2.7.10
Control freak
Pois é, control freak. Só que eu eu não pretendo controlar tudo, só a mim. É algo estranho eu ter esta mania e no entanto não ser obcecada por ter tudo planeado na minha vida. Gosto de não ter tudo sempre planeado e ir andando ao sabor do que me apetece, mas isto claro é só no que a mim diz respeito, porque no que diz respeito aos meus filhos obviamente que penso nas coisas com antecedência e planeio o que tem de ser planeado. No entanto tenho um profundo pavor a perder o controlo, por causa disso nunca na vida me embebedei a sério, páro de beber logo que começo a sentir-me tonta. Por isso nunca expludo, por isso é raríssimo seguir impulsos sem antes os tentar compreender. E se momentos há em que acho que esta minha capacidade é uma grande coisa, muito útil e que me evita de certeza muitas chatices, tenho outros em que me pergunto seriamente até que ponto não estarei a transformar-me numa pessoa completamente calculista e manipuladora, daquelas que eu não gosto. E isto leva-me ao início, a minha mania de me controlar e de ter sempre a noção das coisas, e reparo que não me dando conta, provavelmente estou a ir precisamento pelo caminho que abomino e sem ter sequer consciência disso. É ruim...
30.6.10
Nervos
Estou cheia de trabalho, estou exausta, tenho saudades dos meus filhos, e tenho milhares de coisas a rabiar dentro da cabeça como a remodelação da casa, a troca de carro, as matrículas, as incrições, as papeladas, as compras que preciso de fazer, as arrumações que urgem, e o filha da puta do tempo que não estica, e estas merdas todas não se fazem sozinhas. Há alturas em que sinto que a minha vida se equilibra a muito custo em cima de umas canas finas e que aos tropeções no piso sinuoso a qualquer segundo pode desabar. E enervo-me.
28.6.10
As pessoas são engraçadas
Esta é mais uma das coisas que não percebo. A minha mulher a dias, que desde a separação divido com o meu ex-marido, vem frequentemente falar-me de coisas, de merdas, de situações que se passam em casa dele. A maior parte das vezes nem a ouço e as que ouço esqueço quase de imediato. Já lhe expliquei que não me interessa rigorosamente nada do que lá se passa e que não quero que ela me fale disso. Contudo a senhora, apesar de ser uma excelente pessoa e uma boa profissional não prima pela inteligência nem pela esperteza e a cada passo lá vem com as conversas às quais só obtem da minha parte uns pois, uns deixe lá isso, uns não quero saber e outras coisas deste género. Parto obviamente do princípio que o mais certo é que faça o mesmo no sentido inverso, coisa que não chateia absolutamente nada, e dou-lhe o devido desconto. Há contudo outras pessoas que me espantam com as coisas que me dizem. Encontrei numa loja um casal que foi meu vizinho, quando nos primeiros anos de casada vivi onde vive agora o meu ex-marido. Não os via há anos, desde que nos mudámos para outra casa, e depois dos cumprimentos da praxe, a senhora lá vem com a conversa do pois, quem lá vive outra vez é o seu ex-marido, e eu sim, regressou, e ela é verdade, mas deixe lá, há coisas piores do que um divórcio, e eu exactamente, são coisas que acontecem, e ela mas olhe, ele também não acerta com nenhuma, já por lá têm andado várias e não acerta com nenhuma. Apeteceu-me insultá-la mas contive-me num simples, isso não sei nem me interessa. Despedi-me e virei-lhe costas. O que é isto? Qual é a necessidade desta senhora de me dizer este tipo de coisas? Não lhe perguntei rigorosamente nada, no entanto automaticamente fez comentários relativos à vida amorosa do meu ex-marido. Tem a certeza que é um assunto que me interessa, e deve ter ficado desiludida por eu não ter querido saber mais detalhes. A verdade é que eu sei perfeitamente que ele já tem namorada completamente assumida perante os filhos e perante os pais e que a namorada até já tem ficado a passar fins-de-semana em casa dele com os miúdos mas não abri a puta da boca. Primeiro ao fazê-lo seria exactamente igual a esta senhora ao permitir-se fazer comentários sobre um assunto que não lhe diz respeito, segundo porque correria sérios riscos de ser mal interpretada, estou mesmo a imaginar a senhora a ficar convencida que eu estou chateadíssima com o facto do meu ex-marido ter arranjado namorada. Estou-me completamente nas tintas para isso, quer dizer, não estou nada, a verdade é que acho muito bem que ele tenha assumido a namorada e estou satisfeitíssima porque os miúdos gostam imenso dela. O que eles me contam, com a maior naturalidade do mundo e sem eu lhes perguntar nada, a respeito da namorada do pai é muito positivo, que mais poderia eu querer? Nada. Por mim, está óptimo.
27.6.10
Aflição
Ontem fui para a praia com o P. Vi-me aflita. Ele não pára quieto. Vi-me aflita. Parecia possesso, e eu já a ver-me perdidinha. Aquilo não podia ser, resolvi que vinhamos embora, e quando cheguei a casa foi um fogo-de-artifício que mais parecia a noite de S. João, com a ligeira diferença que não era de noite, nem foi de artifício.
Parece impossível
Hora de almoço. à chegada a casa dos meus pais com os miúdos, que dormiram em casa do pai na noite anterior:
Mãe: Olha lá, sentiste o cheiro do pequeno?
Eu: Senti, é o perfume do pai, e que tem? Deve ter pedido ao pai para lhe pôr perfume, ele gosta.
Mãe: E não te importas?
Eu: Porque haveria de importar-me?
Mãe: Não tens saudades daquele cheiro?
Eu: (meti a expressão "tás maluquinha ou quê?") Não.
Mãe: Vá, diz lá, nem só um bocadinho?
Eu: Nada mamã, nadinha, ze-ro!!!
Ela: (meteu a expressão "tu não deves bater bem") Parece impossível...
Mãe: Olha lá, sentiste o cheiro do pequeno?
Eu: Senti, é o perfume do pai, e que tem? Deve ter pedido ao pai para lhe pôr perfume, ele gosta.
Mãe: E não te importas?
Eu: Porque haveria de importar-me?
Mãe: Não tens saudades daquele cheiro?
Eu: (meti a expressão "tás maluquinha ou quê?") Não.
Mãe: Vá, diz lá, nem só um bocadinho?
Eu: Nada mamã, nadinha, ze-ro!!!
Ela: (meteu a expressão "tu não deves bater bem") Parece impossível...
24.6.10
Dona da casa
Se eu quiser sei ser a perfeita dona de casa. Se eu quiser. Mas não sou, ao invés sou a dona da casa. Sou tudo o que a dona de casa é e sou a dona, sou eu que mando, sou eu que decido, sem prestar contas ou ter de negociar com ninguém. Isto é bom. E por conta disto, meti-me numa aventura que é remodelar a minha casa. Adiei durante meses, faltava-me a energia. Finalmente meti mãos à obra e chamei o homem que vai tratar de tudo. Já cá vieram com ele um carpinteiro, um electricista e um outro que não sei como lhe chamar mas vai tratar das janelas. Estou à espera do orçamento e não aguento de curiosidade. Estou em pulgas e nem o facto de ter de tirar tudo cá de dentro, mudar-me para casa dos meus pais durante uns meses e depois ter de voltar a pôr tudo no sítio me fazem esmorecer o entusiasmo. Engraçado como bastou apenas uma chamada e uma reunião com o homem para que haja outra vez entusiasmo dentro de mim. Isto é bom.
23.6.10
Fácil
Faz-me sempre imensa confusão ouvir falar de paixões. Ai que estou tão apaixonada(o), ai que nem sei o que fazer, ai que estou doida(o) por ele(a). Isto faz-me confusão. Ontem à noite, numa das séries que gosto de ver percebi que aquela gente já estava toda apaixonada por outras pessoas, bastou-me falhar dois episódios para que ficasse tudo trocado. Já não estão apaixonados por quem estavam e por quem sofriam horrores e agora já se encontram apaixonados por outros. Que coisa, será assim tão fácil apaixonarem-se? Fiquei desiludida, de repente a série que gosto tanto passou a ser de ficção. Não gostei, mesmo sabendo que tudo na TV é ficção, eu gosto da ficção que pode muito bem ser verdade. O povo apaixona-se e desapaixona-se assim tão facilmente? Como se fosse um simples carregar de botão, como se fosse automático, e como se fosse completamente independente da vontade de cada um. E isto, venha quem vier, não me cabe na cabeça. lamento muito. Não é assim fácil, nem apaixonar-se, nem desapaixonar-se. Não é. E sobretudo não é instantâneo, não se acorda um dia e se constata que se está apaixonado, não se olha para uma pessoa e se percebe que se está apanhado. É infinitamente mais complicado do que isso, acho até que o mais difícil é admiti-lo perante nós próprios. Se eu nunca pensar que estou apaixonada, nunca estarei. Posso até achar piada, posso muito bem sentir desejo, posso até sentir a falta, mas se estas palavras nunca forem proferidas ou pensadas, esse estado jamais se materializará. E há milhares de motivos pelos quais essas palavras fiquem de fora do léxico comum. Há milhares de formas de as repelir. Há milhares de maneiras de as evitar. E também há uma razão que invalida tudo isto que acabo de escrever. O medo. Não, não estou apaixonada e não tenho medo de me apaixonar, mas também não o anseio. É como conduzir a alta velocidade, é óptimo não há dúvidas, e apesar de já ter acelarado bastante e ter sentido toda a adrenalina daí resultante, vivo bem conduzindo no limite imposto por lei.
Peso
Pesei-me esta manhã, uma semana após o início do regime alimentar que contraria toda a lógica. Tenho comido imenso, de tudo o que habitualmente automaticamente me faz rebentar as costuras da roupa, verifiquei que a balança marcou o mesmo número de há oito dias atrás. Inacreditável, não engordei!!!
22.6.10
Está bem
E pronto, posso finalmente parar de tomar o anti-coagulante e deixar de fazer as visitas bi-mensais ao Hospital para verificar o meu sangue. Ao fim de seis meses os senhores doutores vão analisar o dito, não sem deixar passar um mês sem interferência de medicação, para averiguar se há uma tendência genética para as tromboses. Iremos saber então porque raio tive eu uma Trombose Venosa Profunda, se de resto sou uma mulher perfeitamente saudável. A única coisa que me causa espécie é que não fui submetida a qualquer exame, ninguém sabe se o coágulo continua na veia ou se foi naturalmente absorvido. Mas acho que se o trombo ainda lá estiver, o sangue livre de anti-coagulante engrossará e voltará a ter dificuldade em circular e voltará causar dor. Está bem, poupa-se o custo do exame e se a paciente voltar a ter dores e fizer outra trombose que se foda. Está bem, está.
21.6.10
Esquemas
Ando a pensar nisto desde sexta-feira, perturbou-me o contacto que tive através da rede social, tive um acesso de raiva e limpei tudo o que tinha na rede social, só lá deixei a minha fronha e mais nada, não há qualquer informação, acabou. E só não fecho a conta porque lá estão familiares com os quais contacto através daquilo, os miúdos. Ninguém me tira da ideia que este indivíduo tropeçou no meu perfil, verificou que já não sou casada e pensou aquilo que a maioria dos homens pensa. Então esta gaja divorciou-se? Agora quer é rambóia. Vejamos, se a situação fosse outra ao contactar-me teria tido uma atitude completamente diferente, se fosse alguém apenas a contactar um velho conhecido teria tido outro discurso, e se a rede social não fosse um esquema estaria visível a fotografia dele e o estado civil. Uma pessoa que é casada e não usa aquilo para engate não tem qualquer problema em revelar que é casada. Se bem que também as há que lá põem que são casadas e usam aquilo para engatar na mesma. Mas, se fosse livre também lá colocaria que é livre, como eu fiz. E se não fosse esquema não teria colocado um comentário no meu perfil dizendo "confirmo que continuas impressionante". Ora esta frase para mim, é frase de engate, ou não? Daqui concluo que o fulano é casado e quer saltar-me para a espinha, portanto o que tenho a fazer é cortar o mal pela raíz e não dar seguimento. Já não vou sequer tentar apurar rigorosamente nada, qualquer aproximação é demasiado perigosa, conheço perfeitamente o efeito que ele causa em mim. Foge mulher, foge!
