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23.9.11
O grande
Ontem fui com ele fazer o percurso de autocarro até ao Instituto Britânico, para ele aprender. Começa na próxima semana as aulas, às segundas e quartas, das cinco e meia às sete. Ensinei-o a ir de autocarro, o salão de estudo que ele frequenta fica mesmo ao pé da paragem, até ao centro da cidade e de lá, a pé, pelo passeio e sempre pelas passadeiras, até à porta do Instituto. Depois voltamos para trás até à paragem do autocarro que faz o percurso inverso. O plano é ele vir ter comigo ao escritório quando acabar a aula e vai comigo para casa mas, visto que eu também vou ter aulas e posso não conseguir alguém para o ir buscar, assim fica a saber também voltar de autocarro, caso seja necessário. Tinha combinado uma boleia do meu irmão para regressarmos, e enquanto esperávamos por ele, apareceu o autocarro. Mãe, deixa-me ir sozinho, deixa-me, é facílimo, eu sei onde tenho de sair, vá deixa-me, eu sei, não te preocupes. Hesitei. A sério, mãe, saio em frente à escola e vou para casa da avó, deixa-me. Deixei. Foi todo contente, como um homem. Quando cheguei a casa dos meus pais com o meu irmão já lá estava, satisfeitíssimo.
22.9.11
O pequeno
Chamo macacos aos meus filhos, e eles sabem perfeitamente que é um carinho. Macaquinhos, às vezes, também. O meu irmão de vez em quando também usa a mesma expressão, quando se quer meter com eles. No outro dia chamava por eles, onde estão os macaquinhos, onde? O grande, lixado, ai é? Se nós somos macacos, tu és um gorila! E o pequeno, de longe, calmamente, é, é um gorila... sem pila.
Faz hoje oito anos.
Faz hoje oito anos.
5.9.11
Momentos marcantes
A noção de que o meu filho mais velho ia começar a escola priomária foi um momento marcante para mim, depois quando começou o ciclo (acho que já não é assim que se diz) coincidiu com o início da primária do mais novo, outro momento marcante. Este ano o mais velho está no sétimo ano, inicia-se outro ciclo e eu sinto estas coisas. Mas choque mesmo senti quando percebi que as sapatilhas dele, que já não usa porque lhe ficaram pequenas, me servem. Que estalo, arrasou-me.
27.8.11
Acordar
Aqueles minutinhos de sábado de manhã são insubstituíveis. Quando eu os acordo e eles ainda sem abrir os olhos se viram para mim e me abraçam. O pequeno do lado esquerdo dá-me um beijo mesmo de olhos fechados e o grande do lado direito põe a perna por cima da minha. Ficamos assim, eu derretida com um de cada lado agarradinhos a mim, eles quase acordados, ainda de olhos fechados, quentinhos no mimo da mãe.
(sexta-feira é a noite de dormir comigo)
(sexta-feira é a noite de dormir comigo)
22.8.11
Golpes
Noutros tempos pararia e iria de imediato desinfectar e aplicar uma ligadura, iria fazer a coisa como deve de ser, dois dedos cortados não é nada de dramático mas também não é coisa que não mereça atenção. Mas não, estando a preparar um gelado de maracujá, com dois gajos atentíssimos a todas as operações necessárias, a cena é assim, ao abrir um maracujá com a faca de serrilha, a puta da faca salta e corta razoavelmente o indicador e o médio da mão esquerda, e o que se faz é abrir a torneira, passar os dedos por água, espremer um pouco para sair aquele sangue merdoso, aquele, o primeiro, e depois envolve-se a mão num pano de cozinha até o sangue estancar, e com cuidado para não arriscar umas gotinhas de sangue no gelado, continua-se o que se estava a fazer. Simples.
28.7.11
Os meus, os teus e os nossos
Há muitos anos a minha mãe contava a história se que um senhor que enviuvou novo com vários filhos pequenos, se casou outra vez e com a nova mulher teve também vários filhos. A nova mulher, por sua vez, também viúva, também já tinha filhos, e depois por piada diziam dos filhos, os meus, os teus e os nossos. Ontem à noite tive cá em casa a jantar além dos meus filhos, os filhos da namorada do pai, um rapaz da idade do meu pequeno e uma rapariga da idade do meu grande, e também um par de gémeas que são filhas dum casal amigo que fui buscar à hora do almoço e que vão cá ficar em casa até à próxima segunda-feira. Estou de férias e esta semana é dedicada aos putos. Com as seis crianças sentadas à mesa, regaladas com a minha lasanha, não pude deixar de me lembrar da história dos meus, os teus e os nossos, não só por serem muitas crianças mas também pela mistura. O meu ex-marido, também padrinho da gémea veio cá com a namorada trazer os filhos dela e também veio ver a miúda. Depois de jantar, os rapazes lá fora no jardim e no pátio com as pistolas de água e as bolas, e nós as gajas, nos vernizes e nas maquilhagens. Elas falavam de miúdos cantores que saem na revista Bravo e perguntavam-me qual é que eu achava o mais giro. Tive os miúdos cá quase até à meia noite, eu tinha dito aos grandes para namorarem à vontade, que não tivessem pressa de os vir buscar. Definitivamente, um programa a repetir.
