19.2.10

Efervescente

A minha rotina matinal passa por, a caminho do escritório, parar sempre no mesmo café para beber a meia de leite de golada, que os senhores já sabem que eu gosto dela morna e pegar no maço de tabaco já colocado ao lado da chávena. Agora o maço de tabaco já não é diário, só dia sim, dia não. Como todos os dias, enquanto bebo a meia de leite contemplo o filho do dono do café que com os seus vinte e poucos aninhos é um bálsamo para os olhos. Todo ele é uma delícia, bonito, alto e bem constituído e meiguinho, um doce de menino. Acontece que hoje a rádio estava a tocar uma música que em tempos provocava uma espécie de efervescência dentro de mim. E eu gostava dessa sensação. Hoje não senti efervescência nenhuma, e também gostei.

17.2.10

F.A.Q.

O que fazer quando o coração diz para ir numa determinada direcção e o bom senso diz exactamente o contrário?

O que fazer quando a paixão esquecida no canto mais longínquo do peito de repente, desponta e quer oxigénio para vingar e o cérebro fecha automaticamente todas as brechas?

O que fazer quando se vislumbra um futuro estimulante mas inseguro e por outro lado se sabe que o presente estável irá um dia desabar?

O que fazer quando só por causa de uma mera e remota hipótese se começa a sofrer de véspera?

O que fazer quando o instinto manda arriscar mas a lucidez acena constantemente com as responsabilidades?

Tantas perguntas sem resposta... tudo por causa do puto do trabalho. Que merda!!!

Toca

E com o corpo molinho e a cabeça levezinha cheguei a casa e o pijama e o sofá chamavam por mim. Não resisti e deitei-me pensando que às vezes, o melhor que temos a fazer é realmente rastejar para nossa toca, e ficar, assim, quietinha e quentinha e guardar, pois tudo o que se faça a seguir é a mais, é para estragar.

14.2.10

Face-lift

Pois que eu hoje resolvi mudar o meu quarto. Troquei móveis de sítio, tirei a televisão duma coisa esquisita que mais parecia um aranhiço agarrado à parede, despedi a mesa de cabeceira da sua função habitual e promovi um cadeirão a mesa de cabeceira. Ficou tudo muito bem. Aproveitei o lanço e fiz uma inspecção às gavetas do armário já que tive de as tirar do armário para lhe poder mexer, que eu não tenho super poderes. Gosto muito, fica mais espaçoso e acima de tudo, está diferente. Falta-me comprar dois candeeiros para o tecto, sim tem dois pontos de luz, que ainda têm os tristes fios e as ainda mais tristes lâmpadas porque em oito anos nesta casa nunca se chegou a acordo sobre o estilo dos candeeiros. Admito que nos últimos anos nem sequer se falava mais nisso, deixou simplesmente de ter interesse. Agora, altamente foi ter feito isto tudo sem dar cavaco a ninguém. Sem ter de negociar com ninguém, sem ter de verificar antes se as ideias agradam ao co-habitante do quarto. Por isso, quando vir uns candeeiros que goste compro-os e acabou. Isso é que me sabe bem. Penso, decido e faço. Pronto, está feito. Eu gosto. É para mim.

12.2.10

Waste

Ia há pouco na rua e observava duas mulheres que caminhavam alguns metros à minha frente. Pararam em todas as montras de lojas de roupas. Até que acabei por alcançá-las visto que não parei. Fiquei a pensar. Este Inverno comprei 3 peças de roupa para mim. E só porque o meu trabalho me permite adquirir artigos às fábricas que os produzem a preço quase de custo. Comprei 3 peças de cachemira, que me custaram cerca de 35 dólares, envio incluído. Não comprei sapatos nem botas, nada de calças ou camisolas. Ah, comprei o vestido que deveria ter usado na passagem de ano e que ficou no armário pelo motivo que já expliquei. Não vejo qualquer utilidade em comprar coisas das quais não se precise, em quantidades maciças. Conheço pessoas que compram roupa ou calçado todas as semanas. Ou todos os meses. Não percebo. Nem sequer conseguem usar tudo, só se mudassem de roupa três vezes por dia e mesmo assim duvido. Mas tudo bem, que se queira comprar porque se pode, porque aquele dinheiro não faz falta, até aceito. O que não compreendo por mais que me esforce é porque que caralho se compra roupa ou sapatos para depois ter de contar os trocos do fundo da bolsa quando é preciso leite ou iogurtes, ou arroz ou fruta para alimentar os filhos. Essa merda é que me baralha toda. Eu não sou capaz de gastar dinheiro em coisas de que não preciso, muito menos quando tenho outras coisas muitíssimo mais importantas a fazer, tipo comprar a outra metade da minha casa, é uma questão de definir prioridades. Depois pretendo ainda fazer uma viagem que será adequada ao orçamento que me restar. Mas isto, não são coisas essenciais, podemos até chamar-lhes supérfluas se quisermos. Agora a alimentação, e o conforto, que também é importante, da família colocados em risco, ou diminuidos por causa de ter mais uns casaco ou mais uns pares de botas? Conheço gente deste calibre, infelizmente. E é gente que não vive de salário mínimo, é gente com rendimento bem acima da média, mas que só se preocupa com ostentar. Importa é fazer passar a ideia de que têm, não importa nada se dentro de portas as crianças passam frio porque a conta do aquecimento é alta, não importa se as crianças não têm o que comer excepto pão com manteiga e massa com massa ou arroz com arroz, porque a partir de determinada altura do mês já não se vai ao supermercado comprar carne nem peixe nem fruta. Mas as gordas prestações para a moradia com piscina e para o carro de alta cilindrada não podem falhar, isso não, seria a desgraça. E roupinha nova com fartura também é fundamental. Pois... ele não estica, ele esbanja-se.

11.2.10

Covers improváveis #4

Covers improváveis #3

Pain

Acabei 2009 e comecei 2010 com dores. Já estamos em Fevereiro e tenho dores. Nunca mais acaba, esta merda. Já meto nojo de tantas dores. Mas antes dores no corpo do que dores na alma, porque essas são as piores. E dessas, não tenho, há muito tempo.

Sexy songs #1

9.2.10

Covers improváveis #2

Covers improváveis #1

Valentine

Juro que não entendo esta merda do dia dos namorados. Para mim deveria haver o dia dos casados em vez do dia dos namorados. Quer dizer, os namorados não deveriam precisar de um dia especial para comemorar ou para passar tempo juntos, essa merda deve ser natural. Já os casados, e principalmente os que têm filhos, coitados, esses estão à esperinha, como de pão para a boca de uma noite especial, em que possam empandeirar os filhos para os avós ou padrinhos ou babysitters, e disfrutar de um belo jantar, e de um bocado bem passado a dois, quem sabe uma pequena loucura e passar a noite fora, quem sabe... É que a rotina de um casal, ou melhor, de uma família dá cabo do romance, ninguém se iluda. Então dê-se aos casados a oportunidade de comemorar, de fugir da rotina, de fazer um truquezito e apimentar a relação. Dê-se aos casados o Valentine's day. Os namorados cuja relação não seja já apimentada sem precisar de requerer a datas especiais nem deviam ser namorados sequer, bleargh! Já estar casado, ter filhos e manter a chama viva não é fácil, dá mesmo bastante trabalho. E quem disser o contrário mente.

Filmes

Troca de SMS com o meu compadre, que está de dieta após uma análise ao sangue que revelou resultados medonhos:

Para cá: Oi
Para lá: Oi
Para cá: Estou a ver o banquete (referência ao filme "A festa de Babette")
Para lá: Fazes bem. Já que não comes vês comer. Eu estou a ver o arma mortífera. Já que não dou porrada vejo dar.
Para cá: Porca

(uma chamada e várias gargalhadas depois)

Para cá: Ca puta de fome.
Para lá: Eu também foda-se. E mais não estou a ver o banquete. Faz um chazinho que enche barriga.
Para cá: Porca

(está muito repetitivo, ele, hoje...)

8.2.10

Arma mortífera

Seja lá quantas vezes for que eu apanhe qualquer um dos filmes da série "Lethal Weapon" não consigo descolar. Já devo ter visto cada um deles uma porrada de vezes, mas vejo sempre. Não sei bem o que me atrai mais, se as cargas de lenha que eles levam, se as perseguições de carros, se os tiros e/ou explosões, se o sentido de humor tresloucado do Riggs. Esta merda toda junta faz-me colar, é irremediável. Não há volta a dar, será doença? Terá cura?

(Duvido, acontece-me o mesmo com os filmes do James Bond, e ainda por cima, deste já comprei a saga t-o-d-a em DVD).

Épicos

Gosto de épicos. Gosto porque apesar de todas as intrigas e traições havia homens que morriam só pela honra. A palavra de um homem honrado valia mais do que a própria vida. Não se assinavam contratos, que hoje nem sequer são absolutos. Morria-se por lealdade, morria-se por amizade, morria-se pela rectidão de carácter. Gosto de homens assim, e de mulheres também. Gosto de pessoas que acima de tudo prezam os seus princípios, sem se importarem se os outros os entendem ou não, sem se importarem se têm glória ou não.

Drive

Ai... as recordações que isto me traz, ai...

...e nisto.

Vais a uma festa anos 80 e depois dá nisto...

7.2.10

Instinto

Vi-o três ou quatro vezes, sempre no mesmo local. Apanhei-o outras tantas a olhar para mim. Não desviou os olhos quando os meus se fixaram nos dele, ao longe. Senti intensidade naquele olhar. Gostei. Há uns dias por acaso, mesmo por acaso, atravessou-se no meu caminho e eu, como não sou tímida não hesitei, ele também não e atirou o convite, tudo normal, conforme previsto. Exigi um destino que nenhum de nós conhecesse. Muito bom, boa música, o início de uma noite bem passada, em boa companhia que acabou por confirmar a suspeita lançada por aquele olhar intenso. Não, definitivamente não me enganei. Intenso.

5.2.10

Ana de Amsterdam

"Mais triste do que amar um homem que não nos quer é amar um cobarde que nos quer, mas não luta para nos ter."

Retirado daqui, mas gostaria imenso ter sido eu a escrever isto.

