26.5.10

Receita






Pegue-se nisto;







E coloque-se disto;
















Depois, junte-se disto;
















E mais isto;










E ultime-se com isto.






Depois contem-me como foi.

25.5.10

Diz-lhe

Diz-lhe que não, que não espere nada e que nada tens para lhe dar. Não posso faltar-lhe assim ao respeito, não posso. Ele nunca me pediu nada, nem agora, ele nunca cobrou nada, apenas gosta de mim há vinte anos e durante vinte anos menos dois meses nada soube de mim. Mas aposto que te procurou porque soube que te divorciaste, aposto que pensa que tem agora a oportunidade dele. Talvez, mas isso não muda nada, nem o sentimento dele nem o meu. De que adianta magoa-lo? Não, não posso. Se durante estes anos todos o sentimento ficou sem saber do meu paradeiro, sem esperar nada em troca, não serão as minhas palavras que farão a diferença. A ausência é muito pior do que as palavras, a ignorância é muito pior do que as palavras, e ele aguentou tudo por uma ideia do que poderia ter sido. Ele é coerente. Ele é desonesto com toda a gente à volta dele mas manteve-se honesto com ele próprio, quase que o admiro por isso. Quase. Fez da própria mulher a segunda escolha, quase que o desprezo por isso. Quase. Desde que retomamos o contacto nunca foi indelicado, nunca fez um comentário impróprio, que direito tenho eu de o confrontar com um facto que o destroçará? Não tenho direito algum. O que ele sente é dele, não é meu e nunca será. Invadir esse espaço é faltar-lhe ao respeito. Não posso. Não digo.

Corda

O meu vizinho daqui do escritório chamou-me lá fora para me dizer que lhe fiz uma mossa na carripana velha que tem. Está lá uma marca de tinta escura é um facto. Mas não fui eu, tenho a certeza disso. Ele foi verificar todos os carros que costumam estar estacionados naquele sítio e encontrou no meu pára-choques uma marca que corresponde, acha ele, à mossa. Não fui eu, mas não vi justificação para um confronto. Disse-lhe que mandasse arranjar que pagava. Disse-lhe que não me apercebi. Disse-lhe que não iria discutir com ele. Calei-me. Amanhã deixo o meu carro mesmo ao pé do dele e chamo-o. Mostro-lhe que a mossa dele não bate certo com o arranhão no meu pára-choques, não estão à mesma altura. Hoje dei-lhe a corda toda, amanhã provo-lhe que está errado. Na vida, há situações em que não vale a pena o confronto, dê-se corda e espere-se pela oportunidade de provar que se tem razão. É menos desgastante e mais eficaz. É a isto que eu chamo mostrar o espelho, por exemplo.

Old friends, old bruises.

Quando os verbos começaram a ser utilizados no presente em vez de no pretérito perfeito percebi que provavelmente aquilo que me atingiu como uma pedrada na cabeça aqui há tempos, mas que secretamente desejei que fosse passado ainda que subsistindo a dúvida, afinal não é passado, é presente:

Ele: não é fácil...
(respeirei fundo, enchi-me de coragem)
Eu: mas o que estás a dizer? isso já passou, certo?
(pausa)
Ele: olha as horas, é tardíssimo, amanhã não nos levantamos.
(arrependi-me imediatamente)
Eu: tens razão, vamos dormir, amanhã nem de grua
(e despedimo-nos)

Foi o final da conversa, hoje sem eu querer, ele levou-a novamente para o assunto, aquele assunto, que não foi abordado desde então, desde que senti o soco no estômago com a revelação, a revelação. Outro soco hoje, este dói mais, foi em cima da ferida, onde já tinha magoado antes e que durante algum tempo achei que tinha sarado. Mas não, ainda me dói. Que lhe doa.

24.5.10

Chuva

23.5.10

Voar

Sentir-te na pele faz-me voar, encheste-me de boa energia. Sinto-te no corpo, ainda, estás presente em todos os movimentos. Nada se compara aos momentos que passo contigo, dou-me, dás-te e eu absorvo tudo o que consigo. Fecho os olhos e sinto-te. E voo.

Dói-me tudo, qu'esta merda de passar um dia inteiro na praia debaixo de Sol deixa marcas.
Faz mal, eu sei.
Mas é tão bom.

21.5.10

She's in fashion

Under pressure

E se à noite, depois das crianças adormecerem e enquanto não vem o sono, eu aproveitasse o tempo para estudar? E se à noite, em vez de ver os documentários do National Geographic e do Discovery Channel eu aproveitasse o tempo para estudar? E se à noite, em vez de ficar a pastar no sofá eu fizesse alguma coisinha de útil por mim abaixo? Tenho de investigar, há-de haver alguma coisa que me interesse, que não exija a minha presença nas aulas, e que me retire da puta da pasmaceira onde estou enterrada até ao pescoço. Mas não pode ser tudo, tudo à minha maneira que perde o interesse. Tem de ter prazos definidos, eu funciono muito melhor sob pressão.

19.5.10

Low maintenance

Quando se trabalha num sítio onde praticamente só há mulheres é fácil cair na tentação das comparações. Há-as para todos os gostos, desde as mais sofisticadas às mais singelas. Todas estas mulheres, no seu conjunto, me fazem pensar em mim. Todas estas mulheres têm uma coisa em comum, que eu não possuo. Todas elas têm cuidado com a aparência, umas mais do que outras é certo, mas mesmo aquelas que não são muito sofisticadas revelam algum cuidado, seja a combinar as peças de roupa, seja com os acessórios, seja com as cores ou os modelitos da moda. Vê-se que investem nessas coisas, seja dinheiro seja tempo. Elas compram cosméticos à colega que vende por catálogo, elas compram a sandália ou o sapato logo que o tempo aquece, elas aparecem com um top ou um cinto, elas exibem os últimos brincos. E eu olho por mim abaixo e percebo que só compro as merdas de que efectivamente preciso, que não gosto de ir às compras sempre que há um tempinho, em vez disso compro as coisas que me fazem falta todas de uma vez e têm de combinar todas umas com as outras e com as que já tenho em casa que é para não ter de voltar às lojas nem ter de pensar muito naquilo que vou vestir. Que sou capaz de andar um mês com o mesmo par de botas, que sou capaz de andar semanas com o mesmo casaco, que só tenho peúgas e roupa interior preta, toda igual ainda por cima, que não tenho uma peça de roupa estampada, que as pulseiras que meto no pulso no Verão são as mesmas de há anos. Que nunca na puta da minha vida fiz uma limpeza de pele, que não tenho e nunca tive um creme de dia e outro de noite, que nunca fiz uma máscara no cabelo, que nunca usei um creme anti-celulite. Vou ao cabeleireiro, que por acaso é a minha mãe de longe a longe para pintar o cabelo em castanho escuro, a minha cor natural  para cobrir os cabelos brancos, de resto trato eu dele quando tenho tempo, quando não tenho fica por conta própria e maquilho-me esporadicamente, quando estou mais triste e a fronha mete mesmo impressão ou quando há casamentos, e nem todos. Nunca fiz uma pedicure e manicure devo ter feito umas três vezes. No entanto sinto-me muito mais mulher do que provavelmente a grande maioria delas.

18.5.10

Tédio

Por mais que procure não encontro nada, nadinha que me apaixone. Zero. Penso, penso, penso e não aparece nada que me faça sorrir por fora e por dentro. Durante anos o trabalho apaixonou-me, agora já não. Não tenho nenhum hobbie para além de escrever em blogs, coisa que ainda me vai dando algum gozo. Não mantenho nenhuma actividade que realmente me dê prazer. Há coisas que gosto de fazer é certo, como ir ao cinema ou ao teatro e ir a concertos, mas não passam de coisas banais. Gosto de sair à noite, de dançar e conviver. Coisas banais. Poderia falar dos meus filhos, mas não se trata de paixão, é amor, não tem nada a ver. É um amor maior do que tudo, maior do que eu. Mas, este amor preenche apenas uma parte, a parte da mãe e uma pessoa não é só mãe, é também composta de outras características, e essas andam mal preenchidas. A mulher, vai-se entretendo e divertindo com os homens que também acabam por a aborrecer, e a outra parte, essa está vazia. Essa parte é a que constata que as pessoas em geral me aborrecem, o trabalho me aborrece, as notícias me aborrecem, basicamente o mundo me aborrece. E ando assim, triste. Olho o mundo sem interesse, sem pinga de entusiasmo. Preciso de um projecto, ah pois, é verdade, já tenho um, mas também não me apaixona. Devia, tratando-se da minha casa, da renovação da minha casa, com que sonhei durante anos e que finalmente se concretiza, devia entusiasmar-me, ao invés só de pensar na canseira que me vai dar, nas consumições que irei ter, fico exausta. Esta merda não é normal.

Quanto mais ando mais sinto que estou cheia desta merda

O que era extremamente estimulante não passa agora de, ok mais um. Os desenhos, as cores, as formas e as matérias-primas que dantes me faziam sonhar transformaram-se em meros detalhes a organizar e transmitir. O conceito que tanto me agradava dissipa-se entre todos os outros. As pessoas, antes simpáticas e divertidas, neste momento só me aborrecem.

17.5.10

Estou aqui

"Põe-te fino pá. Vamos ter de o segurar e prepara-te porque não vai ser fácil. Ele tem andado um bocado chato mas isto não tem nada a ver, percebeste?"

Disse isto hoje ao meu irmão, depois do almoço, a respeito do meu pai. Está de rastos o meu pai. Recebeu a visita do irmão, o único irmão com quem mantém contacto, tem outro com quem se zangou há anos e um outro que já morreu. Também tem irmãs, mas irmãos homens, resta-lhe este, e este meu tio está um caco, vimo-lo no ano passado e estava óptimo, entusiasmadíssimo com o casamento do filho, um surdo-mudo de 40 anos que encontrou uma surda-muda da mesma idade e se casou com ela em Julho do ano passado deixando assim os pais menos carregados. Mas ao meu tio foi-lhe diagnosticada uma esclerose (que não sei bem o nome, não fixei até porque me foi dito em francês, a minha tia é francesa) que lhe lhe vai atrofiar todos os músculos do corpo, e já é bastante notório o avanço da doença. E é isto, foi um grande choque para todos, mas principalmente para o meu pai, que só vê o irmão uma vez por ano, está emigrado em França vai para 45 anos. Um homem poderoso, este meu tio. Esteve na Guiné na guerra, depois emigrou para França. Embeiçou-se por uma francesa uma noite numa festa, e engatou-a. Descobriu que ela tinha uma filha deficiente, e mesmo assim casou com ela. Tiveram 4 filhos, e hoje têm 6 netos. Trabalhou toda a vida na construção civil, construiu a casa dele e de alguns dos filhos e nesta altura da vida, já só com a mulher, a vida bem organizada e confortável, na casa dos sessenta, ainda com tanto para fazer e aproveitar, desaba tudo e a vida tal como a conhece pulveriza-se num diagnóstico médico.

Só para dizer que de repente tudo se transforma, sem aviso prévio nem tolerância de ponto. E eu, perante isto sinto-me o mais mesquinho dos seres, cheia de merdas, ai estou triste e tal, quando nada disto tem a mínima importância perante esta situação. O meu tio, infelizmente não posso ajudar, está longe. Mas o meu pai vai precisar de mim, sei-o. Estou aqui.

