5.10.09

Nula

Quando decidimos alguma coisa baseando o nosso raciocínio em acontecimentos que ainda não tiveram lugar mas apenas naquilo que pensamos que vai acontecer, conta verdadeiramente como uma decisão? Deveria contar se todas as possibilidades foram calculadas, se elaborarmos uma teoria à volta de várias hipóteses. Por outro lado, se apenas contamos com uma hipótese, já nem sequer se pode dizer teoria, pois se a única nos parece a mais provável, é quase uma certeza. E quando temos a certeza, ou quase, o resto passa a ser acessório. Voltando à questão, se todas as possibilidades forem estudadas, as teorias devidamente formuladas, dependendo do que depois vier a acontecer a decisão tomada previamente será posta em prática. O facto de nenhuma das hipóteses se vir a concretizar deverá ser sempre considerada uma teoria em si, e neste caso é fundamental que exista também uma decisão previamente tomada, que tanto como em todas as outras deverá ser aplicada com a mesma convicção.
Eu tenho cenas destas, de elaborar hipóteses e de tomar decisões com antecedência. Naturalmente, das várias hipóteses que formulo há sempre uma que tem mais probabilidades de se vir a verificar. Normalmente não me engano muito, são mais as vezes que acerto do que as que não acerto. E também muitas das vezes, a hipótese que posteriormente se verifica não é a que me convém mais. Apesar de saber desde o início que não é a hipótese que mais me agrada, sei sempre que é mais forte, e nem sequer dou mais crédito à teoria ideal, só porque era isso que eu gostava que acontecesse. O que é certo é que a desilusão, é nula. Naquele momento sim, é nula. E também tenho cenas em que tenho quase a certeza do que vai acontecer, em que todas as teorias à volta parecem inúteis, e que além disso nem é sequer a minha hipótese preferida. Mesmo assim, tenho momentos em que tudo isto é tão quase real, estou tão convencida que vai acontecer (ou não acontecer) que a desilusão é nula. Fica apenas uma pontinha, ainda que amarga, de satisfação por ter tido a lucidez de prever o que iria acontecer.

4.10.09

E esta hein?

E não é que um dos tais amigos do americano giro me telefona a convidar-me para ir ao teatro com ele hoje à noite? Azar amiguinho, hoje fico por cá, obrigada mas fica para a próxima.

So full of shit

Ontem à noite repetiu-se uma situação que me mostra como no geral os portugueses são uns cagões no que diz respeito a abordar uma (ou mais do que uma) mulher à moda antiga. Sim, porque as modernices do mundo virtual não contam, falo da abordagem cara a cara, de meter conversa, de olhar de frente. Os homens portugueses são uns verdadeiros cagões. E a culpa é quase toda das mulheres portuguesas. Eles já fartinhos de levar com umas trombas até ao chão, com uns "estás parvo ou quê? desanda!" e similares, e também com narizes retorcidos e esgares de desprezo, simplesmente deixaram de se dirigir às mulheres que até lhes possam parecer justificar uma investida. As mulheres, francamente não as entendo. Tendo este tipo de atitude só perdem, eles já desistiram de fazer o avanço inicial, o que obriga a que elas o façam, mas quase todas se acham tão boas que não mexem o cú para nada. Olham e disfarçam sorrisinhos de caganeira, e esperam que eles venham. O mais certo é levarem com o nariz de fedor (a condizer com o sorriso de caganeira) e irem por onde vieram com o rabo entre as pernas e a orelhita caída. Pobres dos homens. Mas o pior de tudo, é que as mulheres se transformaram em ditadoras. Não dão cavaco a gajo nenhum porque partem do príncipio que eles só as querem levar para a cama. Elas depois vão, claro que vão, para a cama, nem que para isso tenham de fingir que estão bêbadas (a desculpa universal: a bebedeira) mas deve ser para se sentirem superiores. O que me leva a tirar uma conclusão que me entristece bastante. Se por um lado as mulheres (que abundam na fauna nocturna por onde tenho passado) se cortam imediatamente quando um gajo as aborda porque partem imediatamente do princípio que ele quer sexo significa que elas também estão a pensar nisso (porque ele provavelmente quer sexo, eles querem quase sempre) o que releva a meu ver alguma hipocrisia. Por outro estão automaticamente a colocar-se na plataforma da gaja desejável e a reduzir as possibilidades de todo um mundo paralelo que inclui diversão, discussão, conhecimento e convívio saudável, que acredito lhes seja desconhecido. Perdem assim oportunidade de travar conhecimento com gente que até poderá trazer-lhes algo de novo, na pior das hipóteses uma ou duas gargalhadas. Um sorriso e um "obrigada mas não, estou à espera do meu namorado" desarma qualquer gajo, não custa nada e manda-o embora imediatamente, não lhe destruindo contudo a auto-confiança e a desenvoltura para abordar a próxima. Ninas, não sejam parvas. Deixem os ninos continuar a tentar, faz-lhes bem. Sejam espertas e simpáticas em vez de cabras. Faz-vos ainda melhor. A prova está no americano que meteu conversa comigo e com a minha amiga ontem à noite, que jantou no mesmo restaurante que nós, acompanhado duma mulher, e que cá fora durante a pausa para o cigarro se dirigiu a nós e perguntou: did you enjoy your meal? Assim, simples. E a conversa fluiu daí, e depois apareceu a amiga que se apresentou imediatamente e se revelou extremamente simpática, americana também. E ficamos a saber que este americano de Nova Iorque trabalha cá em Portugal desde Janeiro e que adora este país. E a amiga veio visitá-lo e era para ficar 10 dias e já vai em 3 semanas e ainda lhe falta outra para ir embora. E estas coisas são boas de se ouvir, ou não? Discutiu-se um pouco de tudo, política, sociedade, mentalidades, etc... O americano preocupado com o rumo de Portugal, com a economia europeia. Deve estar a pensar seriamente em cá ficar. A seguir apareceram 3 amigos portugueses do americano, tudo malta porreira, e assim se passou uma noite excelente, com pessoas que nunca tinhamos visto, conversa inteligente e divertida. E acabou-se a noite a trocar numeros de telemovel e com um convite: se quiserem visitar cá a terra, que tem muito que ver, fazer e contar, será um prazer voltar a conviver com este grupo de pessoas. E não me lixem, pode-se até pensar que "oh, eles querem é rambóia". Até podem querer, mas se entretanto houver diversão, discussão, troca de conhecimento, pelo meio de desvios às investidas (se as houver)não se perde tudo. E se ficar amizade só, pelo contrário, já se ganhou qualquer coisa. Sem excluir a possibilidade de alguma "rambóia", quem sabe? O americano é bem giro...

3.10.09

I'm a fire starter

Está toda arrumada no lugar que lhe foi destinado. Está pronta para cumprir o seu destino. Liberta o aroma que me traz à memória o eterno conforto da minha lareira. Esta lenha que acabam de me trazer irá aquecer o Outono que espreita tímido, e o Inverno que desconfio irá entrar pela porta da frente. Não há nada como o lume. Não há aquecimento que se compare a uma boa lareira acesa de manhã à noite. Acordar de manhã e ver a teimosia das brasas da noite pedindo ajuda para continuar, sem descanso, a arder.

2.10.09

There are boys, and there are men.

Por tudo o que tenho observado à minha volta nos últimos tempos confirmo a minha teoria de que uma mulher que tenha saído de uma relação recentemente é considerada uma presa fácil. Desde o fulano (mal) casado ao puto engraçado com a mania que é esperto, o objectivo é sempre o mesmo, debicar qualquer coisita. Nem é sequer necessário que essa mulher seja muito bonita ou atraente, não passa por aí. A ideia geral é que uma mulher nessas condições está vulnerável, frágil, carente e mais adjectivos paneleiros que se queira atribuir, ou que está de rastos, ou por último furiosa. Passo a explicar o que uma forma geral verifico que passa pela cabeça dos homens, que de propósito ou por acaso se deparam com mulheres recentemente separadas ou divorciadas ou saídas que uma relação séria:
1) estas mulheres estão tristinhas, magoadas e desesperadamente à procura de umas festinhas, que bem aplicadas facilmente acabam onde se pretende, em sexo.
2) estas mulheres estão com a auto-estima enterrada 3 metros abaixo do nível do mar, e com uns piropos bem esgalhados facimente acabam onde se pretende, em sexo.
3) estas mulheres estão profundamente ressabiadas, ofendidas e com sede de vingança, comem tudo o que se lhes atravessa à frente e, orientando as coordenadas para o sítio certo acabam onde se pretende, em sexo.
Mas, e se uma mulher sai de uma relação e nem está triste nem carente, tem a auto-estima nivelada pela realidade, não é ressabiada e se está a literalmente a cagar para qualquer vingança?
Essa de certezinha que está doente, psiquiatra com ela, já!

Lei de Murphy

Que mania é esta de se escrever Amor com maiúscula? Não percebo. Não se escreve inveja nem raiva nem medo, por exemplo, com maiúscula, pois não? Que bajulação é esta então? O amor, assim, como todas as outras emoções. Tudo igual, que assim é que é democrático. Hoje toda a gente fala de amor, anda tudo obcecado com o amor. Toda a gente quer encontrar o amor. Toda a gente tem medo do amor. Que psicose. Se não estivessem tão preocupados todos em encontrar o amor, talvez até o vissem passar ao lado. Ele passa e aparece de onde menos se espera. É só uma questão de o ver a aparecer. Depois decide-se se o que se faz com ele, cada um faz o que é o melhor para si. O problema é que muito boa gente o confunde com outras coisas, e bate-lhe no ombro e sorri. Depois ele vira-se e, (oh! o embaraço) lá vem o "ai desculpe, assim de costas confundi-o com outra pessoa" (quer dizer, com outra coisa). A diferença é que em vez de uns milésimos de segundo de embaraço, às vezes demora-se anos a perceber o engano. Ooops, enganei-me, não era bem isto, desculpe sim? E recomeça a dança. Ai que chatice isto do amor, é tão complicado... Não é nada complicado, é até bastante simples. Basta acreditar numa "lei" muito básica: A melhor forma de encontrar uma coisa é começar a procurar outra coisa qualquer.