Bravo!

4.2.10

Recordações

Tenho pensamentos que me tiram o ar, que de repente me assolam e me cortam simplesmente a respiração. Muito mau. Recordações de momentos terríveis em que algo ainda mais terrível aconteceu ou esteve na eminência de acontecer e eu, impotente, só a ver. E apesar de não terem sido muitos, esses acontecimentos amargos, a recordação deles é bastante frenquente e pior, aparece sem qualquer ligação ao que estou a fazer ou ver. É totalmente independente da minha vontade. Desde o Verão que me persegue a memória de uma situação que me esmaga, literalmente. Não consigo respirar, o peito não se mexe, encolhe e retesa-se, e dói. Literalmente. A eminência de uma desgraça, que a ter acontecido, teria mudado tudo o que conheço e o que sou. Desse momento falei talvez três vezes, porque se a lembrança me dói, verbalizá-la trucida-me. Hoje, mais uma vez, como todos os dias lembrei-me, mas hoje, não parei de respirar, e não me doeu tanto o peito. É por isso que escrevo sobre isso, só hoje tive coragem, porque hoje doeu um bocadinho menos. Hoje, agora, respiro, e dói, mas o vislumbre da possibilidade de me livrar disto dá-me algum alento. Tinha a certeza que isto iria perseguir-me toda a vida... talvez não.

2.2.10

Aaaaaaaaaaaaai, que pica!!!



(é isto que toca no meu carro)

A devida ordem

Está finalmente tudo a entrar nos eixos. Começou nova época de testes do mais velho, fartamo-nos de estudar (sim, eu também, com ele) História de Portugal, Matemática, Inglês e Lingua Portuguesa. Que saudades! Este é o programa das festas desta semana, na próxima há mais. O ritmo normaliza e é o acordar, o pequeno-almoço, a escola. Depois no trabalho, a revisão do que aconteceu na minha ausência, a organização da secretária, que ainda nao acabei. Estive a limpar o meu pc, a libertar espaço no disco, uma seca. A cereja no topo do bolo, um cliente novo, um projecto daqueles que deverá dar pica, que poderá vir a ser um grande negócio. Vamos lá ver se isto aquece. Quero adrenalina.

Diversidade

Não vale a pena ter ilusões. Só nos complicam a vida, as ilusões. Temos de ser práticos, é tão mais fácil. Para quem não pretende compromissos, a forma mais fácil de ter tudo o que quer é apostar na variedade. Vejamos: todas as pessoas têm defeitos e virtudes, ou melhor, têm coisas boas e coisas menos boas. O que há a fazer é investir nas coisas boas e ignorar as coisas menos boas. Assim, só se aproveita o que realmente interessa. E as características interessantes estão, como toda a gente sabe, distribuídas por pessoas diferentes. Por exemplo, se há alguém com quem se pode conversar sobre um determinado tema, converse-se, explore-se. Se há alguém que tem muito sentido de humor, ria-se, gargalhe-se. Se há alguém que desperta o desejo, incendeie-se, arda-se. Não se deve é ter a pretensão de querer ter tudo concentrado numa só pessoa, porque mais cedo ou mais tarde ficamos com aquela sensação de que falta qualquer coisa. E isso, estraga tudo.

1.2.10

Olá, tudo bem?

Passei este fim-de-semana por um colega de escola. Durante estes anos todos fomo-nos cruzando esporadicamente, os olás e os sorrisos de longe, mas de todas as vezes o cumprimento não faltou provando a estabilidade da memória e do carácter. Este fim-de-semana contudo algo foi diferente, não identifiquei imediatamente mas notei algo diferente no sorriso que ele me dirigiu e nas palavras (olá, tudo bem?) que lhe ouvi de passagem. Retribuí o sorriso e respondi também de passagem. Mas fiquei a pensar naquilo. Aquilo foi-me familiar, algo na expressão dele me pareceu tão próximo. E hoje de manhã, a caminho do trabalho percebi. Aquele sorriso foi meu durante anos, era o meu. Aquele sorriso é diferente dos outros sorrisos. Aquele sorriso trai, mas só quem é ou foi dono do mesmo sorriso o consegue identificar. Uns breves segundos e um olhar são suficientes para sabermos. Nós sabemos o que aquele sorriso significa. Aquele sorriso diz que a vida não vai boa, e que o simples avistar de alguém que lembra o passado e que ainda que por breves instantes traz boas recordações, automaticamente e quase desesperadamente solta um daqueles sorrisos que interrompem a realidade e por um momento sentimos conforto, alento e esperança.

Back to work

No passado dia 29 de Janeiro os senhores peritos da Segurança Social consideraram que as circunstâncias que me impediam de exercer a minha profissão não subsistem e como tal mandaram-me trabalhar. E eu vou. Toda contente. Primeiro porque estou fartinha de ficar em casa a pastar todo o dia, segundo porque se estou apta para o trabalho estou também apta para o resto: sair, dançar, curtir, etc... Estou a exagerar, mas que pretendo recuperar o tempo perdido ninguém duvide. Espero é que a minha médica de família e que os especialistas de Cirurgia Vascular do hospital concordem com a decisão dos senhores peritos porque acho um nadinha, pouquinho, estranho que a minha condição por todos tida como consideravelmente grave, se tenha de repente, assim num passe de mágica, dentro dum gabinete tenebroso, esfumado no ar. Daqui, alguém vai sair com um risquinho no verniz, porque alguém aqui é um bocadinho, pouquinho, incompetente. Ou uns, ou outros. Começamos as apostas?

31.1.10

Another night




Greed's all gone now, there's no question
And I can see you push your hair behind your ear
Regain your balance
Doesn't matter where she is tonight
Or with whoever she spends her time
If these arms were meant to hold her
They were never meant to hold her so tight
For the love of that girl
Greed's all gone now, panic subsides
When I could run, pulling arms to love her
Try to put myself on the inside
Of the love of that girl
Tears swell, you don't know why
For the love of that girl
They never fall, they can never run dry
For the love of that girl
Promise is never over, never questions that needed reply
But she could breathe deep into my neck
Let me know I'm just on the outside
Of the love of that girl
Tears swell, you don't know why
For the love of that girl
They never fall, they can never run dry
For the love of that girl
Greed's all gone now, there's no question
And I can see you push your hair behind your ears
Regain your balance
Doesn't matter where she is tonight
Or with whoever she spends her time
If these arms were meant to hold her
They were never meant to hold her so tight
For the love of that girl
Tears swell, you don't know why
For the love of that girl
They never fall, they can never run dry
For the love of that girl

30.1.10

Puzzle

Diz-me ela assim:

- O homem ideal existe, simplesmente ele é um conjunto de várias qualidades encontradas em homens diferentes.

Eu ri-me, claro minha querida, que pensas tu que eu faço?
Precisamente isso, disfruto do melhor que cada homem tem para me oferecer.

Os rapazes

Conversa entre os meus filhos, no carro dos meus pais, com a minha mãe sentada entre eles:

O grande: Sabes avó, vou meter esta moeda na minha carteira, e depois, tiro a carteira do bolso, abro-a e retiro a moeda, e as pessoas à volta vão pensar que sou um adulto.

O pequeno: É, e também vão pensar que és anão...

28.1.10

Perdido

Vi um homem perdido. Perdido entre mulheres, todas as da sua vida. Perdido na sua vida, numa espiral de fumo de cigarros tão difícil de agarrar quanto a farsa que lhe tomou o lugar. As mulheres tantas e nenhuma verdadeira, dependente de todas não tendo nenhuma, o rapaz deslumbrado com  as descobertas, perdido sem a mãe, o eterno porto seguro mesmo depois de morta. A amante, a musa, a esposa, todas dele e nenhuma verdadeiramente sua. O gosto agridoce do sucesso, o peso da idade, o peso do nome uma vez grandioso e agora insuportável, vazio. Vi um homem perdido dentro de si. Encontrou-se mas só depois de decidir retomar as rédeas da sua vida e parar de fingir. Depois de se despir das mulheres, da fama, encontrou o caminho, o seu. O caminho que se torna sempre claro quando se assume o que se é e o que sente, e a farsa dá lugar à realidade. É isto que retiro, apenas isto. Que a vida quando se transforma numa farsa é como fumo, impossível de agarrar e muito menos de saber para onde vai, até que desaparece. E só quando toda a farsa cai se pode ter a vida de volta nas mãos. O filme, foi o Nine.

27.1.10

Close your eyes



Ao longo de um claro rio de água doce
Crónicas da terra ardente
Fausto
1994

26.1.10

Regresso

Fui buscar os miúdos. O mais novo não quis vir, ficou nos avós. Não me zanguei, claro que não, é normal. Ele não é muito dado a essas mariquices das saudades, o mais velho sente mais. Esse, veio imediatamente, e dado que o irmão não veio já sabia que ia dormir comigo. O bónus de dormir com a mãe só acontece se estiver um só, e estando os dois, em tempos normais, só é permitido uma vez por semana. De resto, cada um na sua cama, que assim é que está bem. Amanhã, levo-o à escola e regresso ao meu sofá. Aos poucos, devagarinho, poderei abandonar o sofá e o repouso, mas por enquanto muita calma. Além disso, como amanhã dormem ambos em casa do pai, vou ao cinema, já decidi. Também mereço. Depois, uma coisa de cada vez, um dia de cada vez.

(Adorei voltar a pegar no meu carro, ai o cheiro do meu carro, ai o ruído do meu carro. A sensação de conduzir depois de um mês é maravilhosa. Já me ocorreu que se um dia tiver de mudar de profissão, muito provavelmente irei tentar uma que implique conduzir.)

Good news

Até que enfim!!! Finalmente o meu sangue cedeu e lá foi para onde tem de ir, teimoso!!! O resultado de hoje é muito melhor e entrou no valor pretendido. A ver se consigo deixar de ser esta entrevada e começar a recuperar as coisas mais básicas da vida normal. Porra que isto nunca mais ia lá! Aguardemos... sem medos.

