5.11.09

Eu assino!!!

Comprei hoje outro par de sapatos de salto alto. Há cerca de um mês tinha comprado uns botins. No fim do verão comprei umas sandálias e em Março passado comprei também um par de sapatos. Todos de salto alto.

Mau!!!

Isto não é normal, ah não! Já vou em quatro pares de calçado de salto alto em poucos meses, alguma coisa no meu cérebro desligou, ou então alguma coisa entrou em "auto mode". Alguma função até aqui desconhecida disparou e começou a dar ordens aos olhos para se poisarem nos ditos, aos pés para os experimentarem e às mão para sacarem o cartão. Mas isto até se compreende, desconfio que a culpa é do cromossoma. Agora, a função mais complexa e díficil de desligar é a que afirma e confirma que gosta.

Dêem-me um papel onde esteja escrito que me vão internar que eu assino. Eu assino!!! Ráaaaapido...

A doce e inocente J.

A J. é uma moça americana, de origem eslovaca que vive em Los Angeles e que trabalha no escritório que a empresa onde trabalho lá tem, em Los Angeles, USA.

Ontem, ao telefone com ela:

Ela: So, how are you?
Eu: I'm good, thank you dear...
Ela: Listen, I'm anxiously waiting for you to be my friend on Facebook
Eu: Didn't I tell you that I had closed my Facebook account? Actually, it's been a while now...
Ela: Yes you did, but I was hoping you'd get back...
Eu: No J. I'm not really into that stuff right now, I'm more into real people, you know... flesh and bone...

4.11.09

Ronan Keating

Rapaz engraçado, que nunca levei a sério. Nem a ele nem à musiquinha dele. Só guardei uma frase de uma canção muito light, mas que na sua ligeireza me calha hoje muito bem. Diz assim:

"Life is a roller coaster, you just have to ride it"

Sendo hoje um dos dias em que a montanha russa está muito em baixo, com sérias dificuldades em subir, encravada diria até... tento pensar que eventualmente subirá, voltará a engrenar e a vista ampla substituirá a medonha perspectiva que hoje tenho a partir do fundo do poço.

Bottom line: as montanhas russas não se aproveitam de olhos fechados, há que mantê-los abertos mesmo quando estamos cagados de medo.

Não se aplica

A expressão "um dia de cão" não se aplica no meu caso. No meu caso seria "um dia de cadela", contudo nem no feminino se aplica pois até o bicho, independentemente do género, está errado.
Um dia de formiga, ou um dia de joaninha, ou um dia de mosquito, tão pequena que estou hoje. Existo, estou aqui, visível a olho nú, mas pequenina e frágil. Não, lembrei-me agora daqueles bichinhos que ao mínimo toque se enrolam sobre si próprios transfigurando-se em pequeninas esferas que tendem sempre a rolar para cantinhos onde mais ninguém os vê. É isso, hoje sou um bichinho desses, enroladinha sobre mim própria, só não consigo é ir para onde ninguém me veja. Tenho a sensação que estes bichinhos estão relacionados de alguma forma com a merda, mas até isso bate certo, há tanta à minha volta.

Hoje encolhi outra vez. Há dias em que encolho, reduzo, mingo. Minguei sob o peso da culpa. Pesa-me nos ombros, empena-me os braços e as pernas. Fico lenta, desajeitada.

E depois saio de mim e olho para mim, e vejo uma daquelas pessoas que desprezo, que têm pena de si próprias e que basicamente me metem nojo. Meto-me nojo hoje, porque esta manhã adormeci. Tive de saltar da cama e acelerar o ritmo para conseguir sair de casa a tempo. Só que não consegui. E o puto chegou atrasado à escola e a culpa é minha. É minha!!! E é tão grande que me esmaga, me transforma num bichinho redondinho que tenta rolar para onde ninguém o veja e não pode, tem de desenrolar e ir dar a cara ao Director de Turma e justificar a falta do rapaz.

Inspira.
Expira.
Agora vai.

3.11.09

National Geographic

As feras começam a mostrar as garras, é bom. Mas acho que há ainda toda uma selva a desbravar, um novo mundo a descobrir e explorar. Mas isto sou eu, que gosto de uma boa aventura.

