30.9.09

Sangue

Hoje fui tirar sangue. Corrijo, tiraram-me sangue. Para analisar uma série de coisas. A tal investigação sobre a minha insónia. Era bom se se pudesse analisar outras coisas além do colesterol, da diabetes, etc... Era bom se se pudesse pôr por escrito em linguagem técnica, com os valores encontrados e tal como no resto, com os devidos limites inferiores e superiores, as outras cenas que nos estão no sangue. Aquelas que só mostramos em situações limite e aquelas que no quotidiano nos saem sem esforço ou delas ter consciência. E era giro se estivessem escarrapachadas no B.I. Ai que agora já não é B.I. É outro cartão, que como ainda não tenho não lhe conheço a denominação exacta. E assim, quando alguém nos pedisse a identificação ficava a saber, além do grupo sanguíneo (nem sei se já lá está, no novo cartão) de que é que somos feitos. E podíamos puxar do cartão para mostrar a nossa "raça". Depois era ver a malta a discutir e a sacar dos cartões para provar as merdas. Ou então ver os gajos (e/ou as gajas) a mandar os cartões para cima da mesa, tipo jogo de poker e a ver quem tem os melhores valores para "ir a jogo". E assim não havia surpresas quanto ao carácter de ninguém. E depois mandávamos todos os maus carácter para um sítio muito longe, de onde não pudessem voltar. E depois juntavam-se as pessoas de acordo com os valores similares, era muito mais fácil fazer amigos. E depois as pessoas tinham relacionamentos de acordo com o "match" do cartão. Em vez de ir ver o horóscopo vai-se comparar o cartão. E depois fazia-se análises todos os anos para manter a informação correcta. Comparticipadas pelo estado, claro, que depois também não cobrava pela actualização do cartão. E depois em vez de 3 ou 4 horas de espera para ir fazer ou renovar o cartão tinhamos 3 ou 4 semanas, ou meses... Era bem, não era?

Questão importantííííííííííííííssima....

Estou mais gorda. Acumularam-se 2 quilos na barriga, ancas, coxas, rabo e mamas. Mais ou menos uniformemente. Há uns tempos atrás este peso a mais seria um problema, contudo agora hesito. Se a barriga, as ancas, as coxas e o rabo não precisavam de nem mais um grama, muito pelo contrário, as mamas estão muito melhores. Redondas, enchem o soutien, um miminho. Se faço dieta as medidas voltam ao normal, e o raio das mamas voltam a desaparecer. Não sei... é uma questão importantíssima na vida duma gaja. Como tal requer grande reflexão...

29.9.09

As you are

What do you prefer?

Ao telefone com o S. sobre uma amostra que lhe mandei.

S: What is this sample you sent me?
Eu: You remember that when we went to the factory they were producing the same quality but with a thinner yarn. This sample is the first trial after adjusting the machine to a thicker yarn.
S: What do you prefer?
Eu: I prefer as the original sample, ours is too soft.
S: What do you prefer? Thick or thin?

Experiência

Resolvi experimentar. Decidi ajudar. Deitei-me por volta das 00:30h, tinha tomado o comprimido às 23:00h. Não liguei a televisão nem peguei no meu livro. Apaguei a luz e fiquei quietinha. Pensei: vamos lá ver o que vai acontecer. Sentia algum frio, não muito, só um pouco de desconforto. Deixei-me estar. Não me mexi, nem um milímetro. Rapidamente o meu corpo aqueceu. Primeiro as mãos, depois os braços, e só a seguir as pernas e os pés. No silêncio, de olhos fechados, o meu corpo relaxado, quentinho e a minha cabeça ainda a mil. Nem ponta de sono, desperta, completamente alerta. Atenta a todas as sensações. Não me lembro de tal situação, é que ou estou já meia grogue de sono quando me deito na cama depois de já ter dormido 1 ou 2 horas no sofá, ou estou enervada e ligo a televisão para anastesiar, mas tanto a cabeça como o corpo estão despertos. Assim foi diferente, obriguei o corpo a ficar quieto, coisa que nunca tinha feito. A cabeça, gostaria muito de a poder desligar mas nesse aspecto ela é uma perfeita insubordinada.