25.1.10

Hate me

Agonia

Domingo à noite. O mais velho telefonou-me a chorar. Tenho saudades tuas. Morri. Passou o telefone ao mais novo. Eu tenho mais saudades ainda. Morri. Estiveram aqui, comigo, o mais novo dormiu comigo na sexta e o mais velho dormiu comigo ontem. Já estão naquele ponto em que o tempo passado comigo, por ser curto, ainda lhes dói mais. Quando podemos voltar para casa mãe? Morro de cada vez que me fazem esta pergunta. Morro porque não sei a resposta. E a puta da minha perna que já nem tem sequer a decência de me doer, e o filho da puta do meu sangue que teima em não diluir. Eu aqui a sentir-me bem, que o sangue a correr nas veias não se sente, que as putas das veias não me doem, mas não posso cuidar dos meus filhos, não posso fazer coisas tão básicas como deitá-los ou levantá-los, dar-lhes o pequeno almoço e levá-los à escola. E apesar de não estar bem, como me sinto bem enlouqueço de culpa, medonha e esmagadora que me asfixia e me rói por dentro por sabê-los cheios de saudades e não os poder trazer para ao pé de mim. Morro.

24.1.10

Parva

Sou mesmo parva. A sério que sou. Na sexta-feira fiquei furiosa com o resultado do controlo do sangue, porque tuda a evolução dos últimos 20 dias foi por água abaixo. Está pior do que no início do tratamento com o anti-coagulante. Caiu-me tudo ao chão, não contava com isto, tinha interiorizado que em mais 2 semanas iria atingir os valores pretendidos e iria poder começar a fazer o regresso à minha vida normal. Já me tinha passado a neura provocada pelo facto de me sentir bem e mesmo assim ter de continuar fechada em casa, sim, porque a perninha já não me dói há bué de tempo. Parva! Parva! Parva! É que, uma vez que não se encontra explicação para a trombose ter sucedido na perna, poderia muito bem ter sido no coração ou no cérebro, e aí sim, seria muitíssimo mais grave. Parva! Ainda me queixo! O que é ter uma mancha castanha na perna ou mesmo ficar manca, coisas que não ocorreram sequer,  comparadas com as possíveis sequelas de qualquer uma das outras duas hipóteses?

22.1.10

Fã da Monica

Tenho um amigo que é um grande fã da Mónica Belluci. Dizia-me ele há bocadinho no msn que ela é a mulher que mais lhe enche as medidas porque tem atitude, e eu, naturalmente gozei com ele lembrando-lhe que o que ele vê nos filmes não quer dizer nada... Continuou dizendo que como não pode encher as medidas com ela, que vai procurando um bocadinho de Mónica em cada mulher. Não resisti, e claro que tinha de meter nojo, porque em tempos este meu amigo, quando ainda não éramos amigos tentou engatar-me. Como não resultou ganhou, ao invés, uma boa amiga.  A conversa que se segue foi bastante esclarecedora.

Eu: gostava era de saber se eu também tenho um bocadinho de Mónica, não ficava nada chateada.
(achei francamente que ele ia responder que tinha o cabelo, que é mais ou menos como o dela)
Ele: tens a atitude.
Eu: desculpa?
Ele: só do que conheço
como tu dizes, dos filmes
e reportagens e fotos ...
parece-me que ela tem atitude
isto é
parece-me uma mulher que sabe o que quer
que tem consciência
que uma mulher se quiser pode ter o mundo na mão
e ela procura isso
ter o mundo na mao
dominar
entendes?
Eu: entendo
e tu achas que eu tenho isso???
tás maluco pá
lol
Ele: sim, só na maneira de andar vê-se isso
Eu: ah???
como???
isto é cada revelação, hoje
lol
Ele: umas pedem licença
a uma perna para andar a outra
outras devem ter ovos no meio das pernas
Eu: lol
Ele: umas torcem-se todas que um gajo está sempre a ver quando parte a anca
outras, que é o teu caso
são determinadas a andar
e olham nos olhos de um gajo
não são daquelas que um gajo olha nos olhos e desviam o olhar
enfrentam o olhar
Eu: estou "baradinha da minha bida"
Ele: porquê?
Eu: porque sim
Ele: mas isso já tu sabias
Eu: não sabia que nisso era igual à Monica
lol
lol
segundo o teu ponto de vista
lol
Ele: eu também não conheço a Monica
Eu: pois não
lol
lol
Ele: até pode ser uma insossa
e então minha cara
podes ter a certeza que és bem melhor
Eu: LOL
Ele: se ela é assim só em frente às câmaras
tenho a dizer-te
és bem melhor
ela pode ter o melhor corpo do mundo
mas se depois não tiver sal...

(Acho que o meu "suposto" amigo ainda não desistiu de me engatar...)

21.1.10

Timidez

Fiquei a pensar, desde ontem porque o assunto veio a lume durante uma conversa, nas pessoas tímidas ou envergonhadas. Nas pessoas que ficam embaraçadas e constrangidas facilmente. Fiquei a pensar nelas porque eu não sou assim. Muito dificilmente fico embaraçada e tímida não sou nem um pouco. Mas nem sempre fui assim, a adolescente envergonhada transformou-se na adulta despachada e descarada que sou hoje, desde há quase 20 anos. O facto de ter começado a trabalhar muito nova foi determinante nesta transformação, obviamente. O ter continuado a estudar mas à noite, entrando num ambiente completamente diferente daquele a que estava habituada marcou também a mudança. E aprendi que não dói nada falar com quem nunca se tinha falado antes, que as pessoas que nos intimidam não mordem nem batem, e que abordar com simpatia arranca sorrisos aos mais sisudos. É também uma questão de treino, depois da primeira vez, é sempre a andar, de tal maneira que hoje é natural e espontâneo. Acontecem situações menos positivas, é certo. Mas são só algumas, e nada significam comparadas com a liberdade e leveza que se sente quando olhamos o mundo de frente e sem qualquer problema, abordamos alguém que não conhecemos e que queremos conhecer. É fabuloso, eu gosto.

19.1.10

Bored

É verdade e já o disse, tudo aconteceu cedo na minha vida. Aos 16 anos comecei a trabalhar, aos 19 apaixonei-me e aos 21 casei-me. Com 24 tive um filho e aos 28 já tinha dois. Tenho 34 anos, divorciei-me. Não consigo evitar, sinto-me velha, e pior, aborrecida.

Correio

Um dia destes escrevo uma carta, daquelas inúteis que se escrevem mas que nunca se chegam a enviar, e escrevo tudo o que não pode ser dito porque não é verdadeiro e tudo o que poderia ser verdadeiro mas não é dito.

17.1.10

Drink

Cá estou, no mesmo sítio, na mesma, com o fim de semana já acabado que não soube a nada porque os dias têm sido praticamente todos iguais. Saio de casa apenas para tratar da saúde e para ver os meus filhos e os meus pais. E agora, à noite apeteceu-me um drink, a unica expressão de jeito trazida das novelas brasileiras. Preparei-o e beberico-o com prazer, afundada no meu sofá a fumar um cigarro e a pensar porque raio é que tens este efeito em mim.

16.1.10

Tanto

Ontem veio o mais novo, tantas saudades, tanto mimo, tantos abraços, tantos beijos. Tão bom. Hoje vem o maior, matar as saudades, gozar o mimo, aquecer os abraços e beber os beijos. Não posso cá ter os dois, não consigo, ainda. Que falta me fazem, tanta. Maldita perna, que me separa dos meus filhos. Maldita.

15.1.10

Às aranhas

Da mesma forma que uma pessoa habituada a um estilo de vida calminho não se orienta muito bem se tiver de começar a lidar com um ritmo mais acelerado, alguém que normalmente vive com o tempo cronometrado, quando confrontado com uma diminuição da velocidade e um aumento drástico de tempo livre também fica às aranhas. É aquela sensação de perder o controlo, de não saber o que fazer, porque os hábitos e as rotinas foram de repente e sem qualquer aviso prévio alterados. Percebi que me viciei em stress, em pressão e adrenalina. E agora estou simplesmente a ressacar.

14.1.10

Classe

Para mim, num homem, a peça de roupa mais sexy será sempre uma camisa justa cujas mangas estão arregaçadas até ao cotovelo. Querem ver?


Benicio del Toro

Get real

Deixei de sonhar, deixei-me disso. Não sei muito bem porquê, mas gostava de saber. Uma pessoa sem sonhos é uma pessoa que pára, estagna, deixa de querer mais, deixa de ter objectivos, sempre entendi isto assim. No entanto tenho alguns projectos. E qual é a diferença? Também não sei muito bem, mas de repente, assim muito de repente, encaro os projectos como coisas que irei realizar, são coisas concretas e definidas que me vejo perfeitamente a concretizar, com maior ou menor grau de dificuldade, mas que são, ou irão ser reais. Já os sonhos remetem-me para o mundo da fantasia, e nesse não gosto de entrar. Fantasiar não é o meu forte, nem no Carnaval. Não sou dada a fantasias, acho-as inúteis. Não me trazem nada de especial, prefiro a realidade que já é tão imprevisível e por isso mesmo me dá já tanto trabalho. Entretanto, vou apostando naquilo que me estimula e me diverte, e que é real.

13.1.10

My own private war

Tenho conseguido vencer a vontade uma em cada três vezes. Reduzi portanto para um terço, mais coisa menos coisa. Acho que se não estivesse confinada ao meu sofá e arredores seriam mais as vitórias do que as derrotas. É que isto de não poder sair de casa, de quase não me mexer enerva-me bastante. E quando me enervo o que é que eu faço? Hein? Fumo.

Control

"He who controls others may be powerful but he who has mastered himself is mightier still."

Lao Tzu

Sometimes

you just know in your heart that you're right, and yet, you wish so damn hard you were wrong.