15.5.10

Memórias

Vi a minha primeira professora de piano. Está velhinha, de cabelo todo branco e bengala. Enquanto eu fumava o meu cigarro na esplanada, lascivamente aproveitando os raios de Sol, avistei-a do outro lado da estrada. Os mesmos lábios vermelhos e as mesmas sobrancelhas de risco preto que aos sete anos me fascinavam e agora me enternecem, e o mesmo corte de cabelo só que agora branco. Aquela mulher nunca teve uma aula de música na vida, mas ensinava miúdos e miúdas a tocar piano e acordeon. Uma auto-didacta, que se casou com um homem viúvo com vários filhos já adultos. As aulas eram dadas em casa dela, numa salinha contígua ao hall e muito raramente era permitida uma visita à cozinha para um copo de água. Foram uns anos de D. Quininha, depois passei para uma escola de música à séria e só mandei aquilo tudo à fava aos 14 anos. Era portanto uma menina muito prendada, tocava piano e falava inglês, devia ser francês mas serve. Ficou o piano, que está em casa dos meus pais, ninguém lhe toca nem o toca há muitos anos. Ficou a memória da menina prendada, bem comportada, a melhor aluna da turma, que atravessou a adolescência relativamente calma, e que só começou a dar dores de cabeça aos pais quando aos 15 anos resolveu que queria ser piloto da Força Aérea, foi até Lisboa sozinha para fazer testes na Base do Lumiar e só desistiu da ideia quando se apaixonou pelo homem que viria a ser o marido e o pai dos filhos. Pensava-se que tinha encarreirado, respirou-se fundo, mas não, está-lhe no sangue, divorciou-se ao fim de 12 anos de casamento, com duas crianças pequenas e está sozinha. Tudo de pernas para o ar outra vez.

14.5.10

Feitos

E quando esta manhã recebi a confirmação da reserva fiquei toda contente. Mesmo contente. Fiquei satisfeita comigo, consegui fazer aquilo que na minha cabeça iria ser de certeza uma tarefa monstra. So full of myself. E agora, consegui que não falhasse uma única cor de nenhum dos modelos, e são muitos, que saem hoje em duas malas cheínhas para Paris, destinados à sessão fotográfica da colecção de Verão 2011 do meu maior cliente. Estou satisfeita. Full of myself. E há cerca de duas semanas finalmente entreguei os papeis todos à minha amiga solicitadora para que ela trate das merdas todas relativas aos meus impostos e à compra da minha casa. Satisfeita, full of myself. Tudo muito bem, e isto tudo que escrevi é absolutamente verdadeiro. Tão verdadeiro como a tristeza que ainda cá dentro, estúpida, reina so full of herself.

13.5.10

Férias

A planificação das férias de Verão foi durante anos motivo de angústia para mim. As do ano passado foram as possíveis e por isso mesmo, foi muito simples. Além disso foram muito boas. Este ano o assunto já me estava às voltas na cabeça sem conseguir chegar a conclusão alguma. Primeiro é sempre necessário conciliar as minhas férias com mais seis pessoas, visto que trabalhamos todas na mesma sala e o escritório não fecha portanto têm de ser planeadas de maneira a que fique sempre alguém a segurar as pontas. Depois porque os miúdos vão estar com o pai de 1 a 15 de Agosto, o pai deles, pessoa organizadíssima, já tem as férias marcadas há meses, mas o facto da empresa onde trabalha fechar completamente naquele período determinado logo no início do ano clarifica imediatemente quando os funcionários podem marcar férias. Bom, hoje lá no trabalho ficaram decididas as nossas férias e vou estar uma semana de férias com os meus filhos. Só, pois. Custa-me é um facto. O pai vai estar duas semanas com eles e eu vou estar apenas uma e as outras duas vou estar sozinha. Então falei com eles, expliquei-lhes e perguntei-lhes o que lhes apetecia fazer nessa semana. Começaram por perguntar o que vão fazer o resto do tempo. Vão ficar na avó durante o dia, quando começarem as vossas férias grandes a mãe ainda vai estar trabalhar, depois a mãe fica de férias e vamos estar uma semana juntos, e a seguir vocês vão duas semanas para o Algarve com o pai, expliquei eu. Dilema: vamos para um sítio qualquer de avião, diz o mais velho; se for para andar de avião prefiro ficar em casa da avó, vão vocês, diz o mais novo. Ok, isto não vai ser fácil, penso eu. E se fossemos passar uma semana a qualquer sítio fixe, na praia, não muito longe para podermos ir de carro? Lancei o repto. Mas mãe, já vamos com o pai para a praia, porque não vamos para outro sítio sem ser praia? Boa questão, vamos lá escolher uma cidade porreira para visitarmos e vamos os três conhecer aquilo tudo? Ena mãe, grande ideia! Enquanto ligavamos o computador lembrei-me da Corunha, não é longe, tem mar e há montes de coisas para ver. Mas enquanto procuravamos hoteis lembrei-me de outra coisa. Mostrei-lhes na internet um hotel que descobri numa revista, a uma hora daqui, no meio do monte, ao pé de um rio, que tem programas de desportos radicais como escalada, btt, parapente e por aí fora, e ainda por cima dentro do orçamento previsto.  Maravilha! Ficaram deliciados com o hotel, com a serra, com o rio, com a piscina, com o parque infantil, e gritaram: É este, mãe, é mesmo este! E, tinha lá uma foto de um helicóptero paradinho à frente do hotel (francamente nunca tinha visto aquela fotografia) Uau!!! Oh mãe, será que dá para dar uma volta de helicóptero? Sei lá, mas se realmente houver um programa que seja dar uma volta de helicóptero e não for muito caro, vamos andar de helicóptero! Já está, já mandei o e-mail com a reserva. Nunca decidi umas férias assim. Tão fácil, tão rápido e com tanta excitação.

Agora só me falta saber o que vou fazer nas outras duas semanas, sem filhos, sem pais que vão de férias precisamente nessa altura, e sem amigos que vão estar ainda todos a trabalhar, mas essa parte não há-de ser difícil.

Estanque

Mudei de ideias e concordei em sair novamente com o gajo do flirt. Mudei de ideias e pensei mesmo em conduzir a coisa até ao sexo. Fui. Curiosamente não senti o que achava que iria sentir quando estivesse perto dele, curiosamente fiquei-lhe imune. Frente a frente, olhos nos olhos e nada. Um gajo que antes me acendia nem uma faisquinha só provocou. Cagando na atitude, cagando na conversa e no histórico, olhando só o macho, ali à minha frente, e nada. Não aconteceu nada, um beijo sequer. Porque eu não quis evidentemente, ele nem ousou, pormenor que eu já sabia, e assim é que tinha de ser. Portanto confirma-se que, não estando eu com a puta da cabeça no sítio certo, não há gajo que me desencaminhe. O que é bom. Constata-se também que quando estou porreiraça, quem desencaminha sou eu, o que também não é mau. Mas o mais importante desta merda toda, e analisado "à posteriori" é que não é pelo facto de estar triste ou menos animada que acabarei na cama com quem não quero, com os sentidos toldados pela procura de qualquer coisa disfarçada de conforto ou consolo, para a seguir me arrepender. Continuando o exercício, verifico que esta alminha é estanque a factores exteriores relacionados com o gajedo. Não são os gajos que me animam ou desanimam. Ou estou bem ou não estou. O gajos entram ou não entram, a chave tenho-a eu.

12.5.10

Tinta

Quando estou assim, triste, olho-me ao espelho e acho que aquele rosto precisa de alguma coisa. Então maquilho-me. Acho sempre que a sombra e o blush trazem um pouco de brilho. Inútil tentativa de tapar o Sol com a peneira, serve apenas para fazer batota. Eu gosto daquele rosto, só não gosto da tristeza, que atenuo ligeiramente de manhã com as pinturas mas que regressa em força à noite, quando já de cara lavada me olho ao espelho e penso outra vez que aquele rosto precisa de alguma coisa.

11.5.10

Pé ante pé

A pior tristeza é aquela que não se sabe de onde vem. Aquela que chega de mansinho, que nos invade só um bocadinho a cada dia, que se sente vir mas quase que passa despercebida. Aquela que não faz sentido, que não se entende e que por isso se transforma numa bola de neve que galgando as entranhas toma posse de tudo. Aquela que se disfarça de fraca para de um momento para o outro explodir dentro de nós e dominar todos os gestos, todos os pensamentos e pintá-los de angústia. Aquela que da mesma forma que não se sabe como nem de onde veio, não se sabe se partirá.

10.5.10

Ninho

Ontem à noite fui ao cinema, um filme de caca, daqueles só para entreter. Só para atenuar as saudades. Ao final da tarde achei que já era demais e decidi, levantei-me tomei um duche e saí. Já não aguentava o silêncio da casa, já não podia com o meu mundo sem eles. Hoje só me apetece o meu ninho com as minhas crias, uma debaixo de cada asa, no quentinho que está frio e são eles que me aquecem. Estão a acabar o jogo, a seguir... ninho.

9.5.10

Sunday

Causa-efeito

Não sei me obrigo a ser racional porque me sei intensa ou se me permito ser intensa porque me sei racional. Hei-de descobrir.

7.5.10

Wtf ?!?

Desconfio sempre de gajas que usam malas ou acessórios daquela gata insuportável, a Kitty, ou daquele urso patético, merda que me esqueci do nome, foda-se, como é mesmo que se chama a puta da marca... ai o caralho... ah, Tous, é isso. Mas essas merdas não são para as miúdas pequenitas da escola primária? Já agora porque não cenas da Barbie? A mania de não querer envelhecer está a dar-lhes cabo dos neurónios, só pode. Se mulheres adultas de 30 e tal anos andam com merdas de miúdas de 10, quando estiverem na casa dos 50, 60 vá, vão achar-se com 30 e tal, máximo 40. Mas porque é que estas mulheres usam coisas de criança? E se aos gajos lhes dá para usarem camisolas e calções do Ruca? Ou relógios de outra merda qualquer para putos? Acham bem? Acham giro e fofinho? Eu não, de todo. E também desconfio que um gajo em condições não sinta pica nenhuma por uma tipa com um acessório acriançado.

Mau...

Vamos lá ver se nos entendemos. Da última vez que me fizeste isto fiquei muito chateada mas perdoei-te. Agora, desculpa lá mas estás a tornar-te um bocado repetitivo. Quer dizer, iludes-me, enrolas-me e fico eu a pensar que vou passar um fim de semana em grande, que me vou descascar e sentir o teu calor na pele, que me vais percorrer o corpo com o teu toque suave, fico a imaginar coisas boas contigo e tu fintas-me outra vez? Mas que é isto? Andamos a brincar? Já devias ter percebido que nestas merdas aqui a gaja não gosta nada que lhe acenem com promessas que depois não dão em nada. Nem devias sequer dar o ar da tua graça percebeste? Deixavas-te estar quietinho lá pelo teu canto e eu ficava sossegadinha, sem expectativas nem fantasias. Prefiro que nem sequer te mostres ouviste? Por isso, Sol do meu coração, ou te decides e de facto apareces com todo o teu esplendor e me proporcionas uns bons momentos desnudos na praia ou está tudo acabado entre nós. Porra pá!

