4.9.09

Dicionário

Objectivo:
Sincronizar: tornar simultâneo

Detalhado:
Sintonizar: (sintonizar dois circuitos) fazer com que os períodos próprios de oscilação dos dois circuitos sejam os mesmos

As palavras revelam de alguma forma algo sobre quem as escolhe.

Blended

Não sei se a causa é o efeito ou se o efeito é a causa: se não durmo porque penso que sinto o cheiro, ou se penso que sinto o cheiro porque não durmo.

3.9.09

Quando a realidade supera a ficção

Ok, ok, o Dr. House é muito fixe, é cool, é politicamente incorrecto, etc... bla bla bla, um sucesso.

Depois de ter visto uma entrevista bastante intimista que fizeram ao actor, quer-me parecer que o homem, um senhor chamado Hugh Laurie, é muito, mas muito mais interessante que o personagem. Com a vantagem de ser tão giro como ele.

Absurdo

Para mim é absurdo que pessoas em posse de uma informação que, não fazendo a menor ideia se é correcta e não se dando ao trabalho de a confirmar, partam do princípio que o é, lançando assim a confusão. Em coisas banais que podem à primeira vista não ter importância nenhuma, tanto como em coisas importantes que podem vir ter consequências graves. Não têm sequer o bom senso de dizer que acham ou que não têm a certeza. Afirmam que é. Assim. Com a maior das descontracções. Absurdo.

2.9.09

O Tasco e os cheiros

Passei parte da minha infância no tasco dos meus tios. Era um tasco daqueles onde se espalhava serrim no chão quando chovia, o chão era de cimento, mas vermelho. Tinha um balcão minúsculo preto onde tanto eu como o meu irmão aprendemos a andar. Num canto havia 3 pipas de vinho enormes (pareciam enormes para quem tinha 3 ou 4 anos).
Que aventura era tentar trepar as pipas, só bem sucedida quando algum adulto se dispunha a emprestar as mãos para ajudar na escalada. Lembro-me perfeitamente da perspectiva que eu tinha das minhas botas de borracha a derraparem nos aros de metal das pipas, enquanto esticava os braços e apertava aquelas mãos então tão grandes e fortes. E da alegria que sentia quando chegava lá cima, tão fácil a sensação de vitória.
Íamos lá todas as noites, quer dizer, éramos levados lá todas as noites, pelos nossos pais evidentemente, que iam tomar o último café antes de se desligar a máquina. O Bick, um cão preto e castanho vinha invariavelmente receber-nos, já conhecia o barulho do nosso carro. Quase maior do que nós o Bick, manso e dócil apesar do tamanho.
Havia ao lado da porta de trás uma pia em mármore branco, que cheirava a lexívia e tinha sempre chávenas de café para lavar. Por essa porta tínhamos acesso ao tesouro maior daquele sítio: a cozinha!
O cheiro daquela cozinha! Os segredos daquela cozinha! Era escura, o fogão a lenha encarregou-se de a escurecer, anos de pregos na chapa e de bacalhau frito. Ao pé do fogão, no canto, cheirava a alho, a lenha e a fumo. Do outro lado, um armário gigantesco, as portas em rede, as prateleiras completamente inacessíveis. Mas nós sabíamos muito bem que o que aquelas prateleiras escondiam. Cheiravam a chocolates e a bolachas trazidos de Espanha, que mais ninguém tinha. Como nós olhávamos para aquele armário! Ao centro uma mesa de tábuas corridas, nunca naquela mesa vi uma toalha. Tudo era manipulado directamente na madeira, que era esfregada com lexívia amiúde, não estava escura nem tinha manchas. As tábuas da mesa eram claras e estavam sempre limpas, mas rompidas. Distinguia-se perfeitamente a zona mais usada, as tábuas eram mais finas.
Numa das pontas da mesa havia um cesto que tinha sempre cebolas e especiarias, e o cheiro das cebolas misturava-se com o da pimenta.
Ao domingo passávamos lá a tarde. Havia um laranjal nas traseiras. Com mesas e bancos de pedra. Ao fundo, começava uma quinta, era a fronteira, o limite que não podia ser ultrapassado, era o mistério. A minha tia fazia-nos o lanche, pão com fatias muito finas de carne assada. Um petisco! “Sandes de carne fria!!!” respondíamos à pergunta: “E o que vamos lanchar?” E depois, claro, as bolachas.
Eu tinha 3 anos, sei disso por causa do que vou descrever a seguir. Eu tinha 3 anos quando pelo Natal o meu tio me ofereceu uma boneca que estava empoleirada numa bicicleta. Era loira, e tinha um gorro e um cachecol cor de laranja. A bicicleta era de metal, tinha-a trazido de Espanha. Mas, alguns dias depois chamou-me e disse-me: “Vou levar a bicicleta da tua boneca comigo para minha casa, vou dar-lhe de comer e quando ela estiver grande devolvo-ta, pode ser?”. “E a boneca, também levas?” Perguntei-lhe, e ele: “Não, só a bicicleta”. Não me importei, e esqueci-me completamente da bicicleta.
Veio Setembro, e no dia dos meus anos, ele devolveu-me a bicicleta, já grande, conforme tinha prometido. “Devolveu-ma” crescida o suficiente para que uma menina de 4 anos pudesse aprender a andar de bicicleta.
Veio Setembro, 30 anos depois, e deste tio, deste tasco, desta cozinha, deste laranjal, o que tenho mais presente na memória (além da bicicleta que eu depois imaginei a comer naquela cozinha para crescer e poder voltar para a dona) são todos os cheiros, as misturas de cheiros.
Do serrim húmido dos dias de chuva misturado com o cheiro do vinho das pipas, da lexívia misturada com café, do chocolate com as bolachas, do alho com a lenha, das cebolas com a pimenta, das laranjeiras com o cheiro a terra, a pó que levantávamos com os pés, incapazes de não correr à volta das mesas e bancos de pedra nos dias de Sol.

