A empresa onde trabalho divide-se em três unidades de produção diferentes. Na semana passada acompanhei um cliente francês a uma das outras unidades, ele queria ver a encomenda que tinha feito e que estava em fase de acondicionamento. Levei-o no meu carro, a distância é inferior a dois quilómetros. No caminho, olhou para mim e disse-me:
Vous avez changé, vous êtes différente, avez-vous trouvé l'amour?
Ao que lhe respondi:
Mais non, d'ailleurs, je ne le cherche pas, il faudra qu'il me trouve.
Emagreci quase dez quilos desde a última vez que ele me viu, não percebeu o que tinha mudado mas partiu de princípio que havia mouro na costa. Os franceses têm uma visão do amor e dos relacionamentos bastante diferente da nossa (ou da minha). Este não foi o primeiro francês que me falou no facto de eu ter a idade que tenho, ser divorciada e não ter homem. Acham estranho. Acham que eu devia ter homem, um namorado no mínimo.
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21.9.14
12.4.11
Cristal
Não bebo vinho todos os dias mas quando me apetece uso os copos de cristal. Herdei-os da minha tia, são magníficos, com uns desenhos gravados, são copos antigos. A minha tia tinha um enxoval cheio de coisas boas, copos de cristal, serviços de chá e de café em porcelana chinesa verdadeira, daquela que tem um selo no fundo das chávenas, um desenho em relevo que só se vê quando se vira o fundo para a luz, toalhas e lençóis de renda e linho, mas a desgraçada nunca usou nada. Viveu sempre na expectativa de vir a ter a sua casa quando saísse da casa dos senhores em Lisboa. Juntou coisas a vida toda, comprou, comprou, comprou, e depois quando os senhores morreram já estava velha demais para ter casa e viver sozinha. Escolheu uma pequena parte de tudo o que tinha e foi para a Ordem de S. Francisco. Deu-me a escolher entre aquilo tudo o que lhe sobrou e eu escolhi os copos de cristal, três toalhas de linho e um serviço de café chinês, azul e branco. Mas decidi não guardar nada, uso tudo, não quero chegar a velha e tudo o que tenho ser novo. Decidi também nessa altura que ia usar os melhores lençóis na minha cama, para quê guardá-los? Quando me casei a minha mãe mostrou-me lençóis do seu enxoval que nunca tinha usado e lembro-te de ter pensado que era um grande disparate. Vivemos a vida guardando as coisas melhores dentro de armários e baús porquê? Na expectativa de um grande acontecimento que justifique sujar as toalhas de linho e os copos de cristal? Que tristeza chegar a velha e verificar que tal acontecimento nunca aconteceu, por isso decidi que a vida me acontece todos os dias.
19.1.11
Identidade
Nunca compreendi o que leva algumas mulheres a mudarem de nome quando casam. Porque é que metem lá o nome dos homems com quem se casam? Porquê? O que é que muda por mudarem de nome? Procurava não há muito duas primas minhas no Facebook e acabei por encontra-las só depois de ter encontrado o marido de uma delas. E porque não as encontrava eu? Porque as meninas já não dão pelo nome de baptismo mas antes pelo nome dos maridos. Fez-me impressão. Eu casei-me e não mudei de nome. Não deixei de ser quem era por me casar, nem passei a ser de alguém por me casar. Também não sei o que pensar dos homens que apreciam que as esposas lhes adquiram o nome. Sentimento de posse? Será? As mulheres que mudam de nome quando se casam fazem-me sempre pensar que de alguma forma se anulam porque parece que só com o nome do marido existem. Por exemplo, a minha sogra (será ex-sogra? dizem que não, que as sogras serão sempre sogras) tem o nome do marido, médico reconhecido na sua área de especialidade, e quando a senhora diz o nome imediatamente se sabe que é a esposa do senhor doutor. Quando a minha prima diz o nome, também se sabe que é a esposa do senhor doutor (este é advogado). Não estão estas mulheres a admitir que sem este nome ninguém as conhece, ninguém sabe quem são, e por conseguinte não existem?
17.1.11
Saldos
Fiquei a saber este fim-de-semana que parece que sendo gaja, tenho de ir aos saldos. Só porque há saldos, como se as promoções fossem por si só, razão mais que válida para se comprar roupa, sapatos, acessórios e o caralho mais velho. Ora, eu vou às compras quando preciso e se não preciso de comprar nada porque raio é que hei-de ir aos saldos? Não percebo.
