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2.1.12
Fuga
Não tenho desejo nenhum. Um dia atrás do outro. Saúde. Mais nada. Não tenho mais desejo nenhum, estou vazia. Vazia de desejos, vazia de projetos, vazia de amor. Vazia de tudo. Há coisas que gosto e há coisas que não gosto, sinto-me distante de todas, tão distante. Estou a fugir, mas não sei bem de quê. Estou triste, mas não sei bem porquê. Tenho vontade de fugir, estou a fugir desesperadamente apesar de ficar no mesmo lugar. Estou aqui, e todavia tão longe, ainda não parei, ainda não acabei de fugir.
11.12.11
Agora aguenta que ninguém te mandou meteres-te nelas
Textos, e mais textos. Resumos de textos, textos argumentativos sobre outros textos. Um ensaio sobre um livro que escolhi e que me custou imenso acabar de ler. E mais trabalhos, que são textos, sobre as características do texto lírico, e sobre as diferentes correntes literárias. E outro trabalho que consiste em utilizar a linguagem html e construir um website, com tema à minha escolha. E o emprego, e os rapazes, e os trabalhos de casa e os testes deles, e a roupa para passar a ferro, e o carro para levar à inspeção, e as contas para pagar, e os papéis para arrumar. A minha vida parece um castelo da cartas, abana uma e eu seguro, para logo de seguida abanarem mais duas ou três. E eu seguro, e eu corro, e eu aguento. Não sei quanto tempo mais. Fecha os olhos, respira e aguenta, trabalha, não durmas, trabalha. Podias muito bem ter ficado quieta, mas não, queixavas-te do tédio, não queixavas? Agora aguenta, é bem feito, vês? Tédio é a última coisa de que te podes queixar.
27.4.11
Fome
Como esta merda não ata nem desata e os quilos ainda cá estão agarrados ao rabo e às coxas tenho de tomar medidas drásticas. Ontem fui ao médico e fartei-me de rir. Balança... ai. Até doeu. Assim bem, bem eram dez a menos, mas ficavam a ver-se muito os ossos de maneiras que são só sete. Sete têm de ir abaixo. E não é a cena do ai que está aí o Verão e ai a linha e ai o caralhinho mais velho. Não é nada disso. Não entro na roupa que tenho e não vou comprar roupa nova que não tenho paciência nem gosto da puta da saga do entra, escolhe, despe, veste, despe, veste, sai, e entra de novo. Não gosto. Pelo menos esta sequência associada a roupa não gosto. Já o entra e sai e o despe, etc. mas noutra linha de raciocínio, não me importo mesmo nada, muito pelo contrário. Adiante. Estava portanto a conversar com o senhor doutor e a queixar-me que é mais forte do que eu e que tenho imensa fome desde que deixei de fumar quando o homem olha para mim, muito sério e me diz, mas menina, a fome não engorda. Explodi a rir. Evidentemente. Mas prometeu-me que me ajuda a controlar a fome. É que se isto continua assim, vindo o calor a sério vou ter de andar nua, é que não me safo, ainda se estivesse mais magra, era naquela, agora nua e gorda, não me dá mesmo jeitinho nenhum.
25.3.11
Choque
Estão a cortar árvores no jardim do centro da cidade, as árvores que desde que me lembro dão sombra aos bancos do jardim. Está tudo de pernas para o ar há meses, mas cortar as árvores? Não me habituo à ideia de cortar árvores adultas. Há coisas que por mais que se tornem banais não consigo habituar-me a elas. Como cortar árvores. Ou destruir livros. Não consigo.
25.1.11
Tinta
Tenho uma vontade medonha de te escrever cartas de amor, à antiga, de escrever com caneta e derramar toda a tristeza na tinta preta desenhando na alvura do papel os contornos do meu amor, de transformar em palavras todos os sentimento que me prendem e me escorraçam de ti, de te abrir as entranhas e mostrar-te toda a podridão que me definha, de aliviar este peso que me esmaga o peito e me impede de respirar, mas não sei a tua morada, mesmo que as escreva, não sei para onde as mandar.
24.1.11
Zen
Não ando em mim ultimamente. É um pensamento altamente reconfortante pois este não ando em mim dá-me pano para mangas. Como não ando em mim, não posso ser responsabilizada pelos meus actos. Ou pela falta deles, e aqui, nesta falta de acção, é que reside o grande problema. Em condições normais, eu já teria feito qualquer coisa, já teria tomado uma decisão, como já fiz antes, mas não. Deixo-me estar, deixo-me andar. Ele telefona-me e eu atendo, ele manda-me mensagens e eu respondo. Diz-me que me ama e eu acredito. Estou apenas a uns milímetros de me tornar oficialmente amante de um homem casado. E nada, estou meia burra, ou melhor estou completamente burra. Isto vai contra tudo o que eu acho certo, no entanto nada faço para parar. Eu devia era parar de tomar os filhos da puta dos comprimidos que me emburreceram, era o que eu devia fazer. O médico diz-me que estou deprimida, que tenho de tomar anti-depressivos, e eu tomo. E eu atendo, e eu respondo, e eu acredito. Depois pergunto-me, onde, quando, como, o que foi que me destruiu? Em que momento quebrei? O que me vergou? O amor ou o anti-depressivo? Burra.
30.6.10
Nervos
Estou cheia de trabalho, estou exausta, tenho saudades dos meus filhos, e tenho milhares de coisas a rabiar dentro da cabeça como a remodelação da casa, a troca de carro, as matrículas, as incrições, as papeladas, as compras que preciso de fazer, as arrumações que urgem, e o filha da puta do tempo que não estica, e estas merdas todas não se fazem sozinhas. Há alturas em que sinto que a minha vida se equilibra a muito custo em cima de umas canas finas e que aos tropeções no piso sinuoso a qualquer segundo pode desabar. E enervo-me.
19.4.10
Obrigatório
É inútil dizer que gostaria que todas as pessoas fossem obrigadas a ler o livro "Inteligência Emocional" do Daniel Goleman, porque há pessoas que mesmo lendo esse livro e todos os outros livros do mundo sobre o tema, continuariam completamente impotentes perante elas próprias.
5.4.10
Proibido II
Passou-me a coisinha ruim que às vezes me chateia os miolos e lá vou eu toda poderosa so full of myself e encontro o raio do puto que parece que tem íman e vai não vai, nem embriagada estava,e meto em sentido proibido em grande velocidade. Está mal, mas está feito. Foda-se, ainda falam da TPM. Há alturas muito mais difíceis de ultrapassar sem danos colaterais. Isto de ser saudável e de ter o sistema hormonal a funcionar que nem um relógio tem o seu lado menos positivo.
8.2.10
Épicos
Gosto de épicos. Gosto porque apesar de todas as intrigas e traições havia homens que morriam só pela honra. A palavra de um homem honrado valia mais do que a própria vida. Não se assinavam contratos, que hoje nem sequer são absolutos. Morria-se por lealdade, morria-se por amizade, morria-se pela rectidão de carácter. Gosto de homens assim, e de mulheres também. Gosto de pessoas que acima de tudo prezam os seus princípios, sem se importarem se os outros os entendem ou não, sem se importarem se têm glória ou não.
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