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1.3.11

Sucesso

Vou falar outra vez do Facebook e do grupo da minha escola. Não resisto. Há um tipo que foi da minha turma, era muito popular, senão o mais popular da escola. Era giro, engraçado, destemido, tudo o que um rapaz na adolescência quer ser e só muito poucos são. Além disso era simpático e falava com toda a gente, mesmo com quem não era popular como ele. De vez em quando cruzo-me com ele, ora na rua, de carro, ora no super mercado, cumprimenta-me sempre, e já o vi inclusivamente num concerto em Lisboa, grande coincidência. Mas de há uns anos para cá vejo-o triste e apagado. Houve um dia até, em que o encontrei e quando me viu sorriu e vi naquele sorriso uma característica que me era tão familiar. Vi um sorriso de socorro, de alguém que não se sentindo bem, a lembrança que eu lhe trazia, dos tempos de escola em que a vida lhe corria bem, em que era feliz, o fez sorrir como que a pedir, salva-me, tu que conheces o tempo em que eu era feliz, leva-me de novo para lá. Eu conhecia esse sorriso, era também o meu às vezes. Muitas vezes. O Facebook... pois. Vejo as fotografias dele naquele tempo e a expressão é aquela de que me lembro, a jovialidade, a irreverência e sempre aquele sorriso aberto de quem é feliz. E também no Facebook, vejo as fotografias dele hoje, tão diferentes das do antigamente, vejo-o triste, o olhar apagado, sinto sofrimento naquele rosto. Sei que vive cá na terra, sei que é casado, que tem filhos pequenos, mais novos que os meus. E sei também que não é feliz.

28.2.11

Comida

Estou exausta. Os miúdos voltaram definitivamente a casa. Pareciam loucos. Ai que saudades mãe, a casa está tão bonita mãe. Nem sabiam o que fazer, para que lado se virarem. Jogaram à bola no jardim, ficaram como ferreiros, todos suados, cheios de relva e de terra. Depois do duche, viram a varanda toda arrumada com os brinquedos todos em ordem, e ao abrir as gavetas e percorrer as estantes, ei, que saudades deste carro, que saudades deste jogo, já nem me lembrava. Depois os dvd's, olha este filme, que saudades, podemos ver? Podemos. E o que vamos jantar? Não sei, o que acham? Vamos às compras e decidimos o que vamos comer? Ena, vamos. Fomos. Escolheram picanha. Seja. Chegamos a casa e trinta minutos depois, eles ajudaram,  estávamos a jantar. Depois de tudo arrumado e limpo, eles ajudaram, fomos ao circo. Muito bom. No dia seguinte, o almoço foi comprado porque fomos à missa e não dava tempo, mas o jantar, a velha história. Mãe, o que vamos jantar? Não sei, o que acham? Pizza! Hum... não sei... comida de plástico? Sim mãe, não há problema, pizza mas da que tu fazes, nós ajudamos-te. Seja, vamos às compras e fazemos pizza. Fizemos, todos, uma algazarra total, a loucura, adoramos ver-te cozinhar mãe.
(Nunca conseguirei dissociar a ideia de família e união, da comida, da preparação das refeições e das refeições Pelo menos na minha, está tudo íntima e fortemente ligado)

23.2.11

Tiny little things

No segundo em que me sentei na cadeira pensei de mim para mim: mas que bom que é estar sentada a apanhar Sol numa esplanada e dou-me conta que um prazer tão fácil e simples me passa tanto ao lado. Triste não é não conseguir fazer coisas difíceis, triste é não conseguir fazer coisas fáceis.

3.2.11

Bad boy






De todos as figuras másculas que, como a qualquer adolescente, me fizeram sonhar, esta tem ainda hoje um efeito algo perturbador em mim. Sempre teve ar de "bad boy", mas o timbre da voz e o olhar contradizem o corpo musculado e a atitude firme que independentemente dos personagens, sempre lhe vi. Os anos passam e o efeito permanece, a voz continua segura, calma e quente, e o olhar doce e sereno. Este senhor, para quem não conhece, é actor da TV Globo e chama-se Humberto Martins.

27.12.10

Voltas

Às vezes regressamos a lugares onde nunca antes estivemos, assim como às vezes regressamos a pessoas que nunca antes tivemos. E mesmo assim sentimos imediatamente que pertencemos, somos invadidos pela sensação de conforto, aquela que nos diz que nunca dali saímos, que nunca nos separamos. Temos simplesmente a certeza que somos, e regressamos.

