Chamo macacos aos meus filhos, e eles sabem perfeitamente que é um carinho. Macaquinhos, às vezes, também. O meu irmão de vez em quando também usa a mesma expressão, quando se quer meter com eles. No outro dia chamava por eles, onde estão os macaquinhos, onde? O grande, lixado, ai é? Se nós somos macacos, tu és um gorila! E o pequeno, de longe, calmamente, é, é um gorila... sem pila.
Faz hoje oito anos.
22.9.11
20.9.11
Permissão
Recebo um sms pouco antes das dez da noite, posso ligar? Deixei. O meu coração não disparou nem fiquei a tremer. Falamos e confirmei-lhe que entrei no curso que queria e que ao invés de ter sabido só o resultado ontem como estava previsto tinha recebido e-mail no sábado à tarde. Ficou contente mas não surpreendido, disse que nunca duvidou e deu-me os parabéns. Não é nada de extraordinário mas agradeci. São dez, tenho de deitar os miúdos, certo, certo, não te atrapalho, fica bem, obrigado por fazeres parte da minha vida. Manda-me email no dia do meus aniversário, telefona-me no dia em que sabe que saem os resultados do ensino superior, e faço parte da vida dele por lhe permitir estes pequenos nadas. E agradece-mo. Nesse momento soube serena e tranquilamente que é uma questão de tempo. Não mantemos contacto, desde que acabei com tudo que não lhe ouvia a voz, apenas me escreveu. Serão anos, não importa, mas é uma questão de tempo. Há-de aparecer-me alguém pelo meio, aposto, mas ele há-de vir, livre, e onde quer que eu esteja, com quer que eu esteja, desembaraçar-me-ei e serei dele. Simples.
17.9.11
Agri-doce
Recebi há bocado o email que me diz que fui colocada e estou contente. Claro que estou. Mas fixe, fixe teria sido ter pegado no telefone e ter partilhado, só que não posso, e estou triste. Claro que estou. Quando temos de guardar as alegrias só para nós, transformamo-las tristezas.
13.9.11
Ausência
À excepção dos meus filhos e de tudo o que a eles diz respeito os meus interesses resumem-se a praticamente nada, faço o que tem de ser feito para garantir o bom funcionamento da casa e à noite vejo televisão. Vejo sempre algo que não envolva esforço mental. Recuso simplesmente telejornais e debates. Vejo animais e máquinas ou polícias e agentes secretos em perseguições de automóveis e tiros e explosões. Ocasionalmente um filme, mas com filmes costumo adormecer. Vidinha interessante que eu tenho.
7.9.11
Saudade
Gosto do aroma e aproximo-me de quem estiver a fumar. Deixo fumar no meu carro e na minha casa desde que os miúdos não estejam. Mas fumar, não fumo, nem fumei mais desde há um ano. Faz hoje.
5.9.11
Momentos marcantes
A noção de que o meu filho mais velho ia começar a escola priomária foi um momento marcante para mim, depois quando começou o ciclo (acho que já não é assim que se diz) coincidiu com o início da primária do mais novo, outro momento marcante. Este ano o mais velho está no sétimo ano, inicia-se outro ciclo e eu sinto estas coisas. Mas choque mesmo senti quando percebi que as sapatilhas dele, que já não usa porque lhe ficaram pequenas, me servem. Que estalo, arrasou-me.
Grandes questões
Fui informada há uns meses que em Setembro poderia ter de ir a Paris reunir com um cliente americano que lá vai visitar uma feira. Se conseguirmos conciliar todas as agendas (a minha é a mais fácil, estou sempre aqui e vou para onde me mandarem) haverá reunião no nosso escritório de Paris. E de certeza que por causa desta possível viagem sonhei no fim-de-semana passada que o meu cliente me convidava para ir trabalhar com (não para) ele em Los Angeles, durante três estações, e o meu boss lambeu os beiços e esfregou as mãos (não tenho a certeza se por esta ordem) e quase que lhe vi cifrões nos olhos como o Tio Patinhas, pois isto implicaria eu orientar os produtos para a nossa empresa, fazer o desenvolvimento e acompanhar a produção. Do lado de lá. Esta brincadeira iria significar eu embolsar uma pipa de massa que me permitiria liquidar metade do meu calote ao banco. Pagava metade da minha casa. Tripei. Eu a sonhar e a passar-me da cabeça. O que é que eu faço? Três estações é mais de um ano, e os meus filhos? Não, não posso. E a massa? É muita massa. O que é que eu faço? E acordei e fiquei a pensar nisto, o que é que eu faria se me propusessem uma coisa assim? Algo que monetariamente valesse a pena mas que me afastasse dos meus filhos por um tempo considerável? O que é que eu faria. Pois hoje digo, com toda a certeza: não sei.