14.7.11
4.7.11
23.5.11
Alien
Não esquecer que eu não percebo rigorosamente nada de futebol, nunca me interessou e continua a não me interessar, não sei ver se foi fora de jogo, se foi falta, não sei nada, mesmo nada. Então fui, com este espírito descontraído, levar os meus filhos ao Jamor. Fomos de autocarro, levamos o farnel, fizemos o piquenique, tudo, a cena toda. Gostei, houve pormenores que dispensava, mas no geral gostei. Os rapazes entusiasmadíssimos, e só isto, valeu tudo, o calor, o carregar os sacos, o pó, os doentinhos da bola já alcoolizados horas antes do jogo. A parte mais bonita foi sem sombra de dúvida aquelas duas horas, já dentro do estádio, a torrar ao Sol mas isso é só um detalhe, a gritar, a fazer a onda, a cantar, Disso gostei muito. Depois do jogo começar é que já podia ter vindo embora que tinha ganho mais. O jogo, passou-me como era de esperar completamente ao lado, vi aquilo como se estivesse numa esplanada a ver as pessos a passar à minha frente, com a naturalidade de quem bebe um sumo de laranja enquanto espera pela torrada, agora os insultos, os pontapés nas cadeiras, os gritos, enfim, pessoas que se transformam em potenciais serial killers, pessoas que libertam tanta raiva que metem medo. Eu tive medo. Depois houve outras pessoas que se foram embora antes do jogo acabar. Não gostei nada dessa parte. Porque é que se vão embora antes do fim? Foram de tão longe e não ficam até ao final? Que raio de adeptos são estes? Cantam hinos de amor ao clube e quando o clube está a perder não ficam para ver o fim do jogo? Desistem simplesmente e abandonam os jogadores? Eu, se fosse jogador não queria estes adeptos. Mas eu não percebo nada de futebol.
6.5.11
Provas
Correu-me lindamente, mãe. Respondi a tudo e a minha composição foi de vinte e sete linhas (não sei se concordo com esta norma de estabelecer limites de linhas nas composições, mas isso são outros quinhentos), e sabia as respostas todas. De certezinha absoluta que eu estava muito mais ansiosa do que ele, que acordou muito bem disposto e se despediu de mim com um sorriso de orelha a orelha à porta da escola. Vim para o escritório e a meio da manhã liguei à minha mãe, ele que me telefone imediatamente quando chegar, quero saber como lhe correu a prova, estudou tanto. Ufa! Agora siga a rusga que na próxima semana há prova de Matemática, o fim-de-semana não vai ser propriamente de brincadeira.
3.5.11
Algazarra
No dia de Páscoa, a seguir ao almoço ouvi uma grande algazarra, eram as vozes dos meus filhos e lá no meio ouvia a minha mãe também. Mas, ao invés da minha mãe os estar a mandar calar como é costume, a voz dela pareceu-me tanto ou mais excitada do que as deles. Da janela do quarto do mais novo, sim em casa dos meus pais tanto eu como eles temos quarto, pelo meio das folhas do limoeiro, via-se isto:
Este ninho magnífico lá estava, escondidinho. Diz a minha mãe que agora, onde se vêm dois ovos, estão quatro. Foi uma festa, como é bom de ver. Hoje, há bocadinho, quando lá cheguei para almoçar, deparo-me com isto em cima da mesa das traseiras:
Duas cobras, metidas num frasco que a minha mãe encontrou no quintal e imediatamente chamou o meu pai para as apanhar. São para os rapazes, disseram-me os dois, todos contentes. Quando os moços chegarem da escola vai ser o fim da macacada.