20.6.10
A sério que não queria nada disto
Há um gajo que me ficou atravessado, e quando é assim é uma merda. Este gajo existiu na minha vida era eu ainda muito verde contudo parecia que tínhamos íman. Era uma coisa realmente extraordinária, inexplicavel, hoje diria animalesca. Os anos passaram e perdemo-nos o rasto. Durante este tempo todo, ora deixa-me fazer as contas, a menina aqui tinha 17 anos e ele 23, portanto passaram 17 anos e significa que este indivíduo tem agora 40 anos. Nestes 17 anos falei com ele apenas duas vezes apesar de o ter avistado e ele a mim mais algumas vezes na rua. O estranho (ou não) é que das duas vezes que falamos, aquelas conversas casuais de quem vai na rua e de repente encontra uma pessoa que não vê há anos, então tudo bem, e como estás, e o que estás a fazer agora, ok, felicidades, gostei muito de te ver, até à proxima, mais ou menos isto, eu sentia uma puta duma dor de barriga durante todos os segundos perto dele, olhámo-nos sempre nos olhos, eu a ler nos olhos dele um comia-te já aqui e estou convencida que ele a ler exactamente a mesma coisa nos meus. Animalesco. Sucede que eu era casada, um facto incontornável e está tudo dito. A segunda vez que me deparei com ele à minha frente ele deu-me o número de telefone dele, que eu nunca usei e que francamente acho que perdi quando mudei de número por altura do divórcio. Vi-o algum tempo depois, empurrando um carrinho de bébé e com uma jovem ao lado que deduzi ser a esposa. É verdade que sempre soube que haveria de cruzar-me com ele novamente um dia, é verdade já o vi algumas vezes de longe na rua, depois do divórcio, é verdade que já pensei nele, mas aquele carrinho de bébé e a jovem que o acompanhava são altamente esclarecedores, proibem-me de sequer colocar a hipótese de entrar em contacto com ele e verdade seja dita, não me incomoda nada que esta figura esteja só no esquecimento e diluída no charco das recordações da juventude. A puta da merda toda é que este gajo me contactou há 2 dias, através de uma destas redes sociais virtuais. Grande merda. Não faço ideia do que é a vida dele neste momento, se está casado ou não, não faço a menor ideia. Também não faço ideia se vou ter força para lhe fugir.
19.6.10
Fuga
Apetece-me fugir. Tive aqui há tempos um projecto que me sugou até ao tutano. Foi um cliente enorme que nos veio cair no colo (isto soa um nadinha mal, mas...) e foi o cabo dos trabalhos. Uma cadeia de lojas gigantesca compra cerca de 100.000.000 (sim, cem milhões) de peças por ano incluindo vesturário, calçado, acessórios e produtos de cosmética. O objectivo da empresa onde trabalho era na altura conseguir entre 5 a 10% da produção de vestuário deste cliente. Bem bom. Trabalhamos como mulas, eu e mais 3 colegas neste projecto e fizemos uma primeira estação muito boa, foi até uma estação do caralho, suámos as estopinhas mas as putas das encomendas confirmaram-se e entregaram-se. Não fosse o caso de tudo o que se produziu ter sido na Ásia, que tem diferenças horárias que nos fizeram trabalhar muitas noitinhas, e não fossem as compradoras do cliente tão burrinhas que nos obrigaram a trabalhar como se estivessemos a lidar com deficientes mentais, acho que até teria sido mais fácil pois pelo menos não teriam a puta da mania que são finos o que já é mais de meio caminho andado, e a coisa teria sido um sucesso total. Assim só foi sucesso para o boss, que se fartou de ganhar dinheiro e as mouras a dar o corpinho ao manifesto e a cabeça à porrada. Depois veio a crise mundial, o colapso dos mercados financeiros, a queda a pique do dólar estavamos nós já a meio da segunda estação. Foi o fim da macacada, obviamente. Lá foram à vidinha deles, receberam as mercadorias e nunca mais ninguém os viu, não sem antes terem tentado anular encomendas por causa da crise mundial. A puta da crise mundial foi desculpa para alguns procedimentos nada éticos da parte deles, mas conseguimos travar a maioria. E apetece-me fugir porquê? Porque este queridíssimo cliente voltou. O dólar arrebita cachimbo e lá vêm eles outra vez. Estão à rasca, além disso. Precisam de um determinado tipo de mercadoria que não conseguem nem fazer bem, nem rápidamente, e de quem se lembram eles? Pois. Dos portugueses, que até têm escritórios de sourcing na Ásia e têm gajas portuguesas a supervisionar e a servir de único contacto o que dá um bocadinho de jeito, convenhamos. De maneiras que, dada a sofreguidão com que eles querem trabalhar connosco, não me admira nada que o boss, apesar de já ter avisado toda a gente que o ritmo desta vez terá de ser completamente diferente, e que as maratonas de trabalho pela noite dentro estão fora de questão, quando começar a ver os números nas encomendas embarque outra vez na paranóia. Só tenho de dizer uma coisinha, este projecto valeu-me a mim e à minha colega uma viagem à Tailândia, com direito a uma semana de trabalho exaustivo nos nossos escritórios de Bangkok, a sede do sourcing na Ásia, e o fim-de-semana em casa da sócia do boss em Puhket, pronto, um sonho. Só me apetece fugir, se a coisa começar a ficar insuportável, vou ver as fotos daquele fim de semana. Fica já aqui uma, só para me acalmar um bocadinho.
Ok, outra que ainda estou um bocado alterada.
E a última, só para ficar bem disposta
Ah, estou muito melhor!
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vivo para trabalhar ou trabalho para viver?
17.6.10
Inveja
Invejo-te porque quando te aproximas de mim o teu coração bate mais forte, porque o teu corpo treme, porque te arrepias. Sinto-o. Porque ficas ofegante e perdido, porque te rendes, porque involuntariamente reages a mim. Sei-o. Invejo-te porque gostava de ser como tu. Tudo isso que tu és, eu não sou.
16.6.10
Isto vai ser lindo
Passei o dia a comer, seguindo religiosamente as instruções do senhor doutor e foda-se, estou com mais fome do que ontem que só fiz as refeições principais. Ele foi pão ao pequeno-almoço, ele foi iogurte e mais pão a meio da manhã, ele foi batatas com fartura ao almoço, ele foi fruta e mais pão ao lanche e estou com uma puta duma fome do caralho. Mau, brincamos ou quê?
Medo
Estou cagadinha de medo. Fui hoje a um senhor doutor que supostamente me vai ajudar a emagrecer. 5 quilos, disse ele, e fico óptima. Eu tenho de ter pressão, tenho de ter as putas das regras bem definidas porque senão abandalho a dieta toda e era o emagrecias, era... Pois bem, já que o outro senhor doutor me liberou completamente só de olhar para mim, que está tudo bem e a perna não impede rigorosamente nada, cá vamos nós tentar perder a banha acumulada desde a puta da trombose que me obrigou a ficar de molho. E ouvi o que nunca pensei vir a ouvir na minha vida. Tenho, TENHO, de comer pão e arroz, ou masssa, ou batata, TODOS OS DIAS, ao almoço E ao jantar. Com a carne ou peixe e com os legumes. E tenho, TENHO, de fazer cinco, CINCO, refeições por dia. Estou fodidinha. Daqui a 1 mês volto lá, quer dizer, não sei se volto, porque o mais certo é não passar na porta. Tenho para mim que este senhor doutor vai levar nas trombas desta vossa amiga que me cheira que a comer desta forma vai triplicar o peso. Não passando na porta, espero por ele cá fora.
15.6.10
Tempo
Esqueci-me. Ou melhor, não me lembrei. Só me lembrei hoje que já passou um ano. Lembrei-me porque no percurso desde as escolas do mais velho e do mais novo que são pertinho uma da outra, e o escritório, estava a pensar que o ano lectivo está quase a acabar e que realmente o tempo passa depressa, cada vez mais. Acaba o primeiro ano e acaba o quinto, é o final do primeiro ano desta nova fase da vida deles. E no início do ano lectivo todos pensamos que pois, este ano é o ano da mudança, que para eles provavelmente será um ano complicado e por aí fora, e que foi o ano do divórcio e aí sim, lembrei-me que já fez um ano que o pai saiu de casa. Pois, lembrei-me disso sem sequer ser por isso, só me lembrei porque pensei nos miúdos e na escola e no ano lectivo. Lembrei-me por arrasto, por associação, porque de resto, está tudo tão no lugar certo que parece que foi sempre assim, que nunca foi de outra maneira, e o que está certo fica assim quieto e parado, dissolvido na vida sem direito a recordações, nem boas nem más, assim, esquecido.
14.6.10
Inevitável
Eu, pelo menos, não o consigo evitar. Há aquele momento que chega sorrateiro, aqueles segundos em que penso que estou exactamente onde quero estar e com quem quero estar. São segundos apenas, em que avalio o contexto e peso o que sinto. Mas também é verdade que imagino aquele lugar e como seria estar na companhia não de um grupo de amigos muito chegados, mas na companhia de uma pessoa. Uma pessoa que não existe. Acho que seria bom. Mas seria assim tão bom? Seriam as gargalhadas tão fáceis? Seriam os dias e as noites tão divertidos? Seria o silêncio tão confortável? Seriam as vontades tão respeitadas? Não, acho que não. Estas coisas são boas quando se está com alguém com quem se tem intimidade. E isso eu tenho com os meus amigos. São eles que apreciam as mesmas merdas que eu, são eles que, como eu, esquecem o relógio à chegada, são eles que me fazem rir até doer a barriga, são eles que me deixam dormir quando me apetece, são eles que ficam a dormir e eu vou passear sozinha, são eles que me levam àquele estado em que absolutamente nada me preocupa e me esqueço do mundo. São eles. Um qualquer gajo que eu levasse comigo para umas mini-férias serviria para acalmar os desejos que o calor e o Sol me acordam nas entranhas mas, e o resto? Não, está bem assim, obrigada.
13.6.10
Tudo muito.
Muito Sol, muita música, muita noite, muito fumo, muita gente, muita gargalhada, muita festa, muita comida, muita bebida, muito sono em atraso, muito cansaço. Curiosamente, espírito muito leve.
8.6.10
É que gosto
O nosso primeiro encontro foi algo tumultuoso, tive de me enervar para que ele fizesse o que eu queria. Mas perdoei-lhe pois ele rapidamente ajustou a atitude e tudo acabou em bem. Hoje foi uma doçura, todo mel. Mal me viu desfez-se em sorrisos e delicadezas, desculpando-se pelo atraso. Ouviu-me com muita calma e falou-me mansinho. Combinamos novo encontro para daqui a tanto tempo quanto decorreu entre o primeiro e o segundo: "só para me contar como está" disse ele, com meiguice.
Se me tivesse mandado fazer o filha da puta do eco-doppler é que ele tinha sido fino, o tótó. Isso queria eu, saber se os coágulos ainda lá estão ou não, foda-se! Perguntou-me se a perna está inchada e foi o necessário para chegar ao brilhante diagnóstico que está tudo bem comigo, tudo maravilha, já nem de anticoagulante preciso, só da meia elástica, isso sim, para passar o Verão a parecer que em vez de perna direita tenho uma prótese, nada chato, e para nem falar no filha da puta do calor que aquela merda faz. Só de olhar para mim viu logo que está tudo bem, são competentes os médicos hoje em dia, já devem vir equipados com visão raio X de origem, ou o caralho. Passaram quase 6 meses desde o episódio da trombose, e quer ver-me daqui a outros 6. Pergunto-me, para quê? Ah, só para lhe contar como estou. De facto não tenho mesmo mais nada para fazer do que ir de 6 em 6 meses à Consulta Externa de Cirurgia Vascular do Hospital, só para contar ao médico como estou. É. Até porque se o gajo tivesse engraçado comigo e me quisesse comer, de certezinha que não esperaria tanto tempo. Digo eu.