6.5.10

Zero

Esta é uma daquelas noites em que, sozinha em casa depois de um dia de trabalho no lombo daqueles que deixam o corpo moído e a cabeça vazia, o cansaço é demasiado e a paciência nula para esperar que a banheira encha. A alternativa seria uma boa massagem e umas cócegas na cabeça até adormecer, mas isso implicaria ter de levar com um moço, que se ajeita muito bem e até é meiguinho, mas como já disse não há paciência, nem energia para o que provavelmente a massagem iria despoletar. Na ausência disto tudo, vou meter-me na cama, fechar os molhos e tentar ficar imóvel na esperança de adormecer rapidamente. Há noites assim, e depois? Só vim aqui escrever esta merda porque foi a única coisinha que me apeteceu fazer.

(Foda-se que ainda tenho de me despir, tomar um duche, lavar os dentes e vestir o pijama, puta de trabalheira...)

5.5.10

Filhos da puta

Amanhã, não, amanhã não, hoje, às 9:00h da manhã começa mais uma sessão de... de... daquilo... em que me sinto muito mal na minha pele, em que os minutos custam a passar, em que faço das tripas coração para ser simpática e agradável. Tudo o que detesto. Já tive cliente que recebia com todo o gosto, mesmo trabalhando que nem uma burra às vezes 14 horas por dia, que uma semana passava a correr, que os levava a jantar e a passear pela cidade, e que, com o tempo ficaram meus amigos. Estes, os que chegam amanhã, não os conheço. Não conheço as pessoas, as pessoas são pessoas independentemente da profissão. Mas conheço este cliente, esta empresa e este projecto, e estas três criaturas fazem parte da equipa que me obriga a seguir burocracias estúpidas. É que tenho de o fazer não lhe encontrando qualquer lógica, o que me fode completamente a cabeça. Posso ter de fazer merdas de que não gosto ou com as quais não concordo, mas se lhes vir um sentido e alguma coerência, que se foda, faço. Mas, tendo de alinhar neste esquema não alcançando a lógica da coisa, puta que pariu, é muito ruim. Há gente, que só para mostrar serviço às chefias, sem qualquer utilidade prática, não hesita em foder a vidinha aos outros. Filhos da puta.

1.5.10

Dentro de mim

Pela primeira vez hoje, ainda agorinha, passado quase um ano, ouvi as palavras "mãe, mas eu queria ficar contigo..." Os últimos 3 fins-de-semana ficaram comigo por motivos de força maior incluindo deveres profissionais do pai, e hoje o pequeno não tem muita vontade de ir, pela primeira vez. Dói-me o coração. Tenho a certeza que têm saudades do pai, que vão divertir-se imenso e que vão gostar. Mas aquelas palavras quebraram-me e sei que este fim-de-semana, para mim, vai ser diferente dos outros todos que passei sem eles.

30.4.10

Estourada

Estou estourada porque acabo de estourar mais de 300 euros em roupa, e nenhuma peça é para mim. Duas toilletes para um par de gémeas que fazem 13 anos na proxima segunda-feira, uma delas é minha afilhada e a outra não, mas isso nada significa porque levam as duas presentes por igual em todas as alturas do ano, aniversário, Pascoa e Natal. O resto é tudo para o rapaz maior que está grande que eu sei lá e servem-lhe 3 ou 4 t-shirts do ano passado. Pois... ele foi t-shirts, ele foi calças, ele foi bermudas, ele foi cintos, ele foi sapatilhas, ele foi camisas, e parte disto já na secção de homem porque algumas calças e bermudas do tamanho 13/14 da Zara Kids já não lhe servem, e dali fomos como fusos à parte Zara Man. Mas pronto, tenho esta mania de comprar tudo de uma vez só e de preferência tudo na mesma loja, e assim só lá volto em Setembro, para nova carga de roupa de Inverno. Mentira, vou ter de lá voltar para comprar qualquer coisinha para o pequeno, coitado que também merece umas pecitas de roupa nova, senão tem sempre roupa usada, a que deixa de servir ao irmão. Era bom era, desfazer-me de roupa em bom estado e depois ter de comprar tudo outra vez. Não faltava mais nada, guardo tudo. Mas só porque o mais velho é o mais velho e o mais novo é o mais novo, é que se fosse ao contrário estava lixada, a roupa que deixa de servir ao mais novo vai quase toda para o lixo porque o gajo dá cabo de tudo, desde nódoas perpétuas a buracos de todos os tamanhos e feitios, tanto em roupa como em calçado, uma miséria. Claro que isto de guardar roupa durante 4 anos dá um bocado de trabalho e exige alguma organização. Além do filme que é todas as estações ir dar a volta aos baús e gavetas para ver o que já lhe serve e o que ainda fica. E depois sim, incursão pela loja para lhe comprar qualquer coisa de novo, não era justo não é?

(Nota-se assim muito que não gosto de ir às compras?)

29.4.10

Brincadeira

Estavam os dois já prontos para virmos para casa, e foram dar a última volta de bicla, nas traseiras da casa dos meus pais enquanto aqui a mãe recolhia mochilas, casacos, livros e sacos vários, eis senão quando aparecem os dois caramelos molhadinhos que nem uns pitos. Tiveram a brilhante ideia de abrir a torneira da mangueira e deram banho um ao outro. Muito giros, sim senhor. Resultado da brincadeira: Bicicletas para mala do carro e à chegada a casa directinhas para o armário da garagem. Fechadas por tempo indeterminado. Eeeeeeei mãe, oooooooooooooh, quando nos dás as bicicletas? Não sei, depende do comportamento de vossas excelências.

Exclusividade

Acabo de receber um telefonema muito simpático de uma menina que amavelmente me informou que tenho de preencher uns filhas da puta duns mapas excel, com informação que deverá ser actualizada todas as semanas, que é extremamente importante, que ela tem de apresentar à direcção, bla bla bla... E a procissão ainda vai no adro, que é como quem diz, a colecção nem foi entregue sequer. É muito giro falar mas além de policiar os fornecedores, traduzir tudo e mais alguma coisa que estes camelos não entenderam ainda que para exportarem mercadorias convinha que pelo menos um dos funcionários dominasse a língua inglesa, massacrar-lhes a cabecinha diariamente a reclamar amostras e informações variadas, responder às centenas de e-mails cheios de paneleirices recebidos das moçoilas francesas de diferentes equipas, alterar mapas que há cores anuladas ou adicionadas e quantidades revistas tipo cada dois dias, adicionar instruções que chegam todos os dias a conta-gotas, ainda vou ter agora, de pegar noutros mapas já preenchidos e enviados anteriormente, actualiza-los todas as semanas e envia-los à menina simpática que me telefonou. É giro, é sim senhor. E é simples, quando chegarem as encomendas e eu tiver de acompanhar as produções, esta merda de certeza que vai piorar consideravelmente, e nessa altura, todos os outros clientes paneleiros que ainda tenho terão de ir à vidinha deles e ir parar às mãos de outra gaja qualquer. Eu trato desta merda toda, trato, na boa, mas se é para ser assim, se é para exigir este nível de comprimisso, terá de ser em regime de exclusividade. Caso contrário, ou trato disto a cagar e depois dá merda, ou então deixo de ter vida extra-trabalho, trago para cá um saco-cama, escova de dentes e hiberno cá no escritório, o que é completamente contra-natura, está a chegar o Verão caralho, tempo de esplanadas, praia e protector solar, hibernar é no Inverno foda-se!

Surpresa

Equipada, de toalha e garrafa de água e com a juba presa num elástico lá vou eu, lentamente que a ideia de ter de ir dar o corpo ao manifesto não continua a não me agradar nada, mas dizia eu, calmamente dirijo-me ao ginásio. Sim, hoje outra vez, entro na sala dos horrores e quem vejo eu, ali a pedalar na bicicleta? Quem? Pois... alguém que provoca em "moi" sentimentos muito contraditórios. Se por um lado a paranóia do proibido já não faz grande sentido dado que essa estrada já foi galgada sem direito a multa nem nada, por outro continuo a achar que não devo correr o risco de alimentar uma situação que não irá dar a lado nenhum. Acontece que há ainda um outro lado, que digamos... é assim... não sei... um lado que me provoca uma certa efervescência perante a visão de uma figura que assim de repente, para a descrever, só me sai "filet mignon". É o que vos digo, "filet mignon"... ai...

28.4.10

Tens a mania que és fina...

Há dias em que acordo e acho que posso contrariar a Natureza. Então eis que hoje chego ao escritório empoleirada numas sandálias de salto alto e com um cinto largo envolvendo as ancas, e estes prantos dão imediatamente direito a exclamações por parte das minhas colegas, ai que tu hoje estás uma verdadeira "femme de négoces", é, nós misturamos português e francês frequentemente. Obviamente que lá pelo fim da manhã caio na real e arrependo-me amargamente de ter calçado as sandálias e ter posto o puto do cinto, porque os saltos altos impedem-me de andar à velocidade a que estou habituada, o que me irrita solenemente, e o cinto desloca-se de cada vez que me sento ou me levanto e chateia-me andar constantemente a pôr o cinto no sítio. Aqui, repito o padrão e à hora do almoço vou a casa, atiro as putas das sandálias  com quanta força tenho para o fundo do armário e largo o cinto onde calha, abraço a minha condição de "femme" que não é de "négoces" e enfio-me nas allstar. Agora sim, o mundo regressou à normalidade.

27.4.10

Inspira, expira

Pela primeira vez na minha vida, saí ontem do ginásio com o ar de quem tinha de facto passado uma hora num ginásio. A t-shirt completamente molhada e as calças coladinhas às pernas. As trombas vermelhas e ligeiramente inchadas e a respiração ofegante. É verdade que os 10 minutos de bicicleta foram pedalados a velocidade superior à habitual, é certo que fiz 15 minutos de tapete com aquilo regulado no limite dos limites da velocidade a que se começa a correr, mas eu andei, recuso-me a correr que não quero entrar em despesas e com o meu pé pesado e estes kilos todos a martelar na passadeira ainda parto aquela merda toda, sim, não sou propriamente uma rapariga magra, tenho carne agarrada aos ossinhos, e também confirmo que as máquinas que utilizo normalmente para exercitar os músculos das costas carregavam 15kgs em vez dos 10kgs do costume. Portanto, desta vez acho que queimei meia dúzia de calorias. E admito que  o ter estado, pelo meio dos meus exercícios, a contemplar a equipa de pólo aquático alegremente fazendo os exercícios de aquecimento, ali ao pé da piscina, pode ter ajudado a gerar uma quantidade considerável de suor neste corpinho.

26.4.10

Insiste

Sms recebido esta manhã:

"Beijo de bom dia para uma linda menina!"

Ora bem, o remetente é o gajo do meu flirt. E quando penso nele só me ocorrem duas coisas:

1ª - Passou o dia, passou a romaria
2ª - Quem foi ao mar, perdeu o lugar

É isto, continua a insistir, depois de me ter tido ali, decidida a saltar-lhe para a espinha, os sinais todos lá, e ele a engonhar. Como tempo é coisinha que não me sobra, fui à minha vida que tenho mais que fazer. Além disso, estes "linda menina" não me caem lá muito bem, deve achar que está a lidar com uma adolescente a quem precisa de cantar o fadinho para ela lhe aceitar o namoro. E daqui retiro que o indivíduo muito provavelmente está à procura de namorada. Credo! Se lhe dou corda, está aqui está a convidar-me para o acompanhar a um baptizado para me apresentar à família. Então penso de mim para mim: faz-te de morta...

