14.10.10
Exigências
Eu tenho uma maneira de ser um bocado fodida. É que não faço a coisa por menos. Levo sempre as coisas ao ponto das outras pessoas serem quase que obrigadas a mostrar o material de que são feitas. Não consigo fazer de outra maneira, ponho sempre as coisas num patamar em que ou se tem tomates ou não se tem, nunca facilito. Tenho sempre de ver até onde é que se vai, até que ponto se é verdadeiro, até que ponto se assume o que se é. Podia ser menos exigente, pois podia? Podia facilitar as merdas, pois podia? No imediato até lucrava mais, mas a longo prazo seria corrosivo, conheço-me. Pois é, eu podia ser uma mulher mais "fácil", podia, mas depois não era a mesma coisa.
12.10.10
Carga
Deixei o homem que me interessava ter por perto, deixei o tabaco, deixei a minha casa, é preciso estar de olho nas obras lá de casa, no emprego atravesso uma fase complicada, as aulas dão-me trabalho e consomem-me tempo que encontro com muito esforço. Isto tudo junto parece-me mais do que o que consigo aguentar, mas enquanto os meus rapazes estiverem bem, o resto todo que se foda, hei-de sobreviver.
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Cinco semanas
Já não custa tanto, é verdade. Já não me lembro de todos os cigarros que fumava, lembro-me só de alguns. Ainda me apetece fumar, mas não da mesma forma violenta e dolorosa. Ainda me apetece fumar, mas bem sei que não posso, não fumo.
8.10.10
Engano
Pensei que as minhas aulas iriam ser um tédio, mas não. Ontem um professor claramente de esquerda e hoje uma professora claramente de direita, começa bem.Uma turma que prova que é muito mais difícil controlar adultos apalhaçados e com a mania que são espertos e engraçados do que putos insurrectos. É triste ver homens feitos armados em adolescentes parvos a mandar bocas aos profs e raparigas que já têm idade para ter juízo a rirem das piadolas deles como se fossem adolescentes aparvalhadas. A cota bem mais cota do que eu a fazer olhinhos ao prof, o tipo que tem a mania que tem personalidade e convicções fortes quando na verdade apenas usa clichés para argumentar tudo e mais alguma coisa. Os caladinhos que nunca abrem a boca e os fala-baratos. Uma tourada, portanto. O tema para debate: O governo francês expulsa os ciganos romenos. Ninguém achou piada nenhuma. Este tema é muito difícil diziam eles. Fui a única a concordar quando ontem o prof atirou o tema para o debate da próxima semana. Agora é pesquisar. Eu adorei, é um assunto tão rico, tão abrangente, levanta tantas questões de variadíssimas ordens, estou entusiasma. Mas sou mesmo só eu. E os profs.
5.10.10
E quase que me esquecia
De dizer que fui ao concerto dos U2 no domingo à noite e... tchan tchan tchan tchan... não fumei! Nem cigarros nem nada! Ah pois é! Em contra partida fartei-me de chorar. Em suma, adorei!
P.S. Devo esclarecer que as três pessoas que me acompanharam ao concerto choraram também, por isso posso concluir que a emoção não se deveu à minha especial dificuldade em conter as lágrimas neste momento. O concerto é que foi mesmo de cortar a respiração e de ir às lágrimas.
P.S. 2 - Das três pessoas, uma era uma gaja, e as outras duas eram gajos.
P.S. 3 - O meu irmão também lá estava e depois confessou-me que também chorou quando ouviu o Bono a cantar em italiano na Miss Sarajevo.
P.S: 4 - Acho que está tudo esclarecido, certo?
P.S. Devo esclarecer que as três pessoas que me acompanharam ao concerto choraram também, por isso posso concluir que a emoção não se deveu à minha especial dificuldade em conter as lágrimas neste momento. O concerto é que foi mesmo de cortar a respiração e de ir às lágrimas.
P.S. 2 - Das três pessoas, uma era uma gaja, e as outras duas eram gajos.
P.S. 3 - O meu irmão também lá estava e depois confessou-me que também chorou quando ouviu o Bono a cantar em italiano na Miss Sarajevo.
P.S: 4 - Acho que está tudo esclarecido, certo?
