16.7.14

O grande está cada vez maior

Está mais alto do que eu. Já corta o bigode. Tem acne. Tem voz grossa. Resmunga-me e leva palmadas como se tivesse 6 anos. Abraça-me e levanta-me como se eu tivesse 6 anos. Dá-me beijos gordos e sonoros. Já faz programas com os amigos. Fala de gajas e de mamas. Fui matricula-lo hoje. Vai mudar de escola, vai para o 10º ano. Deus o fade bem.

11.7.14

Está quase a acabar


Tive um pequeno "argument" com a minha professora de Literatura Inglesa sobre a data de entrega do último trabalho, coincidia com a data de entrega de um outro de Literatura Portuguesa já programado há muito, e senti-me injustiçada.

Disse-lho.

Ela cedeu e deu-me mais algum tempo. Entreguei o trabalho 48 horas depois da data inicialmente prevista.

Ontem foram publicadas as notas e hoje de manhã tinha esta mensagem no e-mail:

"Very good work! You ought to be proud of yourself. It was a very well reasoned piece of work."

Um pequeno reconhecimento sabe tão bem, sobretudo quando o que apetece fazer é desistir mas para além do respeito pelo esforço de quem nos apoiou nestes três anos não se desiste, avança-se porque é feio e vergonhoso desistir no fim.

9.7.14

Não sei

Não sei se é por estar sozinha em casa mas não deve ser já que passo bastante tempo sozinha em casa durante o ano todo, não sei porquê mas ontem, pela primeira vez, a minha cama pareceu-me tão grande, tão vazia.

7.7.14

Férias

Fui há bocado deixar os dois, o grande que está cada vez maior e o pequeno que cada vez está menos pequeno, com malas, sacos e mochilas no Centro de Estudos que frequentam, e neste momento devem estar a caminho da Colónia de Férias onde vão passar esta semana. Vão divertir-se com toda a certeza, mas eu estou com o coração nas mãos. Não é a primeira vez que vão, mas para mim é sempre como se fosse. Vou ter sossego para terminar os trabalhos que ainda me restam, vou fazer uma faxina profunda em casa e vou arrumar livros e apontamentos, roupas, gavetas e armários. Mas desconfio que todas as atividades são meras distrações que invento para não sentir tanto as saudades.

12.6.14

Acorda-me

Ao virar-se de costas para mim para dormir, disse-me já de olhos fechados, mãe, acorda-me às seis da manhã, para quê, perguntei-lhe. Para eu te abraçar.

6.6.14

Random

Esta noite fui acordada por uma dor de cabeça brutal. Não foi a primeira vez. Acho estas dores de cabeça estranhas, não consigo associa-las a nenhuma causa em particular. São completamente aleatórias. Não gosto.

5.6.14

Resumo

Fiz anteontem teste de Linguística – sobre a história da língua portuguesa

Na próxima segunda feira apresento, na aula, um trabalho sobre sentimentos – em inglês
Algures durante a próxima semana tenho de entregar 3 páginas sobre a educação – em francês

Até ao final da próxima semana tenho de entregar 3 páginas sobre uma peça de teatro irlandesa – em inglês
Até 25 de Junho tenho de entregar 3 páginas relacionando “O processo” de Franz Kafka com “Todos os nomes” de José Saramago

Até 1 de Julho tenho de entregar um documentário, ou seja um vídeo de 20 minutos sobre um tema que já escolhi mas sobre o qual ainda não filmei um único segundo.
Acho que algures aqui pelo meio há um teste de Inglês, mas não é coisa que me consuma muito.

O resto, não sei como vou fazer… tenho algumas coisas alinhavadas na minha cabeça, mas não escrevi uma letra sequer.

 Apetece-me fugir.

4.6.14

Queixas


Não tenho por hábito queixar-me e quando o faço é a pessoas muito próximas e da minha inteira confiança. Ou então aqui, espaço neutro e que é o saco de todos os meus desabafos. Não tem fundo nem eco, não julga nem censura, e sobretudo não responde. Despejo aqui para o mundo, tão público mas tão privado, quem sabe a quem chegará mas também não importa, não conheço, não me conhecem. E se há algumas pessoas que possam ler o que aqui escrevo que me conhecem pessoalmente, essas merecem-me a maior estima e confiança, de outra forma ou não me conheceriam pessoalmente, ou desconheceriam este blogue. Por isso, quando aqui me queixo, também me queixo a pessoas muito próximas e da minha inteira confiança. Venho queixar-me, hoje. Venho queixar-me do meu cansaço, das minhas indecisões, das minhas inseguranças, das minhas fraquezas. Venho queixar-me das minhas incertezas, de não saber muito bem para onde vou, para onde quero ir. Venho queixar-me de achar que o plano que tracei me parecer agora quase patético, venho queixar-me de estar convencida que não vou ser capaz de o levar a cabo, venho queixar-me da minha ignorância, da minha estupidez. Venho queixar-me unicamente de mim.