2.5.11
Sacrifício
Esta que vos escreve sente uma profunda repulsa por futebol e derivados. Esta que vos escreve entrou uma vez na vida num estádio de futebol e assistiu a um jogo de uma competição europeia e jurou que nunca mais. Esta que vos escreve é mãe de dois rapazes, um com sete anos e o outro com onze anos. Esta que vos escreve não tem outro remédio senão aceitar que os dois rapazes vibram com futebol e obviamente que estão ambos histéricos porque a equipa cá da terra passou à final, pela primeira vez na história do clube. Esta que vos escreve pediu ontem a alguém que lhes compre bilhetes, a ela e aos dois rapazes, para irem ver a final da taça de Portugal ao Jamor.
26.4.11
Só faltas tu
No carro:
Grande: Sabes mãe, estou à procura de garina.
Eu: Como? (o gajo tem onze anos)
Grande: Sim, à procura de namorada.
Eu: Mas... namorada? Mas para quê?
Grande: Daaaahaaa! Para quê... Para fazer coisas de namorados, ora. O que é que os namorados fazem?
...
Pequeno: Sabes mãe, não percebo, na minha sala todas as raparigas gostam de mim.
Eu: Todas? Mesmo todas? (este tem sete)
Pequeno: Sim, todas, elas dizem que eu sou o mais bonito da sala.
Eu: E tu? Gostas de alguma?
Pequeno: Gosto da Mariana, e ela gosta de mim.
...
Grande: Vês mãe? Só faltas tu.
Pequeno: É, só faltas tu.
Grande: Sabes mãe, estou à procura de garina.
Eu: Como? (o gajo tem onze anos)
Grande: Sim, à procura de namorada.
Eu: Mas... namorada? Mas para quê?
Grande: Daaaahaaa! Para quê... Para fazer coisas de namorados, ora. O que é que os namorados fazem?
...
Pequeno: Sabes mãe, não percebo, na minha sala todas as raparigas gostam de mim.
Eu: Todas? Mesmo todas? (este tem sete)
Pequeno: Sim, todas, elas dizem que eu sou o mais bonito da sala.
Eu: E tu? Gostas de alguma?
Pequeno: Gosto da Mariana, e ela gosta de mim.
...
Grande: Vês mãe? Só faltas tu.
Pequeno: É, só faltas tu.
14.3.11
Lógica
Ontem, ao almoço, à mesa:
Ele: Sabes mãe, quando eu era pequenino achava que o sal vinha do mar.
Eu: E vem filho, o sal vem do mar.
Ele: Eu sei, vem a água do mar, fica presa naquelas coisas...
Eu: Nas salinas...
Ele: Isso, nas salinas, evapora-se e fica o sal. Mas também achava que o acúcar vinha do rio.
Eu: Do rio?
Ele: Sim, (já a rir-se) a água do rio não é água doce?
(Choramos a rir)
Ele: Sabes mãe, quando eu era pequenino achava que o sal vinha do mar.
Eu: E vem filho, o sal vem do mar.
Ele: Eu sei, vem a água do mar, fica presa naquelas coisas...
Eu: Nas salinas...
Ele: Isso, nas salinas, evapora-se e fica o sal. Mas também achava que o acúcar vinha do rio.
Eu: Do rio?
Ele: Sim, (já a rir-se) a água do rio não é água doce?
(Choramos a rir)
28.2.11
Comida
Estou exausta. Os miúdos voltaram definitivamente a casa. Pareciam loucos. Ai que saudades mãe, a casa está tão bonita mãe. Nem sabiam o que fazer, para que lado se virarem. Jogaram à bola no jardim, ficaram como ferreiros, todos suados, cheios de relva e de terra. Depois do duche, viram a varanda toda arrumada com os brinquedos todos em ordem, e ao abrir as gavetas e percorrer as estantes, ei, que saudades deste carro, que saudades deste jogo, já nem me lembrava. Depois os dvd's, olha este filme, que saudades, podemos ver? Podemos. E o que vamos jantar? Não sei, o que acham? Vamos às compras e decidimos o que vamos comer? Ena, vamos. Fomos. Escolheram picanha. Seja. Chegamos a casa e trinta minutos depois, eles ajudaram, estávamos a jantar. Depois de tudo arrumado e limpo, eles ajudaram, fomos ao circo. Muito bom. No dia seguinte, o almoço foi comprado porque fomos à missa e não dava tempo, mas o jantar, a velha história. Mãe, o que vamos jantar? Não sei, o que acham? Pizza! Hum... não sei... comida de plástico? Sim mãe, não há problema, pizza mas da que tu fazes, nós ajudamos-te. Seja, vamos às compras e fazemos pizza. Fizemos, todos, uma algazarra total, a loucura, adoramos ver-te cozinhar mãe.