12.1.10

O príncipe encantado

Hoje lembrei-me da minha prima S., às vezes lembro-me dela, de quem fui muito próxima há muitos anos, mas que cortou relações comigo tinha eu 18 anos e ela 22. Éramos muito amigas e por isso, quando ela se encantou com um fulano inglês, que os meus tios descreviam como um príncipe encantado, ai meu Deus que a nossa S. teve tanta sorte, ai meu Deus que ele foi motorista da princesa Diana e mais disparates deste género, tomei a liberdade de tentar abrir-lhe os olhos relativamente ao seu príncipe. Quando ele veio conhecer a família eu era a única pessoa que falava fluentemente inglês. Passamos a tarde a passear pela cidade, a tomar cafés nas esplanadas e a conversar, os três. Sucede que a história do inglês não batia certo, estava muito mal contada. Cheirou-me imediatamente a esturro, e a minha consciência mandou que depois, mandasse carta à minha prima, alertando-a para as lacunas na história. O que lhe escrevi foi basicamente isto: se sabes de tudo da vida dele, de todos os podres, estou contigo, seja ele o maior assassino à face da terra, estou contigo. Se não sabes, por favor fica alerta, se te vais casar com ele, fica atenta. A nossa amizade permitia-me, mais, obrigava-me a isto. Contudo quando recebi a resposta percebi que ela estava perdida. Foi ele que me respondeu, a enxovalhar-me e no meio de outros insultos chamou-me invejosa porque o que eu queria era ter arranjado um gajo como ele. Obviamente que a partir daí não houve qualquer tipo de comunicação. Soube anos mais tarde que ele a espancava frequentemente, e que ela lhe fugiu diversas vezes indo para junto dos pais, a viver no estrangeiro na altura e que ele, de todas as vezes a foi buscar, e que ela, de todas as vezes veio. Soube que depois conseguiu desenvencilhar-se dele, não sei como mas conseguiu. A única coisa que me pesa, no que diz respeito à minha prima S. é não ter conseguido evitar-lhe as grandessíssimas sovas com que o seu príncipe inglês a presenteou durante tantos anos.

Update da maleita II

Está visto que o único exercício que vou fazer nos próximos tempos é calçar e descalçar a puta da meia, que aperta que se farta e já me pôs a suar. De resto, tudo a mesma merda. Eu já toda lançada, acreditanto que isto sempre ia, mas não vai. Pelo menos não ao ritmo que indicava a segunda análise ao sangue, desta vez melhorou mas muito menos do que na vez anterior, ou seja, quase NA-DA!!! Pronto, e era isto. Continuando para bingo, aumenta ainda mais a dose dos comprimidos e continua a picar a barriga, toda negra coitadita.

Fear

"You gain strength, courage, and confidence by every experience in which you really stop to look fear in the face. You must do the thing which you think you cannot do."

Eleanor Roosevelt

11.1.10

10.1.10

Consolo

Ponham 5 adultos com idades compreendidas entre os 30 e 40 anos na mesma sala, dêem-lhes de comer e de beber com abundância, depois ponham-lhes uns comandos nas mãos e liguem um jogo na Play Station que se chama Buzz, continuem a fornecer bebidas em abundância, sentem-se e apreciem o festival de palhaçada que dá...

(e pensar que eu não queria ir... ainda bem que me obrigaram)

9.1.10

Jacklyn

Cedo aprendi que na vida há muitas áreas cinzentas, ainda na adolescência e tanto quanto a pouca maturidade me permitia. Por essa altura aconteceu-me aquilo que acontece a todos os adolescentes, saí da casca, descobri o mundo, as pessoas e comecei a perceber que cada pessoa, cada vida tem as suas nuances, muito próprias cuja mistura é única e intransmissível, que cada um constrói a sua paleta de cores e as utiliza, alguns apenas a seu gosto e outros na tentativa de ir ao encontro de gostos que não são bem os seus. Também compreendi que as pessoas são feitas de opções, apesar de não compreender essas opções, não era possível compreende-las, o meu caminho estava apenas a começar, tão somente tinha aberto a porta. Fui obrigada a relacionar-me com pessoas que não conhecia, fui obrigada a ajustar a minha atitude para com os outros e fui-me descobrindo a mim própria, à medida que ia domando os leões para os quais fui atirada ainda tão tenra. Descobri na diversidade das pessoas, os comportamentos, as reacções, a alegria de viver, a mais completa frustração, a amarga resignação, os ódios pessoais, a vingança e o rancor, a competência e brio profissionais, as mais perfeitas imbecilidades, o ter coragem para enfrentar o chefe mas a total submissão ao conjuge, a miséria de casamentos falhados mantidos ninguém sabe porquê, a podridão e o equilibrio vindos de relações extra-conjugais, as pequenas tiranias, a facilidade de se rir de si próprio mesmo nos piores momentos. Descobri tudo isto e muito mais, tinha 16 anos, na empresa para onde fui trabalhar. Foi também nessa altura conheci a pessoa mais importante na construção da mulher que sou hoje, a mulher que homenageio com o nome Jacklyn, que não é evidentemente o meu, nem o dela, mas ela sabe que é assim que lhe chamo. Foi esta mulher que me ensinou a pensar, não me ensinou como pensar, mas a pensar, não me mostrou o caminho, mostrou-me que havia vários, e escolhê-lo me competia apenas a mim. E isso, querida Jacklyn, agradecer-te-ei até ao fim do mundo.

8.1.10

Funny

Curioso como muitas pessoas que, quando na falta do que dizer ou responder, em situações para as quais não estão preparadas, se riem.

Convalescendo...

Pronto. Está a melhorar, pouquinho mas melhorou. Parece que é normal no início. Ok, penso eu. Depois, também é normal que ainda me doa tanto a perna, e que ainda me doa por muito tempo, paciência portanto. E descanso, muito descanso. Esta parte já não gostei muito. No regresso a casa comprei 2 livros e 3 revistas, uma de informação, outra de cinema e outra só mesmo para me divertir. Hum... nada bate o cheiro a papel, que delícia, qual internet qual quê... Esqueci-me foi de uma coisa, esqueci-me de pedir à médica para me receitar uns calmantes, acho que vou precisar... Ah, e vou precisar de uma meia elástica toda nice que tem de ser feita à medida da minha perna. Como? Que luxo, uma meia feita por medida... está bem, está...

7.1.10

Isolamento

Hoje em dia, tendo-se dinheiro no banco, um computador e internet, é possível viver sem ter de botar as patas fora de casa. Vejamos, as contas pagam-se por transferência online; as compras de supermercado fazem-se online e depois são entregues em casa; os jornais e revistas consultam-se online também; os filmes alugam-se directamente ao fornecedor de televisão por cabo; os livros encomendam-se online e são também entregues em casa; a roupa também se pode encomendar online e recebê-la em casa (não é o meu caso, para que quero eu roupa nova?) Enfim, tudo ao nosso alcance, ali mesmo nas teclas de um computador, e à velocidade desta maravilha que se chama internet. Pois, mas para quem como eu, nunca antes foi obrigado a ficar encerrado dentro do próprio lar, com mobilidade reduzida, este tipo de vida é francamente, uma boa merda. Habituada a viver sempre num ritmo bastante acelerado, e nesta altura nem sequer estar em condições de tratar dos próprios filhos é altamente perturbador. Só saio de casa para ir ao hospital, o que não é de todo atractivo, convenhamos. Isto de parar assim abruptamente é comparável a um carro que em alta velocidade, travando a fundo, baralha o sistema todo e simplesmente... desliga. Ainda não desliguei, mas o sistema está todo baralhadinho.

6.1.10

É a puta da loucura!!!

Há muitos anos atrás eu era uma rapariga muito bem disposta, sempre porreira, sempre com uma piada debaixo da língua para qualquer situação, de gargalhada fácil e sorrisos para dar e vender. Ora, com o passar dos anos e das desilusões, esta maneira de ser como que se esfumou. Foi-se para parte incerta, deu de frosques. Os sorrisos passaram a ser escassos, as piadas muito raras e as gargalhadas então, quase que era preciso meter requerimento para saltar uma cá para fora. Reparo que agora está de regresso uma característica que há muitos anos atrás eu tinha e que também tinha desandado da minha vida. Eu tinha de forma algo frequente ataques de riso incontroláveis e digamos, vá lá, muito chatos em determinadas alturas, despoletados por pequenas merdas que podiam ser uma expressão no rosto de alguém, e também, na maior parte das vezes, por alguma coisa que eu imaginava. E quando era algo que só se passava na minha mente, era obvimente muito difícil que alguém além de moi-même achasse graça. Mas eu ria, gargalhava alto e bom som, chorava de tanto rir, a pontos de ficar com dores no abdómen e nos maxilares. E não conseguia parar, quer dizer conseguia, mas só depois de muito chorar e gargalhar. Pior do que isto, é que mesmo depois, já controlada a situação, se me voltasse a vir à ideia a cena, desatava a rir outra vez, assim do nada, sem conseguir parar de imediato. Tolinha a rapariga, não deve ser boa da cabeça, era o que estava estampado nas caras de quem assistia a estes episódios. Pois bem, esta merda está de volta. Não posso fazer nada, está de volta. Aqui há umas semanas fiz esta triste figurinha quando vi a notícia do senhor que espatifou os militares na estrada ao lado do quartel de Tancos. Mau gosto, eu sei, coitados dos mancebos. Mas foi inevitável, eu só imaginava a carrinha bater-lhes, levanta-los e eles a cairem uns para um lado e outros para o outro. Mau, muito mau. Mas eu só me ria, e chorava de tanto rir a imaginar a cena. Isto ao almoço. Depois cheguei ao trabalho e fui ler as noticias online e há uma frase que me volta a provocar as gargalhadas. Qualquer coisa do género, maioritariamente ferimentos do foro ortopédico. Minha gente, foi de gritos, perninhas e bracinhos partidos, e imediatamente e minha mente distorcida vê os moços a voar e a tombar. Uma desgraça. Fui enxovalhada como é bom de ver, pelas minhas colegas de trabalho. E passei a tarde nisto, várias vezes me vinha isto à cabeça e começava a dança. Um verdadeiro festival de insultos de toda a espécie vindo das minhas queridas colegas. Acontece que aqui há dias, mais propriamente no dia de Ano Novo, estava eu a chegar a casa dos meus pais para almoçar, acompanhada do meu brother, que ultimamente tem sido o meu chauffeur privé, empoleirada em duas canadianas emprestadas, a que eu chamo carinhosamente muletas, e mesmo antes de chegar ao portão, o meu irmão alerta-me para as partes do piso que são escorregadias, para eu ter cuidado. Oh que caralho, foi o suficiente, comecei-me logo a rir, fiz logo o filme todo, só me via a escorregar, a estatelar o cú no chão, de pernas abertas e as putas das muletas a voar...

