3.1.10
Custa mas não dói
Muitas vezes custa verbalizar o que sentimos, contudo não dói nada. É uma das coisas que só experimentando se consegue perceber. Aconselho, é tremendamente libertador. Demorei e custou-me muito, mas uma vez conseguido, simplesmente não há retorno. Não consigo conceber viver de outra forma.
2.1.10
Projectos
A partir de hoje permito-me ter projectos. Posso agora tira-los da "gaveta" em que coloquei vários que fui juntando e guardando, aguardando o tempo certo. Alguns são só ideias, outros esboços de ideias, e outros ainda que só falta mesmo por em prática, já está tudo alinhavado. Permito-me a partir de hoje torná-los reais. Não gosto de pensar muito em coisas que sei à partida que não posso concretizar, de certa forma magoa-me, não consigo explicar muito bem, mas é quase uma desilusão. Por isso, guardo em local "seco e fresco" para que não se estraguem, mas longe da vista e da ideia para não me doer. Então, agora que o divórcio é um facto, posso por em prática o projecto nº 1, que vai ser comprar a minha casa, quer dizer, comprar a outra metade. Este é o primeiro e só falta pô-lo em prática. O segundo é uma viagem, que pretendo fazer sozinha, 3 ou 4 dias bastam, para local ainda não definido. Não precisa sequer de ser muito longe. Basta ser longe o suficiente para implicar uma viagem de avião. E uma qualquer cidade europeia serve. Esta é a parte que falta definir, o destino. Depois, viro-me para a minha (agora mesmo minha) casa, e vou pô-la em ordem. Quando digo pôr em ordem, significa virar algumas divisões de pernas para o ar, a começar pela cozinha. Tenho muito que fazer como é evidente. Se não fosse o raio da perna, começava já segunda-feira a tratar de vida. Mas, algo hei-de conseguir por a andar. Veremos.
1.1.10
Esperança
Eu acredito que cada indivíduo tem poder, do qual muitos infelizmente nem sequer suspeitam, para mudar o mundo. Acredito que as pessoas podem mudar pequeninas coisas em si próprias, que mudam também os outros. Acredito que todos podemos trabalhar aquilo que achamos que não está bem dentro de nós. Acredito que todos podemos ter essa consciência, do que não está bem dentro de nós. Nem todos a têm, mas podem ter, se quiserem. Acredito que são as pequenas coisas que fazem a diferença. Acredito que tratar os outros com respeito e educação produz melhor resultados do que a indiferença e a agressividade. Acredito que podemos dizer o que temos a dizer, que podemos e devemos reclamar quando achamos que o devemos fazer, sem recorrer a insultos ou malcriadezas. Acredito que podemos ensinar os nossos filhos a fazer o mesmo. Acredito também que nem sempre se consiga, mas acredito ainda mais que temos o dever de tentar. Sempre, e se conseguirmos aquilo a que nos propomos nem que seja metade das vezes já estamos a vencer. Acredito que com isso, nos sentimos melhor connosco próprios e potenciamos a força para tentar de novo. Acredito que se pensarmos e agirmos assim ao longo da nossa vida teremos melhorado qualquer coisa no mundo. Acredito nisto mesmo quando vemos os outros à nossa volta a fazer o oposto. Acredito em tentar sempre, mesmo quando não resulta. Acredito em deitar a cabeça na almofada e pensar que fiz bem, ou que tentei fazer bem. Acredito em não abandalhar ou aldrabar o que quer que seja mesmo vendo toda a gente a fazê-lo e a dar-se bem. Acredito em ter a consciência leve. Acredito em manter os príncipios que alguns ridicularizam porque dizem que o mundo é dos espertos. Acredito que se cada individuo se esforçar por dar o melhor de si, quer profissionalmente, quer junto da família e daqueles que ama, algo muda para melhor. Acredito que arregaçar as mangas e fazer-se à vida é infinitamente mais gratificante para um indivíduo do que o sonho de alguns dias que deposita no bilhete do Euromilhões. Acredito que as dificuldades que se encontram na vida são o que revela o carácter das pessoas, e que a forma como se lida com elas é o que verdadeiramente as define. Acredito no indivíduo como único meio de melhorar o mundo. É isso que peço para o novo ano, discernimento para ver o que não está bem, e força para continuar a tentar, nem sempre conseguindo, mas sempre tentando.
