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15.9.14
Fraquezas
Não consigo compreender como há pessoas que estão sempre enervadas, desde que acordam até que se deitam, que contrariam toda a gente, durante todo o dia; que ralham, que discutem, que apontam o dedo. Não sei onde vão buscar tanta energia. Quando me enervo ou me zango, a seguir, fico exausta, mas só a seguir, quando acalmo. Se calhar, essas pessoas não se cansam porque nunca se acalmam, ou então sou eu que sou fraca. O que me vale é que raramente me enervo e quase nunca me zango, senão a minha vida iria ser um martírio. Sou mesmo fraquinha.
30.5.12
Não é bem a mesma coisa
- Are you happy?
- I don't have the right to be unhappy... but that's not really the same thing, is it?
- Not quite.
Impacto
Há homens que escolhem as mulheres pelo impacto que elas causam neles próprios, e há homens que escolhem as mulheres pelo impacto que elas causam nas outras pessoas.
5.9.11
Grandes questões
Fui informada há uns meses que em Setembro poderia ter de ir a Paris reunir com um cliente americano que lá vai visitar uma feira. Se conseguirmos conciliar todas as agendas (a minha é a mais fácil, estou sempre aqui e vou para onde me mandarem) haverá reunião no nosso escritório de Paris. E de certeza que por causa desta possível viagem sonhei no fim-de-semana passada que o meu cliente me convidava para ir trabalhar com (não para) ele em Los Angeles, durante três estações, e o meu boss lambeu os beiços e esfregou as mãos (não tenho a certeza se por esta ordem) e quase que lhe vi cifrões nos olhos como o Tio Patinhas, pois isto implicaria eu orientar os produtos para a nossa empresa, fazer o desenvolvimento e acompanhar a produção. Do lado de lá. Esta brincadeira iria significar eu embolsar uma pipa de massa que me permitiria liquidar metade do meu calote ao banco. Pagava metade da minha casa. Tripei. Eu a sonhar e a passar-me da cabeça. O que é que eu faço? Três estações é mais de um ano, e os meus filhos? Não, não posso. E a massa? É muita massa. O que é que eu faço? E acordei e fiquei a pensar nisto, o que é que eu faria se me propusessem uma coisa assim? Algo que monetariamente valesse a pena mas que me afastasse dos meus filhos por um tempo considerável? O que é que eu faria. Pois hoje digo, com toda a certeza: não sei.
16.8.11
Baralha, parte e dá
Como cartas misturadas numa mesa redonda sem fim,
Tenho as ideias todas misturadas assim
Ouros, copas, espadas e paus
Todos juntos sinto-os maus
Começo, separo, ordeno
Não consigo, desespero
Baralho, parto e dou
Sem decidir contudo se vou.
Tenho as ideias todas misturadas assim
Ouros, copas, espadas e paus
Todos juntos sinto-os maus
Começo, separo, ordeno
Não consigo, desespero
Baralho, parto e dou
Sem decidir contudo se vou.
18.7.11
Nó
Hoje é o aniversário dele e tenho um nó na garganta porque apetece-me muito agarrar no telemóvel e mandar um "parabéns" mas depois penso que poderá ser interpretado como uma tentativa de aproximação. Dói-me imaginar que ele possa pensar que nem sequer me lembrei, por não me ter manifestado, mas depois penso que pior será o resultado de uma acção decorrente da tentativa de minimizar esta dor. Sinto, dói-me, desfaço-me em dúvidas e hesitações mas depois penso, penso, penso. Apetecia-me tanto abraçar o meu amor hoje, é o seu aniversário, mas depois... depois, penso.
...
E choro.
...
E choro.
7.7.11
Força
Sinto o meu amor a fugir-me, a partir sorrateiramente e não sei se sou eu que que não sou assim tão fraca ou se é ele que não é assim tão forte.
