Os meus rapazes começaram a falar de uma amiga do pai com quem têm convivido mais ultimamente e a mim, eles dizem naturalmente sem se lhes colocar qualquer questão, que é uma pessoa "muito fixe", simpática e amiga. Fiquei, obviamente muito satisfeita com isso. É a única coisa que me interessa, que os miúdos se sintam bem com quem é introduzido na vida deles. Contudo, pedi a intervenção de outra pessoa, com quem eles conversam privadamente e que sabe muito bem como chegar-lhes. Sei que eles tentam "poupar-me" a determinadas coisas. Custa-me que eles achem que têm de me poupar ao que quer que seja, primeiro porque não é suposto eles terem este tipo de preocupação ou "fardo" e depois porque é completamente desnecessário. Concluiu-se que as referências à amiga do pai são sinceras e que eles aceitam bem esta realidade. Por isso mesmo, ouvi que as minhas questões sobre introduzir novas pessoas na vida dos meus filhos talvez fossem mais problema meu do que deles. Ouvi que não havia mal nenhum e que eles convivem bem com isso, que talvez eu devesse deixar-me de merdas e que se se proporcionasse não deveria deixar de aproveitar situações em que eles se pudessem divertir e viver experiências novas com pessoas novas. Porque não? Ouvi, mas mantive as minhas reservas, não sou capaz de fazer isso. Evidentemente que conheci outras pessoas, evidentemente que convivo com pessoas que não conhecia antes de me separar, acontece que os meus filhos apenas convivem com as pessoas que sempre fizeram parte da vida deles, com os amigos que tinhamos, com os filhos desses amigos, e amigos novos são eles que os fazem, não sou eu que os trago. Ouvi que provavelmente tudo isto seria talvez um grande disparate. Pois... mas para mim não faz sentido. Se nem eu sei se daqui a um mês estas pessoas continuarão na minha vida, não me parece bem que os meus filhos conheçam pessoas que provavelmente irão desaparecer. Ou não. Mas isso, nem eu sei. Ontem, o pai relatou-me que o mais velho ficou muito triste porque esteve há pouco com uma pessoa de quem gostou particularmente e percebeu que não vai ver essa pessoa durante muito tempo, e que isso o perturbou. Erro crasso, tendo em conta a sensibilidade muito especial do miúdo. O pai já devia saber, mas percebeu o erro e assegurou-me que não se repetirá. Se com todo o discurso que ouvi sobre as minhas "paranóias" quanto a este assunto eu tivesse ficado com dúvidas, ontem elas teriam desaparecido ao saber deste episódio. Mas não, nunca tive qualquer dúvida, há coisas que não se misturam.
No lanço, ainda me disse que não usa a família dele para nada, e que é complicado estar sozinho com os dois. Não percebi se foi uma farpa para mim, que ele sabe muito bem que os meus pais me dão muito apoio, ou se foi para tentar justificar as pessoas que têm convivido com os miúdos quando eles estão com o pai. Se foi para me atingir perdoo-lhe, ele não sabe que o tempo que tenho com os miúdos é dedicado a eles somente, e que no fim-de-semana que estão comigo não os deixo nos avós para poder sair. Ele não sabe disso, mas não senti necessidade de lho dizer.
Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens
28.3.10
16.3.10
Standards
Os meus filhos são rapazes completamente diferentes, tanto fisicamente como em todas as outras características, enfim, não podiam ser mais diferentes e há coisas até em que eu diria que são opostos. Cada um com a sua personalidade, a sua sensibilidade, a sua abordagem à vida muito particular,e eu, no meio deles, por baixo, por cima, de lado, à volta, tentado o melhor que sei e posso, apoiá-los, guiá-los, protegê-los, educá-los, ensiná-los. Não tenho preferência por nenhum deles, amo-os profundamente de forma igual. Um dia eles perguntaram-me de qual gostava mais e eu respondi que se me cortassem a perna esquerda eu ficaria coxa, e se me cortassem a perna direita ficaria coxa também. Duas pernas, e ambas igualmente necessárias. Foi assim que expliquei, acho que entenderam. Procuro orientá-los, mas tento aceitá-los como são. Não quero forçá-los a serem o que não são, contudo sei que precisam de mim para lhe mostrar e ensinar o caminho. Quero que sejam felizes, mas também gostava que escolhessesm uma profissão que lhes proporcionasse alguma estabilidade. O que eu quero mesmo, é que se transformem em homens sérios, honestos, que gostem do que quer que seja que façam, que sejam equilibrados e emocionalmente bem sucedidos. Isso, para mim é mais importante do que ter muito dinheiro, ter carros desportivos ou casas com piscina. Quero que sejam capazes de amar uma mulher, ou um homem, tanto me faz e que respeitem a ou o companheiro. Quero que sejam capazes de olhar os mais velhos com carinho e quero que sejam capazes de transmitir coisas boas aos filhos, se os vierem a ter. Quero que tenham a capacidade de se divertirem e de se rirem mesmo nos momentos mais adversos. Quero que sejam optimistas e que olhem para a vida de frente, sem medos, e com um sorriso. É isto que eu quero para os meus filhos.