31.12.09
The end
Sou, a partir de hoje, uma mulher divorciada. Tive de me arrastar a mancar até à Conservatória, a audiência estava marcada para esta manhã há algum tempo. Vai ser literalmente "Ano novo vida nova". Mentira, não é nada. A vida nova já não é nova, não é de agora, já tem muitos meses. E, da mesma forma que um papel que oficializa uma relação não altera sentimentos, ou não deveria alterar, o papel que oficialmente a dissolve também nada muda, especialmente quando os sentimentos morreram anos antes. Resumindo, estou na mesma, sinto-me a mesma. A única coisa que poderá mudar é a percepção que os outros têm de mim, porque o estigma da "mulher divorciada" é ainda bastante evidente, e que pessoalmente acho que é uma perfeita estupidez, assim como todos os rótulos inventados pela sociedade. Contudo, como acredito que os actos são o que define as pessoas, não as palavras, e não a raça ou o credo, e muito menos o estado civil, cá estou, eu própria, a mesma, de cabeça erguida, cagando de alto para todos os que, condicionados pelo meu estado civil, se deixem levar pela estupidez e comecem a achar que o meu comportamento vai mudar. Para todos esses, caguei.
30.12.09
Living on the couch
É... é neste estado vergonhoso que me encontro, a viver no sofá. Contra a minha vontade, mas tem de ser. Lá no quarto aborreço-me porque não tenho tantos canais no televisor e depois a cozinha fica mais longe. De modos que me deixo estar por aqui pelo sofá, quentinha, pousadinha, a encorrilhar. Vida dura... Trouxeram-me toda a tralha que estava em cima da minha secretária, pedi e trouxeram-me. Trabalhei qualquer coisa durante a tarde, já não foi mau. Amanhã há mais, apesar do office estar fechado e provavelmente toda a gente extra-office também. Os fornecedores deverão estar todos fechados, já os clientes acredito que alguns escaparão, modernices... Eu conto trabalhar mais amanhã, quanto mais não seja para me entreter e me distrair da dor na perna. Está quase na hora da pica, é o ponto alto do meu dia. Credo... isto está mesmo mau... Disseram-me que não devo abusar de bebidas alcoólicas, por isso um copo de vinho branco não é abusar pois não? Não é... ou é?... Na... abusar seria uma garrafa, certo? E assim, acabo de instaurar a Happy Hour cá em casa, só assim... senão não aguento.
29.12.09
Molho
1ª nova experiência: dar injecções a mim própria, na barriga. Hoje apliquei a segunda, a primeira foi a enfermeira ontem na urgência. Faltam 5, uma por dia e sensivelmente à mesma hora.
2ª nova experiência: ficar em casa de perna ao alto durante 3 dias, e depois ficar em casa de perna ao alto, mas não necessáriamente o dia todo, durante no mínimo 3 semanas. Nem consigo imaginar como é que vou aguentar ficar em casa tanto tempo sem ir para o trabalho, sim, porque trabalhar remotamente a partir de casa não é a mesma coisa.
3ª nova experiência: tomar medicação durante 6 meses e uma vez por mês ter de ir ao hospital fazer o controlo do sangue porque a medicação vai dilui-lo e há que verificar mensalmente.
Portanto, estarei de molho, e durante tanto tempo vou de certeza ficar toda encorrilhadinha.
Ah, esclareço já que não tive o impulso que ir partir o focinho ao médico que me diagnosticou a lesão no tendão de Aquiles, porque o pobre homem foi induzido em erro pela aparência perfeita da minha perna. A gaja não inchou, não ficou vermelha nem quente, que são os sintomas habituais numa situação destas, que na altura deveria ser uma Trombo-flebite. Só me doía, e muito. Por isso outro qualquer médico teria feito a mesma coisa. E só se chegou ao diagnóstico correcto porque a dor piorou... perna enganadora...
2ª nova experiência: ficar em casa de perna ao alto durante 3 dias, e depois ficar em casa de perna ao alto, mas não necessáriamente o dia todo, durante no mínimo 3 semanas. Nem consigo imaginar como é que vou aguentar ficar em casa tanto tempo sem ir para o trabalho, sim, porque trabalhar remotamente a partir de casa não é a mesma coisa.
3ª nova experiência: tomar medicação durante 6 meses e uma vez por mês ter de ir ao hospital fazer o controlo do sangue porque a medicação vai dilui-lo e há que verificar mensalmente.
Portanto, estarei de molho, e durante tanto tempo vou de certeza ficar toda encorrilhadinha.
