26.2.10

Música

Nunca me peçam para cantar, é um erro crasso, aviso já.
Eu, do alto da minha imbecilidade vocal mas abrigadinha pelo meu (ainda algum) bom senso, às vezes canto, mas só quando estou sozinha que até os meus rapazes quando vão comigo de carro me berram um "Mãaaaae, faz playbaaaaaaack!!!" De maneiras que com eles dentro do carro, já desisti. Mas quando vou sozinha, que é sempre à hora de almoço, ó p'ra lá e ó pra cá, se a música me inspirar canto. Claro que as pessoas que me vêm a cantar dentro do carro olham para mim com aquela expressão que tão bem conheço e que quer dizer que eu devo ser tolinha. Só espero é que hoje aquela senhora que se cruzou comigo há 20 minutos não saiba ler os lábios. Espero que não, porque o que eu vinha a cantar era isto:

Now you've gone somewhere else,  far away
I don't know if I will find you
But you feel my breath on your neck
Can't believe I'm right behind you

Cause you keep me coming back for more
And I feel a little better than I did before
If I never see you face again I don't mind
Cause we've gone much further than
I thought we'd get tonight

É que se a senhora percebeu isto, não fica só a pensar que eu sou tola...

(Maroon 5 - If I don't see your face again - excerto)

Auto-estima

Alguém, ontem à noite, caiu na asneira de me dizer "que falta de auto-estima".

Primeiro, não me viu, claro está, com a minha gabardine. Se tivesse visto teria percebido que a minha auto-estima está ao mais alto nível.

Segundo, a minha resposta a este "petit commentaire" foi:
"tivesse eu de tudo como tenho auto-estima"

Sim, porque se eu, além de não largar minha amiga auto-estima por um segundo, que somos unha-com-carne, fosse giraça, alta, elegante, feminina e sensual, ui, seria de certeza uma gaja absolutamente insuportável. Ninguém, mas ninguém me aturava.

Mas acho que também não queria, depois era só gajos atrás de mim, o que me ia dar uma trabalheira, e era só gajas cheias de inveja, o que me ia complicar um nadinha a vida.

Assim, a minha existência é tão mais sossegada e acima de tudo, divertida.

Inspector Gadget

Todo o dia fui alvo de chacota no trabalho. Começou cedinho quando quase não me reconheceram por causa da gabardine que resolvi ir buscar ao fundo do meu roupeiro. Tem chovido a potes, e pensei que a gabardine me ia fazer um jeitaço. Admito que quando a vesti imediatemente previ a tourada que iria ser no escritório, e ri-me por dentro. A minha gabardine fez muito mais sucesso do que eu imaginava. Sabia que ia dar em circo, mas tanto não contava. Foi o fim da macacada. Choramos a rir, todas, as sete, literalmente. A gabardine foi elogiada ao pormenor, desde a presilha com botões nas costas, aos chumaços de espuma, altos e redondos que me fazem uns ombros dignos de Rambo. Eu diverti-me tanto com isto que quanto mais elas, incrédulas, olhavam para mim, mais eu me ria. As minhas seis compinchas de sala estavam burras da vida delas, por eu ser capaz de sacar uma gabardine pirosíssima e andar com ela na rua, a pé e com toda a naturalidade, como quem enverga o último modelito Dior!!! Ah pois, eu sou capaz disso, elas nunca, nunquinha. Elas queriam era ser como eu, que de vez em quando, faço assim umas barbaridades, que ninguém acredita em semelhante coisa, e ainda por cima com a maior das latas, me divirto à grande e à francesa nas trombas delas, Elas queriam...mas não são.

