27.6.10
Aflição
Ontem fui para a praia com o P. Vi-me aflita. Ele não pára quieto. Vi-me aflita. Parecia possesso, e eu já a ver-me perdidinha. Aquilo não podia ser, resolvi que vinhamos embora, e quando cheguei a casa foi um fogo-de-artifício que mais parecia a noite de S. João, com a ligeira diferença que não era de noite, nem foi de artifício.
Parece impossível
Hora de almoço. à chegada a casa dos meus pais com os miúdos, que dormiram em casa do pai na noite anterior:
Mãe: Olha lá, sentiste o cheiro do pequeno?
Eu: Senti, é o perfume do pai, e que tem? Deve ter pedido ao pai para lhe pôr perfume, ele gosta.
Mãe: E não te importas?
Eu: Porque haveria de importar-me?
Mãe: Não tens saudades daquele cheiro?
Eu: (meti a expressão "tás maluquinha ou quê?") Não.
Mãe: Vá, diz lá, nem só um bocadinho?
Eu: Nada mamã, nadinha, ze-ro!!!
Ela: (meteu a expressão "tu não deves bater bem") Parece impossível...
Mãe: Olha lá, sentiste o cheiro do pequeno?
Eu: Senti, é o perfume do pai, e que tem? Deve ter pedido ao pai para lhe pôr perfume, ele gosta.
Mãe: E não te importas?
Eu: Porque haveria de importar-me?
Mãe: Não tens saudades daquele cheiro?
Eu: (meti a expressão "tás maluquinha ou quê?") Não.
Mãe: Vá, diz lá, nem só um bocadinho?
Eu: Nada mamã, nadinha, ze-ro!!!
Ela: (meteu a expressão "tu não deves bater bem") Parece impossível...
24.6.10
Dona da casa
Se eu quiser sei ser a perfeita dona de casa. Se eu quiser. Mas não sou, ao invés sou a dona da casa. Sou tudo o que a dona de casa é e sou a dona, sou eu que mando, sou eu que decido, sem prestar contas ou ter de negociar com ninguém. Isto é bom. E por conta disto, meti-me numa aventura que é remodelar a minha casa. Adiei durante meses, faltava-me a energia. Finalmente meti mãos à obra e chamei o homem que vai tratar de tudo. Já cá vieram com ele um carpinteiro, um electricista e um outro que não sei como lhe chamar mas vai tratar das janelas. Estou à espera do orçamento e não aguento de curiosidade. Estou em pulgas e nem o facto de ter de tirar tudo cá de dentro, mudar-me para casa dos meus pais durante uns meses e depois ter de voltar a pôr tudo no sítio me fazem esmorecer o entusiasmo. Engraçado como bastou apenas uma chamada e uma reunião com o homem para que haja outra vez entusiasmo dentro de mim. Isto é bom.
23.6.10
Fácil
Faz-me sempre imensa confusão ouvir falar de paixões. Ai que estou tão apaixonada(o), ai que nem sei o que fazer, ai que estou doida(o) por ele(a). Isto faz-me confusão. Ontem à noite, numa das séries que gosto de ver percebi que aquela gente já estava toda apaixonada por outras pessoas, bastou-me falhar dois episódios para que ficasse tudo trocado. Já não estão apaixonados por quem estavam e por quem sofriam horrores e agora já se encontram apaixonados por outros. Que coisa, será assim tão fácil apaixonarem-se? Fiquei desiludida, de repente a série que gosto tanto passou a ser de ficção. Não gostei, mesmo sabendo que tudo na TV é ficção, eu gosto da ficção que pode muito bem ser verdade. O povo apaixona-se e desapaixona-se assim tão facilmente? Como se fosse um simples carregar de botão, como se fosse automático, e como se fosse completamente independente da vontade de cada um. E isto, venha quem vier, não me cabe na cabeça. lamento muito. Não é assim fácil, nem apaixonar-se, nem desapaixonar-se. Não é. E sobretudo não é instantâneo, não se acorda um dia e se constata que se está apaixonado, não se olha para uma pessoa e se percebe que se está apanhado. É infinitamente mais complicado do que isso, acho até que o mais difícil é admiti-lo perante nós próprios. Se eu nunca pensar que estou apaixonada, nunca estarei. Posso até achar piada, posso muito bem sentir desejo, posso até sentir a falta, mas se estas palavras nunca forem proferidas ou pensadas, esse estado jamais se materializará. E há milhares de motivos pelos quais essas palavras fiquem de fora do léxico comum. Há milhares de formas de as repelir. Há milhares de maneiras de as evitar. E também há uma razão que invalida tudo isto que acabo de escrever. O medo. Não, não estou apaixonada e não tenho medo de me apaixonar, mas também não o anseio. É como conduzir a alta velocidade, é óptimo não há dúvidas, e apesar de já ter acelarado bastante e ter sentido toda a adrenalina daí resultante, vivo bem conduzindo no limite imposto por lei.