6.11.10

Et voilà, comme promis

Lady Marmelada



Miss Geleia




O grande circulava à minha volta chegando-me todos os utensílios que iam sendo necessários e atento a todos os meus movimentos, absorvia todo o ritual com visível prazer.

O pequeno oscilava entre o espaço à volta do fogão onde andávamos eu e o irmão, e o cesto da gata, que é grande o suficiente para ele lá se meter dentro com a gata ao colo.

No fim, rapamos as panelas e lambemos as colheres, todos três, como sempre.

No próximo fim-de-semana, há mais.



27.10.10

Tradições

Outra das coisas que à primeira vista ninguém imagina é que eu, todos os anos por esta altura, faço marmelada. Daquela que se mete em tigelas de barro e se deixa a secar à janela, ao Sol. Daquela que liberta um cheirinho maravilhoso que inunda a casa toda enquanto ferve ao lume. Daquela que invariavelmente me garante os meus filhos à minha volta na cozinha enquanto mexo a panela com a colher de pau, enquanto encho as tigelas para depois, contentíssimos raparem e lamberem a panela e a colher de pau. Daquela que é feita com marmelos e açúcar e muito, muito amor. Adoro.

18.10.10

Friday night

O fim de semana começou com um concerto muito intimista deste senhor que apesar de madurinho continua um charme, uma doçura que só visto. Foram duas horas a ouvi-lo tocar que souberam a uma tarde passada num sofá, à lareira com um copo de vinho e um albúm de fotografias antigas. Muito bom. Mesmo.

(Lloyd Cole - 15/10/2010)

5.10.10

E quase que me esquecia

De dizer que fui ao concerto dos U2 no domingo à noite e... tchan tchan tchan tchan... não fumei! Nem cigarros nem nada! Ah pois é! Em contra partida fartei-me de chorar. Em suma, adorei!

P.S. Devo esclarecer que as três pessoas que me acompanharam ao concerto choraram também, por isso posso concluir que a emoção não se deveu à minha especial dificuldade em conter as lágrimas neste momento. O concerto é que foi mesmo de cortar a respiração e de ir às lágrimas.

P.S. 2 - Das três pessoas, uma era uma gaja, e as outras duas eram gajos.

P.S. 3 - O meu irmão também lá estava e depois confessou-me que também chorou quando ouviu o Bono a cantar em italiano na Miss Sarajevo.

P.S: 4 - Acho que está tudo esclarecido, certo?

29.9.10

Dina

A Dina é mais ou menos da minha idade, um ou dois anos mais nova ou mais velha, não sei bem. A Dina teve meningite em pequenina, tem uma faltinha. Foi o que sempre ouvi dizer por lá, todas as vizinhas acenavam com a cabeça quando a Dina passava. Eu era amiga da Dina, fui sempre, desde pequenina. Só não me lembro da Dina ter a tal meningite, talvez fosse quando ainda era bebé. Foi a Dina que me contou que o pai era muito mau e que batia na mãe e nos irmãos e irmãs dela. Eram muitos filhos, ao todo talvez uns sete ou oito. Eu e a Dina brincávamos e ela contava-me estas coisas. Todos os filhos morriam de medo do pai, e a mãe também. A Dina cresceu, eu também e naturalmente afastamo-nos. Até que um dia ouvi a mãe dela dizer: a minha Dina arranjou moço, não sei o que vai ser. Claro, a Dina tem uma faltinha e a mãe, melhor do que ninguém sabe disso. A Dina casou-se a mãe disse: não sei se a minha Dina vai dar conta do recado. A Dina teve uma filha que por acaso é da idade do meu filho mais velho e andam juntos na escola desde o primeiro ano. A Dina deu conta do recado. A Dina trabalha numa fábrica, é casada e tem uma filha. É despachada, na boca da mãe: a minha Dina deu mulher de vida, nunca pensei, ela que teve meningite em pequenina. E eu acho que a Dina é feliz, é uma mulher realizada, satisfeita com a sua vida. Sempre que passa por mim a Dina sorri-me e pergunta-me se está tudo bem comigo. Gosto dela. Recentemente o pai da Dina morreu, velho e doente, amado por todos os filhos independentemente de ter sido mau e cruel com todos eles. A Dina veste luto pelo pai, e é sentido aquele luto. Vem-lhe do coração. Esqueceu todas as coças que levou, por amor.

