14.11.09

Negação

Há homens que dão pouco e mesmo sendo pouco, parece muito.
Há homens que dão pouco e mesmo sendo muito, parece pouco.

Quero pouco, preciso de pouco, mas entre receber pouco e ter a sensação de que é muito, e receber pouco mesmo que seja muito tendo a sensação que é pouco, eu prefiro que o pouco que recebo pareça muito.

Na prática recebo o mesmo, eu sei, mas pouco parecendo muito faz-me muito melhor do que pouco parecendo pouco.

13.11.09

Agora sim

Depois de anos a arrastar-me num limbo ridiculamente longo, agora sinto. Sinto fúria e raiva, sinto alegria, tenho momentos de pura felicidade, e momentos em que me sinto uma completa miserável. Há dias em que sou pequenina, noutros sou poderosíssima. Agora sim, vivo. Tudo.

12.11.09

Scar tissue

Já não me apetece muito ir ao concerto dos Depeche Mode. Vou, mas depois da desilusão de Julho, agora já não tenho a mesma pica.

É sempre a mesma merda, depois de sofrer uma desilusão, já não é a mesma coisa. Acontece-me isto. Sempre.

Depois, até gosto, só que a desilusão é como uma cicatriz. Mesmo sarada, fica lá.

Gostava que um dia me provassem que não, que estas cicatrizes desaparecem, sem cirurgias.

Perfect fit

Todas temos aquele par de calças que é o nosso preferido. Aquele que nos assenta bem, que nos conhece as curvas, que nos envolve o corpo sem hesitar. Conhecemos bem o prazer de vestir aquelas calças, podem ser de ganga ou de sarja, podem até ser de fazenda, mas são aquelas que nos fazem sentir bem, são as que nos fazem gostar das nossas ancas e coxas, sempre que baixamos os olhos e temos a perspectiva que nos faz sorrir por dentro.

Há homens assim, que nos assentam como uma luva, que nos envolvem não a mão, mas o corpo todo, sem hesitar. Há homens que nos conhecem as curvas, mesmo que seja a primeira vez, há homens que tal como as nossas calças favoritas, nos fazem sentir bem, nos fazem gostar do nosso corpo e nos fazem também, baixar os olhos e gostar daquela perspectiva, tão bem que ficam nas nossas ancas, entre as nossas coxas…

11.11.09

Bálsamo

Já não me apetece chorar, já passou.
Os deveres, as gargalhadas, o banho, alguns gritos, as gargalhadas, o jantar, a conversa, as cartas, as orelhadas, as gargalhadas, as cócegas, as gargalhadas, o edredon, o beijo, o abraço e o sorriso,  o dorme bem meu amor, e o até amanhã.

Só me apetece

chorar.

Pesadelo

Não sei se chorei mesmo ou se só sonhei que chorei. No meu sonho chorei desalmadamente porque o meu filho mais velho, apesar de dormir profundamente na sua cama, me tinha sido levado. Eu tinha-o, mas tinham-mo tirado. Tão confuso, tão estranho. E eu chorava sabendo-o na sua cama e sentindo que o não tinha. O mais novo tentava consolar-me e não conseguia. Adivinho um dia mau...

10.11.09

Ironia

Durante muitos anos passei despercebida onde quer que fosse. Nunca me importei com isso, aliás a grande maioria das vezes o objectivo foi mesmo esse. Ultimamente não tenho passado despercebida, o que não deixa de ser estranho. Não é a indumentária que chama a atenção, essa mantém-se mais ou menos a mesma desde há vários anos. Continuo com o meu estilo muito básico e sempre de tons escuros ou neutros. Nada chama a atenção, daí que é estranha esta sensação de não passar despercebida. Mais, comparando o meu aspecto com o das pessoas que me rodeiam, a lógica seria que eu fosse a última a chamar a atenção. Não uso saias, nem curtas nem compridas, não uso decotes que quase nada há para revelar num decote mais profundo, não uso roupa da moda nem com brilhos nem estampados vistosos, e também não me maquilho. Não sou alta nem esguia, muito pelo contrário. Mas também, não olho para o chão, não encolho os ombros, não murmuro, nem tão pouco me escondo. Olho em frente quando ando na rua, olho nos olhos as pessoas a quem me dirijo, falo-lhes abertamente e com um sorriso, e não sou tímida, longe disso. Se quero passar e alguém está no meu caminho não hesito em pedir para se desviarem e se me chamam respondo. O mais divertido disto tudo é que já me olharam de cima a baixo e eu a ver que naqueles olhos que me olhavam estava a expressão de quem estava convencido que estava a ver uma gaja gay. Tive a certeza. A roupa simples e a falta de pose levaram a criatura a pensar isso. Além disso, a forma como o olhei e lhe disse: "Com licença, já está servido? Posso passar?" deu-lhe a certeza absoluta, que se lhe traduziu na expressão do olhar, de que estava perante alguém com atitude de gajo, portanto, só pode ser fufa a gaja. E é isto, é esta a dedução que normalmente se faz. Como não tenho medo de existir, como não me visto de acordo com o último grito da moda nem me apresento cheia de "não me toques", só posso ser gay. Ironia das ironias... não sou gay, só não vou é em paneleirices.

9.11.09

Follow

E não, não tem nada a ver com os concertos da semana passada!

What are the odds?

Quais são as probabilidades de pensares e escreveres sobre quereres ter um amante que te inunde de desejo, de descreveres cenas de um filme e fantasiares com isso, e dois dias depois te dizerem que vás ter a determinado sítio daí a 2 horas, e à chegada te agarrarem e te beijarem quase sem te deixarem falar, te empurrarem para cima de uma cama e te despirem quase furiosamente?

Quais são as probabilidade de sentires naquele momento que aquele homem te deseja intensamente e de por isso mesmo quase te deixares à mercê dele, de não pensares sequer em tudo o que imaginaste fazer-lhe se viesse, de quereres que seja ele a conduzir, a dominar, para saboreares todo o seu desejo por ti?

Quais são as probabilidades de isto tudo isto vir do homem que tu achavas que já não viria?

As probabilidades de tudo isto acontecer são muito reduzidas, eram muito reduzidas.
Tão reduzidas que tudo pode ser apenas uma mera coincidência.

8.11.09

Como se nada fosse

Cresci num ambiente onde toda a gente sempre disse o que tinha a dizer, na cara de quem tivesse de o ouvir. Sempre foi assim. Quando os meus pais casaram, talvez porque a minha mãe é a mais nova dos irmãos, ficaram a viver com os meus avós. Por isso, desde que sou gente que fomos sempre muitos em casa. Os meus pais, os meus avós, o meu tio solteiro (que vivia com os pais, logo connosco) o meu irmão e eu. Uma das lembranças que tenho de pequenita é de por a mesa para sete pessoas. E esta gente toda foi sempre assim, sempre que havia algo a dizer, dizia-se. E depois passava, passava-se à frente e ficava tudo bem. Fui educada assim, a não ter problema nenhum em falar, e a ter a certeza que depois tudo iria ficar na mesma. Quer dizer, não na mesma, mas sem ressentimentos nem amuos. Mesmo entre as minhas tias, a minha mãe tem 4 irmãs, mesmo entre elas é assim. Discutem umas com as outras, discordam umas das outras, mas nenhuma delas manda recado, dizem na cara o que têm a dizer, quase que se “insultam” mas nunca se zangaram. São irmãs e amam-se incondicionalmente. Não têm inveja umas das outras, e ajudam-se sempre que necessário. Admiro-as a todas, cada uma com as suas características, de todas aprendo sempre alguma coisa, aprendo sempre alguma coisa importante, aquelas mulheres na sua simplicidade de quase iletradas dão-me bocadinhos de sabedoria que nem sempre sei aproveitar. Voltando ao assunto, faz parte de mim o espírito de bater de frente, e perturbam-me as pessoas que não dizem o que querem dizer, que guardam para mais tarde e depois vêem com rodeios, e massacram espetando a faca na ferida, de mansinho mas certeiras, durante dias e semanas e meses… Conheci pessoas assim, convivi com estas pessoas, que são todas sorrisos pela frente e depois lançam a areia a cada oportunidade com o objectivo de desestabilizar. De tanto que insistem acabam por vencer pelo cansaço que provocam, porque já não se pode aturar mais. Eu não consigo ser assim. Aturei este tipo de atitude durante anos, aturei toda uma família assim durante anos, esta família sendo o oposto daquilo que sou. Ninguém batia de frente, sempre com rodeios, sempre com agulhadas, aquelas bocas meias de lado, como quem não quer a coisa, instalando aquele ambiente de cortar à faca. Até que já não podia aturar mais. E deixei de os aturar. A todos. Agora só tenho as discussões com o meu pai, com a minha mãe ou com o meu irmão, em que se berra alto e bom som, onde se diz que não, que não é nada disso, ou que se está a ser um grande palerma ou um grande burro, mas na certeza que no dia seguinte ou nem isso, que 15 minutos depois se restabelece a normalidade e se conversa sobre qualquer assunto com toda a naturalidade, e se reflecte sobre a discussão e quem tem razão não se vangloria e quem a não tem cala o bico e enfia a carapuça e promete a si próprio tentar fazer melhor na próxima vez. Assim, simples.

7.11.09

Comfort zone

"The comfort zone is a behavioural state within which a person operates in an anxiety-neutral condition, using a limited set of behaviours to deliver a steady level of performance, usually without a sense of risk."

This is where I want to be, in my comfort zone. I've been out there for quite some time and I am tired, I need to lay back and rest.

Baking

Pediram-me um bolo de chocolate, e eu disse que sim. Vou fazer o bolo de chocolate, com amor. Mas vou esperar por eles, porque essa é a melhor parte do bolo de chocolate, tê-los à minha volta, cheios de amor. Estão quase a chegar.

6.11.09

Stop // Pause

O constante exercício que faço de olhar para mim de fora para dentro, conjugado com a análise que faço de dentro para fora cansa-me, desgasta-me, suga-me uma boa parte da energia que ainda me resta. Se por um lado me facilita a escalada e me dá impulso para me levantar quando caio, por outro faz com que frequentemente me sinta no limiar da exaustão e deseje que fosse possível ficar algum tempo a ver a vida passar. Como se eu fosse uma simples espectadora, completamente impotente no desenrolar dos acontecimentos. Sempre fiz questão de tomar as minhas decisões antes que alguém as tome por mim, sempre fiz questão de analisar e racionalizar tudo o que sinto ou faço, mas tenho momentos em que a ideia de me sentar e encostar para trás e ficar só a ver não me desagrada de todo, levar as mãos à nuca e entrelaçar os dedos, levantar as pernas e cruzar os pés pousando-os em cima da mesa, enfim, descansar. Vou tentar, só por um bocado. Até recuperar o fôlego para voltar a tomar as rédeas. Tenho é de ficar quieta, senão arrisco-me a apanhar areia na curva e sem contar, sacar uns peões e acabar espatifada contra um muro. É este o grande problema de se soltar as rédeas, basta 1 segundo de distracção para sofrer um violentíssimo acidente. Por isso, quieta... quietinha...