Peso
Pesei-me esta manhã, uma semana após o início do regime alimentar que contraria toda a lógica. Tenho comido imenso, de tudo o que habitualmente automaticamente me faz rebentar as costuras da roupa, verifiquei que a balança marcou o mesmo número de há oito dias atrás. Inacreditável, não engordei!!!
22.6.10
Está bem
E pronto, posso finalmente parar de tomar o anti-coagulante e deixar de fazer as visitas bi-mensais ao Hospital para verificar o meu sangue. Ao fim de seis meses os senhores doutores vão analisar o dito, não sem deixar passar um mês sem interferência de medicação, para averiguar se há uma tendência genética para as tromboses. Iremos saber então porque raio tive eu uma Trombose Venosa Profunda, se de resto sou uma mulher perfeitamente saudável. A única coisa que me causa espécie é que não fui submetida a qualquer exame, ninguém sabe se o coágulo continua na veia ou se foi naturalmente absorvido. Mas acho que se o trombo ainda lá estiver, o sangue livre de anti-coagulante engrossará e voltará a ter dificuldade em circular e voltará causar dor. Está bem, poupa-se o custo do exame e se a paciente voltar a ter dores e fizer outra trombose que se foda. Está bem, está.
21.6.10
Esquemas
Ando a pensar nisto desde sexta-feira, perturbou-me o contacto que tive através da rede social, tive um acesso de raiva e limpei tudo o que tinha na rede social, só lá deixei a minha fronha e mais nada, não há qualquer informação, acabou. E só não fecho a conta porque lá estão familiares com os quais contacto através daquilo, os miúdos. Ninguém me tira da ideia que este indivíduo tropeçou no meu perfil, verificou que já não sou casada e pensou aquilo que a maioria dos homens pensa. Então esta gaja divorciou-se? Agora quer é rambóia. Vejamos, se a situação fosse outra ao contactar-me teria tido uma atitude completamente diferente, se fosse alguém apenas a contactar um velho conhecido teria tido outro discurso, e se a rede social não fosse um esquema estaria visível a fotografia dele e o estado civil. Uma pessoa que é casada e não usa aquilo para engate não tem qualquer problema em revelar que é casada. Se bem que também as há que lá põem que são casadas e usam aquilo para engatar na mesma. Mas, se fosse livre também lá colocaria que é livre, como eu fiz. E se não fosse esquema não teria colocado um comentário no meu perfil dizendo "confirmo que continuas impressionante". Ora esta frase para mim, é frase de engate, ou não? Daqui concluo que o fulano é casado e quer saltar-me para a espinha, portanto o que tenho a fazer é cortar o mal pela raíz e não dar seguimento. Já não vou sequer tentar apurar rigorosamente nada, qualquer aproximação é demasiado perigosa, conheço perfeitamente o efeito que ele causa em mim. Foge mulher, foge!