1.9.09

Organização

Estive à conversa com o meu primo.
Falei de coisas das quais não falava há algum tempo.
Falei dos acontecimentos do passado já longínquo, do mais recente, e do de há alguns dias. Foi bom. Ao revivê-los senti que tenho a casa arrumada. Tenho as ideias arrumadas, está tudo no devido lugar. Não há pontas a espreitar das gavetas nem as gavetas estão meias fechadas. Está tudo bem dobrado, bem acondicionado e bem fechado.
Os factos, resumidos:
Apaixonei-me profundamente.
O meu amor foi sincero.
A entrega, total.
Desiludi-me lenta e dolorosamente.
O meu amor foi esbanjado, mal aproveitado.
Não tenho mais amor para dar, acabou-se-me.
E eu aceito estes factos pacificamente.
Sem remorsos, sem revolta, nem desânimo.

Tiny little things

Compras

"O que te faz pousar de volta na prateleira um artigo que gostaste muito e até já ias comprar?

Encontrar um outro do mesmo tipo, que cumpre o mesmíssimo objectivo, mas que possuí uma outra característica que te agrada mais.

Se o encontras depois de já teres comprado o primeiro, ficas lixada. Se mesmo assim compras o segundo, estás a esbanjar... e ficas lixada."

Por isso é que quando eu compro alguma coisa, ponho-me imediatamente a andar, eliminando assim qualquer hipótese de ficar lixada. Tendo um fiozinho de dúvida que seja, simplesmente não compro.

Não preciso de mapa

A vida é uma auto-estrada, quando percebemos que nos enganamos, nada nos obriga a continuar até ao fim. Mesmo que se tenha de fazer mais uns quilómetros, temos sempre a próxima saída.

Reboque

Há muita gente que anda a reboque. Vejo-os (as) à minha volta e dou voltas à cabeça. Andam a reboque do que os outros fazem ou (e muito pior) do que os outros pensam. E não estou a falar dos "carneirinhos" da sociedade actual, etc...
Falo de gente com quem convivo e que conheço.
Porque me é próxima. Porque não os via assim. Porque me choca. Porque me desiludo.
Falo de indivíduos, homens e mulheres - é igual, isto nada tem a ver com o género. Falo de casados e de solteiros. Falo de novos e de velhos.
Há-os de vários tipos:
- Os que sem conseguir formular uma opinião própria sobre coisa nenhuma, assumem as opiniões dos "outros" e as debitam como se fossem suas, mas que eu identifico porque também conheço os tais "outros";
- Os que só fazem as coisas que vêm fazer, ir de férias para os mesmos sítios, ir comer aos mesmos restaurantes, matricular os filhos nas mesmas escolas, não articulando uma só vantagem decente para as suas escolhas;
- Os que pretendem mostrar um determinado nível financeiro, que não possuem mas que é importante que se exiba no círculo de amigos, para não se "ficar atrás", quando na verdade, naquilo que é fundamental, como por exemplo no que diz repeito ao conforto e ao bem-estar do núclo familiar são do mais avaro que se possa imaginar;
- Os que mantêm relações só para parecer bem, porque a menina ou o menino são engraçados e ficam bem ou dentro do carro ou ao lado, nas fotos dos casamentos da família, ou pior ainda, porque não suportam estar sozinhos;
- Os que mantêm casamentos só porque assim a vidinha é muito mais fácil, muito mais confortável, e fecha-se os olhos ao resto, sejam traições, falta de respeito, ou puro desprezo.
Terei encontrado, talvez, algumas das razões pelas quais andam a reboque,contudo não as percebo, isso não consigo. Ultrapassa-me. Pela direita e de gás.