25.4.10

Pode haver

Depois de um dia de Sol maravilhoso, muito bem passado, que meteu bicicletas, praia e gelados, e depois de jantar uma partidinha de bilhar a três, o pequeno, quando o fui deitar, sai-se-me com isto:

- Oh mãe, pode haver pessoas que gostem de ti.
- Claro que há, tu não gostas de mim? E o teu irmão, não gosta de mim?
- Sim, mas pessoas grandes, pode haver pessoas grandes que gostem de ti.
- Evidentemente, a avó, o avô, o .... (o meu irmão, que eles tratam pelo nome em vez de por tio)
- Não é isso mãe, outras pessoas.
- Homens? É isso que tu queres dizer?
- Sim mãe.
- Olha lá, e tu sabes de algum?
- Não.
- Então deixa lá, eu também não.

Mas fiquei a pensar naquilo, aquela conversa, assim saída do nada,  e uns segundos depois atirei:

- E se isso acontecesse?
- Dava-lhe cá uma porrada...

Fiquei esclarecidíssima, como é bom de ver.

23.4.10

Sexy songs #3

Desconfio

Há tempos falei de quando sou burra e obediente, aqui, e de como opto por mostrar o espelho. Ainda esta semana fiz isso. As reacções que provoco quando saco do espelho e o mostro é que variam. Desta vez, por trás de uma espécie de black-out, que eu leio como: não estou para te aturar, ou: não me chateies, e respeito, desconfio que há alguma fúria. Não sei, desconfio.

22.4.10

Estado de choque

Ele: Oh mãe, com que idade é que eu posso sair?
Eu: Sair? Sair, como?
Ele: Sair... assim... à noite, com os meus amigos.
Eu: Mas sair para onde? Fazer o quê?
Ele: Assim... para conhecer... raparigas...

...

Este gajo tem 10 anos, 10 anos!!!
Estou perdida!

21.4.10

Nude

Aceito que para algumas mulheres o poder constitua um atractivo poderoso. Aceito que se sintam atraídas por homens poderosos. Nem sempre será o dinheiro a base desse poder, mas na maior parte dos casos é. E obviamente que os sinais exteriores de riqueza, num homem, são o que chama a atenção destas mulheres. Boas casas, bons carros, boas vestimentas, os lugares que frequentam, só para enumerar os factores mais óbvios. Mas aceito só por causa daquela explicação sobre o facto de estas merdas actuarem no subconsciente e acordarem aquelas outras merdas ancestrais na fêmea que procura um macho que lhe proporcione segurança às crias, etc... e tal. Acontece que depois há os homens que acenam com este tipo de coisas, porque sabem perfeitamente que há mulheres que mordem o isco, que mostrando todos esses sinais é uma alegria e é só gajas à volta deles. Têm razão, safam-se melhor assim na prática. Elas andam lá, com o cheiro. Umas legitimamente, e talvez a maioria só com a intenção de uma vidinha confortável e despreocupada, coroada por uma ideia de "status", abomino esta palavra e este conceito, proporcionado pela associação a este tipo de homens. Sempre gostava de ver estes homens nuzinhos de carros, de cartões de crédito e de griffes, a ver como se safavam. Sempre gostava de ver estes homens a jogar limpo, a valerem-se de si próprios apenas, a ver como se safavam. É que quando se me atravessam à frente, imagino-os logo nús daquelas merdas todas, e poucos são os que valem alguma coisa. Porque, quando um homem é algo mais do que só aquilo que possui não o ostenta, o que me leva a concluir que todo o espalhafato só serve para disfarçar o facto de que, uma vez despidos, estes homens ficam em nada.

20.4.10

Separadores

Fui jantar com o meu melhor amigo. Refeição excelente. Conversamos sobre as nossas vidas, como sempre. Durante o café:
Eu: Sabes, estava a pensar numa coisa enquanto comíamos.
Ele: Em quê?
Eu: Isto, que nós temos, é maravilhoso. Não tenho com mais ninguém.
Ele: O quê?
Eu: Isto, esta partilha, este disfrutar de coisas boas em conjunto, isto é tão íntimo, não achas?
Ele: Sim, claro. Mas também terás com outras pessoas.
Eu: Não tenho nada, por exemplo, isto é impensável com qualquer um dos gajos com quem eu vou para a cama, não há sintonia, não é possível.
Ele: Não podes dizer isso, um dia vais ter, não podes controlar essas coisas. Quando bater, vais ver que tens tudo isto e muito mais porque não se escolhe, não sabes o dia de amanhã, pode acontecer.
Eu: Já sei, mas com eles só vou para a cama, para isto tenho-te a ti.
Ele: Tens tudo muito bem separadinho, não há dúvida...

19.4.10

Embrulha

Continuo a ter de mastigar toda a minha revolta bem mastigadinha para que não me cause problemas no aparelho digestivo depois de a engolir, mas que mesmo assim custa a passar, e a ter de fazer apenas aquilo para que me pagam.

Obrigatório

É inútil dizer que gostaria que todas as pessoas fossem obrigadas a ler o livro "Inteligência Emocional" do Daniel Goleman, porque há pessoas que mesmo lendo esse livro e todos os outros livros do mundo sobre o tema, continuariam completamente impotentes perante elas próprias.

18.4.10

Chantagem

Ele: Tu és chata, mãe! Disseste que podíamos brincar antes de ir dormir e agora não deixas.
Eu: Eu sei filho, mas entretanto é hora de dormir. O filme já começou tarde, e depois jantamos e agora chegou a hora de dormir.
Ele: És mesmo chata mãe!
Eu: Achas mesmo que sou chata? Se eu fosse uma mãe chata não vos teria levado ao cinema. Se pensares bem até sou uma mãe fixe.
Ele: Mas o pai é muito mais fixe!
Eu: Olha que sorte! Tens uma mãe fixe e um pai muito fixe. Já viste? Estás como queres!
Ele: ...

17.4.10

Festa é quando a gente quiser

A qualquer hora, desde que apeteça, há festa cá em casa e dança-se como se não houvesse amanhã. É vê-los aos saltos, mete cantoria, mete pinchos do sofá para o chão e do chão para o sofá, passos de dança de cair para o lado, e muitas gargalhadas. Eu alinho mas não consigo acompanhá-los porque me desfaço a rir. Basta pôr isto a tocar. E garanto que toca muitas vezes, a qualquer hora do dia. Óh, está ali, alto e bom som!

Isto ia ser um comentário, mas é tão longo que mais vale ser um post

E agora já depois do tal colóquio sobre a violência no meio escolar.

Os oradores:

1) Um sociólogo, conheço-o desde pequeno, um rapaz em condições, explicou o que é o bullying e como se identifica. Já sabia.

2) Uma psicóloga, nada de novo, o diálogo e tal, mas falhou em focar pontos essenciais que tive o prazer de ser eu a trazer quando deram a palavra ao "público".

3) Um padre, o da freguesia, um gajo do caralho, professor universitário de Filosofia, e o único que pegou no touro pelos cornos, sim senhor, gostei.

4) Um dos professores do agrupamento, ok, mais ou menos. Por acaso é o coordenador do clube de xadrez do mais velho.

Ou seja, nada do que se disse ali me trouxe algo de novo, e o único que disse as grandes verdades foi o padre. Ah pois é!

E esta merda, que ninguém me foda, começa em nós pais e nas nossas responsabilidades. Eu levei uns estalos e umas palmadas quando era miúda e asneirava, não fiquei traumatizada. Hoje, se o menino bate ao colega na escola é porque vive esses problemas em casa, coitadinho, ou porque leva porrada do pai, a família vive em condições muito precárias, etc... Nem sempre, e foi o que eu disse no final, é que muitas vezes esses agressores de meia-tigela são putos mimados, de famílias financeiramente bem posicionadas, que nunca foram contrariados e que acham que podem fazer tudo o que querem e lhes apetece e que ninguém lhes faz nada. Se a escola calha de chamar os papás, ainda se riem e dizem que os filhos são os maiores. Pois eu digo que se um dia alguém me vier dizer que um dos meus filhos bateu ou de alguma forma faz mal a um colega, o gajo leva-me semelhante coça que nem sabe de que terra é, e ponho-o de castigo durante dois anos. O padre foi o único que disse, resumidamente, isto:

- a violência é própria do ser humano, há que canalizar toda essa energia de forma positiva, cabe aos pais orientar os filhos nisso;
- vocês são pais, não são colegas dos vossos filhos;
- vocês sabem mais do que eles, nem que tenham só a 4º classe;
- é vosso dever impôr respeito e ensiná-los a viver em sociedade e a respeitar o próximo;
- instrução não é sinónimo de educação.

Eu concordo com isto tudo, dê-se-lhes amor, e muito, mas amá-los também passa por dizer-lhes que não e prepará-los para lidar com as frustrações que a vida lhes trará. Não podemos ampará-los para sempre e além disso eles precisam da figura de autoridade para se sentirem seguros.

E digo mais, um par de estalos na hora certa vale mais do que qualquer psicologia.

Por exemplo, no início do primeiro período o mais velho queixou-se que um dos colegas da turma lhe mandava uns cachaços e uns empurrões no corredor. Disse-lhe, tens bom corpinho, defende-te. Mas se a coisa correr mal, diz ao miúdo que eu vou lá e que lhe parto a cara e depois vou falar com o director de turma, mas parto-lhe a cara primeiro, ouviste? Não sei bem o que o meu filho fez, mas o que é certo é que o puto nunca mais o chateou.

Estou convencida que isto do bullying é culpa dos papás. Desafio quem tem mais de 25 anos a dizer que não tinha respeitinho aos pais e que se fizesse merda não levava umas palmadas no rabo ou um par de estalos. Ai de quem faltasse ao respeito ao pai ou à mãe. É verdade ou é mentira? Este fenómeno recente deve-se à demissão dos pais do papel de educadores. A malta da minha geração, recuo mesmo uma dezena de anos, que não disponibilizando tempo para os filhos, porque trabalha muito e ai que hoje em dia o stress e mais essas merdas todas, compensa os miúdos com tudo o que eles querem e não estão para se chatear a contrariar os meninos, porque é muito mais fácil ter o puto sossegadinho a ver televisão ou a jogar playstation do que a chatear-lhes a cabeça, é a verdadeira culpada do bullying. Mas, que caralho, eu tenho uma profissão que me absorve bastante, contudo o tempo que passo com os meus filhos, que não é assim tanto quanto eu gostaria, passo-o com eles e não na mesma casa que eles, ou no mesmo espaço que eles. Quando eles têm tudo o que querem, além de não darem valor a nada, crescem convencidos que basta querer que têm, que fazem dos adultos o que querem e que podem fazer tudo o que lhes apetece sem sofrerem as consequências. Depois na escola, nada os impede de desrespeitarem tanto colegas como professores, sabem perfeitamente que os pais não vão fazer nada, porque não estão simplesmente para se chatear, porque não têm tempo ou porque até gostam da ideia do filho ser o mais forte ou o mais arruaceiro da escola.

Os meus até podem descambar e fazer asneirada da grossa, pode acontecer, mas não será por falta de acompanhamento meu, e não será seguramente por falta de um safanão sempre que o mereçam.

16.4.10

Interesse duplo

Hoje à noite há uma reunião na escola do meu filho, mas que engloba também a escola do meu outro filho. Agrupamento, é assim que se diz, um anda no 1º ano e o outro no 5º. Esta reunião é mais um colóquio sobre a violência escolar. Estarão professores, sociólogos, psicólogos e segundo soube até o padre da freguesia estará presente. A mim interessa-me muito, aliás interessa-me duplamente, é que os meus rapazes abrangem o tema em toda a sua latitude: um é dos que leva, e o outro é dos que dá. Tenho em casa ao mesmo tempo, uma potencial vítima e um potencial agressor. Convém-me saber tudo o que há para saber sobre o assunto, ou não?