20.6.10
A sério que não queria nada disto
Há um gajo que me ficou atravessado, e quando é assim é uma merda. Este gajo existiu na minha vida era eu ainda muito verde contudo parecia que tínhamos íman. Era uma coisa realmente extraordinária, inexplicavel, hoje diria animalesca. Os anos passaram e perdemo-nos o rasto. Durante este tempo todo, ora deixa-me fazer as contas, a menina aqui tinha 17 anos e ele 23, portanto passaram 17 anos e significa que este indivíduo tem agora 40 anos. Nestes 17 anos falei com ele apenas duas vezes apesar de o ter avistado e ele a mim mais algumas vezes na rua. O estranho (ou não) é que das duas vezes que falamos, aquelas conversas casuais de quem vai na rua e de repente encontra uma pessoa que não vê há anos, então tudo bem, e como estás, e o que estás a fazer agora, ok, felicidades, gostei muito de te ver, até à proxima, mais ou menos isto, eu sentia uma puta duma dor de barriga durante todos os segundos perto dele, olhámo-nos sempre nos olhos, eu a ler nos olhos dele um comia-te já aqui e estou convencida que ele a ler exactamente a mesma coisa nos meus. Animalesco. Sucede que eu era casada, um facto incontornável e está tudo dito. A segunda vez que me deparei com ele à minha frente ele deu-me o número de telefone dele, que eu nunca usei e que francamente acho que perdi quando mudei de número por altura do divórcio. Vi-o algum tempo depois, empurrando um carrinho de bébé e com uma jovem ao lado que deduzi ser a esposa. É verdade que sempre soube que haveria de cruzar-me com ele novamente um dia, é verdade já o vi algumas vezes de longe na rua, depois do divórcio, é verdade que já pensei nele, mas aquele carrinho de bébé e a jovem que o acompanhava são altamente esclarecedores, proibem-me de sequer colocar a hipótese de entrar em contacto com ele e verdade seja dita, não me incomoda nada que esta figura esteja só no esquecimento e diluída no charco das recordações da juventude. A puta da merda toda é que este gajo me contactou há 2 dias, através de uma destas redes sociais virtuais. Grande merda. Não faço ideia do que é a vida dele neste momento, se está casado ou não, não faço a menor ideia. Também não faço ideia se vou ter força para lhe fugir.
19.6.10
Fuga
Apetece-me fugir. Tive aqui há tempos um projecto que me sugou até ao tutano. Foi um cliente enorme que nos veio cair no colo (isto soa um nadinha mal, mas...) e foi o cabo dos trabalhos. Uma cadeia de lojas gigantesca compra cerca de 100.000.000 (sim, cem milhões) de peças por ano incluindo vesturário, calçado, acessórios e produtos de cosmética. O objectivo da empresa onde trabalho era na altura conseguir entre 5 a 10% da produção de vestuário deste cliente. Bem bom. Trabalhamos como mulas, eu e mais 3 colegas neste projecto e fizemos uma primeira estação muito boa, foi até uma estação do caralho, suámos as estopinhas mas as putas das encomendas confirmaram-se e entregaram-se. Não fosse o caso de tudo o que se produziu ter sido na Ásia, que tem diferenças horárias que nos fizeram trabalhar muitas noitinhas, e não fossem as compradoras do cliente tão burrinhas que nos obrigaram a trabalhar como se estivessemos a lidar com deficientes mentais, acho que até teria sido mais fácil pois pelo menos não teriam a puta da mania que são finos o que já é mais de meio caminho andado, e a coisa teria sido um sucesso total. Assim só foi sucesso para o boss, que se fartou de ganhar dinheiro e as mouras a dar o corpinho ao manifesto e a cabeça à porrada. Depois veio a crise mundial, o colapso dos mercados financeiros, a queda a pique do dólar estavamos nós já a meio da segunda estação. Foi o fim da macacada, obviamente. Lá foram à vidinha deles, receberam as mercadorias e nunca mais ninguém os viu, não sem antes terem tentado anular encomendas por causa da crise mundial. A puta da crise mundial foi desculpa para alguns procedimentos nada éticos da parte deles, mas conseguimos travar a maioria. E apetece-me fugir porquê? Porque este queridíssimo cliente voltou. O dólar arrebita cachimbo e lá vêm eles outra vez. Estão à rasca, além disso. Precisam de um determinado tipo de mercadoria que não conseguem nem fazer bem, nem rápidamente, e de quem se lembram eles? Pois. Dos portugueses, que até têm escritórios de sourcing na Ásia e têm gajas portuguesas a supervisionar e a servir de único contacto o que dá um bocadinho de jeito, convenhamos. De maneiras que, dada a sofreguidão com que eles querem trabalhar connosco, não me admira nada que o boss, apesar de já ter avisado toda a gente que o ritmo desta vez terá de ser completamente diferente, e que as maratonas de trabalho pela noite dentro estão fora de questão, quando começar a ver os números nas encomendas embarque outra vez na paranóia. Só tenho de dizer uma coisinha, este projecto valeu-me a mim e à minha colega uma viagem à Tailândia, com direito a uma semana de trabalho exaustivo nos nossos escritórios de Bangkok, a sede do sourcing na Ásia, e o fim-de-semana em casa da sócia do boss em Puhket, pronto, um sonho. Só me apetece fugir, se a coisa começar a ficar insuportável, vou ver as fotos daquele fim de semana. Fica já aqui uma, só para me acalmar um bocadinho.