O pai deles ontem fez-me sentir uma merda, porque durante o fim-de-semana não obriguei o rapaz a estudar para o teste de História que tem hoje. "estou muito desiludido" disse-me. Hoje, penso nisto tudo e não voltarei a sentir-me uma merda com os reparos do pai deles. O rapaz deveria ser o melhor aluno da turma, segundo os standards do pai. Lamento, não concordo. O rapaz tem de dar o seu melhor. Se for o melhor aluno da turma, óptimo. Se não for, não vou ficar desiludida. Não vou.
O pai deles ontem fez-me sentir uma merda, porque durante o fim-de-semana não obriguei o rapaz a estudar para o teste de História que tem hoje. "estou muito desiludido" disse-me. Hoje, penso nisto tudo e não voltarei a sentir-me uma merda com os reparos do pai deles. O rapaz deveria ser o melhor aluno da turma, segundo os standards do pai. Lamento, não concordo. O rapaz tem de dar o seu melhor. Se for o melhor aluno da turma, óptimo. Se não for, não vou ficar desiludida. Não vou.
13.3.10
Maaaaaaaaaaaaaaãe, olha para miiiiiiiiiiiiiiiim!
Eu, concentrada a fazer o jantar, viro-me e vejo o puto de 7 anos, de pijama, a entrar pela porta da cozinha, com as minhas botas de salto alto calçadas, a darem-lhe até à coxa, e a tentar correr com elas nos pés. Não podia mais de tanto rir mas quando vi que as botas estavam calçadas trocadas, atirei-me para o chão. Este puto não existe!
E com esta palhaçada, claro, o arroz queimou.
E com esta palhaçada, claro, o arroz queimou.
11.3.10
6.3.10
Que seja a última vez!
Os meus rapazes dormem comigo uma vez por semana, é a regra que instituí desde que o pai saiu de casa. Uma vez por semana e não há cá confusões. Admito que adoro tê-los na minha cama, um de cada lado, eu no meio de barriga para cima e eles, agarrados aos meus braços e com as pernitas entrelaçadas nas minhas até adormecerem. Fico dividida a meio, quase literalmente, cada um deles agarra a sua metade e adormece. Estes momentos são do melhor que há. Acontece que esta semana, precisamente quando nos preparavamos para dormir, eu no meu quarto e eles cada um no seu, começo a ouvir as habituais discussões e não liguei, contudo quando os ouço a insultarem-se com palavras obscenas passou-me uma coisinha pela cabeça, transformei-me e fui disparada ter com o mais novo, obriguei-o a repetir o que tinha dito e percebi que além de palavras houve também gestos obscenos. Bem, apliquei-lhe dois pares (sim, 4) de estalos na cara mais uma boa meia-dúzia de palmadas no rabo com quanta força consegui arranjar. Pelo meio das tentativas de se defender ele lá soltou que o irmão também lhe tinha feito. Segui directa para o quarto do mais velho (que estava imóvel e acho que nem sequer respirava) e forcei-o a repetir também o que tinha feito ao irmão. Outro gesto obsceno (diferente do do mais novo) Oh meus amigos, foi logo mais uma dose de porrada. "Mas o que é isto??? Os meus filhos não são fazem estas coisas! Eu não tenho filhos mal-educados!" Berrei eu. "E digo-vos meninos, que seja a última vez que isto acontece, e eu se eu sei que lá fora, onde quer que seja, vocês me fazem destas coisas, levam semalhante coça que vos ponho aos dois no hospital, percebido? Isto foi só uma amostra! PERCEBIDO?" Nem responderam, claro. Entre soluços foram que nem flechas vestir o pijama e escovar os dentes. Em menos de um minuto estavam prontos para se deitarem e enfiei-os na minha cama, com direito a um "Estão os dois de castigo", apaguei a luz e virei costas. O mais novo, ainda aos berros: "Mas não te vens deitar? Vamos ficar aqui sozinhos?" Disse que sim, que não mereciam, "e se não te calas imediatamente vais já para a tua cama dormir sozinho!" Ele não tem mais, levanta-se e vai para o quarto dele. O outro, pesou-lhe lá ficar sem o irmão, levantou-se e foi também. Nesta altura já eu estava exausta, mais calma, mas exausta. Do mais velho não ouvi mais um pio. O mais novo ainda chorou durante mais de meia hora, sozinho no quarto dele. Depois de se acalmar, chamou-me e disse: "Mãe, já me estou a portar bem, vens adormecer-me?" (o mais velho já dormia). Respondi que não, que estava de castigo e que sabia muito bem que não merecia. Recomeçou a soluçar. "Um beijo já aqui imediatamente, e apontei para a minha bochecha. E pensa naquilo que fizeste, porque se pensas que te portas mal e que não se passa nada e que a mãe te vem adormecer como se nada fosse estás muito enganado com a tua vida. E outro beijo já! Ele deu-me outro beijo, eu também lhe dei e a última coisa que lhe disse ao sair do quarto foi um "Dorme bem".
