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9.11.10

Frase do dia (a minha)

"É um bocado estranho porque tenho o tempo tão ocupado, tenho sempre tanta coisa para fazer e ao mesmo tempo sinto que não faço nada de jeito. Puta de estupidez."

3.11.10

Todos iguais

Serve-me um qualquer corpo, um qualquer rosto, uma qualquer voz, fecho os olhos ou mesmo com eles abertos e tanto me faz, serve-me um qualquer homem para foder, são todos iguais, serve-me qualquer um, o único que quero não tenho, os outros são todos iguais.

23.9.10

Choque em cadeia

Os olhos viram um vulto e um carro que o cérebro não teve a certeza de identificar, mas achou que podia ser um determinado carro e o vulto o seu dono, e isto numa fracção de segundo, em andamento, na estrada. A seguir o cérebro envia instruções e o corpo recebe uma descarga de adrenalina, os braços e as pernas quase perdem a força, as tripas contraem-se e torcem-se e os dentes mordem o lábio inferior. Tudo isto mais ou menos em dois segundos. Restou um nico de frieza para permitir a condução num mínimo de segurança. Fiquei mal-disposta, tinha acabado de almoçar, e tudo isto por causa de um vulto que nem sei se era quem o meu cérebro achou que era, só porque conduzia um carro da mesma marca e da mesma cor. Estou mal-disposta principalmente por saber que não consigo controlar estas reacções que tenho àquele homem. Reajo involuntariamente àquele homem. O meu corpo reage, é incontrolável.

Rostos

Vi há dias uma das raparigas mais populares do meu tempo de liceu. Hoje vi outra. E há ainda outra que rejo frequentemente. Todas muito giras e boas na altura do liceu. Maquilhavam-se e usavam as roupas da moda. Tinham os rapazes todos de volta delas. Eram as maiores. A primeira namorava com um tipo que era lindíssimo mas completamente louco. Dava-lhe ordens e estalos na cara, nem sempre por esta ordem. Ela engravidou e casaram-se. poucos anos depois divorciaram-se porque segundo as más-línguas os estalos evoluíram para grandes cargas de porrada. Quando a vi no sábado passado ia com  filha, uma pré-adolescente, e ela, a mãe, falava nervosamente ao telemóvel. Nervosa, muito nervosa. A que vi hoje era uma miúda engraçada, alegre e gaiteira. Desconheço-lhe o percurso de vida, mas hoje passeava-se nos corredores do super mercado, gorda e feia, arrombada e desleixada, cara fechada e passos lentos. A terceira é caixa nesse mesmo super mercado. Tem a pele cheia de marcas de acne, lembro-me que desde muito nova se maquilhava, tinha quilos de base e pó no rosto diariamente. Era gira e boa, tinha estilo. Não sei se acabou o secundário, mas desde que este super mercado abriu já há uns bons anos que a vejo lá na caixa. A pele estragada e os dentes todos estuporados, não é antipática com os clientes porque não pode mas também não sorri. Vejo estas mulheres e penso que talvez a popularidade na escola e os rapazes todos babados lhes tenham subido à cabeça e espalharam-se ao comprido. Penso nestas mulheres e inevitavelmente penso em mim, que sempre fui uma rapariga roliça, mas alegre. Nunca tive os rapazes em meu redor, mas sempre me dei bem com eles, sempre tive bons amigos, mas eu nunca fui a gaja boa, era a gaja porreiraça. Os anos foram passando e a vida seguiu o seu curso, fui envelhecendo e tive filhos, mas hoje estou bem melhor do que estas três miúdas, gosto mais do meu corpo agora do que quando era adolescente. Mas o que realmente me entristece nestas mulheres é que lhes vejo a infelicidade e a amargura no rosto. As mulheres infelizes são feias, quer se arranjem quer não, podem tentar esconder com roupas caras e maquilhagens magníficas. Podem até ter traços finos, rostos dignos de esculturas gregas ou de telas renascentistas mas a amargura e a tristeza são implacáveis, reconheço-as no rosto de qualquer mulher.

21.9.10

Carne

Como uma lança cravada na carne arranquei-te de mim, a frio, sem hesitar. Como uma lança cravada na carne que ao sair rasga mais um pouco, dói mais um pouco, sangra mais um pouco, para a seguir sarar.

20.9.10

Adeus

Quando um homem te diz que é fácil apaixonar-se por ti, que és uma mulher de trato fácil, extremamente inteligente, bem disposta, que és lindíssima, que ainda por cima não és convencida, quando um homem te diz isto estando deitado na tua cama e principalmente sabendo que é a última vez, sentes-te tentada a acreditar.