5.11.09

Eu assino!!!

Comprei hoje outro par de sapatos de salto alto. Há cerca de um mês tinha comprado uns botins. No fim do verão comprei umas sandálias e em Março passado comprei também um par de sapatos. Todos de salto alto.

Mau!!!

Isto não é normal, ah não! Já vou em quatro pares de calçado de salto alto em poucos meses, alguma coisa no meu cérebro desligou, ou então alguma coisa entrou em "auto mode". Alguma função até aqui desconhecida disparou e começou a dar ordens aos olhos para se poisarem nos ditos, aos pés para os experimentarem e às mão para sacarem o cartão. Mas isto até se compreende, desconfio que a culpa é do cromossoma. Agora, a função mais complexa e díficil de desligar é a que afirma e confirma que gosta.

Dêem-me um papel onde esteja escrito que me vão internar que eu assino. Eu assino!!! Ráaaaapido...

A doce e inocente J.

A J. é uma moça americana, de origem eslovaca que vive em Los Angeles e que trabalha no escritório que a empresa onde trabalho lá tem, em Los Angeles, USA.

Ontem, ao telefone com ela:

Ela: So, how are you?
Eu: I'm good, thank you dear...
Ela: Listen, I'm anxiously waiting for you to be my friend on Facebook
Eu: Didn't I tell you that I had closed my Facebook account? Actually, it's been a while now...
Ela: Yes you did, but I was hoping you'd get back...
Eu: No J. I'm not really into that stuff right now, I'm more into real people, you know... flesh and bone...

4.11.09

Ronan Keating

Rapaz engraçado, que nunca levei a sério. Nem a ele nem à musiquinha dele. Só guardei uma frase de uma canção muito light, mas que na sua ligeireza me calha hoje muito bem. Diz assim:

"Life is a roller coaster, you just have to ride it"

Sendo hoje um dos dias em que a montanha russa está muito em baixo, com sérias dificuldades em subir, encravada diria até... tento pensar que eventualmente subirá, voltará a engrenar e a vista ampla substituirá a medonha perspectiva que hoje tenho a partir do fundo do poço.

Bottom line: as montanhas russas não se aproveitam de olhos fechados, há que mantê-los abertos mesmo quando estamos cagados de medo.

Não se aplica

A expressão "um dia de cão" não se aplica no meu caso. No meu caso seria "um dia de cadela", contudo nem no feminino se aplica pois até o bicho, independentemente do género, está errado.
Um dia de formiga, ou um dia de joaninha, ou um dia de mosquito, tão pequena que estou hoje. Existo, estou aqui, visível a olho nú, mas pequenina e frágil. Não, lembrei-me agora daqueles bichinhos que ao mínimo toque se enrolam sobre si próprios transfigurando-se em pequeninas esferas que tendem sempre a rolar para cantinhos onde mais ninguém os vê. É isso, hoje sou um bichinho desses, enroladinha sobre mim própria, só não consigo é ir para onde ninguém me veja. Tenho a sensação que estes bichinhos estão relacionados de alguma forma com a merda, mas até isso bate certo, há tanta à minha volta.

Hoje encolhi outra vez. Há dias em que encolho, reduzo, mingo. Minguei sob o peso da culpa. Pesa-me nos ombros, empena-me os braços e as pernas. Fico lenta, desajeitada.

E depois saio de mim e olho para mim, e vejo uma daquelas pessoas que desprezo, que têm pena de si próprias e que basicamente me metem nojo. Meto-me nojo hoje, porque esta manhã adormeci. Tive de saltar da cama e acelerar o ritmo para conseguir sair de casa a tempo. Só que não consegui. E o puto chegou atrasado à escola e a culpa é minha. É minha!!! E é tão grande que me esmaga, me transforma num bichinho redondinho que tenta rolar para onde ninguém o veja e não pode, tem de desenrolar e ir dar a cara ao Director de Turma e justificar a falta do rapaz.

Inspira.
Expira.
Agora vai.

3.11.09

National Geographic

As feras começam a mostrar as garras, é bom. Mas acho que há ainda toda uma selva a desbravar, um novo mundo a descobrir e explorar. Mas isto sou eu, que gosto de uma boa aventura.

1.11.09

O amante

Ou como um dia magnifico termina numa noite sumptuosa. Continuo com o meu copo de vinho e deparo-me com um do filmes que mais me marcou nos verdes anos. Sempre me interroguei sobre como seria rever este filme agora. Ver este filme com os novos olhos que tenho, com a nova cabeça que tenho, senti-lo como a nova pessoa que sou. Evidentemente que o vi de forma diferente. Vi-o sumptuosamente. Avassalador. Derrubou-me. Vi muito do que sou hoje, muito do que recentemente descobri sobre mim. Fez-me rir quando vi a rapariga desabotoar a camisa do chinês, percebi porque gosto tanto de botões, de botões desabotoados revelando a pele. Vi porque gosto tanto do contacto da pele, vi tanto, mas tanto. Eu sou aquela rapariga, só que já não sou rapariga. Sou mas já não sou. Nunca fui, e fui sempre a rapariga que desabotoa a camisa ao chinês, que lhe acaricia a pele macia na voracidade da descoberta. Eu gostava de ter um amante. Um amante que me tomasse à porta, cujo desejo o impedisse de chegar sequer à cama, que me saciasse ali, no chão, como eles pregados um ao outro no chão. Eu gostava de ter um amante, que não me amasse, como eles, sem amor, só desejo de pele e de carne. Desprovidos de sentimentos, e no entanto cúmplices na escuridão do quarto, mas expostos ao ruído da rua. Eu gostava de ter um amante, mas ao contrário dele, que não se apaixonasse perdidamente por mim, garantindo-me pelo menos a ilusão de que eu nunca me apaixonaria por ele. Há-de haver um homem, algures, capaz disto, é um homem, é um amante assim que eu quero.

31.10.09

Eu sou

Acabei de jantar, mas ainda não terminei o meu vinho. Nem sei quando irá terminar, pode até ser só quando terminar a garrafa. Sinto-me bem. Apetece-me continuar a beber o vinho branco, Periquita, não sei qual é o ano nem importa, porque gosto dele, é bom. Hoje foi um dia perfeito, não podia deixar de o registar. Começou com o acordar os miúdos com o habitual beijo, o pequeno almoço e o vestir. Tudo decorreu calmamente. Depois foram à aula de natação, aproveitei e arrumei a casa, as roupas e saí. Estive com o meu melhor amigo, tomamos um café e conversamos um bocadinho, só um bocadinho, ele estava a preparar uma sessão fotográfica que teria mais tarde para uma revista do ramo dele, está a ficar famoso. Fico feliz por ele, merece. Tem um talento extraordinário, efectivamente merece. Depois fui às compras, abastecer a casa de mantimentos, a velocidade a que desaparecem é alucinante. Depois do almoço os miúdos regressaram e inacreditavelmente estiveram cada um no seu quarto a fazer os trabalhos de casa enquanto eu arrumei o armário do stock. Chamo-lhe assim porque neste armário guardo os mantimentos, lembra-me os filmes antigos, do tempo da guerra em que as famílias guardavam mantimentos para quando os não houvesse. Faz-me lembrar os tempos em que as famílias se uniam, os grandes abriam as asas para proteger os pequenos, hoje sinto-me assim, de asas abertas com as minhas crias debaixo delas, aninhadas e quentinhas, protegidas do mundo. Mais um golo de vinho, tão bom. Depois saímos para a festa. Tão atrasada esta festa, tantas vezes perguntada esta festa. E finalmente marcada, organizada e oferecida à alegria, gargalhadas e energia inesgotável de 15 putos completamente libertos nos gritos e correria, derretidos em suor perdoado por ser a festa, sujos em bolo e sumo perdoados por ser a festa. Tanta alegria, tanta energia, tanta que não cabe numa só que eu sou e que sente que não podia, não me perdoaria se não lhe desse esta festa, nunca me perdoaria. Depois o regresso, atulhado de presentes. O inevitável banho, na minha banheira que eles adoram e eu delicio-me com os dois nús, a rir embrulhados em espuma e champo, e a água que queima e os faz saltar, e a toalha macia e fofa, e o cabelo a pingar. O pijama lavado já estava pronto, tão bem que cheira o pijama mãe, e eu sorrio. O jantar foi a cereja no topo do bolo, lasanha!!! Ena mãe, lasanha, a nossa comida preferida! E o vinho sabe-me cada vez melhor. Estarei enebriada pelo vinho talvez, mas nada supera, absolutamente nada supera estar enebriada pela felicidade.

29.10.09

Canalhice

Faz-me imensa confusão ver determinadas mulheres a colocarem-se gratuitamente em situações que permitem aos seus parceiros (ou potenciais parceiros) terem absoluto domínio sobre elas. É uma condição que me transcende há muitos anos, desde a altura em que na escola as miúdas mandavam a melhor amiga falar com o rapaz por quem estavam apaixonadas. Aquelas coisas de putos. Mesmo nessa altura eu questionava por que raio quereriam elas que eles soubessem, não tendo elas a menor ideia se eles correspondiam ou não. Colocavam-se automaticamente numa posição de "inferioridade", ou não? Eles depois fariam o que bem lhes apetecesse com essa informação. E provavelmente não fariam o que elas queriam verdadeiramente, ser correspondidas. Olhando para trás, atribuo este comportamento à imaturidade típica da adolescência. Hoje, em mulheres adultas este tipo de comportamento é simplesmente estúpido. Acho uma perfeita estupidez, não consigo dar-lhe outro nome. Mesmo sabendo que hoje em dia não compete sempre ao macho fazer a primeira aproximação, clichés aparte, eu não acho que se deva entregar o ouro ao bandido. E vejo-as prostrarem-se, entregarem-se, porem-se à mercê deles. E vejo-os deliciarem-se com isso. E as desgraçadas sofrem como cadelas, e eles alimentam-se disso. Têm um prazer em explorar esta miséria que não consigo explicar. Compreenderia se se tratasse de uma situação meramente carnal, se fosse apenas físico. Saber que alguém nos deseja faz bem ao ego, aceito. Mas explorar emoções alheias é de muito mau gosto. Alimentar-se da miséria alheia é cruel. Fazer crer que se gosta apenas para deleite próprio é pura canalhice. Elas metem-me pena, eles metem-me nojo. Para não falar dos que depois ainda as ridicularizam, esses só me suscitam desprezo, o pior sentimento de todos, que equivale a nada. Nada.