National Geographic
Assinei a revista durante sensivelmente 3 anos, devo ter cerca de 150 exemplares. Ao fim desses 3 anos fraquejei e cedi, anulei a assinatura que na altura nem era dinheiro por aí além. Todos os meses, quando chegava a revista pelo correio era um chorrilho de comentários negativos, que aquilo era dinheiro deitado fora, que eu nem lia aquilo, que só ocupava espaço, etc... É verdade que eu não li todos os exemplares de ponta a ponta, mas li a maior parte, e da outra parte li alguns artigos. Guardei-os e ali estão, protegidos do pó e arrumadinhos para não se estragarem durante as obras. Guarda-los-ei enquanto me apetecer. Acalento secretamente a esperança que venham a ser úteis aos rapazes nalgum trabalho de escola. E se não forem, quero que se lixe, são meus e quanto mais não seja, quando chegar à reforma terei ali centenas ou milhares de páginas de informação totalmente desactualizada mas cujas fotos continuarão magníficas para me entreter. Dava-me prazer ler a National Geographic, como hoje me dá prazer ver os documentários na televisão. Pergunto-me hoje qual teria sido a reacção se em vez da National Geographic me desse para gastar os 600 paus mensais em revistas de roupas e sapatos e malas e perfumes e maquilhagem e essas cenas... Na volta o maridinho teria achado mais piada, sei lá.
4.10.10
Introdução
Depois da poeira assentar vê-se muito melhor. E eu, não sou diferente dos outros e é à distância que vejo melhor. Depois de ter atravessado o período de adaptação a este novo estado, depois de ter concluído e aceite tudo o que concluí e aceitei, chegou a data estipulada para o corte com o tabaco. E foi o fim da macacada, não sei que raio de mutação genética se deu em mim que me tornei numa grandessíssima chorona. Era a minha mãe a falar-me num tom um nadinha mais... assim... coiso que eu pimba, logo as lágrimas nos olhos, eram os miúdos a portarem-se um bocadinho pior e eu a ter de impôr a ordem e eu pimba, logo as lágrimas nos olhos, e era vir-me à ideia qualquer coisa que metesse um determinado indivíduo que pimba, logo as lágrimas nos olhos. Isto do choro começou há sensivelmente 4 semanas, faz amanhã. O que nunca antes me incomodou passou a fazer-me chorar como uma Maria Madalena. Se pensarmos que nunca fui de chorar, de tal forma que atravessei todo o processo de separação e divórcio e o único gajo que me fez chorar foi o meu pai, e foi uma única vez quando batemos de frente e eu lhe garanti que ele nunca mais iria ver os netos porque ele achou que proibindo-me de lá entrar em casa (na dele, que eu também considero minha) me faria mudar de ideias quanto ao divórcio, é ainda mais absurdo. Mas o que é certo é que de há 4 semanas para cá acho que já chorei mais do que em 35 anos de vida. Acho não, tenho mesmo a certeza. O giro disto tudo é que as outras merdas todas já me passaram, já aguento bem a minha mãe e os miúdos. Agora, as cenas relativas ao indivíduo, não sei porquê, mas tenho a sensação que isto está apenas a começar.
1.10.10
Tudo
Tenho dias em que travo batalhas e tenho dias em que me estico em camas feitas de lavado. Tenho momentos do mais cerrado nevoeiro e tenho momentos de preguiça estendida na relva, ao sol. Há tempos de guerra e tempos de paz, há tempos de gargalhadas e tempos de lágrimas. Há tornados e há orvalho. Há espuma salgada de ondas e há terra, palha e pó. Há cheiro a fruta fresca e flores e há cheiro a sangue, ferro e fogo. Há isto tudo dentro de mim, mas pouca gente sabe, disfarço muito bem.
29.9.10
Dina
A Dina é mais ou menos da minha idade, um ou dois anos mais nova ou mais velha, não sei bem. A Dina teve meningite em pequenina, tem uma faltinha. Foi o que sempre ouvi dizer por lá, todas as vizinhas acenavam com a cabeça quando a Dina passava. Eu era amiga da Dina, fui sempre, desde pequenina. Só não me lembro da Dina ter a tal meningite, talvez fosse quando ainda era bebé. Foi a Dina que me contou que o pai era muito mau e que batia na mãe e nos irmãos e irmãs dela. Eram muitos filhos, ao todo talvez uns sete ou oito. Eu e a Dina brincávamos e ela contava-me estas coisas. Todos os filhos morriam de medo do pai, e a mãe também. A Dina cresceu, eu também e naturalmente afastamo-nos. Até que um dia ouvi a mãe dela dizer: a minha Dina arranjou moço, não sei o que vai ser. Claro, a Dina tem uma faltinha e a mãe, melhor do que ninguém sabe disso. A Dina casou-se a mãe disse: não sei se a minha Dina vai dar conta do recado. A Dina teve uma filha que por acaso é da idade do meu filho mais velho e andam juntos na escola desde o primeiro ano. A Dina deu conta do recado. A Dina trabalha numa fábrica, é casada e tem uma filha. É despachada, na boca da mãe: a minha Dina deu mulher de vida, nunca pensei, ela que teve meningite em pequenina. E eu acho que a Dina é feliz, é uma mulher realizada, satisfeita com a sua vida. Sempre que passa por mim a Dina sorri-me e pergunta-me se está tudo bem comigo. Gosto dela. Recentemente o pai da Dina morreu, velho e doente, amado por todos os filhos independentemente de ter sido mau e cruel com todos eles. A Dina veste luto pelo pai, e é sentido aquele luto. Vem-lhe do coração. Esqueceu todas as coças que levou, por amor.
