Poucos filmes me tocaram e me marcaram profundamente.
Um deles é "O Amante" baseado no romance homónimo de Marguerite Duras, o outro é "O cozinheiro, o ladrão, a mulher dele e o amante dela", e o último, vi-o ontem na sessão do Cineclube, é "Only lovers left alive" e qualquer coisa mudou dentro de mim.
(Não escrevi o título em português - "Só os amantes sobrevivem" - porque acho que se perde algo na tradução)
12.9.14
10.9.14
A P.D.I.
Os cabelos brancos cobrem-se com tinta há anos. As estrias, essas já sabemos que são para a vida. A banha, tem anos que aparece mais, tem outros que desaparece e, embora uns dias melhor do que outros, aguenta-se. As dores nos ossos são companheiras certinhas das vésperas de mudança de tempo, as dores de cabeça, - vá lá - só dão o ar da sua graça uma vez por mês. Os comprimidos para o sangue já têm lugar cativo na mesa de cabeceira e toma-los já é gesto automático antes de deitar. As ecografias mamárias já não escapam de seis em seis meses para contar os corpos estranhos, não vá aparecer mais algum que desestabilize o convívio pacífico dos outros que já lá estão. As rugas já chegaram e parece que gostam dos aposentos, não me parece que tenham vontade de desandar. São os trinta e nove anos, que ninguém se iluda. A novidade é a visão, corrijo, a falta de visão da qual dei conta no último ano letivo, as letras dos livros e das fotocópias todas desfocadas e as letras do quadro ou da projeção a juntarem-se todas e a tornarem-se numa mancha só. Entretanto, fui buscar os óculos ontem ainda estou espantada por perceber quão mal eu via. Portanto, daqui para a frente, certamente, as maleitas são para piorar. Tirando as que ainda vão aparecer. Ah, e esqueci-me de dizer que desconheço o paradeiro da minha líbido e nada indica que pretenda regressar.
29.8.14
Dantes
Dantes quando via nos filmes ou lia nos livros mulheres assim, que viviam paixões intensas, proibidas, adúlteras, mulheres vividas, marcadas, adorava-as e pensava que gostaria de ter a coragem de viver coisas dessas, que mulheres assim eram muito mais interessantes porque tinham um passado, tinham segredos, tinham substância.
Agora sou uma dessas mulheres, que teve a vida de esposa e mãe normalíssima, que depois fez a rodagem das sensações, da sedução e da conquista, do corpo pelo corpo, do sexo pelo sexo, que experimentou vários homens para lhes aprender as diferenças mas sobretudo os diferentes efeitos que causou em cada um deles, que viveu um amor brutal, tórrido, obsceno, proibido, agora que sou essa mulher, não me encontro interesse algum.
Como se fosse um buraco negro que absorve o que está à sua volta mas que depois transforma tudo em nada.
28.8.14
21.8.14
20.8.14
19.8.14
4.8.14
30.7.14
Público
Tenho ido suar para o parque ao fim do dia, e tenho ficado parva da minha vida com os jovens que por lá saltitam. Já não são as mulheres que se exibem, apesar de totalmente maquilhadas e a tresandar a perfume ao mesmo tempo que fingem que correm na pista de terra, não, agora são eles, de calções curtos, de tronco nu e, horror dos horrores, sem um pelinho à vista. Não sei explicar mas ver corpos masculinos sem pelos no peito, braços ou pernas mete-me nojo. Juro, dá-me náuseas. Sou velha, bem sei, mas gosto de homens com pelos. Sugiro aos moçoilos que deixem crescer a barba uma semana e depois façam a depilação com cera, tal como na pernoca e na axila, a ver se gostam. Além disso sugiro aos senhores que tomam conta do parque que coloquem tabuletas - várias - a informar que é proibido andar por lá sem t-shirt. Bolas, uma gaja sofre, vai malhar para o parque, já tem os músculos todos a doer e ainda tem de levar com os mocinhos a exibirem o corpo a fazer lembrar um frango depenado. Blheeerrrrrggggg.
28.7.14
Sou deles
Acabei a licenciatura, ainda pensei em inscrever-me num mestrado, mas já desisti. O que eu queria fazer não abriu em horário pós-laboral (contrariamente ao que havia sido anunciado) e o outro em pós-laboral obrigar-me-ia a ir às aulas três noites por semana. Prometi aos meus filhos que faria o mestrado se fosse apenas uma noite por semana (conforme havia sido anunciado). É tempo agora de me dedicar a eles, de lhes dar todo o meu tempo livre, sem aulas, sem trabalhos, sem condicionantes. Foram três anos em que estive um pouco longe deles. Bem sei que estiveram os meus pais, que vigiaram de perto quando eu não pude, mas agora sou eu. Vou ser eu. A tempo inteiro. Quem sabe um dia continuo, mas o que fiz já ninguém me tira e estou satisfeita comigo. Sinto-me bem. Agora sou deles. Só deles.
16.7.14
O grande está cada vez maior
Está mais alto do que eu. Já corta o bigode. Tem acne. Tem voz grossa. Resmunga-me e leva palmadas como se tivesse 6 anos. Abraça-me e levanta-me como se eu tivesse 6 anos. Dá-me beijos gordos e sonoros. Já faz programas com os amigos. Fala de gajas e de mamas. Fui matricula-lo hoje. Vai mudar de escola, vai para o 10º ano. Deus o fade bem.