15.4.10

Não consigo perceber

Há coisas que tento e que não consigo perceber. Uma delas é porque é que as pessoas não viram a página e continuam com a sua vida depois de se divorciarem. Ultrapassa-me totalmente. Se a pessoa não queria o divórcio, aceito que guarde mágoa, que prefira abster-se de contactos e que mantenha apenas as ligações estritamente necessárias quando há crianças. Sem elas, todas as ligações podem ser completamente desfeitas. Mas, quando a pessoa que quer a ruptura, a consegue e depois insiste em agressões e guerrinhas absurdas, acho estúpido. O meu pai sempre me disse que quem não está bem põe-se, por isso quando os motivos que causam infelicidade e mau-estar deixam de existir, não compreendo porque é que as pessoas a partir daí, não se concentram em procurar serem felizes e em vez disso se consomem e desgastam em lutas de finalidade para mim duvidosa. Massacram e reviram a faca na ferida do outro, e simplesmente não viram a página. Já pensei que pode ser masoquismo, continuam a torturar-se, devem gostar, ou então é mesmo só mau-carácter, sede de vingança, de castigar e fazer sofrer. Não tenho a certeza e acho que nunca hei-de ter.

Deve ser assim

Fingir que se gosta varrendo o asco para debaixo do tapete. Sorrir disfarçando a fúria no cerrar de dentes camuflado. Agir com naturalidade sentindo todos os músculos tensos de raiva. Agradar, e seduzir fazendo de conta que se gosta da companhia. Deve ser assim. Deve ser assim que as putas se sentem com os clientes. Ontem senti-me assim, com o meu cliente. Falsa e vendida. Puta.

13.4.10

Fabuloso

Stop

Estás a ter aquela sensação de que esse caminho vai dar a um lugar que sabes que não é teu?
Estás a ter aquela sensação de que se continuas vai dar merda?
Então pára.
Já.

12.4.10

"A girência agardece"

Não foste bem tu, mas de alguma forma estás ligado, quer dizer tu não, o teu blog, o outro, o antigo, à luzinha que se me acendeu e que me fez pensar de mim pra mim: que caralho, na volta fazia-te bem começares a tentar por ordem nesses cornos todos fodidos e com jeitinho se escrevesses essa merda toda que te passa pela cabeça eras gaja para atinar um bocadito. E pronto, pensei e fiz. E já vai há um ano. Atinar, atinar, não sei se atinei, mas que pelo menos a puta da merda que me passa pela cabeça começa a ter um bocadinho, pouquinho, de sentido.

Obrigada
Beijo

11.4.10

11.04.2009 - 11.04.2010

365 dias de caminho desbravado. O registo de momentos, sentimentos e pensamentos. Bons e maus. 1 ano de descobertas, de surpresas e de constatações. E isto, é apenas o início.

10.4.10

Rica vida

Bicicletas: sim
Bola: sim
Cartas: sim
Manta: sim
Almofadas: sim
Água: sim
Destino: parque

Enquanto eles deram uma boa dúzia de voltas ao parque empoleirados nas biclas deitei-me na manta e estiquei-me ao sol sem sapatilhas e sem meias, que sensação tremenda, ter os pés nús ao sol pela primeira vez este ano. Depois vieram, cheios de sede, descalçaram-se e jogamos as cartas. Fizemos o "carro" da praxe, construído por nós os três, eu no meio, o pequeno a conduzir e o grande atrás, sentados na manta em fila, com as pernas entrelaçadas na cintura uns dos outros e os braços à volta da barriga do da frente a fazer de cinto de segurança. Este "carro" arranca, faz umas curvas sinuosas e acaba sempre por capotar, umas poucas de vezes. É uma loucura este "carro". Sapatilhas calçadas e lá vão eles de novo para agora dar uns toques na bola enquanto eu me estico outra vez tipo lagarta. Mais água, uma queda que esfolou um braço, alguns berros e umas lágrimas, e sacudido o pó e a areia, foram directos para a banheira, unhas pretas de terra, bochechas rosadas e estão ali, no sofá lavadinhos e cheirosos, de barriga já composta pelo lanche à espera do prometido jantar em casa do padrinho do mais velho e do passeio a pé no centro histórico depois de jantar. Rica vida hoje, hein?

Mamã

Apesar dos meus filhos me tratarem por mãe, eu trato a minha mãe por mamã. Trato-a por tu, e chamo-lhe mamã, e muitas só "mã". Gosto de pensar que herdei algumas das suas características, e gostaria de ter herdado mais algumas, que infelizmente me escaparam completamente, perderam-se em parte incerta. Há dias falavamos de relações, de casamentos e de divórcios, de amores e por aí fora. Claro que a conversa descambou para o meu lado. E ela, triste, dizia-me que sabe que sou muito nova, e que provavelmente as "coisas vão acontecer" e que lhe custa muito essa ideia. Sosseguei-a. Expliquei-lhe que não devia pensar nisso, simplesmente porque eu não penso. Mas ela pensa, ela vê o meu irmão, divorciado também, que namora com uma mulher divorciada que tem uma filha, e olha para mim, uma mulher divorciada com dois filhos e acha que mais cedo ou mais tarde vou acabar por ter um namorado, por muito que lhe custe. Pela primeira vez disse-me que acha que não é possível amar-se alguém pela segunda vez como se amou a primeira. E que não acredita que essas relações, as segundas, resultem. Só nos casos em que não se amou verdadeiramente na primeira vez. Ah? Como? (provoquei-a) Sim, disse ela, quando não se consegue casar com a pessoa que se ama realmente, e se casa com outra pessoa. Isso acontece. (E mandou-me aquela expressão "parece que és parva") Aí, pode ser, depois encontra-se o amor e até pode ser que as coisas resultem, caso contrário a minha mãe está convencida que as pessoas saltam de relação em relação, porque o amor verdadeiro já não é possível. Sosseguei-a mais uma vez. Então pronto mamã, não tens com que te preocupar, eu já amei de verdade, já vivi isso tudo na totalidade. Por isso, não vejo no meu horizonte uma segunda relação, porque só faz sentido estar numa relação quando se ama. Sossega mamã, não penses nisso, que eu também não penso.

9.4.10

Tiny little things

Acender um cigarro com um fósforo e inalar o cheiro do tabaco misturado com o cheiro a pólvora. Magnífico.

Sweet disposition - The temper trap

Sweet disposition
Never too soon
Oh reckless abandon
Like no one's watching you

A moment, a love
A dream, a laugh
A kiss, a cry
Our rights, our wrongs

A moment, a love
A dream, a laugh
A moment, a love
A dream, a laugh

Stay there
Cause I'll be coming over
While our blood's still young
So young it runs
Won't stop till it's over
Won't stop to surrender

Songs of desperation
I play them for you

A moment, a love
A dream, a laugh
A kiss, a cry
Our rights, our wrongs

A moment, a love
A dream, a laugh
A moment, a love
A dream, a laugh

Stay there
Cause I'll be coming over
While our blood's still young
So young it runs
Won't stop till it's over
Won't stop to surrender

7.4.10

Bem feito!

Tenho de admitir que me deu um bocadinho de gozo. O pai dos meus filhos revelou-me que os miúdos comentaram, no seguimento da questão das "amigas do pai", que "tu tens amigas mas a mãe não tem amigos".

Oh, que chatice, o gajo que fez um pé de vento (isto para ser educada) por que eu tinha um amante e porque queria era que ele saísse de casa para ir viver a minha nova vida com o meu amante, que quase me partiu o focinho, nem sei como escapei, que tentou pôr o mundo todo contra mim à conta da história do amante, que foi perturbar o sossego dos meus pais com estas intrigas, o gajo que armou a puta da confusão e que decidiu, cheio de peito sair de casa porque descobriu que a mulher o enganava, descobre agora através dos filhos que a mãe não tem "amigos". Oh, que chatice. É bem feito!

A mãe tem "amigos" que não tinha antes obviamente, os filhos é que não os conhecem, porque estes "amigos" não têm importância suficiente para isso.

Mas, também tenho de admitir que na altura me chateou um bocado ter levado com a fama de ter um amante, sem tirar qualquer proveito. Mas pronto, antes confusão com a consciência tranquila do que com ela pesada.

6.4.10

Retirando o bom senso

Pele macia e toque delicado mas ao mesmo tempo decidido. Forte mas ao mesmo tempo tão doce que apetece trincar. Uma brisa agradável que percorre o corpo e arrepia, mas ao mesmo tempo um raio de sol quente que traz a vontade de fechar os olhos e espreguiçar. O silêncio que nada tem de desconfortável e a segurança de um olhar meigo. O encaixe perfeito dos corpos que leva ao cérebro a sensação de serem velhos conhecidos que se estão a reencontrar, apesar de ser a primeira vez. O abraço que sela o momento sem segundas intenções. Perfeito.

5.4.10

Proibido II

Passou-me a coisinha ruim que às vezes me chateia os miolos e lá vou eu toda poderosa so full of myself e encontro o raio do puto que parece que tem íman e vai não vai, nem embriagada estava,e meto em sentido proibido em grande velocidade. Está mal, mas está feito. Foda-se, ainda falam da TPM. Há alturas muito mais difíceis de ultrapassar sem danos colaterais. Isto de ser saudável e de ter o sistema hormonal a funcionar que nem um relógio tem o seu lado menos positivo.

3.4.10

Moods

Tenho às vezes uns achaques. Muito raramente apetece-me mimo, e quando isso acontece fecho-me em casa, quieta e sossegada, aninhada no meu ninho e espero que passe. Enquanto espero, mimo-me com isto:



2.4.10

1.4.10

Contra todas as probabilidades

Ok, não tenho qualquer dúvida. O homem atrai-me bastante. Pronto, é um facto incontornável a atracção dos corpos. Tirando isso, há o paleio, a postura e a atitude. Tem ar de rufia, gosto; tem ar de engatatão, gosto; tem sangue quente, ferve em pouca água, gosto; é confiante, gosto. Depois, em todo o discurso, apesar de ter notado um leve esforço para me impressionar, aquelas merdas normais do costume, não me impressiou nada. Contudo houve um pormenor que por iniciativa própria não foi desvendado. Perguntei-lhe directamente e respondeu-me um nadinha encabulado. Essa resposta sim, impressionou-me.

31.3.10

Respeito

Tenho para mim que a minha mania de não ter problema nenhum em discordar e de expor os meus argumentos com toda a naturalidade impõe respeito. Aquele respeito que impede o indivíduo de tomar determinadas atitudes com receio de levar imediatamente um desempeno à moda antiga. Esta merda baralha-me. No outro dia, o homem fez-se a mim e eu deixei. Mais, alinhei o que é diferente de deixar. Quando finalmente nos encontramos (não, desta vez não adormeceu) ele estava nitidamente mais nervoso, ou ansioso do que eu.

Corrijo, ele estava, eu não.

Repito, esta merda baralha-me.

30.3.10

Vou ter de ver isto

Assim como há músicas que provocam em mim uma reacção de quase náusea, há outras que também me mexem com as entranhas, mas em bom. Não deve ser normal, vou ter de ver isto.

