Tenho para mim que a minha mania de não ter problema nenhum em discordar e de expor os meus argumentos com toda a naturalidade impõe respeito. Aquele respeito que impede o indivíduo de tomar determinadas atitudes com receio de levar imediatamente um desempeno à moda antiga. Esta merda baralha-me. No outro dia, o homem fez-se a mim e eu deixei. Mais, alinhei o que é diferente de deixar. Quando finalmente nos encontramos (não, desta vez não adormeceu) ele estava nitidamente mais nervoso, ou ansioso do que eu.
Corrijo, ele estava, eu não.
Repito, esta merda baralha-me.
31.3.10
30.3.10
Vou ter de ver isto
Assim como há músicas que provocam em mim uma reacção de quase náusea, há outras que também me mexem com as entranhas, mas em bom. Não deve ser normal, vou ter de ver isto.
29.3.10
28.3.10
Pois... paranóia minha... pois.
Os meus rapazes começaram a falar de uma amiga do pai com quem têm convivido mais ultimamente e a mim, eles dizem naturalmente sem se lhes colocar qualquer questão, que é uma pessoa "muito fixe", simpática e amiga. Fiquei, obviamente muito satisfeita com isso. É a única coisa que me interessa, que os miúdos se sintam bem com quem é introduzido na vida deles. Contudo, pedi a intervenção de outra pessoa, com quem eles conversam privadamente e que sabe muito bem como chegar-lhes. Sei que eles tentam "poupar-me" a determinadas coisas. Custa-me que eles achem que têm de me poupar ao que quer que seja, primeiro porque não é suposto eles terem este tipo de preocupação ou "fardo" e depois porque é completamente desnecessário. Concluiu-se que as referências à amiga do pai são sinceras e que eles aceitam bem esta realidade. Por isso mesmo, ouvi que as minhas questões sobre introduzir novas pessoas na vida dos meus filhos talvez fossem mais problema meu do que deles. Ouvi que não havia mal nenhum e que eles convivem bem com isso, que talvez eu devesse deixar-me de merdas e que se se proporcionasse não deveria deixar de aproveitar situações em que eles se pudessem divertir e viver experiências novas com pessoas novas. Porque não? Ouvi, mas mantive as minhas reservas, não sou capaz de fazer isso. Evidentemente que conheci outras pessoas, evidentemente que convivo com pessoas que não conhecia antes de me separar, acontece que os meus filhos apenas convivem com as pessoas que sempre fizeram parte da vida deles, com os amigos que tinhamos, com os filhos desses amigos, e amigos novos são eles que os fazem, não sou eu que os trago. Ouvi que provavelmente tudo isto seria talvez um grande disparate. Pois... mas para mim não faz sentido. Se nem eu sei se daqui a um mês estas pessoas continuarão na minha vida, não me parece bem que os meus filhos conheçam pessoas que provavelmente irão desaparecer. Ou não. Mas isso, nem eu sei. Ontem, o pai relatou-me que o mais velho ficou muito triste porque esteve há pouco com uma pessoa de quem gostou particularmente e percebeu que não vai ver essa pessoa durante muito tempo, e que isso o perturbou. Erro crasso, tendo em conta a sensibilidade muito especial do miúdo. O pai já devia saber, mas percebeu o erro e assegurou-me que não se repetirá. Se com todo o discurso que ouvi sobre as minhas "paranóias" quanto a este assunto eu tivesse ficado com dúvidas, ontem elas teriam desaparecido ao saber deste episódio. Mas não, nunca tive qualquer dúvida, há coisas que não se misturam.
No lanço, ainda me disse que não usa a família dele para nada, e que é complicado estar sozinho com os dois. Não percebi se foi uma farpa para mim, que ele sabe muito bem que os meus pais me dão muito apoio, ou se foi para tentar justificar as pessoas que têm convivido com os miúdos quando eles estão com o pai. Se foi para me atingir perdoo-lhe, ele não sabe que o tempo que tenho com os miúdos é dedicado a eles somente, e que no fim-de-semana que estão comigo não os deixo nos avós para poder sair. Ele não sabe disso, mas não senti necessidade de lho dizer.