(Nunca conseguirei dissociar a ideia de família e união, da comida, da preparação das refeições e das refeições Pelo menos na minha, está tudo íntima e fortemente ligado)
(Nunca conseguirei dissociar a ideia de família e união, da comida, da preparação das refeições e das refeições Pelo menos na minha, está tudo íntima e fortemente ligado)
23.2.11
Ciúme #1
Há meses que não escrevo sobre os meus filhos, porque durante estes meses fora de casa e a partilhá-los com os meus pais experienciei um sentimento detestável cuja origem começo a identificar mas que ainda não consegui digerir. Abro-lhe a porta apenas, a este sentimento, não ouso deixá-lo sair, ainda é cedo.
21.1.11
Acordares
Primeiro veio o maior, já de casaco vestido e mochila às costas, trepou para a cama e deu-me um beijo bem no meio da bochecha acordando-me, então mãe, estás melhor das costas? hum... que bem que me soube aquele beijo, sim filho, melhor um bocadinho, deixa-te estar deitada mais um bocadinho, eu já vou para a escola, até logo. Depois senti o pequeno, ainda em pijama, a deslizar para debaixo da roupa, abraçou-me e deixou-se estar, agarrado a mim, mãe, já acordaste? estás melhor? hum... que bem que me soube aquele abraço, sim filho, melhor um bocadinho, deixa-me ficar aqui um bocadinho ao pé de ti, a avó vai ter de me procurar, não lhe digas que estou aqui, esconde-me, e ficou aninhado no meu colo, no quentinho do ninho da mãe. Quais dores nas costas quais quê? O mimo dos filhos cura tudo.
6.11.10
Et voilà, comme promis
Lady Marmelada
Miss Geleia
O grande circulava à minha volta chegando-me todos os utensílios que iam sendo necessários e atento a todos os meus movimentos, absorvia todo o ritual com visível prazer.
O pequeno oscilava entre o espaço à volta do fogão onde andávamos eu e o irmão, e o cesto da gata, que é grande o suficiente para ele lá se meter dentro com a gata ao colo.
No fim, rapamos as panelas e lambemos as colheres, todos três, como sempre.
No próximo fim-de-semana, há mais.
27.10.10
Tradições
Outra das coisas que à primeira vista ninguém imagina é que eu, todos os anos por esta altura, faço marmelada. Daquela que se mete em tigelas de barro e se deixa a secar à janela, ao Sol. Daquela que liberta um cheirinho maravilhoso que inunda a casa toda enquanto ferve ao lume. Daquela que invariavelmente me garante os meus filhos à minha volta na cozinha enquanto mexo a panela com a colher de pau, enquanto encho as tigelas para depois, contentíssimos raparem e lamberem a panela e a colher de pau. Daquela que é feita com marmelos e açúcar e muito, muito amor. Adoro.
24.10.10
Missa das 11
Hoje na missa das 11, sim levo os meus filhos à missa, sim o pai, apesar de não ter tido uma educação católica como eu tive, também os leva à missa quando estão com ele e sim andam os dois na catequese. Não lhes faz mal absolutamente nenhum e terão muito tempo para questionar, abandonar, renegar, e escolher outra coisa qualquer ou não escolher nada. Por agora fica assim porque além de, repito, não lhes fazer mal nenhum, poupamos um grandessíssimo desgosto à avó e também somos coerentes porque se os meninos fazem a primeira comunhão com direito a festa de família como manda a sapatilha, há que ser minimamente coerente e dar algum seguimento à coisa. Bom, hoje na missa das 11, eu toda fodida porque estive numa festa fantástica até às 5 da matina e obviamente que estava cheinha de sono e com o corpo todo moidinho, o maior a curtir aquilo à brava, sim o grande curte a missa, e o pequeno a achar a seca de sempre. Já perto do fim, ao ver o padre a guardar as coisas todas dentro do sacrário, o pequeno aproxima-se de mim e com as duas mãos em concha à volta da boca que encostou ao meu ouvido diz-me assim:
- Mãe, ali dentro, onde ele está a guardar o pão, é quentinho não é?
- Não filho, claro que não.
- Mas então aquilo não é um forno?
Não sei como me segurei.
- Mãe, ali dentro, onde ele está a guardar o pão, é quentinho não é?
- Não filho, claro que não.
- Mas então aquilo não é um forno?
Não sei como me segurei.
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