15.10.10
Farinha
Há mulheres que são parolas e serão parolas toda a vida. Podem arranjar o cabelo, podem vestir as melhores roupas e calçar os melhores sapatos que serão sempre parolas. Mas essas, não têm culpa, não podem mudar o código genético que lhes saiu na rifa. Podem por outro lado cultivar a simpatia, a gentileza, podem desenvolver características que as tornem atraentes, mas só se o tal código genético também lá tiver o bom material. É preciso boa farinha para fazer bom pão. Há outras mulheres que podem até parecer boazinhas, que são simpáticas e humildes e depois, atingindo o objectivo a que se propuseram na maior parte das vezes recorrendo a meios menos correctos se transformam numas cabras impossíveis, arrogantes e cheias de manias, até tentam melhorar o aspecto e umas conseguem outras não, mas a massa, a farinha é ruim, e por mais que se amasse, nunca dará bom pão.
4.10.10
Introdução
Depois da poeira assentar vê-se muito melhor. E eu, não sou diferente dos outros e é à distância que vejo melhor. Depois de ter atravessado o período de adaptação a este novo estado, depois de ter concluído e aceite tudo o que concluí e aceitei, chegou a data estipulada para o corte com o tabaco. E foi o fim da macacada, não sei que raio de mutação genética se deu em mim que me tornei numa grandessíssima chorona. Era a minha mãe a falar-me num tom um nadinha mais... assim... coiso que eu pimba, logo as lágrimas nos olhos, eram os miúdos a portarem-se um bocadinho pior e eu a ter de impôr a ordem e eu pimba, logo as lágrimas nos olhos, e era vir-me à ideia qualquer coisa que metesse um determinado indivíduo que pimba, logo as lágrimas nos olhos. Isto do choro começou há sensivelmente 4 semanas, faz amanhã. O que nunca antes me incomodou passou a fazer-me chorar como uma Maria Madalena. Se pensarmos que nunca fui de chorar, de tal forma que atravessei todo o processo de separação e divórcio e o único gajo que me fez chorar foi o meu pai, e foi uma única vez quando batemos de frente e eu lhe garanti que ele nunca mais iria ver os netos porque ele achou que proibindo-me de lá entrar em casa (na dele, que eu também considero minha) me faria mudar de ideias quanto ao divórcio, é ainda mais absurdo. Mas o que é certo é que de há 4 semanas para cá acho que já chorei mais do que em 35 anos de vida. Acho não, tenho mesmo a certeza. O giro disto tudo é que as outras merdas todas já me passaram, já aguento bem a minha mãe e os miúdos. Agora, as cenas relativas ao indivíduo, não sei porquê, mas tenho a sensação que isto está apenas a começar.
11.9.10
19.7.10
Prashand Gupta
Conheci um senhor indiano que é fantástico. Riquíssimo, fornecedor de tecidos de várias fábricas no Bangladesh com as quais trabalhei. Pensava comprar um avião a jacto daqueles pequeninos no ano seguinte. Por esta altura já o deve ter. E este homem está absolutamente convencido que o sucesso dele se deve maioritariamente, além da sua competência para o negócio, a umas determinadas regras que aqui vou revelar. Foram-me reveladas a mim e à minha colega e amiga que me acompanhou nessa viagem, numa noite muito mística. Eu não sou nada dessas coisas, não alinho nessas ideias místicas e cenas do género, custa-me, pronto. Mas tomei nota dos ensinamentos de Mr. Prashand e nunca fiz nada do que ele nos ensinou. Segundo ele, se formos rigorosos, só nos acontecem coisas boas. Portanto, quem quiser experimentar, faça favor:
As regras das cores para a roupa:
Segunda-feira – branco
Terça-feira – vermelho / tons de coral
Quarta-feira – verde
Quinta-feira – amarelo
Sexta-feira – branco / cores claras
Sábado – azul royal / azul marinho / preto
Domingo – vermelho / tons de laranja
- Nunca usar azul (qualquer azul, mesmo marinho) ou preto ao Domingo.
Claro que não é necessário que se vistam estas cores integralmente, pode ser uma peça apenas, excepto ao Domingo que estão proibidas as cores acima mencionadas.