1.10.09

É pena

O sonífero perfeito: trabalhar no Photoshop. Já há tanto tempo que não recorria a este amiguinho que me esqueci completamente que me dá sono. Ao fim de uma hora a mudar cores, a inserir desenhos e a rectificar formas bocejo de 5 em 5 minutos (no máximo) e tenho sérias dificuldades em manter os olhos abertos. É pena é ser a meio da tarde... merda! Vou poupar umas coisitas para logo à noite e em vez do comprimido tomo um 1 horita de Photoshop.

30.9.09

Sangue

Hoje fui tirar sangue. Corrijo, tiraram-me sangue. Para analisar uma série de coisas. A tal investigação sobre a minha insónia. Era bom se se pudesse analisar outras coisas além do colesterol, da diabetes, etc... Era bom se se pudesse pôr por escrito em linguagem técnica, com os valores encontrados e tal como no resto, com os devidos limites inferiores e superiores, as outras cenas que nos estão no sangue. Aquelas que só mostramos em situações limite e aquelas que no quotidiano nos saem sem esforço ou delas ter consciência. E era giro se estivessem escarrapachadas no B.I. Ai que agora já não é B.I. É outro cartão, que como ainda não tenho não lhe conheço a denominação exacta. E assim, quando alguém nos pedisse a identificação ficava a saber, além do grupo sanguíneo (nem sei se já lá está, no novo cartão) de que é que somos feitos. E podíamos puxar do cartão para mostrar a nossa "raça". Depois era ver a malta a discutir e a sacar dos cartões para provar as merdas. Ou então ver os gajos (e/ou as gajas) a mandar os cartões para cima da mesa, tipo jogo de poker e a ver quem tem os melhores valores para "ir a jogo". E assim não havia surpresas quanto ao carácter de ninguém. E depois mandávamos todos os maus carácter para um sítio muito longe, de onde não pudessem voltar. E depois juntavam-se as pessoas de acordo com os valores similares, era muito mais fácil fazer amigos. E depois as pessoas tinham relacionamentos de acordo com o "match" do cartão. Em vez de ir ver o horóscopo vai-se comparar o cartão. E depois fazia-se análises todos os anos para manter a informação correcta. Comparticipadas pelo estado, claro, que depois também não cobrava pela actualização do cartão. E depois em vez de 3 ou 4 horas de espera para ir fazer ou renovar o cartão tinhamos 3 ou 4 semanas, ou meses... Era bem, não era?

Questão importantííííííííííííííssima....

Estou mais gorda. Acumularam-se 2 quilos na barriga, ancas, coxas, rabo e mamas. Mais ou menos uniformemente. Há uns tempos atrás este peso a mais seria um problema, contudo agora hesito. Se a barriga, as ancas, as coxas e o rabo não precisavam de nem mais um grama, muito pelo contrário, as mamas estão muito melhores. Redondas, enchem o soutien, um miminho. Se faço dieta as medidas voltam ao normal, e o raio das mamas voltam a desaparecer. Não sei... é uma questão importantíssima na vida duma gaja. Como tal requer grande reflexão...

29.9.09

As you are

What do you prefer?

Ao telefone com o S. sobre uma amostra que lhe mandei.

S: What is this sample you sent me?
Eu: You remember that when we went to the factory they were producing the same quality but with a thinner yarn. This sample is the first trial after adjusting the machine to a thicker yarn.
S: What do you prefer?
Eu: I prefer as the original sample, ours is too soft.
S: What do you prefer? Thick or thin?

Experiência

Resolvi experimentar. Decidi ajudar. Deitei-me por volta das 00:30h, tinha tomado o comprimido às 23:00h. Não liguei a televisão nem peguei no meu livro. Apaguei a luz e fiquei quietinha. Pensei: vamos lá ver o que vai acontecer. Sentia algum frio, não muito, só um pouco de desconforto. Deixei-me estar. Não me mexi, nem um milímetro. Rapidamente o meu corpo aqueceu. Primeiro as mãos, depois os braços, e só a seguir as pernas e os pés. No silêncio, de olhos fechados, o meu corpo relaxado, quentinho e a minha cabeça ainda a mil. Nem ponta de sono, desperta, completamente alerta. Atenta a todas as sensações. Não me lembro de tal situação, é que ou estou já meia grogue de sono quando me deito na cama depois de já ter dormido 1 ou 2 horas no sofá, ou estou enervada e ligo a televisão para anastesiar, mas tanto a cabeça como o corpo estão despertos. Assim foi diferente, obriguei o corpo a ficar quieto, coisa que nunca tinha feito. A cabeça, gostaria muito de a poder desligar mas nesse aspecto ela é uma perfeita insubordinada.

28.9.09

Barbaridades

Fui ao médico hoje. À médica, para ser exacta. A senhora não é lá muito simpática, o que não me faz diferença absolutamente nenhuma. Prefiro médicos competentes a médicos simpáticos. Ouviu-me com atenção, fez algumas perguntas e inseriu as respostas no computador. Disse-me finalmente que estou a fazer tudo mal. Enumerou uma série de coisas que não se devem fazer à noite porque perturbam o sono. Ora, eu faço-as todas, e mais algumas que já não me apeteceu contar-lhe, porque de certeza que perturbam o sono e como todas as que ela enumerou eu confirmei que eram meu hábito, achei que já era demais. Perguntou-me depois se aconteceu alguma coisa comigo ou na minha vida que pudesse ser a causa da insónia. Respondi-lhe que sim, mas que já não. Sim, aconteceu, mas já não será a causa da insónia. Só porque já é passado e porque tive entretanto 3 semanas de férias que normalmente resolveriam o problema do cansaço, por exemplo. Ou seja, não faz sentido que eu tenha tanta dificuldade em adormecer. Pois muito bem. Tenho uma boa meia dúzia de papéis onde se podem ler pedidos de análises ao sangue, imagino a tudo o que for possível analisar no sangue, além de um electrocardiograma, mais um raio X ao tórax e uma mamografia. Vou andar ocupada nas próximas semanas, está visto. Queremos certificar-nos que as causas da insónia não são físicas, disse-me ela. Ok, pensei eu. Tem lógica. Fiquei a saber que a tiróide pode provocar insónia e uma anemia também. Aprendi qualquer coisa, vá lá. Receitou-me uns comprimidos de uma coisa natural chamada raiz de valeriana, para ajudar a regular o sono só até termos os resultados daquilo tudo. Estranhamente não me disse para tentar reduzir aos mais de 20 cigarros que fumo por dia, nem aos mais de 6 cafés que bebo por dia, nem deixar de ler e ver televisão ao deitar, as coisas que erradamente faço e que ela começou por enumerar. Achei muito estranho, todos os médicos que me passam pela frente invariavelmente me desancam quando admito as barbaridades do tabaco e do café. Ela não. Nem um pio, nem uma expressão de reprovação. Esta médica é das minhas, vai esperar pelos resultados dos exames e das análises e aí sim, vou levar uma ensaboadela daquelas valentes, e o pior é que ela me vai esfregar com as provas no focinho. Vai ser bonito.

Escape

27.9.09

Mais uma

conclusão a que chego sobre mim, que se verifica estar correcta. Nunca fazer seja o que for tendo dúvidas. Só quando tenho a certeza é que sei que não me vou arrepender. E como conheço bem as minhas fraquezas, há momentos em que nem sequer me chego perto da mais remota possibilidade delas virem ao de cima. Se não me sentir em forma, não vou a jogo. Não vou onde me sinta em desvantagem logo à partida. Ou as condições são semelhantes ou nem vale a pena jogar.

26.9.09

Amateurs...

«Ain't we all?...»

You don't get to say you're sorry

"You don't get to say you're sorry, cause you'd only feel better. And you don't get to feel better"

Pede-se desculpa para que fique tudo bem, para que nos perdoem ou pede-se desculpa apenas para aliviar o peso da culpa que se tem dentro do peito? Eu apostaria que 90% das vezes em que se ouve a palavra, o objectivo é o segundo. Quantas vezes o fazemos porque nos sentimos mal, e o que a outra pessoa sente nem nos ocorre? Quantas vezes o fazemos mesmo porque não queremos que a outra pessoa não fique zangada ou magoada, porque nos preocupamos com o sofrimento que causamos? E quantas vezes dizemos que foi sem querer? Adianta alguma coisa vincar bem que foi sem querer? Apaga o acto? Dói menos se for sem querer? Vou continuar... Somos crianças? Somos tolinhos que não pensam no que fazem? A esses, damos-lhes o devido desconto. Mas gente adulta e inteligente não se pode dar ao luxo de dizer que foi sem querer. Gente adulta tem de pensar naquilo que faz. Tem de estar atenta àqueles de quem gosta. Tem de pensar nas consequências. Seria bom se fosse possível dizer: Ok, esta não valeu, vamos lá começar tudo de novo outra vez. Isso é que era bom. Mas não é assim que funciona. Actos ou palavras impensadas acarretam consequências. Há quem consiga lidar com elas, e por muito que custe, aceitá-las e seguir em frente. Outros há que se portam como tolinhos. You fools...