27.9.10
Smoke free
Vou tentar explicar o que sinto ao fim de três semanas sem fumar. Há os dentes que "embranqueceram" um bocadinho e as gengivas que entretanto estão a voltar ao cor-de-rosa original em vez do acastanhado dos últimos anos, e o hálito de merda pela manhã melhorou significativament, já não é de merda, é só o mau hálito normal de quem está a acordar. Depois há uma certa sensação de liberdade porque deixei de pensar nos sítios onde vou condicionada se são espaços fumadores ou não fumadores. Deixei de ter a canseira de ter de ter sempre tabaco comigo e a preocupação de saber onde está o isqueiro. Já não me preocupo se aquele intervalozinho entre afazeres vai dar para fumar um cigarro. A minha sala de estar já não fede e já não há cinzeiros para despejar. Fisicamente ainda não sinto nada de mais, tirando uns ataques de tosse que quando fumava não tinha. Diz que são os pulmões a limpar. Diz que sim. Mas, meus amigos, continuo a ter a mesma vontade de fumar. Pois.
26.9.10
Novo mundo
Se muitas pessoas e acontecimentos nos valem apenas um comentário banal ou um acenar de cabeça inconsciente há outras que nos perturbam de uma forma que nos muda. Se muitas situações são complicadas e confusas há outras que se nos mostram claras como água e o caminho abre-se à nossa frente sem encruzilhadas ou desvios. O verão de 2010 ficará como o verão da mudança, ou melhor, da descoberta. Descobri em mim uma mulher que julgava não existir, descobri que essa mulher pode pouco contra ela própria e no entanto tem perfeita consciência do que faz e de como o faz, e mesmo vendo à sua frente o precipício, resolve dar o passo em frente. Percebi que, mesmo sabendo que o caminho não tinha saída, fui capaz de não travar, fui capaz de avançar, de ir até ao fim. Há agora todo um novo mundo dentro de mim, há toda uma nova percepção da realidade e tudo isto, grande e avassalador é completamente inútil. Nada se pode fazer com tudo isto e aceitei que ficará guardado numa gaveta onde te encerrei. Junto-te agora tudo o que fizeste acordar dentro de mim, junto-te agora tudo o que me fizeste sentir. Guarda nessa gaveta, fecha-a e esconde a chave até que tudo adormeça ou morra, até que as memórias bafientas e cobertas de pó sirvam apenas para serem lembradas, já sem lágrimas e só com sorrisos. Pode ser que um dia, como nos filmes, eu conte esta história e faça alguém sonhar.
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25.9.10
23.9.10
Choque em cadeia
Os olhos viram um vulto e um carro que o cérebro não teve a certeza de identificar, mas achou que podia ser um determinado carro e o vulto o seu dono, e isto numa fracção de segundo, em andamento, na estrada. A seguir o cérebro envia instruções e o corpo recebe uma descarga de adrenalina, os braços e as pernas quase perdem a força, as tripas contraem-se e torcem-se e os dentes mordem o lábio inferior. Tudo isto mais ou menos em dois segundos. Restou um nico de frieza para permitir a condução num mínimo de segurança. Fiquei mal-disposta, tinha acabado de almoçar, e tudo isto por causa de um vulto que nem sei se era quem o meu cérebro achou que era, só porque conduzia um carro da mesma marca e da mesma cor. Estou mal-disposta principalmente por saber que não consigo controlar estas reacções que tenho àquele homem. Reajo involuntariamente àquele homem. O meu corpo reage, é incontrolável.