No lanço, ainda me disse que não usa a família dele para nada, e que é complicado estar sozinho com os dois. Não percebi se foi uma farpa para mim, que ele sabe muito bem que os meus pais me dão muito apoio, ou se foi para tentar justificar as pessoas que têm convivido com os miúdos quando eles estão com o pai. Se foi para me atingir perdoo-lhe, ele não sabe que o tempo que tenho com os miúdos é dedicado a eles somente, e que no fim-de-semana que estão comigo não os deixo nos avós para poder sair. Ele não sabe disso, mas não senti necessidade de lho dizer.
27.3.10
Proibido
Não falei disto a ninguém, nem sei se isto é sequer normal, nem me interessa. O que sei é o que senti e é o que guardo lá atrás num cantinho no fundo da gaveta. Desconheço as consequências do acto e assim ficarei, sem saber. Um momento doce, só isso, que ficará associado à musica que tocava e que me inundou a par do puro prazer. Fui indecente, fui do piorio. Aproximei-me de mansinho, sabendo perfeitamente que nunca ele iria dar o primeiro passo, mas sempre soube que se eu alguma vez o desse a resposta seria a que eu esperava. E foi. Não consigo imaginar o que ele pensou exactamente mas a expressão dele foi de quem não acreditava no que lhe estava a acontecer, e foi essa reacção que despoletou o que aconteceu a seguir. O poder que senti foi avassalador, tomou conta de mim e eu deixei. Incendiei-o enquanto dançava colada a ele e enquanto lhe sentia o toque, tímido no início, o cheiro cada vez mais próximo, à medida que ele se libertava permitindo-se afundar o rosto no meu cabelo arrepiando-me com a respiração no meu pescoço. Três ou quatro minutos que dançamos, apenas um momento inconsequente, mas gostei da sensação de tê-lo à minha mercê, frágil e confuso, arrebatado. Despedi-me dele com um beijo na boca, fiz questão, e fui embora. Acho-o lindo de morrer, não fosse ele amigo do meu irmão e não tivesse ele apenas vinte e dois anos e... mas é proibido. Fundo da gaveta.
26.3.10
Gosto de ouvir mas...
dança-la é consideravelmente melhor.
Ele nem acreditava no que lhe estava a acontecer, tão giro.
Um amor.
Ele nem acreditava no que lhe estava a acontecer, tão giro.
Um amor.
Como dantes
Estivemos na conversa três horas e meia e foi tudo igualzinho.
Conversámos e rimos, rimos e conversamos, o trabalho, os filhos, os pais, os amigos.
Como dantes.
Não falamos do assunto que me atordoou.
Não se tocou nesse tema.
Como dantes.
Conversámos e rimos, rimos e conversamos, o trabalho, os filhos, os pais, os amigos.
Como dantes.
Não falamos do assunto que me atordoou.
Não se tocou nesse tema.
Como dantes.
24.3.10
Estou triste
Como se não fosse suficiente mudarem-lhes o nome, mudaram-lhes a cara também. Estou triste. Está bem que já iniciei o processo de separação. Está bem que penso mesmo abandoná-los, mas foda-se, podiam deixar uma mulher despedir-se dos seus cigarros em condições. Paneleiros. Anos e anos de fidelidade aos meus Marlboro Lights, que eu tanto acarinhei como sendo a única coisinha light da minha vida e agora mandam-me esta embalagem paneleira, branquinha, a lembrar aqueles pseudo-cigarros de gaja fininhos que até metem nojo, e ainda por cima começam a chamar-lhes Gold? Foda-se, Gold? Mas que merda é esta? Paneleiros.
22.3.10
Era mesmo disto que eu precisava agora
De ser assaltada outra vez pela puta da dúvida, pelo puto do medo. Et voilá... Já não é só um vislumbre, já é uma verdadeira possibilidade e eu fiquei toda a tremer. Eis que surge a oportunidade para o salto em direcção ao sonho, acompanhado de todas as contra-partidas que me inquietam profundamente. Deve uma mulher sozinha com duas crianças a seu cargo arriscar um novo emprego que a realizaria plenamente mas que a longo prazo é inseguro ou deve uma mulher manter o que já tem, que a realiza substancialmente e que a longo prazo pode vir a ser inseguro? Pondo de parte o gozo pessoal que eu retiraria de um projecto extremamente aliciante, a grande diferença é apenas esta: havendo a possibilidade de tanto um como o outro acabarem por me deixar no desemprego, um deles não me pesará na consciência. E agora, o que faço?