1.11.09

O amante

Ou como um dia magnifico termina numa noite sumptuosa. Continuo com o meu copo de vinho e deparo-me com um do filmes que mais me marcou nos verdes anos. Sempre me interroguei sobre como seria rever este filme agora. Ver este filme com os novos olhos que tenho, com a nova cabeça que tenho, senti-lo como a nova pessoa que sou. Evidentemente que o vi de forma diferente. Vi-o sumptuosamente. Avassalador. Derrubou-me. Vi muito do que sou hoje, muito do que recentemente descobri sobre mim. Fez-me rir quando vi a rapariga desabotoar a camisa do chinês, percebi porque gosto tanto de botões, de botões desabotoados revelando a pele. Vi porque gosto tanto do contacto da pele, vi tanto, mas tanto. Eu sou aquela rapariga, só que já não sou rapariga. Sou mas já não sou. Nunca fui, e fui sempre a rapariga que desabotoa a camisa ao chinês, que lhe acaricia a pele macia na voracidade da descoberta. Eu gostava de ter um amante. Um amante que me tomasse à porta, cujo desejo o impedisse de chegar sequer à cama, que me saciasse ali, no chão, como eles pregados um ao outro no chão. Eu gostava de ter um amante, que não me amasse, como eles, sem amor, só desejo de pele e de carne. Desprovidos de sentimentos, e no entanto cúmplices na escuridão do quarto, mas expostos ao ruído da rua. Eu gostava de ter um amante, mas ao contrário dele, que não se apaixonasse perdidamente por mim, garantindo-me pelo menos a ilusão de que eu nunca me apaixonaria por ele. Há-de haver um homem, algures, capaz disto, é um homem, é um amante assim que eu quero.

31.10.09

Eu sou

Acabei de jantar, mas ainda não terminei o meu vinho. Nem sei quando irá terminar, pode até ser só quando terminar a garrafa. Sinto-me bem. Apetece-me continuar a beber o vinho branco, Periquita, não sei qual é o ano nem importa, porque gosto dele, é bom. Hoje foi um dia perfeito, não podia deixar de o registar. Começou com o acordar os miúdos com o habitual beijo, o pequeno almoço e o vestir. Tudo decorreu calmamente. Depois foram à aula de natação, aproveitei e arrumei a casa, as roupas e saí. Estive com o meu melhor amigo, tomamos um café e conversamos um bocadinho, só um bocadinho, ele estava a preparar uma sessão fotográfica que teria mais tarde para uma revista do ramo dele, está a ficar famoso. Fico feliz por ele, merece. Tem um talento extraordinário, efectivamente merece. Depois fui às compras, abastecer a casa de mantimentos, a velocidade a que desaparecem é alucinante. Depois do almoço os miúdos regressaram e inacreditavelmente estiveram cada um no seu quarto a fazer os trabalhos de casa enquanto eu arrumei o armário do stock. Chamo-lhe assim porque neste armário guardo os mantimentos, lembra-me os filmes antigos, do tempo da guerra em que as famílias guardavam mantimentos para quando os não houvesse. Faz-me lembrar os tempos em que as famílias se uniam, os grandes abriam as asas para proteger os pequenos, hoje sinto-me assim, de asas abertas com as minhas crias debaixo delas, aninhadas e quentinhas, protegidas do mundo. Mais um golo de vinho, tão bom. Depois saímos para a festa. Tão atrasada esta festa, tantas vezes perguntada esta festa. E finalmente marcada, organizada e oferecida à alegria, gargalhadas e energia inesgotável de 15 putos completamente libertos nos gritos e correria, derretidos em suor perdoado por ser a festa, sujos em bolo e sumo perdoados por ser a festa. Tanta alegria, tanta energia, tanta que não cabe numa só que eu sou e que sente que não podia, não me perdoaria se não lhe desse esta festa, nunca me perdoaria. Depois o regresso, atulhado de presentes. O inevitável banho, na minha banheira que eles adoram e eu delicio-me com os dois nús, a rir embrulhados em espuma e champo, e a água que queima e os faz saltar, e a toalha macia e fofa, e o cabelo a pingar. O pijama lavado já estava pronto, tão bem que cheira o pijama mãe, e eu sorrio. O jantar foi a cereja no topo do bolo, lasanha!!! Ena mãe, lasanha, a nossa comida preferida! E o vinho sabe-me cada vez melhor. Estarei enebriada pelo vinho talvez, mas nada supera, absolutamente nada supera estar enebriada pela felicidade.