28.10.09

27.10.09

Começar bem o dia

Ok, tens vinte e seis mil, quatrocentas e setenta e quatro merdas para fazer, todas elas perfeitamente exequivéis. Mas não todas ao mesmo tempo. Nem sequer se trata de trabalho, se fosse era mais fácil. Em separado fazes tudo com uma perna às costas, com todas ao mesmo tempo sentes-te a encolher perante a grandiosidade da montanha.
Pára. Inspira.
Fecha os olhos. Expira.
Agora deixa-te de merdas e faz-te à vida. Define prioridades, estipula tempos. Arregaça as putas das mangas e mexe-te. Estás proibida de ter pena de ti própria, sabes perfeitemente que já passaste por muito pior e sobreviveste. Deixa-te de merdas, foda-se! E andamento, que se faz tarde!

(Hoje de manhã antes de me levantar desanquei-me, precisei de me meter na ordem, dei-me à panelereirice, baaaaaahhhh)

26.10.09

Try again

Na tentativa de transformar um falhanço pessoal numa vitória, resolvi registar desde o início, esperando que este registo seja uma fonte de vergonha no futuro. Pois que a vergonha, no que me diz respeito é bastante parca, eu estava no fim da fila e quando chegou a minha vez já não havia muita para dar. Por outro lado, não sei como, quando deram a preguiça fui logo das primeiras, e tocou-me um bom pedaço. Mas enfim, tentarei mais uma vez, e este ano é já pelo menos a terceira ou quarta. Vou então começar um programa de exercício físico, que vai consistir em caminhar (ou correr, mas não deitemos foguetes antes da festa) num tapete que não tem motor, só desliza ao ritmo do passo de quem em cima dele estiver. Pu-lo no meu quarto, obrigatóriamente colocado de forma a poder ver televisão, porque se à minha preguiça adicionar o tédio, pulverizo qualquer possibilidade de sucesso. Aqui virei, registar o tempo da caminhada de todas as vezes que caminhar. Não quero fazer previsões sobre a frequência pois arrisco-me a descambar logo à segunda vez. Prometo que farei o registo, mas não posso, caso falhe, prometer que tenha vergonha. Tenho tão pouca, precisarei dela, talvez, para outras andanças.

25.10.09

Pop up

Outra merda que embora não tendo sido nenhuma descoberta é de vez em quando confirmada. Destas merdas todas, há as que me perturbam, há as que são muito úteis na prevenção de posteriores dissabores, e há as que... as que... ora bem, há as que... não é que eu não soubesse já, mas... aquelas coisas que são... pronto, são aquelas coisas.

23.10.09

Script

Este fim-de-semana pretendo seguir a inspiração que esta música me traz. Sem me prender em detalhes ou dificuldades menores. Ir, ao sabor da inspiração. O filme que já fiz na minha cabeça inclui também um carro e conduzir a alta velocidade. Até onde me apetecer.

HQ

Um espécime de altíssima qualidade.
Sean Bean, actor, irlandês, maduro e bad ass.


22.10.09

Fire


É-me Impossível

explicar, então só me resta descrever que sofro por não poder sofrer. Isto é tão verdadeiro quanto contraditório. Se eu pudesse sofrer por eles, se eu pudesse fazer magia e transferir para mim as dores deles. Eles não sabem lidar com a dor, eu sei. Eles desesperam, eu não. E o desespero deles sufoca-me, rasga-me o peito, mata-me. O miúdo mais novo acordou literalmente a gritar, em pânico. Não conseguia articular palavra, demorei a perceber o que o atormentava, o ouvido. Os minutos que levei a ir buscar o analgésico e a verter água para o copo foram de sofrimento atroz, quando me aproximei dele batia com a cabeça na cabeceira da cama. Dei-lhe o xarope e de seguida a água, o sabor do xarope dá-lhe náuseas, e enrolei-me nele. Abracei-o o mais que pude e sussurrei-lhe ao ouvido promessas inúteis enquanto lhe limpei as lágrimas, grossas que já tinham molhado a almofada. Senti as minhas a querer saltar. Não, tu não importas agora, deixa-te disso, concentra-te nele que precisa da tua voz serena e segura. Tu não importas nada, só serves agora para lhe garantir que vai passar já, que a mãe está aqui e que vai tratar de ti muito bem, mas tens de te acalmar meu amor para parares de chorar e adormeceres porque quando acordares já não vai doer. Dorme meu amor, sossega. Só quando tu sossegares é que a mãe pode voltar a viver.

21.10.09

Alerta vermelho

Fui levantar os resultados das análises. Como sempre abri imediatamente o envelope para verificar os valores. Começo a ler a nada de mais, até que vejo o valor do colesterol: 220 quando o ideal é inferior a 200. Pensei que não é nenhuma desgraça, nada que uma dietinha saudável não resolva. E aqui soaram todos os alarmes. Oh que caralho! Dieta?! Lá se vão as mamas pr'o galheiro!!! Estou fodida, nunca terei umas mamas de jeito! Se não for duma maneira é doutra. É o destino, esse camelo do destino na minha ficha de certezinha que escreveu assim: Terás cú e ancas que se vejam (só porque são grandes, mais nada) mas mamas, minha filha, nem penses.

(Tenho p'ra mim que se algum dia pensar em próteses, o destino desenvolve-me imediatamente uma diabetes só para me impedir de as colocar)

20.10.09

Lume

Eu sei perfeitamente que ainda não está frio que justifique, mas eu andava mortinha por usá-la. A chuva e descida de temperatura de hoje foram desculpa suficiente para encher o cesto de lenha e trazê-lo, para logo ao chegar a casa acender a lareira. Gosto tanto, mas tanto de olhar para ela. Devo ter uma costela incendiária, que me impele para o lume. Gosto de lareiras, de fogueiras e de lume. Nunca na minha vida incendiei nada, só acendo lareiras, ou melhor acendo uma lareira. Ainda gosto mais dela este Outono do que no Outono passado, porque ela agora é minha.

O que sentes?

Sabes aquelas coisas que fazes sem sequer te aperceberes que as fizeste? Sabes aquelas coisas que simplesmente não consegues perceber como fizeste? Porque não viste o que estava tão perto de ti, e dás voltas à cabeça e não entendes como foi possível? Toda a gente já teve alguma vez na vida esta experiência. Imagina que o que não viste foi uma senhora na casa dos cinquenta e o que fizeste foi passar-lhe com a viatura por cima, mesmo em cima duma passadeira. Devagar, que a curva era apertada e estavas a tentar entrar com jeitinho. Imagina que só te apercebes quando já passaste com a roda da frente por cima da senhora. Imagina que algumas horas depois recebes a notícia que se a senhora sobreviver, se sobreviver, não andará mais pelo próprio pé porque ficou com a bacia desfeita, de tal forma que ainda não encontraram forma de a poder operar. Agora imagina viveres com esta irremediável culpa para o resto da tua vida. Imagina tudo isto. E se esta senhora for a tua mãe? E se esta senhora for a tua mulher? E se esta senhora for a tua irmã? Sentes-te capaz de matar o cabrão, em cuja pele te meteste há apenas alguns segundos, quando leste ali em cima. E agora, o que sentes? Consegues explicar o que sentes?

Não se enxergam

Há gente que não sabe e há gente que não sabe e acha que sabe, e mesmo com provas irrefutáveis de que não sabe à frente do nariz, continua a recusar-se a admitir que não sabe, para poder começar a aprender. Teimosos!

Esta também

é das que me mexe com o sistema:

19.10.09

Merda nos olhos

Estou no banco, ao balcão a depositar uns cheques. O rapaz já me conhece, é um fixolas, sempre simpático e bem humorado. Aparece uma moça, simpática também que me cumprimenta com um sorriso sempre que me vê apesar de nunca ter conversado comigo sobre coisíssima nenhuma. Vira-se para mim e diz-me assim, toda gaiteira: "Já abriu conta para a sua filhota?" Mau, começas bem tu, penso eu. Escavo fundo e vou buscar um sorriso que me custa um bocado e respondo: "Eu não tenho filhota, tenho dois filhos, mas porquê?" Ela, embasbacada mas sem perder a pose continua: "Ah, porque temos um produto que oferece uns prémios, que são uma PSP, ou uma bicicleta, ou (outra coisa qualquer que não me lembro), pode ser que lhe interesse" Resolvi alimentar um nadinha a coisa e digo que daquilo tudo o que eventualmente me interessaria seria a PSP porque eles têm uma e com duas acabava-se a trolhice. O rapaz da caixa começa a rir discretamente. Uso a palavra trolhice de propósito para tentar situá-la, só que não resulta. Estou já a dirigir-me para a porta, e ela chama-me: "Ah, mas tem de ver este cartão de crédito tão giro da Hello Kitty, tá a ver, olhe só, em fushia e com a bonequinha toda em strass, veja bem... não é o máximo?" Estaco, já está a ser demais. Explico-lhe que tenho 2 rapazes, não tenho meninas. "Eu sei, eu sei, mas para si!" A esta altura já o rapaz se ri às gargalhadas. Com toda a diplomacia que consigo, que não é muita, olho-a e digo-lhe: "Olhe para mim, olhe bem para mim, acha que sou mulher para andar com um cartão desses? Acha? Por favor!" E ela: "Então é melhor ficarmo-nos só pela PSP, não é?" "É, é melhor." E desandei dali para fora. Convém esclarecer que nem a minha vestimenta poderia induzi-la em erro porque nesse dia caprichei no básico: jeans, t-shirt lisa, não era um top da moda, era mesmo uma t-shirt clássica, lisinha, do mais simples que pode haver e sapatilhas allstar pretas. A gaja deve ter merda nos olhos, só pode. Hello Kitty? Eu? Está tudo doido?