Se me tivesse mandado fazer o filha da puta do eco-doppler é que ele tinha sido fino, o tótó. Isso queria eu, saber se os coágulos ainda lá estão ou não, foda-se! Perguntou-me se a perna está inchada e foi o necessário para chegar ao brilhante diagnóstico que está tudo bem comigo, tudo maravilha, já nem de anticoagulante preciso, só da meia elástica, isso sim, para passar o Verão a parecer que em vez de perna direita tenho uma prótese, nada chato, e para nem falar no filha da puta do calor que aquela merda faz. Só de olhar para mim viu logo que está tudo bem, são competentes os médicos hoje em dia, já devem vir equipados com visão raio X de origem, ou o caralho. Passaram quase 6 meses desde o episódio da trombose, e quer ver-me daqui a outros 6. Pergunto-me, para quê? Ah, só para lhe contar como estou. De facto não tenho mesmo mais nada para fazer do que ir de 6 em 6 meses à Consulta Externa de Cirurgia Vascular do Hospital, só para contar ao médico como estou. É. Até porque se o gajo tivesse engraçado comigo e me quisesse comer, de certezinha que não esperaria tanto tempo. Digo eu.
Respostas
"Afinal, uma pessoa sempre responde com a sua vida inteira às perguntas mais importantes. Não importa o que diz entretanto, com que palavras e argumentos se defende. No fim, no fim de tudo, com os factos da sua vida responde às perguntas que o mundo lhe dirigiu com tanta insistência. Essas perguntas são as seguintes: Quem és tu?... Que querias realmente?... A que foste fiel ou infiel?... A quê ou a quem mostraste ser corajoso ou cobarde?... São essas as perguntas. E uma pessoa responde como pode, duma maneira sincera ou mentindo; mas isso não tem grande importância. O importante é que no fim, uma pessoa responde com toda a sua vida."
Sandor Maraí - As velas ardem até ao fim
Sandor Maraí - As velas ardem até ao fim
7.6.10
Livro amarelo
Da última vez que fui fazer o controlo do sangue quase que houve chapada entre os idosos que lá estavam na fila para fazer a inscrição. Aquilo é simplesmente absurdo. Primeiro dois guichets e duas filas paralelas a uns dois metros depois da porta que para além de ser para as pessoas que vão às consultas externas também é para as pessoas que ficam à espera de familiares que dão entrada nas urgências. Portanto é um corridinho de pessoal a passar de muletas, de cadeira de rodas, malta com as criancinhas ao colo, tudo ali a furar as filas e os das filas a serem apertados uns contra os outros. Segundo, o povo põe-se na fila mas as inscrições para Imunohemoterapia (onde eu vou tirar sangue) só começam às 10:15h o que quer dizer que ficam as pessoas todas misturadas, as que vão ao sangue (que é assim que os idosos dizem) e as que não vão, e há sempre aquelas alminhas que não se apercebem e ficam à espera, atrás dos do sangue e podiam passar para a frente. E há também aqueles velhinhos que se sentam, e à hora de começarem as inscrições se aproximam e fazem de conta que estavam na fila e tentam fazer batota. Ora isto, dá sempre origem a confusões, desde que lá vou que é este circo. Os funcionários aguentam tudo, os velhinhos a reclamar uns com os outros, os não velhinhos a reclamar com os funcionários e devo dizê-lo, com muita paciência e categoria, coisa rara em serviços públicos. Pois bem, da ultima vez que lá estive pensei que aquela merda havia de ter um Livro de Reclamações e que estava na altura de o usar. Perguntei onde é que estava o tal livro e lá fui pronta para escrever. Basicamente sugeri que abrissem o terceiro guichet, que esteve sempre fechado desde que lá vou, só para a malta que vai ao sangue, que são mais de 100 pessoas na segunda leva (a minha) e deduzo que sejam outras tantas na primeira. Portanto, abrir o tal guichet só para as cerca de 250 pessoas que todas as manhãs vão ao sangue, acho que se justifica. E deixam-se os outros dois para o pessoal "sortido", além de que o terceiro guichet está afastado da porta abrindo assim mais espaço para os que por lá passam. Hoje achei aquilo estranhamente calmo. Pouca gente à porta, e pouco barulho principalmente. Ao avançar mais uns passos, verifiquei que o terceiro guichet estava aberto e a fila era só de malta para o sangue. Sorri.
6.6.10
Interruptor
Desde ontem que sinto uma energia estranha, uma vibração que não sei de onde vem. Como aquela tristeza que chegou de parte incerta e se instalou como se fosse a dona da casa. Uma pujança inexplicável que desde ontem me faz fazer coisas que há muito não fazia. Estou cheia de ganas. De tudo. O que é estranho. O que me faz pensar que da mesma forma que me toma a tristeza só porque sim, me toma agora uma força vinda do nada que me faz arrancar a todo o gás e me faz sentir bem. E esta merda, assim sem explicação é sinal de desiquilíbrio. Isto é andar ao sabor do vento sem qualquer controlo sobre nada. E a puta da minha vida não pode ser isto, como os interruptores, ora para cima ora para baixo, só porque sim. De modos que não sei o que é normal, se estar triste se estar porreira visto que nem uma coisa nem outra se baseiam em qualquer motivo válido, porque afinal todo o resto se mantém constante.
5.6.10
Fascínio
O que dizer? Que durante toda a minha adolescência era esta figura que me fazia sonhar? Era. Que nunca me disseram nada os bonitões da moda? Nunca. Que a série era sagrada? Era. Que anos depois, já adulta comprei a colecção toda em vídeo? Comprei. Que a inteligência sempre teve para mim uma forte carga erótica? Sempre.
O ter descoberto há uns anos que o actor era gay não mudou rigorosamente nada. Eu era apaixonada pelo Sherlock Holmes, que tanto quanto se sabe, também podia muito bem ser gay, eu na altura é que não tinha rasgo para tanto.
4.6.10
Simples
O P. tem uma característica que me agrada bastante. Deve-se talvez ao facto dele ser uma pessoa simples, no verdadeiro sentido da palavra. Ele tem a capacidade de me foder com todo o vigor e desdém como se de uma puta se tratasse, e de me beijar e acariciar como se me amasse. Extraordinário.
Pensamentos
"Ai que este gajo é tão bicha, parece impossível, a voz claramente forçada para obter um tom doce que é preciso ser muito inocente para não perceber a trafulhice, as pausas dramáticas no discurso que a mim só causam nervos, mas que toda a gente parece estar a gostar, ai que esta merda nunca mais acaba e eu ainda tenho de comprar o pão para o almoço em casa dos meus pais, ai que raio de gajo bicha foram desencantar para por aqui, e depois do almoço mando mensagem ao P. para saber se está livre, apetece-me estar com ele, e estas gajas vêm para aqui armadas em boas e não têm onde cair mortas que eu bem as conheço de outros carnavais, e francamente esta bicha é um escândalo e aposto que desfila lá em casa com as cenas que veste aqui, e podias despachar-te não que eu não tenho a tua vida, nunca mais cá venho podes crer, e será que os meus tios vão aparecer depois do almoço e despacho logo o assunto ou vou ter de passar em casa deles depois do jantar, ai porra! que este gajo é tão óbvio com esta vozinha de mel e só deve mesmo enganar as velhinhas, e na próxima semana o puto tem testes e vai ser uma canseira, e amanhã vou ter um dia de cão no trabalho, e daqui a nada ponho-me a andar que a malta vai começar a ligar-me porque não tem pão para o almoço e eu aqui não posso atender o telefone e ainda me entram todos em pânico, mas o que é que aconteceu à rapariga, e esta bicha é tão bicha, mas tão bicha que até mete impressão, e foda-se! ainda bem que já está a acabar."
Tudo coisas que me passaram pela cabeça durante a missa a que resolvi ir.
Tudo coisas que me passaram pela cabeça durante a missa a que resolvi ir.
3.6.10
Crivo II
É curiosa a forma como penso nos espécimens do sexo masculino que me aparecem pela frente. São palavras como moço, rapaz ou gajo que me vêm à mente. É bom moço; um rapaz em condições; é um cromo, o gajo. Nenhuma destas palavras é usada de forma negativa, mas parecem-me as mais correctas pois sinto-me sempre mais velha do que eles, mesmo podendo não o ser, ou então acho que ainda têm algum caminho a percorrer. Não me apareceu ainda nenhum homem. Aqueles em que penso como homens são o meu pai, alguns dos meus tios, o meu patrão e conheço poucos mais. Curioso isto, tem certamente a ver com o respeito que lhes tenho. Tão díficil de ganhar e tão fácil de perder.
2.6.10
Revelação
" Se alguém é forte o suficiente para reconhecer a verdade da sua própria natureza, disse o homem, está próximo da libertação. E suporta-a, sem mágoa, porque é uma verdade. E, na medida em que isso humanamente é possível, vive sem falsos desejos. "
Sandor Maraí - Revelação
Sandor Maraí - Revelação
1.6.10
Inútil
Poderia fazer exercícios mentais na tentativa de perceber determinados comportamentos. Poderia tecer hipóteses na tentativa de explicar determinadas atitudes. Poderia fazer juízos de valor, poderia especular sobre personalidade, sobre vivências, sobre hábitos, sobre maturidade, sobre montes de coisas. Não. Ao invés penso na minha reacção a tais acções e é esse comportamento e essa atitude que importa perceber e explicar sobretudo para não se repetir. O resto é perfeitamente inútil. Por isso, dou cordinha aos sapatos e afasto-me para ajustar a perspectiva. O que vejo não me agrada. Nada. Porém, não podendo mudar o comportamento dos outros, o que tenho a fazer é mudar o meu.
31.5.10
Crivo
Os outros não passam da percepção que temos deles, assim ainda que eventualmente referindo outros estaremos sempre a falar essencialmente de nós.
Não
Não. Não gostei da sensação. Definitivamente não sirvo para isto, é contra a minha natureza. Fico aqui. A vaidade e a hipocrisia são coisas muito feias. A primeira, que de vez em quando me turva passa logo a seguir a clareza que, como água lava e leva consigo a estúpida ideia de que quem possui a segunda possa alguma vez removê-la, essa nódoa que se esconde não conseguindo porém disfarçar o desconforto.
28.5.10
Sempre dá!
Ontem, duas colegas minhas andaram a matar a cabeça com um pedido de uma malha com um determinado tratamento/efeito, que os nossos fabricantes garantiram que era impossível de reproduzir a cem por cento, mas que se conseguiria fazer algo de parecido. Ora, algo de parecido não dá, tem de ser igual, e eu meti-me ao barulho, o que não é difícil pois estamos na mesma sala, e concordei com elas que aquilo é possível. Lembrei-me de falar com um amigo meu, que por acaso é fornecedor de vários dos nossos fabricantes porque se ele não soubesse aquilo ninguém sabia, ele é fornecedor de malha. Hoje de manhã telefonei-lhe, expus o caso e perguntei-lhe se era possível ou não. Ele confirmou que sim e explicou como se faz, coisa que nós tinhamos imaginado, mas obviamente sem conhecimento dos detalhes técnicos. Ah, sempre dá! Ontem toda a gente nos disse que não, afinal não somos assim tão burras, disse-lhe eu, a entrar com ele. Ao que ele respondeu, naaaa, vós burras não sois, sois é chatas cumó caralho!!! Barrigada de riso, claro.
27.5.10
Romance
Contexto: à chegada de uma visita de estudo ontem, do mais novo que, tem só 6 anos:
Ele: Oh mãe, a Mariana já gosta de mim outra vez!
Eu: Ai sim? Conta lá.
Ele: Ela gostava de mim, eu também gostava dela. Depois ela deixou de gostar de mim e eu, claro, deixei de gostar dela. Ela começou a gostar do Hugo.
Eu: Ah, percebi, e então?
Ele: Agora já gosta de mim outra vez, e gosta por amor!
Eu: (um nadinha baralhada) E começou a gostar outra vez agora, foi?
Ele: Foi, o Hugo não trata bem dela!
Eu: (já em estado de choque, o caramelo sacou a namorada ao colega ?!?) A sério? Estou admirada, pá! E conta lá como é que foi hoje? Foi fixe?
Ele: (entusiasmadíssimo) Foi, ela deu-me um beijo. Eu estava a ver o filme, sabes? No autocarro, e ela veio ao pé de mim, tirou-me o cinto (de segurança, que fique bem claro!) e deu-me um beijo!
