Mostrar mensagens com a etiqueta nojo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta nojo. Mostrar todas as mensagens

19.9.14

Vergonha

Existe uma arte, um dom, ou um desporto, que é magoar os outros propositadamente. Conheço várias pessoas que conseguem escolher as palavras certas e proferi-las no momento certo com o objetivo de fazer sofrer o interlocutor. Nunca consegui aprender a fazer isto, e envergonho-me de o admitir, houve momentos em que desejei fazê-lo. Sempre acreditei que estas pessoas se dividissem em dois grupos; as que o fazem retaliando um ataque de forma imediata e espontânea, e as que o fazem depois, por vingança, seguindo um plano meticulosamente preparado. Mas descobri que há ainda outras, as que pensam no que podem fazer às pessoas, porque as conhecem bem, porque lhes conhecem as fraquezas e preparam o ataque, apontam ao alvo indefeso, incrédulo e se regozijam com a dor alheia, pois só assim se sentem felizes, fazendo os outros infelizes. Habitualmente fazem-se passar por amigos. São os pratos da balança que só sobem quando os outros descem, já que sozinhos não valem nada, vivem dependentes do que acontece aos outros, ora felizes ora infelizes na proporção direta dos estragos que conseguem provocar. Os que magoam à defesa até consigo tolerar, já aos outros, e também me envergonho de o admitir, desprezo-os profundamente.

30.7.14

Público

Tenho ido suar para o parque ao fim do dia, e tenho ficado parva da minha vida com os jovens que por lá saltitam. Já não são as mulheres que se exibem, apesar de totalmente maquilhadas e a tresandar a perfume ao mesmo tempo que fingem que correm na pista de terra, não, agora são eles, de calções curtos, de tronco nu e, horror dos horrores, sem um pelinho à vista. Não sei explicar mas ver corpos masculinos sem pelos no peito, braços ou pernas mete-me nojo. Juro, dá-me náuseas. Sou velha, bem sei, mas gosto de homens com pelos. Sugiro aos moçoilos que deixem crescer a barba uma semana e depois façam a depilação com cera, tal como na pernoca e na axila, a ver se gostam. Além disso sugiro aos senhores que tomam conta do parque que coloquem tabuletas - várias - a informar que é proibido andar por lá sem t-shirt. Bolas, uma gaja sofre, vai malhar para o parque, já tem os músculos todos a doer e ainda tem de levar com os mocinhos a exibirem o corpo a fazer lembrar um frango depenado. Blheeerrrrrggggg.

23.12.11

Mulheres

Peles brancas, com sardas, morenas. Cabelos compridos, curtos, ondulados lisos. Rabos gordos, ossudos, flácidos e rijos. Redondos, achatados, outros descaídos. Mamas, muitas mamas, umas saltitonas outras tristes. Mamas frondosas e mamas tímidas, mamilos grandes, mamilos pequeninos, uns rosados outros negros. Cremes e óleos, peles lisas e lustrosas. Peles estriadas e engelhadas. Peles viçosas, espinhas cheias de pus, cicatrizes e eczemas. Corpos, muitos corpos, a granel, por atacado. Vapor, suor, rostos vermelhos, afogueados. Cheiro a sapatos transpirados, a axilas suadas, a bafos sedentos. Desodorizantes e perfumes e produtos de cabelo. Às vezes reparo mais num corpo ou noutro. Gosto de corpos, de espiolhar corpos, se pudesse via-os até por dentro, como numa autópsia. Gosto das barrigas e das coxas. Cheias de celulite ou musculadas, não importa. Gosto das curvas férteis das mulheres, e não me fazem impressão nenhuma as velhas com as peles descaídas e os ossos tortos. Só há uma coisa, absolutamente democrática, há em novas em velhas, em gordas e em magras, em boazonas e em arrombadas, que me mete nojo. Que me desilude e me deita por terra. Olho-lhes para as unhas dos pés e muitas delas, é ver literalmente o verniz a estalar. Unhas de pés pintadas de cores fortes com o verniz todo descascado e algumas, lá pelo meio, até já sem nenhum. Que nojo. É nestas coisas, nas que não estão à vista, que se vê a elegância de uma mulher.

21.10.10

Rosita

Quando casou, toda a gente disse que a Rosita tinha tido muita sorte. O marido era uma estampa. E por acaso era, lembro-me perfeitamente de ser miúda e de achar o indivíduo um homem muito bonito. A Rosita também era bonita, faziam um casal lindo de se ver. Hoje, a Rosita está mais velha obviamente e o rosto transformou-se num rosto sofrido e gasto. O marido continua muito bem parecido, é normal. O tipo não trabalha, passa o dia na rua ou no café a coçá-los, enquanto a Rosita trabalha que nem uma moura para o manter e aos dois filhos quase adultos. Trabalha Rosita, que a estampa do teu marido gasta.

4.9.10

A sangue frio.

Se um dia um dos meus filhos me disser, mãe, aquele homem fez-me isto, ou, aquele homem tocou-me aqui, ou, isso mesmo que ocorre a todas as mães e pais e que é tão medonho que se luta contra essa ideia com todas as forças do ser, se um dia um dos meus filhos me disser mãe, aquele homem, aquele homem, se um dia eu o apanhar, e esforçar-me-ei para o conseguir ainda que seja a última coisa que faça na puta da vida, se um dia eu o apanhar, aquele homem, morre às minhas mãos, às minhas unhas, aos meus dentes. Depois podem fazer um circo mediático à minha volta. Não me importo. Não verterei uma lágrima. Não proferirei uma palavra.