29.10.09

Canalhice

Faz-me imensa confusão ver determinadas mulheres a colocarem-se gratuitamente em situações que permitem aos seus parceiros (ou potenciais parceiros) terem absoluto domínio sobre elas. É uma condição que me transcende há muitos anos, desde a altura em que na escola as miúdas mandavam a melhor amiga falar com o rapaz por quem estavam apaixonadas. Aquelas coisas de putos. Mesmo nessa altura eu questionava por que raio quereriam elas que eles soubessem, não tendo elas a menor ideia se eles correspondiam ou não. Colocavam-se automaticamente numa posição de "inferioridade", ou não? Eles depois fariam o que bem lhes apetecesse com essa informação. E provavelmente não fariam o que elas queriam verdadeiramente, ser correspondidas. Olhando para trás, atribuo este comportamento à imaturidade típica da adolescência. Hoje, em mulheres adultas este tipo de comportamento é simplesmente estúpido. Acho uma perfeita estupidez, não consigo dar-lhe outro nome. Mesmo sabendo que hoje em dia não compete sempre ao macho fazer a primeira aproximação, clichés aparte, eu não acho que se deva entregar o ouro ao bandido. E vejo-as prostrarem-se, entregarem-se, porem-se à mercê deles. E vejo-os deliciarem-se com isso. E as desgraçadas sofrem como cadelas, e eles alimentam-se disso. Têm um prazer em explorar esta miséria que não consigo explicar. Compreenderia se se tratasse de uma situação meramente carnal, se fosse apenas físico. Saber que alguém nos deseja faz bem ao ego, aceito. Mas explorar emoções alheias é de muito mau gosto. Alimentar-se da miséria alheia é cruel. Fazer crer que se gosta apenas para deleite próprio é pura canalhice. Elas metem-me pena, eles metem-me nojo. Para não falar dos que depois ainda as ridicularizam, esses só me suscitam desprezo, o pior sentimento de todos, que equivale a nada. Nada.

28.10.09

27.10.09

Começar bem o dia

Ok, tens vinte e seis mil, quatrocentas e setenta e quatro merdas para fazer, todas elas perfeitamente exequivéis. Mas não todas ao mesmo tempo. Nem sequer se trata de trabalho, se fosse era mais fácil. Em separado fazes tudo com uma perna às costas, com todas ao mesmo tempo sentes-te a encolher perante a grandiosidade da montanha.
Pára. Inspira.
Fecha os olhos. Expira.
Agora deixa-te de merdas e faz-te à vida. Define prioridades, estipula tempos. Arregaça as putas das mangas e mexe-te. Estás proibida de ter pena de ti própria, sabes perfeitemente que já passaste por muito pior e sobreviveste. Deixa-te de merdas, foda-se! E andamento, que se faz tarde!

(Hoje de manhã antes de me levantar desanquei-me, precisei de me meter na ordem, dei-me à panelereirice, baaaaaahhhh)

26.10.09

Try again

Na tentativa de transformar um falhanço pessoal numa vitória, resolvi registar desde o início, esperando que este registo seja uma fonte de vergonha no futuro. Pois que a vergonha, no que me diz respeito é bastante parca, eu estava no fim da fila e quando chegou a minha vez já não havia muita para dar. Por outro lado, não sei como, quando deram a preguiça fui logo das primeiras, e tocou-me um bom pedaço. Mas enfim, tentarei mais uma vez, e este ano é já pelo menos a terceira ou quarta. Vou então começar um programa de exercício físico, que vai consistir em caminhar (ou correr, mas não deitemos foguetes antes da festa) num tapete que não tem motor, só desliza ao ritmo do passo de quem em cima dele estiver. Pu-lo no meu quarto, obrigatóriamente colocado de forma a poder ver televisão, porque se à minha preguiça adicionar o tédio, pulverizo qualquer possibilidade de sucesso. Aqui virei, registar o tempo da caminhada de todas as vezes que caminhar. Não quero fazer previsões sobre a frequência pois arrisco-me a descambar logo à segunda vez. Prometo que farei o registo, mas não posso, caso falhe, prometer que tenha vergonha. Tenho tão pouca, precisarei dela, talvez, para outras andanças.

25.10.09

Pop up

Outra merda que embora não tendo sido nenhuma descoberta é de vez em quando confirmada. Destas merdas todas, há as que me perturbam, há as que são muito úteis na prevenção de posteriores dissabores, e há as que... as que... ora bem, há as que... não é que eu não soubesse já, mas... aquelas coisas que são... pronto, são aquelas coisas.

23.10.09

Script

Este fim-de-semana pretendo seguir a inspiração que esta música me traz. Sem me prender em detalhes ou dificuldades menores. Ir, ao sabor da inspiração. O filme que já fiz na minha cabeça inclui também um carro e conduzir a alta velocidade. Até onde me apetecer.

HQ

Um espécime de altíssima qualidade.
Sean Bean, actor, irlandês, maduro e bad ass.