24.9.09

Preço

Ainda não chegou à garganta. Vai demorar algum tempo ainda. Estou preparada.
Ela vem aí, eu sei, e vem com força, também sei. Só não sei porquê. Porquê agora? Porque não veio mais cedo? Porque não espera mais um pouco? Eu sei que não adianta empurrá-la mais. Agora tem de sair. Eu percebi os sinais, estão todos a aparecer. O tom de voz mais alto sem necessidade, o mau-estar sem motivo aparente, as reflexões impulsivas, a falta de sono. É evidente, tudo tão evidente. Quem me mandou ser tão racional, tão controlada? Ninguém. Achei que era melhor assim. Foi, na altura foi. Agora pago a factura. Tudo na vida tem um preço.

Tiros

São tiros na minha direcção. Ninguém topa, só eu. E se calhar é só impressão minha, mas há momentos em que apanho alguém a olhar para mim e parece que o olhar que me atravessa. Disfarço, finjo que não vejo, que não percebo. Não gosto, incomoda-me, mas isso também só eu é que sei, de outra maneira seria dar importância a uma coisa que não tem importância nenhuma. Então porque escrevo sobre isto? Porque é simplesmente absurdo que tiros estejam a ser disparados, não é suposto, nem agora, nem aqui, nem na minha direcção. Só isso.

21.9.09

Bola de cristal

Era de prever que o dia hoje não corresse lá muito bem. E não correu.
Qualquer dia compro uma bola de cristal, pouco mais me falta para ser bruxa.
Também não tenho a verruga no nariz, mas o sinal faz quase o mesmo efeito.

Entre outras coisas

As outras coisas.
São coisas sobre as quais não escreverei, mas sobre as quais te poderei falar, apenas quando a geografia permitir que tu sintas a minha respiração no teu pescoço e que o teu suor se misture com o meu.
2:38h
Faltou pôr isto cá fora.
A ver se é desta.

Está mal!

Está mal! Esta merda está mal. São exactamente 1:39h e eu aqui a escrever, porque tentar dormir com a puta da cabeça a mil, não dá! Entre outras coisas, pensar que tenho de me levantar às 7:00h e tratar da rotina matinal diária, deixar os putos na escola a tempo e horas que este ano a coisa pia mais fino, não dá para facilitar, depois ir buscar os clientes ao hotel, levá-los para o escritório, gramar com eles todo o dia, isto sem pensar que vai ser a semana quase toda, ainda por cima gente que não percebe nada da poda, enerva-me! Enerva-me porque por causa destas merdas todas já devia estar a dormir. Pois devia. E quanto mais penso que já devia estar a dormir mais me enervo. E quanto mais me enervo, menos são as possibilidades de adormecer nos próximos minutos. E quando todas as tentativas possíveis para tentar adormecer já foram tentadas e falhadas, o que faço? Levanto-me, venho para a sala, acendo um cigarro e já que aqui estou, enquanto fumo, ponho esta merda toda cá fora transformando-a em letras, palavras e frases. Que ainda deve ser o mais eficaz, fumar e escrever para acalmar. Já apaguei o cigarro, 1:47h, ainda não tenho sono! Assim como assim, a melhor ideinha que tive nos últimos tempos foi ter marcado uma consulta para a minha médica de família, que é daqui a uma semana. Espero que a mulher me ponha mesmo a dormir. 1:49h. Ok, vamos lá tentar outra vez.

19.9.09

Nota mental III

Reality. It's so much more interesting than living happily ever after.

Daqui não levas nada

Jovem, és gaja? Queres divertir-te à grande? Queres dançar ao som de música decente? Não pretendes engatar nenhum gajo nessa noite? Então vai a um bar gay. É limpinho. Não falha.
Ontem fui a um muito bom. Conheço outros mas este foi o "top of the top" Ouves música gay, mas não contes com a Gloria Gaynor, tens New Order e R.E.M. Depois, 90% dos gay são homens e vi meia dúzia de casais heterossexuais de meia-idade a curtir a música e a dançar sem preconceitos. O espaço é despido de paneleirices, aconchegante e a fugir para o exótico, só um bocadinho, sem exageros. Pode-se fumar mas é bem arejado, e a temperatura da sala é a ideal. Em suma, uma noite muito bem passada, na companhia de amigos gay (isto é óbvio, senão como é que eu iria lá parar?) É certo que é um nadinha confuso, muito homem descaradamente gay, e também muitos que estivesse eu noutro sítio qualquer e juraria que "não, este não, este é macho". Mas nada de ilusões, dizia um dos amigos, "daqui não levas nada" entre gargalhadas. Não interessa, pelo menos enchi o olho, era cada um mais giro que o outro, porra! Ah, e também ouvi um elogio que me fez corar (coisa rara hoje em dia, eu corar) mas vindo de um gajo assumidamente gay, não conta.

18.9.09

Too narrow

(Eu estou ao volante, o S. ao meu lado. O S. é israelita, e tanto falamos em francês como em inglês, às vezes tudo misturado com algum português, ele já vem a Portugal há mais de 10 anos)

S: Go ahead, why don't you go?
Eu: There's no point, don't you see I'll turn right over there? It's too narrow, there's no angle!
S: Come on, you can go!
Eu: Tás burro ou quê? No way, I can't get through! Não consigo meter, não vês?
S: Vaseline, do you know?

17.9.09

Buttons

16.9.09

António Feio

Digam-me o que disserem, este homem é um charme. Nesta fotografia em particular está com ar de "esgazeado" o que lhe fica a matar. Vi-o a primeira vez ao vivo cá na terra, depois de ter visto a peça (não me lembro do nome exacto) em homenagem aos Monty Phyton. Lá estava ele a beber um copo depois da peça. Emanava calma e descontração. Por coincidência à saída cruzei-me com ele, dei-lhe os parabéns, ele agradeceu humildemente. Além de achar que é dos melhores profissionais da sua área, tenho-o como um homem sábio, calejado, vivido. E deve ser. Há pouco mais de um ano encontrei-o numa discoteca no Algarve. Abordei-o e estivemos à conversa uns minutos. Simpatia, gentileza e nem uma pontinha das merdices típicas dos "famosos". Confirmei as minhas suspeitas. O homem é a personificação do charme. Uma maravilha. Na discoteca perguntei-lhe o nome do duende de um dos sketches da peça, não me conseguia lembrar. Ele próprio também já mal se lembrava, mas fez o esforço e rimo-nos os dois às gargalhadas: Salsifré, o duende. Nome ridículo e genial, concordamos. Nunca mais me esqueci.

Terapia

Vou fazer marmelada. Vou comprar os marmelos. Pode ser que me acalme. Deverá funcionar. Todos os anos faço quilos de marmelada, adoro. Não que aprecie muito o doce em si, mas gosto das horas que passo na cozinha, a preparar tudo, a vigiar a panela, a sentir-lhe o cheiro à medida que vai cozendo e a companhia que me fazem os putos, a borboletar à minha volta a querer ajudar. É um evento. É uma delícia. Não demora muito faço marmelada, e que não demore muito a fazer efeito.

15.9.09

13.9.09

Diva

A voz destacou-se das outras. Era suave mas límpida. Não era estridente, contudo destacava-se das outras. Olhei a tentar descortinar a dona daquela voz. A figura também se destacava das outras. Alta e esguia, elegante. O cabelo grisalho apanhado na nuca, ligeiramente ondulado. A pele, morena e as rugas, profundas. A cabeça inclinada para trás, o pescoço esticado para melhor sair a voz. Desdentada, 2 ou 3 dentes naquela boca, que indiferente à falta deles cantava. Imaginei-lhe as mãos, imaginei-as grossas e endurecidas pela enxada e pela terra. Depois vi-as e eram finas, delicadas. A saia direita azul marinho, austera, a contrastar com o azul turquesa e branco das riscas da blusa, a cor garrida talvez uma nota de alguma irreverência. E cantava, cantava com a expressão que só um punhado de pessoas tem, a expressão de quem canta com amor. Cantava como se não houvesse amanhã. E voltei a perder-me na minha imaginação. Aquela mulher tinha o porte de uma actriz de cinema. Tinha o porte de quem poderia ter sido tratada como uma diva, como uma princesa. Teria um sorriso perfeito, teria a pele bem tratada e maquilhada, teria as melhores roupas e as melhores jóias. O porte e a elegância, esses não seriam adquiridos, ela já os tinha. Mas pergunto-me, teria sido mais feliz?

You (only) get what you give

E se de repente?

Pensas que até seria porreiro reunires os amigos este ano. Afinal o contexto mudou, mas tens a noção que mantiveste o núcleo duro dos amigos. Ok, resolves então juntar a malta toda e este ano até comemoras o teu aniversário. Tudo muito bem. Telefonas aos que não vês todos os dias e marcas o restaurante. Entretanto sugerem-te que não leves o teu carro, que te dão boleia e aceitas porque provavelmente até te vai apetecer beber uns copos e calha bem. Vão buscar-te a casa, e vais. Depois descobres que não há restaurante nenhum, que trataram da comida e da bebida, que decoraram a sala, só para ti. Estão lá todos (menos 2 que à ultima da hora tiveram um imprevisto) à tua espera. E trataram de tudo em segredo, para ti. Ao ponto de um deles se infiltrar em tua casa para levar para lá a tua música. E em vez de um restaurante onde se conversa apenas com as 3 ou 4 pessoas que estão sentadas ao pé, estivemos todos juntos, mesmo juntos, num sítio só nosso. E em vez de depois nos separarmos em vários carros na direcção de um qualquer bar onde mais uma vez se convive com meia dúzia de pessoas do grupo de cada vez, depois daquele incompreensível compasso de espera típicamente português que tira a pica a qualquer pessoa com mais de 30 anos, começamos a dançar logo que nos apeteceu ao som de música que todos gostamos, mas que eu gosto principalmente. O melhor de tudo foi que todos nos divertimos que nem uns pretos, comemos e bebemos, dançamos e fumamos, abraçamo-nos e beijamo-nos, rimos uns com os outros e uns dos outros. Todos espontâneos, todos verdadeiros. E aqui a menina pensa nisto tudo e olha para si e para a sua vida e percebe que se tiver a lata de se queixar da sua vida alguém lhe deveria dar imediatamente dois pares de estalos. Porque se olhar à volta só tem de estar é contente. Aqui a menina tem saúde, tem amigos verdadeiros, tem uma profissão que a realiza, não tem de contar os trocos para pagar as contas, tem uma família que a apoia, tem 2 filhos saudáveis e equilibrados, tem uma casa confortável. Ou seja, não pode queixar-se da vida, porque se o fizer, além de estar a ser parva, estará a insultar milhões de pessoas.