Ah, esclareço já que não tive o impulso que ir partir o focinho ao médico que me diagnosticou a lesão no tendão de Aquiles, porque o pobre homem foi induzido em erro pela aparência perfeita da minha perna. A gaja não inchou, não ficou vermelha nem quente, que são os sintomas habituais numa situação destas, que na altura deveria ser uma Trombo-flebite. Só me doía, e muito. Por isso outro qualquer médico teria feito a mesma coisa. E só se chegou ao diagnóstico correcto porque a dor piorou... perna enganadora...
28.12.09
Isto vai de mal a pior
Fiquei a saber hoje, após 7 horas na Urgência do Hospital (e de muuuuiiiiiiitas dores) que afinal o meu tendão de Aquiles está bem e recomenda-se, aliás nunca esteve marado. O que eu tenho afinal é uma Trombose Venosa Profunda, ou seja tenho as veias da perna direita todas estuporadas. O que é fixe é que não tem rigorosamente nada a ver com a minha noitada a dançar em cima dos saltos altos. Agora a sério, esta merda pelos vistos é perigosa e pode dar em embolia pulmonar. De maneiras que amanhã de manhã volto ao hospital para ser observada pela equipa de cirurgia vascular e fazer mais uns exames para determinar o tratamento a fazer. Não está excluida a hipótese de internamento, pelo que as calças que iam substituir o vestido, podem muito bem vir a ser substituidas pelo pijamito. O que não me convinha lá muito é que o pijama tenha de ser substiuido por um daqueles panos azuis muito em voga nos blocos operatórios... E prontos, era isto. Se não nos virmos mais, gostei muito de vos conhecer.
(e agora vou ao google ver o que quer dizer "veia poplítea" e "vasos tibiais posteriores" que segundo diz o relatório da ecografia, estão todos fodidos, com a vossa licença...)
(e agora vou ao google ver o que quer dizer "veia poplítea" e "vasos tibiais posteriores" que segundo diz o relatório da ecografia, estão todos fodidos, com a vossa licença...)
Inverno
Não chovia, e o vento só o percebi no final da recta que termina no mar. Não é só o mar, os quilómetros que faço para lá chegar também me fazem bem. Não o vi, só vislumbrei as linhas brancas sofregas que uma atrás da outra se desfaziam no negro. O dia tinha morrido no caminho. Contornei a rotunda e segui na marginal e vi só as luzas dos navios ao longe. Ninguém. Continuei a subir e a água já não era mar, era rio, bravo, revolto. A água corria baça, negra e baça. Ainda ninguém. Vento, folhas e umas gotas de água avulsas. A outra margem repetida na água mas desfocada, difusa. A água corria baça. As luzes da outra margem são baças, tristes. Apeteceu-me parar e sair, apeteceu-me vento e frio na cara, apeteceu-me. Não saí, continuei. A água corria baça. As luzes continuam tristes. O vento continua a soprar o Inverno, na rua, na água. É Inverno na rua, na água, e em mim.
27.12.09
Férias
A ter em conta a falta que me fizeram na noite de Natal, esta semana que começou há pouco mais de meia hora adivinha-se penosa. E merdas à parte, é verdade, é verdade sim senhor, não os ter perto de mim na noite de Natal custou-me muito mais do que as 2 semanas de férias no Verão. Vou ter saudades de tudo, até das coisas que me enervam, já tenho. E este silêncio já me começa a irritar. Vou sair. Foda-se. E mais logo vou ver o mar, nem que chova a potes.
26.12.09
Spooky
Muito raramente as pessoas que me rodeiam me surpreendem. Parece que as conheço demasiado bem. Parece que já sei o que vão fazer ou dizer. E há alturas em que isso me sabe muito bem. Se por um lado tenho momentos em que sei exactamente o que fazer para obter uma determinada reacção e isso quase que me diverte, por outro nunca sou surpreendida. Nada me surpreende, nada de novo e aborreço-me. É aqui que penso que conhecer bem as pessoas, conseguir ler nas entrelinhas das palavras e acções, e analisar tudo quase que automaticamente, saber o que fazer ou dizer para que alguém vá em determinada direcção, não é lá muito bom... vem-me à cabeça uma palavra, manipular. E não gosto, faz-me impressão. É como se eu tivesse uma capacidade que me permite controlar de certa forma o comportamento dos outros, condiciona-los e orienta-los, provocar as reacções que quero, e é assim... ligeiramente... assustador.