Eu: (Oh balhamedeus!) E tu que fizeste?
Ele: Fiz-lhe cócegas!
Eu: Onde???
Ele: Na barriga.
Eu: E ela?
Ele: Ela riu-se.
Mais tarde, no carro ouvi de esguelha que o beijo tinha sido na boca, (loucura!!!) ele a contar ao irmão, que se ria como um perdido.
Fiz de conta que não ouvi, não me ocorreu fazer mais nada.
Ele: Oh mãe, a Mariana já gosta de mim outra vez!
Eu: Ai sim? Conta lá.
Ele: Ela gostava de mim, eu também gostava dela. Depois ela deixou de gostar de mim e eu, claro, deixei de gostar dela. Ela começou a gostar do Hugo.
Eu: Ah, percebi, e então?
Ele: Agora já gosta de mim outra vez, e gosta por amor!
Eu: (um nadinha baralhada) E começou a gostar outra vez agora, foi?
Ele: Foi, o Hugo não trata bem dela!
Eu: (já em estado de choque, o caramelo sacou a namorada ao colega ?!?) A sério? Estou admirada, pá! E conta lá como é que foi hoje? Foi fixe?
Ele: (entusiasmadíssimo) Foi, ela deu-me um beijo. Eu estava a ver o filme, sabes? No autocarro, e ela veio ao pé de mim, tirou-me o cinto (de segurança, que fique bem claro!) e deu-me um beijo!
Eu: (Oh balhamedeus!) E tu que fizeste?
Ele: Fiz-lhe cócegas!
Eu: Onde???
Ele: Na barriga.
Eu: E ela?
Ele: Ela riu-se.
Mais tarde, no carro ouvi de esguelha que o beijo tinha sido na boca, (loucura!!!) ele a contar ao irmão, que se ria como um perdido.
Fiz de conta que não ouvi, não me ocorreu fazer mais nada.
26.5.10
Receita
Pegue-se nisto;
E coloque-se disto;
Depois, junte-se disto;
E mais isto;
E ultime-se com isto.
Depois contem-me como foi.
25.5.10
Diz-lhe
Diz-lhe que não, que não espere nada e que nada tens para lhe dar. Não posso faltar-lhe assim ao respeito, não posso. Ele nunca me pediu nada, nem agora, ele nunca cobrou nada, apenas gosta de mim há vinte anos e durante vinte anos menos dois meses nada soube de mim. Mas aposto que te procurou porque soube que te divorciaste, aposto que pensa que tem agora a oportunidade dele. Talvez, mas isso não muda nada, nem o sentimento dele nem o meu. De que adianta magoa-lo? Não, não posso. Se durante estes anos todos o sentimento ficou sem saber do meu paradeiro, sem esperar nada em troca, não serão as minhas palavras que farão a diferença. A ausência é muito pior do que as palavras, a ignorância é muito pior do que as palavras, e ele aguentou tudo por uma ideia do que poderia ter sido. Ele é coerente. Ele é desonesto com toda a gente à volta dele mas manteve-se honesto com ele próprio, quase que o admiro por isso. Quase. Fez da própria mulher a segunda escolha, quase que o desprezo por isso. Quase. Desde que retomamos o contacto nunca foi indelicado, nunca fez um comentário impróprio, que direito tenho eu de o confrontar com um facto que o destroçará? Não tenho direito algum. O que ele sente é dele, não é meu e nunca será. Invadir esse espaço é faltar-lhe ao respeito. Não posso. Não digo.
Corda
O meu vizinho daqui do escritório chamou-me lá fora para me dizer que lhe fiz uma mossa na carripana velha que tem. Está lá uma marca de tinta escura é um facto. Mas não fui eu, tenho a certeza disso. Ele foi verificar todos os carros que costumam estar estacionados naquele sítio e encontrou no meu pára-choques uma marca que corresponde, acha ele, à mossa. Não fui eu, mas não vi justificação para um confronto. Disse-lhe que mandasse arranjar que pagava. Disse-lhe que não me apercebi. Disse-lhe que não iria discutir com ele. Calei-me. Amanhã deixo o meu carro mesmo ao pé do dele e chamo-o. Mostro-lhe que a mossa dele não bate certo com o arranhão no meu pára-choques, não estão à mesma altura. Hoje dei-lhe a corda toda, amanhã provo-lhe que está errado. Na vida, há situações em que não vale a pena o confronto, dê-se corda e espere-se pela oportunidade de provar que se tem razão. É menos desgastante e mais eficaz. É a isto que eu chamo mostrar o espelho, por exemplo.
Old friends, old bruises.
Quando os verbos começaram a ser utilizados no presente em vez de no pretérito perfeito percebi que provavelmente aquilo que me atingiu como uma pedrada na cabeça aqui há tempos, mas que secretamente desejei que fosse passado ainda que subsistindo a dúvida, afinal não é passado, é presente:
Ele: não é fácil...
(respeirei fundo, enchi-me de coragem)
Eu: mas o que estás a dizer? isso já passou, certo?
(pausa)
Ele: olha as horas, é tardíssimo, amanhã não nos levantamos.
(arrependi-me imediatamente)
Eu: tens razão, vamos dormir, amanhã nem de grua
(e despedimo-nos)
Foi o final da conversa, hoje sem eu querer, ele levou-a novamente para o assunto, aquele assunto, que não foi abordado desde então, desde que senti o soco no estômago com a revelação, a revelação. Outro soco hoje, este dói mais, foi em cima da ferida, onde já tinha magoado antes e que durante algum tempo achei que tinha sarado. Mas não, ainda me dói. Que lhe doa.
Ele: não é fácil...
(respeirei fundo, enchi-me de coragem)
Eu: mas o que estás a dizer? isso já passou, certo?
(pausa)
Ele: olha as horas, é tardíssimo, amanhã não nos levantamos.
(arrependi-me imediatamente)
Eu: tens razão, vamos dormir, amanhã nem de grua
(e despedimo-nos)
Foi o final da conversa, hoje sem eu querer, ele levou-a novamente para o assunto, aquele assunto, que não foi abordado desde então, desde que senti o soco no estômago com a revelação, a revelação. Outro soco hoje, este dói mais, foi em cima da ferida, onde já tinha magoado antes e que durante algum tempo achei que tinha sarado. Mas não, ainda me dói. Que lhe doa.
24.5.10
23.5.10
Voar
Sentir-te na pele faz-me voar, encheste-me de boa energia. Sinto-te no corpo, ainda, estás presente em todos os movimentos. Nada se compara aos momentos que passo contigo, dou-me, dás-te e eu absorvo tudo o que consigo. Fecho os olhos e sinto-te. E voo.
Dói-me tudo, qu'esta merda de passar um dia inteiro na praia debaixo de Sol deixa marcas.
Faz mal, eu sei.
Mas é tão bom.
Dói-me tudo, qu'esta merda de passar um dia inteiro na praia debaixo de Sol deixa marcas.
Faz mal, eu sei.
Mas é tão bom.
21.5.10
Under pressure
E se à noite, depois das crianças adormecerem e enquanto não vem o sono, eu aproveitasse o tempo para estudar? E se à noite, em vez de ver os documentários do National Geographic e do Discovery Channel eu aproveitasse o tempo para estudar? E se à noite, em vez de ficar a pastar no sofá eu fizesse alguma coisinha de útil por mim abaixo? Tenho de investigar, há-de haver alguma coisa que me interesse, que não exija a minha presença nas aulas, e que me retire da puta da pasmaceira onde estou enterrada até ao pescoço. Mas não pode ser tudo, tudo à minha maneira que perde o interesse. Tem de ter prazos definidos, eu funciono muito melhor sob pressão.
19.5.10
Low maintenance
Quando se trabalha num sítio onde praticamente só há mulheres é fácil cair na tentação das comparações. Há-as para todos os gostos, desde as mais sofisticadas às mais singelas. Todas estas mulheres, no seu conjunto, me fazem pensar em mim. Todas estas mulheres têm uma coisa em comum, que eu não possuo. Todas elas têm cuidado com a aparência, umas mais do que outras é certo, mas mesmo aquelas que não são muito sofisticadas revelam algum cuidado, seja a combinar as peças de roupa, seja com os acessórios, seja com as cores ou os modelitos da moda. Vê-se que investem nessas coisas, seja dinheiro seja tempo. Elas compram cosméticos à colega que vende por catálogo, elas compram a sandália ou o sapato logo que o tempo aquece, elas aparecem com um top ou um cinto, elas exibem os últimos brincos. E eu olho por mim abaixo e percebo que só compro as merdas de que efectivamente preciso, que não gosto de ir às compras sempre que há um tempinho, em vez disso compro as coisas que me fazem falta todas de uma vez e têm de combinar todas umas com as outras e com as que já tenho em casa que é para não ter de voltar às lojas nem ter de pensar muito naquilo que vou vestir. Que sou capaz de andar um mês com o mesmo par de botas, que sou capaz de andar semanas com o mesmo casaco, que só tenho peúgas e roupa interior preta, toda igual ainda por cima, que não tenho uma peça de roupa estampada, que as pulseiras que meto no pulso no Verão são as mesmas de há anos. Que nunca na puta da minha vida fiz uma limpeza de pele, que não tenho e nunca tive um creme de dia e outro de noite, que nunca fiz uma máscara no cabelo, que nunca usei um creme anti-celulite. Vou ao cabeleireiro, que por acaso é a minha mãe de longe a longe para pintar o cabelo em castanho escuro, a minha cor natural para cobrir os cabelos brancos, de resto trato eu dele quando tenho tempo, quando não tenho fica por conta própria e maquilho-me esporadicamente, quando estou mais triste e a fronha mete mesmo impressão ou quando há casamentos, e nem todos. Nunca fiz uma pedicure e manicure devo ter feito umas três vezes. No entanto sinto-me muito mais mulher do que provavelmente a grande maioria delas.
18.5.10
Tédio
Por mais que procure não encontro nada, nadinha que me apaixone. Zero. Penso, penso, penso e não aparece nada que me faça sorrir por fora e por dentro. Durante anos o trabalho apaixonou-me, agora já não. Não tenho nenhum hobbie para além de escrever em blogs, coisa que ainda me vai dando algum gozo. Não mantenho nenhuma actividade que realmente me dê prazer. Há coisas que gosto de fazer é certo, como ir ao cinema ou ao teatro e ir a concertos, mas não passam de coisas banais. Gosto de sair à noite, de dançar e conviver. Coisas banais. Poderia falar dos meus filhos, mas não se trata de paixão, é amor, não tem nada a ver. É um amor maior do que tudo, maior do que eu. Mas, este amor preenche apenas uma parte, a parte da mãe e uma pessoa não é só mãe, é também composta de outras características, e essas andam mal preenchidas. A mulher, vai-se entretendo e divertindo com os homens que também acabam por a aborrecer, e a outra parte, essa está vazia. Essa parte é a que constata que as pessoas em geral me aborrecem, o trabalho me aborrece, as notícias me aborrecem, basicamente o mundo me aborrece. E ando assim, triste. Olho o mundo sem interesse, sem pinga de entusiasmo. Preciso de um projecto, ah pois, é verdade, já tenho um, mas também não me apaixona. Devia, tratando-se da minha casa, da renovação da minha casa, com que sonhei durante anos e que finalmente se concretiza, devia entusiasmar-me, ao invés só de pensar na canseira que me vai dar, nas consumições que irei ter, fico exausta. Esta merda não é normal.
Quanto mais ando mais sinto que estou cheia desta merda
O que era extremamente estimulante não passa agora de, ok mais um. Os desenhos, as cores, as formas e as matérias-primas que dantes me faziam sonhar transformaram-se em meros detalhes a organizar e transmitir. O conceito que tanto me agradava dissipa-se entre todos os outros. As pessoas, antes simpáticas e divertidas, neste momento só me aborrecem.
17.5.10
Estou aqui
"Põe-te fino pá. Vamos ter de o segurar e prepara-te porque não vai ser fácil. Ele tem andado um bocado chato mas isto não tem nada a ver, percebeste?"