12.9.09

Puzzle (parte 3) Identidade

Agora a parte que não tem nada de óbvio, pelo menos para mim. Há um expressão em inglês que vou utilizar aqui, porque é perfeita. "To draw the line" mas onde? Qual é o ponto onde ser tolerante choca com a nossa identidade? Deveremos ser tão completamente tolerantes que deveremos gostar de toda a gente, ou não detestar toda a gente? Terei de aceitar "TODAS" as diferenças? Mesmo as que me revoltam e me dão a volta às tripas? Não serei desta forma uma imbecil que não gosta nem desgosta de nada nem ninguém? Até que ponto posso gostar e detestar com convicção sem deixar de ser tolerante? Sempre admirei gente com convicções, com paixões, com garra. Nunca os vi como intolerantes, não tem nada a ver. E aqueles que não sabem se gostam ou se não gostam, que não se entusiasmam com nada, nunca tiveram para mim qualquer interesse, não têm identidade porque não se identificam com nada. Onde é que está o limite? Where do I draw the line? Onde acaba a identidade e começa a tolerância? E como identifico a intolerância? O que me fez "acordar" foi a fúria. Poderá o indicador ser a fúria? A fúria leva à violência. Quando me sentir invadida pela fúria, quando tiver vontade de agredir devo considerar que é aqui que começa a minha intolerância? É neste ponto que recionalizo e controlo a fúria? Isso é fácil, mas e depois, já sou tolerante? Só porque não agrido sou tolerante? Nada disso. Eu acho que agredir é muito mau, contudo ter vontade de agredir é também muito mau. E eu tenho essa vontade, controlo-a facilmente, isso consegue-se com treino, é possível trabalhar o controlo da fúria. Contudo o que acho que nunca conseguirei mudar é a forma instintiva como a sinto crescer dentro de mim quando me deparo com determinadas situações. Dispara automaticamente e isso penso que nunca conseguirei controlar. Isto leva-me então a pensar que não se trata de manifestação de fúria, mas sim da existência dela dentro de mim ou não. Neste caso, será a tolerância uma coisa instintiva? Se eu aceito pacificamente sou tolerante, mas se eu tenho de controlar a raiva já não sou tolerante? Ou a tolerância é uma coisa que se trabalha, assim como o controlo da fúria? Ou vem-nos de dentro instintivamente? Se verbalizo a raiva não sou tolerante, se a controlo sou tolerante. Eu sou os meus instintos e também sou o meu conhecimento que me permite controlar os meus instintos. Tudo misturado. A identidade é a proporção. Essa proporção vai mudando ao longo do tempo, menos de instinto e mais de conhecimento ou menos de conhecimento e mais de instinto. Where do I draw the line?

Puzzle (parte 2) Tolerância

Verifico assim que não sou uma pessoa tolerante. E não reajo muito bem a isto. Terei andado enganada este tempo todo em que pensei que era tolerante? Enganada talvez não, mas inconsciente sim. Inconsciente. E também reajo mal a isto. Tomar consciência de uma característica nossa que não é motivo de orgulho é uma chamada à Terra que não é nada agradável. Esta é a parte óbvia.

Puzzle (parte 1) Fúria

Andei ontem todo o dia a pensar. A pensar que tinha de por isto cá fora para melhor reciocinar sobre o assunto. Ajuda-me escrever (falar também) porque analiso o meu raciocínio e entendo-o. Clarifica-me as ideias, situa-me. É que os pensamentos andam aqui às voltas a alta velocidade, e para conseguir organiza-los de forma minimamente lógica tenho de fazer uma espécie de pausa, po-los a circular mais lentamente e ir agarrando cada um deles e coloca-los como se fossem um puzzle, na devida ordem, numa superfície lisa e ampla. Esta superfície tanto pode ser uma conversa como pode ser um texto. Então andei eu ontem todo dia com a questão a dar-me a volta ao miolo. Todo o dia. E não tive oportunidade de fazer o meu puzzle. Estou a construi-lo apenas agora. Achava eu que era uma pessoa tolerante, mas não sou. Tive já várias vezes a experiência de sentir a raiva a crescer dentro de mim, sempre direccionada ao mesmo tipo de pessoas. Não, não creio que seja racismo. Irritam-me profundamente, ao ponto de sentir uma fúria capaz de se materializar num murro, tivesse eu essa possibilidade e deixasse eu essa fúria tomar conta de mim, pessoas que criticam ou ridicularizam outras pessoas, ou seja que não são tolerantes e as julgam por qualquer motivo, seja ele qual for, não interessa. Mas são diferentes e isso por si só constitui motivo suficiente. Observar este tipo de situação perturba-me de uma forma visceral. Outra coisa que me dá cabo do sistema é ver pessoas que só porque parece mal não fazem determinadas coisas, que até lhes apetece muito, até lhes iria dar um gozo tremendo, mas só porque parece mal não fazem. Coisas simples, muito simples. E quanto mais simples são estas coisas mais me irrita. Esta expressão "parece mal" agonia-me. E mais do que se pensa está enraizada no interior de muita gente. É uma coisa que me transcende, a condicionante do "parece mal". As pessoas vivem limitadas pelo "parece mal" e são incapazes de fazer seja o que for que pareça mal. Estes são, então, dois tipos de pessoas que me enfurecem. As pessoas para quem ser diferente é motivo suficiente para a crítica e as pessoas que se regem pelo "parece mal".

10.9.09

Javier Bardem























Não sendo nada giro, consegue ser dos gajos mais giros que por aí andam. É óbvio não é? Não é à toa que sacou a Penelope Cruz, que convenhamos, depois de um pardalito chamado Tom Cruise, quando caiu nas garras deste falcão, deve ter pensado que morreu e foi para o céu. Só pode!

Não vale a pena

Não vale mesmo. Com a música é a mesma coisa. Gosto de filmes como "O Amante" e "O cozinheiro, o ladrão a mulher dele e o amante dela", e depois também gosto mesmo muito de filmes assim como este. Não dá para perceber... eu já desisti. Há muito.

9.9.09

Um a um

Veste uma camisa.
Quero desapertar-te os botões, um a um, devagar.
Quero ver a tua pele a surgir.
Cada centímetro da tua pele.

Trazes?
Uma camisa vestida?
Para eu ta despir?

Essência

Acho fascinantes as várias maneiras de ser. As várias formas de estar na vida. Há quem seja autêntico ou transparente e há quem seja mais misterioso. A natureza humana, nas suas mais diferentes expressões é para mim, das coisas mais interessantes que há. Sempre gostei muito de observar as subtilezas, as “nuances”, sejam elas naturais ou construídas. Gosto de analisar, de tentar perceber pela expressão facial se as palavras estão em concordância com o pensamento. Melhor ainda, se as palavras estão em concordância com os actos. Há pessoas que disfarçam muito bem, há outras que não conseguem disfarçar. Assim como na escrita. Há também subtilezas e subterfúgios, alguns espontâneos e outros fruto de algum esforço. Há quem escreva exactamente a mensagem que pretende passar, e há quem tenha a intenção clara de baralhar, de confundir. Mas aqui há acima de tudo a preocupação de nunca poder vir a ser imputada qualquer responsabilidade por aquilo que se escreve. Não deixo de pensar que existe um esforço, uma construção cuidada do discurso com esse objectivo. E considero que, a percepção deste propósito é tão reveladora quanto a mensagem. Haverá alturas em que será até mais, será talvez a essência da mensagem.

Sono

O que pensar de alguém que quer durma 3 horas quer durma 9 horas precisa que o despertador toque 5 vezes até que se levante?

8.9.09

Transparência

A minha amiga, sendo tão diferente de mim tem a capacidade, por isso mesmo, de me analizar friamente. Disse-me este fim de semana que eu arquivo. "Tu arquivas muito" repetiu ela. Estavamos a discutir o efeito "boomerang", que tudo o que fazemos de mal acaba por cair-nos na cabeça. Acaba por nos ser devolvido, e de haver pessoas que têm a tendência para pensar que isso só acontece porque alguém lhes deseja mal. Do ponto de vista dela, essas pessoas sentem-se mal com algo que fizeram. A consciência pesa-lhes por qualquer motivo e quando têm contrariedades na vida, automaticamente vão buscar essa "pedra no sapato" e relacionam-na ao acontecimento infeliz. Eu disse-lhe que isso não me acontecia. Expliquei-lhe que nunca tinha atribuido as coisas más que me aconteceram a ninguém. Não me considero nenhuma santa, já fiz merda e já pedi desculpa por isso. Ainda faço merda, claro que faço, e peço desculpa. (Apesar de achar que pedirmos desculpa serve basicamente para nos sentirmos melhor, mas isso é outra história). Contudo não fazia essa tal ligação das coisas más a ninguém. "Isso é porque assumes as tuas responsabilidades" respondeu-me. Olhei-a sem atingir a coisa. "Tu assumes aquilo que fazes, bom ou mau. Assumes a respondabilidade dos teus actos. Assim como não responsabilizas ninguém pelas coisas más, atribuis os erros a ti própria, também não deixas por mãos alheias a tua felicidade e fazes o que tens a fazer. Depois, estando tudo resolvido arquivas. Não cismas. Está resolvido, arquivas" E eu tive a sensação de ser completamente transparente. Ela vê através de mim.

