9.11.11

Escolhas

Não são as minhas decisões que tens dificuldade em aceitar, em engolir. São as tuas. É muito mais difícil, não é?

6.11.11

Changes

"...and what would be the point of living if we didn't let life change us?"

2.11.11

Estudos

Terceiro ano do primeiro ciclo, o pequeno estuda Estudo do Meio. Aborda os monumentos, alguma história da cidade onde vive, no livro que não é o estipulado pela escola mas outro de exercícios que o pai lhe comprou (o pai tem o hábito, bom hábito, diga-se de passagem, de lhes comprar livros de exercícios complementares) e ia desfiando as perguntas em voz alta. Chegou à parte das autoridades, forças de segurança, e a pergunta era esta, ou parecida com esta: Qual é a figura de autoridade na tua freguesia? A resposta dele, muito pronta, sem hesitar: A minha mãe!

28.10.11

Power camp #3

Peso ainda não perdi, mas barriga e rabo estão a diminuir, já se nota. Ontem fiquei desiludida porque achei que ia correr e rebolar na erva à chuva. Lama também não havia que o treinador quis ser simpático e levou-nos para uma parte do campo longe de qualquer lamaçal, tive pena. Mas foi bom, a pele a queimar, os músculos a doer, o coração a rebentar no peito e a erva húmida no corpo é sem dúvida, uma sensação excelente. Amanhã há mais.

26.10.11

Nunca pensei

Choca-me a necessidade que algumas pessoas sentem de magoar, o tempo que gastam a construir raciocínios e formas subtis de atingir o epicentro da fragilidade, não é para todos. Choca-me mais até do que me dói.

19.10.11

Física

Se acariciar os lábios com a língua durante algum tempo consigo sentir o sabor da tua boca na minha, como às vezes ao tocar inadvertidamente na minha pele sinto o toque quente dos teus dedos, ou como quando de manhã ao acordar me viro na cama e sinto o teu cheiro nos lençóis, sim, o meu corpo ainda é o teu.

18.10.11

Jardim

Eram uns oito ou nove, jovens e giros ali a tostar ao sol. Encaixavam as pedrinhas brancas e as pretas no desenho pré-definido. Estão a acabar de calcetar o jardim ali no centro. Tão engraçados com os coletes amarelos e os capacetes. Juro que me apeteceu abrandar, meter a cabeça de fora do carro e atirar um grandessíssimo piropo, daqueles que normalmente se esperaria que fossem eles a mandar às moças. Não tive coragem, mas abrandei e ao passar olhei para eles e sorri. Eles sorriram-me de volta, que bom.

17.10.11

Power camp #2

Já fiz três aulas e já não me dói tudo. Dói-me quase tudo.

13.10.11

Tudo bons rapazes

O Bita deve ter mais uns dez anos do que eu. Vive com a mãe e com o irmão mais novo, o pai morreu há poucos anos. É o mais velho de seis irmãos, todos rapazes, e um deles morreu de acidente de carro também há uns anos. O Bita é um tipo que está sempre bem disposto, trabalha há anos para o mesmo patrão e tem uma adoração tremenda pela mãe e pelos irmãos. Fez-me chorar quando no enterro do pai gritou ao irmão já ido há muito, Zé, toma conta do nosso pai! Faz-me sorrir sempre que fala comigo, estás boa rapariga? Tudo bem Bita, e tu? Tudo em ordem, até logo. A mãe diz que o meu Vítor é a alma da casa, que sempre foi. Foi o primeiro filho, e teve problemas em pequeno, e por isso é que ficou assim, nunca deu nada na escola, tem problemas de cabeça, diz a mãe. Mas todos sabemos que é um homem bom, puro. O Bita não tem maldade, todos gostam dele e o respeitam. É um gosto vê-lo ao sábado de manhã a empurrar o carro do super mercado, acena-me sempre, enquanto a mãe escolhe nas prateleiras e o irmão mais novo coloca dentro do carro. Os do meio já saíram de casa, casados ou não, já não vivem com a mãe. Ficaram o mais velho e o mais novo. Aquela mãe, viúva agora, deve ser das mães mais realizadas. Aqueles homens fazem tudo por ela, vê-se-lhes a meiguice e o carinho com ela, que também sempre fez, sabe Deus as dificuldades, tudo por eles, tal como faz agora pelos netos. São todos bons rapazes, todos simpáticos e conheço-os desde sempre, uns mais bonitos, ou mais faladores do que outros, mas o meu preferido é o Bita. O Bita é alegria.