(e estou aqui a contar isto porque ontem à noite, ao deitar-me, não sei porque carga d'água, lembrei-me desta cena, do cú no chão e das muletas a voar, e tive outro ataque de riso, não posso mesmo fazer nada contra isto)

5.1.10

The higher you climb...

Não sou pessimista. Tento sempre pensar de forma positiva, mas refreio sempre a expectativa. Prefiro mantê-la em níveis razoáveis, para depois não levar com baldes de água fria pela cabeça abaixo. Assim, o que vier, é lucro.

4.1.10

Update da maleita

1º controlo ao sangue da menina:

O dito está, pelos vistos na mesma, encontra-se dentro dos valores de uma qualquer pessoa não sujeita a medicação com o intuito de o diluir.

Assim sendo, aumenta-se a dose do comprimido (pelos vistos não muito) milagroso, e continua a injectar-se na barriguita o liquido precioso que previne que a trombose se repita.

E prontos, estou basicamente na mesma. 1 semana de medicação e nada. Estranho, não?

Dia 8/1, novo controlo.

3.1.10

Custa mas não dói

Muitas vezes custa verbalizar o que sentimos, contudo não dói nada. É uma das coisas que só experimentando se consegue perceber. Aconselho, é tremendamente libertador. Demorei e custou-me muito, mas uma vez conseguido, simplesmente não há retorno. Não consigo conceber viver de outra forma.

2.1.10

Projectos

A partir de hoje permito-me ter projectos. Posso agora tira-los da "gaveta" em que coloquei vários que fui juntando e guardando, aguardando o tempo certo. Alguns são só ideias, outros esboços de ideias, e outros ainda que só falta mesmo por em prática, já está tudo alinhavado. Permito-me a partir de hoje torná-los reais. Não gosto de pensar muito em coisas que sei à partida que não posso concretizar, de certa forma magoa-me, não consigo explicar muito bem, mas é quase uma desilusão. Por isso, guardo em local "seco e fresco" para que não se estraguem, mas longe da vista e da ideia para não me doer. Então, agora que o divórcio é um facto, posso por em prática o projecto nº 1, que vai ser comprar a minha casa, quer dizer, comprar a outra metade. Este é o primeiro e só falta pô-lo em prática. O segundo é uma viagem, que pretendo fazer sozinha, 3 ou 4 dias bastam, para local ainda não definido. Não precisa sequer de ser muito longe. Basta ser longe o suficiente para implicar uma viagem de avião. E uma qualquer cidade europeia serve. Esta é a parte que falta definir, o destino. Depois, viro-me para a minha (agora mesmo minha) casa, e vou pô-la em ordem. Quando digo pôr em ordem, significa virar algumas divisões de pernas para o ar, a começar pela cozinha. Tenho muito que fazer como é evidente. Se não fosse o raio da perna, começava já segunda-feira a tratar de vida. Mas, algo hei-de conseguir por a andar. Veremos.

1.1.10

Esperança

Eu acredito que cada indivíduo tem poder, do qual muitos infelizmente nem sequer suspeitam, para mudar o mundo. Acredito que as pessoas podem mudar pequeninas coisas em si próprias, que mudam também os outros. Acredito que todos podemos trabalhar aquilo que achamos que não está bem dentro de nós. Acredito que todos podemos ter essa consciência, do que não está bem dentro de nós. Nem todos a têm, mas podem ter, se quiserem. Acredito que são as pequenas coisas que fazem a diferença. Acredito que tratar os outros com respeito e educação produz melhor resultados do que a indiferença e a agressividade. Acredito que podemos dizer o que temos a dizer, que podemos e devemos reclamar quando achamos que o devemos fazer, sem recorrer a insultos ou malcriadezas. Acredito que podemos ensinar os nossos filhos a fazer o mesmo. Acredito também que nem sempre se consiga, mas acredito ainda mais que temos o dever de tentar. Sempre, e se conseguirmos aquilo a que nos propomos nem que seja metade das vezes já estamos a vencer. Acredito que com isso, nos sentimos melhor connosco próprios e potenciamos a força para tentar de novo. Acredito que se pensarmos e agirmos assim ao longo da nossa vida teremos melhorado qualquer coisa no mundo. Acredito nisto mesmo quando vemos os outros à nossa volta a fazer o oposto. Acredito em tentar sempre, mesmo quando não resulta. Acredito em deitar a cabeça na almofada e pensar que fiz bem, ou que tentei fazer bem. Acredito em não abandalhar ou aldrabar o que quer que seja mesmo vendo toda a gente a fazê-lo e a dar-se bem. Acredito em ter a consciência leve. Acredito em manter os príncipios que alguns ridicularizam porque dizem que o mundo é dos espertos. Acredito que se cada individuo se esforçar por dar o melhor de si, quer profissionalmente, quer junto da família e daqueles que ama, algo muda para melhor. Acredito que arregaçar as mangas e fazer-se à vida é infinitamente mais gratificante para um indivíduo do que o sonho de alguns dias que deposita no bilhete do Euromilhões. Acredito que as dificuldades que se encontram na vida são o que revela o carácter das pessoas, e que a forma como se lida com elas é o que verdadeiramente as define. Acredito no indivíduo como único meio de melhorar o mundo. É isso que peço para o novo ano, discernimento para ver o que não está bem, e força para continuar a tentar, nem sempre conseguindo, mas sempre tentando.

31.12.09

The end

Sou, a partir de hoje, uma mulher divorciada. Tive de me arrastar a mancar até à Conservatória, a audiência estava marcada para esta manhã há algum tempo. Vai ser literalmente "Ano novo vida nova". Mentira, não é nada. A vida nova já não é nova, não é de agora, já tem muitos meses. E, da mesma forma que um papel que oficializa uma relação não altera sentimentos, ou não deveria alterar, o papel que oficialmente a dissolve também nada muda, especialmente quando os sentimentos morreram anos antes. Resumindo, estou na mesma, sinto-me a mesma. A única coisa que poderá mudar é a percepção que os outros têm de mim, porque o estigma da "mulher divorciada" é ainda bastante evidente, e que pessoalmente acho que é uma perfeita estupidez, assim como todos os rótulos inventados pela sociedade. Contudo, como acredito que os actos são o que define as pessoas, não as palavras, e não a raça ou o credo, e muito menos o estado civil, cá estou, eu própria, a mesma, de cabeça erguida, cagando de alto para todos os que, condicionados pelo meu estado civil, se deixem levar pela estupidez e comecem a achar que o meu comportamento vai mudar. Para todos esses, caguei.

30.12.09

Living on the couch

É... é neste estado vergonhoso que me encontro, a viver no sofá. Contra a minha vontade, mas tem de ser. Lá no quarto aborreço-me porque não tenho tantos canais no televisor e depois a cozinha fica mais longe. De modos que me deixo estar por aqui pelo sofá, quentinha, pousadinha, a encorrilhar. Vida dura... Trouxeram-me toda a tralha que estava em cima da minha secretária, pedi e trouxeram-me. Trabalhei qualquer coisa durante a tarde, já não foi mau. Amanhã há mais, apesar do office estar fechado e provavelmente toda a gente extra-office também. Os fornecedores deverão estar todos fechados, já os clientes acredito que alguns escaparão, modernices... Eu conto trabalhar mais amanhã, quanto mais não seja para me entreter e me distrair da dor na perna. Está quase na hora da pica, é o ponto alto do meu dia. Credo... isto está mesmo mau... Disseram-me que não devo abusar de bebidas alcoólicas, por isso um copo de vinho branco não é abusar pois não? Não é... ou é?... Na... abusar seria uma garrafa, certo? E assim, acabo de instaurar a Happy Hour cá em casa, só assim... senão não aguento.

29.12.09

Molho

1ª nova experiência: dar injecções a mim própria, na barriga. Hoje apliquei a segunda, a primeira foi a enfermeira ontem na urgência. Faltam 5, uma por dia e sensivelmente à mesma hora.

2ª nova experiência: ficar em casa de perna ao alto durante 3 dias, e depois ficar em casa de perna ao alto, mas não necessáriamente o dia todo, durante no mínimo 3 semanas. Nem consigo imaginar como é que vou aguentar ficar em casa tanto tempo sem ir para o trabalho, sim, porque trabalhar remotamente a partir de casa não é a mesma coisa.

3ª nova experiência: tomar medicação durante 6 meses e uma vez por mês ter de ir ao hospital fazer o controlo do sangue porque a medicação vai dilui-lo e há que verificar mensalmente.

Portanto, estarei de molho, e durante tanto tempo vou de certeza ficar toda encorrilhadinha.

Ah, esclareço já que não tive o impulso que ir partir o focinho ao médico que me diagnosticou a lesão no tendão de Aquiles, porque o pobre homem foi induzido em erro pela aparência perfeita da minha perna. A gaja não inchou, não ficou vermelha nem quente, que são os sintomas habituais numa situação destas, que na altura deveria ser uma Trombo-flebite. Só me doía, e muito. Por isso outro qualquer médico teria feito a mesma coisa. E só se chegou ao diagnóstico correcto porque a dor piorou... perna enganadora...

28.12.09

Isto vai de mal a pior

Fiquei a saber hoje, após 7 horas na Urgência do Hospital (e de muuuuiiiiiiitas dores) que afinal o meu tendão de Aquiles está bem e recomenda-se, aliás nunca esteve marado. O que eu tenho afinal é uma Trombose Venosa Profunda, ou seja tenho as veias da perna direita todas estuporadas. O que é fixe é que não tem rigorosamente nada a ver com a minha noitada a dançar em cima dos saltos altos. Agora a sério, esta merda pelos vistos é perigosa e pode dar em embolia pulmonar. De maneiras que amanhã de manhã volto ao hospital para ser observada pela equipa de cirurgia vascular e fazer mais uns exames para determinar o tratamento a fazer. Não está excluida a hipótese de internamento, pelo que as calças que iam substituir o vestido, podem muito bem vir a ser substituidas pelo pijamito. O que não me convinha lá muito é que o pijama tenha de ser substiuido por um daqueles panos azuis muito em voga nos blocos operatórios... E prontos, era isto. Se não nos virmos mais, gostei muito de vos conhecer.