Legitimidade

O meu pai é o único gajo que me deita abaixo. Só ele o consegue fazer. Só ele, mais ninguém. Só a ele reconheço legitimidade para o fazer. Talvez porque ele é igual a mim. Temos uma diferença: enquanto eu admito isto, ele não. Sempre tivemos uma relação conflituosa, sempre a medir forças. Talvez por sermos tão parecidos. Nunca recebi dele um elogio, fosse pelo que fosse. As boas notas não eram mais do que a minha obrigação. O sucesso profissional não foi mais do que básica aplicação das faculdades adquiridas na escola. A construção de uma família equilibrada não foi mais do que uma mistura de sorte e boa educação. A ruína do meu casamento foi da minha responsabilidade e paradoxalmente, no seu ponto de vista a minha obrigação seria de engolir em seco e continuar. Só porque sou mulher. Ele, no meu lugar teria feito a mesma coisa, mas sendo homem é-lhe permitido. A mim não. Mas ao perceber que mesmo contra a sua vontade eu avancei com a minha decisão, interiorizou que afinal, não é mau ver-me tão parecida com ele. Ele que pensa em tudo, ele que medita tanto e que quando toma uma decisão não volta atrás. Quando percebeu que era isto que estava a acontecer, que era uma decisão pensada, repensada e sem qualquer possibilidade de ser revertida, eu sei que no fundo gostou, não o admitirá nunca, mas gostou de ver.

7.9.09

Sacana

Não tenho jeito nenhum para vítima. Não tenho nem nunca tive. Aprendi muito cedo que ninguém vai fazer nada por mim. Aprendi que se eu não me fizesse à vida, a vida simplesmente não iria ficar à minha espera. E eu não ia ficar a ver a vida passar. Comecei por bater de frente com o meu pai e deitei por terra todas as expectativas por ele criadas. Azar. Fiz o meu caminho e dei com a cabeça na parede. Aprendi. Faz parte. Mais tarde também aprendi que se adoptasse outra postura relativamente à minha vida teria muito mais sorte. As pessoas gostam de vítimas. É assim, gostam dos coitadinhos, estão sempre prontos para ajudar os coitadinhos. Já dos sacanas ninguém gosta. Aos sacanas todos lhes viram as costas. Contudo entendo que se as minhas opções foram feitas livremente, não faz sentido queixar-me se as coisas correm mal. Assim como tomei as minhas decisões sozinha, os meus problemas são para resolver sozinha. Não faz sentido queixar-me de situações das quais eu sou a única responsável. Só tenho de as resolver. Assim sendo tratei de as resolver mesmo arriscando-me a ser uma gradessíssima sacana. Antes sacana do que coitadinha.

Depende

Umas vezes sou directa, outras vezes dou a entender, às vezes não percebo e outras ainda que apenas finjo não perceber.

6.9.09

6 de Setembro

Hoje é um dia igual a todos os outros. Não sinto nada de diferente, não noto nenhuma mudança nem pressinto que mudança alguma esteja para acontecer assim de repente. Não me sinto mais velha do que ontem, nem do que no mês passado. Não tenho necessidade que este dia seja diferente. Não sinto o desejo de fazer nada diferente do habitual. Nem acho que seja preciso só porque faz hoje 34 anos que eu nasci. E depois? "What's the big deal?" Irrita-me um bocado que se dê tanta importância aos aniversários das pessoas. Irrita-me porque não valorizo toda a cena dos presentes de aniversário. De receber prendinhas a torto e a direito. Ok, são gentilizas, miminhos, o que lhes queiramos chamar. As minhas amigas e eu temos um sistema porreiro. Juntamo-nos todas e contribuimos com determinado valor quando uma de nós faz anos, e como dá um valor já considerável, compra-se à aniversariante um presente de jeito, seja uma jóia, um relógio ou uma utilidade qualquer que a própria não compraria sozinha. Assim acho bem a cena dos presentes. Não é pelo valor, é porque é apenas 1 presente e é algo que realmente se aprecia ou algo de útil. Há, além disso, aquela psicose dos telefonemas ou mensagens a dar os parabéns. Já recebi vários telefonemas hoje, é bom. Os amigos lembram-se, não vou dizer que não gosto. Já recebi várias mensagens, a primeira foi às 00:01h, e tive o cuidado de retribuir as mensagens agradecendo o carinho. Contudo tenho amigos e amigas também que me telefonam só para perguntar se está tudo bem, em qualquer dia da semana. Não preciso de fazer anos para que os meus amigos se lembrem de mim. Mas, que fique bem claro, e é também isto que me irrita, ao contrário de muito boa gente, não levo a mal nem fico chateada nem coisa que se pareça, com quem não se manifestar, quer seja porque se esqueceram, quer seja porque não se lembraram. Não fico. É igual, sei que gostam de mim todos os dias, e não se lembram de mim só no dia dos meus anos. E chega-me.

5.9.09

Pipocas

Gosto muito de provérbios e expressões pre-construídas. Mesmo que os provérbios sejam antigos e as expressões pirosas, gosto. De tal maneira que me saem, quer dizer, ocorrem-me naturalmente, como se fossem pipocas a saltar da panela. Não consigo evitar, vêem-me à cabeça, independentemente do contexto, ou da situação em que me encontro. Também me ocorrem quando estou a descrever alguma coisa ou alguém. Sai-me sempre uma que se enquadra, que tanto pode ser sóbria e contribuir para a compreensão e análise da cena, ou pode ser completamente abandalhada e destruir qualquer esforço para manter uma conversa séria. Ou seja, fazem parte do meu dia-a-dia. Quer quando falo, quer quando escrevo. E também quando penso. E tenho-as em várias línguas, claro, em todas as que falo (que não são muitas). Algumas consigo traduzir para português, outras nem por isso. Há também uma coisa a que chamo "top 10" onde constam as que saltam cá para cima mais vezes. Mas tal como por exemplo nos discos, o meu top 10 vai variando. O meu, de acordo em partes iguais com, o meu estado de espírito e com o que me rodeia. E assim, divulgo a vencedora deste verão:

"What you see is what you get"

P.S. Lamento mas não consigo traduzi-la sem que se torne ridícula.

4.9.09

Dicionário

Objectivo:
Sincronizar: tornar simultâneo

Detalhado:
Sintonizar: (sintonizar dois circuitos) fazer com que os períodos próprios de oscilação dos dois circuitos sejam os mesmos

As palavras revelam de alguma forma algo sobre quem as escolhe.

Blended

Não sei se a causa é o efeito ou se o efeito é a causa: se não durmo porque penso que sinto o cheiro, ou se penso que sinto o cheiro porque não durmo.

3.9.09

Quando a realidade supera a ficção

Ok, ok, o Dr. House é muito fixe, é cool, é politicamente incorrecto, etc... bla bla bla, um sucesso.

Depois de ter visto uma entrevista bastante intimista que fizeram ao actor, quer-me parecer que o homem, um senhor chamado Hugh Laurie, é muito, mas muito mais interessante que o personagem. Com a vantagem de ser tão giro como ele.

Absurdo

Para mim é absurdo que pessoas em posse de uma informação que, não fazendo a menor ideia se é correcta e não se dando ao trabalho de a confirmar, partam do princípio que o é, lançando assim a confusão. Em coisas banais que podem à primeira vista não ter importância nenhuma, tanto como em coisas importantes que podem vir ter consequências graves. Não têm sequer o bom senso de dizer que acham ou que não têm a certeza. Afirmam que é. Assim. Com a maior das descontracções. Absurdo.