Passei-me da cabeça, é verdade. Mas não posso admitir este tipo de merdas, não admito. Que os putos digam umas coisas menos aceitáveis quando estão sozinhos ou com os amigos, pelos vistos é normal e segundo o que sei através de casais amigos com filhos da idade dos meus todos o fazem, agora dentro de casa comigo ao lado e saem-se com isto? É que nem pensar, era o que faltava! Se não lhes meto travão os gajos ainda pensam que este tipo de coisas não têm mal nenhum e fazem disto uma coisa banal em qualquer lado, com qualquer pessoa e em qualquer situação. Não pode ser!
Passei-me da cabeça, é verdade. Mas não posso admitir este tipo de merdas, não admito. Que os putos digam umas coisas menos aceitáveis quando estão sozinhos ou com os amigos, pelos vistos é normal e segundo o que sei através de casais amigos com filhos da idade dos meus todos o fazem, agora dentro de casa comigo ao lado e saem-se com isto? É que nem pensar, era o que faltava! Se não lhes meto travão os gajos ainda pensam que este tipo de coisas não têm mal nenhum e fazem disto uma coisa banal em qualquer lado, com qualquer pessoa e em qualquer situação. Não pode ser!
1.3.10
Ritual
Há algumas coisas que não consigo deixar de fazer, é quase uma daquelas cenas obsessivo-compulsivas daquele filme com o Jack Nicholson, o "As good as it gets" e não me lembro do título em português. Uma delas é não conseguir deitar-me sem ir ver os meus rapazes, cada um na sua cama, mesmo que o tenha feito apenas minutos antes, é mesmo a última coisa que faço antes de me deitar. Vou ver um, cubro-o e beijo-o, depois vou ver o outro e faço a mesma coisa. Não consigo, falta-me alguma coisa. Tenho um absurdo pavor de dormir e nunca mais acordar, e uma ridícula ideia de que se isso acontecer não me terei despedido deles. É que pode acontecer, morrer durante o sono. E se isso acontecer, terei dado o derradeiro beijo às únicas pessoas de quem faço questão, se puder obviamente, de me despedir. Não sei o que isto quer dizer, nem faço quaquer diligência no sentido de tentar perceber. Está dentro de mim e não há nada a fazer. E ocorre-me agora se todas as mães serão assim.
Não sei, nunca perguntei.
Não sei, nunca perguntei.
24.2.10
4.2.10
Recordações
Tenho pensamentos que me tiram o ar, que de repente me assolam e me cortam simplesmente a respiração. Muito mau. Recordações de momentos terríveis em que algo ainda mais terrível aconteceu ou esteve na eminência de acontecer e eu, impotente, só a ver. E apesar de não terem sido muitos, esses acontecimentos amargos, a recordação deles é bastante frenquente e pior, aparece sem qualquer ligação ao que estou a fazer ou ver. É totalmente independente da minha vontade. Desde o Verão que me persegue a memória de uma situação que me esmaga, literalmente. Não consigo respirar, o peito não se mexe, encolhe e retesa-se, e dói. Literalmente. A eminência de uma desgraça, que a ter acontecido, teria mudado tudo o que conheço e o que sou. Desse momento falei talvez três vezes, porque se a lembrança me dói, verbalizá-la trucida-me. Hoje, mais uma vez, como todos os dias lembrei-me, mas hoje, não parei de respirar, e não me doeu tanto o peito. É por isso que escrevo sobre isso, só hoje tive coragem, porque hoje doeu um bocadinho menos. Hoje, agora, respiro, e dói, mas o vislumbre da possibilidade de me livrar disto dá-me algum alento. Tinha a certeza que isto iria perseguir-me toda a vida... talvez não.
