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14.8.11

Ninho

Há uma festa para ir, mas cheguei hoje a casa e abri as janelas. Há uma festa para ir, mas cheguei hoje a casa e desfiz as malas, tirei a roupa e pu-la a lavar. Acendi velas de cheiro e guardei os sapatos. Há uma festa para ir, mas tomei um duche e deitei-me na minha cama  que cheira a lavado e me abraçou. Há uma festa para ir, mas tenho tantas saudades da minha casa e haverá festa na mesma sem mim.

4.1.11

Marcas

Ontem tive de tomar a decisão de mandar colocar uma pedra no chão para que se não queime a madeira que mandei pôr no chão da sala. É melhor, disse o homem, porque aqui, por baixo da porta do recuperador de calor é provável que caiam pedaços de carvão ao chão quando se abre a porta. É verdade, pensei, mas também pensei que não gosto nada da ideia da pedra e que não me importo nada que o chão de madeira venha a mostrar marcas de queimaduras. Assim como não me importo com nenhuma outra marca que a minha casa venha a apresentar por causa do uso. As coisas são para se usarem, as casas são para se usarem. Os sofás rompidos, pedaços de madeira, brinquedos ou livros largados são marcas de vida dentro de uma casa. A lareira suja tudo, pois suja, mas aquece, o corpo e a alma. O sofá rompido é feio, pois é, mas reconforta, dá alento e dá sossego, ao corpo e à alma. Uns brinquedos e uns livros largados aqui ou ali dão ânimo e dão vida. Ao corpo e à alma. Ainda nem sequer está pronta, mas estou morta que a minha casa nova fique velha, que ganhe vida.

14.6.10

Inevitável

Eu, pelo menos, não o consigo evitar. Há aquele momento que chega sorrateiro, aqueles segundos em que penso que estou exactamente onde quero estar e com quem quero estar. São segundos apenas, em que avalio o contexto e peso o que sinto. Mas também é verdade que imagino aquele lugar e como seria estar na companhia não de um grupo de amigos muito chegados, mas na companhia de uma pessoa. Uma pessoa que não existe. Acho que seria bom. Mas seria assim tão bom? Seriam as gargalhadas tão fáceis? Seriam os dias e as noites tão divertidos? Seria o silêncio tão confortável? Seriam as vontades tão respeitadas? Não, acho que não. Estas coisas são boas quando se está com alguém com quem se tem intimidade. E isso eu tenho com os meus amigos. São eles que apreciam as mesmas merdas que eu, são eles que, como eu, esquecem o relógio à chegada, são eles que me fazem rir até doer a barriga, são eles que me deixam dormir quando me apetece, são eles que ficam a dormir e eu vou passear sozinha, são eles que me levam àquele estado em que absolutamente nada me preocupa e me esqueço do mundo. São eles. Um qualquer gajo que eu levasse comigo para umas mini-férias serviria para acalmar os desejos que o calor e o Sol me acordam nas entranhas mas, e o resto? Não, está bem assim, obrigada.

28.4.10

Tens a mania que és fina...

Há dias em que acordo e acho que posso contrariar a Natureza. Então eis que hoje chego ao escritório empoleirada numas sandálias de salto alto e com um cinto largo envolvendo as ancas, e estes prantos dão imediatamente direito a exclamações por parte das minhas colegas, ai que tu hoje estás uma verdadeira "femme de négoces", é, nós misturamos português e francês frequentemente. Obviamente que lá pelo fim da manhã caio na real e arrependo-me amargamente de ter calçado as sandálias e ter posto o puto do cinto, porque os saltos altos impedem-me de andar à velocidade a que estou habituada, o que me irrita solenemente, e o cinto desloca-se de cada vez que me sento ou me levanto e chateia-me andar constantemente a pôr o cinto no sítio. Aqui, repito o padrão e à hora do almoço vou a casa, atiro as putas das sandálias  com quanta força tenho para o fundo do armário e largo o cinto onde calha, abraço a minha condição de "femme" que não é de "négoces" e enfio-me nas allstar. Agora sim, o mundo regressou à normalidade.

17.2.10

Toca

E com o corpo molinho e a cabeça levezinha cheguei a casa e o pijama e o sofá chamavam por mim. Não resisti e deitei-me pensando que às vezes, o melhor que temos a fazer é realmente rastejar para nossa toca, e ficar, assim, quietinha e quentinha e guardar, pois tudo o que se faça a seguir é a mais, é para estragar.