19.11.14

Os nomes das coisas

Jantar de fim de semana com amigos em minha casa, muita risota, anedotas, cantorias, o fim da macacada. Adultos e os meus filhos também. Segunda feira de manhã, no carro, a caminho da escola:

O mais novo: Oh mãe, o ....... é gay mas não é nada bicha, pois não?
Eu: Não. E qual é a diferença? (apetecia-me muito rir, mas contive-me)
O mais novo: Quando se é gay não se nota, mas quando se é bicha nota-se.

11.11.14

O poder das mulheres?

O poder das mulheres não está no número de fêmeas num governo, parlamento, ou presidência de um país nem no número de fêmeas presidentes de empresas multinacionais. Tão-pouco nas mulheres que se destacam em profissões tradicionalmente masculinas. Muito menos nas que queimam soutiens, cortam o cabelo à homem e fazem tatuagens de macho.

O poder das mulheres está na escolha do macho, está nas pernas que abrem para receber o sémen, está no ventre, na vida que geram dentro de si e que expulsam à força de gritos, lágrimas, suor e sangue. O poder das mulheres está nas mamas que esguicham o leite que aquece e engorda a cria. O poder das mulheres está no colo que embala e acalma o choro, está no coração que dá amor. Está na mão que dá a palmada que termina a birra e está na boca que profere “não” sempre que necessário.
 
O poder das mulheres está na educação que dão aos filhos, pois eles são o futuro e em cada geração as mulheres moldam o futuro. Esse poder é tão grande e causa tanto estrago que quando não é bem usado os resultados são trágicos. Há exceções que confirmam a regra dos traumas da infância e adolescência que resultam em adultos desequilibrados e psicóticos, mas são poucas. Um mau pai causa danos, uma má mãe - ou a ausência dela, por vezes - causa muitos mais, mais profundos e quase sempre irreversíveis.
 
O poder das mulheres está na capacidade de sacrifício e sofrimento, no peso da preocupação que conseguem carregar diariamente, na certeza absoluta que os filhos estão sempre primeiro.

As mulheres detêm o poder de moldar o mundo, de fazê-lo avançar ou retroceder. Este poder é tão imenso e tão infinito, no entanto está dentro de cada mulher, de cada mãe. É uma noção difícil de interiorizar sobretudo num mundo onde o individualismo impera, e todos achamos que somos o centro do mundo. Não somos o centro, somos apenas as peças de uma máquina, e esta noção tem tanto de grandioso como de humilde. Remete-nos simultaneamente à insignificância e à importância de uma pequena peça, fundamental para o funcionamento da máquina do mundo civilizado.

Para o bem e para o mal.

5.11.14

Doing what you were born to do

"... if she isn't a writer, maybe she shouldn't be a writer..."

Hank Moody (David Duchovny), in "Californication"

30.10.14

Bullshit

Gosto de pessoas espontâneas, mas não de pessoas impulsivas.
Gosto de pessoas frontais, mas não de pessoas que magoam gratuitamente.
Gosto de pessoas meigas, mas não de pessoas pegajosas.
Gosto de pessoas engraçadas, mas não de pessoas engraçadinhas.
Gosto de pessoas sensíveis, mas não de pessoas lamechas.
Gosto de pessoas fortes, mas não de pessoas brutas.
Gosto de pessoas confiantes, mas não de pessoas arrogantes.
Gosto de pessoas inteligentes, mas não de pessoas espertinhas.

23.10.14

Sinais

Ouço o mesmo disco no carro desde que regressei de férias, quase há dois meses portanto, mas em casa apetece-me ouvir a "Absolute beginners" do David Bowie. No outro dia lembrei-me de Dave Mathews Band e do que eu gostava da "Don't drink the water". Ando a ouvir música que me faz lembrar estados de alma antigos, negros, pútridos. Hoje senti um vontade incontrolável de ouvir "Sour times" dos Portishead. Cedo à atração pelo abismo, não consigo deixar de ouvir, de sentir prazer em recordar toda a porcaria que sentia, que era má mas boa, e boa mas má e que me estraçalhou. Não sei o que será, mas nada de bom poderá sair daqui.