Trivia

Há coisas que me passam completamente ao lado, outras coisas não. Dentro das coisas que não me passam ao lado há aquelas que eu gostaria que me passassem. Preocupo-me com merdas que adoraria que não me preocupassem de todo, e fico lixada porque me martelam na cabeça pormenores que considero verdadeiras paneleirices. A saber:
Paneleirice #1
Ficar com vestígios de comida nos dentes é uma merda que me chateia. Se estou com malta conhecida, faço aquele sorriso forçado e mostro a cremalheira para verificação. Se não estou fico aflita e tenho de ir à casa de banho ver-me ao espelho. Só depois de ter a certeza que não há pedaços de azeitona ou folhas de alface presas nos dentes é que fico descansada e relaxo.
Paneleirice #2
Ficar com a cueca à mostra quando me sento é outra cena que me consome. Aderi à moda do fio dental (no questions asked please) e não sendo eu uma rapariga propriamente elegante, a visão da cuequita a espreitar no lombo não corresponde de todo ao imaginário sexy de ninguém. Se a cadeira for tapada fico na boa, se não for passo a vidinha a passar a mão nas costas para ter a certeza absoluta que a parte de cima cobre perfeitamente toda a zona perigosamente ridícula.
Paneleirice #3
Os óculos de sol, sempre os óculos de sol. Tenho de os ter sempre comigo, é estupidamente inexplicável.
Paneleirice #4
Aspirinas, tenho de ter sempre aspirinas. À falta delas, poderão pontualmente ser substituídas por outro analgésico qualquer mas não descanso enquanto não comprar aspirinas para ter sempre na carteira, é doentio. Já pareço o House com o Vicodin, só que não as meto sem ter dores de cabeça ou de dentes, não exageremos.
Paneleirice #5
Gosto de um determinado tipo de isqueiros, os Bic mas dos grandes, e pretos. São já bastante raros agora e sempre que os encontro à venda compro vários e guardo. Gosto de gastar o meu isqueiro até ao fim, e fico doente quando o perco ou alguém mo gama. Há gente com a mania de meter os isqueiros ao bolso. Fico podre quando me fazem essa merda, o que me obriga a estar sempre atenta ao paradeiro do meu isqueiro.
Paneleirice #6
Os cabelos brancos, que já são muitos, e que pinto de castanho-escuro, a minha cor natural. Ao fim de 2 semanas já brilham as raízes, e obviamente que num cabelo castanho-escuro se vêem lindamente. Odeio. Mais valia não ter começado. Tinha agora umas valentes madeixas grisalhas e cagava. Do mal, o menos, como a minha mãe é cabeleireira não preciso de apanhar secas nos salões das dondocas. Ela atende-me ou à hora de almoço ou à noite, conforme me der mais jeito.

Vou parar por aqui, já vou na meia dúzia, e levar com meia dúzia de paranóias de gaja, convenhamos, é o limite, até para mim. E já é muito, arre!

No fundo, no fundo

o que me acende, o que me faz fechar os olhos e esquecer o mundo, o que faz vibrar todas as fibras do meu corpo, será por já não ser nenhuma catraia talvez, é uma boa música rock.
Just good old rock n'roll.

Tipo esta:

18.10.09

Hipocrisia

Manias e afins

Eu tenho a mania de sair de mim e olhar para mim como se fosse outra pessoa qualquer, com a vantagem de me conhecer melhor do que a outra pessoa qualquer. E às vezes percebo coisas que mais valia ficarem enterradinhas bem lá no fundo do subconsciente. Aquele tipo de informação totalmente desnecessária, que não contribui em nada para a felicidade de ninguém, completamente inútil. Se fosse sobre outra pessoa qualquer era igual ao litro, só que como é sobre mim é altamente perturbador.

O piropo do ano

Não ouvi mas foi-me transmitido 2 minutos após ter sido proferido: "E mais uma para escachar a minha cama". Também não foi para mim, mas escachei-me a rir à mesma.

17.10.09

Absolut(amente) triste

A miúda era lindíssima. Fresca, de sorriso fácil e luminoso. Uma boa aposta para servir bebidas no bar. Até aqui tudo bem. Quando se dirigiu a mim para me atender disse-lhe que queria uma Absolut com sumo de limão. Sorriu e explicou-me educadamente que sendo noite da mulher, se a vodka fosse Eristoff seria oferta, já Absolut não poderia ser. Eu sorri e disse: "Absolut, se faz favor". Olhou para mim, aproximou-se como quem quer contar um segredo e: "Mas... não é a mesma coisa?" Respirei fundo e nem abri a boca, ela percebeu.

(E está uma rapariga que não sabe a diferença entre Eristoff e Absolut a servir bebidas... aposto que também não distingue o paté do foie gras mas, também aquilo não é nenhum restaurante. Está certo...)

16.10.09

Música light, só porque é sexta-feira

Vai ter de ser

Foi esta manhã, a seguir ao pequeno almoço, que veio a pergunta que eu aguardava há já algum tempo.

"Mãe, quando é que me dás o telemóvel? "

Não foi "um telemóvel", foi "o telemóvel" porque eu havia prometido que quando começasse o 5º ano, ele teria um telemóvel, não antes. Ele esperou, calminho. O 5º ano começou e eu mantive-me em silêncio (talvez ele se esqueça pensei eu, sou crente...) e só hoje ele se manifestou. Vou ter de lho dar, já o tenho guardado há muito.

"Parece-me que sou o único da minha turma que não tem telemóvel, sabes? E estou um bocado triste com isso."

Posto isto, não há qualquer hipótese de adiar mais. Apesar de não perceber para que raio precisa um puto de 9 anos de ter telemóvel (mau era eu não saber, aos 9 anos, onde é que ele anda durante o dia, a todas as horas e minutos) vou ter de ceder, só para que o miúdo não seja descriminado. É ruim... os putos são tão cruéis nesta idade e o meu sofre tanto... É ruim...

15.10.09

Ok... ok...

Ok, parece que tenho de dar a mão à palmatória... quer dizer, tenho nada. Os moços ganharam, mas a cena toda continua a não me seduzir. Por falar em seduzir, é de mim ou os moços malteses são muito mais giros do que os nossos? É, tive de ver, não tive hipótese, mas só vi até cantarem o hino. Mais do que isso, desculpem-me mas para mim é violento.

14.10.09

Pois... se fosse eu...

Nem digo esta merda a ninguém que ainda me lincham publicamente com honras de estado, mas vingo-me aqui que ninguém vê. Irrita-me tanto o entusiasmo futebolístico, que quase que desejo que os gajos percam e acaba-se a confusão, o stress, a correria, os infinitos programas de televisão depois dos jogos, a euforia, o histerismo, as palavras dessa língua inventada utilizada por jogadores, treinadores, comentadores e jornalistas, para não falar da corrupção (ok, aceito que a nível de selecções não se verifique como nos clubes). Se fosse eu que mandasse acabava com esta merda toda. E mais, irritam-me infinitamente mais as mulheres histéricas com o futebol do que os grunhos dos homens, eles aproveitam para extravasar aquilo que o politicamente correcto não lhes permite, o que não quer dizer que lhes justifique a estupidez. Há jogo logo à noite e desde a hora de almoço que já ninguém trabalha. Mete-me nojo! É vê-los nas esplanadas de pipo ao Sol, a emborcar a cervejola por baixo de orgulhosas bandeiras que nascem espontâneamente em qualquer varanda. À hora do jogo já está tudo bem bebido, uma alegria. Se a equipa ganha metem-me todos nojo, se a equipa perde também. Se fosse eu que mandasse acabava com esta merda toda. Trabalhem que é disso que o país precisa, não é de jogos de futebol, que só vêm arruinar os índices de produtividade das empresas. E depois há crise, bando de podres!

13.10.09

E quando

acordas e são 2:00h da matina, e estás deitada no sofá, e ficas toda contente por já teres dormido, e te levantas e vais para o quarto quase sem abrir os olhos, apagas televisão e luzes pelo caminho, fazes o xixi sem acender a luz da casa de banho e lavas os dentes de olhos fechados, e te metes na cama devagarinho, e bocejas e te esticas, e… e de repente a suavidade dos lençóis na tua pele te desperta sensações que te tiram completamente o sono? Ah? Ah? Não ficas fodida? Eu fico.

É por causa de

inteligentes condutores como V. Exa. que este país é um paraíso de civismo. Passe bem e vá aprender a estacionar.

Foi o miminho que lhe deixei no párabrisas. Tivesse a criatura aparecido e ficava a esguichar sangue, mas deixei-lhe um bilhete educado.

Foi uma sorte

Foi por pouco que não parti as trombas ao grandessíssimo(a) camelo(a) que cagou (sim, cagou!) o carro no estacionamento e me obrigou a fazer vinte e uma mil manobras para conseguir sair. Com um metro e meio de espaço à frente o(a) anormal deixou o cú de fora impedindo a passagem à minha viatura. Não fosse a minha falta de tempo e tinha-lhe feito uma espera só para lhe dar cabo do focinho. Ainda perdi uns bons 20 minutos, fartei-me de apitar e nada. Veio o vizinho lá da rua e foi bater às portas dos possíveis sítios onde o(a) enorminho(a) pudesse estar. É que há vários, desde um bar, passando por 2 ou 3 lojas e acabando num cabeleireiro. Sim há espertinhos(as) que vão para o cabeleireiro e deixam os carros mal estacionados. Depois não ouvem o povo a apitar por causa dos secadores. Bando de burros!
Lá consegui tirar o carro, fiz-me valer da minha perícia nas manobras, que sem querer armar ao cagalhão é muito superior a muitos que por aí andam, aceitei a ajuda do vizinho lá da rua e passei com não mais de 2cm de cada lado e mais de vinte e uma mil manobras. Podia ter chamado a polícia, pois podia, mas o que me apetecia mesmo era dar-lhe cabo das trombas, logo ali. Não tive foi tempo.

(esta merda está por um triz, eu bem a sinto a vir, ela está quase a chegar...)

12.10.09

Serve chilled

Hoje, devido à visita de familiares que não conseguiram evitar o assunto, revisitei um período da minha vida que há muito tempo tinha fechado na gaveta. E hoje, apenas hoje respondi a uma pergunta que tinha ficado sem resposta, mas que não impediu o arquivo do assunto. A pergunta para a qual nunca consegui encontrar uma resposta exacta, que me perguntei muitas vezes, mas cuja resposta não mudaria rigorosamente nada. Nada do que houve antes, nem nada do que se seguiu. Por isso, o caso foi arquivado, com a pergunta por responder. Hoje, falando novamente no assunto, regressando ao período ou ao dia em que tomei provavelmente a decisão mais pesada da minha vida adulta, encontrei a resposta. O que foi que me fez decidir, o que despoletou o processo, o que me fez ter a certeza que tinha chegado ao limite? Hoje sei. O copo estava cheio de um cocktail de várias coisas, tinha a base da bebida, a maior quantidade. Uns dls de mais algumas coisas, e umas gotas de outras. Mas a gota que fez transbordar o copo foi sem dúvida nenhuma a humilhação que nesse dia senti. E nessa noite foi o fim.

