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17.8.11

A beleza

Ela era linda de morrer e todos à volta dela o confirmavam. Casou-se com um homem que nem acreditava no que lhe estava a acontecer. Só que ela não gostava de trabalhar e o marido não era rico e suportou enquanto pôde os dias, semanas, meses intermináveis em que ela passava os dias de pijama e robe, deitada no sofá a fumar e a ver televisão. Ocasionalmente chamava a miúda da vizinha para lhe fazer companhia. E os meses passaram e ela engravidou. Nasceu o rapaz e o caldo entornou, foram dois anos até ao divórcio. Entre namorados violentos, álcool e droga, o rapaz testemunhou tudo. Aos cinco anos saiu de casa e foi ao café telefonar à avó porque a mãe estava estendida no chão e não acordava. Ainda era bonita, e nova. Incendiou o apartamento um dia, estava nervosa, mas o filho já estava entregue ao pai. Prostituiu-se durante uns anos até que emigrou e viveu na Suíça com um italiano endinheirado, mas depois cansou-se. Voltou e agora trabalha num mini-mercado. Vi-lhe as fotografias no facebook porque o filho dela veio sentar-se no meu colo muitas vezes em pequeno, quando fugia ao pai e à tia depois de uma qualquer asneira. Eu lembrava-me das tardes que passei a jogar às cartas com a mãe e dava-lhe mimo. Dei-lhe muito mimo, e ontem estive a ver as fotografias da bebé dele e deparei-me também com as fotografias da mãe. Gasta, acabada. Tem pouco mais de cinquenta anos mas o olhar parece que carrega duzentos.

1.3.11

Sucesso

Vou falar outra vez do Facebook e do grupo da minha escola. Não resisto. Há um tipo que foi da minha turma, era muito popular, senão o mais popular da escola. Era giro, engraçado, destemido, tudo o que um rapaz na adolescência quer ser e só muito poucos são. Além disso era simpático e falava com toda a gente, mesmo com quem não era popular como ele. De vez em quando cruzo-me com ele, ora na rua, de carro, ora no super mercado, cumprimenta-me sempre, e já o vi inclusivamente num concerto em Lisboa, grande coincidência. Mas de há uns anos para cá vejo-o triste e apagado. Houve um dia até, em que o encontrei e quando me viu sorriu e vi naquele sorriso uma característica que me era tão familiar. Vi um sorriso de socorro, de alguém que não se sentindo bem, a lembrança que eu lhe trazia, dos tempos de escola em que a vida lhe corria bem, em que era feliz, o fez sorrir como que a pedir, salva-me, tu que conheces o tempo em que eu era feliz, leva-me de novo para lá. Eu conhecia esse sorriso, era também o meu às vezes. Muitas vezes. O Facebook... pois. Vejo as fotografias dele naquele tempo e a expressão é aquela de que me lembro, a jovialidade, a irreverência e sempre aquele sorriso aberto de quem é feliz. E também no Facebook, vejo as fotografias dele hoje, tão diferentes das do antigamente, vejo-o triste, o olhar apagado, sinto sofrimento naquele rosto. Sei que vive cá na terra, sei que é casado, que tem filhos pequenos, mais novos que os meus. E sei também que não é feliz.