22.10.14

A ver navios


A vida dá muitas voltas.
Ontem telefonou-me a namorada/companheira do meu ex-marido a perguntar-me se posso ficar com o filho dela este fim-de-semana. Claro que posso, com todo o gosto, respondi-lhe. O miúdo é da idade do meu filho mais novo, é da turma dele e da equipa de futebol dele. São os melhores amigos. Sucede que este fim-de-semana os meus filhos estarão comigo e os dela teoricamente estariam com o pai. Não perguntei porquê, mas percebi que estão com ela e que tem um evento qualquer no sábado, com o meu ex-marido, claro, e o rapaz disse à mãe que gostava de ficar com os meus. A filha mais velha vai ficar em casa de uma amiga, mas o rapaz pediu para ficar comigo. Já ficou a dormir lá em casa algumas vezes e o miúdo é impecável.
Mas o que foi mesmo engraçado foi o meu ex-marido ter telefonado aos filhos ontem à noite, como faz todas as noites, eu ter-lhe dito o que tinha combinado e ter verificado que ele não sabia de nada. Tanto que inicialmente pensou que eu estivesse a referir-me a um outro fim-de-semana, em Novembro, que me pediu para ficar com os miúdos na noite de Sábado para Domingo, apesar do fim-de-semana ser dele. Outro evento qualquer, e eu disse-lhe que podiam ficar também os miúdos da namorada/companheira dele, se fosse necessário, porque sei que os fins-de-semana com miúdos coincidem, ele com os dele e ela com os dela. Só depois percebeu que ficou a ver navios, não sei se gostou ou não, mas eu, honestamente, adorei.
Sua excelência, importantíssimo, que quase que vomita quando tem de me “pedir favores” tanto por ter de pedir como por eu nunca lhe recusar nenhum e aceitar com toda a naturalidade as alterações de programação no que aos miúdos diz respeito, às vezes até fico com a impressão que ele quase que quer arranjar um pretexto para se chatear comigo só que não lho dou, foi passado para trás pela ex-mulher e pela companheira, que se entendem bem e tratam do que têm a tratar sem precisar dele para nada. Adorei.

21.10.14

Gajas boas


Hoje de manhã, a caminho da escola, conversavam os dois como se eu não estivesse presente:

Pequeno: De cada vez que passo pelo liceu, só vejo gajas boas.
Grande: Ora olha, estas todas (miúdas a pé, a caminho da escola), são todas giras.
Pequeno: Pois são, todas mesmo giras.
Grande: Lá no liceu, não importa para que lado te vires, vês uma gaja boa por metro quadrado, no mínimo.

O pequeno ria-se, e o grande, lembrando-se de repente que eu estava dentro do carro:

É verdade mãe, elas vêm para a escola todas produzidas, de bolsinha e tudo, é incrível.

Eu: Já viste que sorte que tens?

19.10.14

Velhice

Estou para aqui derreada, a realidade pesa como cimento e cansa. Esqueci-me que tenho praticamente quarenta anos e não só saí anteontem à noite, como, distraindo-me, também saí ontem à noite. Na sexta-feira fui jantar com a malta do curso e depois fomos beber um copo no centro de Braga, fiquei a conhecer um bar magnífico (Estúdio 22) onde se ouvia, entre outros, David Bowie e Rolling Stones. Bom de ver, as pessoas dentro do bar nasceram todas na década de setenta, ou mesmo na anterior, senti-me bem, foi bom. A minha velhice atacou-me por volta das três da manhã, quando já com o sono a aparecer comecei a ficar inquieta com o facto de ter de conduzir até Guimarães, porque me aterroriza a ideia de adormecer ao volante. Todavia correu bem, acredito que porque decidi vir pela estrada nacional, cheia de curvas, em vez de optar pela autoestrada, já que ainda que seja uma viagem de poucos minutos é muito mais monótona. Ontem, já depois da limpeza geral da casa, atirei-me para o sofá e adormeci. Ao fim da tarde, fui desafiada para jantar no Porto e para ir a um evento chamado 20-XX-vinte. Como disse, completamente distraída do facto de me ter deitado tarde na noite anterior, e do reumatismo a queixar-se da faxina, aceitei. O pormenor de ser levada e trazida contou bastante, confesso. Com as mesmas pessoas, que me são muito queridas, a verdade é que o mesmo programa teria sido recusado se tivesse de conduzir - lá está a velhice - gosto muito de conduzir, mas é de dia, ou se for de noite, nunca depois de jantaradas e bares, ainda que beba apenas água. E, apesar do evento não me ter agradado especialmente, foi uma noite muito bem passada, com pessoas fantásticas e diverti-me muito. Como já não me lembrava. Andei por sítios que frequentava há uns quatro ou cinco anos e soube-me bem recordar aqueles tempos. Mudei tanto desde então. Estou mais velha, mas estou muito mais cansada, e com muito mais consciência do que fui, e do que sou. Agora sou aquela pessoa que prefere ficar em casa, no sossego. Que prefere não ter nada para fazer, não ter compromissos. Que tem muito pouca paciência para coisas que antes a entusiasmavam e faziam sentir-se viva. Não sei muito bem o que é que me sobra. Se é que sobra alguma coisa.