22.6.11
Podre
Ontem um amigo fez-me pensar no motivo do meu desconforto relativamente aos acontecimentos recentes e à consequente análise que se me afigurava difícil. Há sensivelmente um ano eu quebrei e a seguir apodreci. Tenho vivido estes tempos com um profundo desgosto dentro de mim e fechei-me ao mundo e aos homens. Antes era a predadora e marcava os alvos mas este tempo todo, propositadamente, escondi-me no conforto da invisibilidade. É-me infinitamente mais fácil recolher-me dentro de mim própria do que enfrentar o mundo, porque quando olho para fora vejo-me, o que invariavelmente me dói. Agora, de repente senti-me a presa, e ao invés do jogo do ataque, encontro-me a jogar à defesa. Fui apanhada de surpresa. Não consigo perceber se é bom ou mau sinal, se o amor que me destrói está a abandonar-me e eu estou, sem sequer o ter percebido a expor-me de novo à vida como um rebento num tronco seco, ou se estou a expor o flanco à dentada que me vai, finalmente, matar.
6.6.11
Diminuir
Se a mulher que eu era há um ano atrás e a mulher que sou hoje se encontrassem e se sentassem calmamente para tentar conversar teriam bastante dificuldade em encontrar pontos em comum, naquilo que interessa pelo menos, que é o carácter. Nunca poderiam ser amigas, acho até que dando-lhes tempo suficiente, iriam acabar por detestar-se.
21.5.11
Aparências
O dia está cinzento, eu também. O ar está húmido, pegajoso, eu também. Os rapazes foram à piscina, estou sozinha em casa e olho lá para fora e penso que não me apetece sair. Vou tomar um duche, secar o cabelo e maquilhar-me. Poderá parecer exagerado para uma ida ao supermercado mas não é mais do que uma miserável tentativa para esconder o cinzento que há dentro de mim. Quanto mais escuro o cinzento melhor me arranjo, para disfarçar, para despistar. Será que alguém percebe que quanto mais despojada de adereços, quando mais limpa a pele, quanto mais transparente estiver por fora, melhor me sinto por dentro? Será que as mulheres que vejo todas aperaltadas sentem o negro por dentro? Será que quanto mais alto for o salto mais baixo o espírito? Será que quanto mais bonita a roupa mais apertado o coração? Penso nelas e pergunto-me, de todas as bem cuidadas por fora quantas se sentirão realmente bem consigo próprias? E das outras, das que passam despercebidas, quantas se sentirão felizes?
10.5.11
Don't dream it's over
Há dias em que o sonho me abandona e na rua, vejo-me nos olhares vazios e ausentes. Olho as pessoas que passam e vejo-me nelas, passam apenas, na rua e na vida. Há dias em que penso que ultrapassei a minha cota, que já não me é permitido mais e resta-me ficar a ver a vida, amar e educar os meus filhos o melhor que sei e posso e agarrar umas pontas de qualquer coisa aqui e ali. Há dias em que o sonho me abandona, foge-me a sete pés e deixa-me assim, oca.
18.3.11
E agora?
Estou um bocadinho triste, acabaram as minhas aulas. Afinal já frequentei mais aulas do que necessário. Confusões com o meu registo escolar que quase que tive de resolver à estalada, mas ficou tudo definido e perceberam que já está. Mas estava a gostar. Resta-me completar um port-folio absolutamente inútil. Agora penso no que fazer a seguir. Universidade? Talvez. E o quê? Difícil.
7.3.11
Uma mulher séria
O que é uma mulher séria? Vi há pouco esta expressão num blog que costumo ler. Lá onde a li dizia que uma mulher séria não diz asneiras, não apanha uma bebedeira, não vê filmes pornográficos, não dorme com estranhos. Será? O que é que faz duma mulher realmente séria?