29.3.10

Luxo

Faz parte das coisas que considero verdadeiro luxo.
Isto, ao vivo, há minutos.

28.3.10

Pois... paranóia minha... pois.

Os meus rapazes começaram a falar de uma amiga do pai com quem têm convivido mais ultimamente e a mim, eles dizem naturalmente sem se lhes colocar qualquer questão, que é uma pessoa "muito fixe", simpática e amiga. Fiquei, obviamente muito satisfeita com isso. É a única coisa que me interessa, que os miúdos se sintam bem com quem é introduzido na vida deles. Contudo, pedi a intervenção de outra pessoa, com quem eles conversam privadamente e que sabe muito bem como chegar-lhes. Sei que eles tentam "poupar-me" a determinadas coisas. Custa-me que eles achem que têm de me poupar ao que quer que seja, primeiro porque não é suposto eles terem este tipo de preocupação ou "fardo" e depois porque é completamente desnecessário. Concluiu-se que as referências à amiga do pai são sinceras e que eles aceitam bem esta realidade. Por isso mesmo, ouvi que as minhas questões sobre introduzir novas pessoas na vida dos meus filhos talvez fossem mais problema meu do que deles. Ouvi que não havia mal nenhum e que eles convivem bem com isso, que talvez eu devesse deixar-me de merdas e que se se proporcionasse não deveria deixar de aproveitar situações em que eles se pudessem divertir e viver experiências novas com pessoas novas. Porque não? Ouvi, mas mantive as minhas reservas, não sou capaz de fazer isso. Evidentemente que conheci outras pessoas, evidentemente que convivo com pessoas que não conhecia antes de me separar, acontece que os meus filhos apenas convivem com as pessoas que sempre fizeram parte da vida deles, com os amigos que tinhamos, com os filhos desses amigos, e amigos novos são eles que os fazem, não sou eu que os trago. Ouvi que provavelmente tudo isto seria talvez um grande disparate. Pois... mas para mim não faz sentido. Se nem eu sei se daqui a um mês estas pessoas continuarão na minha vida, não me parece bem que os meus filhos conheçam pessoas que provavelmente irão desaparecer. Ou não. Mas isso, nem eu sei. Ontem, o pai relatou-me que o mais velho ficou muito triste porque esteve há pouco com uma pessoa de quem gostou particularmente e percebeu que não vai ver essa pessoa durante muito tempo, e que isso o perturbou. Erro crasso, tendo em conta a sensibilidade muito especial do miúdo. O pai já devia saber, mas percebeu o erro e assegurou-me que não se repetirá. Se com todo o discurso que ouvi sobre as minhas "paranóias" quanto a este assunto eu tivesse ficado com dúvidas, ontem elas teriam desaparecido ao saber deste episódio. Mas não, nunca tive qualquer dúvida, há coisas que não se misturam.

No lanço, ainda me disse que não usa a família dele para nada, e que é complicado estar sozinho com os dois. Não percebi se foi uma farpa para mim, que ele sabe muito bem que os meus pais me dão muito apoio, ou se foi para tentar justificar as pessoas que têm convivido com os miúdos quando eles estão com o pai. Se foi para me atingir perdoo-lhe, ele não sabe que o tempo que tenho com os miúdos é dedicado a eles somente, e que no fim-de-semana que estão comigo não os deixo nos avós para poder sair. Ele não sabe disso, mas não senti necessidade de lho dizer.

27.3.10

Proibido

Não falei disto a ninguém, nem sei se isto é sequer normal, nem me interessa. O que sei é o que senti e é o que guardo lá atrás num cantinho no fundo da gaveta. Desconheço as consequências do acto e assim ficarei, sem saber. Um momento doce, só isso, que ficará associado à musica que tocava e que me inundou a par do puro prazer. Fui indecente, fui do piorio. Aproximei-me de mansinho, sabendo perfeitamente que nunca ele iria dar o primeiro passo, mas sempre soube que se eu alguma vez o desse a resposta seria a que eu esperava. E foi. Não consigo imaginar o que ele pensou exactamente mas a expressão dele foi de quem não acreditava no que lhe estava a acontecer, e foi essa reacção que despoletou o que aconteceu a seguir. O poder que senti foi avassalador, tomou conta de mim e eu deixei. Incendiei-o enquanto dançava colada a ele e enquanto lhe sentia o toque, tímido no início, o cheiro cada vez mais próximo, à medida que ele se libertava permitindo-se afundar o rosto no meu cabelo arrepiando-me com a respiração no meu pescoço. Três ou quatro minutos que dançamos, apenas um momento inconsequente, mas gostei da sensação de tê-lo à minha mercê, frágil e confuso, arrebatado. Despedi-me dele com um beijo na boca, fiz questão, e fui embora. Acho-o lindo de morrer, não fosse ele amigo do meu irmão e não tivesse ele apenas vinte e dois anos e... mas é proibido. Fundo da gaveta.

26.3.10

Gosto de ouvir mas...

dança-la é consideravelmente melhor.
Ele nem acreditava no que lhe estava a acontecer, tão giro.
Um amor.

Como dantes

Estivemos na conversa três horas e meia e foi tudo igualzinho.
Conversámos e rimos, rimos e conversamos, o trabalho, os filhos, os pais, os amigos.
Como dantes.
Não falamos do assunto que me atordoou.
Não se tocou nesse tema.
Como dantes.

24.3.10

Estou triste

Como se não fosse suficiente mudarem-lhes o nome, mudaram-lhes a cara também. Estou triste. Está bem que já iniciei o processo de separação. Está bem que penso mesmo abandoná-los, mas foda-se, podiam deixar uma mulher despedir-se dos seus cigarros em condições. Paneleiros. Anos e anos de fidelidade aos meus Marlboro Lights, que eu tanto acarinhei como sendo a única coisinha light da minha vida e agora mandam-me esta embalagem paneleira, branquinha, a lembrar aqueles pseudo-cigarros de gaja fininhos que até metem nojo, e ainda por cima começam a chamar-lhes Gold? Foda-se, Gold? Mas que merda é esta? Paneleiros.

22.3.10

Era mesmo disto que eu precisava agora

De ser assaltada outra vez pela puta da dúvida, pelo puto do medo. Et voilá... Já não é só um vislumbre, já é uma verdadeira possibilidade e eu fiquei toda a tremer. Eis que surge a oportunidade para o salto em direcção ao sonho, acompanhado de todas as contra-partidas que me inquietam profundamente. Deve uma mulher sozinha com duas crianças a seu cargo arriscar um novo emprego que a realizaria plenamente mas que a longo prazo é inseguro ou deve uma mulher manter o que já tem, que a realiza substancialmente e que a longo prazo pode vir a ser inseguro? Pondo de parte o gozo pessoal que eu retiraria de um projecto extremamente aliciante, a grande diferença é apenas esta: havendo a possibilidade de tanto um como o outro acabarem por me deixar no desemprego, um deles não me pesará na consciência. E agora, o que faço?

A bela adormecida

Se calhar eu devia ter ficado chateada. Acontece que não fiquei. Não fiquei assim muito. Passo a explicar: O meu date de sexta-feira à noite não apareceu. É verdade, o moço não apareceu nem deu sinal. Fiquei um pouco chateada mais por não ter sido avisada do que por ele não ter aparecido. Será que deveria ter ficado muito chateada com ele? É que não fiquei, mas pronto. No dia seguinte desculpou-se e disse que adormeceu. A-dor-me-ceu??? É o que ele diz. Tadito, e acha que eu acreditei. Eu deixo-o acreditar que eu acreditei. Dá-me jeito que ele acredite que eu acredito, faz parte do meu plano, que ele obviamente desconhece. Ora o moço, desde então tem-me inundade do sms, ora a pedir desculpa ora a pedinchar uma nova oportunidade. Ele ainda não sabe, mas vai tê-la, e mais cedo do que espera. Não vejo motivo para desperdiçar um jovem saudável e bem apessoado e que ainda por cima corresponde ao tipo de homem que... digamos... me desperta, porque para ser franca, serve perfeitamente o propósito que lhe está designado.

19.3.10

Estreia

Hoje tenho um date. Com o fulano do flirt. Um date mesmo, comme il faut. Foi ele que convidou, e escolheu o destino, assim tipo à moda antiga. E atenção, não foi uma cena daquelas arranjada na internet, foi como antigamente se fazia, ao vivo e cara a cara. Engraçado foi ele a explicar-me assim com algum receio que, sendo hoje dia do pai pretende jantar com os pais, ou seja, achava que eu estava à espera que me levasse a jantar. Adorei a expressão de surpresa dele quando percebeu que eu não estava nada a contar com isso. Vai ser um date after dinner. So far so good.

17.3.10

Harmonia

Uma coisa é certa, nunca houve nem haverá jamais conflitos de interesses entre "moi même" e alguma das minhas amigas por causa de homens. Nunca acho piada aos mesmos que elas. É bem.

Tommy Lee Jones


Este é um homem magnífico.
Feio.
Velho.
Acabado.
Magnífico.

16.3.10

Standards

Os meus filhos são rapazes completamente diferentes, tanto fisicamente como em todas as outras características, enfim, não podiam ser mais diferentes e há coisas até em que eu diria que são opostos. Cada um com a sua personalidade, a sua sensibilidade, a sua abordagem à vida muito particular,e eu, no meio deles, por baixo, por cima, de lado, à volta, tentado o melhor que sei e posso, apoiá-los, guiá-los, protegê-los, educá-los, ensiná-los. Não tenho preferência por nenhum deles, amo-os profundamente de forma igual. Um dia eles perguntaram-me de qual gostava mais e eu respondi que se me cortassem a perna esquerda eu ficaria coxa, e se me cortassem a perna direita ficaria coxa também. Duas pernas, e ambas igualmente necessárias. Foi assim que expliquei, acho que entenderam. Procuro orientá-los, mas tento aceitá-los como são. Não quero forçá-los a serem o que não são, contudo sei que precisam de mim para lhe mostrar e ensinar o caminho. Quero que sejam felizes, mas também gostava que escolhessesm uma profissão que lhes proporcionasse alguma estabilidade. O que eu quero mesmo, é que se transformem em homens sérios, honestos, que gostem do que quer que seja que façam, que sejam equilibrados e emocionalmente bem sucedidos. Isso, para mim é mais importante do que ter muito dinheiro, ter carros desportivos ou casas com piscina. Quero que sejam capazes de amar uma mulher, ou um homem, tanto me faz e que respeitem a ou o companheiro. Quero que sejam capazes de olhar os mais velhos com carinho e quero que sejam capazes de transmitir coisas boas aos filhos, se os vierem a ter. Quero que tenham a capacidade de se divertirem e de se rirem mesmo nos momentos mais adversos. Quero que sejam optimistas e que olhem para a vida de frente, sem medos, e com um sorriso. É isto que eu quero para os meus filhos.

O pai deles ontem fez-me sentir uma merda, porque durante o fim-de-semana não obriguei o rapaz a estudar para o teste de História que tem hoje. "estou muito desiludido" disse-me. Hoje, penso nisto tudo e não voltarei a sentir-me uma merda com os reparos do pai deles. O rapaz deveria ser o melhor aluno da turma, segundo os standards do pai. Lamento, não concordo. O rapaz tem de dar o seu melhor. Se for o melhor aluno da turma, óptimo. Se não for, não vou ficar desiludida. Não vou.

13.3.10

Maaaaaaaaaaaaaaãe, olha para miiiiiiiiiiiiiiiim!

