26.11.09

Porque mesmo uma mulher como eu tem as suas fraquezas

Quem me conhece sabe que o "outfit" abaixo é a minha cara.
Ok, menos as botas...
Acontece que nunca na puta da vida me iria assentar como à manequim, por isso olho para a foto e nem sequer me permito sonhar com a roupa, tenho a certeza absoluta de que adquiri-la representaria um esforço completamente em vão. Fico-me pelo delírio, que é uma cena que não chega a ser um sonho, de tão estapafúrdio que é. É verdade, juro, eu tenho destas cenas às vezes, eu sei que não parece, mas é verdade, a sério, tenho, tenho.


Vivienne Westwood - Fall 2009 Ready to wear collection

25.11.09

Pronto, já está!

Os 7 dias de molho do mais velho acabaram, já curou a gripe e amanhã regressa à escola. Chego do trabalho hoje e o pequeno tem febre. Porreiro, outro que fica 7 dias recolhido, começa amanhã. Acaba um e começa outro, se fosse combinado não acertavam. Mas nem tudo é mau, se tivessem de ficar os dois em casa ao mesmo tempo, alguém iria entrar em depressão profunda, rouquidão extrema e cansaço muscular generalizado. Os meus filhos dão-se bem, que fique claro. Mas é só durante os primeiros 30 minutos, depois... bem depois... é uma alegria!

Keane

Por acaso travei conhecimento com a música destes três moços logo no início, o que não é normal. Normalmente, quando se trata de bandas ou cantores novos, quando eu percebo que existem já têm dois ou três trabalhos publicados e já não são recentes. Ando sempre atrasada nestas coisas. Mas neste caso não. Lembro-me que ouvi na rádio um piano que me surpreendeu, uma melodia muito bem construida e uma letra honesta que me prenderam o ouvido. E fiquei atenta. Não apanhei o nome da banda ou do cantor, mas fiquei atenta. Alguns dias depois consegui saber quem tinha feito aquilo, Keane, banda inglesa, três putos, ok. Comprei o cd e escusado será dizer que me apaixonei por eles. Já não falo do piano, que toda a gente sabe da minha obcessão por ele, mas rendi-me completamente à música destes três putos. Gostei da simplicidade de apenas umas teclas uma bateria e voz. Tão pouco e tão extraordinário. A composição é bem estruturada, complexa, não tem nada de simples. Só quem sabe muito bem o que está a fazer é capaz de compor música assim, estes rapazes não aprenderam a tocar na garagem. Goste-se ou não do género, temos de lhes dar crédito, eles sabem ler pautas, conhecem os tempos, os ritmos, sabem ler e escrever notas e aproveitam os sustenidos e os bemóis. Acontece que eu gosto do género. Gosto de ouvir o piano, mas ouvi-lo bem e não disfarçado no meio de muitos instrumentos, gosto de escutar letras honestas, mesmo sendo umas mais lamechas do que outras. Não são complicadas de perceber, mas são fortes, palavras simples, mas frases fortes. E entendo e aceito que neste último trabalho eles tenham querido experimentar e tenham percorrido um caminho novo para eles, que quanto a mim resultou também bem. Reconheço as letras potentes, e a música também é pontente. Já ouvi dizer que ficaram descaracterizados, mas não concordo. Todos têm o direito de mudar, de experimentar, de tentar fazer e trazer algo de novo. Seria um tédio ficar sempre no mesmo registo, até porque depois também há quem critique dizendo que é mais do mesmo, nada de inovador. Eu gosto deles, aprecio a música que os moços fazem, tanto o antigo como o novo registo. Não tive oportunidade de os ouvir ao vivo, mas hei-de ter. Enquanto eles fizerem música de que eu goste, e enquanto tocarem ao vivo, oportunidades não faltarão. Aqui fica uma das que gosto mais.

Gastronomia

Uma conversa que tive ontem fez-me pensar, e pensei.
Sou exigente, é verdade. A questão foi colocada de forma ligeira, foi comparada com snacks e boas refeições. Entre debicar uns snacks e esperar para ter uma boa refeição com tudo a que tenho direito, prefiro sempre esperar pela refeição, dá-me muito mais gozo sentar-me à mesa e disfrutar das entradas, do prato ou talvez dois e da sobremesa, tudo regado com um bom vinho, do que ir comendo snacks aqui e ali.
Nem sempre há é restaurante à altura. Mas eu sei esperar, nisso sou muito boa para não dizer excelente.
E posso sempre recorrer ao Guia Michelin, os melhores estão todos lá.