23.12.09
Choque
Ontem, na festa de Natal da empresa, o meu filho mais velho supreendeu-me. Estava eu a meter-me com o filho de uma colega, o miúdo tem 17 anos e obviamente tal como todos os outros filhos das outras colegas que são da mesma faixa etária encostam-se a um canto qualquer da sala, e enquanto nós, as mães e os miúdos pequenos dançamos e saltamos, eles não se misturam, ficam lá, a conversar ou a mandar sms ou a olhar, o que é normal nos putos daquela idade. Ainda por cima, como nos conhecemos todos há anos, os miúdos que pegamos ao colo, vão crescendo e alguns já são homens e mulheres feitos, o que é engraçado, ano após ano vemo-los e deitamos as mãosinhas à cabeça e percebemos que estamos velhos. Aquelas coisas do costume. Dizia eu, que estava na brincadeira com um deles, a gozar com ele e com os outros todos, e vem o meu filho, toca-me no ombro e com o indicador no ar, sobrancelha franzida e com o tom de voz mais reprovador possível diz-me: Mãe, o que estás a fazer? Confesso que não percebi imediatamente o que estava a acontecer e disse-lhe: Estou a falar com o filho da G. porquê? Ao que ele respondeu: Ah... ok... então está bem. Aí percebi que o gajo me estava a controlar, nem queria acreditar, caiu-me tudo ao chão. Tem 10 anos. Vai bem, vai. Está mesmo a ver-se o que me espera não está?
22.12.09
Gosto porque
- há alegria verdadeira, não é fingida, todos quantos estão estão felizes por estar;
- há pessoas mais velhas que se emocionam por verificarem que os mais novos se deram ao trabalho de pensar neles e de lhes comprar um presente;
- há confusão e papéis rasgados e fitas e coisas tipo pedaços de esferovite espalhados pelo chão porque os miúdos fazem questão de utilizar imediatamente todos os brinquedos;
- há gente sempre a chegar, mesmo os que jantam noutras casas vêm cá ter depois, para a troca de presentes, vão chegando em grupos até às 2:00h ou 3:00 da manhã;
- há risota, jogos e disparates variados, nos quais participam os mais velhos e os mais novos;
- há o conforto de saber que todas aquelas pessoas são minhas e que eu sou delas;
- há os doces que gosto mais do quaisquer outros doces em qualquer altura do ano, feitos pela minha tia mais velha, que apesar de ter quase 80 anos ainda não passou a pasta e passa a tarde de volta do fogão de lenha.
E há amor, sem o qual nada do que descrevi acima seria possível.
- há pessoas mais velhas que se emocionam por verificarem que os mais novos se deram ao trabalho de pensar neles e de lhes comprar um presente;
- há confusão e papéis rasgados e fitas e coisas tipo pedaços de esferovite espalhados pelo chão porque os miúdos fazem questão de utilizar imediatamente todos os brinquedos;
- há gente sempre a chegar, mesmo os que jantam noutras casas vêm cá ter depois, para a troca de presentes, vão chegando em grupos até às 2:00h ou 3:00 da manhã;
- há risota, jogos e disparates variados, nos quais participam os mais velhos e os mais novos;
- há o conforto de saber que todas aquelas pessoas são minhas e que eu sou delas;
- há os doces que gosto mais do quaisquer outros doces em qualquer altura do ano, feitos pela minha tia mais velha, que apesar de ter quase 80 anos ainda não passou a pasta e passa a tarde de volta do fogão de lenha.
E há amor, sem o qual nada do que descrevi acima seria possível.
21.12.09
Boys
Quando se é mãe de 2 rapazes acaba-se a gostar de determinadas coisas típicas de rapazes. Carros, motas, aviões, jogar bilhar, jogar às cartas, coisas assim. Mas... Espera aí... Eu já gostava disto tudo antes... Ui... ainda bem que tive rapazes... Se eu tivesse de levar com Nenucos, ou Barbies, fitinhas, lacinhos, folhinhos, tiaras, brilhos, estrelas, corações, ai... nem quero imaginar... só um momento, estou a ficar enjoada, volto já.
20.12.09
Closure
Ele: Como se sente?
Eu: Sossegada.
Ele: Está tudo arrumado dentro da sua cabeça?
Eu: Está tudo devidamente arquivado.
Ele: Sente-se bem então?
Eu: Sim, sinto-me muito bem.
Ele: O que é que mudou?