A bela adormecida
Se calhar eu devia ter ficado chateada. Acontece que não fiquei. Não fiquei assim muito. Passo a explicar: O meu date de sexta-feira à noite não apareceu. É verdade, o moço não apareceu nem deu sinal. Fiquei um pouco chateada mais por não ter sido avisada do que por ele não ter aparecido. Será que deveria ter ficado muito chateada com ele? É que não fiquei, mas pronto. No dia seguinte desculpou-se e disse que adormeceu. A-dor-me-ceu??? É o que ele diz. Tadito, e acha que eu acreditei. Eu deixo-o acreditar que eu acreditei. Dá-me jeito que ele acredite que eu acredito, faz parte do meu plano, que ele obviamente desconhece. Ora o moço, desde então tem-me inundade do sms, ora a pedir desculpa ora a pedinchar uma nova oportunidade. Ele ainda não sabe, mas vai tê-la, e mais cedo do que espera. Não vejo motivo para desperdiçar um jovem saudável e bem apessoado e que ainda por cima corresponde ao tipo de homem que... digamos... me desperta, porque para ser franca, serve perfeitamente o propósito que lhe está designado.
19.3.10
Estreia
Hoje tenho um date. Com o fulano do flirt. Um date mesmo, comme il faut. Foi ele que convidou, e escolheu o destino, assim tipo à moda antiga. E atenção, não foi uma cena daquelas arranjada na internet, foi como antigamente se fazia, ao vivo e cara a cara. Engraçado foi ele a explicar-me assim com algum receio que, sendo hoje dia do pai pretende jantar com os pais, ou seja, achava que eu estava à espera que me levasse a jantar. Adorei a expressão de surpresa dele quando percebeu que eu não estava nada a contar com isso. Vai ser um date after dinner. So far so good.
17.3.10
Harmonia
Uma coisa é certa, nunca houve nem haverá jamais conflitos de interesses entre "moi même" e alguma das minhas amigas por causa de homens. Nunca acho piada aos mesmos que elas. É bem.
16.3.10
Standards
Os meus filhos são rapazes completamente diferentes, tanto fisicamente como em todas as outras características, enfim, não podiam ser mais diferentes e há coisas até em que eu diria que são opostos. Cada um com a sua personalidade, a sua sensibilidade, a sua abordagem à vida muito particular,e eu, no meio deles, por baixo, por cima, de lado, à volta, tentado o melhor que sei e posso, apoiá-los, guiá-los, protegê-los, educá-los, ensiná-los. Não tenho preferência por nenhum deles, amo-os profundamente de forma igual. Um dia eles perguntaram-me de qual gostava mais e eu respondi que se me cortassem a perna esquerda eu ficaria coxa, e se me cortassem a perna direita ficaria coxa também. Duas pernas, e ambas igualmente necessárias. Foi assim que expliquei, acho que entenderam. Procuro orientá-los, mas tento aceitá-los como são. Não quero forçá-los a serem o que não são, contudo sei que precisam de mim para lhe mostrar e ensinar o caminho. Quero que sejam felizes, mas também gostava que escolhessesm uma profissão que lhes proporcionasse alguma estabilidade. O que eu quero mesmo, é que se transformem em homens sérios, honestos, que gostem do que quer que seja que façam, que sejam equilibrados e emocionalmente bem sucedidos. Isso, para mim é mais importante do que ter muito dinheiro, ter carros desportivos ou casas com piscina. Quero que sejam capazes de amar uma mulher, ou um homem, tanto me faz e que respeitem a ou o companheiro. Quero que sejam capazes de olhar os mais velhos com carinho e quero que sejam capazes de transmitir coisas boas aos filhos, se os vierem a ter. Quero que tenham a capacidade de se divertirem e de se rirem mesmo nos momentos mais adversos. Quero que sejam optimistas e que olhem para a vida de frente, sem medos, e com um sorriso. É isto que eu quero para os meus filhos.