Disse isto hoje ao meu irmão, depois do almoço, a respeito do meu pai. Está de rastos o meu pai. Recebeu a visita do irmão, o único irmão com quem mantém contacto, tem outro com quem se zangou há anos e um outro que já morreu. Também tem irmãs, mas irmãos homens, resta-lhe este, e este meu tio está um caco, vimo-lo no ano passado e estava óptimo, entusiasmadíssimo com o casamento do filho, um surdo-mudo de 40 anos que encontrou uma surda-muda da mesma idade e se casou com ela em Julho do ano passado deixando assim os pais menos carregados. Mas ao meu tio foi-lhe diagnosticada uma esclerose (que não sei bem o nome, não fixei até porque me foi dito em francês, a minha tia é francesa) que lhe lhe vai atrofiar todos os músculos do corpo, e já é bastante notório o avanço da doença. E é isto, foi um grande choque para todos, mas principalmente para o meu pai, que só vê o irmão uma vez por ano, está emigrado em França vai para 45 anos. Um homem poderoso, este meu tio. Esteve na Guiné na guerra, depois emigrou para França. Embeiçou-se por uma francesa uma noite numa festa, e engatou-a. Descobriu que ela tinha uma filha deficiente, e mesmo assim casou com ela. Tiveram 4 filhos, e hoje têm 6 netos. Trabalhou toda a vida na construção civil, construiu a casa dele e de alguns dos filhos e nesta altura da vida, já só com a mulher, a vida bem organizada e confortável, na casa dos sessenta, ainda com tanto para fazer e aproveitar, desaba tudo e a vida tal como a conhece pulveriza-se num diagnóstico médico.
Só para dizer que de repente tudo se transforma, sem aviso prévio nem tolerância de ponto. E eu, perante isto sinto-me o mais mesquinho dos seres, cheia de merdas, ai estou triste e tal, quando nada disto tem a mínima importância perante esta situação. O meu tio, infelizmente não posso ajudar, está longe. Mas o meu pai vai precisar de mim, sei-o. Estou aqui.
Disse isto hoje ao meu irmão, depois do almoço, a respeito do meu pai. Está de rastos o meu pai. Recebeu a visita do irmão, o único irmão com quem mantém contacto, tem outro com quem se zangou há anos e um outro que já morreu. Também tem irmãs, mas irmãos homens, resta-lhe este, e este meu tio está um caco, vimo-lo no ano passado e estava óptimo, entusiasmadíssimo com o casamento do filho, um surdo-mudo de 40 anos que encontrou uma surda-muda da mesma idade e se casou com ela em Julho do ano passado deixando assim os pais menos carregados. Mas ao meu tio foi-lhe diagnosticada uma esclerose (que não sei bem o nome, não fixei até porque me foi dito em francês, a minha tia é francesa) que lhe lhe vai atrofiar todos os músculos do corpo, e já é bastante notório o avanço da doença. E é isto, foi um grande choque para todos, mas principalmente para o meu pai, que só vê o irmão uma vez por ano, está emigrado em França vai para 45 anos. Um homem poderoso, este meu tio. Esteve na Guiné na guerra, depois emigrou para França. Embeiçou-se por uma francesa uma noite numa festa, e engatou-a. Descobriu que ela tinha uma filha deficiente, e mesmo assim casou com ela. Tiveram 4 filhos, e hoje têm 6 netos. Trabalhou toda a vida na construção civil, construiu a casa dele e de alguns dos filhos e nesta altura da vida, já só com a mulher, a vida bem organizada e confortável, na casa dos sessenta, ainda com tanto para fazer e aproveitar, desaba tudo e a vida tal como a conhece pulveriza-se num diagnóstico médico.
Só para dizer que de repente tudo se transforma, sem aviso prévio nem tolerância de ponto. E eu, perante isto sinto-me o mais mesquinho dos seres, cheia de merdas, ai estou triste e tal, quando nada disto tem a mínima importância perante esta situação. O meu tio, infelizmente não posso ajudar, está longe. Mas o meu pai vai precisar de mim, sei-o. Estou aqui.
15.5.10
Memórias
Vi a minha primeira professora de piano. Está velhinha, de cabelo todo branco e bengala. Enquanto eu fumava o meu cigarro na esplanada, lascivamente aproveitando os raios de Sol, avistei-a do outro lado da estrada. Os mesmos lábios vermelhos e as mesmas sobrancelhas de risco preto que aos sete anos me fascinavam e agora me enternecem, e o mesmo corte de cabelo só que agora branco. Aquela mulher nunca teve uma aula de música na vida, mas ensinava miúdos e miúdas a tocar piano e acordeon. Uma auto-didacta, que se casou com um homem viúvo com vários filhos já adultos. As aulas eram dadas em casa dela, numa salinha contígua ao hall e muito raramente era permitida uma visita à cozinha para um copo de água. Foram uns anos de D. Quininha, depois passei para uma escola de música à séria e só mandei aquilo tudo à fava aos 14 anos. Era portanto uma menina muito prendada, tocava piano e falava inglês, devia ser francês mas serve. Ficou o piano, que está em casa dos meus pais, ninguém lhe toca nem o toca há muitos anos. Ficou a memória da menina prendada, bem comportada, a melhor aluna da turma, que atravessou a adolescência relativamente calma, e que só começou a dar dores de cabeça aos pais quando aos 15 anos resolveu que queria ser piloto da Força Aérea, foi até Lisboa sozinha para fazer testes na Base do Lumiar e só desistiu da ideia quando se apaixonou pelo homem que viria a ser o marido e o pai dos filhos. Pensava-se que tinha encarreirado, respirou-se fundo, mas não, está-lhe no sangue, divorciou-se ao fim de 12 anos de casamento, com duas crianças pequenas e está sozinha. Tudo de pernas para o ar outra vez.
14.5.10
Feitos
E quando esta manhã recebi a confirmação da reserva fiquei toda contente. Mesmo contente. Fiquei satisfeita comigo, consegui fazer aquilo que na minha cabeça iria ser de certeza uma tarefa monstra. So full of myself. E agora, consegui que não falhasse uma única cor de nenhum dos modelos, e são muitos, que saem hoje em duas malas cheínhas para Paris, destinados à sessão fotográfica da colecção de Verão 2011 do meu maior cliente. Estou satisfeita. Full of myself. E há cerca de duas semanas finalmente entreguei os papeis todos à minha amiga solicitadora para que ela trate das merdas todas relativas aos meus impostos e à compra da minha casa. Satisfeita, full of myself. Tudo muito bem, e isto tudo que escrevi é absolutamente verdadeiro. Tão verdadeiro como a tristeza que ainda cá dentro, estúpida, reina so full of herself.
13.5.10
Férias
A planificação das férias de Verão foi durante anos motivo de angústia para mim. As do ano passado foram as possíveis e por isso mesmo, foi muito simples. Além disso foram muito boas. Este ano o assunto já me estava às voltas na cabeça sem conseguir chegar a conclusão alguma. Primeiro é sempre necessário conciliar as minhas férias com mais seis pessoas, visto que trabalhamos todas na mesma sala e o escritório não fecha portanto têm de ser planeadas de maneira a que fique sempre alguém a segurar as pontas. Depois porque os miúdos vão estar com o pai de 1 a 15 de Agosto, o pai deles, pessoa organizadíssima, já tem as férias marcadas há meses, mas o facto da empresa onde trabalha fechar completamente naquele período determinado logo no início do ano clarifica imediatemente quando os funcionários podem marcar férias. Bom, hoje lá no trabalho ficaram decididas as nossas férias e vou estar uma semana de férias com os meus filhos. Só, pois. Custa-me é um facto. O pai vai estar duas semanas com eles e eu vou estar apenas uma e as outras duas vou estar sozinha. Então falei com eles, expliquei-lhes e perguntei-lhes o que lhes apetecia fazer nessa semana. Começaram por perguntar o que vão fazer o resto do tempo. Vão ficar na avó durante o dia, quando começarem as vossas férias grandes a mãe ainda vai estar trabalhar, depois a mãe fica de férias e vamos estar uma semana juntos, e a seguir vocês vão duas semanas para o Algarve com o pai, expliquei eu. Dilema: vamos para um sítio qualquer de avião, diz o mais velho; se for para andar de avião prefiro ficar em casa da avó, vão vocês, diz o mais novo. Ok, isto não vai ser fácil, penso eu. E se fossemos passar uma semana a qualquer sítio fixe, na praia, não muito longe para podermos ir de carro? Lancei o repto. Mas mãe, já vamos com o pai para a praia, porque não vamos para outro sítio sem ser praia? Boa questão, vamos lá escolher uma cidade porreira para visitarmos e vamos os três conhecer aquilo tudo? Ena mãe, grande ideia! Enquanto ligavamos o computador lembrei-me da Corunha, não é longe, tem mar e há montes de coisas para ver. Mas enquanto procuravamos hoteis lembrei-me de outra coisa. Mostrei-lhes na internet um hotel que descobri numa revista, a uma hora daqui, no meio do monte, ao pé de um rio, que tem programas de desportos radicais como escalada, btt, parapente e por aí fora, e ainda por cima dentro do orçamento previsto. Maravilha! Ficaram deliciados com o hotel, com a serra, com o rio, com a piscina, com o parque infantil, e gritaram: É este, mãe, é mesmo este! E, tinha lá uma foto de um helicóptero paradinho à frente do hotel (francamente nunca tinha visto aquela fotografia) Uau!!! Oh mãe, será que dá para dar uma volta de helicóptero? Sei lá, mas se realmente houver um programa que seja dar uma volta de helicóptero e não for muito caro, vamos andar de helicóptero! Já está, já mandei o e-mail com a reserva. Nunca decidi umas férias assim. Tão fácil, tão rápido e com tanta excitação.
Agora só me falta saber o que vou fazer nas outras duas semanas, sem filhos, sem pais que vão de férias precisamente nessa altura, e sem amigos que vão estar ainda todos a trabalhar, mas essa parte não há-de ser difícil.
Agora só me falta saber o que vou fazer nas outras duas semanas, sem filhos, sem pais que vão de férias precisamente nessa altura, e sem amigos que vão estar ainda todos a trabalhar, mas essa parte não há-de ser difícil.
Estanque
Mudei de ideias e concordei em sair novamente com o gajo do flirt. Mudei de ideias e pensei mesmo em conduzir a coisa até ao sexo. Fui. Curiosamente não senti o que achava que iria sentir quando estivesse perto dele, curiosamente fiquei-lhe imune. Frente a frente, olhos nos olhos e nada. Um gajo que antes me acendia nem uma faisquinha só provocou. Cagando na atitude, cagando na conversa e no histórico, olhando só o macho, ali à minha frente, e nada. Não aconteceu nada, um beijo sequer. Porque eu não quis evidentemente, ele nem ousou, pormenor que eu já sabia, e assim é que tinha de ser. Portanto confirma-se que, não estando eu com a puta da cabeça no sítio certo, não há gajo que me desencaminhe. O que é bom. Constata-se também que quando estou porreiraça, quem desencaminha sou eu, o que também não é mau. Mas o mais importante desta merda toda, e analisado "à posteriori" é que não é pelo facto de estar triste ou menos animada que acabarei na cama com quem não quero, com os sentidos toldados pela procura de qualquer coisa disfarçada de conforto ou consolo, para a seguir me arrepender. Continuando o exercício, verifico que esta alminha é estanque a factores exteriores relacionados com o gajedo. Não são os gajos que me animam ou desanimam. Ou estou bem ou não estou. O gajos entram ou não entram, a chave tenho-a eu.
12.5.10
Tinta
Quando estou assim, triste, olho-me ao espelho e acho que aquele rosto precisa de alguma coisa. Então maquilho-me. Acho sempre que a sombra e o blush trazem um pouco de brilho. Inútil tentativa de tapar o Sol com a peneira, serve apenas para fazer batota. Eu gosto daquele rosto, só não gosto da tristeza, que atenuo ligeiramente de manhã com as pinturas mas que regressa em força à noite, quando já de cara lavada me olho ao espelho e penso outra vez que aquele rosto precisa de alguma coisa.