25.2.10

Razão directa

And off we go again!!! Fiz serão hoje. Saí do escritório já perto das 23:30h. Pronto, vai começar outra vez, quer dizer, já começou. A verdade é que é assim que eu gosto. Detesto ter trabalho para ir fazendo, prefiro ter muito trabalho todo para ontem porque assim estou concentrada, alerta e estimulada. Quanto menos faço, menos me apetece fazer. Assim, dá gosto! Desde que regressei já tenho dois novos projectos, ou seja dois novos clientes, duas novas marcas.  Trabalho na industria têxtil. Durante os primeiros 10 anos de actividade passei por várias empresas, todas do mesmo género, e passei também por quase todos os departamentos, não propositadamente, mas quiseram as circunstâncias que assim fosse. Conheço o "metier" de trás para a frente. Depois, há oitos anos, passei-me para o outro lado da barricada, o que para as empresas com quem trabalho é um bocadinho chato, porque sei todos os truques, eu também os fazia. Sei todas as manhas, conheço todas as mentiras. Enfim, dizia eu que tenho dois novos clientes. Um deles é uma grande estrutura, com centenas de lojas e uma marca desportiva/casual, que tenta desmarcar-se do conceito muito específico que durante anos manteve, desportos ao ar livre: Ski, golfe, caça, pesça, equitação, vela, e por aí fora. Fazem desde casacos impermeáveis às galochas para ir á pesca, passando pelos fatos de ski e pelos polos para o golfe. Estão a desenvolver produtos connosco que não conseguem desenvolver na Ásia, não tanto devido aos materias nobres que fazem questão em utilizar, mas mais pelas quantidades que para as fábricas com milhares de trabalhadores da China e do Bangladesh, são grãozinhos de milho num silo de toneladas. Eu estou a gostar, não muito dos modelos, não são nada de especial, mas porque estou a ter a oportunidade de aprender tudo o que há a aprender sobre algodão orgânico, polyester reciclável, linho, tratamentos que protegem dos raios ultra-violeta, tratamentos anti-bacterianos, características sobre fibras técnicas que fazem coisas que ninguém sonha com a transpiração, tudo isto traduzido em peças de roupa. Interessantíssimo para quem "fazia" t-shirts em 100% algodão. Ok, também sei tudo o que há para saber sobre uma t-shirt em algodão, sobre técnicas de tingimento e de estamparia, sobre tratamentos de cloro ou de lazer, sobre encolhimentos e torções, sobre resistência de cores à luz, à água ou à fricção. Mas agora tudo é novo, e se há alguma coisa boa neste trabalho de ver nascer as peças de roupa de um desenho num papel, é que há sempre algo novo a aprender, os modelos mudam sempre, todas as estações, isso toda a gente sabe, mas aqui é diferente, tudo é novo. E como eu gosto de aprender, estou a gostar imenso. Não vou gostar é de ter de lidar com toda a burocracia inerente a uma grande empresa, os vários departamentos com várias pessoas diferentes cujos nomes vou ter de decorar e associar a cada assunto, a cadeia de decisões demasiado lenta precisamente porque há imensas pessoas envolvidas em cada merdice, e a tacanhez de alguns dos departamentos cuja capacidade de adaptação já notei ser reduzidíssima.

O outro cliente é completamente diferente, um conceito que me é muito familiar, coisas dentro do que descrevi acima e que domino com uma perna às costas. Mas este cromo é um gajo que conheço há anos, que já trabalhou numa das marcas que ajudei a lançar, daquelas que quando chegam a ser comercializadas em Portugal uns anos depois, já eu estou cheia delas até aos olhos que nem consigo usar os modelos sequer, e este cromo é um perigo ambulante. Apesar de eu saber perfeitamente o que ele quer, tenho de ter muito cuidado com ele, porque este melro é dos que sacode a água do capote. Não lhe convindo é gajo para dizer que fui eu que não percebi nada e que ele não disse nada disso, sim porque este é dos que telefona, deve ser alérgico à caneta ou ao teclado. Comeu-me de cebolada uma vez, a primeira. Depois deu-me foi trabalho, o trabalho de ter de escrever tudo o que ele dizia ao telefone logo a seguir, mas que remédio tenho eu, o gajo é teimoso e não muda. Mas também não me come de cebolada. Espero é que a marca dele venda, é que aturar doidos aturo, na boa, mas que os números o justifiquem, porque está frio sim senhor, mas não trabalho para aquecer.

24.2.10

Coisas boas de ouvir

"É que gosto desta mãe!"

Já decidi

São estas!

23.2.10

Always learning from experience

Hoje tive de explicar a uma amiga minha como é que faço a "gestão" de determinada parte da minha vida. Até aí não tinha dispensado muito tempo a pensar nisso, foi sempre uma questão de vontade e algum bom senso. A conversa começou mais ou menos assim: Como é que tu consegues ir para a cama com os gajos sem te envolveres? Sim, porque tu não te envolves, tu comes os gajos mas não lhes ligas nenhuma, é como se nada fosse. Como é que tu fazes isso? Tive(mos) um ataque de riso, até chorei. Este comentário, vindo de outra pessoa qualquer, poderia ser considerado um bocadinho insultuoso, se dirigido a outra pessoa qualquer. Sendo que nem a minha amiga nem eu achamos mal ir para a cama com um homem sem haver uma ligação afectiva, esta questão é perfeitamente normal. Ela tinha curiosidade, apenas porque ela própria está convecida que não é capaz de o fazer. Ora, ao conversar com ela, fui colando peças, que junto agora à análise que fui fazendo aos homens que me levaram e que eu levei para a cama. Acima de tudo, cada um deles me ensinou algo sobre mim própria, que é o mais importante obviamente. É verdade que depois de um casamento de 12 anos com o homem que foi o primeiro e único até ao fim, o sexo era para mim uma barreira algo imponente. Custou-me ultrapassá-la, mas consegui. E desde aí, tenho aprendido algumas coisas:

