26.9.11
Estreia
Meu dito, meu feito. Ainda dei duas voltas até atinar com a entrada, só depois percebi que mesmo assim não dei com a entrada, mas lá consegui estacionar num buraquito e fiz a caminhada até lá. Ao telefone com uma amiga a dar-me direcções descobri o edifício que queria e cheguei à sala que marcava o horário. Vazia. Sem surpresa, mas fiquei sem saber se o professor teria aparecido ou não, à hora que cheguei tinha tido tempo de se apresentar, os alunos também e de alegremente se terem todos despedido até à próxima aula. Vagueei pelos corredores e percebi a geografia do edifício. Tive tempo para um café e para ler mais um pouco do meu livro. Depois fui à cafetaria. Uma sopa, uma maçã e outro café. Na fila, duas miúdas com a cara pintada viraram-se para trás e perguntaram-se se era professora. Sorri e respondi que não, mas também não disse que era tão caloira como elas. Já cá fora, outra miúda perguntou-me onde era uma sala qualquer e eu, que já por lá tinha andado, dei-lhe instruções precisas para lá chegar, ela ficou a pensar que eu percebia daquilo a potes. Finalmente a hora da aula e eis que me aparece uma prof com idade já próxima da reforma, um ligeiro sotaque brasileiro, simpática, e cinco compinchas de turma. Meia dúzia de gatos pingados, literalmente. Introdução aos Estudos Literários, primeira obra: Capitães de Areia (ou será da Areia?) Gostei. Este livro nunca li, mas gosto de Jorge Amado. A frustração de não ter chegado a tempo do Inglês foi subsituída pela pontinha de entusiasmo dos Estudos Literários. Jorge Amado, bem bom.
Butterflies
É hoje. Não sei onde é o campus, faço uma pequena ideia para que lado fica e a estrada que tenho de fazer, mas não sei exactamente onde é. Diz que as aulas começam às cinco, mas às cinco nunca na vida lá estarei, se conseguir lá chegar às sete já será bem bom. Depois tenho de aprender a ler as siglas que constam no horário, lá diz CP1- C1/304 TP1, que para mim é tão compreensível como mandarim, e descortinar onde é a aula de Inglês A2. Estou ansiosa, admito. Sou antiga.
25.9.11
Velhos
Hoje vi o Sr. Lopes. Conheço-o desde que me lembro, era amigo do meu avô e frequentava a nossa casa. Hoje faz noventa anos, um homem de cair para o lado. Fato cinza escuro e uma gravata de cor indefinida numa camisa branca imaculada. Um metro e oitenta e cinco, no mínimo, de pura elegância, esguia e leve. Lavrador, sim lavrador, aqui diz-se lavrador, agricultor é palavra chique e aqui não há lavradores chiques. Há homens como o Sr. Lopes, lindos, magníficos, velhos e vividos. Há homens cuja palavra vale a própria vida, cuja honra está acima de tudo. Há homens humildes e dignos, trabalhadores honestos com as mãos cheias de calos e que sabem dar valor ao que têm. Havia, porque do grupo de amigos do meu avô, o Sr. Lopes é o último, o Sr. Miranda foi a seguir ao meu avô e resta o Sr. Lopes que era o mais novo. Dezanove anos mais novo do que o meu avô, lembro-me que ele dizia sempre, o Lopes é um rapaz novo, e eu ria-me, porque o meu avô é que era velho, aos noventa saía com putos de setenta.