Deixo também a regra de ouro do Sr. Prashand: (e vai em inglês)
Never abuse
Never lie
Never swear
Só digo que quanto às cores para cada dia da semana, dou cabo da lógica toda da coisa porque há simplesmente cores que não uso e ao Domingo uso frequentemente preto.
Quanto à regra de ouro, só a primeira parte é que talvez conseguisse fazer, porque a parte do mentir e praguejar, ui, é um descalabro. Minto com quantos dentes tenho no trabalho, aliás é uma arte que desenvolvi com todos os requintes, no ramo em que trabalho é fundamental. E o praguejar, bom, lamento mas não é só no trabalho. Se o Sr. Prachand soubesse dava-lhe uma coisinha.
As regras das cores para a roupa:
Segunda-feira – branco
Terça-feira – vermelho / tons de coral
Quarta-feira – verde
Quinta-feira – amarelo
Sexta-feira – branco / cores claras
Sábado – azul royal / azul marinho / preto
Domingo – vermelho / tons de laranja
- Nunca usar azul (qualquer azul, mesmo marinho) ou preto ao Domingo.
Claro que não é necessário que se vistam estas cores integralmente, pode ser uma peça apenas, excepto ao Domingo que estão proibidas as cores acima mencionadas.
Deixo também a regra de ouro do Sr. Prashand: (e vai em inglês)
Never abuse
Never lie
Never swear
Só digo que quanto às cores para cada dia da semana, dou cabo da lógica toda da coisa porque há simplesmente cores que não uso e ao Domingo uso frequentemente preto.
Quanto à regra de ouro, só a primeira parte é que talvez conseguisse fazer, porque a parte do mentir e praguejar, ui, é um descalabro. Minto com quantos dentes tenho no trabalho, aliás é uma arte que desenvolvi com todos os requintes, no ramo em que trabalho é fundamental. E o praguejar, bom, lamento mas não é só no trabalho. Se o Sr. Prachand soubesse dava-lhe uma coisinha.
28.6.10
As pessoas são engraçadas
Esta é mais uma das coisas que não percebo. A minha mulher a dias, que desde a separação divido com o meu ex-marido, vem frequentemente falar-me de coisas, de merdas, de situações que se passam em casa dele. A maior parte das vezes nem a ouço e as que ouço esqueço quase de imediato. Já lhe expliquei que não me interessa rigorosamente nada do que lá se passa e que não quero que ela me fale disso. Contudo a senhora, apesar de ser uma excelente pessoa e uma boa profissional não prima pela inteligência nem pela esperteza e a cada passo lá vem com as conversas às quais só obtem da minha parte uns pois, uns deixe lá isso, uns não quero saber e outras coisas deste género. Parto obviamente do princípio que o mais certo é que faça o mesmo no sentido inverso, coisa que não chateia absolutamente nada, e dou-lhe o devido desconto. Há contudo outras pessoas que me espantam com as coisas que me dizem. Encontrei numa loja um casal que foi meu vizinho, quando nos primeiros anos de casada vivi onde vive agora o meu ex-marido. Não os via há anos, desde que nos mudámos para outra casa, e depois dos cumprimentos da praxe, a senhora lá vem com a conversa do pois, quem lá vive outra vez é o seu ex-marido, e eu sim, regressou, e ela é verdade, mas deixe lá, há coisas piores do que um divórcio, e eu exactamente, são coisas que acontecem, e ela mas olhe, ele também não acerta com nenhuma, já por lá têm andado várias e não acerta com nenhuma. Apeteceu-me insultá-la mas contive-me num simples, isso não sei nem me interessa. Despedi-me e virei-lhe costas. O que é isto? Qual é a necessidade desta senhora de me dizer este tipo de coisas? Não lhe perguntei rigorosamente nada, no entanto automaticamente fez comentários relativos à vida amorosa do meu ex-marido. Tem a certeza que é um assunto que me interessa, e deve ter ficado desiludida por eu não ter querido saber mais detalhes. A verdade é que eu sei perfeitamente que ele já tem namorada completamente assumida perante os filhos e perante os pais e que a namorada até já tem ficado a passar fins-de-semana em casa dele com os miúdos mas não abri a puta da boca. Primeiro ao fazê-lo seria exactamente igual a esta senhora ao permitir-se fazer comentários sobre um assunto que não lhe diz respeito, segundo porque correria sérios riscos de ser mal interpretada, estou mesmo a imaginar a senhora a ficar convencida que eu estou chateadíssima com o facto do meu ex-marido ter arranjado namorada. Estou-me completamente nas tintas para isso, quer dizer, não estou nada, a verdade é que acho muito bem que ele tenha assumido a namorada e estou satisfeitíssima porque os miúdos gostam imenso dela. O que eles me contam, com a maior naturalidade do mundo e sem eu lhes perguntar nada, a respeito da namorada do pai é muito positivo, que mais poderia eu querer? Nada. Por mim, está óptimo.