21.4.10

Nude

Aceito que para algumas mulheres o poder constitua um atractivo poderoso. Aceito que se sintam atraídas por homens poderosos. Nem sempre será o dinheiro a base desse poder, mas na maior parte dos casos é. E obviamente que os sinais exteriores de riqueza, num homem, são o que chama a atenção destas mulheres. Boas casas, bons carros, boas vestimentas, os lugares que frequentam, só para enumerar os factores mais óbvios. Mas aceito só por causa daquela explicação sobre o facto de estas merdas actuarem no subconsciente e acordarem aquelas outras merdas ancestrais na fêmea que procura um macho que lhe proporcione segurança às crias, etc... e tal. Acontece que depois há os homens que acenam com este tipo de coisas, porque sabem perfeitamente que há mulheres que mordem o isco, que mostrando todos esses sinais é uma alegria e é só gajas à volta deles. Têm razão, safam-se melhor assim na prática. Elas andam lá, com o cheiro. Umas legitimamente, e talvez a maioria só com a intenção de uma vidinha confortável e despreocupada, coroada por uma ideia de "status", abomino esta palavra e este conceito, proporcionado pela associação a este tipo de homens. Sempre gostava de ver estes homens nuzinhos de carros, de cartões de crédito e de griffes, a ver como se safavam. Sempre gostava de ver estes homens a jogar limpo, a valerem-se de si próprios apenas, a ver como se safavam. É que quando se me atravessam à frente, imagino-os logo nús daquelas merdas todas, e poucos são os que valem alguma coisa. Porque, quando um homem é algo mais do que só aquilo que possui não o ostenta, o que me leva a concluir que todo o espalhafato só serve para disfarçar o facto de que, uma vez despidos, estes homens ficam em nada.

19.4.10

Embrulha

Continuo a ter de mastigar toda a minha revolta bem mastigadinha para que não me cause problemas no aparelho digestivo depois de a engolir, mas que mesmo assim custa a passar, e a ter de fazer apenas aquilo para que me pagam.

15.4.10

Deve ser assim

Fingir que se gosta varrendo o asco para debaixo do tapete. Sorrir disfarçando a fúria no cerrar de dentes camuflado. Agir com naturalidade sentindo todos os músculos tensos de raiva. Agradar, e seduzir fazendo de conta que se gosta da companhia. Deve ser assim. Deve ser assim que as putas se sentem com os clientes. Ontem senti-me assim, com o meu cliente. Falsa e vendida. Puta.

12.2.10

Waste

Ia há pouco na rua e observava duas mulheres que caminhavam alguns metros à minha frente. Pararam em todas as montras de lojas de roupas. Até que acabei por alcançá-las visto que não parei. Fiquei a pensar. Este Inverno comprei 3 peças de roupa para mim. E só porque o meu trabalho me permite adquirir artigos às fábricas que os produzem a preço quase de custo. Comprei 3 peças de cachemira, que me custaram cerca de 35 dólares, envio incluído. Não comprei sapatos nem botas, nada de calças ou camisolas. Ah, comprei o vestido que deveria ter usado na passagem de ano e que ficou no armário pelo motivo que já expliquei. Não vejo qualquer utilidade em comprar coisas das quais não se precise, em quantidades maciças. Conheço pessoas que compram roupa ou calçado todas as semanas. Ou todos os meses. Não percebo. Nem sequer conseguem usar tudo, só se mudassem de roupa três vezes por dia e mesmo assim duvido. Mas tudo bem, que se queira comprar porque se pode, porque aquele dinheiro não faz falta, até aceito. O que não compreendo por mais que me esforce é porque que caralho se compra roupa ou sapatos para depois ter de contar os trocos do fundo da bolsa quando é preciso leite ou iogurtes, ou arroz ou fruta para alimentar os filhos. Essa merda é que me baralha toda. Eu não sou capaz de gastar dinheiro em coisas de que não preciso, muito menos quando tenho outras coisas muitíssimo mais importantas a fazer, tipo comprar a outra metade da minha casa, é uma questão de definir prioridades. Depois pretendo ainda fazer uma viagem que será adequada ao orçamento que me restar. Mas isto, não são coisas essenciais, podemos até chamar-lhes supérfluas se quisermos. Agora a alimentação, e o conforto, que também é importante, da família colocados em risco, ou diminuidos por causa de ter mais uns casaco ou mais uns pares de botas? Conheço gente deste calibre, infelizmente. E é gente que não vive de salário mínimo, é gente com rendimento bem acima da média, mas que só se preocupa com ostentar. Importa é fazer passar a ideia de que têm, não importa nada se dentro de portas as crianças passam frio porque a conta do aquecimento é alta, não importa se as crianças não têm o que comer excepto pão com manteiga e massa com massa ou arroz com arroz, porque a partir de determinada altura do mês já não se vai ao supermercado comprar carne nem peixe nem fruta. Mas as gordas prestações para a moradia com piscina e para o carro de alta cilindrada não podem falhar, isso não, seria a desgraça. E roupinha nova com fartura também é fundamental. Pois... ele não estica, ele esbanja-se.