23.9.11
O grande
Ontem fui com ele fazer o percurso de autocarro até ao Instituto Britânico, para ele aprender. Começa na próxima semana as aulas, às segundas e quartas, das cinco e meia às sete. Ensinei-o a ir de autocarro, o salão de estudo que ele frequenta fica mesmo ao pé da paragem, até ao centro da cidade e de lá, a pé, pelo passeio e sempre pelas passadeiras, até à porta do Instituto. Depois voltamos para trás até à paragem do autocarro que faz o percurso inverso. O plano é ele vir ter comigo ao escritório quando acabar a aula e vai comigo para casa mas, visto que eu também vou ter aulas e posso não conseguir alguém para o ir buscar, assim fica a saber também voltar de autocarro, caso seja necessário. Tinha combinado uma boleia do meu irmão para regressarmos, e enquanto esperávamos por ele, apareceu o autocarro. Mãe, deixa-me ir sozinho, deixa-me, é facílimo, eu sei onde tenho de sair, vá deixa-me, eu sei, não te preocupes. Hesitei. A sério, mãe, saio em frente à escola e vou para casa da avó, deixa-me. Deixei. Foi todo contente, como um homem. Quando cheguei a casa dos meus pais com o meu irmão já lá estava, satisfeitíssimo.
22.9.11
O pequeno
Chamo macacos aos meus filhos, e eles sabem perfeitamente que é um carinho. Macaquinhos, às vezes, também. O meu irmão de vez em quando também usa a mesma expressão, quando se quer meter com eles. No outro dia chamava por eles, onde estão os macaquinhos, onde? O grande, lixado, ai é? Se nós somos macacos, tu és um gorila! E o pequeno, de longe, calmamente, é, é um gorila... sem pila.
Faz hoje oito anos.
Faz hoje oito anos.
20.9.11
Permissão
Recebo um sms pouco antes das dez da noite, posso ligar? Deixei. O meu coração não disparou nem fiquei a tremer. Falamos e confirmei-lhe que entrei no curso que queria e que ao invés de ter sabido só o resultado ontem como estava previsto tinha recebido e-mail no sábado à tarde. Ficou contente mas não surpreendido, disse que nunca duvidou e deu-me os parabéns. Não é nada de extraordinário mas agradeci. São dez, tenho de deitar os miúdos, certo, certo, não te atrapalho, fica bem, obrigado por fazeres parte da minha vida. Manda-me email no dia do meus aniversário, telefona-me no dia em que sabe que saem os resultados do ensino superior, e faço parte da vida dele por lhe permitir estes pequenos nadas. E agradece-mo. Nesse momento soube serena e tranquilamente que é uma questão de tempo. Não mantemos contacto, desde que acabei com tudo que não lhe ouvia a voz, apenas me escreveu. Serão anos, não importa, mas é uma questão de tempo. Há-de aparecer-me alguém pelo meio, aposto, mas ele há-de vir, livre, e onde quer que eu esteja, com quer que eu esteja, desembaraçar-me-ei e serei dele. Simples.
17.9.11
Agri-doce
Recebi há bocado o email que me diz que fui colocada e estou contente. Claro que estou. Mas fixe, fixe teria sido ter pegado no telefone e ter partilhado, só que não posso, e estou triste. Claro que estou. Quando temos de guardar as alegrias só para nós, transformamo-las tristezas.
13.9.11
Ausência
À excepção dos meus filhos e de tudo o que a eles diz respeito os meus interesses resumem-se a praticamente nada, faço o que tem de ser feito para garantir o bom funcionamento da casa e à noite vejo televisão. Vejo sempre algo que não envolva esforço mental. Recuso simplesmente telejornais e debates. Vejo animais e máquinas ou polícias e agentes secretos em perseguições de automóveis e tiros e explosões. Ocasionalmente um filme, mas com filmes costumo adormecer. Vidinha interessante que eu tenho.
7.9.11
Saudade
Gosto do aroma e aproximo-me de quem estiver a fumar. Deixo fumar no meu carro e na minha casa desde que os miúdos não estejam. Mas fumar, não fumo, nem fumei mais desde há um ano. Faz hoje.
5.9.11
Momentos marcantes
A noção de que o meu filho mais velho ia começar a escola priomária foi um momento marcante para mim, depois quando começou o ciclo (acho que já não é assim que se diz) coincidiu com o início da primária do mais novo, outro momento marcante. Este ano o mais velho está no sétimo ano, inicia-se outro ciclo e eu sinto estas coisas. Mas choque mesmo senti quando percebi que as sapatilhas dele, que já não usa porque lhe ficaram pequenas, me servem. Que estalo, arrasou-me.