10.10.14

Medo

Ao deitar.
Ele: Oh mãe, tenho tanto medo do Ébola... só penso nisso.
Eu: Então pá? não é preciso exagerar. Eu também tenho medo mas não ando sempre a pensar nisso
Ele: Mas eu fecho os olhos e só penso nisso, juro-te.
Eu: Pá, quando fechares os olhos pensa em gajas, gajas giras, pensa em mamas, sei lá.
Ele: (a rir) E a minha turma está cheia delas!
Eu: Ora aí tens, pensa nas miúdas da tua turma.
Ele: Boa, mãe!
Eu: Vá, dorme bem.

29.9.14

Festas

Ontem tive em casa toda a tarde oito miúdos com idades compreendidas entre os onze e os doze anos. Todos jogadores da equipa de futebol na qual joga o meu mais novo, mas só três da turma dele. O meu moço pediu-me que a festa de aniversário dele fosse lá em casa e que queria fazer um torneio de "Playstation", com um daqueles jogos de futebol muito realistas que até dá para escolher a forma das sobrancelhas dos jogadores. Então, enquanto dois jogavam, os outros seis gritavam a plenos pulmões, ora força, ora vai, ora chuta, ora falta, ora golo, como se estivessem num estádio de futebol. O mais velho fechou-se no quarto, coitado. Cada parte durava cinco minutos, cada jogo dez. Foram sete jogos, é fazer as contas. Foi uma tarde deveras relaxante. Interrompi os jogos antes da final para que cantassem os parabéns ao rapaz e comessem o bolo. Entretanto, o primeiro pai que foi recolher o respetivo miúdo teve de subir lá a casa pois o rapaz estava a jogar a final.

O homem mal entrou fez uma careta e perguntou-me: Como é que consegue?

Encolhi os ombros e respondi: O que vale é que é só uma vez por ano!

28.9.14

O quê?

No programa "60 minutos" vejo que nos E.U.A. é facílimo entregar declarações de IRS falsas eletronicamente, basta arranjar uma identidade roubada - pelos vistos há listas de números fiscais roubados, conhecendo-se as pessoas certas compram-se identidades roubadas, por exemplo em clínicas, suborna-se a pessoa que tem acesso à base de dados dos doentes e obtêm-se, facilmente, cem nomes e números fiscais - e entregam-se as declarações. Os valores são inventados, as entidades empregadoras também e é só não abusar nos números que o Estado Norte-Americano envia um cheque para a morada indicada dentro de sete - SETE - dias!!! Há quem tenha feito milhares de declarações, cada uma com reembolsos de três ou quatro mil dólares e meteu ao bolso milhões. Um tipo diz que inclusivamente recebeu vinte e cinco - VINTE E CINCO - cheques na mesma morada. Nada estranho ?!? Ou então pode pedir-se que o reembolso seja creditado num cartão de crédito que se compra em lojas - EM LOJAS - e é só gastar, simples. Pensando nas nossas declarações eletrónicas, ocorrem-me alguns detalhes que provam que ainda que nos queixemos, aqui as coisas não são assim tão más. A entidade empregadora já declarou a retenção quando nós preenchemos, se tivermos crédito habitação, também já lá constam os valores, e eu quero acreditar que estes valores são cruzados quando as declarações são preenchidas manualmente. Por isso é que demora o tempo que demora o processamento dos reembolsos. Sei perfeitamente que ainda há gente que declara despesas que nunca teve, é um facto, mas pelo menos quem trabalha por conta de outrem tem sérias dificuldades em declarar valores diferentes daqueles que ganha. Cada um pode aldrabar a sua própria declaração, e nem vou dizer o que penso disso, no entanto não me parece que seja fácil inventar declarações para receber reembolsos. Não que eu tenha pena do Estado Norte-Americano, não tenho pena absolutamente nenhuma, tenho pena é das pessoas cuja identidade foi roubada e que depois se vêem à nora para provar que aquela declaração que já foi entregue e reembolsada não era a sua.
Os americanos pensam que são tão espertos, e depois são comidinhos de cebolada em merdas tão simples.
E mandam este gajos no mundo, e são agências de rating americanas que classificam países como Portugal como lixo. Eles são mas é uns grandessíssimos burros.