30.8.10

Fútil

O tédio destrói-me, corrói-me, esventra-me. Vazio de tudo, sede de tudo, fome de tudo. E o mais estúpido é que nunca me senti tão bem com o meu corpo, nunca gostei tanto de mim, acho francamente que, fisicamente, estou no meu melhor. Gosto do meu cabelo, das ondas sedosas, gosto da minha pele, macia e brilhante. Gosto das minhas curvas e das minhas carnes, voluptuosoas. Até gosto das minhas mamas, pequenas e mansas. Gosto do meu rosto, das minhas rugas e das minhas sardas que só aparecem no Verão. Não, não é estúpido, é só fútil.

19.8.10

Dores de crescimento

Lembro-me bem quando me deitava e me doía a dobra das pernas, por detrás dos joelhos e não havia posição que acalmasse o raio da dor. A minha mãe dizia-me que eram as dores de crescimento, que era normal. Sei lá se eram, mas doía e não era pouco. Há outras dores, na idade adulta, daquelas que o corpo não sente e essas são sim, as dores de crescimento. E doem muito mais. Doem cá dentro, por dentro, e não há pomada, comprimido ou xarope que as acalme. O único calmante para estas dores é o perceber que não somos os únicos com dores, que há outros como nós e que há sempre quem não nos julgue. Há sempre alguém que nos segure a mão, que nos dê a opinião sem censura que mesmo não sendo igual à nossa nos faz pensar e nos ajuda a aceitar as nossas falhas como parte de nós, e a retirar-lhes a lição para evoluirmos como indivíduos. E quando finalmente percebemos e aceitamos que a vida não é a preto e branco mas pintada de milhares de tons de cinza encontramos alguma paz. Quando finalmente aceitamos a nossa condição de seres feitos de racionalidade mas também de impulsos, que não deixamos de ser bichos muitas vezes guiados por instinto, estamos a crescer.

1.8.10

Plástico

Sempre que vou a Trás-os-Montes venho de lá com a sensação que a minha vida é de plástico. Descartável. O ambiente agreste lá de cima faz-me sempre pensar que não dou o devido valor às coisas. Caio sempre num estado de espírito que me atinge como um balde de água fria. Volto sempre a achar que ali sim, se vive verdadeiramente. Ali, nas aldeias de Trás-os-montes, onde se trabalha a terra, onde as estações do ano comandam o ritmo da vida, onde tudo é díficil e vem apenas do trabalho, ali é que se vive. Aqui, onde tudo é fácil, onde tudo se compra feito, onde tudo se desperdiça, aqui a vida é de plástico, não conta. Nem se trata de ter mais ou menos dinheiro, de ter mais ou menos poder de compra, é o trabalho, é o levantar de madrugada, é o frio, é o ter a canseira de fazer as coisas mesmo que custe, senão não há frutos, senão não se come, senão não há nada. Não sei explicar porquê mas no fundo, tenho a convicção que aquelas vidas difíceis valem muito mais do que a minha.

14.7.10

Novidade

Nunca me encontrei numa situação destas, em que não tenho domínio. Estou a aprender. É tudo novo e vai tudo contra aquilo em que sempre acreditei. A imagem da mulher que eu achava que era está para sempre alterada. Esta mulher que reage assim não é a mulher que eu pensava que era. Esta mulher é fraca. E vaidosa. Deixou-se levar pela ideia que tinha de si própria e depois percebeu que fez merda. Foi como quem leva um estalo. Esta mulher que sou eu, mesmo que use a terceira pessoa não deixo de ser eu, mesmo que esteja a olhar para mim como se fosse outra, esta mulher que sou eu, vai aprender que não é nenhuma fortaleza, que não é a maior da rua dela. Já sei que a coisa agora acalmou, já sei, mas esta merda ainda vai dar pano para mangas, já sei que o gajo vai voltar à carga, que não lhe vou resistir, que vou acabar na cama com ele e que me vou sentir uma merda a seguir, que me vou arrepender, ou seja, vou bater com as putas das costelas no chão. Não sei porque tento enganar-me.

2.7.10

Control freak

Pois é, control freak. Só que eu eu não pretendo controlar tudo, só a mim. É algo estranho eu ter esta mania e no entanto não ser obcecada por ter tudo planeado na minha vida. Gosto de não ter tudo sempre planeado e ir andando ao sabor do que me apetece, mas isto claro é só no que a mim diz respeito, porque no que diz respeito aos meus filhos obviamente que penso nas coisas com antecedência e planeio o que tem de ser planeado. No entanto tenho um profundo pavor a perder o controlo, por causa disso nunca na vida me embebedei a sério, páro de beber logo que começo a sentir-me tonta. Por isso nunca expludo, por isso é raríssimo seguir impulsos sem antes os tentar compreender. E se momentos há em que acho que esta minha capacidade é uma grande coisa, muito útil e que me evita de certeza muitas chatices, tenho outros em que me pergunto seriamente até que ponto não estarei a transformar-me numa pessoa completamente calculista e manipuladora, daquelas que eu não gosto. E isto leva-me ao início, a minha mania de me controlar e de ter sempre a noção das coisas, e reparo que não me dando conta, provavelmente estou a ir precisamento pelo caminho que abomino e sem ter sequer consciência disso. É ruim...