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11.7.14
Está quase a acabar
Tive um pequeno "argument" com a minha professora de Literatura Inglesa sobre a data de entrega do último trabalho, coincidia com a data de entrega de um outro de Literatura Portuguesa já programado há muito, e senti-me injustiçada.
Disse-lho.
Ela cedeu e deu-me mais algum tempo. Entreguei o trabalho 48 horas depois da data inicialmente prevista.
Ontem foram publicadas as notas e hoje de manhã tinha esta mensagem no e-mail:
"Very good work! You ought to be proud of yourself. It was a very well reasoned piece of work."
Um pequeno reconhecimento sabe tão bem, sobretudo quando o que apetece fazer é desistir mas para além do respeito pelo esforço de quem nos apoiou nestes três anos não se desiste, avança-se porque é feio e vergonhoso desistir no fim.
9.7.14
Não sei
Não sei se é por estar sozinha em casa mas não deve ser já que passo bastante tempo sozinha em casa durante o ano todo, não sei porquê mas ontem, pela primeira vez, a minha cama pareceu-me tão grande, tão vazia.
7.7.14
Férias
Fui há bocado deixar os dois, o grande que está cada vez maior e o pequeno que cada vez está menos pequeno, com malas, sacos e mochilas no Centro de Estudos que frequentam, e neste momento devem estar a caminho da Colónia de Férias onde vão passar esta semana. Vão divertir-se com toda a certeza, mas eu estou com o coração nas mãos. Não é a primeira vez que vão, mas para mim é sempre como se fosse. Vou ter sossego para terminar os trabalhos que ainda me restam, vou fazer uma faxina profunda em casa e vou arrumar livros e apontamentos, roupas, gavetas e armários. Mas desconfio que todas as atividades são meras distrações que invento para não sentir tanto as saudades.
12.6.14
Acorda-me
Ao virar-se de costas para mim para dormir, disse-me já de olhos fechados, mãe, acorda-me às seis da manhã, para quê, perguntei-lhe. Para eu te abraçar.
6.6.14
Random
Esta noite fui acordada por uma dor de cabeça brutal. Não foi a primeira vez. Acho estas dores de cabeça estranhas, não consigo associa-las a nenhuma causa em particular. São completamente aleatórias. Não gosto.
5.6.14
Resumo
Fiz anteontem teste de Linguística – sobre a história da língua
portuguesa
O resto, não sei como vou fazer… tenho algumas coisas alinhavadas na minha cabeça, mas não escrevi uma letra sequer.
Na próxima segunda feira apresento, na aula, um trabalho
sobre sentimentos – em inglês
Algures durante a próxima semana tenho de entregar 3 páginas
sobre a educação – em francês
Até ao final da próxima semana tenho de entregar 3 páginas
sobre uma peça de teatro irlandesa – em inglês
Até 25 de Junho tenho de entregar 3 páginas relacionando “O
processo” de Franz Kafka com “Todos os nomes” de José Saramago
Até 1 de Julho tenho de entregar um documentário, ou seja um
vídeo de 20 minutos sobre um tema que já escolhi mas sobre o qual ainda não
filmei um único segundo.
Acho que algures aqui pelo meio há um teste de Inglês, mas
não é coisa que me consuma muito. O resto, não sei como vou fazer… tenho algumas coisas alinhavadas na minha cabeça, mas não escrevi uma letra sequer.
Apetece-me fugir.
4.6.14
Queixas
Não tenho por hábito queixar-me e quando o faço é a pessoas muito próximas e da minha inteira confiança. Ou então aqui, espaço neutro e que é o saco de todos os meus desabafos. Não tem fundo nem eco, não julga nem censura, e sobretudo não responde. Despejo aqui para o mundo, tão público mas tão privado, quem sabe a quem chegará mas também não importa, não conheço, não me conhecem. E se há algumas pessoas que possam ler o que aqui escrevo que me conhecem pessoalmente, essas merecem-me a maior estima e confiança, de outra forma ou não me conheceriam pessoalmente, ou desconheceriam este blogue. Por isso, quando aqui me queixo, também me queixo a pessoas muito próximas e da minha inteira confiança. Venho queixar-me, hoje. Venho queixar-me do meu cansaço, das minhas indecisões, das minhas inseguranças, das minhas fraquezas. Venho queixar-me das minhas incertezas, de não saber muito bem para onde vou, para onde quero ir. Venho queixar-me de achar que o plano que tracei me parecer agora quase patético, venho queixar-me de estar convencida que não vou ser capaz de o levar a cabo, venho queixar-me da minha ignorância, da minha estupidez. Venho queixar-me unicamente de mim.
2.6.14
Preocupadíssimo
Por sms
Eu: O pai diz que a tua carteira não está em casa dele e já liguei à avó e pedi-lhe para ver no bolso do teu casaco que lá ficou, também não está. Pensa onde a deixaste.
Ele: (de imediato) Não sei, posso comer um gelado?
Eu: O pai diz que a tua carteira não está em casa dele e já liguei à avó e pedi-lhe para ver no bolso do teu casaco que lá ficou, também não está. Pensa onde a deixaste.
Ele: (de imediato) Não sei, posso comer um gelado?
29.5.14
Hoje
O desespero com que me apertavas as nádegas, com que me sorvias os seios, a sofreguidão com que me mordias os lábios, a paixão que eu recebia com deleite, e à qual entreguei o corpo mas sobretudo a alma, parecem-me hoje uma grande verdade da minha vida, e ao mesmo tempo e na mesmíssima medida, um grande embuste.
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