Ok, outra que ainda estou um bocado alterada.
E a última, só para ficar bem disposta
Ah, estou muito melhor!
Etiquetas:
vivo para trabalhar ou trabalho para viver?
17.6.10
Inveja
Invejo-te porque quando te aproximas de mim o teu coração bate mais forte, porque o teu corpo treme, porque te arrepias. Sinto-o. Porque ficas ofegante e perdido, porque te rendes, porque involuntariamente reages a mim. Sei-o. Invejo-te porque gostava de ser como tu. Tudo isso que tu és, eu não sou.
16.6.10
Isto vai ser lindo
Passei o dia a comer, seguindo religiosamente as instruções do senhor doutor e foda-se, estou com mais fome do que ontem que só fiz as refeições principais. Ele foi pão ao pequeno-almoço, ele foi iogurte e mais pão a meio da manhã, ele foi batatas com fartura ao almoço, ele foi fruta e mais pão ao lanche e estou com uma puta duma fome do caralho. Mau, brincamos ou quê?
Medo
Estou cagadinha de medo. Fui hoje a um senhor doutor que supostamente me vai ajudar a emagrecer. 5 quilos, disse ele, e fico óptima. Eu tenho de ter pressão, tenho de ter as putas das regras bem definidas porque senão abandalho a dieta toda e era o emagrecias, era... Pois bem, já que o outro senhor doutor me liberou completamente só de olhar para mim, que está tudo bem e a perna não impede rigorosamente nada, cá vamos nós tentar perder a banha acumulada desde a puta da trombose que me obrigou a ficar de molho. E ouvi o que nunca pensei vir a ouvir na minha vida. Tenho, TENHO, de comer pão e arroz, ou masssa, ou batata, TODOS OS DIAS, ao almoço E ao jantar. Com a carne ou peixe e com os legumes. E tenho, TENHO, de fazer cinco, CINCO, refeições por dia. Estou fodidinha. Daqui a 1 mês volto lá, quer dizer, não sei se volto, porque o mais certo é não passar na porta. Tenho para mim que este senhor doutor vai levar nas trombas desta vossa amiga que me cheira que a comer desta forma vai triplicar o peso. Não passando na porta, espero por ele cá fora.
15.6.10
Tempo
Esqueci-me. Ou melhor, não me lembrei. Só me lembrei hoje que já passou um ano. Lembrei-me porque no percurso desde as escolas do mais velho e do mais novo que são pertinho uma da outra, e o escritório, estava a pensar que o ano lectivo está quase a acabar e que realmente o tempo passa depressa, cada vez mais. Acaba o primeiro ano e acaba o quinto, é o final do primeiro ano desta nova fase da vida deles. E no início do ano lectivo todos pensamos que pois, este ano é o ano da mudança, que para eles provavelmente será um ano complicado e por aí fora, e que foi o ano do divórcio e aí sim, lembrei-me que já fez um ano que o pai saiu de casa. Pois, lembrei-me disso sem sequer ser por isso, só me lembrei porque pensei nos miúdos e na escola e no ano lectivo. Lembrei-me por arrasto, por associação, porque de resto, está tudo tão no lugar certo que parece que foi sempre assim, que nunca foi de outra maneira, e o que está certo fica assim quieto e parado, dissolvido na vida sem direito a recordações, nem boas nem más, assim, esquecido.