1. Foi passar a barreira, mais para me testar a mim do que outra coisa qualquer. Correu bem, não custou nada, mas sem qualquer interesse posterior.
2. Aprendi que o gajo dar-me mais pica a mim do que eu a ele não é lá grande coisa. Jogar sempre em igualdade de circunstâncias. A repetir se e só se eu sentir que lhe dou tanta pica como ele a mim. Ele que se decida. A ver.
3. Aprendi que a impressão inicial sobre alguém pode ser completamente errada. A sabedoria é muitíssimo mais importante do que o tamanho. Um fulano de estatura franzina e aparentemente frágil que depois se revela um mágico na cama. Ficou tudo em aberto e tem muito interesse, mas o facto dele não ser cá da terra não é lá muito prático.
4. Aprendi que é possível ter um parceiro sexual altamente satisfatório sem haver qualquer outro ponto em comum. Só nos entendemos bem mesmo na cama, de resto... não temos mais nada em comum. E tudo bem.
5. Aprendi que sou capaz de engatar, manipular e levar um gajo para a cama. E sou capaz também de manter o interesse dele aceso depois, e levá-lo para a cama as vezes que eu quiser.

E com o 4 e o 5 aprendi que não me faz confusão nenhuma manter dois parceiros simultaneamente. Cada um no seu género, ambos igualmente bons. Às vezes apetece-me um, outras vezes apetece-me o outro.

Com todos percebi que a intimidade é puramente espiritual, que o corpo e o sexo são apenas a natureza a seguir o seu curso. Dos que ainda mantenho contacto, com alguns consigo conversar, outros nem por isso, e tendo tido sexo com estes homens, não tenho, nem pretendo ter intimidade com nenhum deles. O facto de com eles partilhar a cama não significa que tenha de partilhar mais o que quer que seja, ao ponto de nenhum dos meus amigos sequer os conhecerem, apesar de algumas pessoas saberem da existência deles. É assim que os quero, não pretendo com nenhum deles ir jantar, ou ir ao cinema ou essas coisas, o que não quer dizer que não o possa vir a fazer, talvez um dia calhe que estejamos os dois com fome e nem um nem outro tenhamos outras coisas para fazer, até pode ser. Já ir beber um copo não me importo, é diferente. Agora, não há cá confianças nem misturas, só sexo. E está muito bem assim.

22.2.10

Esbarramentos

Como já disse, há coisas que sei, apesar de não saber explicar porque é que as sei. Mas isso é só um pormenor técnico. Sei por exemplo, que uma determinada situação do meu passado vai ter o desfecho no futuro. No presente não existe, se calhar podia existir, mas não existe porque se não reúnem as condições que eu considero necessárias para tal. Contudo sei que, um dia, essas condições se reunirão, e sei também que nada necessitarei de fazer nesse sentido. Basta apenas esperar, ou melhor, basta deixar que o tempo passe naturalmente, e um dia, não sei quando, mas um dia, aquele tipo vai atravessar-se novamente no meu caminho e que irá acontecer o que deveria ter acontecido há 15 anos. É por causa destas coisas que cada vez mais penso no que uma amiga minha me diz frequentemente. Ela está convicta que nada acontece por acaso. A vida vai em determinada direcção, conduzimo-la às vezes conscientemente, outras vezes nem tanto, mas há coisas que têm de acontecer e por muitas voltas que a vida dê, elas acabam por acontecer. Mesmo que durante muito tempo não se pense sequer nelas, mesmo que durante muito tempo por motivos vários se rejeite até a simples ideia, há decididamente situações impossíveis de contornar, mesmo não fazendo rigorosamente nada para que aconteçam. A mim pelo menos, acontecem-me, eu sei.

