazes, todos simpáticos e conheço-os desde sempre, uns mais bonitos, ou mais faladores do que outros, mas o meu preferido é o Bita. O Bita é alegria.

13.6.11

Vi este filme ontem à noite.




E este filme derrubou-me.

8.6.11

Faz-me sentir

É por isso uma mulher perdoa. É por isso que uma mulher esquece. É por isso que uma mulher fica. Porque o seu homem a faz sentir a melhor do mundo, a faz sentir a única no mundo. Esse homem sabe que ainda que seja só por breves instantes, ainda se dure só o tempo de um olhar, ainda que antes lhe tenha partido as trombas e o sangue ainda corra, ainda que antes lhe tenha partido o coração com insultos, ele sabe que basta mostrar uma nesga de arrependimento e dizer um amo-te com voz sentida, e nesse segundo ela perdoa, ela esquece, ela fica. Enquanto uma mulher só precisar de se sentir amada, ainda que seja mentira, ainda que as palavras doam mais que murros, ainda que seja só por uns breves minutos, basta-lhe. Somos tão fáceis, para nós o amor nem sequer é preciso que seja verdade.

25.5.11

Old fashioned

O senhor que me cumprimenta todos os dias no parque de estacionamento ao pé do escritório onde deixo o carro é muito simpático. Todos os dias, às vezes várias vezes por dia, me cumprimenta com um bom dia, ou boa tarde, minha senhora como está? Se estiver sentado levanta-se ao dizer isto através do vidro, automaticamente, instintivamente, e inclina a cabeça numa vénia quase imperceptível. Quando está cá por fora, a jardinar nos canteiros, pára o que está a fazer e vira-se na minha direcção para me saudar como deve de ser. Hoje, quando regressei do almoço e passei por ele, já a pé, em direcção ao escritório, ao dizer a boa tarde minha senhora, como está? levou a mão à boina que trazia e fez o gesto que implica a intenção de, sem de facto a levantar. Acho este homem tão maravilhoso. Ele faz mais por mim do que alguém, algum dia, jamais, possa sonhar. Eu aceito-lhe o cumprimento, retribuo-lho e sorrio-lhe. Sempre. E sem que ele desconfie, de todas as vezes, agradeço-lhe. Gosto de pensar que o cumprimento deste homem surte o mesmo efeito em todas as pessoas que ele cumprimenta, porque se assim não for é um enorme desperdício.

11.4.11

O gordo

O Berto Gordo foi sempre gordo, desde pequeno, e nunca foi um rapaz bonito. Mas o Berto Gordo arranjou namorada e casou-se. Tem um filho adolescente que é sobre-dotado, frequenta uma escola de música desde muito pequenino, não tenho a certeza que instrumento o miúdo toca, e canta maravilhosamente. O filho do Berto Gordo não é gordo, e é um rapaz bonito. O Berto Gordo ainda é gordo, está igual, mal ajeitado e balofo. Mas o Berto é um homem respeitado por todos, é prestável e simpático, é homem de palavra, trabalhador e membro activo da comunidade. É escuteiro e faz parte da comissão de festas da freguesia. Canta no coro da igreja, ao lado do seu rapaz. Imagino-o carinhoso com a esposa, só porque vejo alegria nos olhos e nas maneiras daquela mulher. Imagino o Berto gordo a comer desalmadamente à mesa, um prato cheio a seguir ao outro, e no fim um elogio rasgado aos dotes culinários da esposa. Imagino o Berto gordo a deixar ocasionalmente a tampa da sanita levantada mas imagino-o também a barbear-se religiosamente e a tomar o seu duche antes de se deitar ao lado da mulher. Imagino a mulher do Berto gordo a virar-se para ele a sorrir-lhe por sentir o cheiro a fresco e a lavado. Imagino-os a fazer amor.

8.4.11

Carne

A carne que te alimenta o animal não passa de pó que à mínima brisa se espalha e desaparece no ar, o sangue que te ferve nas veias não passa de água que ao mais ténue raio de luz se evapora na pele. Deixa, dorme, respira, nada te fica, nada te marca, é impossível destruir o que está desfeito.