20.6.10

A sério que não queria nada disto

Há um gajo que me ficou atravessado, e quando é assim é uma merda. Este gajo existiu na minha vida era eu ainda muito verde contudo parecia que tínhamos íman. Era uma coisa realmente extraordinária, inexplicavel, hoje diria animalesca. Os anos passaram e perdemo-nos o rasto. Durante este tempo todo, ora deixa-me fazer as contas, a menina aqui tinha 17 anos e ele 23, portanto passaram 17 anos e significa que este indivíduo tem agora 40 anos. Nestes 17 anos falei com ele apenas duas vezes apesar de o ter avistado e ele a mim mais algumas vezes na rua. O estranho (ou não) é que das duas vezes que falamos, aquelas conversas casuais de quem vai na rua e de repente encontra uma pessoa que não vê há anos, então tudo bem, e como estás, e o que estás a fazer agora, ok, felicidades, gostei muito de te ver, até à proxima, mais ou menos isto, eu sentia uma puta duma dor de barriga durante todos os segundos perto dele, olhámo-nos sempre nos olhos, eu a ler nos olhos dele um comia-te já aqui e estou convencida que ele a ler exactamente a mesma coisa nos meus. Animalesco. Sucede que eu era casada, um facto incontornável e está tudo dito. A segunda vez que me deparei com ele à minha frente ele deu-me o número de telefone dele, que eu nunca usei  e que francamente acho que perdi quando mudei de número por altura do divórcio. Vi-o algum tempo depois, empurrando um carrinho de bébé e com uma jovem ao lado que deduzi ser a esposa. É verdade que sempre soube que haveria de cruzar-me com ele novamente um dia, é verdade já o vi algumas vezes de longe na rua, depois do divórcio, é verdade que já pensei nele, mas aquele carrinho de bébé e a jovem que o acompanhava são altamente esclarecedores, proibem-me de sequer colocar a hipótese de entrar em contacto com ele e verdade seja dita, não me incomoda nada que esta figura esteja só no esquecimento e diluída no charco das recordações da juventude. A puta da merda toda é que este gajo me contactou há 2 dias, através de uma destas redes sociais virtuais. Grande merda. Não faço ideia do que é a vida dele neste momento, se está casado ou não, não faço a menor ideia. Também não faço ideia se vou ter força para lhe fugir.

1.6.10

Inútil

Poderia fazer exercícios mentais na tentativa de perceber determinados comportamentos. Poderia tecer hipóteses na tentativa de explicar determinadas atitudes. Poderia fazer juízos de valor, poderia especular sobre personalidade, sobre vivências, sobre hábitos, sobre maturidade, sobre montes de coisas. Não. Ao invés penso na minha reacção a tais acções e é esse comportamento e essa atitude que importa perceber e explicar sobretudo para não se repetir. O resto é perfeitamente inútil. Por isso, dou cordinha aos sapatos e afasto-me para ajustar a perspectiva. O que vejo não me agrada. Nada. Porém, não podendo mudar o comportamento dos outros, o que tenho a fazer é mudar o meu.

25.5.10

Diz-lhe

Diz-lhe que não, que não espere nada e que nada tens para lhe dar. Não posso faltar-lhe assim ao respeito, não posso. Ele nunca me pediu nada, nem agora, ele nunca cobrou nada, apenas gosta de mim há vinte anos e durante vinte anos menos dois meses nada soube de mim. Mas aposto que te procurou porque soube que te divorciaste, aposto que pensa que tem agora a oportunidade dele. Talvez, mas isso não muda nada, nem o sentimento dele nem o meu. De que adianta magoa-lo? Não, não posso. Se durante estes anos todos o sentimento ficou sem saber do meu paradeiro, sem esperar nada em troca, não serão as minhas palavras que farão a diferença. A ausência é muito pior do que as palavras, a ignorância é muito pior do que as palavras, e ele aguentou tudo por uma ideia do que poderia ter sido. Ele é coerente. Ele é desonesto com toda a gente à volta dele mas manteve-se honesto com ele próprio, quase que o admiro por isso. Quase. Fez da própria mulher a segunda escolha, quase que o desprezo por isso. Quase. Desde que retomamos o contacto nunca foi indelicado, nunca fez um comentário impróprio, que direito tenho eu de o confrontar com um facto que o destroçará? Não tenho direito algum. O que ele sente é dele, não é meu e nunca será. Invadir esse espaço é faltar-lhe ao respeito. Não posso. Não digo.