24.11.09

Padrão

Eu tenho uma tendência estúpida para adiar aquelas coisas que só dependem de mim e são só para mim. É um facto indiscutível. Não faz lá muito sentido, porque sendo apenas eu a beneficiar da decisão o mais lógico seria tratar de vida, não seria? Volto à questão da disciplina, ou da falta dela. Do excesso de preguiça, ou de inércia. Que nojo. É cansaço também, que toma conta de mim depois de muito tempo em grande agitação. Não me apetece fazer nada, quer dizer, apetece-me mas depois não faço. É estúpido. Hoje, por exemplo estive à procura de um sítio para ir no próximo fim-de-semana e encontrei-o, o sítio ideal para passar dois dias nas calmas, sozinha e na sorna total. Nem sequer é longe, mas depois pensei, e entre ter de preparar a mala ainda que pequenina, de me meter à estrada provavelmente com um tempo de merda e no fim ter de voltar, também provavelmente com um tempo de merda e o passar o fim-de-semana no quentinho da minha casa, aninhada no meu sofá, na companhia da minha lareira e se correr bem, com o meu livro novo, não sei... hesito. Mesmo agora, ao ler isto que acabo de escrever, parece-me cada vez mais que a solução do descanso, no conforto da minha casa, é a que me fará melhor. Sempre ponho o sono em dia, ou quase, e se gostar do livro, tanto melhor.

Planeta X

Se os opostos se atraem, este lindo mês de Novembro só deveria ter-me trazido coisinhas boas, dado o meu "estado" negativo.
Mas não.
Aqui a nina anda mais por baixo e só lhe acontecem misérias. Devo viver noutro planeta onde as leis da Física tal como se conhecem na Terra não se aplicam.
É... deve ser isso. Tadinha de mim que está tudo contra mim, não tenho sortinha nenhuma, ai meu Deus o que é que eu faço?
P'ra já p'ra já só meto mesmo nojo, fazer fazer, começo já a fazer alguma coisa por mim abaixo este fim de semana. Ai não, não faço!

23.11.09

Flying high



Este vídeo foi gamado ao Pulha Garcia, aka O Bom Sacana (e não sei meter links nesta merda, sorry) mas não foi por mal, que eu gosto muito dele.

Life and death

Há 10 anos que não estou só. O mais velho faz hoje 10 anos. Desde o dia 23 de Novembro de 1999 que eu não penso só por mim, que eu não decido só por mim, que eu não ajo só por mim, ou seja tornei-me refém. Os progenitores são reféns dos filhos, temos sempre medo pelos filhos, ficamos presos a eles, desde que nascem até que um de nós morra. Não importa onde nem quando. Tudo o resto pode ir e vir, ser e não ser, estar e não estar, menos os filhos. Os meus filhos são a única constante da minha vida. E da morte também, serei vossa mãe mesmo depois de morrer, sereis meus filhos mesmo depois de morreres.
Estranhamente ainda não perdi a ideia de que terei 4 filhos, ainda persiste apesar de tudo. Algo em mim acha que ainda há mais dois para vir, o que neste momento é praticamente um absurdo, mas mesmo assim este sentimento não se esbate, e eu aceito-o.

Mal pensado

Foi mal pensado, o largar as rédeas. Ok... descansar e tal... ver a vida passar... mal pensado. Ver a vida passar não tem piada nenhuma, e além do mais a vidinha que vi passar é um tédio total. Fico mal disposta com esta vidinha entediante. Estou mal disposta. Tomar medidas, tenho de tomar medidas.

A partir de AGORA.

22.11.09

Tristeza

Amanhã despacham o meu livro, recebi a confirmação há uns minutos. Estou ansiosa por tê-lo nas mãos. Quero ver a minha reacção, quero ver se é a mesma que tenho tido nos últimos tempos. Uma tristeza profunda porque não tenho vontade de ler, pego e largo. Tem sido assim, pego e largo, nem a meio chego. O pior é que os livros provavelmente até são bons, o último que tentei ler é dum homem que já ganhou muitos prémios, o livro deve ser bom, eu é que não presto.

De certeza que foi por causa disto que demorei três meses a decidir comprar o livro. O desânimo toma sempre conta de mim de cada vez que pouso um livro, por isso não tive qualquer pressa, e tenho medo que aconteça a mesma coisa. Começar com muito entusiasmo e depois, ao fim de 2 ou 3 capitulos abandonar, e desanimar. Mas porque é que já não me entusiasmo como dantes? Ainda não percebi.

Será este que vai mudar tudo?

Write

"Better to write for yourself and have no public than to write for the public and have no self."