2.9.09

O Tasco e os cheiros

Passei parte da minha infância no tasco dos meus tios. Era um tasco daqueles onde se espalhava serrim no chão quando chovia, o chão era de cimento, mas vermelho. Tinha um balcão minúsculo preto onde tanto eu como o meu irmão aprendemos a andar. Num canto havia 3 pipas de vinho enormes (pareciam enormes para quem tinha 3 ou 4 anos).
Que aventura era tentar trepar as pipas, só bem sucedida quando algum adulto se dispunha a emprestar as mãos para ajudar na escalada. Lembro-me perfeitamente da perspectiva que eu tinha das minhas botas de borracha a derraparem nos aros de metal das pipas, enquanto esticava os braços e apertava aquelas mãos então tão grandes e fortes. E da alegria que sentia quando chegava lá cima, tão fácil a sensação de vitória.
Íamos lá todas as noites, quer dizer, éramos levados lá todas as noites, pelos nossos pais evidentemente, que iam tomar o último café antes de se desligar a máquina. O Bick, um cão preto e castanho vinha invariavelmente receber-nos, já conhecia o barulho do nosso carro. Quase maior do que nós o Bick, manso e dócil apesar do tamanho.
Havia ao lado da porta de trás uma pia em mármore branco, que cheirava a lexívia e tinha sempre chávenas de café para lavar. Por essa porta tínhamos acesso ao tesouro maior daquele sítio: a cozinha!
O cheiro daquela cozinha! Os segredos daquela cozinha! Era escura, o fogão a lenha encarregou-se de a escurecer, anos de pregos na chapa e de bacalhau frito. Ao pé do fogão, no canto, cheirava a alho, a lenha e a fumo. Do outro lado, um armário gigantesco, as portas em rede, as prateleiras completamente inacessíveis. Mas nós sabíamos muito bem que o que aquelas prateleiras escondiam. Cheiravam a chocolates e a bolachas trazidos de Espanha, que mais ninguém tinha. Como nós olhávamos para aquele armário! Ao centro uma mesa de tábuas corridas, nunca naquela mesa vi uma toalha. Tudo era manipulado directamente na madeira, que era esfregada com lexívia amiúde, não estava escura nem tinha manchas. As tábuas da mesa eram claras e estavam sempre limpas, mas rompidas. Distinguia-se perfeitamente a zona mais usada, as tábuas eram mais finas.
Numa das pontas da mesa havia um cesto que tinha sempre cebolas e especiarias, e o cheiro das cebolas misturava-se com o da pimenta.
Ao domingo passávamos lá a tarde. Havia um laranjal nas traseiras. Com mesas e bancos de pedra. Ao fundo, começava uma quinta, era a fronteira, o limite que não podia ser ultrapassado, era o mistério. A minha tia fazia-nos o lanche, pão com fatias muito finas de carne assada. Um petisco! “Sandes de carne fria!!!” respondíamos à pergunta: “E o que vamos lanchar?” E depois, claro, as bolachas.
Eu tinha 3 anos, sei disso por causa do que vou descrever a seguir. Eu tinha 3 anos quando pelo Natal o meu tio me ofereceu uma boneca que estava empoleirada numa bicicleta. Era loira, e tinha um gorro e um cachecol cor de laranja. A bicicleta era de metal, tinha-a trazido de Espanha. Mas, alguns dias depois chamou-me e disse-me: “Vou levar a bicicleta da tua boneca comigo para minha casa, vou dar-lhe de comer e quando ela estiver grande devolvo-ta, pode ser?”. “E a boneca, também levas?” Perguntei-lhe, e ele: “Não, só a bicicleta”. Não me importei, e esqueci-me completamente da bicicleta.
Veio Setembro, e no dia dos meus anos, ele devolveu-me a bicicleta, já grande, conforme tinha prometido. “Devolveu-ma” crescida o suficiente para que uma menina de 4 anos pudesse aprender a andar de bicicleta.
Veio Setembro, 30 anos depois, e deste tio, deste tasco, desta cozinha, deste laranjal, o que tenho mais presente na memória (além da bicicleta que eu depois imaginei a comer naquela cozinha para crescer e poder voltar para a dona) são todos os cheiros, as misturas de cheiros.
Do serrim húmido dos dias de chuva misturado com o cheiro do vinho das pipas, da lexívia misturada com café, do chocolate com as bolachas, do alho com a lenha, das cebolas com a pimenta, das laranjeiras com o cheiro a terra, a pó que levantávamos com os pés, incapazes de não correr à volta das mesas e bancos de pedra nos dias de Sol.

1.9.09

Organização

Estive à conversa com o meu primo.
Falei de coisas das quais não falava há algum tempo.
Falei dos acontecimentos do passado já longínquo, do mais recente, e do de há alguns dias. Foi bom. Ao revivê-los senti que tenho a casa arrumada. Tenho as ideias arrumadas, está tudo no devido lugar. Não há pontas a espreitar das gavetas nem as gavetas estão meias fechadas. Está tudo bem dobrado, bem acondicionado e bem fechado.
Os factos, resumidos:
Apaixonei-me profundamente.
O meu amor foi sincero.
A entrega, total.
Desiludi-me lenta e dolorosamente.
O meu amor foi esbanjado, mal aproveitado.
Não tenho mais amor para dar, acabou-se-me.
E eu aceito estes factos pacificamente.
Sem remorsos, sem revolta, nem desânimo.

Tiny little things

Compras

"O que te faz pousar de volta na prateleira um artigo que gostaste muito e até já ias comprar?

Encontrar um outro do mesmo tipo, que cumpre o mesmíssimo objectivo, mas que possuí uma outra característica que te agrada mais.

Se o encontras depois de já teres comprado o primeiro, ficas lixada. Se mesmo assim compras o segundo, estás a esbanjar... e ficas lixada."

Por isso é que quando eu compro alguma coisa, ponho-me imediatamente a andar, eliminando assim qualquer hipótese de ficar lixada. Tendo um fiozinho de dúvida que seja, simplesmente não compro.

Não preciso de mapa

A vida é uma auto-estrada, quando percebemos que nos enganamos, nada nos obriga a continuar até ao fim. Mesmo que se tenha de fazer mais uns quilómetros, temos sempre a próxima saída.

Reboque

Há muita gente que anda a reboque. Vejo-os (as) à minha volta e dou voltas à cabeça. Andam a reboque do que os outros fazem ou (e muito pior) do que os outros pensam. E não estou a falar dos "carneirinhos" da sociedade actual, etc...
Falo de gente com quem convivo e que conheço.
Porque me é próxima. Porque não os via assim. Porque me choca. Porque me desiludo.
Falo de indivíduos, homens e mulheres - é igual, isto nada tem a ver com o género. Falo de casados e de solteiros. Falo de novos e de velhos.
Há-os de vários tipos:
- Os que sem conseguir formular uma opinião própria sobre coisa nenhuma, assumem as opiniões dos "outros" e as debitam como se fossem suas, mas que eu identifico porque também conheço os tais "outros";
- Os que só fazem as coisas que vêm fazer, ir de férias para os mesmos sítios, ir comer aos mesmos restaurantes, matricular os filhos nas mesmas escolas, não articulando uma só vantagem decente para as suas escolhas;
- Os que pretendem mostrar um determinado nível financeiro, que não possuem mas que é importante que se exiba no círculo de amigos, para não se "ficar atrás", quando na verdade, naquilo que é fundamental, como por exemplo no que diz repeito ao conforto e ao bem-estar do núclo familiar são do mais avaro que se possa imaginar;
- Os que mantêm relações só para parecer bem, porque a menina ou o menino são engraçados e ficam bem ou dentro do carro ou ao lado, nas fotos dos casamentos da família, ou pior ainda, porque não suportam estar sozinhos;
- Os que mantêm casamentos só porque assim a vidinha é muito mais fácil, muito mais confortável, e fecha-se os olhos ao resto, sejam traições, falta de respeito, ou puro desprezo.
Terei encontrado, talvez, algumas das razões pelas quais andam a reboque,contudo não as percebo, isso não consigo. Ultrapassa-me. Pela direita e de gás.

30.8.09

Nota mental II

“Men heap together the mistakes of their lives, and create a monster they call destiny.”

John Hobbes

28.8.09

27.8.09

Nota mental

"...não quero ter internet em casa, porque se tiver perco tempo a trabalhar..."

And it hit me...

... that even if most things have changed, there are some things that, in a quite comforting way, remain exactly the same.

26.8.09

The cook, the thief, his wife and her lover (1989)

Foi há 20 anos e continua a ser o meu filme preferido, de sempre, de todos, o mais intenso.

Realização: Peter Greenaway
Com: Helen Mirren
Música: Michal Nyman
Guarda-roupa: Jean-Paul Gaultier

25.8.09

The lover / L'amant (1992)



Waiting for a sign, a touch of your grace
To carry me home, under these waves… I’m slipping…
I’m crying like a child for the day to begin, to follow your breeze, haunted by your skin
I’m slipping
So please, do me right woman
Cause I’m hanging by a thread, far from divine
Wish I could flourish and speed up time… I’m slipping…
I’m sliding down…
So please, do me right woman
Please do me right woman
Do me right woman, enter my space
Fragile and pure… I will follow your pace
Just do me right woman… please…
I’ve taken all your wisdom, but my plate is not filled
My spirit is not calm, my soul yet to be thrilled
And my heart has not got enough… I’m still slipping…
So please, do me right woman
Please, do me right woman
Just do me right now

24.8.09

Momento L'Oreal

Enquanto preparo o jantar, ocorre-me que no outro dia comprei vinho. Acabo de abrir uma garrafa, só para mim.. só para mim. Porque eu mereço!

23.8.09

Glow

Ela não é linda nem deslumbrante, mas sente-se bem e gosta de si como é. Não tem complexos com o corpo, é o corpo dela, com todos defeitos e marcas que nunca apagaria porque lhe lembram todos os dias a sua história. É descontraída e não gosta de merdas complicadas. Sente-se solta, livre, sem planos. Ela gosta de rir, de dançar e de apanhar sol. Gosta de conversar, gosta de conviver. Também gosta de estar sozinha, de não fazer nada, de se atirar para cima do sofá e de não ligar nenhuma à televisão. Gosta de provocar, mesmo sabendo que a maioria das vezes não provoca nada, não lhe interessa muito. Ela não se preocupa com o efeito que causa nos outros. Ela deseja, ela vibra e treme por dentro, incondicionalmente. Ela persegue o que quer. Só porque sim. Só porque se tinha esquecido há muito tempo do que é vibrar. Lembrou-se agora, e sabe muito bem o que a faz agora vibrar. O que a estimula, excita e acende. E retira o melhor disso, retira o seu prazer pessoal de tudo o que sente. O seu. O dela. É egoista, ela sabe. E tudo isto se vê: "Minha filha, tu agora parece que brilhas!" disse-me a minha tia de 80 anos no outro dia.

22.8.09

Pára, não faças nada.

Deixa-me beijar-te. Deixa-me percorrer o relevo dos teus lábios, deixa a minha língua explorar a tua. Não faças nada, sossega. E beijei-te. A boca, a face, o pescoço, a curva do ombro, o peito… os pelos macios do teu peito. E desci por ti fora, e a tua cinta e o teu umbigo… as minhas mãos ficando para trás percorrendo o caminho que a boca havia feito. Deslizei uma mão por baixo da tua coxa, levantei-a e afastei a tua perna, tu instintivamente, fizeste o mesmo à outra e… lembras-te?