Disciplina

Luto diariamente contra a sensação de que deveria ser mais disciplinada. Nunca estou satisfeita, principalmente no que diz respeito a mim própria. Cumpro as minhas obrigações para com os outros, já as para comigo são muito mais difíceis. E não é porque não haja ninguém a reclamar que vou deixando andar, porque há. Farto-me de reclamar. E sinto que falho comigo. Dos outros não ouço queixas, mas calar a voz "from the back of my head" é que não consigo. O pior é que sei perfeitamente que é só uma questão de treino, de força de vontade. E uma gaja que sente que não é suficientemente disciplinada e que sabe que se tivesse força de vontade até podia ser, fica a pensar que é assim um bocado p'ró fraquinho.

Ou assim?

Porque é que já não se escrevem poemas assim?

11.10.09

Crias

Tenho duas, já cresciditas. Bem fixes. Embarquei na maternidade não por sentir aquelas tretas do relógio biológico, mas porque fazia sentido passar à fase seguinte. Nunca fui do tipo maternal que faz festas a todas as criancinhas que passam, aliás sempre tive pouca paciência. Mas ok, alinhei. Tive medo, claro que tive. Tive medo de não estar à altura, de não conseguir fazer depois tudo o que se exige a uma mãe sem me sentir contrariada ou irritada, tive medo de acabar por culpar a criancinha pelo meu mau humor. Tive medo de não acordar de noite (sempre dormi como uma pedra). Tive medo de me esquecer das horas de comer. Tive medo de, basicamente, não saber tratar da minha cria devidamente. E, como imagino que todas as mulheres façam partilhei os meus receios com a minha mãe. A todas as questões a única resposta que tive foi um "Não te preocupes com isso" perfeitamente despreocupado. Admito que me irritava esta resposta. Em vez de me acalmar só me irritava ainda mais. A minha primeira grande surpresa foi ter decidido instintivamente escolher o parto normal e natural, à moda antiga. Dentro de mim sabia que queria experimentar o que desde há milhares de anos todas as fêmeas experimentam, parir. Assim sem paneleirices, parir. E parir é um fenómeno. Não encontro outra palavra para melhor definir o que é parir, é simplesmente um fenómeno. Para mim foi, porque operou dentro de mim tal mudança que não tem explicação, nem racional, nem emocional. Mas esta mudança teve o seu espaço exclusivo, deu-se dentro de um território próprio. Um país que nasceu dentro de outro país, com as fronteiras claramente definidas e fechadas. Ao mesmo tempo que nasceu a criança nasceu a mãe. Ao contrário da criança a mãe nasceu completamente preparada, com todas as ferramentas para tratar da cria, e com a habilidade para as usar. Veio com tudo incluido. Esta foi a segunda surpresa. E isto nada mais é do que o instinto da fêmea que protege a sua cria. Nada mais. Básico, e simples. A terceira surpresa foi ver-me a fazer tudo, tudo mesmo, com uma leveza e prazer extraordinários. Nunca contrariada, nunca aborrecida. Com a vida virada de pernas para o ar, com uma criatura que domina e absorve todos os detalhes que se possam imaginar, e a fêmea ali, sem parar, sem respirar, a vigiar a cria, e na maior. Estão ali, as duas crias no sofá a ver televisão. A mãe prepara-lhes o pequeno-almoço e leva-lhes, e enquanto as crias se alimentam a mãe escreve sobre elas e sobre o que elas lhe fizeram, e na maior.

10.10.09

9.10.09

Guerrilha

Estou a ser metralhada. De vez em quando lá vem uma granada e faz uns estragos aqui e ali. É guerrilha, só pode. Assim de fininho, por detrás duma esquina levo com uns tiros e pronto, desiquilibro-me e lá me seguro, agarro-me às paredes e continuo o meu caminho. Começaste com o sono, que mandaste de férias só para desestabilizar. Já comeste pela medida grande, e o gajo regressou com o rabinho entre as pernas. Agora vens-me com pedaços de granito mais consistentes do que os do Gerês que de cada vez que atiras, me rebentam com as entranhas. Já delineei a estratégia, mas ainda não entrei mesmo em acção, falta pouco. Aí, sai-me da frente que vais levar com semelhante carga que nem vais saber de que terra és. Que vais mandar a seguir? Avança com toda a força que ainda posso contigo, cambaleio mas não caio. (Isso mesmo cabeçita, aguenta-te ao barulho. O corpo quer pega, mas o gajo não sabe com quem se meteu).

7.10.09

Dicionário IV

Pairar:

1.Fig. Olhar de alto, abranger com o espírito.
2. Estar iminente, ameaçar.
3. Hesitar.

É duro

Detesto aqueles segundos em que tenho de decidir se os ponho de castigo. Se decido que sim sei que não posso voltar atrás, se decido que não o circo continua. Hoje decidi que sim e, como sempre dói-me a dobrar: porque lhes dói a eles e porque me dói a mim. Estão de castigo.

6.10.09

Escolha múltipla

Vontade

1. Faculdade comum ao homem e aos outros animais pela qual o espírito se inclina a uma acção.
2. Desejo.
3. Acto de se sentir impelido a.
4. Ânimo, espírito.
5. Capricho, fantasia, veleidade.
6. Necessidade física.
7. Apetite.
8. Arbítrio, mando, firmeza de carácter.
9. Zelo, interesse, empenho.

Dicionário III

Bluff: palavra ou acto que tem por fim intimidar, sem que haja a intenção de executar a ameaça.

Diccionário II

Coerência: conformidade entre factos ou ideias; nexo, conexão.

5.10.09

Nula

Quando decidimos alguma coisa baseando o nosso raciocínio em acontecimentos que ainda não tiveram lugar mas apenas naquilo que pensamos que vai acontecer, conta verdadeiramente como uma decisão? Deveria contar se todas as possibilidades foram calculadas, se elaborarmos uma teoria à volta de várias hipóteses. Por outro lado, se apenas contamos com uma hipótese, já nem sequer se pode dizer teoria, pois se a única nos parece a mais provável, é quase uma certeza. E quando temos a certeza, ou quase, o resto passa a ser acessório. Voltando à questão, se todas as possibilidades forem estudadas, as teorias devidamente formuladas, dependendo do que depois vier a acontecer a decisão tomada previamente será posta em prática. O facto de nenhuma das hipóteses se vir a concretizar deverá ser sempre considerada uma teoria em si, e neste caso é fundamental que exista também uma decisão previamente tomada, que tanto como em todas as outras deverá ser aplicada com a mesma convicção.
Eu tenho cenas destas, de elaborar hipóteses e de tomar decisões com antecedência. Naturalmente, das várias hipóteses que formulo há sempre uma que tem mais probabilidades de se vir a verificar. Normalmente não me engano muito, são mais as vezes que acerto do que as que não acerto. E também muitas das vezes, a hipótese que posteriormente se verifica não é a que me convém mais. Apesar de saber desde o início que não é a hipótese que mais me agrada, sei sempre que é mais forte, e nem sequer dou mais crédito à teoria ideal, só porque era isso que eu gostava que acontecesse. O que é certo é que a desilusão, é nula. Naquele momento sim, é nula. E também tenho cenas em que tenho quase a certeza do que vai acontecer, em que todas as teorias à volta parecem inúteis, e que além disso nem é sequer a minha hipótese preferida. Mesmo assim, tenho momentos em que tudo isto é tão quase real, estou tão convencida que vai acontecer (ou não acontecer) que a desilusão é nula. Fica apenas uma pontinha, ainda que amarga, de satisfação por ter tido a lucidez de prever o que iria acontecer.

4.10.09

E esta hein?

E não é que um dos tais amigos do americano giro me telefona a convidar-me para ir ao teatro com ele hoje à noite? Azar amiguinho, hoje fico por cá, obrigada mas fica para a próxima.