Eu: Já não tenho aqueles momentos em que me sentia uma fraca, quando pensava: isto só acontece porque eu deixo. Já não tenho esses momentos.
Ele: Gosta mais de si agora?
Eu: Gosto muito mais de mim agora, mas muito mais.
Ele: O que aprendeu com tudo isto?
Eu: Que não devo deixar de verbalizar os sentimentos, bons ou maus.
Ele: Que erros acha que cometeu?
Eu: O maior erro foi ter deixado arrastar uma situação que de alguma forma me diminuía e me fazia mal por tanto tempo. Deveria ter posto um ponto final mais cedo.
Ele: O que espera do ano que vai começar?
Eu: Nada de especial, espero ter força e bom senso para poder orientar os meus filhos, só isso
Ele: Não anseia por nada de especial então?
Eu: Não, sinto que tudo pode acontecer, que está tudo em aberto e não excluo nenhuma possibilidade.
Ele: Não quer voltar a ser adolescente então? Não sente necessidade de viver tudo o que não viveu?
Eu: Não, de todo. O que sou hoje devo-o ao meu percurso até aqui e às minhas opções. Não mudaria nada excepto o detalhe de não ter tomado uma atitude mais cedo. Estou muito bem assim. Mas saio, divirto-me, só que invisto naquilo que me dá realmente prazer.
Ele: Está mais exigente então?
Eu: Sim, de certa forma sim.
Ele: Está mais impulsiva?
Eu: Não, isso não é da minha natureza, já sabe.
Ele: Não há ressentimentos?
Eu: Nenhum, só quero que esteja tudo bem.
Ele: E necessidade de castigar?
Eu: Também não, há coisas que não consigo perdoar, mas arquivei.
Ele: Libertou-se então?
Eu: Completamente, tirando as situções absolutamente necessárias, passo dias e dias sem sequer me lembrar que em minha casa algum dia foi diferente.
Ele: Foi um acumular de coisas más que depois saíram todas ao mesmo tempo.
Eu: Exactamente, fiz uma limpeza geral. Uma purga.
Eu: Sossegada.
Ele: Está tudo arrumado dentro da sua cabeça?
Eu: Está tudo devidamente arquivado.
Ele: Sente-se bem então?
Eu: Sim, sinto-me muito bem.
Ele: O que é que mudou?
Eu: Já não tenho aqueles momentos em que me sentia uma fraca, quando pensava: isto só acontece porque eu deixo. Já não tenho esses momentos.
Ele: Gosta mais de si agora?
Eu: Gosto muito mais de mim agora, mas muito mais.
Ele: O que aprendeu com tudo isto?
Eu: Que não devo deixar de verbalizar os sentimentos, bons ou maus.
Ele: Que erros acha que cometeu?
Eu: O maior erro foi ter deixado arrastar uma situação que de alguma forma me diminuía e me fazia mal por tanto tempo. Deveria ter posto um ponto final mais cedo.
Ele: O que espera do ano que vai começar?
Eu: Nada de especial, espero ter força e bom senso para poder orientar os meus filhos, só isso
Ele: Não anseia por nada de especial então?
Eu: Não, sinto que tudo pode acontecer, que está tudo em aberto e não excluo nenhuma possibilidade.
Ele: Não quer voltar a ser adolescente então? Não sente necessidade de viver tudo o que não viveu?
Eu: Não, de todo. O que sou hoje devo-o ao meu percurso até aqui e às minhas opções. Não mudaria nada excepto o detalhe de não ter tomado uma atitude mais cedo. Estou muito bem assim. Mas saio, divirto-me, só que invisto naquilo que me dá realmente prazer.
Ele: Está mais exigente então?
Eu: Sim, de certa forma sim.
Ele: Está mais impulsiva?
Eu: Não, isso não é da minha natureza, já sabe.
Ele: Não há ressentimentos?
Eu: Nenhum, só quero que esteja tudo bem.
Ele: E necessidade de castigar?
Eu: Também não, há coisas que não consigo perdoar, mas arquivei.
Ele: Libertou-se então?
Eu: Completamente, tirando as situções absolutamente necessárias, passo dias e dias sem sequer me lembrar que em minha casa algum dia foi diferente.
Ele: Foi um acumular de coisas más que depois saíram todas ao mesmo tempo.
Eu: Exactamente, fiz uma limpeza geral. Uma purga.
