13.8.19

O início do fim

Estou tão cansada que não consigo preocupar-me com nada.
E nem isso me preocupa.



25.6.19

Estou cansada. Toma.
Leva-me pela mão.
Escolhe por mim.
Decide por mim.
Leva-me, toma-me.
Dou-me, não,
Abandono-me.



8.9.16

Coisas

Há de novo um formigueiro dentro de mim. Não sei onde isto irá parar. Tenho fome, tenho sede, tenho ânsia. De saber, de sentir entusiasmo, de perder o sono, de ter a boca seca, de ter a cabeça a andar a mil. Quando estas coisas me acontecem, normalmente acontecem-me coisas.

6.7.15

Agora já posso dizer

Agora já posso dizer que se me esbarrasse contra ele na rua, provavelmente iria ter um daqueles momentos "câmara lenta" e ia com toda a certeza, perder o fôlego;

Agora já posso dizer que aquele ar de mau me dá um formigueiro cá dentro;

Agora já posso dizer que me sentava naquela mota e ia até ao fim do mundo;

Agora já posso dizer que quem me dera que este magnífico espécimen não fosse quem é e não vivesse onde vive e fosse, por exemplo, meu vizinho.


19.11.14

Os nomes das coisas

Jantar de fim de semana com amigos em minha casa, muita risota, anedotas, cantorias, o fim da macacada. Adultos e os meus filhos também. Segunda feira de manhã, no carro, a caminho da escola:

O mais novo: Oh mãe, o ....... é gay mas não é nada bicha, pois não?
Eu: Não. E qual é a diferença? (apetecia-me muito rir, mas contive-me)
O mais novo: Quando se é gay não se nota, mas quando se é bicha nota-se.