30.8.09

Nota mental II

“Men heap together the mistakes of their lives, and create a monster they call destiny.”

John Hobbes

28.8.09

27.8.09

Nota mental

"...não quero ter internet em casa, porque se tiver perco tempo a trabalhar..."

And it hit me...

... that even if most things have changed, there are some things that, in a quite comforting way, remain exactly the same.

26.8.09

The cook, the thief, his wife and her lover (1989)

Foi há 20 anos e continua a ser o meu filme preferido, de sempre, de todos, o mais intenso.

Realização: Peter Greenaway
Com: Helen Mirren
Música: Michal Nyman
Guarda-roupa: Jean-Paul Gaultier

25.8.09

The lover / L'amant (1992)



Waiting for a sign, a touch of your grace
To carry me home, under these waves… I’m slipping…
I’m crying like a child for the day to begin, to follow your breeze, haunted by your skin
I’m slipping
So please, do me right woman
Cause I’m hanging by a thread, far from divine
Wish I could flourish and speed up time… I’m slipping…
I’m sliding down…
So please, do me right woman
Please do me right woman
Do me right woman, enter my space
Fragile and pure… I will follow your pace
Just do me right woman… please…
I’ve taken all your wisdom, but my plate is not filled
My spirit is not calm, my soul yet to be thrilled
And my heart has not got enough… I’m still slipping…
So please, do me right woman
Please, do me right woman
Just do me right now

24.8.09

Momento L'Oreal

Enquanto preparo o jantar, ocorre-me que no outro dia comprei vinho. Acabo de abrir uma garrafa, só para mim.. só para mim. Porque eu mereço!

23.8.09

Glow

Ela não é linda nem deslumbrante, mas sente-se bem e gosta de si como é. Não tem complexos com o corpo, é o corpo dela, com todos defeitos e marcas que nunca apagaria porque lhe lembram todos os dias a sua história. É descontraída e não gosta de merdas complicadas. Sente-se solta, livre, sem planos. Ela gosta de rir, de dançar e de apanhar sol. Gosta de conversar, gosta de conviver. Também gosta de estar sozinha, de não fazer nada, de se atirar para cima do sofá e de não ligar nenhuma à televisão. Gosta de provocar, mesmo sabendo que a maioria das vezes não provoca nada, não lhe interessa muito. Ela não se preocupa com o efeito que causa nos outros. Ela deseja, ela vibra e treme por dentro, incondicionalmente. Ela persegue o que quer. Só porque sim. Só porque se tinha esquecido há muito tempo do que é vibrar. Lembrou-se agora, e sabe muito bem o que a faz agora vibrar. O que a estimula, excita e acende. E retira o melhor disso, retira o seu prazer pessoal de tudo o que sente. O seu. O dela. É egoista, ela sabe. E tudo isto se vê: "Minha filha, tu agora parece que brilhas!" disse-me a minha tia de 80 anos no outro dia.

22.8.09

Pára, não faças nada.

Deixa-me beijar-te. Deixa-me percorrer o relevo dos teus lábios, deixa a minha língua explorar a tua. Não faças nada, sossega. E beijei-te. A boca, a face, o pescoço, a curva do ombro, o peito… os pelos macios do teu peito. E desci por ti fora, e a tua cinta e o teu umbigo… as minhas mãos ficando para trás percorrendo o caminho que a boca havia feito. Deslizei uma mão por baixo da tua coxa, levantei-a e afastei a tua perna, tu instintivamente, fizeste o mesmo à outra e… lembras-te?

Wicked Games

what a wicked thing to do
to let me dream of you



...nobody loves no one...