17.4.09

Murro

Veio sem aviso. Um golpe seco, certeiro e forte. E doeu.
Como doem os murros no estômago.
E veio a falta de ar, o aperto no peito, e depois, só depois as lágrimas sem pedir licença.
Foi assim, como um murro no estômago, e doeu. Muito. Ainda dói. Muito.
Dói porque só aqueles de quem eu gosto têm o poder de me magoar, mais ninguém.
Muito, porque é no momento em que mais preciso de colo que só lhes vejo as costas, viradas indecentemente para mim. Obscenamente viradas para mim, quando o peito grita por abrigo. Mas não, nada.
Nada não, se fosse nada seria menos violento. Foi o virarem-me as costas declaradamente e pior, orgulhosamente, que me acertou no peito e, como um valente murro no estômago, me aninhou.

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