Negação

Revi um filme que me encanta. A Festa de Babette. Ou como os prazeres do corpo são negados pela suposta redenção da alma. Não posso, não posso com isto! Somos corpo e somos alma. Não somos só corpo nem só alma, ok? Sentimos, desejamos, e não há volta a dar-lhe. Fomos ensinados durante séculos a negar tudo isso. Só que não se pode negar o que é real. Não se podem negar estes factos. A questão é outra, é o que fazemos e como lidamos esta realidade, do sentir, do desejar. Mas se pelo menos admitirmos estes factos, parece-me que vivemos muito melhor, independentemente do que se faça com eles. O filme anda à volta de comida, de um magnífico jantar e de como um grupo de pessoas vê o prazer da comida como a encarnação do demónio. Fazem um pacto, de que não emitirão uma palavra sobre as iguarias que lhes são apresentadas. Lindo é ver que depois de saborearem todos os pratos e o champagne mais o vinho e o licor, as feições alteram-se-lhes, a nuvem negra sobre aquelas alminhas desaparece, as bochechas ficam coradinhas e os sorrisos despontam naturalmente. É sobre comida, mas para mim aplica-se perfeitamente a montes de outras coisas.

20.2.10

50% / 50%

Descobri que a minha sogra (sim, não consigo pensar nela nem referir-me a ela como ex-sogra) me odeia. Descobri por altura do Natal. Palavras dela: "Ela, para mim morreu, e quem é amigo do ...... devia fazer a mesma coisa." Ora, isto, não me surpreendeu, nadinha. Só não sei se ela me odeia mais porque dei com os pés ao seu fabuloso filho, o que aceito apesar de não concordar com a parte do fabuloso, ou se por eu ter feito o que ela queria ter feito também mas nunca foi capaz. Porque apesar de agora o marido lhe proporcionar uma existência mais ou menos pacífica, durante muitos anos, "nos meus melhores anos", palavras dela também, não foram felizes. Muito pelo contrário.

Perspicácia

Já há algum tempo que tinha a uma impressão, uma desconfiança. Mas calei-me. Havia sinais muito subtis que para mim eram reveladores. Mas calei-me. Nem sequer pensava muito nisso. Ontem à noite fui jantar a casa do meu compadre e depois fomos beber um copo com um casal de amigos e o meu irmão juntou-se a nós. Fomos de propósito a um bar onde já sabiamos que iriam estar mais amigos. Pois muito bem, lá estavam os outros, juntamo-nos todos, tudo muito bem. Conversa-se um bocado, fuma-se, um copo ou dois. Não ficamos muito tempo, viemos embora relativamente cedo, os outros que já lá estavam, lá ficaram. À saída do bar, o meu irmão puxa-me ao lado e diz-me ao ouvido: Olha lá, aquele gajo que estava lá, o "coiso" quer-te saltar, não quer? Pronto, afinal não era só impressão minha.

19.2.10

Frete

A verdade é que vou ter de fazer uma incursão pelas sapatarias da cidade. A verdade é que o pé que está na extremidade da perninha marota tem-me doído. Tem-se sentido desconfortável dentro das botas. A verdade é que vou ter de comprar calçado novo. Eu que gosto tanto destas merdas de ir às compras, que caraças. Vou apostar em sapatilhas, está decidido. Meto-me numa daquelas lojas enormes só de coisas de desporto e devo conseguir resolver o problema em pouco tempo. Acho que sim.

Efervescente

A minha rotina matinal passa por, a caminho do escritório, parar sempre no mesmo café para beber a meia de leite de golada, que os senhores já sabem que eu gosto dela morna e pegar no maço de tabaco já colocado ao lado da chávena. Agora o maço de tabaco já não é diário, só dia sim, dia não. Como todos os dias, enquanto bebo a meia de leite contemplo o filho do dono do café que com os seus vinte e poucos aninhos é um bálsamo para os olhos. Todo ele é uma delícia, bonito, alto e bem constituído e meiguinho, um doce de menino. Acontece que hoje a rádio estava a tocar uma música que em tempos provocava uma espécie de efervescência dentro de mim. E eu gostava dessa sensação. Hoje não senti efervescência nenhuma, e também gostei.

17.2.10

F.A.Q.

O que fazer quando o coração diz para ir numa determinada direcção e o bom senso diz exactamente o contrário?

O que fazer quando a paixão esquecida no canto mais longínquo do peito de repente, desponta e quer oxigénio para vingar e o cérebro fecha automaticamente todas as brechas?

O que fazer quando se vislumbra um futuro estimulante mas inseguro e por outro lado se sabe que o presente estável irá um dia desabar?

O que fazer quando só por causa de uma mera e remota hipótese se começa a sofrer de véspera?