Eu, concentrada a fazer o jantar, viro-me e vejo o puto de 7 anos, de pijama, a entrar pela porta da cozinha, com as minhas botas de salto alto calçadas, a darem-lhe até à coxa, e a tentar correr com elas nos pés. Não podia mais de tanto rir mas quando vi que as botas estavam calçadas trocadas, atirei-me para o chão. Este puto não existe!

E com esta palhaçada, claro, o arroz queimou.

Se

Se um dia ela se despir, ela gosta de ser despida, se algum dia ela se despir para ele, será com isto a tocar:

12.3.10

Detalhes

Como será que ela vive com um homem que está com ela só porque não pode estar com outra? Um homem a quem tanto lhe faz com quem está, já que não é a mulher que quer? Um homem que teria vivido outra vida se pudesse, que pensa noutra como a mulher certa para ele, que nunca teve e que sabe que não pode ter mas que mantém viva dentro dele? O que sentiria ela se soubesse?

Esta é a maior traição de todas, fazer de alguém a segunda escolha.

Aldrabice

Descobri hoje que tenho andado a aldrabar as bicicletas e os tapetes lá do ginásio. É que para pôr a funcionar aquelas geringonças temos de introduzir várias informações, o tempo, o nível de dificuldade e o nosso peso. E eu, inocente, punha lá o peso que achava que tinha. Hoje descobri que peso menos 2 kilos do que o que tenho andado lá a meter. E que ninguém me diga que é normal, que se tenho ido ao ginásio já perdi peso e tal, porque nem as vezes que já fui nem o esforço que lá faço justificam perder 2 kilos. Sim, porque só vou na segunda semana e o esforço é quase (mas quase) nenhum.

11.3.10

Coisas boas de ouvir #2

"Estou encantado com esta mãe!"

(posterior ao epísódio da tareia, atenção!)

10.3.10

Quem me dera

Choque. Não sei o que pensar, não sei o que fazer, não sei o que sentir. Que confusão aqui dentro.

Descobrir ao fim de 20 anos que durante todo esse tempo se é protagonista na vida de alguém, que se é o fantasma que assombra e perturba toda uma existência, que a ilusão dos 15 anos ao invés de se esfumar no tempo foi alimentada e tomou proporções verdadeiramente "shakesperianas", no mínimo,abala.

A mim deitou-me por terra.

Quem me dera não ter sabido disto, quem me dera nunca ter sido encontrada, quem me dera viver desconhecendo esta realidade que não é a minha, mas que mesmo assim me dói.

Nem acredito

Estou tão, mas tão contente que nem sei. Tive uma belíssima surpresa hoje quando recebi uma mensagem de um amigo que já não vejo e com não tenho contacto há cerca de 20 anos. Éramos inseparáveis quando estudamos juntos e, ele não sabe mas o meu filho mais novo tem o nome dele. Ele descobriu-me e mandou-me mensagem, tão bom! É provavelmente a pessoa com o sentido de humor mais genial que alguma vez conheci, divertíamo-nos tanto os dois na escola, éramos tão amigos. Eu continuo, ao fim destes anos todos a gostar tanto dele como antes e ele de certeza que sente a mesma coisa. Os verdadeiros amigos não sentem o passar do tempo, a amizade não tem prazo de validade e não esmorece à conta do tempo ou da distância. Estou mortinha por estar com ele e saber tudo da vida dele nestes 20 anos, espero que seja em breve. Nem sequer sei onde ele está, mandei-lhe e-mail e só quero que seja amanhã para ter resposta. Estou mesmo contente.

9.3.10

Fui...

... lá. Mal me viu veio imediatamente ter comigo e depois dos beijinhos e do "olá tudo bem?" perguntou-me se o número de telefone que tinha estava correcto (?!). Ah pois, tentou ligar-me ontem para o meu  número antigo que descortinou não sei como (?!), e não deu, claro. Dei-lhe o actual, e com um sorriso e um "estou cheia de pressa", porque até estava, despedi-me e vim embora a pensar: Ena, temos homem!

8.3.10

Não sei bem como fazer...

...para passar o meu número de telefone ao fulano com quem flirtei este fim-de-semana. Não sou artista nestas merdas. Não tenho jeitinho nenhum para estas cenas. Nem para estas cenas nem para seduzir com merdinhas e poses e sorrisinhos. Comigo é gargalhadas mesmo. Ainda vou ter de tirar um puto dum curso! Amanhã ou depois vou lá, onde sei que o vou encontrar, e dependendo da reacção dele vejo se lhe dou o meu número de telefone. Sim, porque lá onde ele está o mais provavel é que ele não tenha lata para mo pedir. Se tiver, ui, só ganha pontos, mas desconfio que não. O problema é se me apetece dar-lho e depois não me desenrasco de maneira a que ninguém tope. É lixado isto. Tenho sempre tendência para as cenas mais directas, às claras, o que me pode estragar o esquema todo. Estranho é que consigo ser extremamente subtil em varidíssimas situações mas nestas coisas não tenho jeitinho nenhum. Preciso de um curso intensivo urgentemente! Só me dá vontade de rir a minha falta de... digamos... tacto... ninguém imagina o que eu me divirto com isto!

7.3.10

Flirt

Foi uma daquelas situações em que o que se estava a passar na minha cabeça era exactamente o que se estava a passar na dele. Mais um copo, mais um cigarro, mais uma gargalhada. Depois já se bebe do mesmo copo, já se fuma o mesmo cigarro e as gargalhadas já são intercaladas com sorrisos acompanhados de olhos que procuram os olhos. Gentilezas que de desinteressadas nada têm, o vou contigo que está muita confusão e dá-me a mão e aperta ao mesmo tempo que a outra mão suavemente pousa na cinta que disfarçadamente passa a ser a anca deslizando até à barriga diminuindo a distância entre os corpos a cada passo dado. E no meio da confusão há uma torrente de gente que força a marcha até à parede e eu quase arrastada pela multidão sinto um braço que me envolve, me levanta e vira colocando-me entre a parede e o corpo que colado ao meu me protege do arrastão. Eu a ver, eu a ver tudinho e ele a perceber perfeitamente que eu estava a perceber. Nada mais que isto. Despedidas sem troca de contactos com o intuito óbvio de dar seguimento ao flirt delicioso que ali ocorreu. Nada. Mas ambos sabemos que mesmo sem se ter combinado o que quer que fosse é apenas uma questão de dias até que nos voltemos a encontrar. E esta expectativa, assim no "escuro", é provavelmente o melhor que esta cena toda tem.

6.3.10

Lust

Que seja a última vez!

Os meus rapazes dormem comigo uma vez por semana, é a regra que instituí desde que o pai saiu de casa. Uma vez por semana e não há cá confusões. Admito que adoro tê-los na minha cama, um de cada lado, eu no meio de barriga para cima e eles, agarrados aos meus braços e com as pernitas entrelaçadas nas minhas até adormecerem. Fico dividida a meio, quase literalmente, cada um deles agarra a sua metade e adormece. Estes momentos são do melhor que há. Acontece que esta semana, precisamente quando nos preparavamos para dormir, eu no meu quarto e eles cada um no seu, começo a ouvir as habituais discussões e não liguei, contudo quando os ouço a insultarem-se com palavras obscenas passou-me uma coisinha pela cabeça, transformei-me e fui disparada ter com o mais novo, obriguei-o a repetir o que tinha dito e percebi que além de palavras houve também gestos obscenos. Bem, apliquei-lhe dois pares (sim, 4) de estalos na cara mais uma boa meia-dúzia de palmadas no rabo com quanta força consegui arranjar. Pelo meio das tentativas de se defender ele lá soltou que o irmão também lhe tinha feito. Segui directa para o quarto do mais velho (que estava imóvel e acho que nem sequer respirava) e forcei-o a repetir também o que tinha feito ao irmão. Outro gesto obsceno (diferente do do mais novo) Oh meus amigos, foi logo mais uma dose de porrada. "Mas o que é isto??? Os meus filhos não são fazem estas coisas! Eu não tenho filhos mal-educados!" Berrei eu. "E digo-vos meninos, que seja a última vez que isto acontece, e eu se eu sei que lá fora, onde quer que seja, vocês me fazem destas coisas, levam semalhante coça que vos ponho aos dois no hospital, percebido? Isto foi só uma amostra! PERCEBIDO?" Nem responderam, claro. Entre soluços foram que nem flechas vestir o pijama e escovar os dentes. Em menos de um minuto estavam prontos para se deitarem e enfiei-os na minha cama, com direito a um "Estão os dois de castigo", apaguei a luz e virei costas. O mais novo, ainda aos berros: "Mas não te vens deitar? Vamos ficar aqui sozinhos?" Disse que sim, que não mereciam, "e se não te calas imediatamente vais já para a tua cama dormir sozinho!" Ele não tem mais, levanta-se e vai para o quarto dele. O outro, pesou-lhe lá ficar sem o irmão, levantou-se e foi também. Nesta altura já eu estava exausta, mais calma, mas exausta. Do mais velho não ouvi mais um pio. O mais novo ainda chorou durante mais de meia hora, sozinho no quarto dele. Depois de se acalmar, chamou-me e disse: "Mãe, já me estou a portar bem, vens adormecer-me?" (o mais velho já dormia). Respondi que não, que estava de castigo e que sabia muito bem que não merecia. Recomeçou a soluçar. "Um beijo já aqui imediatamente, e apontei para a minha bochecha. E pensa naquilo que fizeste, porque se pensas que te portas mal e que não se passa nada e que a mãe te vem adormecer como se nada fosse estás muito enganado com a tua vida. E outro beijo já! Ele deu-me outro beijo, eu também lhe dei e a última coisa que lhe disse ao sair do quarto foi um "Dorme bem".

Passei-me da cabeça, é verdade. Mas não posso admitir este tipo de merdas, não admito. Que os putos digam umas coisas menos aceitáveis quando estão sozinhos ou com os amigos, pelos vistos é normal e segundo o que sei através de casais amigos com filhos da idade dos meus todos o fazem, agora dentro de casa comigo ao lado e saem-se com isto? É que nem pensar, era o que faltava! Se não lhes meto travão os gajos ainda pensam que este tipo de coisas não têm mal nenhum e fazem disto uma coisa banal em qualquer lado, com qualquer pessoa e em qualquer situação. Não pode ser!