1.9.11
Vida
Ontem à noite fui buscar o edredon, tenho sentido frio. Já me tinha esquecido como é bom dormir nua, já me tinha esquecido que às vezes o meu corpo ganha vida própria.
29.8.11
Pele
Estou a pensar seriamente em fazer sessões de dança lá em casa. Toda a gente sabe que eu odeio fazer exercício físico, mas gosto muito de dançar. Ao som disto, então...
27.8.11
Acordar
Aqueles minutinhos de sábado de manhã são insubstituíveis. Quando eu os acordo e eles ainda sem abrir os olhos se viram para mim e me abraçam. O pequeno do lado esquerdo dá-me um beijo mesmo de olhos fechados e o grande do lado direito põe a perna por cima da minha. Ficamos assim, eu derretida com um de cada lado agarradinhos a mim, eles quase acordados, ainda de olhos fechados, quentinhos no mimo da mãe.
(sexta-feira é a noite de dormir comigo)
(sexta-feira é a noite de dormir comigo)
24.8.11
Post aborrecido sobre roupa, ou moda, não sei bem.
Trabalho há vinte anos na industria têxtil, em vestuário, e no entanto, não percebo um boi de moda, por um motivo extremamente básico, nunca a moda me interessou. Vagueio pela blogsfera e vejo os blogs famosos de mulheres supostamente entendidas na matéria, vejo fotografias de revistas conceituadíssimas a lançar tendências, vejo catálogos de marcas conhecidas com as novidades de cada estação. Talvez por lidar com roupa há demasiado tempo moda é assunto que não me diz nada. Não gosto, e se pensar um bocadinho mais poderia dizer até que me causa um nadinha de asco. Sou obrigada a saber qual é a tendência da estação em termos de cores, formas e texturas, mas só porque sou obrigada. Sei se a roupa tem qualidade ou não e se a relação qualidade/preço está bem ou mal. Às vezes rio-me com as marcas que andam aí na moda, se as pessoas soubessem, mas não vou ser eu a destruir o glamour da coisa. Aliás, até vou. Quando as marcas aparecem em Portugal, normalmente já não valem a ponta de um chavo no país de origem, é triste mas é verdade. Uma marca nova, hot, muito fashion, quando começa a ser vista cá, é porque já deu o que tinha a dar. Exemplo, em 2003 comecei a trabalhar uma marca americana que começou a dar que falar nos USA quando o designer que lhe pegou resolveu deixar meia dúzia de bonés no hotel onde estava a Britney Spears e a moça meteu o boné na cabecinha. Namorava ela na altura com o Justin Timberlake. E a marca explodiu porque a rapariga apareceu na TV ou numa revista qualquer com o puto do boné e milhões de pessoas quiseram ter o mesmo boné. Quando foi preciso fazer t-shirts a granel, cá apareceram eles, para produzir em Portugal. Até aí faziam t-shirts em Los Angeles, como? Compravam t-shirt lisas, em várias cores à Americal Apparel, sim é verdade, a America Apparel é uma empresa que faz roupa de péssima qualidade, a preços de merda, na Ásia, mas só as bases, as formas, para vender a outras marcas que depois personalizam, com estampados, bordados ou outras decorações, mas agora a American Apparel parece que está na moda, enfim. Nesse ano, essa marca dos bonés vendeu muitos bonés e muitas t-shirts, no ano seguinte explodiu na Europa, por altura do Europeu de futebol de 2004 tivemos uma convenção aqui na terrinha, recebemos todos os distribuidores europeus e vendemos umas boas centenas de milhar de peças, sem contar com as encomendas para os USA que fomos depois buscar a Saint-Tropez, onde o tal designer estava de férias com a família. Bom, tudo isto para dizer que, esta mesma marca só começou a despontar em Portugal cerca de três anos depois, só que três anos depois, já o designer tinha batido com a porta e lançado outra marca que já tinha explodido nos USA, já não vendia quase nada nos USA e na Eurora já estava em decadência. Quero com isto dizer que, nunca vi nenhuma das marcas "cutting edge" em blog nenhum, ninguém as conhece. São aquelas marcas pequeninas, topo de gama, que as outras marcas vão copiar. Peço desculpa, copiar não que é feio, vão retirar inspiração. São aquelas marcas que encomendam quinhentas ou mil peças de cada modelo e