O que fazer quando o instinto manda arriscar mas a lucidez acena constantemente com as responsabilidades?

Tantas perguntas sem resposta... tudo por causa do puto do trabalho. Que merda!!!

Toca

E com o corpo molinho e a cabeça levezinha cheguei a casa e o pijama e o sofá chamavam por mim. Não resisti e deitei-me pensando que às vezes, o melhor que temos a fazer é realmente rastejar para nossa toca, e ficar, assim, quietinha e quentinha e guardar, pois tudo o que se faça a seguir é a mais, é para estragar.

14.2.10

Face-lift

Pois que eu hoje resolvi mudar o meu quarto. Troquei móveis de sítio, tirei a televisão duma coisa esquisita que mais parecia um aranhiço agarrado à parede, despedi a mesa de cabeceira da sua função habitual e promovi um cadeirão a mesa de cabeceira. Ficou tudo muito bem. Aproveitei o lanço e fiz uma inspecção às gavetas do armário já que tive de as tirar do armário para lhe poder mexer, que eu não tenho super poderes. Gosto muito, fica mais espaçoso e acima de tudo, está diferente. Falta-me comprar dois candeeiros para o tecto, sim tem dois pontos de luz, que ainda têm os tristes fios e as ainda mais tristes lâmpadas porque em oito anos nesta casa nunca se chegou a acordo sobre o estilo dos candeeiros. Admito que nos últimos anos nem sequer se falava mais nisso, deixou simplesmente de ter interesse. Agora, altamente foi ter feito isto tudo sem dar cavaco a ninguém. Sem ter de negociar com ninguém, sem ter de verificar antes se as ideias agradam ao co-habitante do quarto. Por isso, quando vir uns candeeiros que goste compro-os e acabou. Isso é que me sabe bem. Penso, decido e faço. Pronto, está feito. Eu gosto. É para mim.

12.2.10

Waste

Ia há pouco na rua e observava duas mulheres que caminhavam alguns metros à minha frente. Pararam em todas as montras de lojas de roupas. Até que acabei por alcançá-las visto que não parei. Fiquei a pensar. Este Inverno comprei 3 peças de roupa para mim. E só porque o meu trabalho me permite adquirir artigos às fábricas que os produzem a preço quase de custo. Comprei 3 peças de cachemira, que me custaram cerca de 35 dólares, envio incluído. Não comprei sapatos nem botas, nada de calças ou camisolas. Ah, comprei o vestido que deveria ter usado na passagem de ano e que ficou no armário pelo motivo que já expliquei. Não vejo qualquer utilidade em comprar coisas das quais não se precise, em quantidades maciças. Conheço pessoas que compram roupa ou calçado todas as semanas. Ou todos os meses. Não percebo. Nem sequer conseguem usar tudo, só se mudassem de roupa três vezes por dia e mesmo assim duvido. Mas tudo bem, que se queira comprar porque se pode, porque aquele dinheiro não faz falta, até aceito. O que não compreendo por mais que me esforce é porque que caralho se compra roupa ou sapatos para depois ter de contar os trocos do fundo da bolsa quando é preciso leite ou iogurtes, ou arroz ou fruta para alimentar os filhos. Essa merda é que me baralha toda. Eu não sou capaz de gastar dinheiro em coisas de que não preciso, muito menos quando tenho outras coisas muitíssimo mais importantas a fazer, tipo comprar a outra metade da minha casa, é uma questão de definir prioridades. Depois pretendo ainda fazer uma viagem que será adequada ao orçamento que me restar. Mas isto, não são coisas essenciais, podemos até chamar-lhes supérfluas se quisermos. Agora a alimentação, e o conforto, que também é importante, da família colocados em risco, ou diminuidos por causa de ter mais uns casaco ou mais uns pares de botas? Conheço gente deste calibre, infelizmente. E é gente que não vive de salário mínimo, é gente com rendimento bem acima da média, mas que só se preocupa com ostentar. Importa é fazer passar a ideia de que têm, não importa nada se dentro de portas as crianças passam frio porque a conta do aquecimento é alta, não importa se as crianças não têm o que comer excepto pão com manteiga e massa com massa ou arroz com arroz, porque a partir de determinada altura do mês já não se vai ao supermercado comprar carne nem peixe nem fruta. Mas as gordas prestações para a moradia com piscina e para o carro de alta cilindrada não podem falhar, isso não, seria a desgraça. E roupinha nova com fartura também é fundamental. Pois... ele não estica, ele esbanja-se.