2.6.14

Preocupadíssimo

Por sms

Eu: O pai diz que a tua carteira não está em casa dele e já liguei à avó e pedi-lhe para ver no bolso do teu casaco que lá ficou, também não está. Pensa onde a deixaste.

Ele: (de imediato) Não sei, posso comer um gelado?

29.5.14

Hoje

O desespero com que me apertavas as nádegas, com que me sorvias os seios, a sofreguidão com que me mordias os lábios, a paixão que eu recebia com deleite, e à qual entreguei o corpo mas sobretudo a alma, parecem-me hoje uma grande verdade da minha vida, e ao mesmo tempo e na mesmíssima medida, um grande embuste.

19.5.14

Conversas II

Hoje são os vestidos de uma gala que deu na televisão este fim de semana. Os bonitos, os feios e os ridículos, somo se fossem conhecedoras de moda e estilo.

Valha-me Deus!

16.5.14

Endrominanços

À mesa, durante o jantar, sobre qualquer coisa que um amigo de um deles queria fazer e que a mãe não deixou:

Eu: Sabem, às vezes, as melhores mães não são aquelas que deixam fazer tudo.
Grande: Eu sei mãe, tu já me explicaste.
Pequeno: Mas às vezes as mães não deixam, e depois deixam.
Eu: As que são endrominadas.

Silêncio...

Eu: Vocês acham que me dão a volta facilmente?
Grande: Facilmente não, dificilmente, quase nunca.
Pequeno: Muito poucas vezes.
Eu: Pois fiquem sabendo que as vezes que vocês acham que me deram a volta, não deram, fui eu que mudei de ideias (tentativa desesperada de manter a minha posição sem me desfazer a rir) E ao pai?
Pequeno: Ao pai nunca damos a volta, impossível.

Silêncio...

Eu: E à avó e ao avô, conseguem dar a volta?
(ambos às gargalhadas)
Grande: À avó damos sempre a volta. Sempre.
Pequeno: Ao avô também, quando eu quero alguma coisa ele pergunta: quantos beijos me dás? Eu respondo 200, e começo a dar-lhe beijos mas ele manda-me logo parar, diz que são muitos.

13.5.14

Conversas

Juntam-se 7 mulheres com idades compreendidas entre os trinta e os quarenta e dois anos.

2 delas têm um filho com menos de 2 anos
1 delas está grávida do segundo filho
1 delas não tem filhos e não é casada
1 delas tem um casal, a menina com 7 e o menino com 12
2 delas têm um ou mais filhos com mais de 10 anos e são as únicas divorciadas

De que se fala todo o dia, além de trabalho?

 Fraldas, papas, mamas, partos, sopas, roupa e sapatos de bebé, pediatras, otites e gastroenterites, vacinas, sogras, cunhadas, creches, infantários, educadoras, etc… etc… etc…
Às segundas, também se fala de novelas, ou programas de entretenimento de sábado e domingo à noite.
Muitas vezes também se fala de supermercados, promoções, bacalhau, cabrito, refogados, bolos de chocolate, pudins de ovos.
De vez em quando fala-se de roupa a secar, de marcas de detergentes, de limpezas e arrumações.
Muito raramente discutem-se algumas lojas e marcas de roupa e trocam-se informações sobre os tamanhos de cada marca, sobre a durabilidade das peças e sobre maior ou menor facilidade para fazer trocas.

Nunca se fala cinema, de literatura, de concertos ou qualquer espetáculo que seja, de viagens, de diferentes culturas ou de documentários na televisão.

Quando se fala da empresa é sempre tudo mau, porque nunca trabalharam noutra.

Ainda bem que possuo uma grande capacidade de abstração e desligo o aparelho auditor a maior parte do tempo. Sinto-me uma completa extraterrestre perdida no meio destas pessoas.

 Vale-me uma delas (a outra divorciada) que me compreende e se sente tão perdida como eu no meio das outras.