So full of shit

Ontem à noite repetiu-se uma situação que me mostra como no geral os portugueses são uns cagões no que diz respeito a abordar uma (ou mais do que uma) mulher à moda antiga. Sim, porque as modernices do mundo virtual não contam, falo da abordagem cara a cara, de meter conversa, de olhar de frente. Os homens portugueses são uns verdadeiros cagões. E a culpa é quase toda das mulheres portuguesas. Eles já fartinhos de levar com umas trombas até ao chão, com uns "estás parvo ou quê? desanda!" e similares, e também com narizes retorcidos e esgares de desprezo, simplesmente deixaram de se dirigir às mulheres que até lhes possam parecer justificar uma investida. As mulheres, francamente não as entendo. Tendo este tipo de atitude só perdem, eles já desistiram de fazer o avanço inicial, o que obriga a que elas o façam, mas quase todas se acham tão boas que não mexem o cú para nada. Olham e disfarçam sorrisinhos de caganeira, e esperam que eles venham. O mais certo é levarem com o nariz de fedor (a condizer com o sorriso de caganeira) e irem por onde vieram com o rabo entre as pernas e a orelhita caída. Pobres dos homens. Mas o pior de tudo, é que as mulheres se transformaram em ditadoras. Não dão cavaco a gajo nenhum porque partem do príncipio que eles só as querem levar para a cama. Elas depois vão, claro que vão, para a cama, nem que para isso tenham de fingir que estão bêbadas (a desculpa universal: a bebedeira) mas deve ser para se sentirem superiores. O que me leva a tirar uma conclusão que me entristece bastante. Se por um lado as mulheres (que abundam na fauna nocturna por onde tenho passado) se cortam imediatamente quando um gajo as aborda porque partem imediatamente do princípio que ele quer sexo significa que elas também estão a pensar nisso (porque ele provavelmente quer sexo, eles querem quase sempre) o que releva a meu ver alguma hipocrisia. Por outro estão automaticamente a colocar-se na plataforma da gaja desejável e a reduzir as possibilidades de todo um mundo paralelo que inclui diversão, discussão, conhecimento e convívio saudável, que acredito lhes seja desconhecido. Perdem assim oportunidade de travar conhecimento com gente que até poderá trazer-lhes algo de novo, na pior das hipóteses uma ou duas gargalhadas. Um sorriso e um "obrigada mas não, estou à espera do meu namorado" desarma qualquer gajo, não custa nada e manda-o embora imediatamente, não lhe destruindo contudo a auto-confiança e a desenvoltura para abordar a próxima. Ninas, não sejam parvas. Deixem os ninos continuar a tentar, faz-lhes bem. Sejam espertas e simpáticas em vez de cabras. Faz-vos ainda melhor. A prova está no americano que meteu conversa comigo e com a minha amiga ontem à noite, que jantou no mesmo restaurante que nós, acompanhado duma mulher, e que cá fora durante a pausa para o cigarro se dirigiu a nós e perguntou: did you enjoy your meal? Assim, simples. E a conversa fluiu daí, e depois apareceu a amiga que se apresentou imediatamente e se revelou extremamente simpática, americana também. E ficamos a saber que este americano de Nova Iorque trabalha cá em Portugal desde Janeiro e que adora este país. E a amiga veio visitá-lo e era para ficar 10 dias e já vai em 3 semanas e ainda lhe falta outra para ir embora. E estas coisas são boas de se ouvir, ou não? Discutiu-se um pouco de tudo, política, sociedade, mentalidades, etc... O americano preocupado com o rumo de Portugal, com a economia europeia. Deve estar a pensar seriamente em cá ficar. A seguir apareceram 3 amigos portugueses do americano, tudo malta porreira, e assim se passou uma noite excelente, com pessoas que nunca tinhamos visto, conversa inteligente e divertida. E acabou-se a noite a trocar numeros de telemovel e com um convite: se quiserem visitar cá a terra, que tem muito que ver, fazer e contar, será um prazer voltar a conviver com este grupo de pessoas. E não me lixem, pode-se até pensar que "oh, eles querem é rambóia". Até podem querer, mas se entretanto houver diversão, discussão, troca de conhecimento, pelo meio de desvios às investidas (se as houver)não se perde tudo. E se ficar amizade só, pelo contrário, já se ganhou qualquer coisa. Sem excluir a possibilidade de alguma "rambóia", quem sabe? O americano é bem giro...

3.10.09

I'm a fire starter

Está toda arrumada no lugar que lhe foi destinado. Está pronta para cumprir o seu destino. Liberta o aroma que me traz à memória o eterno conforto da minha lareira. Esta lenha que acabam de me trazer irá aquecer o Outono que espreita tímido, e o Inverno que desconfio irá entrar pela porta da frente. Não há nada como o lume. Não há aquecimento que se compare a uma boa lareira acesa de manhã à noite. Acordar de manhã e ver a teimosia das brasas da noite pedindo ajuda para continuar, sem descanso, a arder.

2.10.09

There are boys, and there are men.

Por tudo o que tenho observado à minha volta nos últimos tempos confirmo a minha teoria de que uma mulher que tenha saído de uma relação recentemente é considerada uma presa fácil. Desde o fulano (mal) casado ao puto engraçado com a mania que é esperto, o objectivo é sempre o mesmo, debicar qualquer coisita. Nem é sequer necessário que essa mulher seja muito bonita ou atraente, não passa por aí. A ideia geral é que uma mulher nessas condições está vulnerável, frágil, carente e mais adjectivos paneleiros que se queira atribuir, ou que está de rastos, ou por último furiosa. Passo a explicar o que uma forma geral verifico que passa pela cabeça dos homens, que de propósito ou por acaso se deparam com mulheres recentemente separadas ou divorciadas ou saídas que uma relação séria:
1) estas mulheres estão tristinhas, magoadas e desesperadamente à procura de umas festinhas, que bem aplicadas facilmente acabam onde se pretende, em sexo.
2) estas mulheres estão com a auto-estima enterrada 3 metros abaixo do nível do mar, e com uns piropos bem esgalhados facimente acabam onde se pretende, em sexo.
3) estas mulheres estão profundamente ressabiadas, ofendidas e com sede de vingança, comem tudo o que se lhes atravessa à frente e, orientando as coordenadas para o sítio certo acabam onde se pretende, em sexo.
Mas, e se uma mulher sai de uma relação e nem está triste nem carente, tem a auto-estima nivelada pela realidade, não é ressabiada e se está a literalmente a cagar para qualquer vingança?
Essa de certezinha que está doente, psiquiatra com ela, já!

Lei de Murphy

Que mania é esta de se escrever Amor com maiúscula? Não percebo. Não se escreve inveja nem raiva nem medo, por exemplo, com maiúscula, pois não? Que bajulação é esta então? O amor, assim, como todas as outras emoções. Tudo igual, que assim é que é democrático. Hoje toda a gente fala de amor, anda tudo obcecado com o amor. Toda a gente quer encontrar o amor. Toda a gente tem medo do amor. Que psicose. Se não estivessem tão preocupados todos em encontrar o amor, talvez até o vissem passar ao lado. Ele passa e aparece de onde menos se espera. É só uma questão de o ver a aparecer. Depois decide-se se o que se faz com ele, cada um faz o que é o melhor para si. O problema é que muito boa gente o confunde com outras coisas, e bate-lhe no ombro e sorri. Depois ele vira-se e, (oh! o embaraço) lá vem o "ai desculpe, assim de costas confundi-o com outra pessoa" (quer dizer, com outra coisa). A diferença é que em vez de uns milésimos de segundo de embaraço, às vezes demora-se anos a perceber o engano. Ooops, enganei-me, não era bem isto, desculpe sim? E recomeça a dança. Ai que chatice isto do amor, é tão complicado... Não é nada complicado, é até bastante simples. Basta acreditar numa "lei" muito básica: A melhor forma de encontrar uma coisa é começar a procurar outra coisa qualquer.

1.10.09

É pena

O sonífero perfeito: trabalhar no Photoshop. Já há tanto tempo que não recorria a este amiguinho que me esqueci completamente que me dá sono. Ao fim de uma hora a mudar cores, a inserir desenhos e a rectificar formas bocejo de 5 em 5 minutos (no máximo) e tenho sérias dificuldades em manter os olhos abertos. É pena é ser a meio da tarde... merda! Vou poupar umas coisitas para logo à noite e em vez do comprimido tomo um 1 horita de Photoshop.

30.9.09

Sangue

Hoje fui tirar sangue. Corrijo, tiraram-me sangue. Para analisar uma série de coisas. A tal investigação sobre a minha insónia. Era bom se se pudesse analisar outras coisas além do colesterol, da diabetes, etc... Era bom se se pudesse pôr por escrito em linguagem técnica, com os valores encontrados e tal como no resto, com os devidos limites inferiores e superiores, as outras cenas que nos estão no sangue. Aquelas que só mostramos em situações limite e aquelas que no quotidiano nos saem sem esforço ou delas ter consciência. E era giro se estivessem escarrapachadas no B.I. Ai que agora já não é B.I. É outro cartão, que como ainda não tenho não lhe conheço a denominação exacta. E assim, quando alguém nos pedisse a identificação ficava a saber, além do grupo sanguíneo (nem sei se já lá está, no novo cartão) de que é que somos feitos. E podíamos puxar do cartão para mostrar a nossa "raça". Depois era ver a malta a discutir e a sacar dos cartões para provar as merdas. Ou então ver os gajos (e/ou as gajas) a mandar os cartões para cima da mesa, tipo jogo de poker e a ver quem tem os melhores valores para "ir a jogo". E assim não havia surpresas quanto ao carácter de ninguém. E depois mandávamos todos os maus carácter para um sítio muito longe, de onde não pudessem voltar. E depois juntavam-se as pessoas de acordo com os valores similares, era muito mais fácil fazer amigos. E depois as pessoas tinham relacionamentos de acordo com o "match" do cartão. Em vez de ir ver o horóscopo vai-se comparar o cartão. E depois fazia-se análises todos os anos para manter a informação correcta. Comparticipadas pelo estado, claro, que depois também não cobrava pela actualização do cartão. E depois em vez de 3 ou 4 horas de espera para ir fazer ou renovar o cartão tinhamos 3 ou 4 semanas, ou meses... Era bem, não era?

Questão importantííííííííííííííssima....

Estou mais gorda. Acumularam-se 2 quilos na barriga, ancas, coxas, rabo e mamas. Mais ou menos uniformemente. Há uns tempos atrás este peso a mais seria um problema, contudo agora hesito. Se a barriga, as ancas, as coxas e o rabo não precisavam de nem mais um grama, muito pelo contrário, as mamas estão muito melhores. Redondas, enchem o soutien, um miminho. Se faço dieta as medidas voltam ao normal, e o raio das mamas voltam a desaparecer. Não sei... é uma questão importantíssima na vida duma gaja. Como tal requer grande reflexão...

29.9.09

As you are

What do you prefer?

Ao telefone com o S. sobre uma amostra que lhe mandei.

S: What is this sample you sent me?
Eu: You remember that when we went to the factory they were producing the same quality but with a thinner yarn. This sample is the first trial after adjusting the machine to a thicker yarn.
S: What do you prefer?
Eu: I prefer as the original sample, ours is too soft.
S: What do you prefer? Thick or thin?

Experiência

Resolvi experimentar. Decidi ajudar. Deitei-me por volta das 00:30h, tinha tomado o comprimido às 23:00h. Não liguei a televisão nem peguei no meu livro. Apaguei a luz e fiquei quietinha. Pensei: vamos lá ver o que vai acontecer. Sentia algum frio, não muito, só um pouco de desconforto. Deixei-me estar. Não me mexi, nem um milímetro. Rapidamente o meu corpo aqueceu. Primeiro as mãos, depois os braços, e só a seguir as pernas e os pés. No silêncio, de olhos fechados, o meu corpo relaxado, quentinho e a minha cabeça ainda a mil. Nem ponta de sono, desperta, completamente alerta. Atenta a todas as sensações. Não me lembro de tal situação, é que ou estou já meia grogue de sono quando me deito na cama depois de já ter dormido 1 ou 2 horas no sofá, ou estou enervada e ligo a televisão para anastesiar, mas tanto a cabeça como o corpo estão despertos. Assim foi diferente, obriguei o corpo a ficar quieto, coisa que nunca tinha feito. A cabeça, gostaria muito de a poder desligar mas nesse aspecto ela é uma perfeita insubordinada.