26.9.10

Novo mundo

Se muitas pessoas e acontecimentos nos valem apenas um comentário banal ou um acenar de cabeça inconsciente há outras que nos perturbam de uma forma que nos muda. Se muitas situações são complicadas e confusas há outras que se nos mostram claras como água e o caminho abre-se à nossa frente sem encruzilhadas ou desvios. O verão de 2010 ficará como o verão da mudança, ou melhor, da descoberta. Descobri em mim uma mulher que julgava não existir, descobri que essa mulher pode pouco contra ela própria e no entanto tem perfeita consciência do que faz e de como o faz, e mesmo vendo à sua frente o precipício, resolve dar o passo em frente. Percebi que, mesmo sabendo que o caminho não tinha saída, fui capaz de não travar, fui capaz de avançar, de ir até ao fim. Há agora todo um novo mundo dentro de mim, há toda uma nova percepção da realidade e tudo isto, grande e avassalador é completamente inútil. Nada se pode fazer com tudo isto e aceitei que ficará guardado numa gaveta onde te encerrei. Junto-te agora tudo o que fizeste acordar dentro de mim, junto-te agora tudo o que me fizeste sentir. Guarda nessa gaveta, fecha-a e esconde a chave até que tudo adormeça ou morra, até que as memórias bafientas e cobertas de pó sirvam apenas para serem lembradas, já sem lágrimas e só com sorrisos. Pode ser que um dia, como nos filmes, eu conte esta história e faça alguém sonhar.

10.9.10

Caminhos

Saio do escritório e entro no carro. Desço a rua e lá em baixo contorno a rotunda. Podia virar logo à direita e subir, depois virar à esquerda e entrar na circular que contorna a cidade e chegaria ao meu destino em 5 minutos. Mas contorno a rotunda e só saio na próxima e vou em direcção ao centro da cidade. O semáforo calha sempre em vermelho, sempre. Espero, gosto de ver as pessoas. Gosto do tempo que perco, não perco porque este tempo não é perdido, gosto de percorrer as ruas do centro, gosto de observar por entre o trânsito lento os avós que trazem os meninos pela mão, as mulheres em passo rápido com os sacos do super-mercado quase a rebentar. Delicio-me com as pessoas que correm para entrar nos autocarros, ansiosas por chegar a casa. Avanço lentamente e ouço a rua. O movimento das pessoas na rua, as compras rápidas antes do jantar, ou o café ou a cerveja descontraída na esplanada. No Inverno é parecido, há sempre gente na rua ao final do dia, há sempre mulheres e homens apressados e há sempre mulheres e homens descontraídos. Há idosos com crianças pela mão. E há trânsito. Às vezes há chuva também. Há, sobretudo vida, várias vidas, muitas vidas que se cruzam diariamente, incognitamente. Não dispenso esta passagem breve pela vida de outras pessoas. Podia contornar tudo isto, mas escolho não o fazer, escolho fazer com que todas estas pessoas que não conheço façam parte da minha vida.

2.9.10

Needs

"I think he always loved me, in his own way, spending no time with me, showing me no affection"

"Why did you stay?"

"I didn't need him to feel about me the same way I felt about him"

15.8.10

Julião Sarmento

No Tate Modern Museum, em Londres, numa sala só com obras dele. Houve uma que não irei mais esquecer. A acompanhar uma sequência de fotografias de um torso de uma mulher, tem o seguinte texto:

"Des le commencement il y a ton ombre qui leche mon corps, et des que mon corps se laisse lecher par ton ombre, mon corps se fait en brume."

Pode ser vista aqui.

(desde o início há a tua sombra que lambe o meu corpo, e desde que o meu corpo se deixa lamber pela tua sombra, o meu corpo faz-se em bruma)

8.6.10

Respostas

"Afinal, uma pessoa sempre responde com a sua vida inteira às perguntas mais importantes. Não importa o que diz entretanto, com que palavras e argumentos se defende. No fim, no fim de tudo, com os factos da sua vida responde às perguntas que o mundo lhe dirigiu com tanta insistência. Essas perguntas são as seguintes: Quem és tu?... Que querias realmente?... A que foste fiel ou infiel?... A quê ou a quem mostraste ser corajoso ou cobarde?... São essas as perguntas. E uma pessoa responde como pode, duma maneira sincera ou mentindo; mas isso não tem grande importância. O importante é que no fim, uma pessoa responde com toda a sua vida."

Sandor Maraí - As velas ardem até ao fim

2.6.10

Revelação

" Se alguém é forte o suficiente para reconhecer a verdade da sua própria natureza, disse o homem, está próximo da libertação. E suporta-a, sem mágoa, porque é uma verdade. E, na medida em que isso humanamente é possível, vive sem falsos desejos. "

Sandor Maraí - Revelação