(e agora vou ao google ver o que quer dizer "veia poplítea" e "vasos tibiais posteriores" que segundo diz o relatório da ecografia, estão todos fodidos, com a vossa licença...)

Inverno

Não chovia, e o vento só o percebi no final da recta que termina no mar. Não é só o mar, os quilómetros que faço para lá chegar também me fazem bem. Não o vi, só vislumbrei as linhas brancas sofregas que uma atrás da outra se desfaziam no negro. O dia tinha morrido no caminho. Contornei a rotunda e segui na marginal e vi só as luzas dos navios ao longe. Ninguém. Continuei a subir e a água já não era mar, era rio, bravo, revolto. A água corria baça, negra e baça. Ainda ninguém. Vento, folhas e umas gotas de água avulsas. A outra margem repetida na água mas desfocada, difusa. A água corria baça. As luzes da outra margem são baças, tristes. Apeteceu-me parar e sair, apeteceu-me vento e frio na cara, apeteceu-me. Não saí, continuei. A água corria baça. As luzes continuam tristes. O vento continua a soprar o Inverno, na rua, na água. É Inverno na rua, na água, e em mim.

27.12.09

Férias

A ter em conta a falta que me fizeram na noite de Natal, esta semana que começou há pouco mais de meia hora adivinha-se penosa. E merdas à parte, é verdade, é verdade sim senhor, não os ter perto de mim na noite de Natal custou-me muito mais do que as 2 semanas de férias no Verão. Vou ter saudades de tudo, até das coisas que me enervam, já tenho. E este silêncio já me começa a irritar. Vou sair. Foda-se. E mais logo vou ver o mar, nem que chova a potes.

26.12.09

Spooky

Muito raramente as pessoas que me rodeiam me surpreendem. Parece que as conheço demasiado bem. Parece que já sei o que vão fazer ou dizer. E há alturas em que isso me sabe muito bem. Se por um lado tenho momentos em que sei exactamente o que fazer para obter uma determinada reacção e isso quase que me diverte, por outro nunca sou surpreendida. Nada me surpreende, nada de novo e aborreço-me. É aqui que penso que conhecer bem as pessoas, conseguir ler nas entrelinhas das palavras e acções, e analisar tudo quase que automaticamente, saber o que fazer ou dizer para que alguém vá em determinada direcção, não é lá muito bom... vem-me à cabeça uma palavra, manipular. E não gosto, faz-me impressão. É como se eu tivesse uma capacidade que me permite controlar de certa forma o comportamento dos outros, condiciona-los e orienta-los, provocar as reacções que quero, e é assim... ligeiramente... assustador.

23.12.09

Choque

Ontem, na festa de Natal da empresa, o meu filho mais velho supreendeu-me. Estava eu a meter-me com o filho de uma colega, o miúdo tem 17 anos e obviamente tal como todos os outros filhos das outras colegas que são da mesma faixa etária encostam-se a um canto qualquer da sala, e enquanto nós, as mães e os miúdos pequenos dançamos e saltamos, eles não se misturam, ficam lá, a conversar ou a mandar sms ou a olhar, o que é normal nos putos daquela idade. Ainda por cima, como nos conhecemos todos há anos, os miúdos que pegamos ao colo, vão crescendo e alguns já são homens e mulheres feitos, o que é engraçado, ano após ano vemo-los e deitamos as mãosinhas à cabeça e percebemos que estamos velhos. Aquelas coisas do costume. Dizia eu, que estava na brincadeira com um deles, a gozar com ele e com os outros todos, e vem o meu filho, toca-me no ombro e com o indicador no ar, sobrancelha franzida e com o tom de voz mais reprovador possível diz-me: Mãe, o que estás a fazer? Confesso que não percebi imediatamente o que estava a acontecer e disse-lhe: Estou a falar com o filho da G. porquê? Ao que ele respondeu: Ah... ok... então está bem. Aí percebi que o gajo me estava a controlar, nem queria acreditar, caiu-me tudo ao chão. Tem 10 anos. Vai bem, vai. Está mesmo a ver-se o que me espera não está?

22.12.09

Gosto porque

- há alegria verdadeira, não é fingida, todos quantos estão estão felizes por estar;
- há pessoas mais velhas que se emocionam por verificarem que os mais novos se deram ao trabalho de pensar neles e de lhes comprar um presente;
- há confusão e papéis rasgados e fitas e coisas tipo pedaços de esferovite espalhados pelo chão porque os miúdos fazem questão de utilizar imediatamente todos os brinquedos;
- há gente sempre a chegar, mesmo os que jantam noutras casas vêm cá ter depois, para a troca de presentes, vão chegando em grupos até às 2:00h ou 3:00 da manhã;
- há risota, jogos e disparates variados, nos quais participam os mais velhos e os mais novos;
- há o conforto de saber que todas aquelas pessoas são minhas e que eu sou delas;
- há os doces que gosto mais do quaisquer outros doces em qualquer altura do ano, feitos pela minha tia mais velha, que apesar de ter quase 80 anos ainda não passou a pasta e passa a tarde de volta do fogão de lenha.

E há amor, sem o qual nada do que descrevi acima seria possível.

21.12.09

Boys

Quando se é mãe de 2 rapazes acaba-se a gostar de determinadas coisas típicas de rapazes. Carros, motas, aviões, jogar bilhar, jogar às cartas, coisas assim. Mas... Espera aí... Eu já gostava disto tudo antes... Ui... ainda bem que tive rapazes... Se eu tivesse de levar com Nenucos, ou Barbies, fitinhas, lacinhos, folhinhos, tiaras, brilhos, estrelas, corações, ai... nem quero imaginar... só um momento, estou a ficar enjoada, volto já.

20.12.09

Closure

Ele: Como se sente?
Eu: Sossegada.
Ele: Está tudo arrumado dentro da sua cabeça?
Eu: Está tudo devidamente arquivado.
Ele: Sente-se bem então?
Eu: Sim, sinto-me muito bem.
Ele: O que é que mudou?
Eu: Já não tenho aqueles momentos em que me sentia uma fraca, quando pensava: isto só acontece porque eu deixo. Já não tenho esses momentos.
Ele: Gosta mais de si agora?
Eu: Gosto muito mais de mim agora, mas muito mais.
Ele: O que aprendeu com tudo isto?
Eu: Que não devo deixar de verbalizar os sentimentos, bons ou maus.
Ele: Que erros acha que cometeu?
Eu: O maior erro foi ter deixado arrastar uma situação que de alguma forma me diminuía e me fazia mal por tanto tempo. Deveria ter posto um ponto final mais cedo.
Ele: O que espera do ano que vai começar?
Eu: Nada de especial, espero ter força e bom senso para poder orientar os meus filhos, só isso
Ele: Não anseia por nada de especial então?
Eu: Não, sinto que tudo pode acontecer, que está tudo em aberto e não excluo nenhuma possibilidade.
Ele: Não quer voltar a ser adolescente então? Não sente necessidade de viver tudo o que não viveu?
Eu: Não, de todo. O que sou hoje devo-o ao meu percurso até aqui e às minhas opções. Não mudaria nada excepto o detalhe de não ter tomado uma atitude mais cedo. Estou muito bem assim. Mas saio, divirto-me, só que invisto naquilo que me dá realmente prazer.
Ele: Está mais exigente então?
Eu: Sim, de certa forma sim.
Ele: Está mais impulsiva?
Eu: Não, isso não é da minha natureza, já sabe.
Ele: Não há ressentimentos?
Eu: Nenhum, só quero que esteja tudo bem.
Ele: E necessidade de castigar?
Eu: Também não, há coisas que não consigo perdoar, mas arquivei.
Ele: Libertou-se então?
Eu: Completamente, tirando as situções absolutamente necessárias, passo dias e dias sem sequer me lembrar que em minha casa algum dia foi diferente.
Ele: Foi um acumular de coisas más que depois saíram todas ao mesmo tempo.
Eu: Exactamente, fiz uma limpeza geral. Uma purga.

Aquiles

Depois de puxar a fita atrás, acho que já sei como é que estuporei o meu tendão. No sábado passado tive um jantar, não de Natal, mas um jantar que acontece todos os anos (... este foi o de 2008, atrasadíssimo portanto) onde me junto a mais de uma dúzia de amigas, algumas colegas de trabalho e outras não. Juntamo-nos, comemos e bebemos, e depois vamos dançar a qualquer lado. Então, aqui a nina resolveu empoleirar-se nuns sapatos de salto alto que não lhe magoam os pés. Pois... achando que se iria aguentar toda a noitinha a dançar. Mas aguentei-me, aguentei-me bem, os pés sobreviveram intactos, dancei toda a noite e nada, nem uma bolha, uma categoria. Fodi foi o tendão, mas isso é só um pormenor. Não dei por nada nem no sábado, nem no domingo nem na segunda. Só na terça é que acordei com a perna a doer-me. Não liguei nenhuma. Na quarta fui à farmácia comprar pomada para distensões musculares e meti uns anti-inflamatórios. Continuei a não ligar nenhuma. Na quinta, aquela merda não melhorava e ao fim do dia, já me doía não só a perna, como o tornozelo e também o pé. Alto e pára o baile! Médico imediatamente. Diagnóstico: tendão de Aquiles todo marado. E pronto, verifico que os saltos altos são o meu calcanhar de Aquiles, l-i-t-e-r-a-l-m-e-n-t-e !!! E assim o magnífico vestido que comprei para a passagem de Ano fica no armário para dar lugar às calças que serão acompanhadas das botas de salto raso. Está decidido.

18.12.09

Always think twice

Não gosto de gente impulsiva. Este assunto surgiu durante uma conversa com alguém que muito estimo e admiro. Fez-me várias perguntas às quais respondi honestamente. Perguntou-me se estou mais impulsiva. Não estou, não sou. E não gosto de gente impulsiva, que não pensa antes de falar ou de fazer. Que não mede as consequências do que vai fazer ou dizer. Não gosto. Mas também não gosto de gente que pensa demais e contorna e desvia e evita. Não gosto de gente calculista, que não dá ponto sem nó. O que eu gosto é de gente espontânea, mas que não magoa gratuitamente e que tem consciência do que diz, do que faz e do que é. Gente autêntica. Com os outros e consigo própria.