28.9.09

Barbaridades

Fui ao médico hoje. À médica, para ser exacta. A senhora não é lá muito simpática, o que não me faz diferença absolutamente nenhuma. Prefiro médicos competentes a médicos simpáticos. Ouviu-me com atenção, fez algumas perguntas e inseriu as respostas no computador. Disse-me finalmente que estou a fazer tudo mal. Enumerou uma série de coisas que não se devem fazer à noite porque perturbam o sono. Ora, eu faço-as todas, e mais algumas que já não me apeteceu contar-lhe, porque de certeza que perturbam o sono e como todas as que ela enumerou eu confirmei que eram meu hábito, achei que já era demais. Perguntou-me depois se aconteceu alguma coisa comigo ou na minha vida que pudesse ser a causa da insónia. Respondi-lhe que sim, mas que já não. Sim, aconteceu, mas já não será a causa da insónia. Só porque já é passado e porque tive entretanto 3 semanas de férias que normalmente resolveriam o problema do cansaço, por exemplo. Ou seja, não faz sentido que eu tenha tanta dificuldade em adormecer. Pois muito bem. Tenho uma boa meia dúzia de papéis onde se podem ler pedidos de análises ao sangue, imagino a tudo o que for possível analisar no sangue, além de um electrocardiograma, mais um raio X ao tórax e uma mamografia. Vou andar ocupada nas próximas semanas, está visto. Queremos certificar-nos que as causas da insónia não são físicas, disse-me ela. Ok, pensei eu. Tem lógica. Fiquei a saber que a tiróide pode provocar insónia e uma anemia também. Aprendi qualquer coisa, vá lá. Receitou-me uns comprimidos de uma coisa natural chamada raiz de valeriana, para ajudar a regular o sono só até termos os resultados daquilo tudo. Estranhamente não me disse para tentar reduzir aos mais de 20 cigarros que fumo por dia, nem aos mais de 6 cafés que bebo por dia, nem deixar de ler e ver televisão ao deitar, as coisas que erradamente faço e que ela começou por enumerar. Achei muito estranho, todos os médicos que me passam pela frente invariavelmente me desancam quando admito as barbaridades do tabaco e do café. Ela não. Nem um pio, nem uma expressão de reprovação. Esta médica é das minhas, vai esperar pelos resultados dos exames e das análises e aí sim, vou levar uma ensaboadela daquelas valentes, e o pior é que ela me vai esfregar com as provas no focinho. Vai ser bonito.

Escape

27.9.09

Mais uma

conclusão a que chego sobre mim, que se verifica estar correcta. Nunca fazer seja o que for tendo dúvidas. Só quando tenho a certeza é que sei que não me vou arrepender. E como conheço bem as minhas fraquezas, há momentos em que nem sequer me chego perto da mais remota possibilidade delas virem ao de cima. Se não me sentir em forma, não vou a jogo. Não vou onde me sinta em desvantagem logo à partida. Ou as condições são semelhantes ou nem vale a pena jogar.

26.9.09

Amateurs...

«Ain't we all?...»

You don't get to say you're sorry

"You don't get to say you're sorry, cause you'd only feel better. And you don't get to feel better"

Pede-se desculpa para que fique tudo bem, para que nos perdoem ou pede-se desculpa apenas para aliviar o peso da culpa que se tem dentro do peito? Eu apostaria que 90% das vezes em que se ouve a palavra, o objectivo é o segundo. Quantas vezes o fazemos porque nos sentimos mal, e o que a outra pessoa sente nem nos ocorre? Quantas vezes o fazemos mesmo porque não queremos que a outra pessoa não fique zangada ou magoada, porque nos preocupamos com o sofrimento que causamos? E quantas vezes dizemos que foi sem querer? Adianta alguma coisa vincar bem que foi sem querer? Apaga o acto? Dói menos se for sem querer? Vou continuar... Somos crianças? Somos tolinhos que não pensam no que fazem? A esses, damos-lhes o devido desconto. Mas gente adulta e inteligente não se pode dar ao luxo de dizer que foi sem querer. Gente adulta tem de pensar naquilo que faz. Tem de estar atenta àqueles de quem gosta. Tem de pensar nas consequências. Seria bom se fosse possível dizer: Ok, esta não valeu, vamos lá começar tudo de novo outra vez. Isso é que era bom. Mas não é assim que funciona. Actos ou palavras impensadas acarretam consequências. Há quem consiga lidar com elas, e por muito que custe, aceitá-las e seguir em frente. Outros há que se portam como tolinhos. You fools...

24.9.09

Preço

Ainda não chegou à garganta. Vai demorar algum tempo ainda. Estou preparada.
Ela vem aí, eu sei, e vem com força, também sei. Só não sei porquê. Porquê agora? Porque não veio mais cedo? Porque não espera mais um pouco? Eu sei que não adianta empurrá-la mais. Agora tem de sair. Eu percebi os sinais, estão todos a aparecer. O tom de voz mais alto sem necessidade, o mau-estar sem motivo aparente, as reflexões impulsivas, a falta de sono. É evidente, tudo tão evidente. Quem me mandou ser tão racional, tão controlada? Ninguém. Achei que era melhor assim. Foi, na altura foi. Agora pago a factura. Tudo na vida tem um preço.