25.2.11
Descubra as diferenças
Através de uma amiga de escola descubro no Facebook o grupo da nossa escola e delicio-me a ver as fotografias da malta naquela altura. Percorro os perfis e há os que reconheço imediatamente e os que se se sentassem ao meu lado no cinema ou no café não passariam de mais um desconhecido. E divertida, vou andando e vendo, rindo com as fotos dos jogos de futebol, festas e passeios. Até que me deparo com uma fotografia de um passeio e piquenique, e temos lá escarrapachados os comentários dos que lá aparecem. E o que me chamou a atenção foram os comentários de um casal, do meu tempo, da minha idade. Eles começaram a namorar lá na escola, recordo-me perfeitamente dela chegar à escola e dele ter ficado deslumbrado com ela, a ponto de nunca mais a ter largado, a ponto de ter conseguido que ela deixasse o namorado que tinha e ter casado com ele. É aquele tipo de casal que no Facebook tem as fotografias das férias, com os dois filhos ao pé da piscina, a família perfeita, os comentários dos amigos, ai que lindos, ai que apaixonados, ai os meninos que engraçados, e por aí fora. E na puta da foto do passeio, bato com os olhos no comentário dele, este dia mudou a minha vida, foi neste dia que comecei a namorar com a mulher que está comigo hoje. E o comentário dela, foi neste dia que comecei a namorar com o meu marido lindo, graças a este dia tenho agora dois filhos lindos. Sou só eu que vejo aqui uma diferença? Sou?
22.2.11
Dona Rosa
Dona Rosa enviuvou aos cinquenta e cinco anos. Dona Rosa, muito senhora do seu nariz resolve casar-se com o Senhor Antunes, senhor muito respeitável, de boa apresentação, asseado e educado, cristão católico e praticante, uma boa reforma, enfim, tudo o que se pretende encontrar num marido ideal para combater a solidão dos anos dourados da vida de uma pessoa. Pois casam-se Dona Rosa e o Senhor Antunes, e dos cinco filhos de Dona Rosa, três zangam-se. O Senhor Antunes não teve filhos com a sua falecida esposa. As duas filhas que se conformaram o segundo casamento da mãe estão hoje perante um grande problema nas suas vidas. Passaram-se vinte anos desde que a mãe se casou. Ouvem-na agora queixar-se que não consegue aturar o Senhor Antunes, que é um chato e que não pode mais. O Senhor Antunes, coitado, confessa que Dona Rosa, hipocondríaca de primeira linha, mimada e caprichosa, lhe dá cabo do juízo. Estão velhos, Dona Rosa e Senhor Antunes, já não deviam estar sós. E as filhas? Não se chegam? A mais nova entende que a mais velha, que já não trabalha terá mais disponibilidade para tomar conta dos velhotes. A mais velha reclama que se fosse só a mãe a levaria para sua casa, mas o padrasto... isso não, tem a filha já casada a viver noutra cidade, desvia-se do problema e vai passar longas temporadas em casa da filha. A mais nova, vive num apartamento no oitavo andar, os velhotes não querem ir para lá. Dizem as más línguas, Dona Rosa, muito senhora do seu nariz, casou-se sem precisar da licença de ninguém, não escutou ninguém, agora que está doente e farta do marido, que se desunhe. Dona Rosa nunca cultivou o afecto dos filhos, nunca esteve disponível para ajudar fosse no que fosse, sempre independente e senhora do seu nariz. Sempre com a língua afiada, nunca murmurou um mimo, nem aos filhos, nem aos netos. Dona Rosa colhe agora o que ao longo da vida semeou, não espere carinho quem nunca acarinhou.
7.2.11
Consumições
1. Separar o que vai para o lixo e o que fica, limpar e arrumar de volta para o lugar, ou não, pode muito bem ir parar a outro sítio, depende. mas interessa mesmo é desimpedir a passagem para que no próximo sabado, se não chover, os móveis possam regressar a casa. Esta semana, à noite, tirando quarta e quinta-feira que tenho aulas, vou alombar com a limpeza das merdas (não foram muitas, vá... mas algumas) que lá ficaram em casa durante as obras, tapadinhas mas que ficaram cheias de pó na mesma, e que estão amontoadas na varanda das traseiras.
2. Começar a dieta (amanhã, isto vai ser lindo, vai) para perder os 6 quilos que desde Setembro, uniformemente se me agarraram ao rabo, coxas e mamas mas fico lixada porque se me incomoda o volume a mais que me impede de entrar em todos os pares de calçar que tenho menos um, nas mamas até nem me importava que ficasse um quilito, metade em cada uma, mas enfim, começo a dieta e lá se vão as mamas. Mas tem lógica, não fumo logo tenho mais apetite; mais apetite, mais comida; mais comida, não entro nas calças; não entro nas calças, faço dieta; faço dieta, fico sem mamas. Deixo de fumar, fico sem mamas, tem lógica.