Rostos
Vi há dias uma das raparigas mais populares do meu tempo de liceu. Hoje vi outra. E há ainda outra que rejo frequentemente. Todas muito giras e boas na altura do liceu. Maquilhavam-se e usavam as roupas da moda. Tinham os rapazes todos de volta delas. Eram as maiores. A primeira namorava com um tipo que era lindíssimo mas completamente louco. Dava-lhe ordens e estalos na cara, nem sempre por esta ordem. Ela engravidou e casaram-se. poucos anos depois divorciaram-se porque segundo as más-línguas os estalos evoluíram para grandes cargas de porrada. Quando a vi no sábado passado ia com filha, uma pré-adolescente, e ela, a mãe, falava nervosamente ao telemóvel. Nervosa, muito nervosa. A que vi hoje era uma miúda engraçada, alegre e gaiteira. Desconheço-lhe o percurso de vida, mas hoje passeava-se nos corredores do super mercado, gorda e feia, arrombada e desleixada, cara fechada e passos lentos. A terceira é caixa nesse mesmo super mercado. Tem a pele cheia de marcas de acne, lembro-me que desde muito nova se maquilhava, tinha quilos de base e pó no rosto diariamente. Era gira e boa, tinha estilo. Não sei se acabou o secundário, mas desde que este super mercado abriu já há uns bons anos que a vejo lá na caixa. A pele estragada e os dentes todos estuporados, não é antipática com os clientes porque não pode mas também não sorri. Vejo estas mulheres e penso que talvez a popularidade na escola e os rapazes todos babados lhes tenham subido à cabeça e espalharam-se ao comprido. Penso nestas mulheres e inevitavelmente penso em mim, que sempre fui uma rapariga roliça, mas alegre. Nunca tive os rapazes em meu redor, mas sempre me dei bem com eles, sempre tive bons amigos, mas eu nunca fui a gaja boa, era a gaja porreiraça. Os anos foram passando e a vida seguiu o seu curso, fui envelhecendo e tive filhos, mas hoje estou bem melhor do que estas três miúdas, gosto mais do meu corpo agora do que quando era adolescente. Mas o que realmente me entristece nestas mulheres é que lhes vejo a infelicidade e a amargura no rosto. As mulheres infelizes são feias, quer se arranjem quer não, podem tentar esconder com roupas caras e maquilhagens magníficas. Podem até ter traços finos, rostos dignos de esculturas gregas ou de telas renascentistas mas a amargura e a tristeza são implacáveis, reconheço-as no rosto de qualquer mulher.
21.9.10
Carne
Como uma lança cravada na carne arranquei-te de mim, a frio, sem hesitar. Como uma lança cravada na carne que ao sair rasga mais um pouco, dói mais um pouco, sangra mais um pouco, para a seguir sarar.
20.9.10
Adeus
Quando um homem te diz que é fácil apaixonar-se por ti, que és uma mulher de trato fácil, extremamente inteligente, bem disposta, que és lindíssima, que ainda por cima não és convencida, quando um homem te diz isto estando deitado na tua cama e principalmente sabendo que é a última vez, sentes-te tentada a acreditar.
19.9.10
Tão errado
Sabes que algo está muito errado contigo quando, já no carro e a caminho de casa, com um sorriso nos lábios e com aquela sensação tão boa que te faz inclinar a cabeça e roçar o rosto no ombro, com o corpo relaxado e mole, a pensar que o P. é uma maravilha e que mais uma vez não te desiludiu, e na rádio toca uma puta duma música e é como se levasses com um balde de água fria pelos cornos abaixo porque sentes que acabaste de trair alguém. Muito errado, mesmo muito errado.
17.9.10
Manda foto
Ri-me tanto que até me deu um ataque de tosse e depois de conseguir compor-me lá respondi que ia pensar porque foi o que me ocorreu responder ao pedido que me fizeram hoje, um pouco antes do almoço, para eu enviar uma foto minha. Nua. Este pedido, não é assim tão ridículo se tivermos em conta que veio de alguém que já me conhece no sentido bíblico há bastante tempo e com quem eu estava hoje, um pouco antes do almoço, a falar para marcar um encontro para amanhã. E porque é que eu tive um ataque de riso de ir às lágrimas e à tosse convulsa? Porque eu, no fundo no fundo, entendi esta merda como um elogio. Cigarros, dai-me cigarros! Depressa!
16.9.10
A doer
Tive sempre a convicção que quando as merdas são a sério, tem de ser a doer, senão não vale. Daí que, o que se sente tem de ser dito, tem de ser escutado. Mesmo que doa ao dizer, e que doa ainda mais depois de ser escutado. Não pode ser de outra maneira, senão fico com a sensação que não é real, e é, por isso rejeito reduzi-lo a uma mera impressão que com o passar do tempo se transforma numa ténue lembrança turva e sem importância, não seria justo. Não seria honesto.
15.9.10
Provas de fogo
Passei ontem à noite com distinção (e ajuda dos amigos porque a dada altura vacilei e pedi uma passa mas não me deram e eu não insisti) uma das provas de fogo para quem está a tentar deixar de fumar: um concerto. Ah pois é. Os Supertramp tocaram ontem no Pavilhão Rosa Mota no Porto. E eu fui. E não fumei. Batam palmas se fazem favor. E gostei muito do concerto e teria gostado muito mais se tivesse fumado um cigarrito, mas pronto, não se pode ter tudo. Quero ver lá para o dia 23 ou 24, como é que vai ser. Preparem os tambores. Vou ovular. Vai ser lindo.
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