23.6.10
Fácil
Faz-me sempre imensa confusão ouvir falar de paixões. Ai que estou tão apaixonada(o), ai que nem sei o que fazer, ai que estou doida(o) por ele(a). Isto faz-me confusão. Ontem à noite, numa das séries que gosto de ver percebi que aquela gente já estava toda apaixonada por outras pessoas, bastou-me falhar dois episódios para que ficasse tudo trocado. Já não estão apaixonados por quem estavam e por quem sofriam horrores e agora já se encontram apaixonados por outros. Que coisa, será assim tão fácil apaixonarem-se? Fiquei desiludida, de repente a série que gosto tanto passou a ser de ficção. Não gostei, mesmo sabendo que tudo na TV é ficção, eu gosto da ficção que pode muito bem ser verdade. O povo apaixona-se e desapaixona-se assim tão facilmente? Como se fosse um simples carregar de botão, como se fosse automático, e como se fosse completamente independente da vontade de cada um. E isto, venha quem vier, não me cabe na cabeça. lamento muito. Não é assim fácil, nem apaixonar-se, nem desapaixonar-se. Não é. E sobretudo não é instantâneo, não se acorda um dia e se constata que se está apaixonado, não se olha para uma pessoa e se percebe que se está apanhado. É infinitamente mais complicado do que isso, acho até que o mais difícil é admiti-lo perante nós próprios. Se eu nunca pensar que estou apaixonada, nunca estarei. Posso até achar piada, posso muito bem sentir desejo, posso até sentir a falta, mas se estas palavras nunca forem proferidas ou pensadas, esse estado jamais se materializará. E há milhares de motivos pelos quais essas palavras fiquem de fora do léxico comum. Há milhares de formas de as repelir. Há milhares de maneiras de as evitar. E também há uma razão que invalida tudo isto que acabo de escrever. O medo. Não, não estou apaixonada e não tenho medo de me apaixonar, mas também não o anseio. É como conduzir a alta velocidade, é óptimo não há dúvidas, e apesar de já ter acelarado bastante e ter sentido toda a adrenalina daí resultante, vivo bem conduzindo no limite imposto por lei.
19.5.10
Low maintenance
Quando se trabalha num sítio onde praticamente só há mulheres é fácil cair na tentação das comparações. Há-as para todos os gostos, desde as mais sofisticadas às mais singelas. Todas estas mulheres, no seu conjunto, me fazem pensar em mim. Todas estas mulheres têm uma coisa em comum, que eu não possuo. Todas elas têm cuidado com a aparência, umas mais do que outras é certo, mas mesmo aquelas que não são muito sofisticadas revelam algum cuidado, seja a combinar as peças de roupa, seja com os acessórios, seja com as cores ou os modelitos da moda. Vê-se que investem nessas coisas, seja dinheiro seja tempo. Elas compram cosméticos à colega que vende por catálogo, elas compram a sandália ou o sapato logo que o tempo aquece, elas aparecem com um top ou um cinto, elas exibem os últimos brincos. E eu olho por mim abaixo e percebo que só compro as merdas de que efectivamente preciso, que não gosto de ir às compras sempre que há um tempinho, em vez disso compro as coisas que me fazem falta todas de uma vez e têm de combinar todas umas com as outras e com as que já tenho em casa que é para não ter de voltar às lojas nem ter de pensar muito naquilo que vou vestir. Que sou capaz de andar um mês com o mesmo par de botas, que sou capaz de andar semanas com o mesmo casaco, que só tenho peúgas e roupa interior preta, toda igual ainda por cima, que não tenho uma peça de roupa estampada, que as pulseiras que meto no pulso no Verão são as mesmas de há anos. Que nunca na puta da minha vida fiz uma limpeza de pele, que não tenho e nunca tive um creme de dia e outro de noite, que nunca fiz uma máscara no cabelo, que nunca usei um creme anti-celulite. Vou ao cabeleireiro, que por acaso é a minha mãe de longe a longe para pintar o cabelo em castanho escuro, a minha cor natural para cobrir os cabelos brancos, de resto trato eu dele quando tenho tempo, quando não tenho fica por conta própria e maquilho-me esporadicamente, quando estou mais triste e a fronha mete mesmo impressão ou quando há casamentos, e nem todos. Nunca fiz uma pedicure e manicure devo ter feito umas três vezes. No entanto sinto-me muito mais mulher do que provavelmente a grande maioria delas.