12.10.11

Precipício

E aos trinta e seis anos volto a sentir-me insegura e acagaçada. Recordo como é constatar a ignorância e abrir involuntariamente as portas ao medo. Saio, ao fim de muitos anos, da minha zona de conforto e tenho de respirar fundo para não sucumbir ao pânico. Trinta e seis e mais parece que tenho dezasseis. Não gosto.

9.10.11

Medo, medinho, daquele de não caber um feijão no...

Vinha toda lançada para meter aqui um texto que acabo de escrever sobre o amor a mando do professor de Português. Quer avaliar o nosso nível de escrita. Dez linhas, disse ele, não é preciso mais. Mas não, não meto aqui o texto. Ele disse que vai ao Google e mete as primeiras frases dos trabalhos só para topar as batotas. Ficava logo queimada, era lindo ele descobrir que copiei um texto de um blog chamado somos-a-normais escrito por uma tipa que diz que é jacklyn. Esturricadinha. Já enviei o texto por e-mail e a verdade é que não me cabe um  feijão no cu.

Power camp #1

Ora bem, o cabelo. E mais? As unhas, e sim, os dedos também. Assim de repente não me ocorre mais nada que não me doa. É, basicamente, é isto. Ontem doía um bocadinho, mas hoje... Venham internar-me por favor que ainda assim estou para aqui a pensar repetir a dose de Power Camp (é assim  que eles chamam àquilo) durante a semana. Fiz tudo, menos cantar aquelas cenas ridículas tiradas dos filmes da tropa. Era o que me faltava. Isso não fiz.

4.10.11

Actividades extra-curriculares

Ele é jantares, ele é worlshops, ele é as tunas, ele é corridas, ele é jogos de toda a espécie, ele é cursos disto e daquilo, depois junta-se a copofonia das festas à noute e é óbvio que a rapaziada não tem tempo para estudar. Registei-me naquilo e digo-vos do fundo do meu coração, estou varadinha da minha vida com a quantidade de e-mails que recebo diariamente de pessoas e entidades ligadas à Universidade do Minho a aliciar os estudantes para todas as merdas e mais algumas. Não admira que a canalhada ande com a cabeça virada do avesso, eles têm muito mais que fazer do que tirar cursos. O tempo não lhes chega para tudo, claro que não.

3.10.11

Teste

Este post serve apenas para testar os conhecimentos que adquiri na semana passada.

30.9.11

Orelhas

Como esta semana ficaram a dormir em casa dos meus pais para eu poder ir às aulas e como ontem não tive, fomos para casa e decidi deixá-los dormir comigo apesar de ser quinta-feira. Combinamos jogar às cartas antes de dormir, duas partidas às orelhas disse eu, que já não havia muito tempo, e já estavam os dois de pijama, dentes escovados e sentados de pernas à chinês em cima da minha cama, quando da minha casa de banho os ouvi a combinar, o grande para o pequeno, se a mãe perder dou-lhe beijos, se perderes tu levas orelhadas, e o pequeno está bem, se for a mãe leva beijinhos mas se fores tu, coooooooçaaaaaaa!

26.9.11

Estreia

Meu dito, meu feito. Ainda dei duas voltas até atinar com a entrada, só depois percebi que mesmo assim não dei com a entrada, mas lá consegui estacionar num buraquito e fiz a caminhada até lá. Ao telefone com uma amiga a dar-me direcções descobri o edifício que queria e cheguei à sala que marcava o horário. Vazia. Sem surpresa, mas fiquei sem saber se o professor teria aparecido ou não, à hora que cheguei tinha tido tempo de se apresentar, os alunos também e de alegremente se terem todos despedido até à próxima aula. Vagueei pelos corredores e percebi a geografia do edifício. Tive tempo para um café e para ler mais um pouco do meu livro. Depois fui à cafetaria. Uma sopa, uma maçã e outro café. Na fila, duas miúdas com a cara pintada viraram-se para trás e perguntaram-se se era professora. Sorri e respondi que não, mas também não disse que era tão caloira como elas. Já cá fora, outra miúda perguntou-me onde era uma sala qualquer e eu, que já por lá tinha andado, dei-lhe instruções precisas para lá chegar, ela ficou a pensar que eu percebia daquilo a potes. Finalmente a hora da aula e eis que me aparece uma prof com idade já próxima da reforma, um ligeiro sotaque brasileiro, simpática, e cinco compinchas de turma. Meia dúzia de gatos pingados, literalmente. Introdução aos Estudos Literários, primeira obra: Capitães de Areia (ou será da Areia?) Gostei. Este livro nunca li, mas gosto de Jorge Amado. A frustração de não ter chegado a tempo do Inglês foi subsituída pela pontinha de entusiasmo dos Estudos Literários. Jorge Amado, bem bom.