Grandes questões
Fui informada há uns meses que em Setembro poderia ter de ir a Paris reunir com um cliente americano que lá vai visitar uma feira. Se conseguirmos conciliar todas as agendas (a minha é a mais fácil, estou sempre aqui e vou para onde me mandarem) haverá reunião no nosso escritório de Paris. E de certeza que por causa desta possível viagem sonhei no fim-de-semana passada que o meu cliente me convidava para ir trabalhar com (não para) ele em Los Angeles, durante três estações, e o meu boss lambeu os beiços e esfregou as mãos (não tenho a certeza se por esta ordem) e quase que lhe vi cifrões nos olhos como o Tio Patinhas, pois isto implicaria eu orientar os produtos para a nossa empresa, fazer o desenvolvimento e acompanhar a produção. Do lado de lá. Esta brincadeira iria significar eu embolsar uma pipa de massa que me permitiria liquidar metade do meu calote ao banco. Pagava metade da minha casa. Tripei. Eu a sonhar e a passar-me da cabeça. O que é que eu faço? Três estações é mais de um ano, e os meus filhos? Não, não posso. E a massa? É muita massa. O que é que eu faço? E acordei e fiquei a pensar nisto, o que é que eu faria se me propusessem uma coisa assim? Algo que monetariamente valesse a pena mas que me afastasse dos meus filhos por um tempo considerável? O que é que eu faria. Pois hoje digo, com toda a certeza: não sei.
1.9.11
Vida
Ontem à noite fui buscar o edredon, tenho sentido frio. Já me tinha esquecido como é bom dormir nua, já me tinha esquecido que às vezes o meu corpo ganha vida própria.
29.8.11
Pele
Estou a pensar seriamente em fazer sessões de dança lá em casa. Toda a gente sabe que eu odeio fazer exercício físico, mas gosto muito de dançar. Ao som disto, então...
27.8.11
Acordar
Aqueles minutinhos de sábado de manhã são insubstituíveis. Quando eu os acordo e eles ainda sem abrir os olhos se viram para mim e me abraçam. O pequeno do lado esquerdo dá-me um beijo mesmo de olhos fechados e o grande do lado direito põe a perna por cima da minha. Ficamos assim, eu derretida com um de cada lado agarradinhos a mim, eles quase acordados, ainda de olhos fechados, quentinhos no mimo da mãe.
(sexta-feira é a noite de dormir comigo)
(sexta-feira é a noite de dormir comigo)
24.8.11
Post aborrecido sobre roupa, ou moda, não sei bem.
Trabalho há vinte anos na industria têxtil, em vestuário, e no entanto, não percebo um boi de moda, por um motivo extremamente básico, nunca a moda me interessou. Vagueio pela blogsfera e vejo os blogs famosos de mulheres supostamente entendidas na matéria, vejo fotografias de revistas conceituadíssimas a lançar tendências, vejo catálogos de marcas conhecidas com as novidades de cada estação. Talvez por lidar com roupa há demasiado tempo moda é assunto que não me diz nada. Não gosto, e se pensar um bocadinho mais poderia dizer até que me causa um nadinha de asco. Sou obrigada a saber qual é a tendência da estação em termos de cores, formas e texturas, mas só porque sou obrigada. Sei se a roupa tem qualidade ou não e se a relação qualidade/preço está bem ou mal. Às vezes rio-me com as marcas que andam aí na moda, se as pessoas soubessem, mas não vou ser eu a destruir o glamour da coisa. Aliás, até vou. Quando as marcas aparecem em Portugal, normalmente já não valem a ponta de um chavo no país de origem, é triste mas é verdade. Uma marca nova, hot, muito fashion, quando começa a ser vista cá, é porque já deu o que tinha a dar. Exemplo, em 2003 comecei a trabalhar uma marca americana que começou a dar que falar nos USA quando o designer que lhe pegou resolveu deixar meia dúzia de bonés no hotel onde estava a Britney Spears e a moça meteu o boné na cabecinha. Namorava ela na altura com o Justin Timberlake. E a marca explodiu porque a rapariga apareceu na TV ou numa revista qualquer com o puto do boné e milhões de pessoas quiseram ter o mesmo boné. Quando foi preciso fazer t-shirts a granel, cá apareceram eles, para produzir em Portugal. Até aí faziam t-shirts em Los