Confessou-me recentemente que também teve de aprender a desligar porque estava quase a enlouquecer e que agradeceu às alminhas todas eu ter chegado (um ano depois dela).

Comunicamos através de olhares e ficamos absolutamente espantadas com as coisas que (ainda) ouvimos durante o horário de expediente.

17.4.14

Carta

Venho informar por este meio que tem de deixar o seu neto fazer as coisas que ele gosta. Eu soube por informação satélite que você andava a praticar esta atividade. Cumpra-a que assim é melhor para você.

Ass: M.A.P.
(melhores avós possíveis)


O meu pai recebeu ontem esta carta, que alguém meteu na caixa do correio, com a seguinte nota no envelope:

 "acabou o tinteiro, por isso está escrito a caneta"

Está bom de ver quem foi, não está?

15.4.14

Por onde andas

Não compreendo porque me olham como se eu fosse atrasada mental quando não permito que me fotografem em locais públicos. Como se ser fotografada nos bares e discotecas fosse o grande objetivo final de quem sai de casa. Toda a gente sabe que no dia seguinte, às vezes antes, todas as fotografias vão parar às redes sociais. Ora, eu, ainda acho que ninguém tem nada que saber onde é que eu fui, ou por onde ando. Ainda acho que se saio ou se fico em casa só a mim me diz respeito, e o local onde passo férias é da minha conta apenas. Basta que me vejam as pessoas com quem me cruzo quando saio. Essas estão concentradas nas suas vidas e não me ligam nenhuma. Não consigo perceber porque querem as pessoas revelar a todo o mundo tudo o que fazem, onde fazem e quando fazem. Ah, mas são coisas inofensivas, coisas que se podem saber, coisas banais. E depois? Porque raio quererei eu contar a toda a gente o que faço? Mais, para que querem as pessoas saber? Hoje em dia as pessoas não querem saber só o que interessa (será que querem mesmo saber o que interessa?), as pessoas querem saber o que não interessa para nada. Passam horas na internet a espiolhar a vida dos outros, a ver as fotografias (com legendas a explicar tudinho) para saberem o que fizeram, onde foram, com quem foram, tudo com autorização e incentivo dos próprios que adoram por tudo ao léu. Está tudo maluco, é o que eu digo. Tudo maluco. Mas eu é que sou a atrasada mental, porque quando lá vem o mocinho da máquina e se posiciona para obter o melhor ângulo, já com com o nariz encostado ao aparelho lhe digo: nem pense.

10.4.14

Grande

Veio de Barcelona a dizer que gostou muito e que não teve muitas saudades. Que ficava mais dois dias. Arrasou-me. Ontem quis ir ao cinema com um amigo. Primeira vez. Está a ficar grande. Mesmo grande, não é o grande que eu lhe chamava para distingui-lo do pequeno, é mesmo grande de grande, de crescido. Tenho de olhar para ele de outra forma, tenho de ajustar os olhos, mas acho que não conseguirei ajustar o coração.

3.4.14

Fui leva-lo ao autocarro que saía às 20:00h. Todo contente, nem quis que eu ficasse até o autocarro arrancar. Eu com um nó na garganta e um maçarico a queimar-me por dentro, meia dúzia de pedras no estômago e agulhas nos intestinos, mas com um sorriso nos lábios. Fui neste estado merdoso para a aula de Literatura Portuguesa, e mais ou menos a meio do caminho, já sentia náuseas. Raios partam quem decidiu meter os putos num autocarro em vez de num avião esticou as duas horas de agonia até uma noite inteira de falta de ar. Mandou-me há bocado uma foto, a fazer peito, grande como um homem. Não estou nada cansado, mãe. Isto é espetacular. E pronto, assim se arruma uma mãe preocupada. Assim se desaperta (um bocadinho de) um coração. Simples.

31.3.14

Medo

Ainda ontem tinha três anos e já vai esta semana a Barcelona, em viagem de finalistas do 9º ano. Quatro dias de dor de barriga para mim, mas eu aguento. O que eu quero é que não lhe doa nada a ele, que seja só gozo, deslumbramento, e muito juizinho naquela cabeça.

27.3.14

Diz

...que já sabe tudo sobre mim. Que sabe tudo o que precisava de saber sobre mim. Que sou livre. E que agora far-me-á a corte....

20.3.14

Brincamos

O meu professor de Literatura Portuguesa faz de conta que está apaixonado por mim. E eu, além de fazer de conta que não percebo que ele está a fazer de conta, faço de conta que acredito.