Cyril Connolly

21.11.09

Brand new old

Acabo de comprar um livro num leilão online. 7,50€ incluindo portes de envio. Um livro que me aconselharam a ler há 3 meses. Só hoje me dispus a encontra-lo e a compra-lo apesar de não me ter saido da ideia desde então. Está feito. É um livro velho, usado. Para mim será novo em folha. Levou-me 3 meses. É muito, mas estou satisfeita, comigo.

(É "O fio da navalha" de Somerset Maugham)

20.11.09

How is life?

Hoje, ao telefone com o S.

S.: So, how is life?
Eu: Life is pretty shitty right now actually...
S.: Why?
Eu: My son is sick.
S.: Oh, I'm sorry. I thought you were going to say that you don't fuck...
Eu: Ahahahah. But... true, I don't fuck much... life is pretty shitty in that department too...
S.: Ahahahah

19.11.09

Assombro

Ainda me espanto, depois destes anos todos com as coisas que os meus filhos me fazem.

O pequeno está aqui, estivemos a jogar às cartas, ora às orelhas ora à pesca. Momentos de puro gozo, sem televisão mas com o cd dele a tocar, com a selecção de música que ele fez e que o tio gravou. Pelo meio da palhaçada ia dizendo, tu gostas desta música mãe, eu sei que gostas, e eu a dizer que sim e a sorrir por dentro. Não há muito melhor do que isto.

O maior está doente, amanhã não vai para a escola. Por isso ficou em casa dos avós e assim amanhã não precisa de se levantar cedo nem de apanhar frio. E não me sai do pensamento, nem por um segundo.

É assombrosa esta capacidade que tenho de ao mesmo tempo e com a mesmíssima intensidade, sentir pura felicidade e estar triste como a noite.

And your promisses will turn into lies

Não compreendo as mulheres que caem no conto do vigário, que acreditam nas promessas deles que até querem mas não podem, que é muito complicado, que vão resolver tudo e que vão ser só delas, bla bla bla... mas nunca mais se despacham, e elas ficam à espera, deixam-se estar, têm peninha deles, e tudo e tudo. Ora, este fadinho tem dois significados apenas: ou é tudo treta, o que faz deles mentirosos, o que é mau, ou é mesmo verdade fazendo deles uns grandessíssimos cagões, o que é péssimo. Pelos mentirosos consigo ter algum respeito, é preciso ser bom para manter uma mentira deste calibre e conseguir iludir completamente uma fulana. Já pelos cagões não consigo ter respeito nenhum. Têm medo, não têm coragem de perseguir o que querem, e ainda se fazem passar por vítimas - vómito - despertando a compaixão e as ternuras à gaja. Prefiro gajos que assumem que o que querem é o que nós sabemos, que não estão com rodeios, e que não iludem ninguém. Sim, aqueles mulherengos do piorio, tipo: é p'ra isto, se queres tudo bem, se não queres, há quem queira. Estes ao menos não são mentirosos e muito menos cagões, além de que são muito mais divertidos.

18.11.09

Nem acredito

que o meu filho mais velho começou a ler um livro... nem acredito. Até tenho medo de falar nisto, mas aqui não é propriamente falar, por isso aqui posso. Começou ontem a ler "O diário de Anne Frank". É adaptado à idade dele (faz 10 anos daqui a 5 dias) obviamente, e hoje, como ontem, antes de dormir quis ler. Perguntei-lhe se estava a gostar e ele resumiu a parte que já leu ontem, interessadíssimo na história. Nem caibo em mim de contente. Desde que ele sabe ler que tento incentivá-lo a ler livros, livros mesmo, que os outros não contam. Nem acredito que está a resultar. Não vou contar a ninguém, não vá estragar-se o "encanto".

Não, não se trata de hipocrisia

Há o que eu digo, o que eu faço e o que eu sinto, 3 coisas diferentes. Se primeira e a segunda andam quase sempre a par, e se não andam não é de forma voluntária, a terceira tanto pode estar em perfeita sintonia com as duas primeiras, como pode estar completamente isolada e independente delas. O que sinto nunca condicionou o que faço ou o que digo, apenas se limita a existir. É sempre uma escolha minha permitir ou não que o resto esteja de acordo com isso.

O que não é necessariamente uma coisa boa.

16.11.09

Portishead - Sour Times

Last call

Não me contentarei com menos.
Quero e posso ter mais.
Não falo de sentimentos, nunca falei.
É tudo ou nada.
Tenho de sentir que o mundo é meu.
Naquele momento tem de ser meu.
Não me contentarei com menos.

Home



And I thank you
For bringing me here
For showing me home
For singing these tears
Finally I found that I
Belong
Feels like home
I should have known
From my first breath