Aquiles
Depois de puxar a fita atrás, acho que já sei como é que estuporei o meu tendão. No sábado passado tive um jantar, não de Natal, mas um jantar que acontece todos os anos (... este foi o de 2008, atrasadíssimo portanto) onde me junto a mais de uma dúzia de amigas, algumas colegas de trabalho e outras não. Juntamo-nos, comemos e bebemos, e depois vamos dançar a qualquer lado. Então, aqui a nina resolveu empoleirar-se nuns sapatos de salto alto que não lhe magoam os pés. Pois... achando que se iria aguentar toda a noitinha a dançar. Mas aguentei-me, aguentei-me bem, os pés sobreviveram intactos, dancei toda a noite e nada, nem uma bolha, uma categoria. Fodi foi o tendão, mas isso é só um pormenor. Não dei por nada nem no sábado, nem no domingo nem na segunda. Só na terça é que acordei com a perna a doer-me. Não liguei nenhuma. Na quarta fui à farmácia comprar pomada para distensões musculares e meti uns anti-inflamatórios. Continuei a não ligar nenhuma. Na quinta, aquela merda não melhorava e ao fim do dia, já me doía não só a perna, como o tornozelo e também o pé. Alto e pára o baile! Médico imediatamente. Diagnóstico: tendão de Aquiles todo marado. E pronto, verifico que os saltos altos são o meu calcanhar de Aquiles, l-i-t-e-r-a-l-m-e-n-t-e !!! E assim o magnífico vestido que comprei para a passagem de Ano fica no armário para dar lugar às calças que serão acompanhadas das botas de salto raso. Está decidido.
18.12.09
Always think twice
Não gosto de gente impulsiva. Este assunto surgiu durante uma conversa com alguém que muito estimo e admiro. Fez-me várias perguntas às quais respondi honestamente. Perguntou-me se estou mais impulsiva. Não estou, não sou. E não gosto de gente impulsiva, que não pensa antes de falar ou de fazer. Que não mede as consequências do que vai fazer ou dizer. Não gosto. Mas também não gosto de gente que pensa demais e contorna e desvia e evita. Não gosto de gente calculista, que não dá ponto sem nó. O que eu gosto é de gente espontânea, mas que não magoa gratuitamente e que tem consciência do que diz, do que faz e do que é. Gente autêntica. Com os outros e consigo própria.
Sintonia
Deito-me e os lençóis trazem-me a suavidade da tua pele, e já não posso evitar tudo o que toma conta de mim. As minhas mãos já não são minhas, são as tuas que percorrem o meu corpo sofregamente, ávidas de mim, de ti, de nós... O fogo, louco... atrai os meus, os teus dedos que percorrem o caminho que tão bem conheces. Sentes-me? Quente, em brasa, pronta para ti... tortura. Acelero, o coração dispara, não páro, não pares agora...
17.12.09
Ser mãe também é...
ter o tendão d'Aquiles todo fodido, a doer mais do que parir um filho e ter de trazer os putos pra casa na mesma, dar-lhes banho e jantar. Noutro dia qualquer teriam ficado a dormir em casa dos meus pais deixando-me sossegada. Sucede que a minha mãe tem trabalho logo pela manhã e não pode tratar deles e leva-los à escola. Calhou bem, não calhou? Só me apetece ganir...
Juro que não sei como é que dei cabo do puto do tendão! Fico fodida!
Juro que não sei como é que dei cabo do puto do tendão! Fico fodida!
K.O.
Esta noite dormi sensivelmente 10 horas, ainda não estou em mim. Para quem dorme em média 4 a 5 horas por noite, isto é altamente perturbador. Parece que acordei de uma anestesia, ainda fui ver se tinha uma cicatriz escondidita algures, mas não, e galos na cabeça também não encontrei. Tudo normal portanto. Não percebo o que me aconteceu para ter aterrado àquela hora. Tenho a sensação que mais logo vou entrar em casa com medo, algo estranho se passa. Está bem que me ando a queixar de falta de sono há meses, mas também não é preciso exagerar, certo? É que a dormir não se aprende nada.
16.12.09
Spark
Entramos, e enquanto tirava o casaco
Não tiraste os olhos de mim.
Fingi não perceber, sentamo-nos.
Finalmente encarei-te, não foi preciso mais.
Olhos nos olhos e incendiamo-nos.
Não tiraste os olhos de mim.
Fingi não perceber, sentamo-nos.
Finalmente encarei-te, não foi preciso mais.
Olhos nos olhos e incendiamo-nos.
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