Butterflies

É hoje. Não sei onde é o campus, faço uma pequena ideia para que lado fica e a estrada que tenho de fazer, mas não sei exactamente onde é. Diz que as aulas começam às cinco, mas às cinco nunca na vida lá estarei, se conseguir lá chegar às sete já será bem bom. Depois tenho de aprender a ler as siglas que constam no horário, lá diz CP1- C1/304 TP1, que para mim é tão compreensível como mandarim, e descortinar onde é a aula de Inglês A2. Estou ansiosa, admito. Sou antiga.

25.9.11

Velhos

Hoje vi o Sr. Lopes. Conheço-o desde que me lembro, era amigo do meu avô e frequentava a nossa casa. Hoje faz noventa anos, um homem de cair para o lado. Fato cinza escuro e uma gravata de cor indefinida numa camisa branca imaculada. Um metro e oitenta e cinco, no mínimo, de pura elegância, esguia e leve. Lavrador, sim lavrador, aqui diz-se lavrador, agricultor é palavra chique e aqui não há lavradores chiques. Há homens como o Sr. Lopes, lindos, magníficos, velhos e vividos. Há homens cuja palavra vale a própria vida, cuja honra está acima de tudo. Há homens humildes e dignos, trabalhadores honestos com as mãos cheias de calos e que sabem dar valor ao que têm. Havia, porque do grupo de amigos do meu avô, o Sr. Lopes é o último, o Sr. Miranda foi a seguir ao meu avô e resta o Sr. Lopes que era o mais novo. Dezanove anos mais novo do que o meu avô, lembro-me que ele dizia sempre, o Lopes é um rapaz novo, e eu ria-me, porque o meu avô é que era velho, aos noventa saía com putos de setenta.

23.9.11

O grande

Ontem fui com ele fazer o percurso de autocarro até ao Instituto Britânico, para ele aprender. Começa na próxima semana as aulas, às segundas e quartas, das cinco e meia às sete. Ensinei-o a ir de autocarro, o salão de estudo que ele frequenta fica mesmo ao pé da paragem, até ao centro da cidade e de lá, a pé, pelo passeio e sempre pelas passadeiras, até à porta do Instituto. Depois voltamos para trás até à paragem do autocarro que faz o percurso inverso. O plano é ele vir ter comigo ao escritório quando acabar a aula e vai comigo para casa mas, visto que eu também vou ter aulas e posso não conseguir alguém para o ir buscar, assim fica a saber também voltar de autocarro, caso seja necessário. Tinha combinado uma boleia do meu irmão para regressarmos, e enquanto esperávamos por ele, apareceu o autocarro. Mãe, deixa-me ir sozinho, deixa-me, é facílimo, eu sei onde tenho de sair, vá deixa-me, eu sei, não te preocupes. Hesitei. A sério, mãe, saio em frente à escola e vou para casa da avó, deixa-me. Deixei. Foi todo contente, como um homem. Quando cheguei a casa dos meus pais com o meu irmão já lá estava, satisfeitíssimo.

22.9.11

O pequeno

Chamo macacos aos meus filhos, e eles sabem perfeitamente que é um carinho. Macaquinhos, às vezes, também. O meu irmão de vez em quando também usa a mesma expressão, quando se quer meter com eles. No outro dia chamava por eles, onde estão os macaquinhos, onde? O grande, lixado, ai é? Se nós somos macacos, tu és um gorila! E o pequeno, de longe, calmamente, é, é um gorila... sem pila.

Faz hoje oito anos.