Wicked Games

what a wicked thing to do
to let me dream of you



...nobody loves no one...

Sons

... tão sussurrados e tímidos para pedir o prazer, como profundos e exuberantes para o demonstrar...

Toque

... a mão que depois, lentamente, subindo e descendo me acaricia as costas, é a mesma que antes me fez subir... subir... e subir...

21.8.09

Easy

I've been

putting out the fire with gasoline...

(David Bowie)

20.8.09

E depois dá nisto...

"Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!"

José Régio

Falta

Hoje acordei com uma sensação estranha... como se me faltasse qualquer coisa. Foi de fininho, mas espreguicei-me na cama e invadiu-me. Falta-me qualquer coisa... E assim passei o dia, com aquela coisa chata a vir-me à ideia várias vezes, mais do que as que eram precisas. Não gosto nada disto! Chateia-me, irrita-me! A merda toda é que continua e o mais certo é que dure mesmo até adormecer. Hoje fez-me falta um bocado de, e odeio mesmo esta palavra, mimo.

19.8.09

Sabor

...as gotas de suor que do rosto me desciam até à boca e que eu saboreei de olhos fechados não eram minhas...

Bad ass

Gostava de perceber como é que a cara de um dos gajos do meu tempo de liceu aparece agora num cartaz do CDS-PP! Fiquei estarrecida!! Este moço era, na sua adolescência um verdadeiro "bad ass", mas daqueles mesmo bons. Não ia em merdas, era insolente mas mantendo um low profile que lhe garantia sempre safar-se quando o resto do grupo era apanhado nas cowboiadas. Sempre o imaginei filho de pais endinheirados (no mínimo) mas sempre o vi como um rebelde por convicção, não daqueles imbecis que só querem chatear os papás. É verdade que há umas semanas atrás vi-o na rua e desconfiei do sapatinho de vela, da calça beije e do blazer azul marinho. Pensei de mim para mim: "olha-m'este gajo... que diferente que ele está... " Mas nunca, nunca me passou pela cabeça semelhante reviravolta. Achei que o trabalho lhe exigisse a indumentária certinha. Este era o tipo de gajo que nunca imaginaria sequer metido na política, quanto mais enrodilhado no CDS-PP... Mas tenho de aceitar que há gente que cresce e dá uma volta de 180º, ou que me enganei completamente quando pensava que a rebeldia da juventude era genuína, se calhar não era...

18.8.09

Odor

... na mesma medida em que vai lentamente desaparecendo eu vou percebendo que queria que ficasse...

17.8.09

Fora de tempo

Tudo isto que sinto deveria ter sido sentido antes, não depois. É muito estranho. Não era suposto sentir o nervoso miudinho, o frio na barriga, o tremor das mãos, antes? Então porque é que tudo isto me assola depois? De cada vez que me lembro sinto tudo isto, umas vezes em separado, outras vezes tudo junto e outras também em que não consigo (ainda) verbalizar exactamente a sensação que tenho. No início, nem parecia real. Depois de ter dormido e acordado a coisa “materializou-se”. E começaram as sensações, as tais que deveriam ter ocorrido antes. Não percebo, mas também tudo isto é novo. Talvez seja mesmo assim, talvez seja assim que deve ser. Não sei. Mas sei que antes ou depois, estas sensações são muito boas, gosto delas. Quanto tempo irão durar?

16.8.09

Visão

És, como te tinha dito, uma belíssima visão. Ficas lá muito bem, tal como eu imaginava. Os restantes sentidos não ficam a nada perder, de maneira nenhuma. Volta sempre que quiseres.

15.8.09

Sonho adolescente

Um dos motivos que me fazem gostar tanto desta praia é a possibilidade de assistir às manobras diárias dos aviões de caça da base aérea que fica aqui perto. Fazem-me regressar à minha adolescência, e à época em que eu queria ser piloto da Força Aérea. Além disso levam-me a pensar também nestes tempos recentes. Ultimamente senti-me como se estivesse a fazer testes psicotécnicos. Tal como fiz na altura. Não sei se dei a entender que tive sempre a noção de cada teste, de cada matéria, de cada capítulo, e de cada nível de “dificuldade”. Sempre. E decidi em consciência submeter-me a cada um deles. Para aprender, tal como fiz na altura. Há 15 anos atrás, os testes serviram para também aprender sobre mim própria, tanto quanto os verdes 18 anos permitem. Agora, aprendi muito, mas a outro nível, claro. Foi muito interessante ver e analisar as minhas respostas a cada tema introduzido, porque os exercícios mentais que fui fazendo me mostraram a que ponto amadureci as ideias e conceitos que fui adquirindo, e por outro lado, como alterei alguns dos meus pontos de vista. Fui percebendo o quão claras para mim estão certas questões, de que forma as vivo ou relativizo. Percebi que basicamente procuro o equilíbrio entre o emocional e o racional, apesar de ter plena consciência que quase toda a vida adulta vivi pendendo sempre mais para o lado racional do que para o lado emocional. O meu lado racional ainda ganha, mas gostaria que o lado emocional ganhasse algum terreno, mas sem perder nunca o controlo, isso não. Aprendi também que sou intensa. Seja o que for que decida fazer ou viver, tem de ser intensamente. E isto não tem a ver com emoções. Mesmo decisões racionais têm de ser intensas. Não faz sentido viver as coisas pela metade. E pode parecer uma grande contradição, dizer que procuro o equilíbrio e ao mesmo tempo dizer que tudo tem de ser intenso. Mas se as decisões forem tomadas em consciência, com plena noção da realidade, não há espaço para dúvidas nem receios e assim sendo, só faz sentido que se viva intensamente. Não sei até que ponto esta intensidade poderá ser eventualmente mal interpretada e confundida com um certo abandono a emoções novas ou procura de afectos ou ligações mais profundas. Nada tem a ver com isso, apenas intensidade e autenticidade. E regresso ao início, quando eu queria ser piloto de aviões, de caça ainda por cima. Não me ocorre profissão em que seja necessário ser tão frio e racional, e ao mesmo tempo se tenha sensações, não confundir com emoções, tão intensas. Conhecendo-me agora como me conheço, fazia todo o sentido o meu sonho adolescente.

14.8.09

Não, não fui eu

que compliquei. Foste tu... pensas demais.
Desliga-me esse complicador, experimenta, pode ser que gostes da vida "versão simples".

10.8.09

Especulação

Só não sei se fui eu que compliquei, só porque quero em vez de palavras actos, ou se foste tu, só porque elevas a coisa a um nível para o qual não havia, acho, para já necessidade.

8.8.09

Let's see

...if you miss me.

7.8.09

The real thing

Estas estão a ser as melhores férias que tenho, desde há uns bons anos para cá. Nos últimos anos, as férias foram sempre motivo de stress para mim, por muito estranho que possa parecer, (férias = stress ???) não faz sentido nenhum, pois não? Pois não. Mas é a mais pura das verdades, desde pensar quando vão ser as férias até à escolha do local (quem me conhece sabe que tenho muita dificuldade em planear seja o que for com muito avanço) até à pressão que antecipo durante as mesmas. Eu ando o ano todo a toque de caixa, pressionada pelas horas, pelo pouco tempo para seja o que for, pelos contra-relógios diários na tentativa de manter toda uma estrutura familiar a funcionar de forma mininamente decente. Por isso na minha cabeça, "férias" significa a antítese de tudo isto, significa acordar sem despertador, pensar no que apetece fazer e fazer, ou de imediato ou mais tarde sem problemas com as horas, ou mudar de ideias só porque sim, ou não fazer mesmo nada. Acontece que durante muitos anos, a minha ideia de férias foi mesmo só isso, uma ideia, porque na prática... na prática continuei a sentir-me pressionada pelas horas, a ter de controlar o tempo para poder "aproveitar" bem. O que é aproveitar? É definir o que se vai (ou tem de) fazer e fazê-lo? Sem espaço para a preguiça ou para alternativas que entretanto poderão surgir ou apetecer? Isto para mim não é aproveitar as férias. Não e não! Estas sim, estas férias são mesmo férias. Fiz, fui, fiquei, não fiz, não fui e não fiquei. Só porque me apeteceu. E depois, qual é o mal? Desde que os meus apetites não chateiem ninguém. Não vejo mal algum.

You can't always get what you want

"You can't always get what you want
But if you try sometime
You just might find
You get what you need"

6.8.09

Justify my love - Madonna

No final do video-clip aparece esta frase:

"poor is the man
whose pleasures depend
on the permission of another"

Não sei quem a escreveu, não importa.

5.8.09

4.8.09

One of my favourites

A poem by W.H. Auden

I

"Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good."

É o piano... é sublime...

O resto também é sublime, mas acho que dispenso... para já.