11.5.10
Pé ante pé
A pior tristeza é aquela que não se sabe de onde vem. Aquela que chega de mansinho, que nos invade só um bocadinho a cada dia, que se sente vir mas quase que passa despercebida. Aquela que não faz sentido, que não se entende e que por isso se transforma numa bola de neve que galgando as entranhas toma posse de tudo. Aquela que se disfarça de fraca para de um momento para o outro explodir dentro de nós e dominar todos os gestos, todos os pensamentos e pintá-los de angústia. Aquela que da mesma forma que não se sabe como nem de onde veio, não se sabe se partirá.
10.5.10
Ninho
Ontem à noite fui ao cinema, um filme de caca, daqueles só para entreter. Só para atenuar as saudades. Ao final da tarde achei que já era demais e decidi, levantei-me tomei um duche e saí. Já não aguentava o silêncio da casa, já não podia com o meu mundo sem eles. Hoje só me apetece o meu ninho com as minhas crias, uma debaixo de cada asa, no quentinho que está frio e são eles que me aquecem. Estão a acabar o jogo, a seguir... ninho.
9.5.10
Causa-efeito
Não sei me obrigo a ser racional porque me sei intensa ou se me permito ser intensa porque me sei racional. Hei-de descobrir.
7.5.10
Wtf ?!?
Desconfio sempre de gajas que usam malas ou acessórios daquela gata insuportável, a Kitty, ou daquele urso patético, merda que me esqueci do nome, foda-se, como é mesmo que se chama a puta da marca... ai o caralho... ah, Tous, é isso. Mas essas merdas não são para as miúdas pequenitas da escola primária? Já agora porque não cenas da Barbie? A mania de não querer envelhecer está a dar-lhes cabo dos neurónios, só pode. Se mulheres adultas de 30 e tal anos andam com merdas de miúdas de 10, quando estiverem na casa dos 50, 60 vá, vão achar-se com 30 e tal, máximo 40. Mas porque é que estas mulheres usam coisas de criança? E se aos gajos lhes dá para usarem camisolas e calções do Ruca? Ou relógios de outra merda qualquer para putos? Acham bem? Acham giro e fofinho? Eu não, de todo. E também desconfio que um gajo em condições não sinta pica nenhuma por uma tipa com um acessório acriançado.
Mau...
Vamos lá ver se nos entendemos. Da última vez que me fizeste isto fiquei muito chateada mas perdoei-te. Agora, desculpa lá mas estás a tornar-te um bocado repetitivo. Quer dizer, iludes-me, enrolas-me e fico eu a pensar que vou passar um fim de semana em grande, que me vou descascar e sentir o teu calor na pele, que me vais percorrer o corpo com o teu toque suave, fico a imaginar coisas boas contigo e tu fintas-me outra vez? Mas que é isto? Andamos a brincar? Já devias ter percebido que nestas merdas aqui a gaja não gosta nada que lhe acenem com promessas que depois não dão em nada. Nem devias sequer dar o ar da tua graça percebeste? Deixavas-te estar quietinho lá pelo teu canto e eu ficava sossegadinha, sem expectativas nem fantasias. Prefiro que nem sequer te mostres ouviste? Por isso, Sol do meu coração, ou te decides e de facto apareces com todo o teu esplendor e me proporcionas uns bons momentos desnudos na praia ou está tudo acabado entre nós. Porra pá!
6.5.10
Zero
Esta é uma daquelas noites em que, sozinha em casa depois de um dia de trabalho no lombo daqueles que deixam o corpo moído e a cabeça vazia, o cansaço é demasiado e a paciência nula para esperar que a banheira encha. A alternativa seria uma boa massagem e umas cócegas na cabeça até adormecer, mas isso implicaria ter de levar com um moço, que se ajeita muito bem e até é meiguinho, mas como já disse não há paciência, nem energia para o que provavelmente a massagem iria despoletar. Na ausência disto tudo, vou meter-me na cama, fechar os molhos e tentar ficar imóvel na esperança de adormecer rapidamente. Há noites assim, e depois? Só vim aqui escrever esta merda porque foi a única coisinha que me apeteceu fazer.
(Foda-se que ainda tenho de me despir, tomar um duche, lavar os dentes e vestir o pijama, puta de trabalheira...)
(Foda-se que ainda tenho de me despir, tomar um duche, lavar os dentes e vestir o pijama, puta de trabalheira...)
5.5.10
Filhos da puta
Amanhã, não, amanhã não, hoje, às 9:00h da manhã começa mais uma sessão de... de... daquilo... em que me sinto muito mal na minha pele, em que os minutos custam a passar, em que faço das tripas coração para ser simpática e agradável. Tudo o que detesto. Já tive cliente que recebia com todo o gosto, mesmo trabalhando que nem uma burra às vezes 14 horas por dia, que uma semana passava a correr, que os levava a jantar e a passear pela cidade, e que, com o tempo ficaram meus amigos. Estes, os que chegam amanhã, não os conheço. Não conheço as pessoas, as pessoas são pessoas independentemente da profissão. Mas conheço este cliente, esta empresa e este projecto, e estas três criaturas fazem parte da equipa que me obriga a seguir burocracias estúpidas. É que tenho de o fazer não lhe encontrando qualquer lógica, o que me fode completamente a cabeça. Posso ter de fazer merdas de que não gosto ou com as quais não concordo, mas se lhes vir um sentido e alguma coerência, que se foda, faço. Mas, tendo de alinhar neste esquema não alcançando a lógica da coisa, puta que pariu, é muito ruim. Há gente, que só para mostrar serviço às chefias, sem qualquer utilidade prática, não hesita em foder a vidinha aos outros. Filhos da puta.
1.5.10
Dentro de mim
Pela primeira vez hoje, ainda agorinha, passado quase um ano, ouvi as palavras "mãe, mas eu queria ficar contigo..." Os últimos 3 fins-de-semana ficaram comigo por motivos de força maior incluindo deveres profissionais do pai, e hoje o pequeno não tem muita vontade de ir, pela primeira vez. Dói-me o coração. Tenho a certeza que têm saudades do pai, que vão divertir-se imenso e que vão gostar. Mas aquelas palavras quebraram-me e sei que este fim-de-semana, para mim, vai ser diferente dos outros todos que passei sem eles.
30.4.10
Estourada
Estou estourada porque acabo de estourar mais de 300 euros em roupa, e nenhuma peça é para mim. Duas toilletes para um par de gémeas que fazem 13 anos na proxima segunda-feira, uma delas é minha afilhada e a outra não, mas isso nada significa porque levam as duas presentes por igual em todas as alturas do ano, aniversário, Pascoa e Natal. O resto é tudo para o rapaz maior que está grande que eu sei lá e servem-lhe 3 ou 4 t-shirts do ano passado. Pois... ele foi t-shirts, ele foi calças, ele foi bermudas, ele foi cintos, ele foi sapatilhas, ele foi camisas, e parte disto já na secção de homem porque algumas calças e bermudas do tamanho 13/14 da Zara Kids já não lhe servem, e dali fomos como fusos à parte Zara Man. Mas pronto, tenho esta mania de comprar tudo de uma vez só e de preferência tudo na mesma loja, e assim só lá volto em Setembro, para nova carga de roupa de Inverno. Mentira, vou ter de lá voltar para comprar qualquer coisinha para o pequeno, coitado que também merece umas pecitas de roupa nova, senão tem sempre roupa usada, a que deixa de servir ao irmão. Era bom era, desfazer-me de roupa em bom estado e depois ter de comprar tudo outra vez. Não faltava mais nada, guardo tudo. Mas só porque o mais velho é o mais velho e o mais novo é o mais novo, é que se fosse ao contrário estava lixada, a roupa que deixa de servir ao mais novo vai quase toda para o lixo porque o gajo dá cabo de tudo, desde nódoas perpétuas a buracos de todos os tamanhos e feitios, tanto em roupa como em calçado, uma miséria. Claro que isto de guardar roupa durante 4 anos dá um bocado de trabalho e exige alguma organização. Além do filme que é todas as estações ir dar a volta aos baús e gavetas para ver o que já lhe serve e o que ainda fica. E depois sim, incursão pela loja para lhe comprar qualquer coisa de novo, não era justo não é?
(Nota-se assim muito que não gosto de ir às compras?)
(Nota-se assim muito que não gosto de ir às compras?)
29.4.10
Brincadeira
Estavam os dois já prontos para virmos para casa, e foram dar a última volta de bicla, nas traseiras da casa dos meus pais enquanto aqui a mãe recolhia mochilas, casacos, livros e sacos vários, eis senão quando aparecem os dois caramelos molhadinhos que nem uns pitos. Tiveram a brilhante ideia de abrir a torneira da mangueira e deram banho um ao outro. Muito giros, sim senhor. Resultado da brincadeira: Bicicletas para mala do carro e à chegada a casa directinhas para o armário da garagem. Fechadas por tempo indeterminado. Eeeeeeei mãe, oooooooooooooh, quando nos dás as bicicletas? Não sei, depende do comportamento de vossas excelências.
Exclusividade
Acabo de receber um telefonema muito simpático de uma menina que amavelmente me informou que tenho de preencher uns filhas da puta duns mapas excel, com informação que deverá ser actualizada todas as semanas, que é extremamente importante, que ela tem de apresentar à direcção, bla bla bla... E a procissão ainda vai no adro, que é como quem diz, a colecção nem foi entregue sequer. É muito giro falar mas além de policiar os fornecedores, traduzir tudo e mais alguma coisa que estes camelos não entenderam ainda que para exportarem mercadorias convinha que pelo menos um dos funcionários dominasse a língua inglesa, massacrar-lhes a cabecinha diariamente a reclamar amostras e informações variadas, responder às centenas de e-mails cheios de paneleirices recebidos das moçoilas francesas de diferentes equipas, alterar mapas que há cores anuladas ou adicionadas e quantidades revistas tipo cada dois dias, adicionar instruções que chegam todos os dias a conta-gotas, ainda vou ter agora, de pegar noutros mapas já preenchidos e enviados anteriormente, actualiza-los todas as semanas e envia-los à menina simpática que me telefonou. É giro, é sim senhor. E é simples, quando chegarem as encomendas e eu tiver de acompanhar as produções, esta merda de certeza que vai piorar consideravelmente, e nessa altura, todos os outros clientes paneleiros que ainda tenho terão de ir à vidinha deles e ir parar às mãos de outra gaja qualquer. Eu trato desta merda toda, trato, na boa, mas se é para ser assim, se é para exigir este nível de comprimisso, terá de ser em regime de exclusividade. Caso contrário, ou trato disto a cagar e depois dá merda, ou então deixo de ter vida extra-trabalho, trago para cá um saco-cama, escova de dentes e hiberno cá no escritório, o que é completamente contra-natura, está a chegar o Verão caralho, tempo de esplanadas, praia e protector solar, hibernar é no Inverno foda-se!
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vivo para trabalhar ou trabalho para viver?
Surpresa
Equipada, de toalha e garrafa de água e com a juba presa num elástico lá vou eu, lentamente que a ideia de ter de ir dar o corpo ao manifesto não continua a não me agradar nada, mas dizia eu, calmamente dirijo-me ao ginásio. Sim, hoje outra vez, entro na sala dos horrores e quem vejo eu, ali a pedalar na bicicleta? Quem? Pois... alguém que provoca em "moi" sentimentos muito contraditórios. Se por um lado a paranóia do proibido já não faz grande sentido dado que essa estrada já foi galgada sem direito a multa nem nada, por outro continuo a achar que não devo correr o risco de alimentar uma situação que não irá dar a lado nenhum. Acontece que há ainda um outro lado, que digamos... é assim... não sei... um lado que me provoca uma certa efervescência perante a visão de uma figura que assim de repente, para a descrever, só me sai "filet mignon". É o que vos digo, "filet mignon"... ai...
28.4.10
Tens a mania que és fina...