O pai deles ontem fez-me sentir uma merda, porque durante o fim-de-semana não obriguei o rapaz a estudar para o teste de História que tem hoje. "estou muito desiludido" disse-me. Hoje, penso nisto tudo e não voltarei a sentir-me uma merda com os reparos do pai deles. O rapaz deveria ser o melhor aluno da turma, segundo os standards do pai. Lamento, não concordo. O rapaz tem de dar o seu melhor. Se for o melhor aluno da turma, óptimo. Se não for, não vou ficar desiludida. Não vou.
O pai deles ontem fez-me sentir uma merda, porque durante o fim-de-semana não obriguei o rapaz a estudar para o teste de História que tem hoje. "estou muito desiludido" disse-me. Hoje, penso nisto tudo e não voltarei a sentir-me uma merda com os reparos do pai deles. O rapaz deveria ser o melhor aluno da turma, segundo os standards do pai. Lamento, não concordo. O rapaz tem de dar o seu melhor. Se for o melhor aluno da turma, óptimo. Se não for, não vou ficar desiludida. Não vou.
13.3.10
Maaaaaaaaaaaaaaãe, olha para miiiiiiiiiiiiiiiim!
Eu, concentrada a fazer o jantar, viro-me e vejo o puto de 7 anos, de pijama, a entrar pela porta da cozinha, com as minhas botas de salto alto calçadas, a darem-lhe até à coxa, e a tentar correr com elas nos pés. Não podia mais de tanto rir mas quando vi que as botas estavam calçadas trocadas, atirei-me para o chão. Este puto não existe!
E com esta palhaçada, claro, o arroz queimou.
E com esta palhaçada, claro, o arroz queimou.
Se
Se um dia ela se despir, ela gosta de ser despida, se algum dia ela se despir para ele, será com isto a tocar:
12.3.10
Detalhes
Como será que ela vive com um homem que está com ela só porque não pode estar com outra? Um homem a quem tanto lhe faz com quem está, já que não é a mulher que quer? Um homem que teria vivido outra vida se pudesse, que pensa noutra como a mulher certa para ele, que nunca teve e que sabe que não pode ter mas que mantém viva dentro dele? O que sentiria ela se soubesse?
Esta é a maior traição de todas, fazer de alguém a segunda escolha.
Esta é a maior traição de todas, fazer de alguém a segunda escolha.
Aldrabice
Descobri hoje que tenho andado a aldrabar as bicicletas e os tapetes lá do ginásio. É que para pôr a funcionar aquelas geringonças temos de introduzir várias informações, o tempo, o nível de dificuldade e o nosso peso. E eu, inocente, punha lá o peso que achava que tinha. Hoje descobri que peso menos 2 kilos do que o que tenho andado lá a meter. E que ninguém me diga que é normal, que se tenho ido ao ginásio já perdi peso e tal, porque nem as vezes que já fui nem o esforço que lá faço justificam perder 2 kilos. Sim, porque só vou na segunda semana e o esforço é quase (mas quase) nenhum.
11.3.10
10.3.10
Quem me dera
Choque. Não sei o que pensar, não sei o que fazer, não sei o que sentir. Que confusão aqui dentro.
Descobrir ao fim de 20 anos que durante todo esse tempo se é protagonista na vida de alguém, que se é o fantasma que assombra e perturba toda uma existência, que a ilusão dos 15 anos ao invés de se esfumar no tempo foi alimentada e tomou proporções verdadeiramente "shakesperianas", no mínimo,abala.
A mim deitou-me por terra.
Quem me dera não ter sabido disto, quem me dera nunca ter sido encontrada, quem me dera viver desconhecendo esta realidade que não é a minha, mas que mesmo assim me dói.
Descobrir ao fim de 20 anos que durante todo esse tempo se é protagonista na vida de alguém, que se é o fantasma que assombra e perturba toda uma existência, que a ilusão dos 15 anos ao invés de se esfumar no tempo foi alimentada e tomou proporções verdadeiramente "shakesperianas", no mínimo,abala.
A mim deitou-me por terra.
Quem me dera não ter sabido disto, quem me dera nunca ter sido encontrada, quem me dera viver desconhecendo esta realidade que não é a minha, mas que mesmo assim me dói.
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