24.9.14

Classe

Gosto muito de ver mulheres que se arranjam, gostava de ser assim, de me arranjar todos os dias, mas não sou capaz. Não me maquilho todos os dias, pensando bem não toco em maquilhagem há muitos meses, há mais de um ano talvez. Admiro quem pensa na roupa que vai vestir e nos acessórios que combinam, quem muda de bolsa frequentemente, eu pego nas calças que são quase sempre neutras e pego na primeira t-shirt que apanhar, ou quando as calças não são neutras, agarro em partes de cima brancas ou beges. O que não dispenso são os saltos altos, adoro, sapatos e sandálias e raios me partam que ainda me faltam uns sapatos vermelhos, mas eles cá virão ter. Às vezes ponho uma saia travada preta, que vai obviamente com uma t-shirt, ou camisola no inverno, mas tenho de acordar com um determinado estado de espírito.

Agora, ver uma mulher toda arranjada, unhas pintadas, maquilhagem total, mas depois o cabelo está gorduroso e levanta os braços e pelas cavas da blusa espreitam os pelos das axilas?

Lá se foi a classe.

O tempo que que gasta a imaginar o "outfit", a passar a tralha toda de uma mala para a outra, e maquilhar-se não seriam muito mais bem empregues a lavar o cabelo e a depilar as axilas?

Eu acho.

23.9.14

Happiness


"Happiness is like an orgasm, if you think about it too much, it goes away."

Discurso de Tim Minchin na cerimónia de formatura da University of Western Austrália (UWA) 2013

Aqui.

22.9.14

O grande e o pequeno

Hoje o pequeno faz onze anos. Já não é muito pequeno. O outro, com onze anos já era o grande. Esta mania que tenho de os distinguir por pequeno e grande, em vez de mais novo e mais velho, por este andar vai ser até serem ambos homens feitos, e quiçá o pequeno até fique maior que o grande.

21.9.14

L'amour

A empresa onde trabalho divide-se em três unidades de produção diferentes. Na semana passada acompanhei um cliente francês a uma das outras unidades, ele queria ver a encomenda que tinha feito e que estava em fase de acondicionamento. Levei-o no meu carro, a distância é inferior a dois quilómetros. No caminho, olhou para mim e disse-me:
Vous avez changé, vous êtes différente, avez-vous trouvé l'amour? 
Ao que lhe respondi:
Mais non, d'ailleurs, je ne le cherche pas, il faudra qu'il me trouve.
Emagreci quase dez quilos desde a última vez que ele me viu, não percebeu o que tinha mudado mas partiu de princípio que havia mouro na costa. Os franceses têm uma visão do amor e dos relacionamentos bastante diferente da nossa (ou da minha). Este não foi o primeiro francês que me falou no facto de eu ter a idade que tenho, ser divorciada e não ter homem. Acham estranho. Acham que eu devia ter homem, um namorado no mínimo.