28.9.09

Barbaridades

Fui ao médico hoje. À médica, para ser exacta. A senhora não é lá muito simpática, o que não me faz diferença absolutamente nenhuma. Prefiro médicos competentes a médicos simpáticos. Ouviu-me com atenção, fez algumas perguntas e inseriu as respostas no computador. Disse-me finalmente que estou a fazer tudo mal. Enumerou uma série de coisas que não se devem fazer à noite porque perturbam o sono. Ora, eu faço-as todas, e mais algumas que já não me apeteceu contar-lhe, porque de certeza que perturbam o sono e como todas as que ela enumerou eu confirmei que eram meu hábito, achei que já era demais. Perguntou-me depois se aconteceu alguma coisa comigo ou na minha vida que pudesse ser a causa da insónia. Respondi-lhe que sim, mas que já não. Sim, aconteceu, mas já não será a causa da insónia. Só porque já é passado e porque tive entretanto 3 semanas de férias que normalmente resolveriam o problema do cansaço, por exemplo. Ou seja, não faz sentido que eu tenha tanta dificuldade em adormecer. Pois muito bem. Tenho uma boa meia dúzia de papéis onde se podem ler pedidos de análises ao sangue, imagino a tudo o que for possível analisar no sangue, além de um electrocardiograma, mais um raio X ao tórax e uma mamografia. Vou andar ocupada nas próximas semanas, está visto. Queremos certificar-nos que as causas da insónia não são físicas, disse-me ela. Ok, pensei eu. Tem lógica. Fiquei a saber que a tiróide pode provocar insónia e uma anemia também. Aprendi qualquer coisa, vá lá. Receitou-me uns comprimidos de uma coisa natural chamada raiz de valeriana, para ajudar a regular o sono só até termos os resultados daquilo tudo. Estranhamente não me disse para tentar reduzir aos mais de 20 cigarros que fumo por dia, nem aos mais de 6 cafés que bebo por dia, nem deixar de ler e ver televisão ao deitar, as coisas que erradamente faço e que ela começou por enumerar. Achei muito estranho, todos os médicos que me passam pela frente invariavelmente me desancam quando admito as barbaridades do tabaco e do café. Ela não. Nem um pio, nem uma expressão de reprovação. Esta médica é das minhas, vai esperar pelos resultados dos exames e das análises e aí sim, vou levar uma ensaboadela daquelas valentes, e o pior é que ela me vai esfregar com as provas no focinho. Vai ser bonito.

Escape

27.9.09

Mais uma

conclusão a que chego sobre mim, que se verifica estar correcta. Nunca fazer seja o que for tendo dúvidas. Só quando tenho a certeza é que sei que não me vou arrepender. E como conheço bem as minhas fraquezas, há momentos em que nem sequer me chego perto da mais remota possibilidade delas virem ao de cima. Se não me sentir em forma, não vou a jogo. Não vou onde me sinta em desvantagem logo à partida. Ou as condições são semelhantes ou nem vale a pena jogar.

26.9.09

Amateurs...

«Ain't we all?...»

You don't get to say you're sorry

"You don't get to say you're sorry, cause you'd only feel better. And you don't get to feel better"

Pede-se desculpa para que fique tudo bem, para que nos perdoem ou pede-se desculpa apenas para aliviar o peso da culpa que se tem dentro do peito? Eu apostaria que 90% das vezes em que se ouve a palavra, o objectivo é o segundo. Quantas vezes o fazemos porque nos sentimos mal, e o que a outra pessoa sente nem nos ocorre? Quantas vezes o fazemos mesmo porque não queremos que a outra pessoa não fique zangada ou magoada, porque nos preocupamos com o sofrimento que causamos? E quantas vezes dizemos que foi sem querer? Adianta alguma coisa vincar bem que foi sem querer? Apaga o acto? Dói menos se for sem querer? Vou continuar... Somos crianças? Somos tolinhos que não pensam no que fazem? A esses, damos-lhes o devido desconto. Mas gente adulta e inteligente não se pode dar ao luxo de dizer que foi sem querer. Gente adulta tem de pensar naquilo que faz. Tem de estar atenta àqueles de quem gosta. Tem de pensar nas consequências. Seria bom se fosse possível dizer: Ok, esta não valeu, vamos lá começar tudo de novo outra vez. Isso é que era bom. Mas não é assim que funciona. Actos ou palavras impensadas acarretam consequências. Há quem consiga lidar com elas, e por muito que custe, aceitá-las e seguir em frente. Outros há que se portam como tolinhos. You fools...

24.9.09

Preço

Ainda não chegou à garganta. Vai demorar algum tempo ainda. Estou preparada.
Ela vem aí, eu sei, e vem com força, também sei. Só não sei porquê. Porquê agora? Porque não veio mais cedo? Porque não espera mais um pouco? Eu sei que não adianta empurrá-la mais. Agora tem de sair. Eu percebi os sinais, estão todos a aparecer. O tom de voz mais alto sem necessidade, o mau-estar sem motivo aparente, as reflexões impulsivas, a falta de sono. É evidente, tudo tão evidente. Quem me mandou ser tão racional, tão controlada? Ninguém. Achei que era melhor assim. Foi, na altura foi. Agora pago a factura. Tudo na vida tem um preço.

Tiros

São tiros na minha direcção. Ninguém topa, só eu. E se calhar é só impressão minha, mas há momentos em que apanho alguém a olhar para mim e parece que o olhar que me atravessa. Disfarço, finjo que não vejo, que não percebo. Não gosto, incomoda-me, mas isso também só eu é que sei, de outra maneira seria dar importância a uma coisa que não tem importância nenhuma. Então porque escrevo sobre isto? Porque é simplesmente absurdo que tiros estejam a ser disparados, não é suposto, nem agora, nem aqui, nem na minha direcção. Só isso.

21.9.09

Bola de cristal

Era de prever que o dia hoje não corresse lá muito bem. E não correu.
Qualquer dia compro uma bola de cristal, pouco mais me falta para ser bruxa.
Também não tenho a verruga no nariz, mas o sinal faz quase o mesmo efeito.

Entre outras coisas

As outras coisas.
São coisas sobre as quais não escreverei, mas sobre as quais te poderei falar, apenas quando a geografia permitir que tu sintas a minha respiração no teu pescoço e que o teu suor se misture com o meu.
2:38h
Faltou pôr isto cá fora.
A ver se é desta.

Está mal!

Está mal! Esta merda está mal. São exactamente 1:39h e eu aqui a escrever, porque tentar dormir com a puta da cabeça a mil, não dá! Entre outras coisas, pensar que tenho de me levantar às 7:00h e tratar da rotina matinal diária, deixar os putos na escola a tempo e horas que este ano a coisa pia mais fino, não dá para facilitar, depois ir buscar os clientes ao hotel, levá-los para o escritório, gramar com eles todo o dia, isto sem pensar que vai ser a semana quase toda, ainda por cima gente que não percebe nada da poda, enerva-me! Enerva-me porque por causa destas merdas todas já devia estar a dormir. Pois devia. E quanto mais penso que já devia estar a dormir mais me enervo. E quanto mais me enervo, menos são as possibilidades de adormecer nos próximos minutos. E quando todas as tentativas possíveis para tentar adormecer já foram tentadas e falhadas, o que faço? Levanto-me, venho para a sala, acendo um cigarro e já que aqui estou, enquanto fumo, ponho esta merda toda cá fora transformando-a em letras, palavras e frases. Que ainda deve ser o mais eficaz, fumar e escrever para acalmar. Já apaguei o cigarro, 1:47h, ainda não tenho sono! Assim como assim, a melhor ideinha que tive nos últimos tempos foi ter marcado uma consulta para a minha médica de família, que é daqui a uma semana. Espero que a mulher me ponha mesmo a dormir. 1:49h. Ok, vamos lá tentar outra vez.

19.9.09

Nota mental III

Reality. It's so much more interesting than living happily ever after.

Daqui não levas nada

Jovem, és gaja? Queres divertir-te à grande? Queres dançar ao som de música decente? Não pretendes engatar nenhum gajo nessa noite? Então vai a um bar gay. É limpinho. Não falha.
Ontem fui a um muito bom. Conheço outros mas este foi o "top of the top" Ouves música gay, mas não contes com a Gloria Gaynor, tens New Order e R.E.M. Depois, 90% dos gay são homens e vi meia dúzia de casais heterossexuais de meia-idade a curtir a música e a dançar sem preconceitos. O espaço é despido de paneleirices, aconchegante e a fugir para o exótico, só um bocadinho, sem exageros. Pode-se fumar mas é bem arejado, e a temperatura da sala é a ideal. Em suma, uma noite muito bem passada, na companhia de amigos gay (isto é óbvio, senão como é que eu iria lá parar?) É certo que é um nadinha confuso, muito homem descaradamente gay, e também muitos que estivesse eu noutro sítio qualquer e juraria que "não, este não, este é macho". Mas nada de ilusões, dizia um dos amigos, "daqui não levas nada" entre gargalhadas. Não interessa, pelo menos enchi o olho, era cada um mais giro que o outro, porra! Ah, e também ouvi um elogio que me fez corar (coisa rara hoje em dia, eu corar) mas vindo de um gajo assumidamente gay, não conta.

18.9.09

Too narrow

(Eu estou ao volante, o S. ao meu lado. O S. é israelita, e tanto falamos em francês como em inglês, às vezes tudo misturado com algum português, ele já vem a Portugal há mais de 10 anos)

S: Go ahead, why don't you go?
Eu: There's no point, don't you see I'll turn right over there? It's too narrow, there's no angle!
S: Come on, you can go!
Eu: Tás burro ou quê? No way, I can't get through! Não consigo meter, não vês?
S: Vaseline, do you know?

17.9.09

Buttons

16.9.09

António Feio

Digam-me o que disserem, este homem é um charme. Nesta fotografia em particular está com ar de "esgazeado" o que lhe fica a matar. Vi-o a primeira vez ao vivo cá na terra, depois de ter visto a peça (não me lembro do nome exacto) em homenagem aos Monty Phyton. Lá estava ele a beber um copo depois da peça. Emanava calma e descontração. Por coincidência à saída cruzei-me com ele, dei-lhe os parabéns, ele agradeceu humildemente. Além de achar que é dos melhores profissionais da sua área, tenho-o como um homem sábio, calejado, vivido. E deve ser. Há pouco mais de um ano encontrei-o numa discoteca no Algarve. Abordei-o e estivemos à conversa uns minutos. Simpatia, gentileza e nem uma pontinha das merdices típicas dos "famosos". Confirmei as minhas suspeitas. O homem é a personificação do charme. Uma maravilha. Na discoteca perguntei-lhe o nome do duende de um dos sketches da peça, não me conseguia lembrar. Ele próprio também já mal se lembrava, mas fez o esforço e rimo-nos os dois às gargalhadas: Salsifré, o duende. Nome ridículo e genial, concordamos. Nunca mais me esqueci.