14.6.10
Inevitável
Eu, pelo menos, não o consigo evitar. Há aquele momento que chega sorrateiro, aqueles segundos em que penso que estou exactamente onde quero estar e com quem quero estar. São segundos apenas, em que avalio o contexto e peso o que sinto. Mas também é verdade que imagino aquele lugar e como seria estar na companhia não de um grupo de amigos muito chegados, mas na companhia de uma pessoa. Uma pessoa que não existe. Acho que seria bom. Mas seria assim tão bom? Seriam as gargalhadas tão fáceis? Seriam os dias e as noites tão divertidos? Seria o silêncio tão confortável? Seriam as vontades tão respeitadas? Não, acho que não. Estas coisas são boas quando se está com alguém com quem se tem intimidade. E isso eu tenho com os meus amigos. São eles que apreciam as mesmas merdas que eu, são eles que, como eu, esquecem o relógio à chegada, são eles que me fazem rir até doer a barriga, são eles que me deixam dormir quando me apetece, são eles que ficam a dormir e eu vou passear sozinha, são eles que me levam àquele estado em que absolutamente nada me preocupa e me esqueço do mundo. São eles. Um qualquer gajo que eu levasse comigo para umas mini-férias serviria para acalmar os desejos que o calor e o Sol me acordam nas entranhas mas, e o resto? Não, está bem assim, obrigada.
13.6.10
Tudo muito.
Muito Sol, muita música, muita noite, muito fumo, muita gente, muita gargalhada, muita festa, muita comida, muita bebida, muito sono em atraso, muito cansaço. Curiosamente, espírito muito leve.
8.6.10
É que gosto
O nosso primeiro encontro foi algo tumultuoso, tive de me enervar para que ele fizesse o que eu queria. Mas perdoei-lhe pois ele rapidamente ajustou a atitude e tudo acabou em bem. Hoje foi uma doçura, todo mel. Mal me viu desfez-se em sorrisos e delicadezas, desculpando-se pelo atraso. Ouviu-me com muita calma e falou-me mansinho. Combinamos novo encontro para daqui a tanto tempo quanto decorreu entre o primeiro e o segundo: "só para me contar como está" disse ele, com meiguice.
Se me tivesse mandado fazer o filha da puta do eco-doppler é que ele tinha sido fino, o tótó. Isso queria eu, saber se os coágulos ainda lá estão ou não, foda-se! Perguntou-me se a perna está inchada e foi o necessário para chegar ao brilhante diagnóstico que está tudo bem comigo, tudo maravilha, já nem de anticoagulante preciso, só da meia elástica, isso sim, para passar o Verão a parecer que em vez de perna direita tenho uma prótese, nada chato, e para nem falar no filha da puta do calor que aquela merda faz. Só de olhar para mim viu logo que está tudo bem, são competentes os médicos hoje em dia, já devem vir equipados com visão raio X de origem, ou o caralho. Passaram quase 6 meses desde o episódio da trombose, e quer ver-me daqui a outros 6. Pergunto-me, para quê? Ah, só para lhe contar como estou. De facto não tenho mesmo mais nada para fazer do que ir de 6 em 6 meses à Consulta Externa de Cirurgia Vascular do Hospital, só para contar ao médico como estou. É. Até porque se o gajo tivesse engraçado comigo e me quisesse comer, de certezinha que não esperaria tanto tempo. Digo eu.