pagam o preço justo pela peça. Depois vendem t-shirts a duzentos e cinquenta euros, claro, que ninguém anda aqui a trabalhar para aquecer e as lojas em Paris, Londres e Nova Iorque têm rendas altas, certo? Depois os "scouts" de grupos como a Inditex fotografam a montra e mandam para a base onde dezenas de designers trabalham essa inspiração e três semanas ou quatro depois temos modelos "inspirados" nesse nas lojas da Zara à venda por 9,99 Euros. Por isso a Inditex não tem uma política de direitos humanos. Não tem. Por isso acontecem coisas como o que se descobriu no Brasil. Não me surpreendeu nada. A Inditex não é directamente responsável por situações daquelas, mas pode perfeitamente desligar-se de misérias destas, só que custa dinheiro e encarece as peças. Já li num blog que a autora preferia gastar cem euros em roupa na Zara do que cem euros numa boa refeição num restaurante. Eu aceito, são opções. Mas posso, claro, questioná-las. Eu prefiro gastar cem euros num par de calças de uma marca que sei que manda pessoas verificar a fábrica antes de colocar uma encomenda e só confirma a encomenda se a puta da fábrica tiver casas de banho como deve de ser, sim, a auditoria puxa o autoclismo e se o mesmo não funcionar conta como não conformidade, e se os recibos de vencimento dos funcionários estiverem de acordo com a lei em vigor nesse país, e se as horas extra forem pagas justamente, e se as entrevistas individuais feitas a funcionários escolhidos aleatoriamente forem satisfatórias, perguntam se se sentem bem, se são respeitados pelos superiores, se há assédio de qualquer espécie, e se os exercícios de incêndio estiverem em dia e devidamente documentados e certificados pela Corporação de Bombeiros, e se os extintores forem inspeccionados regularmente, e se as saídas de emergência estiverem bem assinaladas e desimpedidas. Pois, isto envolve investimentos por parte das fábricas que queiram trabalhar com estas marcas, e envolve contratar empresas que auditem estas fábricas, e isto, faz com que o preço da peça aumente. Mas isto também dignifica os trabalhadores, e por conseguinte valoriza uma marca. Eu prefiro gastar cem euros numa t-shirt, ou num par de calças produzida nestas condições do que gastar cem euros em seis, sete ou oito peças das outras, só que depois, claro, tenho pouca roupa que eu não sou rica, e não ando na moda, nem percebo nada de moda. Mas as pessoas não sabem e tal... é tão fácil saber, basta ir à internet investigar. Investiga-se tanta coisa, menos a roupa. Naa, a roupa é para usar, para brilhar, não é para pensar.
23.8.11
22.8.11
Golpes
Noutros tempos pararia e iria de imediato desinfectar e aplicar uma ligadura, iria fazer a coisa como deve de ser, dois dedos cortados não é nada de dramático mas também não é coisa que não mereça atenção. Mas não, estando a preparar um gelado de maracujá, com dois gajos atentíssimos a todas as operações necessárias, a cena é assim, ao abrir um maracujá com a faca de serrilha, a puta da faca salta e corta razoavelmente o indicador e o médio da mão esquerda, e o que se faz é abrir a torneira, passar os dedos por água, espremer um pouco para sair aquele sangue merdoso, aquele, o primeiro, e depois envolve-se a mão num pano de cozinha até o sangue estancar, e com cuidado para não arriscar umas gotinhas de sangue no gelado, continua-se o que se estava a fazer. Simples.
18.8.11
Liberdade
Diz-lhe que o queres só porque sim, que não precisas dele para nada, só gostas dele, ponto final. Diz-lhe que se deixe de merdas e decida o que quer da vida e depois falam, e que aceitarás a decisão, seja ela qual for. Diz-lhe que o queres por inteiro, que não há meias verdades nem hesitações, e que de outra forma estás fora. Diz-lhe que gostas dele, mas que exiges respeito, que nunca te menospreze. Diz-lhe que ele é livre de fazer o que bem entender, que nunca o obrigarás a nada e que só o aceitarás se ele vier de livre vontade e se vier a sério e completamente. Diz-lhe tudo isso e verás um homem feito perdido como uma criança.