22.10.09

Fire


É-me Impossível

explicar, então só me resta descrever que sofro por não poder sofrer. Isto é tão verdadeiro quanto contraditório. Se eu pudesse sofrer por eles, se eu pudesse fazer magia e transferir para mim as dores deles. Eles não sabem lidar com a dor, eu sei. Eles desesperam, eu não. E o desespero deles sufoca-me, rasga-me o peito, mata-me. O miúdo mais novo acordou literalmente a gritar, em pânico. Não conseguia articular palavra, demorei a perceber o que o atormentava, o ouvido. Os minutos que levei a ir buscar o analgésico e a verter água para o copo foram de sofrimento atroz, quando me aproximei dele batia com a cabeça na cabeceira da cama. Dei-lhe o xarope e de seguida a água, o sabor do xarope dá-lhe náuseas, e enrolei-me nele. Abracei-o o mais que pude e sussurrei-lhe ao ouvido promessas inúteis enquanto lhe limpei as lágrimas, grossas que já tinham molhado a almofada. Senti as minhas a querer saltar. Não, tu não importas agora, deixa-te disso, concentra-te nele que precisa da tua voz serena e segura. Tu não importas nada, só serves agora para lhe garantir que vai passar já, que a mãe está aqui e que vai tratar de ti muito bem, mas tens de te acalmar meu amor para parares de chorar e adormeceres porque quando acordares já não vai doer. Dorme meu amor, sossega. Só quando tu sossegares é que a mãe pode voltar a viver.

21.10.09

Alerta vermelho

Fui levantar os resultados das análises. Como sempre abri imediatamente o envelope para verificar os valores. Começo a ler a nada de mais, até que vejo o valor do colesterol: 220 quando o ideal é inferior a 200. Pensei que não é nenhuma desgraça, nada que uma dietinha saudável não resolva. E aqui soaram todos os alarmes. Oh que caralho! Dieta?! Lá se vão as mamas pr'o galheiro!!! Estou fodida, nunca terei umas mamas de jeito! Se não for duma maneira é doutra. É o destino, esse camelo do destino na minha ficha de certezinha que escreveu assim: Terás cú e ancas que se vejam (só porque são grandes, mais nada) mas mamas, minha filha, nem penses.

(Tenho p'ra mim que se algum dia pensar em próteses, o destino desenvolve-me imediatamente uma diabetes só para me impedir de as colocar)

20.10.09

Lume

Eu sei perfeitamente que ainda não está frio que justifique, mas eu andava mortinha por usá-la. A chuva e descida de temperatura de hoje foram desculpa suficiente para encher o cesto de lenha e trazê-lo, para logo ao chegar a casa acender a lareira. Gosto tanto, mas tanto de olhar para ela. Devo ter uma costela incendiária, que me impele para o lume. Gosto de lareiras, de fogueiras e de lume. Nunca na minha vida incendiei nada, só acendo lareiras, ou melhor acendo uma lareira. Ainda gosto mais dela este Outono do que no Outono passado, porque ela agora é minha.

O que sentes?

Sabes aquelas coisas que fazes sem sequer te aperceberes que as fizeste? Sabes aquelas coisas que simplesmente não consegues perceber como fizeste? Porque não viste o que estava tão perto de ti, e dás voltas à cabeça e não entendes como foi possível? Toda a gente já teve alguma vez na vida esta experiência. Imagina que o que não viste foi uma senhora na casa dos cinquenta e o que fizeste foi passar-lhe com a viatura por cima, mesmo em cima duma passadeira. Devagar, que a curva era apertada e estavas a tentar entrar com jeitinho. Imagina que só te apercebes quando já passaste com a roda da frente por cima da senhora. Imagina que algumas horas depois recebes a notícia que se a senhora sobreviver, se sobreviver, não andará mais pelo próprio pé porque ficou com a bacia desfeita, de tal forma que ainda não encontraram forma de a poder operar. Agora imagina viveres com esta irremediável culpa para o resto da tua vida. Imagina tudo isto. E se esta senhora for a tua mãe? E se esta senhora for a tua mulher? E se esta senhora for a tua irmã? Sentes-te capaz de matar o cabrão, em cuja pele te meteste há apenas alguns segundos, quando leste ali em cima. E agora, o que sentes? Consegues explicar o que sentes?

Não se enxergam

Há gente que não sabe e há gente que não sabe e acha que sabe, e mesmo com provas irrefutáveis de que não sabe à frente do nariz, continua a recusar-se a admitir que não sabe, para poder começar a aprender. Teimosos!