19.9.14

Vergonha

Existe uma arte, um dom, ou um desporto, que é magoar os outros propositadamente. Conheço várias pessoas que conseguem escolher as palavras certas e proferi-las no momento certo com o objetivo de fazer sofrer o interlocutor. Nunca consegui aprender a fazer isto, e envergonho-me de o admitir, houve momentos em que desejei fazê-lo. Sempre acreditei que estas pessoas se dividissem em dois grupos; as que o fazem retaliando um ataque de forma imediata e espontânea, e as que o fazem depois, por vingança, seguindo um plano meticulosamente preparado. Mas descobri que há ainda outras, as que pensam no que podem fazer às pessoas, porque as conhecem bem, porque lhes conhecem as fraquezas e preparam o ataque, apontam ao alvo indefeso, incrédulo e se regozijam com a dor alheia, pois só assim se sentem felizes, fazendo os outros infelizes. Habitualmente fazem-se passar por amigos. São os pratos da balança que só sobem quando os outros descem, já que sozinhos não valem nada, vivem dependentes do que acontece aos outros, ora felizes ora infelizes na proporção direta dos estragos que conseguem provocar. Os que magoam à defesa até consigo tolerar, já aos outros, e também me envergonho de o admitir, desprezo-os profundamente.

18.9.14

Sede da alma

"Tinha imaginado o amor como um êxtase de tal maneira arrebatador que todo o mundo se transformasse em Primavera. Tinha ansiado por uma felicidade extasiante. Mas isto não era felicidade, era uma sede da alma, um anseio doloroso, uma angustia amarga que não sabia existir. Tentou descobrir o momento em que começou. Não conseguiu. Só se lembrava que, de cada vez que entrava na casa de chá, depois das primeiras duas ou três vezes, sentia um aperto que lhe fazia doer o coração. E lembrou-se que quando ela falava com ele, ele ficava estranhamente sem respiração. Quando ela se ia embora era pura infelicidade, e quando a via novamente era puro desespero."

Somerset Maugham em "Servidão humana"

17.9.14

Baixo

Em Setembro, todos os anos temos um fim de semana de concertos no jardim do Centro Cultural Vila Flor. Chama-se Festival da Manta e quem quiser leva uma manta, ou um tapete, ou qualquer coisa para estender na relva e ficar a assistir ao concerto sossegadinho sentado no chão. Este ano levei os meus rapazes ao concerto dos Linda Martini. Nem eu nem eles conhecíamos mais do que alguns temas escutados no Youtube e concordamos que era material bom e achamos que valia a pena. Fiquei toda contente por eles quererem ir, caso contrário iriam jantar e dormir em casa do pai, coisa que não me agradava pois estava filada aos beijos de parabéns que me tocavam logo a partir da meia-noite. Fomos e adoramos, foi muito bom, logo a começar o vocalista diz que as mantas podem ser voadoras, não é obrigatório que fiquem no chão e toda a gente de imediato se levantou. O som de Linda Martini não cria propriamente um ambiente que nos deixe ficar sentadinhos calmamente no chão. A meio, o grande que já está mais alto do que eu, vira-se para mim e pergunta-me:
Mãe, sabes que instrumento está a tocar a rapariga?
Respondi: sei, está a tocar baixo.
Ele: está nada, está a tocar alto.

15.9.14

Fraquezas

Não consigo compreender como há pessoas que estão sempre enervadas, desde que acordam até que se deitam, que contrariam toda a gente, durante todo o dia; que ralham, que discutem, que apontam o dedo. Não sei onde vão buscar tanta energia. Quando me enervo ou me zango, a seguir, fico exausta, mas só a seguir, quando acalmo. Se calhar, essas pessoas não se cansam porque nunca se acalmam, ou então sou eu que sou fraca. O que me vale é que raramente me enervo e quase nunca me zango, senão a minha vida iria ser um martírio. Sou mesmo fraquinha.

12.9.14

Assombroso

Poucos filmes me tocaram e me marcaram profundamente.

Um deles é "O Amante" baseado no romance homónimo de Marguerite Duras, o outro é "O cozinheiro, o ladrão, a mulher dele e o amante dela", e o último, vi-o ontem na sessão do Cineclube, é "Only lovers left alive" e qualquer coisa mudou dentro de mim.

(Não escrevi o título em português - "Só os amantes sobrevivem" -  porque acho que se perde algo na tradução)