3. Chatear a cabeça ao homem das cozinhas porque estão lá os móveis mas faltam as pedras que vão por cima e aquilo tem de ficar feito esta semana, mais precisamente na próxima quarta-feira conforme me prometeu, porque quero que os homens das limpezas tratem de vida na sexta-feira e se o gajo falha estraga-me o esquema todo. Sábado voltam os móveis. Ah, já tinha dito isto.
4. Fazer de polícia no escritório para que as peças que tenho de enviar o mais tardar na sexta-feira não falhem pois na segunda-feira começa uma feira e o meu cliente quer apresentar a colecção de Inverno 2011/12, e já vai um bocado tarde porque os outros cliente todos já estão a desenvolver a colecção de Verão 2012. É que na próxima semana vou estar de férias descansadinha, a trabalhar que nem uma mula lá em casa a colocar tudo no devido lugar, e não quero estar a ser incomodada com chamadas do cliente furioso porque lhe faltam modelos na feira.
5. O puto mais velho começa a época de testes hoje. Tenho de estar atenta a ver se o gajo estuda, e se estuda como deve ser. Normalmente é mais de uma semana.
6. O carro está a fazer um barulho estranho, não percebo nada de carros, mas aquele ruido não é normal, tenho de o levar à oficina antes que avarie.
(não sei se dou conta desta merda toda, a sério)
2. Começar a dieta (amanhã, isto vai ser lindo, vai) para perder os 6 quilos que desde Setembro, uniformemente se me agarraram ao rabo, coxas e mamas mas fico lixada porque se me incomoda o volume a mais que me impede de entrar em todos os pares de calçar que tenho menos um, nas mamas até nem me importava que ficasse um quilito, metade em cada uma, mas enfim, começo a dieta e lá se vão as mamas. Mas tem lógica, não fumo logo tenho mais apetite; mais apetite, mais comida; mais comida, não entro nas calças; não entro nas calças, faço dieta; faço dieta, fico sem mamas. Deixo de fumar, fico sem mamas, tem lógica.
3. Chatear a cabeça ao homem das cozinhas porque estão lá os móveis mas faltam as pedras que vão por cima e aquilo tem de ficar feito esta semana, mais precisamente na próxima quarta-feira conforme me prometeu, porque quero que os homens das limpezas tratem de vida na sexta-feira e se o gajo falha estraga-me o esquema todo. Sábado voltam os móveis. Ah, já tinha dito isto.
4. Fazer de polícia no escritório para que as peças que tenho de enviar o mais tardar na sexta-feira não falhem pois na segunda-feira começa uma feira e o meu cliente quer apresentar a colecção de Inverno 2011/12, e já vai um bocado tarde porque os outros cliente todos já estão a desenvolver a colecção de Verão 2012. É que na próxima semana vou estar de férias descansadinha, a trabalhar que nem uma mula lá em casa a colocar tudo no devido lugar, e não quero estar a ser incomodada com chamadas do cliente furioso porque lhe faltam modelos na feira.
5. O puto mais velho começa a época de testes hoje. Tenho de estar atenta a ver se o gajo estuda, e se estuda como deve ser. Normalmente é mais de uma semana.
6. O carro está a fazer um barulho estranho, não percebo nada de carros, mas aquele ruido não é normal, tenho de o levar à oficina antes que avarie.