Escravidão

A minha mãe passa a vida a arrumar. Está sempre a mexer, sempre a por alguma coisa no sítio, sempre a abrir ou fechar gavetas ou a limpar coisas. Ela não pára, é impressionante, tem uma energia que francamente não sei de onde lhe vem. Admiro-a imenso por isso (e por outras coisas bem mais importantes). Pois está claro que eu fui muito bem educada nas lides domésticas. Demais até, durante toda a minha adolescência achei que estava a ser castigada por qualquer acto hediondo que tinha cometido sem me aperceber, tal foi o nível de colaboração em todas as tarefas domésticas que me foi sempre exigido. Sou portanto uma dona de casa perfeitamente qualificada. Certificada pela minha mãe nas lides da casa e certificada pelo meu pai nas lides culinárias (sim, sempre foi o meu pai o cozinheiro, e de truz!) Acontece que aqui a moça, tão bem preparada que estava para enfrentar todos os desafios inerentes à gestão de uma casa (e família, porque não?) quando se casa, recebe de "presente" uma empregada, ou mulher a dias porque só estava 2 dias por semana (começou por 1 mas depois passou a 2). E pronto, tantos aninhos a trabalhar, a preparar-me para a vida para depois não ter que fazer quase nada. "Oh que chatice..." Pois, pois... Esta foi precisamente a minha recompensa. Os cinemas com as amigas que falhei, os cafés que não tomei, os passeios que não dei, etc... finalmente recompensados! É certo que tive de ensinar à senhora (que podia ser minha mãe), do alto dos meus vinte e poucos anos, como se executavam certas tarefas de forma mais eficiente do que ela tinha por hábito fazer (o saber não ocupa lugar, dizia a minha mãe). E durante anos vivi assim, com mulher a dias 2 vezes por semana. Um dia para a limpeza geral do espaço e outro dia para passar a ferro toda a roupa entretanto lavada e seca. Um espectáculo! E moi, (podre, na boca do meu pai) além de cozinhar (mas isso sempre foi um prazer, nunca encarei a cozinha como uma tarefa), só fazia o estritamente necessário no dia a dia. O que era muito pouco. Vida boa, portanto. Agora, a mulher a dias só vem uma vez por semana (não preciso nem quero mais) o que significa que sou eu que passo a ferro. Não me importo, prefiro do que limpar, que é o que ela faz quando vem. Contudo, tocam-me também outras coisas. E aqui, não é bem que me toquem. Assim parece que as faço contrariada, e não faço. Habituada que estava ao bem bom, poderia até custar-me entrar no ritmo da manutenção básica da organização da casa, mas não. Limpo o que entretanto se sujou (numa semana muita coisa se suja), arrumo roupas, brinquedos, papéis. Faço camas, mudo lençóis e mudo também coisas de sítio, só para variar. Não me custa nada, e no fim tenho uma sensação de satisfação, de dever cumprido. Talvez sinta a casa como "mais minha" agora e ela me desperte mais atenção. Trabalho muito mais, é certo, mas é com gosto. Só não sou como a minha mãe, que é escrava da casa. Eu não: a casa é que é minha escrava, ela é minha e não o inverso. Eu arrumo e limpo, mas gosto de chegar a casa e sentir que vive cá alguém. Gosto de ver as almofadas do sofá amassadas, gosto de sentir o cheiro da lareira no inverno, gosto de ver os brinquedos na sala, gosto de ver os dvd's em cima da mesa, sentir que há vida cá dentro. Detesto aquelas casas que parecem montras de lojas ou exposições. Tudo impecável, nem um grão de pó, nem um fio fora do sítio, nem uma ruga no sofá. Dá-me a sensação que ali ninguém disfruta do conforto, que ali ninguém relaxa, que ali ninguém vive.

Apêndices

Ontem à noite tirei o relógio. Estou já na segunda semana de férias, e só agora consigo retirar do pulso o relógio, sem o qual, durante o resto do ano não me consigo orientar. Não vivo sem o relógio, só o tiro do pulso para tomar banho e lavar louça. De resto fica, sempre, e só sai nas férias e nem sequer é imediato. Mas não estou constantemente a ver as horas. Só tenho de saber que está lá para quando quiser ou precisar de saber as horas. Só durante a noite é que é um "nadinha" paranóica a minha necessidade de saber as horas de cada vez que acordo. Assim como os meus óculos de sol, tenho-os sempre comigo, sempre. Assim como cigarros e isqueiro, sempre comigo também. E aspirinas, e a mola do cabelo, estas claramente cenas de gaja, e depois? Eu sou uma gaja, tenho direito ou tenho de pagar?

Nem mais...

Deixemo-nos de merdas

E, enquanto se conversa, se fuma e se bebe, na televisão está a dar este filme. E por muito que se diga que se é forte, independente, dura e afins, é assim que eu gosto. Que me agarrem com segurança, convicção e firmeza. Tanto no tango como em tudo o resto.

Live

Estamos os 3 na minha sala, eu a minha amiga e o meu amigo. Ele veio fazer-me o jantar (tirei um dente, correu mal e estava de rastos), ela veio mais tarde, trazer natas (que por sinal detesta mas faziam falta para o jantar) e pão, porque já estava tudo fechado. Estamos os 3 na minha sala a conversar, a beber e a fumar. Agora, mesmo agora. E ele, no meio da conversa animada, esbarra com o cigarro no meu sofá! "Aaaaiiiii, que me queimaste o sofá!!!" (Grito eu) "Também, nunca gostei desta cor!" (Gritou ele) Atiramo-nos os 3 para o chão a rir. Ainda me dói a barriga, já não me dói o (buraco do) dente...

P.S. Ele é decorador... parece que vou ter sorte...

3.8.09

Fama

Sábado à noite, Bairro Alto, um bar qualquer. Ao balcão, estou a pedir o meu vodka/limão quando sinto alguém atrás de mim, muito próximo de mim. Institivamente olho para trás e dou de caras com este senhor. Reconheci-o imediatamente apesar de não me lembrar do seu nome. De cabelo muito curto, de olhos muito azuis. Surpreendentemente mais alto do que parece na televisão e agradavelmente muito mais atraente também. Abri um sorriso e:
Eu: Olá!
Ele: Olá! (também abriu um sorriso)
Eu: (chamando a atenção da minha amiga que entretanto chegou) Conheces este senhor não conheces?
A minha amiga: (surpreendida e tímida) Conheço...
Ele: (não disse mais nada mas olhava ora para mim ora para ela e sorria estupidamente)
Eu: (já a rir) Pois... (entretanto recebi a minha bebida) ele é que não nos conhece a nós... soltei uma gargalhada e vim embora. Ninguém me tira da ideia que aquele sorriso estúpido foi de quem achou logo que ia ter "festa" com mais 2 gajas que iam ficar ali a bajulá-lo só porque aparece na televisão. Querias...
(Só agora é que fiquei a saber o nome dele, ao procurar a foto na net, é o Pedro Laginha que além de ser actor é o vocalista da banda Mundo Cão)

Naked

O que é mais difícil, despirmos a roupa ou despirmo-nos de tudo o resto?

Girls on film

É puro egoísmo, e sem sombra de culpa. É isso que sinto quando tiro fotografias e tas mando. Não são para ti, são por mim.

Back to basics

Tenho aproveitado as oportunidades que se me têm apresentado. Tenho a sorte de estar de férias neste momento o que é evidentemente fundamental porque tenho tempo e disposição para isso. Este fim de semana foi um excelente exemplo disso.
Para começar a simples planificação do fim de semana em si constituiu uma grande vitória, pois foi feita numa altura em que tudo, mas tudo me parecia imensamente complicado. Mas consegui marcar o hotel, comprar bilhetes para o concerto (o móbil de todo o fim de semana) e fiquei muito satisfeita. Tomei esta decisão completamente só, tratei de tudo só para mim. Entretanto alguns amigos resolveram alinhar no programa e devo dizê-lo, a gosto, comprei depois mais 4 bilhetes e reservei mais 2 quartos no mesmo hotel para eles. Durante o fim de semana, além do concerto, "lambuzámo-nos" com refeições divinais em restaurantes daqueles em que a reserva teve de ser feita na mesma altura em que reservei o quartos do hotel, bares e discotecas muito fashion (até me vesti de forma diferente do habitual e gostei) e claro, esticámo-nos ao sol na piscina do hotel, o auge da preguiça. Muitas gargalhadas, algumas até às lágrimas. Enfim, sintonia perfeita entre pessoas que se conhecem a um nível de "raio X". Em suma, acho que raramente haverá situações destas, onde todos os intervenientes estão, ao mesmo tempo, tão bem dispostos e tão dispostos à partilha da boa disposição. E é isto que me fica, não são os restaurantes, não são as festas "in", nem o luxo do hotel, são as pessoas com quem estive, e a felicidade que senti por estar com elas. Isso é que é importante.

2.8.09

Literalmente

Não sou diferente das outras pessoas. A música provoca-me emoções. Várias. Mas há alguma música que me faz cócegas, porque me faz literalmente rir. Não é um sorriso interior, nem um sorriso exterior. É riso mesmo, são gargalhadas às vezes até. E não é por achar cómico. As cócegas provocam-me a mesmíssima coisa, por isso são cócegas. Ou então é simples felicidade.

Gozo

É um facto. Eu espremo até ao fim, até à última gota. Enquanto os outros já dormem ou lêem uma qualquer revista, daquelas que têm mais fotos que texto e mais páginas com publicidade a produtos de beleza ou griffes do que páginas de texto e fotos juntas, eu ainda estou a curtir, e largo. Pela simples razão que estou a conduzir. Eu adoro guiar, e se for em auto-estrada, ainda mais. Com a música certa então, é quase como levantar voo!
Obrigada “dj” pela música fabulosa que foste pondo, só houve mesmo aqueles minutos de merda em que me começaram a espreitar uns bocejos, mas perdoo-te porque depressa atinaste da cabeça e regressaste ao espírito que eu esperava de ti.
E obrigada dona do carro por me teres deixado guiá-lo (eu sei que pareceu que eu te estava a fazer um favor por causa das tuas dores nas costas mas não foi favor nenhum, topas?)
Por isso hoje fiz a A1 de Lisboa até casa a uma média de 150 Km/h (calculados por defeito) só porque o carro não era o meu…

P.S. dj amor, não ouvimos esta só porque tu não sabes… que tem tudo a ver…