Tiros

São tiros na minha direcção. Ninguém topa, só eu. E se calhar é só impressão minha, mas há momentos em que apanho alguém a olhar para mim e parece que o olhar que me atravessa. Disfarço, finjo que não vejo, que não percebo. Não gosto, incomoda-me, mas isso também só eu é que sei, de outra maneira seria dar importância a uma coisa que não tem importância nenhuma. Então porque escrevo sobre isto? Porque é simplesmente absurdo que tiros estejam a ser disparados, não é suposto, nem agora, nem aqui, nem na minha direcção. Só isso.

21.9.09

Bola de cristal

Era de prever que o dia hoje não corresse lá muito bem. E não correu.
Qualquer dia compro uma bola de cristal, pouco mais me falta para ser bruxa.
Também não tenho a verruga no nariz, mas o sinal faz quase o mesmo efeito.

Entre outras coisas

As outras coisas.
São coisas sobre as quais não escreverei, mas sobre as quais te poderei falar, apenas quando a geografia permitir que tu sintas a minha respiração no teu pescoço e que o teu suor se misture com o meu.
2:38h
Faltou pôr isto cá fora.
A ver se é desta.

Está mal!

Está mal! Esta merda está mal. São exactamente 1:39h e eu aqui a escrever, porque tentar dormir com a puta da cabeça a mil, não dá! Entre outras coisas, pensar que tenho de me levantar às 7:00h e tratar da rotina matinal diária, deixar os putos na escola a tempo e horas que este ano a coisa pia mais fino, não dá para facilitar, depois ir buscar os clientes ao hotel, levá-los para o escritório, gramar com eles todo o dia, isto sem pensar que vai ser a semana quase toda, ainda por cima gente que não percebe nada da poda, enerva-me! Enerva-me porque por causa destas merdas todas já devia estar a dormir. Pois devia. E quanto mais penso que já devia estar a dormir mais me enervo. E quanto mais me enervo, menos são as possibilidades de adormecer nos próximos minutos. E quando todas as tentativas possíveis para tentar adormecer já foram tentadas e falhadas, o que faço? Levanto-me, venho para a sala, acendo um cigarro e já que aqui estou, enquanto fumo, ponho esta merda toda cá fora transformando-a em letras, palavras e frases. Que ainda deve ser o mais eficaz, fumar e escrever para acalmar. Já apaguei o cigarro, 1:47h, ainda não tenho sono! Assim como assim, a melhor ideinha que tive nos últimos tempos foi ter marcado uma consulta para a minha médica de família, que é daqui a uma semana. Espero que a mulher me ponha mesmo a dormir. 1:49h. Ok, vamos lá tentar outra vez.

19.9.09

Nota mental III

Reality. It's so much more interesting than living happily ever after.

Daqui não levas nada

Jovem, és gaja? Queres divertir-te à grande? Queres dançar ao som de música decente? Não pretendes engatar nenhum gajo nessa noite? Então vai a um bar gay. É limpinho. Não falha.
Ontem fui a um muito bom. Conheço outros mas este foi o "top of the top" Ouves música gay, mas não contes com a Gloria Gaynor, tens New Order e R.E.M. Depois, 90% dos gay são homens e vi meia dúzia de casais heterossexuais de meia-idade a curtir a música e a dançar sem preconceitos. O espaço é despido de paneleirices, aconchegante e a fugir para o exótico, só um bocadinho, sem exageros. Pode-se fumar mas é bem arejado, e a temperatura da sala é a ideal. Em suma, uma noite muito bem passada, na companhia de amigos gay (isto é óbvio, senão como é que eu iria lá parar?) É certo que é um nadinha confuso, muito homem descaradamente gay, e também muitos que estivesse eu noutro sítio qualquer e juraria que "não, este não, este é macho". Mas nada de ilusões, dizia um dos amigos, "daqui não levas nada" entre gargalhadas. Não interessa, pelo menos enchi o olho, era cada um mais giro que o outro, porra! Ah, e também ouvi um elogio que me fez corar (coisa rara hoje em dia, eu corar) mas vindo de um gajo assumidamente gay, não conta.

18.9.09

Too narrow

(Eu estou ao volante, o S. ao meu lado. O S. é israelita, e tanto falamos em francês como em inglês, às vezes tudo misturado com algum português, ele já vem a Portugal há mais de 10 anos)

S: Go ahead, why don't you go?
Eu: There's no point, don't you see I'll turn right over there? It's too narrow, there's no angle!
S: Come on, you can go!
Eu: Tás burro ou quê? No way, I can't get through! Não consigo meter, não vês?
S: Vaseline, do you know?

17.9.09

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