Se me tivesse mandado fazer o filha da puta do eco-doppler é que ele tinha sido fino, o tótó. Isso queria eu, saber se os coágulos ainda lá estão ou não, foda-se! Perguntou-me se a perna está inchada e foi o necessário para chegar ao brilhante diagnóstico que está tudo bem comigo, tudo maravilha, já nem de anticoagulante preciso, só da meia elástica, isso sim, para passar o Verão a parecer que em vez de perna direita tenho uma prótese, nada chato, e para nem falar no filha da puta do calor que aquela merda faz. Só de olhar para mim viu logo que está tudo bem, são competentes os médicos hoje em dia, já devem vir equipados com visão raio X de origem, ou o caralho. Passaram quase 6 meses desde o episódio da trombose, e quer ver-me daqui a outros 6. Pergunto-me, para quê? Ah, só para lhe contar como estou. De facto não tenho mesmo mais nada para fazer do que ir de 6 em 6 meses à Consulta Externa de Cirurgia Vascular do Hospital, só para contar ao médico como estou. É. Até porque se o gajo tivesse engraçado comigo e me quisesse comer, de certezinha que não esperaria tanto tempo. Digo eu.
Respostas
"Afinal, uma pessoa sempre responde com a sua vida inteira às perguntas mais importantes. Não importa o que diz entretanto, com que palavras e argumentos se defende. No fim, no fim de tudo, com os factos da sua vida responde às perguntas que o mundo lhe dirigiu com tanta insistência. Essas perguntas são as seguintes: Quem és tu?... Que querias realmente?... A que foste fiel ou infiel?... A quê ou a quem mostraste ser corajoso ou cobarde?... São essas as perguntas. E uma pessoa responde como pode, duma maneira sincera ou mentindo; mas isso não tem grande importância. O importante é que no fim, uma pessoa responde com toda a sua vida."
Sandor Maraí - As velas ardem até ao fim
Sandor Maraí - As velas ardem até ao fim
7.6.10
Livro amarelo
Da última vez que fui fazer o controlo do sangue quase que houve chapada entre os idosos que lá estavam na fila para fazer a inscrição. Aquilo é simplesmente absurdo. Primeiro dois guichets e duas filas paralelas a uns dois metros depois da porta que para além de ser para as pessoas que vão às consultas externas também é para as pessoas que ficam à espera de familiares que dão entrada nas urgências. Portanto é um corridinho de pessoal a passar de muletas, de cadeira de rodas, malta com as criancinhas ao colo, tudo ali a furar as filas e os das filas a serem apertados uns contra os outros. Segundo, o povo põe-se na fila mas as inscrições para Imunohemoterapia (onde eu vou tirar sangue) só começam às 10:15h o que quer dizer que ficam as pessoas todas misturadas, as que vão ao sangue (que é assim que os idosos dizem) e as que não vão, e há sempre aquelas alminhas que não se apercebem e ficam à espera, atrás dos do sangue e podiam passar para a frente. E há também aqueles velhinhos que se sentam, e à hora de começarem as inscrições se aproximam e fazem de conta que estavam na fila e tentam fazer batota. Ora isto, dá sempre origem a confusões, desde que lá vou que é este circo. Os funcionários aguentam tudo, os velhinhos a reclamar uns com os outros, os não velhinhos a reclamar com os funcionários e devo dizê-lo, com muita paciência e categoria, coisa rara em serviços públicos. Pois bem, da ultima vez que lá estive pensei que aquela merda havia de ter um Livro de Reclamações e que estava na altura de o usar. Perguntei onde é que estava o tal livro e lá fui pronta para escrever. Basicamente sugeri que abrissem o terceiro guichet, que esteve sempre fechado desde que lá vou, só para a malta que vai ao sangue, que são mais de 100 pessoas na segunda leva (a minha) e deduzo que sejam outras tantas na primeira. Portanto, abrir o tal guichet só para as cerca de 250 pessoas que todas as manhãs vão ao sangue, acho que se justifica. E deixam-se os outros dois para o pessoal "sortido", além de que o terceiro guichet está afastado da porta abrindo assim mais espaço para os que por lá passam. Hoje achei aquilo estranhamente calmo. Pouca gente à porta, e pouco barulho principalmente. Ao avançar mais uns passos, verifiquei que o terceiro guichet estava aberto e a fila era só de malta para o sangue. Sorri.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