7.5.10
Wtf ?!?
Desconfio sempre de gajas que usam malas ou acessórios daquela gata insuportável, a Kitty, ou daquele urso patético, merda que me esqueci do nome, foda-se, como é mesmo que se chama a puta da marca... ai o caralho... ah, Tous, é isso. Mas essas merdas não são para as miúdas pequenitas da escola primária? Já agora porque não cenas da Barbie? A mania de não querer envelhecer está a dar-lhes cabo dos neurónios, só pode. Se mulheres adultas de 30 e tal anos andam com merdas de miúdas de 10, quando estiverem na casa dos 50, 60 vá, vão achar-se com 30 e tal, máximo 40. Mas porque é que estas mulheres usam coisas de criança? E se aos gajos lhes dá para usarem camisolas e calções do Ruca? Ou relógios de outra merda qualquer para putos? Acham bem? Acham giro e fofinho? Eu não, de todo. E também desconfio que um gajo em condições não sinta pica nenhuma por uma tipa com um acessório acriançado.
4.3.10
Cavaleiro andante
Acabo de receber uma informação que não posso dizer que me choca mas, que me intriga. Nem sei se intrigar é sequer a palavra correcta. Pouco depois de ter tido "aquela" conversa com o meu marido fiquei a saber que a irmã dele estava a ter problemas no casamento também. Golpe duro para os pais dele, e ele pediu-me para que não revelássemos os nossos de imediato, para os poupar. Aceitei. Os ecos que me foram chegando do outro lado foram que ela teria um caso com alguém que trabalhava com ela, esse alguém estava devidamente identificado e que ela estava a forçar o divórcio. Drama gigantesco naquela família. Ora, quando começa o circo para o meu lado, achei que em parte toda a confusão na cabeça dele teria sido em parte por sugestão, ou seja, ele teria transportado a cena da irmã para mim. A outra parte atribuí ao grandessíssimo golpe no ego que preferiu atribuir a ruptura a uma terceira pessoa do que admitir o falhanço pessoal. Quando tudo acalmou, cheguei à conclusão que a irmã não deveria ter caso algum porque como eu passei por ter um amante sem ter, ela padeceu do mesmo. Aqui reside o que me intriga. Acabo de ser informada que a irmã já comprou casa juntamente com o namorado novo, que é nada mais nada menos o fulano com quem "supostamente" tinha um caso. Espero que lhes corra tudo bem. Mas tendo estes acontecimentos tido lugar há menos de um ano, e não estando a julgar atitudes ou posturas, fazem-me imensa impressão estas cenas de trocar um homem por outro. Tenho para mim que estas decisões são sempre alicerçadas em areias movediças. O homem que se acha que é o cavaleiro andante que vem salvar a donzela nunca é o que parece ser. Quando se está numa relação que não é satisfatória, os olhos estão turvos e não enxergam devidamente. O tempo acabará por mostrá-lo tal como ele é e chega-se à conclusão que não se pensou lá muito bem. Não quer dizer que se volte atrás e que se queira o homem que se deixou, apenas penso que não se consegue ter bem a noção da realidade relativamente ao homem seguinte. Mas isto sou eu. A que na fotografia ficou como a mulher que o marido deixou porque descobriu que ela tinha um amante, a que queria despachar o marido para ir viver com o amante mas o marido foi mais esperto e descobriu, e antes que ela o deixasse, deixou-a ele. Até hoje haverá gente admirada por me ver sozinha, mas onde é que está o amante? Amante não tenho, não tive. Homens, há-os e eu vejo-os muito bem pois nada me turva a visão e também ninguém me vem salvar, não preciso, obrigada. E se um dia escolher alguém será, para o bem e para o mal, com total consciência do que estou a fazer.
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