Há dias em que acordo e acho que posso contrariar a Natureza. Então eis que hoje chego ao escritório empoleirada numas sandálias de salto alto e com um cinto largo envolvendo as ancas, e estes prantos dão imediatamente direito a exclamações por parte das minhas colegas, ai que tu hoje estás uma verdadeira "femme de négoces", é, nós misturamos português e francês frequentemente. Obviamente que lá pelo fim da manhã caio na real e arrependo-me amargamente de ter calçado as sandálias e ter posto o puto do cinto, porque os saltos altos impedem-me de andar à velocidade a que estou habituada, o que me irrita solenemente, e o cinto desloca-se de cada vez que me sento ou me levanto e chateia-me andar constantemente a pôr o cinto no sítio. Aqui, repito o padrão e à hora do almoço vou a casa, atiro as putas das sandálias com quanta força tenho para o fundo do armário e largo o cinto onde calha, abraço a minha condição de "femme" que não é de "négoces" e enfio-me nas allstar. Agora sim, o mundo regressou à normalidade.
27.4.10
Inspira, expira
Pela primeira vez na minha vida, saí ontem do ginásio com o ar de quem tinha de facto passado uma hora num ginásio. A t-shirt completamente molhada e as calças coladinhas às pernas. As trombas vermelhas e ligeiramente inchadas e a respiração ofegante. É verdade que os 10 minutos de bicicleta foram pedalados a velocidade superior à habitual, é certo que fiz 15 minutos de tapete com aquilo regulado no limite dos limites da velocidade a que se começa a correr, mas eu andei, recuso-me a correr que não quero entrar em despesas e com o meu pé pesado e estes kilos todos a martelar na passadeira ainda parto aquela merda toda, sim, não sou propriamente uma rapariga magra, tenho carne agarrada aos ossinhos, e também confirmo que as máquinas que utilizo normalmente para exercitar os músculos das costas carregavam 15kgs em vez dos 10kgs do costume. Portanto, desta vez acho que queimei meia dúzia de calorias. E admito que o ter estado, pelo meio dos meus exercícios, a contemplar a equipa de pólo aquático alegremente fazendo os exercícios de aquecimento, ali ao pé da piscina, pode ter ajudado a gerar uma quantidade considerável de suor neste corpinho.
26.4.10
Insiste
Sms recebido esta manhã:
"Beijo de bom dia para uma linda menina!"
Ora bem, o remetente é o gajo do meu flirt. E quando penso nele só me ocorrem duas coisas:
1ª - Passou o dia, passou a romaria
2ª - Quem foi ao mar, perdeu o lugar
É isto, continua a insistir, depois de me ter tido ali, decidida a saltar-lhe para a espinha, os sinais todos lá, e ele a engonhar. Como tempo é coisinha que não me sobra, fui à minha vida que tenho mais que fazer. Além disso, estes "linda menina" não me caem lá muito bem, deve achar que está a lidar com uma adolescente a quem precisa de cantar o fadinho para ela lhe aceitar o namoro. E daqui retiro que o indivíduo muito provavelmente está à procura de namorada. Credo! Se lhe dou corda, está aqui está a convidar-me para o acompanhar a um baptizado para me apresentar à família. Então penso de mim para mim: faz-te de morta...
"Beijo de bom dia para uma linda menina!"
Ora bem, o remetente é o gajo do meu flirt. E quando penso nele só me ocorrem duas coisas:
1ª - Passou o dia, passou a romaria
2ª - Quem foi ao mar, perdeu o lugar
É isto, continua a insistir, depois de me ter tido ali, decidida a saltar-lhe para a espinha, os sinais todos lá, e ele a engonhar. Como tempo é coisinha que não me sobra, fui à minha vida que tenho mais que fazer. Além disso, estes "linda menina" não me caem lá muito bem, deve achar que está a lidar com uma adolescente a quem precisa de cantar o fadinho para ela lhe aceitar o namoro. E daqui retiro que o indivíduo muito provavelmente está à procura de namorada. Credo! Se lhe dou corda, está aqui está a convidar-me para o acompanhar a um baptizado para me apresentar à família. Então penso de mim para mim: faz-te de morta...
25.4.10
Pode haver
Depois de um dia de Sol maravilhoso, muito bem passado, que meteu bicicletas, praia e gelados, e depois de jantar uma partidinha de bilhar a três, o pequeno, quando o fui deitar, sai-se-me com isto:
- Oh mãe, pode haver pessoas que gostem de ti.
- Claro que há, tu não gostas de mim? E o teu irmão, não gosta de mim?
- Sim, mas pessoas grandes, pode haver pessoas grandes que gostem de ti.
- Evidentemente, a avó, o avô, o .... (o meu irmão, que eles tratam pelo nome em vez de por tio)
- Não é isso mãe, outras pessoas.
- Homens? É isso que tu queres dizer?
- Sim mãe.
- Olha lá, e tu sabes de algum?
- Não.
- Então deixa lá, eu também não.
Mas fiquei a pensar naquilo, aquela conversa, assim saída do nada, e uns segundos depois atirei:
- E se isso acontecesse?
- Dava-lhe cá uma porrada...
Fiquei esclarecidíssima, como é bom de ver.
- Oh mãe, pode haver pessoas que gostem de ti.
- Claro que há, tu não gostas de mim? E o teu irmão, não gosta de mim?
- Sim, mas pessoas grandes, pode haver pessoas grandes que gostem de ti.
- Evidentemente, a avó, o avô, o .... (o meu irmão, que eles tratam pelo nome em vez de por tio)
- Não é isso mãe, outras pessoas.
- Homens? É isso que tu queres dizer?
- Sim mãe.
- Olha lá, e tu sabes de algum?
- Não.
- Então deixa lá, eu também não.
Mas fiquei a pensar naquilo, aquela conversa, assim saída do nada, e uns segundos depois atirei:
- E se isso acontecesse?
- Dava-lhe cá uma porrada...
Fiquei esclarecidíssima, como é bom de ver.
24.4.10
23.4.10
Desconfio
Há tempos falei de quando sou burra e obediente, aqui, e de como opto por mostrar o espelho. Ainda esta semana fiz isso. As reacções que provoco quando saco do espelho e o mostro é que variam. Desta vez, por trás de uma espécie de black-out, que eu leio como: não estou para te aturar, ou: não me chateies, e respeito, desconfio que há alguma fúria. Não sei, desconfio.
22.4.10
Estado de choque
Ele: Oh mãe, com que idade é que eu posso sair?
Eu: Sair? Sair, como?
Ele: Sair... assim... à noite, com os meus amigos.
Eu: Mas sair para onde? Fazer o quê?
Ele: Assim... para conhecer... raparigas...
...
Este gajo tem 10 anos, só 10 anos!!!
Estou perdida!
Eu: Sair? Sair, como?
Ele: Sair... assim... à noite, com os meus amigos.
Eu: Mas sair para onde? Fazer o quê?
Ele: Assim... para conhecer... raparigas...
...
Este gajo tem 10 anos, só 10 anos!!!
Estou perdida!
21.4.10
Nude
Aceito que para algumas mulheres o poder constitua um atractivo poderoso. Aceito que se sintam atraídas por homens poderosos. Nem sempre será o dinheiro a base desse poder, mas na maior parte dos casos é. E obviamente que os sinais exteriores de riqueza, num homem, são o que chama a atenção destas mulheres. Boas casas, bons carros, boas vestimentas, os lugares que frequentam, só para enumerar os factores mais óbvios. Mas aceito só por causa daquela explicação sobre o facto de estas merdas actuarem no subconsciente e acordarem aquelas outras merdas ancestrais na fêmea que procura um macho que lhe proporcione segurança às crias, etc... e tal. Acontece que depois há os homens que acenam com este tipo de coisas, porque sabem perfeitamente que há mulheres que mordem o isco, que mostrando todos esses sinais é uma alegria e é só gajas à volta deles. Têm razão, safam-se melhor assim na prática. Elas andam lá, com o cheiro. Umas legitimamente, e talvez a maioria só com a intenção de uma vidinha confortável e despreocupada, coroada por uma ideia de "status", abomino esta palavra e este conceito, proporcionado pela associação a este tipo de homens. Sempre gostava de ver estes homens nuzinhos de carros, de cartões de crédito e de griffes, a ver como se safavam. Sempre gostava de ver estes homens a jogar limpo, a valerem-se de si próprios apenas, a ver como se safavam. É que quando se me atravessam à frente, imagino-os logo nús daquelas merdas todas, e poucos são os que valem alguma coisa. Porque, quando um homem é algo mais do que só aquilo que possui não o ostenta, o que me leva a concluir que todo o espalhafato só serve para disfarçar o facto de que, uma vez despidos, estes homens ficam em nada.
20.4.10
Separadores
Fui jantar com o meu melhor amigo. Refeição excelente. Conversamos sobre as nossas vidas, como sempre. Durante o café:
Eu: Sabes, estava a pensar numa coisa enquanto comíamos.
Ele: Em quê?
Eu: Isto, que nós temos, é maravilhoso. Não tenho com mais ninguém.
Ele: O quê?
Eu: Isto, esta partilha, este disfrutar de coisas boas em conjunto, isto é tão íntimo, não achas?
Ele: Sim, claro. Mas também terás com outras pessoas.
Eu: Não tenho nada, por exemplo, isto é impensável com qualquer um dos gajos com quem eu vou para a cama, não há sintonia, não é possível.
Ele: Não podes dizer isso, um dia vais ter, não podes controlar essas coisas. Quando bater, vais ver que tens tudo isto e muito mais porque não se escolhe, não sabes o dia de amanhã, pode acontecer.
Eu: Já sei, mas com eles só vou para a cama, para isto tenho-te a ti.
Ele: Tens tudo muito bem separadinho, não há dúvida...
Eu: Sabes, estava a pensar numa coisa enquanto comíamos.
Ele: Em quê?
Eu: Isto, que nós temos, é maravilhoso. Não tenho com mais ninguém.
Ele: O quê?
Eu: Isto, esta partilha, este disfrutar de coisas boas em conjunto, isto é tão íntimo, não achas?
Ele: Sim, claro. Mas também terás com outras pessoas.
Eu: Não tenho nada, por exemplo, isto é impensável com qualquer um dos gajos com quem eu vou para a cama, não há sintonia, não é possível.
Ele: Não podes dizer isso, um dia vais ter, não podes controlar essas coisas. Quando bater, vais ver que tens tudo isto e muito mais porque não se escolhe, não sabes o dia de amanhã, pode acontecer.
Eu: Já sei, mas com eles só vou para a cama, para isto tenho-te a ti.
Ele: Tens tudo muito bem separadinho, não há dúvida...
19.4.10
Embrulha
Continuo a ter de mastigar toda a minha revolta bem mastigadinha para que não me cause problemas no aparelho digestivo depois de a engolir, mas que mesmo assim custa a passar, e a ter de fazer apenas aquilo para que me pagam.
Obrigatório
É inútil dizer que gostaria que todas as pessoas fossem obrigadas a ler o livro "Inteligência Emocional" do Daniel Goleman, porque há pessoas que mesmo lendo esse livro e todos os outros livros do mundo sobre o tema, continuariam completamente impotentes perante elas próprias.
18.4.10
Chantagem
Ele: Tu és chata, mãe! Disseste que podíamos brincar antes de ir dormir e agora não deixas.
Eu: Eu sei filho, mas entretanto é hora de dormir. O filme já começou tarde, e depois jantamos e agora chegou a hora de dormir.
Ele: És mesmo chata mãe!
Eu: Achas mesmo que sou chata? Se eu fosse uma mãe chata não vos teria levado ao cinema. Se pensares bem até sou uma mãe fixe.
Ele: Mas o pai é muito mais fixe!
Eu: Olha que sorte! Tens uma mãe fixe e um pai muito fixe. Já viste? Estás como queres!
Ele: ...
Eu: Eu sei filho, mas entretanto é hora de dormir. O filme já começou tarde, e depois jantamos e agora chegou a hora de dormir.
Ele: És mesmo chata mãe!
Eu: Achas mesmo que sou chata? Se eu fosse uma mãe chata não vos teria levado ao cinema. Se pensares bem até sou uma mãe fixe.
Ele: Mas o pai é muito mais fixe!
Eu: Olha que sorte! Tens uma mãe fixe e um pai muito fixe. Já viste? Estás como queres!
Ele: ...