(não sei se dou conta desta merda toda, a sério)
19.1.11
Identidade
Nunca compreendi o que leva algumas mulheres a mudarem de nome quando casam. Porque é que metem lá o nome dos homems com quem se casam? Porquê? O que é que muda por mudarem de nome? Procurava não há muito duas primas minhas no Facebook e acabei por encontra-las só depois de ter encontrado o marido de uma delas. E porque não as encontrava eu? Porque as meninas já não dão pelo nome de baptismo mas antes pelo nome dos maridos. Fez-me impressão. Eu casei-me e não mudei de nome. Não deixei de ser quem era por me casar, nem passei a ser de alguém por me casar. Também não sei o que pensar dos homens que apreciam que as esposas lhes adquiram o nome. Sentimento de posse? Será? As mulheres que mudam de nome quando se casam fazem-me sempre pensar que de alguma forma se anulam porque parece que só com o nome do marido existem. Por exemplo, a minha sogra (será ex-sogra? dizem que não, que as sogras serão sempre sogras) tem o nome do marido, médico reconhecido na sua área de especialidade, e quando a senhora diz o nome imediatamente se sabe que é a esposa do senhor doutor. Quando a minha prima diz o nome, também se sabe que é a esposa do senhor doutor (este é advogado). Não estão estas mulheres a admitir que sem este nome ninguém as conhece, ninguém sabe quem são, e por conseguinte não existem?
20.9.10
Adeus
Quando um homem te diz que é fácil apaixonar-se por ti, que és uma mulher de trato fácil, extremamente inteligente, bem disposta, que és lindíssima, que ainda por cima não és convencida, quando um homem te diz isto estando deitado na tua cama e principalmente sabendo que é a última vez, sentes-te tentada a acreditar.
19.9.10
Tão errado
Sabes que algo está muito errado contigo quando, já no carro e a caminho de casa, com um sorriso nos lábios e com aquela sensação tão boa que te faz inclinar a cabeça e roçar o rosto no ombro, com o corpo relaxado e mole, a pensar que o P. é uma maravilha e que mais uma vez não te desiludiu, e na rádio toca uma puta duma música e é como se levasses com um balde de água fria pelos cornos abaixo porque sentes que acabaste de trair alguém. Muito errado, mesmo muito errado.
1.9.10
As minhas dores
Consegui recuperar alguns hábitos que me fizeram muita falta durante anos. Encontrando-me com tempo para dedicar a mim própria recomecei a fazer aquelas coisas que me dão imenso prazer e das quais me tinha simplesmente esquecido. Recomecei a frequentar as sessões do Cineclube ainda que quinzenalmente, recomecei a deitar o olho aos concertos e às peças de teatro, recomecei a comprar livros. Durante cerca de dez anos li apenas um livro por ano, a minha avidez pela leitura morreu. Li desalmadamente pela adolescência fora, encontrava-me dentro de livros e vivia neles a maior parte do meu tempo, e custava-me imenso deles sair. Li livros que eram para a minha idade e que não eram para a minha idade. Depois casei-me e continuei a ler, tinha muito tempo para mim com um marido que viajava a maior parte do tempo. Depois tive um filho e o tempo para ler fez-se pouco. O tempo para ir ao cinema, concertos e todo o tipo de espectáculos fez-se nenhum. Depois tive outro filho e os dois eram todo o meu tempo, toda a minha vida. À noite, aquele tempo de silêncio de nada rendia, vencida pelo cansaço a leitura era simplesmente impossível, tentava mas de nada servia. Levantá-los, vesti-los, pequeno-almoço, escola ou infantário, trabalho, banho, deitá-los, sozinha porque no meu caso durante a semana não havia com quem repartir as tarefas, tudo isto fazia com que tudo o que lesse fosse inútil. Desisti de ler simplesmente, não valia a pena, não retinha absolutamente nada. As férias grandes, sim, um livro cuidadosamente escolhido, da lista que mentalmente ia fazendo, os que queria ler. Sentia-me reduzida a quase nada por só ser capaz de ler um livro por ano. Sou uma grande parva, não sei organizar-me, não faço a gestão do tempo como devia fazer, deveria conseguir ler mais, não leio mais por exclusiva responsabilidade minha. Nunca culpei fosse o que fosse ou fosse quem fosse pela minha falta de disciplina. Hoje, com tempo para dedicar a todas as coisas que gosto de fazer, com oportunidade de investir no meu prazer pessoal, os livros são o que mais me custa. Não preciso de sair de casa, não preciso de fazer rigorosamente nada, basta pegar neles e abri-los. Não percebo porque me custa tanto. Não percebo porque me doem tanto os livros.
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