4.3.10

Cavaleiro andante

Acabo de receber uma informação que não posso dizer que me choca mas, que me intriga. Nem sei se intrigar é sequer a palavra correcta. Pouco depois de ter tido "aquela" conversa com o meu marido fiquei a saber que a irmã dele estava a ter problemas no casamento também. Golpe duro para os pais dele, e ele pediu-me para que não revelássemos os nossos de imediato, para os poupar. Aceitei. Os ecos que me foram chegando do outro lado foram que ela teria um caso com alguém que trabalhava com ela, esse alguém estava devidamente identificado e que ela estava a forçar o divórcio. Drama gigantesco naquela família. Ora, quando começa o circo para o meu lado, achei que em parte toda a confusão na cabeça dele teria sido em parte por sugestão, ou seja, ele teria transportado a cena da irmã para mim. A outra parte atribuí ao grandessíssimo golpe no ego que preferiu atribuir a ruptura a uma terceira pessoa do que admitir o falhanço pessoal. Quando tudo acalmou, cheguei à conclusão que a irmã não deveria ter caso algum porque como eu passei por ter um amante sem ter, ela padeceu do mesmo. Aqui reside o que me intriga. Acabo de ser informada que a irmã já comprou casa juntamente com o namorado novo, que é nada mais nada menos o fulano com quem "supostamente" tinha um caso. Espero que lhes corra tudo bem. Mas tendo estes acontecimentos tido lugar há menos de um ano, e não estando a julgar atitudes ou posturas, fazem-me imensa impressão estas cenas de trocar um homem por outro. Tenho para mim que estas decisões são sempre alicerçadas em areias movediças. O homem que se acha que é o cavaleiro andante que vem salvar a donzela nunca é o que parece ser. Quando se está numa relação que não é satisfatória, os olhos estão turvos e não enxergam devidamente. O tempo acabará por mostrá-lo tal como ele é e chega-se à conclusão que não se pensou lá muito bem. Não quer dizer que se volte atrás e que se queira o homem que se deixou, apenas penso que não se consegue ter bem a noção da realidade relativamente ao homem seguinte. Mas isto sou eu. A que na fotografia ficou como a mulher que o marido deixou porque descobriu que ela tinha um amante, a que queria despachar o marido para ir viver com o amante mas o marido foi mais esperto e descobriu, e antes que ela o deixasse, deixou-a ele. Até hoje haverá gente admirada por me ver sozinha, mas onde é que está o amante? Amante não tenho, não tive. Homens, há-os e eu vejo-os muito bem pois nada me turva a visão e também ninguém me vem salvar, não preciso, obrigada. E se um dia escolher alguém será, para o bem e para o mal, com total consciência do que estou a fazer.

Preparativos

Isto de ser hipo-coagulada (nome pomposo, hein?) é uma carga de trabalhos. Vejamos: tenho um dente que já há uns tempos é uma bomba pronta a explodir. Andou calminho durante uns meses, mas há dois dias acordou e eu tinha sido avisada que se ele desse qualquer tipo de sinal teria de ser extraído. Ora isto, nada teria de especial ou extraordinário se eu fosse uma pessoa normal, hum... quer dizer... se eu não fosse hipo-coagulada. Assim, a extracção do dentito requer mais preparativos do que um casamento de uma casa real. Falei hoje com a dentista e o primeiro passo é contactar o serviço de imuno-hemoterapia para fazer medição do sangue antes de mais nada. Depois há que tomar antibiótico durante oito dias. Aí, suspende-se o anti-coagulante durante cinco ou seis dias substiuindo-se por injecções de heparina (as famosas picas na barriga) e só depois se pode extrair o dentinho, cosendo claro os todos os tecidos para reduzir a hemorragia. E é isto a minha vida, qualquer merda vira uma tamanha complicação que nem eu acredito. Tirar um dente, coisa banalíssima, vai envolver deslocações, tempo e chatices que avaliando bem, acho que vou fazer tudo o que ando a adiar fazer há meses nos dentes, e já que esta merda me vai dar semelhante trabalheira, faço tudo duma só vez e não penso mais nisto. É assim, já que a trabalheira vai ser em grande, façam-se os trabalhos também em grande!

3.3.10

Argh!

Arrepio-me de cada vez que penso que mais logo vou gramar com mais uma hora de ginásio, argh...
Arrepio-me de cada vez que penso naquelas pessoas todas suadas e a adorar ali estar, argh...
Arrepio-me de cada vez que penso que vou ter de esperar entre exercícios porque está muita gente, argh...

Arrepio-me de cada vez que penso nos moços do pólo aquático todos a deslizar na piscina, em "bikini", ali à minha frente, ui...

(o ginásio é nas mesmas instalações da piscina e apesar de estar a um nível mais elevado, não tem parede, tem um v-i-d-r-o!!!)

2.3.10

Juro que parto a puta da cara

ao gajo ou gaja que eu apanhe a meter aquelas publicidades de merda no limpa pára-brisas do meu carro. Quando não chove pego nos papéis e meto dentro do carro, que eu não sou mulher para deitar lixo para o chão. Se chove, aquilo cola-se ao vidro e é uma dor de cabeça para conseguir tirar. Que eu nunca apanhe ninguém com a boca na botija, que juro que lhe parto a puta da cara!

Fenómeno sobrenatural

Os fenómenos sobrenaturais são acontecimentos para os quais não se encontra explicação lógica, toda a gente sabe. Ontem tive vontade de rir quando tentei lembrar-me das vozes e consegui encontrar os adjectivos com que as classifico mas apenas de uma me lembro do timbre. Consigo ouvi-la mesmo, as vezes que eu quiser, as outras não. É de rir, pois isto não tem qualquer explicação lógica.

Sexy songs # 2

Ameaça

Enchi-me de coragem e fui. Demorei a aquecer, no início é sempre aborrecido. É sempre assim. Mas respirei fundo e venci o impulso de virar costas e desandar dali para fora. Fiquei e insisti. Todos aqueles aparelhos me parecem ter vida própria e tenho sempre a sensação que me vão fazer mal. Há uns dos quais nem sequer me aproximo, tenho-lhes um medo irracional. Há outros que nem toquei, tenho a desculpa da perna. Depois irritam-me os gajos e as gajas que lá estão a destilar, tenho-lhes uma raiva descomunal, porque parece mesmo que gostam daquilo. Não percebo como é que alguém gosta daquilo. Até aqui tudo bem, ou seja, menos mal. Das poucas vezes em que olhei para o espelho e vi a minha cara de frete quase que me ri, estava claramente a destoar. Os gajos vermelhíssimos, as gajas todas esbaforidas, todos invariavelmente suados. Eu ali, como se nada fosse, nem um pingo de suor e a tez esverdeada. É, o meu tom de pele, tem dias que é esverdeado. Eu fico verde, literalmente. Não tem a ver com a raiva que tenho àquela gente que gosta daquilo, é mesmo por estar com má cara e, ninguém no seu juízo perfeito vai para ali com maquilhagem. Eu, nem para ali nem para lado nenhum ultimamente. No fundo, estou contente, venci mais uma vez o meu ódio a ginásios, a ginástica, a exercício físico em geral, é uma experiência profundamente desagradável a hora que lá passo no meio daquilo tudo. Venci porque me têm doído aquela vértebra que de há uns anos para cá não me deixa esquecer que existe, e quando chega ao ponto de me ameaçar que vai bloquear com qualquer movimento menos calculado, eu obedeço e vou ao ginásio trabalhar os músculos das costas. Só sob ameaça, porque de livre vontade ninguém me apanha lá. Por isso, não posso verdadeiramente dizer que venci, tenho de dizer que obedeci, cabisbaixa e com o rabinho entre as pernas. Mais uma vez. Veremos quanto tempo aguento. Isto, sem pensar que amanhã me vão doer todos os músculos que tenho e mais os que já não me lembrava que tinha. Depois de amanhã volto lá, para mais uma dose de infelicidade. Ai...

1.3.10

Ritual

Há algumas coisas que não consigo deixar de fazer, é quase uma daquelas cenas obsessivo-compulsivas daquele filme com o Jack Nicholson, o "As good as it gets" e não me lembro do título em português. Uma delas é não conseguir deitar-me sem ir ver os meus rapazes, cada um na sua cama, mesmo que o tenha feito apenas minutos antes, é mesmo a última coisa que faço antes de me deitar. Vou ver um, cubro-o e beijo-o, depois vou ver o outro e faço a mesma coisa. Não consigo, falta-me alguma coisa. Tenho um absurdo pavor de dormir e nunca mais acordar, e uma ridícula ideia de que se isso acontecer não me terei despedido deles. É que pode acontecer, morrer durante o sono. E se isso acontecer, terei dado o derradeiro beijo às únicas pessoas de quem faço questão, se puder obviamente, de me despedir. Não sei o que isto quer dizer, nem faço quaquer diligência no sentido de tentar perceber. Está dentro de mim e não há nada a fazer. E ocorre-me agora se todas as mães serão assim.
Não sei, nunca perguntei.

26.2.10

Música

Nunca me peçam para cantar, é um erro crasso, aviso já.
Eu, do alto da minha imbecilidade vocal mas abrigadinha pelo meu (ainda algum) bom senso, às vezes canto, mas só quando estou sozinha que até os meus rapazes quando vão comigo de carro me berram um "Mãaaaae, faz playbaaaaaaack!!!" De maneiras que com eles dentro do carro, já desisti. Mas quando vou sozinha, que é sempre à hora de almoço, ó p'ra lá e ó pra cá, se a música me inspirar canto. Claro que as pessoas que me vêm a cantar dentro do carro olham para mim com aquela expressão que tão bem conheço e que quer dizer que eu devo ser tolinha. Só espero é que hoje aquela senhora que se cruzou comigo há 20 minutos não saiba ler os lábios. Espero que não, porque o que eu vinha a cantar era isto:

Now you've gone somewhere else,  far away
I don't know if I will find you
But you feel my breath on your neck
Can't believe I'm right behind you

Cause you keep me coming back for more
And I feel a little better than I did before
If I never see you face again I don't mind
Cause we've gone much further than
I thought we'd get tonight

É que se a senhora percebeu isto, não fica só a pensar que eu sou tola...

(Maroon 5 - If I don't see your face again - excerto)

Auto-estima

Alguém, ontem à noite, caiu na asneira de me dizer "que falta de auto-estima".

Primeiro, não me viu, claro está, com a minha gabardine. Se tivesse visto teria percebido que a minha auto-estima está ao mais alto nível.

Segundo, a minha resposta a este "petit commentaire" foi:
"tivesse eu de tudo como tenho auto-estima"

Sim, porque se eu, além de não largar minha amiga auto-estima por um segundo, que somos unha-com-carne, fosse giraça, alta, elegante, feminina e sensual, ui, seria de certeza uma gaja absolutamente insuportável. Ninguém, mas ninguém me aturava.

Mas acho que também não queria, depois era só gajos atrás de mim, o que me ia dar uma trabalheira, e era só gajas cheias de inveja, o que me ia complicar um nadinha a vida.

Assim, a minha existência é tão mais sossegada e acima de tudo, divertida.

Inspector Gadget

Todo o dia fui alvo de chacota no trabalho. Começou cedinho quando quase não me reconheceram por causa da gabardine que resolvi ir buscar ao fundo do meu roupeiro. Tem chovido a potes, e pensei que a gabardine me ia fazer um jeitaço. Admito que quando a vesti imediatemente previ a tourada que iria ser no escritório, e ri-me por dentro. A minha gabardine fez muito mais sucesso do que eu imaginava. Sabia que ia dar em circo, mas tanto não contava. Foi o fim da macacada. Choramos a rir, todas, as sete, literalmente. A gabardine foi elogiada ao pormenor, desde a presilha com botões nas costas, aos chumaços de espuma, altos e redondos que me fazem uns ombros dignos de Rambo. Eu diverti-me tanto com isto que quanto mais elas, incrédulas, olhavam para mim, mais eu me ria. As minhas seis compinchas de sala estavam burras da vida delas, por eu ser capaz de sacar uma gabardine pirosíssima e andar com ela na rua, a pé e com toda a naturalidade, como quem enverga o último modelito Dior!!! Ah pois, eu sou capaz disso, elas nunca, nunquinha. Elas queriam era ser como eu, que de vez em quando, faço assim umas barbaridades, que ninguém acredita em semelhante coisa, e ainda por cima com a maior das latas, me divirto à grande e à francesa nas trombas delas, Elas queriam...mas não são.