17.4.10
Festa é quando a gente quiser
A qualquer hora, desde que apeteça, há festa cá em casa e dança-se como se não houvesse amanhã. É vê-los aos saltos, mete cantoria, mete pinchos do sofá para o chão e do chão para o sofá, passos de dança de cair para o lado, e muitas gargalhadas. Eu alinho mas não consigo acompanhá-los porque me desfaço a rir. Basta pôr isto a tocar. E garanto que toca muitas vezes, a qualquer hora do dia. Óh, está ali, alto e bom som!
Isto ia ser um comentário, mas é tão longo que mais vale ser um post
E agora já depois do tal colóquio sobre a violência no meio escolar.
Os oradores:
1) Um sociólogo, conheço-o desde pequeno, um rapaz em condições, explicou o que é o bullying e como se identifica. Já sabia.
2) Uma psicóloga, nada de novo, o diálogo e tal, mas falhou em focar pontos essenciais que tive o prazer de ser eu a trazer quando deram a palavra ao "público".
3) Um padre, o da freguesia, um gajo do caralho, professor universitário de Filosofia, e o único que pegou no touro pelos cornos, sim senhor, gostei.
4) Um dos professores do agrupamento, ok, mais ou menos. Por acaso é o coordenador do clube de xadrez do mais velho.
Ou seja, nada do que se disse ali me trouxe algo de novo, e o único que disse as grandes verdades foi o padre. Ah pois é!
E esta merda, que ninguém me foda, começa em nós pais e nas nossas responsabilidades. Eu levei uns estalos e umas palmadas quando era miúda e asneirava, não fiquei traumatizada. Hoje, se o menino bate ao colega na escola é porque vive esses problemas em casa, coitadinho, ou porque leva porrada do pai, a família vive em condições muito precárias, etc... Nem sempre, e foi o que eu disse no final, é que muitas vezes esses agressores de meia-tigela são putos mimados, de famílias financeiramente bem posicionadas, que nunca foram contrariados e que acham que podem fazer tudo o que querem e lhes apetece e que ninguém lhes faz nada. Se a escola calha de chamar os papás, ainda se riem e dizem que os filhos são os maiores. Pois eu digo que se um dia alguém me vier dizer que um dos meus filhos bateu ou de alguma forma faz mal a um colega, o gajo leva-me semelhante coça que nem sabe de que terra é, e ponho-o de castigo durante dois anos. O padre foi o único que disse, resumidamente, isto:
- a violência é própria do ser humano, há que canalizar toda essa energia de forma positiva, cabe aos pais orientar os filhos nisso;
- vocês são pais, não são colegas dos vossos filhos;
- vocês sabem mais do que eles, nem que tenham só a 4º classe;
- é vosso dever impôr respeito e ensiná-los a viver em sociedade e a respeitar o próximo;
- instrução não é sinónimo de educação.
Eu concordo com isto tudo, dê-se-lhes amor, e muito, mas amá-los também passa por dizer-lhes que não e prepará-los para lidar com as frustrações que a vida lhes trará. Não podemos ampará-los para sempre e além disso eles precisam da figura de autoridade para se sentirem seguros.
E digo mais, um par de estalos na hora certa vale mais do que qualquer psicologia.
Por exemplo, no início do primeiro período o mais velho queixou-se que um dos colegas da turma lhe mandava uns cachaços e uns empurrões no corredor. Disse-lhe, tens bom corpinho, defende-te. Mas se a coisa correr mal, diz ao miúdo que eu vou lá e que lhe parto a cara e depois vou falar com o director de turma, mas parto-lhe a cara primeiro, ouviste? Não sei bem o que o meu filho fez, mas o que é certo é que o puto nunca mais o chateou.
Estou convencida que isto do bullying é culpa dos papás. Desafio quem tem mais de 25 anos a dizer que não tinha respeitinho aos pais e que se fizesse merda não levava umas palmadas no rabo ou um par de estalos. Ai de quem faltasse ao respeito ao pai ou à mãe. É verdade ou é mentira? Este fenómeno recente deve-se à demissão dos pais do papel de educadores. A malta da minha geração, recuo mesmo uma dezena de anos, que não disponibilizando tempo para os filhos, porque trabalha muito e ai que hoje em dia o stress e mais essas merdas todas, compensa os miúdos com tudo o que eles querem e não estão para se chatear a contrariar os meninos, porque é muito mais fácil ter o puto sossegadinho a ver televisão ou a jogar playstation do que a chatear-lhes a cabeça, é a verdadeira culpada do bullying. Mas, que caralho, eu tenho uma profissão que me absorve bastante, contudo o tempo que passo com os meus filhos, que não é assim tanto quanto eu gostaria, passo-o com eles e não na mesma casa que eles, ou no mesmo espaço que eles. Quando eles têm tudo o que querem, além de não darem valor a nada, crescem convencidos que basta querer que têm, que fazem dos adultos o que querem e que podem fazer tudo o que lhes apetece sem sofrerem as consequências. Depois na escola, nada os impede de desrespeitarem tanto colegas como professores, sabem perfeitamente que os pais não vão fazer nada, porque não estão simplesmente para se chatear, porque não têm tempo ou porque até gostam da ideia do filho ser o mais forte ou o mais arruaceiro da escola.
Os meus até podem descambar e fazer asneirada da grossa, pode acontecer, mas não será por falta de acompanhamento meu, e não será seguramente por falta de um safanão sempre que o mereçam.
Os oradores:
1) Um sociólogo, conheço-o desde pequeno, um rapaz em condições, explicou o que é o bullying e como se identifica. Já sabia.
2) Uma psicóloga, nada de novo, o diálogo e tal, mas falhou em focar pontos essenciais que tive o prazer de ser eu a trazer quando deram a palavra ao "público".
3) Um padre, o da freguesia, um gajo do caralho, professor universitário de Filosofia, e o único que pegou no touro pelos cornos, sim senhor, gostei.
4) Um dos professores do agrupamento, ok, mais ou menos. Por acaso é o coordenador do clube de xadrez do mais velho.
Ou seja, nada do que se disse ali me trouxe algo de novo, e o único que disse as grandes verdades foi o padre. Ah pois é!
E esta merda, que ninguém me foda, começa em nós pais e nas nossas responsabilidades. Eu levei uns estalos e umas palmadas quando era miúda e asneirava, não fiquei traumatizada. Hoje, se o menino bate ao colega na escola é porque vive esses problemas em casa, coitadinho, ou porque leva porrada do pai, a família vive em condições muito precárias, etc... Nem sempre, e foi o que eu disse no final, é que muitas vezes esses agressores de meia-tigela são putos mimados, de famílias financeiramente bem posicionadas, que nunca foram contrariados e que acham que podem fazer tudo o que querem e lhes apetece e que ninguém lhes faz nada. Se a escola calha de chamar os papás, ainda se riem e dizem que os filhos são os maiores. Pois eu digo que se um dia alguém me vier dizer que um dos meus filhos bateu ou de alguma forma faz mal a um colega, o gajo leva-me semelhante coça que nem sabe de que terra é, e ponho-o de castigo durante dois anos. O padre foi o único que disse, resumidamente, isto:
- a violência é própria do ser humano, há que canalizar toda essa energia de forma positiva, cabe aos pais orientar os filhos nisso;
- vocês são pais, não são colegas dos vossos filhos;
- vocês sabem mais do que eles, nem que tenham só a 4º classe;
- é vosso dever impôr respeito e ensiná-los a viver em sociedade e a respeitar o próximo;
- instrução não é sinónimo de educação.
Eu concordo com isto tudo, dê-se-lhes amor, e muito, mas amá-los também passa por dizer-lhes que não e prepará-los para lidar com as frustrações que a vida lhes trará. Não podemos ampará-los para sempre e além disso eles precisam da figura de autoridade para se sentirem seguros.
E digo mais, um par de estalos na hora certa vale mais do que qualquer psicologia.
Por exemplo, no início do primeiro período o mais velho queixou-se que um dos colegas da turma lhe mandava uns cachaços e uns empurrões no corredor. Disse-lhe, tens bom corpinho, defende-te. Mas se a coisa correr mal, diz ao miúdo que eu vou lá e que lhe parto a cara e depois vou falar com o director de turma, mas parto-lhe a cara primeiro, ouviste? Não sei bem o que o meu filho fez, mas o que é certo é que o puto nunca mais o chateou.
Estou convencida que isto do bullying é culpa dos papás. Desafio quem tem mais de 25 anos a dizer que não tinha respeitinho aos pais e que se fizesse merda não levava umas palmadas no rabo ou um par de estalos. Ai de quem faltasse ao respeito ao pai ou à mãe. É verdade ou é mentira? Este fenómeno recente deve-se à demissão dos pais do papel de educadores. A malta da minha geração, recuo mesmo uma dezena de anos, que não disponibilizando tempo para os filhos, porque trabalha muito e ai que hoje em dia o stress e mais essas merdas todas, compensa os miúdos com tudo o que eles querem e não estão para se chatear a contrariar os meninos, porque é muito mais fácil ter o puto sossegadinho a ver televisão ou a jogar playstation do que a chatear-lhes a cabeça, é a verdadeira culpada do bullying. Mas, que caralho, eu tenho uma profissão que me absorve bastante, contudo o tempo que passo com os meus filhos, que não é assim tanto quanto eu gostaria, passo-o com eles e não na mesma casa que eles, ou no mesmo espaço que eles. Quando eles têm tudo o que querem, além de não darem valor a nada, crescem convencidos que basta querer que têm, que fazem dos adultos o que querem e que podem fazer tudo o que lhes apetece sem sofrerem as consequências. Depois na escola, nada os impede de desrespeitarem tanto colegas como professores, sabem perfeitamente que os pais não vão fazer nada, porque não estão simplesmente para se chatear, porque não têm tempo ou porque até gostam da ideia do filho ser o mais forte ou o mais arruaceiro da escola.
Os meus até podem descambar e fazer asneirada da grossa, pode acontecer, mas não será por falta de acompanhamento meu, e não será seguramente por falta de um safanão sempre que o mereçam.
16.4.10
Interesse duplo
Hoje à noite há uma reunião na escola do meu filho, mas que engloba também a escola do meu outro filho. Agrupamento, é assim que se diz, um anda no 1º ano e o outro no 5º. Esta reunião é mais um colóquio sobre a violência escolar. Estarão professores, sociólogos, psicólogos e segundo soube até o padre da freguesia estará presente. A mim interessa-me muito, aliás interessa-me duplamente, é que os meus rapazes abrangem o tema em toda a sua latitude: um é dos que leva, e o outro é dos que dá. Tenho em casa ao mesmo tempo, uma potencial vítima e um potencial agressor. Convém-me saber tudo o que há para saber sobre o assunto, ou não?
15.4.10
Não consigo perceber
Há coisas que tento e que não consigo perceber. Uma delas é porque é que as pessoas não viram a página e continuam com a sua vida depois de se divorciarem. Ultrapassa-me totalmente. Se a pessoa não queria o divórcio, aceito que guarde mágoa, que prefira abster-se de contactos e que mantenha apenas as ligações estritamente necessárias quando há crianças. Sem elas, todas as ligações podem ser completamente desfeitas. Mas, quando a pessoa que quer a ruptura, a consegue e depois insiste em agressões e guerrinhas absurdas, acho estúpido. O meu pai sempre me disse que quem não está bem põe-se, por isso quando os motivos que causam infelicidade e mau-estar deixam de existir, não compreendo porque é que as pessoas a partir daí, não se concentram em procurar serem felizes e em vez disso se consomem e desgastam em lutas de finalidade para mim duvidosa. Massacram e reviram a faca na ferida do outro, e simplesmente não viram a página. Já pensei que pode ser masoquismo, continuam a torturar-se, devem gostar, ou então é mesmo só mau-carácter, sede de vingança, de castigar e fazer sofrer. Não tenho a certeza e acho que nunca hei-de ter.
Deve ser assim
Fingir que se gosta varrendo o asco para debaixo do tapete. Sorrir disfarçando a fúria no cerrar de dentes camuflado. Agir com naturalidade sentindo todos os músculos tensos de raiva. Agradar, e seduzir fazendo de conta que se gosta da companhia. Deve ser assim. Deve ser assim que as putas se sentem com os clientes. Ontem senti-me assim, com o meu cliente. Falsa e vendida. Puta.
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