Angeles, como? Compravam t-shirt lisas, em várias cores à Americal Apparel, sim é verdade, a America Apparel é uma empresa que faz roupa de péssima qualidade, a preços de merda, na Ásia, mas só as bases, as formas, para vender a outras marcas que depois personalizam, com estampados, bordados ou outras decorações, mas agora a American Apparel parece que está na moda, enfim. Nesse ano, essa marca dos bonés vendeu muitos bonés e muitas t-shirts, no ano seguinte explodiu na Europa, por altura do Europeu de futebol de 2004 tivemos uma convenção aqui na terrinha, recebemos todos os distribuidores europeus e vendemos umas boas centenas de milhar de peças, sem contar com as encomendas para os USA que fomos depois buscar a Saint-Tropez, onde o tal designer estava de férias com a família. Bom, tudo isto para dizer que, esta mesma marca só começou a despontar em Portugal cerca de três anos depois, só que três anos depois, já o designer tinha batido com a porta e lançado outra marca que já tinha explodido nos USA, já não vendia quase nada nos USA e na Eurora já estava em decadência. Quero com isto dizer que, nunca vi nenhuma das marcas "cutting edge" em blog nenhum, ninguém as conhece. São aquelas marcas pequeninas, topo de gama, que as outras marcas vão copiar. Peço desculpa, copiar não que é feio, vão retirar inspiração. São aquelas marcas que encomendam quinhentas ou mil peças de cada modelo e pagam o preço justo pela peça. Depois vendem t-shirts a duzentos e cinquenta euros, claro, que ninguém anda aqui a trabalhar para aquecer e as lojas em Paris, Londres e Nova Iorque têm rendas altas, certo? Depois os "scouts" de grupos como a Inditex fotografam a montra e mandam para a base onde dezenas de designers trabalham essa inspiração e três semanas ou quatro depois temos modelos "inspirados" nesse nas lojas da Zara à venda por 9,99 Euros. Por isso a Inditex não tem uma política de direitos humanos. Não tem. Por isso acontecem coisas como o que se descobriu no Brasil. Não me surpreendeu nada. A Inditex não é directamente responsável por situações daquelas, mas pode perfeitamente desligar-se de misérias destas, só que custa dinheiro e encarece as peças. Já li num blog que a autora preferia gastar cem euros em roupa na Zara do que cem euros numa boa refeição num restaurante. Eu aceito, são opções. Mas posso, claro, questioná-las. Eu prefiro gastar cem euros num par de calças de uma marca que sei que manda pessoas verificar a fábrica antes de colocar uma encomenda e só confirma a encomenda se a puta da fábrica tiver casas de banho como deve de ser, sim, a auditoria puxa o autoclismo e se o mesmo não funcionar conta como não conformidade, e se os recibos de vencimento dos funcionários estiverem de acordo com a lei em vigor nesse país, e se as horas extra forem pagas justamente, e se as entrevistas individuais feitas a funcionários escolhidos aleatoriamente forem satisfatórias, perguntam se se sentem bem, se são respeitados pelos superiores, se há assédio de qualquer espécie, e se os exercícios de incêndio estiverem em dia e devidamente documentados e certificados pela Corporação de Bombeiros, e se os extintores forem inspeccionados regularmente, e se as saídas de emergência estiverem bem assinaladas e desimpedidas. Pois, isto envolve investimentos por parte das fábricas que queiram trabalhar com estas marcas, e envolve contratar empresas que auditem estas fábricas, e isto, faz com que o preço da peça aumente. Mas isto também dignifica os trabalhadores, e por conseguinte valoriza uma marca. Eu prefiro gastar cem euros numa t-shirt, ou num par de calças produzida nestas condições do que gastar cem euros em seis, sete ou oito peças das outras, só que depois, claro, tenho pouca roupa que eu não sou rica, e não ando na moda, nem percebo nada de moda. Mas as pessoas não sabem e tal... é tão fácil saber, basta ir à internet investigar. Investiga-se tanta coisa, menos a roupa. Naa, a roupa é para usar, para brilhar, não é para pensar.