Terapia

Vou fazer marmelada. Vou comprar os marmelos. Pode ser que me acalme. Deverá funcionar. Todos os anos faço quilos de marmelada, adoro. Não que aprecie muito o doce em si, mas gosto das horas que passo na cozinha, a preparar tudo, a vigiar a panela, a sentir-lhe o cheiro à medida que vai cozendo e a companhia que me fazem os putos, a borboletar à minha volta a querer ajudar. É um evento. É uma delícia. Não demora muito faço marmelada, e que não demore muito a fazer efeito.

15.9.09

13.9.09

Diva

A voz destacou-se das outras. Era suave mas límpida. Não era estridente, contudo destacava-se das outras. Olhei a tentar descortinar a dona daquela voz. A figura também se destacava das outras. Alta e esguia, elegante. O cabelo grisalho apanhado na nuca, ligeiramente ondulado. A pele, morena e as rugas, profundas. A cabeça inclinada para trás, o pescoço esticado para melhor sair a voz. Desdentada, 2 ou 3 dentes naquela boca, que indiferente à falta deles cantava. Imaginei-lhe as mãos, imaginei-as grossas e endurecidas pela enxada e pela terra. Depois vi-as e eram finas, delicadas. A saia direita azul marinho, austera, a contrastar com o azul turquesa e branco das riscas da blusa, a cor garrida talvez uma nota de alguma irreverência. E cantava, cantava com a expressão que só um punhado de pessoas tem, a expressão de quem canta com amor. Cantava como se não houvesse amanhã. E voltei a perder-me na minha imaginação. Aquela mulher tinha o porte de uma actriz de cinema. Tinha o porte de quem poderia ter sido tratada como uma diva, como uma princesa. Teria um sorriso perfeito, teria a pele bem tratada e maquilhada, teria as melhores roupas e as melhores jóias. O porte e a elegância, esses não seriam adquiridos, ela já os tinha. Mas pergunto-me, teria sido mais feliz?

You (only) get what you give

E se de repente?

Pensas que até seria porreiro reunires os amigos este ano. Afinal o contexto mudou, mas tens a noção que mantiveste o núcleo duro dos amigos. Ok, resolves então juntar a malta toda e este ano até comemoras o teu aniversário. Tudo muito bem. Telefonas aos que não vês todos os dias e marcas o restaurante. Entretanto sugerem-te que não leves o teu carro, que te dão boleia e aceitas porque provavelmente até te vai apetecer beber uns copos e calha bem. Vão buscar-te a casa, e vais. Depois descobres que não há restaurante nenhum, que trataram da comida e da bebida, que decoraram a sala, só para ti. Estão lá todos (menos 2 que à ultima da hora tiveram um imprevisto) à tua espera. E trataram de tudo em segredo, para ti. Ao ponto de um deles se infiltrar em tua casa para levar para lá a tua música. E em vez de um restaurante onde se conversa apenas com as 3 ou 4 pessoas que estão sentadas ao pé, estivemos todos juntos, mesmo juntos, num sítio só nosso. E em vez de depois nos separarmos em vários carros na direcção de um qualquer bar onde mais uma vez se convive com meia dúzia de pessoas do grupo de cada vez, depois daquele incompreensível compasso de espera típicamente português que tira a pica a qualquer pessoa com mais de 30 anos, começamos a dançar logo que nos apeteceu ao som de música que todos gostamos, mas que eu gosto principalmente. O melhor de tudo foi que todos nos divertimos que nem uns pretos, comemos e bebemos, dançamos e fumamos, abraçamo-nos e beijamo-nos, rimos uns com os outros e uns dos outros. Todos espontâneos, todos verdadeiros. E aqui a menina pensa nisto tudo e olha para si e para a sua vida e percebe que se tiver a lata de se queixar da sua vida alguém lhe deveria dar imediatamente dois pares de estalos. Porque se olhar à volta só tem de estar é contente. Aqui a menina tem saúde, tem amigos verdadeiros, tem uma profissão que a realiza, não tem de contar os trocos para pagar as contas, tem uma família que a apoia, tem 2 filhos saudáveis e equilibrados, tem uma casa confortável. Ou seja, não pode queixar-se da vida, porque se o fizer, além de estar a ser parva, estará a insultar milhões de pessoas.

12.9.09

Puzzle (parte 3) Identidade

Agora a parte que não tem nada de óbvio, pelo menos para mim. Há um expressão em inglês que vou utilizar aqui, porque é perfeita. "To draw the line" mas onde? Qual é o ponto onde ser tolerante choca com a nossa identidade? Deveremos ser tão completamente tolerantes que deveremos gostar de toda a gente, ou não detestar toda a gente? Terei de aceitar "TODAS" as diferenças? Mesmo as que me revoltam e me dão a volta às tripas? Não serei desta forma uma imbecil que não gosta nem desgosta de nada nem ninguém? Até que ponto posso gostar e detestar com convicção sem deixar de ser tolerante? Sempre admirei gente com convicções, com paixões, com garra. Nunca os vi como intolerantes, não tem nada a ver. E aqueles que não sabem se gostam ou se não gostam, que não se entusiasmam com nada, nunca tiveram para mim qualquer interesse, não têm identidade porque não se identificam com nada. Onde é que está o limite? Where do I draw the line? Onde acaba a identidade e começa a tolerância? E como identifico a intolerância? O que me fez "acordar" foi a fúria. Poderá o indicador ser a fúria? A fúria leva à violência. Quando me sentir invadida pela fúria, quando tiver vontade de agredir devo considerar que é aqui que começa a minha intolerância? É neste ponto que recionalizo e controlo a fúria? Isso é fácil, mas e depois, já sou tolerante? Só porque não agrido sou tolerante? Nada disso. Eu acho que agredir é muito mau, contudo ter vontade de agredir é também muito mau. E eu tenho essa vontade, controlo-a facilmente, isso consegue-se com treino, é possível trabalhar o controlo da fúria. Contudo o que acho que nunca conseguirei mudar é a forma instintiva como a sinto crescer dentro de mim quando me deparo com determinadas situações. Dispara automaticamente e isso penso que nunca conseguirei controlar. Isto leva-me então a pensar que não se trata de manifestação de fúria, mas sim da existência dela dentro de mim ou não. Neste caso, será a tolerância uma coisa instintiva? Se eu aceito pacificamente sou tolerante, mas se eu tenho de controlar a raiva já não sou tolerante? Ou a tolerância é uma coisa que se trabalha, assim como o controlo da fúria? Ou vem-nos de dentro instintivamente? Se verbalizo a raiva não sou tolerante, se a controlo sou tolerante. Eu sou os meus instintos e também sou o meu conhecimento que me permite controlar os meus instintos. Tudo misturado. A identidade é a proporção. Essa proporção vai mudando ao longo do tempo, menos de instinto e mais de conhecimento ou menos de conhecimento e mais de instinto. Where do I draw the line?

Puzzle (parte 2) Tolerância

Verifico assim que não sou uma pessoa tolerante. E não reajo muito bem a isto. Terei andado enganada este tempo todo em que pensei que era tolerante? Enganada talvez não, mas inconsciente sim. Inconsciente. E também reajo mal a isto. Tomar consciência de uma característica nossa que não é motivo de orgulho é uma chamada à Terra que não é nada agradável. Esta é a parte óbvia.

Puzzle (parte 1) Fúria

Andei ontem todo o dia a pensar. A pensar que tinha de por isto cá fora para melhor reciocinar sobre o assunto. Ajuda-me escrever (falar também) porque analiso o meu raciocínio e entendo-o. Clarifica-me as ideias, situa-me. É que os pensamentos andam aqui às voltas a alta velocidade, e para conseguir organiza-los de forma minimamente lógica tenho de fazer uma espécie de pausa, po-los a circular mais lentamente e ir agarrando cada um deles e coloca-los como se fossem um puzzle, na devida ordem, numa superfície lisa e ampla. Esta superfície tanto pode ser uma conversa como pode ser um texto. Então andei eu ontem todo dia com a questão a dar-me a volta ao miolo. Todo o dia. E não tive oportunidade de fazer o meu puzzle. Estou a construi-lo apenas agora. Achava eu que era uma pessoa tolerante, mas não sou. Tive já várias vezes a experiência de sentir a raiva a crescer dentro de mim, sempre direccionada ao mesmo tipo de pessoas. Não, não creio que seja racismo. Irritam-me profundamente, ao ponto de sentir uma fúria capaz de se materializar num murro, tivesse eu essa possibilidade e deixasse eu essa fúria tomar conta de mim, pessoas que criticam ou ridicularizam outras pessoas, ou seja que não são tolerantes e as julgam por qualquer motivo, seja ele qual for, não interessa. Mas são diferentes e isso por si só constitui motivo suficiente. Observar este tipo de situação perturba-me de uma forma visceral. Outra coisa que me dá cabo do sistema é ver pessoas que só porque parece mal não fazem determinadas coisas, que até lhes apetece muito, até lhes iria dar um gozo tremendo, mas só porque parece mal não fazem. Coisas simples, muito simples. E quanto mais simples são estas coisas mais me irrita. Esta expressão "parece mal" agonia-me. E mais do que se pensa está enraizada no interior de muita gente. É uma coisa que me transcende, a condicionante do "parece mal". As pessoas vivem limitadas pelo "parece mal" e são incapazes de fazer seja o que for que pareça mal. Estes são, então, dois tipos de pessoas que me enfurecem. As pessoas para quem ser diferente é motivo suficiente para a crítica e as pessoas que se regem pelo "parece mal".

10.9.09

Javier Bardem























Não sendo nada giro, consegue ser dos gajos mais giros que por aí andam. É óbvio não é? Não é à toa que sacou a Penelope Cruz, que convenhamos, depois de um pardalito chamado Tom Cruise, quando caiu nas garras deste falcão, deve ter pensado que morreu e foi para o céu. Só pode!

Não vale a pena

Não vale mesmo. Com a música é a mesma coisa. Gosto de filmes como "O Amante" e "O cozinheiro, o ladrão a mulher dele e o amante dela", e depois também gosto mesmo muito de filmes assim como este. Não dá para perceber... eu já desisti. Há muito.