Old friends, old bruises.

Quando os verbos começaram a ser utilizados no presente em vez de no pretérito perfeito percebi que provavelmente aquilo que me atingiu como uma pedrada na cabeça aqui há tempos, mas que secretamente desejei que fosse passado ainda que subsistindo a dúvida, afinal não é passado, é presente:

Ele: não é fácil...
(respeirei fundo, enchi-me de coragem)
Eu: mas o que estás a dizer? isso já passou, certo?
(pausa)
Ele: olha as horas, é tardíssimo, amanhã não nos levantamos.
(arrependi-me imediatamente)
Eu: tens razão, vamos dormir, amanhã nem de grua
(e despedimo-nos)

Foi o final da conversa, hoje sem eu querer, ele levou-a novamente para o assunto, aquele assunto, que não foi abordado desde então, desde que senti o soco no estômago com a revelação, a revelação. Outro soco hoje, este dói mais, foi em cima da ferida, onde já tinha magoado antes e que durante algum tempo achei que tinha sarado. Mas não, ainda me dói. Que lhe doa.

14.5.10

Feitos

E quando esta manhã recebi a confirmação da reserva fiquei toda contente. Mesmo contente. Fiquei satisfeita comigo, consegui fazer aquilo que na minha cabeça iria ser de certeza uma tarefa monstra. So full of myself. E agora, consegui que não falhasse uma única cor de nenhum dos modelos, e são muitos, que saem hoje em duas malas cheínhas para Paris, destinados à sessão fotográfica da colecção de Verão 2011 do meu maior cliente. Estou satisfeita. Full of myself. E há cerca de duas semanas finalmente entreguei os papeis todos à minha amiga solicitadora para que ela trate das merdas todas relativas aos meus impostos e à compra da minha casa. Satisfeita, full of myself. Tudo muito bem, e isto tudo que escrevi é absolutamente verdadeiro. Tão verdadeiro como a tristeza que ainda cá dentro, estúpida, reina so full of herself.

12.5.10

Tinta

Quando estou assim, triste, olho-me ao espelho e acho que aquele rosto precisa de alguma coisa. Então maquilho-me. Acho sempre que a sombra e o blush trazem um pouco de brilho. Inútil tentativa de tapar o Sol com a peneira, serve apenas para fazer batota. Eu gosto daquele rosto, só não gosto da tristeza, que atenuo ligeiramente de manhã com as pinturas mas que regressa em força à noite, quando já de cara lavada me olho ao espelho e penso outra vez que aquele rosto precisa de alguma coisa.

11.5.10

Pé ante pé

A pior tristeza é aquela que não se sabe de onde vem. Aquela que chega de mansinho, que nos invade só um bocadinho a cada dia, que se sente vir mas quase que passa despercebida. Aquela que não faz sentido, que não se entende e que por isso se transforma numa bola de neve que galgando as entranhas toma posse de tudo. Aquela que se disfarça de fraca para de um momento para o outro explodir dentro de nós e dominar todos os gestos, todos os pensamentos e pintá-los de angústia. Aquela que da mesma forma que não se sabe como nem de onde veio, não se sabe se partirá.

6.5.10

Zero

Esta é uma daquelas noites em que, sozinha em casa depois de um dia de trabalho no lombo daqueles que deixam o corpo moído e a cabeça vazia, o cansaço é demasiado e a paciência nula para esperar que a banheira encha. A alternativa seria uma boa massagem e umas cócegas na cabeça até adormecer, mas isso implicaria ter de levar com um moço, que se ajeita muito bem e até é meiguinho, mas como já disse não há paciência, nem energia para o que provavelmente a massagem iria despoletar. Na ausência disto tudo, vou meter-me na cama, fechar os molhos e tentar ficar imóvel na esperança de adormecer rapidamente. Há noites assim, e depois? Só vim aqui escrever esta merda porque foi a única coisinha que me apeteceu fazer.

(Foda-se que ainda tenho de me despir, tomar um duche, lavar os dentes e vestir o pijama, puta de trabalheira...)

26.3.10

Como dantes

Estivemos na conversa três horas e meia e foi tudo igualzinho.
Conversámos e rimos, rimos e conversamos, o trabalho, os filhos, os pais, os amigos.
Como dantes.
Não falamos do assunto que me atordoou.
Não se tocou nesse tema.
Como dantes.