23.8.11
22.8.11
Golpes
Noutros tempos pararia e iria de imediato desinfectar e aplicar uma ligadura, iria fazer a coisa como deve de ser, dois dedos cortados não é nada de dramático mas também não é coisa que não mereça atenção. Mas não, estando a preparar um gelado de maracujá, com dois gajos atentíssimos a todas as operações necessárias, a cena é assim, ao abrir um maracujá com a faca de serrilha, a puta da faca salta e corta razoavelmente o indicador e o médio da mão esquerda, e o que se faz é abrir a torneira, passar os dedos por água, espremer um pouco para sair aquele sangue merdoso, aquele, o primeiro, e depois envolve-se a mão num pano de cozinha até o sangue estancar, e com cuidado para não arriscar umas gotinhas de sangue no gelado, continua-se o que se estava a fazer. Simples.
18.8.11
Liberdade
Diz-lhe que o queres só porque sim, que não precisas dele para nada, só gostas dele, ponto final. Diz-lhe que se deixe de merdas e decida o que quer da vida e depois falam, e que aceitarás a decisão, seja ela qual for. Diz-lhe que o queres por inteiro, que não há meias verdades nem hesitações, e que de outra forma estás fora. Diz-lhe que gostas dele, mas que exiges respeito, que nunca te menospreze. Diz-lhe que ele é livre de fazer o que bem entender, que nunca o obrigarás a nada e que só o aceitarás se ele vier de livre vontade e se vier a sério e completamente. Diz-lhe tudo isso e verás um homem feito perdido como uma criança.
17.8.11
A beleza
Ela era linda de morrer e todos à volta dela o confirmavam. Casou-se com um homem que nem acreditava no que lhe estava a acontecer. Só que ela não gostava de trabalhar e o marido não era rico e suportou enquanto pôde os dias, semanas, meses intermináveis em que ela passava os dias de pijama e robe, deitada no sofá a fumar e a ver televisão. Ocasionalmente chamava a miúda da vizinha para lhe fazer companhia. E os meses passaram e ela engravidou. Nasceu o rapaz e o caldo entornou, foram dois anos até ao divórcio. Entre namorados violentos, álcool e droga, o rapaz testemunhou tudo. Aos cinco anos saiu de casa e foi ao café telefonar à avó porque a mãe estava estendida no chão e não acordava. Ainda era bonita, e nova. Incendiou o apartamento um dia, estava nervosa, mas o filho já estava entregue ao pai. Prostituiu-se durante uns anos até que emigrou e viveu na Suíça com um italiano endinheirado, mas depois cansou-se. Voltou e agora trabalha num mini-mercado. Vi-lhe as fotografias no facebook porque o filho dela veio sentar-se no meu colo muitas vezes em pequeno, quando fugia ao pai e à tia depois de uma qualquer asneira. Eu lembrava-me das tardes que passei a jogar às cartas com a mãe e dava-lhe mimo. Dei-lhe muito mimo, e ontem estive a ver as fotografias da bebé dele e deparei-me também com as fotografias da mãe. Gasta, acabada. Tem pouco mais de cinquenta anos mas o olhar parece que carrega duzentos.
16.8.11
Baralha, parte e dá
Como cartas misturadas numa mesa redonda sem fim,
Tenho as ideias todas misturadas assim
Ouros, copas, espadas e paus
Todos juntos sinto-os maus
Começo, separo, ordeno
Não consigo, desespero
Baralho, parto e dou
Sem decidir contudo se vou.
Tenho as ideias todas misturadas assim
Ouros, copas, espadas e paus
Todos juntos sinto-os maus
Começo, separo, ordeno
Não consigo, desespero
Baralho, parto e dou
Sem decidir contudo se vou.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