17.8.11
A beleza
Ela era linda de morrer e todos à volta dela o confirmavam. Casou-se com um homem que nem acreditava no que lhe estava a acontecer. Só que ela não gostava de trabalhar e o marido não era rico e suportou enquanto pôde os dias, semanas, meses intermináveis em que ela passava os dias de pijama e robe, deitada no sofá a fumar e a ver televisão. Ocasionalmente chamava a miúda da vizinha para lhe fazer companhia. E os meses passaram e ela engravidou. Nasceu o rapaz e o caldo entornou, foram dois anos até ao divórcio. Entre namorados violentos, álcool e droga, o rapaz testemunhou tudo. Aos cinco anos saiu de casa e foi ao café telefonar à avó porque a mãe estava estendida no chão e não acordava. Ainda era bonita, e nova. Incendiou o apartamento um dia, estava nervosa, mas o filho já estava entregue ao pai. Prostituiu-se durante uns anos até que emigrou e viveu na Suíça com um italiano endinheirado, mas depois cansou-se. Voltou e agora trabalha num mini-mercado. Vi-lhe as fotografias no facebook porque o filho dela veio sentar-se no meu colo muitas vezes em pequeno, quando fugia ao pai e à tia depois de uma qualquer asneira. Eu lembrava-me das tardes que passei a jogar às cartas com a mãe e dava-lhe mimo. Dei-lhe muito mimo, e ontem estive a ver as fotografias da bebé dele e deparei-me também com as fotografias da mãe. Gasta, acabada. Tem pouco mais de cinquenta anos mas o olhar parece que carrega duzentos.
16.8.11
Baralha, parte e dá
Como cartas misturadas numa mesa redonda sem fim,
Tenho as ideias todas misturadas assim
Ouros, copas, espadas e paus
Todos juntos sinto-os maus
Começo, separo, ordeno
Não consigo, desespero
Baralho, parto e dou
Sem decidir contudo se vou.
Tenho as ideias todas misturadas assim
Ouros, copas, espadas e paus
Todos juntos sinto-os maus
Começo, separo, ordeno
Não consigo, desespero
Baralho, parto e dou
Sem decidir contudo se vou.
14.8.11
Ninho
Há uma festa para ir, mas cheguei hoje a casa e abri as janelas. Há uma festa para ir, mas cheguei hoje a casa e desfiz as malas, tirei a roupa e pu-la a lavar. Acendi velas de cheiro e guardei os sapatos. Há uma festa para ir, mas tomei um duche e deitei-me na minha cama que cheira a lavado e me abraçou. Há uma festa para ir, mas tenho tantas saudades da minha casa e haverá festa na mesma sem mim.
28.7.11
Os meus, os teus e os nossos
Há muitos anos a minha mãe contava a história se que um senhor que enviuvou novo com vários filhos pequenos, se casou outra vez e com a nova mulher teve também vários filhos. A nova mulher, por sua vez, também viúva, também já tinha filhos, e depois por piada diziam dos filhos, os meus, os teus e os nossos. Ontem à noite tive cá em casa a jantar além dos meus filhos, os filhos da namorada do pai, um rapaz da idade do meu pequeno e uma rapariga da idade do meu grande, e também um par de gémeas que são filhas dum casal amigo que fui buscar à hora do almoço e que vão cá ficar em casa até à próxima segunda-feira. Estou de férias e esta semana é dedicada aos putos. Com as seis crianças sentadas à mesa, regaladas com a minha lasanha, não pude deixar de me lembrar da história dos meus, os teus e os nossos, não só por serem muitas crianças mas também pela mistura. O meu ex-marido, também padrinho da gémea veio cá com a namorada trazer os filhos dela e também veio ver a miúda. Depois de jantar, os rapazes lá fora no jardim e no pátio com as pistolas de água e as bolas, e nós as gajas, nos vernizes e nas maquilhagens. Elas falavam de miúdos cantores que saem na revista Bravo e perguntavam-me qual é que eu achava o mais giro. Tive os miúdos cá quase até à meia noite, eu tinha dito aos grandes para namorarem à vontade, que não tivessem pressa de os vir buscar. Definitivamente, um programa a repetir.
22.7.11
Done
Está feito e se não consigo uma nota superior a um valor que eu cá sei, até me chicoteio. Aquilo foi escandalosamente fácil, não entendo como é que se pretende que a malta saia do secundário a falar inglês com exames com este nível de exigência. Devo ter percebido tudo mal, eu, claro. Dia 7 de Agosto veremos, depois falamos.
20.7.11
Turning point
Não sei explicar muito bem mas sinto que estou perto de um qualquer acontecimento que vai mudar o rumo da minha vida. A expectativa de ingressar na universidade fez nascer em mim algo de novo e excitante mas muito abstracto. O exame de Inglês é já esta sexta-feira e começa uma nova fase, depois a candidatura e o nervosismo da espera. Estou convencida que vou entrar, mentiria se dissesse que estou insegura. Sinto que a minha vida vai mudar, a todos os níveis. Não sei porquê, mas sinto.
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