Sintonia

Deito-me e os lençóis trazem-me a suavidade da tua pele, e já não posso evitar tudo o que toma conta de mim. As minhas mãos já não são minhas, são as tuas que percorrem o meu corpo sofregamente, ávidas de mim, de ti, de nós... O fogo, louco... atrai os meus, os teus dedos que percorrem o caminho que tão bem conheces. Sentes-me? Quente, em brasa, pronta para ti... tortura. Acelero, o coração dispara, não páro, não pares agora...

17.12.09

Ser mãe também é...

ter o tendão d'Aquiles todo fodido, a doer mais do que parir um filho e ter de trazer os putos pra casa na mesma, dar-lhes banho e jantar. Noutro dia qualquer teriam ficado a dormir em casa dos meus pais deixando-me sossegada. Sucede que a minha mãe tem trabalho logo pela manhã e não pode tratar deles e leva-los à escola. Calhou bem, não calhou? Só me apetece ganir...

Juro que não sei como é que dei cabo do puto do tendão! Fico fodida!

K.O.

Esta noite dormi sensivelmente 10 horas, ainda não estou em mim. Para quem dorme em média 4 a 5 horas por noite, isto é altamente perturbador. Parece que acordei de uma anestesia, ainda fui ver se tinha uma cicatriz escondidita algures, mas não, e galos na cabeça também não encontrei. Tudo normal portanto. Não percebo o que me aconteceu para ter aterrado àquela hora. Tenho a sensação que mais logo vou entrar em casa com medo, algo estranho se passa. Está bem que me ando a queixar de falta de sono há meses, mas também não é preciso exagerar, certo? É que a dormir não se aprende nada.

16.12.09

Spark

Entramos, e enquanto tirava o casaco
Não tiraste os olhos de mim.
Fingi não perceber, sentamo-nos.
Finalmente encarei-te, não foi preciso mais.
Olhos nos olhos e incendiamo-nos.

Work out

Se esta merda já era um circo para estacionar todas as manhãs, agora que estão a fazer obras de recuperação no edifício daqui do lado é um inferno. Com menos uns 10 lugares, ocupados neste momento com areia, arames, tábuas, telhas, etc... temos de nos desenrascar da melhor maneira para conseguir vir trabalhar. Há quem deixe o carro no parque do supermercado ali do fundo da rua, há quem deixe nas inúmeras garagens desta rua, e há quem deixe em cima do passeio. Tudo mal, o problema é que não há um parque de estacionamento dentro de um raio de distância minimamente aceitável. Eu juro que se não tivesse de deixar os miúdos na escola viria a pé. Já fiz a experiência e sobrevivi. 20 minutos desde a porta do meu prédio até ao centro, sempre a subir, e depois mais 5 minutos para chegar aqui ao office. Acontece que está prestes a abrir um mini-parque de estacionamento nas traseiras de uma casa, Ok, porreirinho penso eu. Já lá estou. Mas 60,00€ por mês??? Merda para isto, é caro! Eu acho caro! Quer me parecer que vou continuar a fazer as minhas manobras milimétricas para estacionar uma carrinha que mais parece uma traineira em sítios que ninguém acredita. Se o caminho a pé me faria bem às pernas, as manobras fazem-me bem aos braços. Ok...

15.12.09

Driving

Vi-te.
Ao longe.
Aproximei-me e encontrei-te.
Depois, acelerei e ultrapassei-te.
Pela direita, a todo o gás.
De vez em quando olho para o retrovisor.
Ainda lá estás.
Ao fundo.
E não aceleras.

Quit

Hoje, pela primeira vez pensei em deixar de fumar. Mesmo. Não como todas as tentativas que fiz, em que a melhor durou 5 semanas, todas foram sem vontade. Sim eu sei, sei disso tudo, é impossível não saber ou ficar indiferente a toda a informação, basta não ser cega nem surda e saber ler. Mas sempre, sempre, o prazer de fumar um cigarro, o prazer de cada cigarro bateu tudo o resto. Nunca tive vontade de deixar de fumar. Estive sem fumar durante muito tempo por duas vezes. Durante a gravidez e aleitamento, das duas vezes. Mas só porque sabia que acabando, podia voltar a fumar. Aguentei-me bem porque sabia que era temporário. Gosto tanto, mas tanto de fumar, é o inspirar o fumo, é o expira-lo, não sei explicar, tanto me acalma como me excita, o que sei é que só fumo se puder disfrutar o cigarro como deve ser. Se for às escondidas, é esquecer, não fumo. Se tiver de ser à pressa também não gosto. Gosto de fumar nas calmas, ou então nem vale a pena. Sou capaz de estar um dia inteiro sem fumar se as condições não se reunirem, e não me importo. Espero até poder fumar com prazer. Depois, estou convencida que mesmo que deixe de fumar, vou pensar nos cigarros o resto da vida. Vou penar, para sempre. Acho que nunca os vou esquecer, que vai ser um calvário, pensar em fumar e ter de contrariar a vontade, diariamente, vinte vezes por dia. Não sei se aguento, o mais provavel é não aguentar. Por isso nunca me martirizei muito com a ideia de parar de fumar definitivamente. Fiz tentativas, mas sem convicção. Uma amiga francesa que tive, dizia-me: j'ai arreté d'essayer d'arreter, parei de tentar parar, mas em francês é muito mais engraçado. Ela tinha encontrado a paz, estava constantemente a tentar deixar de fumar e era uma  miserável, depois desistiu de tentar, e vivia sossegada. Hoje foi a sério, veio de dentro de mim, não sei, veremos o que isto vai dar. E agora o último antes de dormir.

14.12.09

Always look at the bright side

O primeiro carro que tive foi um um carro usado, era pequenino, não estava em mau estado e não era potente. Era um carro porreirinho para uma miúda de 18 anos acabadinha de tirar a carta. Mas eu gostava dele. Isso de dizerem que não há amor como o primeiro é bem verdade, comigo e com os meus carros bate certo. O meu carro foi assaltado, numa noite fria que me gelou quando de manhã cheguei ao pé dele e vi o canhão da chave arrombado e um buraco no sítio do rádio. Fiquei doente, mas lá fui trabalhar. Chegada à empresa, contei a "percipécia" (adoro corromper esta palavra) à malta. Eu tristinha, chateada, revoltada, e diz-me um dos motoristas: "Oh menina, não se enerve, pense bem, era muito pior se lhe tivessem levado o carro e tivessem deixado ficar o rádio..." Quase que nos atiramos para o chão a rir. Desde esse dia que tento ver o "outro lado" da vida, às vezes é difícil de encontrar, mas tento. Seja o que for que nos aconteça, temos de pensar que poderia ter sido muito pior.

Keep it simple

Para quê complicar se no fim, o mais simples é o que nos dá mais prazer? Mas porque é que nos perdemos tantas vezes em pormenores esquecendo o essencial? Mania de dar voltas, florear, torcer e retorcer as coisas, querer que tudo seja afinado, moldado e ajustado ao nosso olhar. O crú agride-nos porque não é exactamente como queríamos que fosse. Não estamos preparados para ver o que lá está, queremos ao invés, ver o que nos convém. Não vale a pena, o que é, é. Independentemente da  nossa vontade. Só podemos decidir se queremos ou não.
Eu quero.
Puro.

12.12.09

Irracional

Ainda hoje o meu coração acelera e a minha pele se arrepia. Ainda hoje fecho os olhos e respiro fundo. Nada mudou portanto, Prince meu amor... há quanto tempo me cantas o Purple Rain?

11.12.09

Suspiro

De cada vez que me olho ao espelho e me aborreço com  as dimensões das coxas e da anca, levanto os olhinhos, pouso-os no decote e sorrio. Ah... que maravilha. Gosto mesmo das minhas mamas, agora. Pena que estejam prestes a ir à vida... É... a vida é feita de escolhas, e eu tenho de escolher entre ter um par de mamas minimamente aceitável ou caber nas putas das calças. Como não estou para comprar roupa nova, adeus mamas... azar.

10.12.09

As good as it gets

O puto tem 6 anos, não sabe falar inglês, tirando aquelas coisas básicas das cores, animais etc... que aprendeu no infantário e agora na 1ª classe. Mas curte à brava cantar alto e bom som em inglês. Não faz a mínima ideia do que está a dizer, repete os refrões mais ou menos bem, pelo menos identificam-se as palavras, o resto é apenas imitação de sons que se tornam hilariantes porque está com os "coisos" do Mp3 metidos nos ouvidos. Vai dos Pink Floyd aos U2, passa pelo Michael Jackson e pela Madonna. Mas gritos e saltos é com os Rage Against the Machine. Estas merdas comovem-me, que querem?

Belíssima


Das mulheres mais bonitas que já vi.
Monica Belluci.



Cambada

A mim disseram-me que no século XXI iriamos ter uma série de merdas fixes e nada. Fico fodida, claro que fico. Por exemplo, a mim disseram-me que no século XXI uma pessoa ia poder meter-se numa cena parecida com uma cabine telefónica e carregar num botão e desaparecer de dentro da cena e aparecer dentro doutra cena noutro sítio qualquer, e diziam que aquilo era altamente, ou seja o teletransporte. Quem é que não se lembra de ver esta merda na televisão? Ele era o Star Trek, ele era o Espaço 1999, e por aí fora. Ah pois, mentiram-nos com todos os dentinhos da boca. E nós, burros, acreditamos. E convencemo-nos que quando fossemos adultos iriamos usufruir destas e doutras cenas fixes amplamente divulgadas na televisão. E quê? Nada! Quer dizer, os melhores cérebros do mundo escavam túneis com quilómetros de comprimento, com máquinas e computadores e fios e merdas que não lembram ao diabo, gastam milhões ou biliões, eu sei lá, e nem uma cabinezinha telefónica para a gente dar um saltinho rapidinho ali a Paris, ou a Londres ou a outra cidade qualquer? Ir num pé e vir noutro? Dava tanto jeito... Cambada de mentirosos...

8.12.09

Não sei que lhe diga.

Não consigo ser uma boa amiga quando falo com ela. Quando ela me conta todas as dores de cabeça e de alma que tem. Quando ela se queixa de como ainda lhe dói. Não consigo dizer-lhe nada que a possa ajudar. Tudo o que me ocorre é descabido, desajustado ou insensível. Tenho pena, muita pena de não a poder ajudar. Contudo passei por uma situação muito semelhante, mas com uma grande, enorme diferença. Ela, ela ainda gosta dele. Depois da confusão, depois de todas as mágoas, ela, sempre gostou dele, ainda gosta dele. Não sei que lhe diga. Por isso, eu não passei. A minha fase da confusão e das agressões já não tinha nada que ainda magoasse. Essa parte foi antes, muito antes. Ela acabou a relação antes de acabar o amor. Eu acabei a relação depois do amor ter acabado. Não sei que lhe diga, não consigo dizer-lhe nada de jeito.

Talvez

Ficou-me um gostinho amargo.
Eu achei que iria ser doce, não foi.
Foi bom, mas não foi doce.
Talvez nem haja doce.
Talvez, não sei.

A questão da idade

Há dias assaltou-me uma ideia, (e de revólver em punho a gaja...), que, confesso, me surpreendeu. Tenho 34 anos, já ia sendo tempo de começar a usar um creme anti-rugas não? Se calhar era bom. Isto nem parece meu, mas pensando bem, já tenho idade para uma série de coisas, agora que exploro esta coisa da idade. Se eu fizer uma "check list" pegando no exemplo da minha mãe é capaz de ser engraçado, ora vamos lá:

A minha mãe, quando tinha a minha idade:

- tinha 2 filhos, um de 10 (eu) e outro de 7
- era elegantéeeerrima e continua a ser
- usava saltos altíssimos a que chamamos "stilettos" agora
- usava saias travadas e casacos de peles
- fartava-se de trabalhar, tanto em casa como no trabalho
- tinha os pais a seu cargo, a mãe já incapacitada
- tinha um irmão solteiro a viver em sua casa que lhe "tocou" pois ficou a viver com os pais depois de se casar
- não tinha mulher a dias, fazia ela tudo o que envolve a manutenção de uma casa com 7 pessoas, sendo destas 2 velhos e 2 crianças
- continua casada com o meu pai, e no dia de hoje celebram 35 anos de casados.

Agora moi:

- tenho 2 filhos, um de 10 e outro de 6
- sou rechonchuda, luto contra o excesso de peso desde que me conheço e a tendência é piorar com a idade
- começo apenas agora a usar saltos altos, mas é esporadicamente e nem se comparam aos "stilettos" matadores da minha mãe
- uso basicamente jeans e casacos que descambam para o estilo motard, mas começo a piscar o olho a alguns vestidos
- farto-me de trabalhar, mas mais no trabalho do que em casa
- nunca tive ninguém a meu cargo além dos meus filhos
- em minha casa éramos 4, agora somos 3 e tenho mulher a dias uma vez por semana
- acabo de meter a papelada do divórcio ao fim de 12 anos de casamento

Hum, quer dizer... E eu a pensar que isto era capaz de ser engraçado, analisando o raio da lista não achei piadinha nenhuma, juro que não.

7.12.09

Certezas

Tenho muitas dúvidas. Questiono-me e questiono os outros vezes sem fim mas sempre em silêncio. Quando verbalizo, normalmente é porque não é importante. As questões importantes têm direito a silêncio e observação, o decorrer do tempo traz algumas respostas. Nem sempre obtenho respostas, mas vou recolhendo alguma informação que às vezes me sossega, outras vezes me perturba.  Por outro lado, também tenho certezas, que não sei explicar de onde vêm, não têm qualquer origem lógica ou racional, mas que dentro de mim são certezas. São coisas que sei. Simplesmente sei. Estas certezas acontecem-me assim, e não consigo livrar-me delas. Deve ser isto a que chamam intuição, não sei. Contudo, o que é mais perturbador nestas certezas, é que não me lembro de nenhuma vez em que me tenha enganado. De todas as certezas que tive, não foram muitas, nenhuma falhou. Bateu tudo certo. Isso é que me perturba. Já me aconteceu olhar para alguém e saber o que ia acontecer. Houve um momento, não sei explicar como, em que soube. E aconteceu. Já me aconteceu ver 2 pessoas conversarem normalmente e eu soube que aquelas duas pessoas iriam ficar juntas. E ficaram, assim como também soube mais tarde que se iriam separar, sem qualquer sinal. Não sei, eu olhava para eles e sabia. E separaram-se. Cheguei a comentar e ninguém acreditou. Também tenho a convicção de que vou ter mais 2 filhos, não sei explicar porquê. Quando nasceu o primeiro, imediatamente soube que iria ter mais 3 filhos. Houve outras, algumas más, muito más, e também não me enganei. Tudo isto me perturba, mais do que por saber o que vai acontecer, perturba-me porque nada posso fazer para o mudar.

6.12.09

Toranja - A carta

(Nunca tinha prestado atenção a esta letra, até hoje, quando a encontrei por acaso)

"Não falei contigo
Com medo que os montes e vales que me achas
Caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
Que a estabilidade lógica
De quem não quer explodir
Faça bem ao escudo que és...
Saudade é o ar
Que vou sugando e aceitando
Como fruto de Verão
Nos jardins do teu beijo...
Mas sinto que sabes que sentes também
Que num dia maior serás trapézio sem rede
A pairar sobre o mundo
Em tudo o que vejo...
É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Desconfio que ainda não reparaste
Que o teu destino foi inventado
Por gira-discos estragados
Aos quais te vais moldando...
E todo o teu planeamento estratégico
De sincronização do coração
São leis como paredes e tectos
Cujos vidros vais pisando...
Anseio o dia em que acordares
Por cima de todos os teus números
Raízes quadradas de somas subtraídas
Sempre com a mesma solução...
Podias deixar de fazer da vida
Um ciclo vicioso
Harmonioso ao teu gesto mimado
E à palma da tua mão...
É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro
Que a minha bola de cristal é folha de papel
Nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Numa chama minha e tua.
Desculpa se te fiz fogo e noite
Sem pedir autorização por escrito
Ao sindicato dos deuses...
Mas não fui eu que te escolhi.
Desculpa se te usei
Como refúgio dos meus sentidos
Pedaço de silêncios perdidos
Que voltei a encontrar em ti...
É que hoje acordei e lembrei-me
Que sou mago feiticeiro...
...nela te pinto nua, nua
Numa chama minha e tua.
Numa chama minha e tua.
Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém...
Se não te deste a ninguém
Magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.
A mim... passou-me ao lado."

5.12.09

Recap

No dia em que fez 6 meses que ele se foi embora, entreguei os papéis na Conservatória. Não foi premeditado ser precisamente nesse dia, apenas calhou assim. A correr bem, embora não acredite muito na rapidez do processo, começo o próximo ano já com novo estado civil. Veremos. Lembro-me de mais ou menos por esta altura, no ano passado alguém no trabalho ter ido ver as provisões do horóscopo para 2009. A mim diziam-me que este ano iria ser um ano de grande mudança, e eu ria-me. Eu já sabia disso. Eu já sabia o que iria dizer o meu horóscopo. Sucede que não sei, nem quero saber o que vai acontecer em 2010, como se eu acreditasse nas previsões dos astros. Mas prefiro assim, está tudo em aberto, tudo pode acontecer. É bom este sentimento de expectativa sem esperar nada de concreto. A certeza de que há um mundo de possibilidades à minha espera, sem que eu queira nada de especial. Que tenho tudo ao meu alcance, tudo à minha disposição, e eu sem pressa nem ânsia. É bom.

4.12.09

Amo-te

Amo-te. E depois?
As palavras valem pouco quando não são coerentes com a atitude.
Amo-te. E depois?
As palavras valem pouco quando são usadas como uma borracha  para apagar o sofrimento causado.
Amo-te. E depois?
As palavras valem pouco quando são usadas como tábua de salvação.
Amo-te. E depois?
As palavras não valem nada.

Nunca duvidei que de facto me amasses.
Provavelmente ainda me amas.
Mas não me soubeste amar.
Há muito que não te amo.
Percebeste isso.
Só que há pouco.

3.12.09

And the Oscar goes to:

Por acaso, só por acaso, deparei-me com a melhor tradução de sempre na história do audiovisual em Portugal, (ui, que isto até rimou!) que como toda a gente sabe há-de ser das piores nações a traduzir títulos de filmes, séries, etc... Excepção seja feita a títulos básicos de uma palavrinha só como o Dallas, mas esses não contam como traduções certo? Nomes não se traduzem, dahaaaa!!!

Pois muito bem, senhoras e senhores, o Oscar para a categoria de "melhor tradução de título" vai para a série infantil (transmitida não sei em que canal, não fixei, mas que é um verdadeiro marco histórico):

Lazy town

Traduzido para português como: 

Vila Moleza

(É ou não é do melhor? Hein?)

2.12.09

Risks

"Risks. How we feel about them says a lot about us."

(unknown)

1.12.09

De longe a longe

...encarno um personagem. Não se trata de mentir, e também não considero que seja fingir. Acontece que há alturas em que para que as pessoas se dêm conta das suas próprias atitudes não adianta nada contrariá-las, a única atitude que resulta é ser burra e obediente. É  mais ou menos equivalente a mostrar-lhes um espelho. Temos sempre essa possibilidade, eu faço isso muito mais do que entrar em discussões inúteis, há posturas que podemos ter, que simplemente são como esfregar-lhes com um espelho na cara. Sem precisar de gritos nem zangas, é muito mais eficaz mostrar. Este "personagem "é extremamente eficaz se utilizado com pessoas inteligentes que tenham a capacidade de a dada altura analisar a própria postura e ajustar a atitude de acordo com o que acabaram de ver no tal espelho que lhes mostro, caso contrário é perder tempo. Burra e obediente, sou-o as vezes que forem necessárias, e sou tão boa nisso.