30.1.10
Os rapazes
Conversa entre os meus filhos, no carro dos meus pais, com a minha mãe sentada entre eles:
O grande: Sabes avó, vou meter esta moeda na minha carteira, e depois, tiro a carteira do bolso, abro-a e retiro a moeda, e as pessoas à volta vão pensar que sou um adulto.
O pequeno: É, e também vão pensar que és anão...
O grande: Sabes avó, vou meter esta moeda na minha carteira, e depois, tiro a carteira do bolso, abro-a e retiro a moeda, e as pessoas à volta vão pensar que sou um adulto.
O pequeno: É, e também vão pensar que és anão...
25.1.10
16.1.10
Tanto
Ontem veio o mais novo, tantas saudades, tanto mimo, tantos abraços, tantos beijos. Tão bom. Hoje vem o maior, matar as saudades, gozar o mimo, aquecer os abraços e beber os beijos. Não posso cá ter os dois, não consigo, ainda. Que falta me fazem, tanta. Maldita perna, que me separa dos meus filhos. Maldita.
12.1.10
O príncipe encantado
Hoje lembrei-me da minha prima S., às vezes lembro-me dela, de quem fui muito próxima há muitos anos, mas que cortou relações comigo tinha eu 18 anos e ela 22. Éramos muito amigas e por isso, quando ela se encantou com um fulano inglês, que os meus tios descreviam como um príncipe encantado, ai meu Deus que a nossa S. teve tanta sorte, ai meu Deus que ele foi motorista da princesa Diana e mais disparates deste género, tomei a liberdade de tentar abrir-lhe os olhos relativamente ao seu príncipe. Quando ele veio conhecer a família eu era a única pessoa que falava fluentemente inglês. Passamos a tarde a passear pela cidade, a tomar cafés nas esplanadas e a conversar, os três. Sucede que a história do inglês não batia certo, estava muito mal contada. Cheirou-me imediatamente a esturro, e a minha consciência mandou que depois, mandasse carta à minha prima, alertando-a para as lacunas na história. O que lhe escrevi foi basicamente isto: se sabes de tudo da vida dele, de todos os podres, estou contigo, seja ele o maior assassino à face da terra, estou contigo. Se não sabes, por favor fica alerta, se te vais casar com ele, fica atenta. A nossa amizade permitia-me, mais, obrigava-me a isto. Contudo quando recebi a resposta percebi que ela estava perdida. Foi ele que me respondeu, a enxovalhar-me e no meio de outros insultos chamou-me invejosa porque o que eu queria era ter arranjado um gajo como ele. Obviamente que a partir daí não houve qualquer tipo de comunicação. Soube anos mais tarde que ele a espancava frequentemente, e que ela lhe fugiu diversas vezes indo para junto dos pais, a viver no estrangeiro na altura e que ele, de todas as vezes a foi buscar, e que ela, de todas as vezes veio. Soube que depois conseguiu desenvencilhar-se dele, não sei como mas conseguiu. A única coisa que me pesa, no que diz respeito à minha prima S. é não ter conseguido evitar-lhe as grandessíssimas sovas com que o seu príncipe inglês a presenteou durante tantos anos.
9.1.10
Jacklyn
Cedo aprendi que na vida há muitas áreas cinzentas, ainda na adolescência e tanto quanto a pouca maturidade me permitia. Por essa altura aconteceu-me aquilo que acontece a todos os adolescentes, saí da casca, descobri o mundo, as pessoas e comecei a perceber que cada pessoa, cada vida tem as suas nuances, muito próprias cuja mistura é única e intransmissível, que cada um constrói a sua paleta de cores e as utiliza, alguns apenas a seu gosto e outros na tentativa de ir ao encontro de gostos que não são bem os seus. Também compreendi que as pessoas são feitas de opções, apesar de não compreender essas opções, não era possível compreende-las, o meu caminho estava apenas a começar, tão somente tinha aberto a porta. Fui obrigada a relacionar-me com pessoas que não conhecia, fui obrigada a ajustar a minha atitude para com os outros e fui-me descobrindo a mim própria, à medida que ia domando os leões para os quais fui atirada ainda tão tenra. Descobri na diversidade das pessoas, os comportamentos, as reacções, a alegria de viver, a mais completa frustração, a amarga resignação, os ódios pessoais, a vingança e o rancor, a competência e brio profissionais, as mais perfeitas imbecilidades, o ter coragem para enfrentar o chefe mas a total submissão ao conjuge, a miséria de casamentos falhados mantidos ninguém sabe porquê, a podridão e o equilibrio vindos de relações extra-conjugais, as pequenas tiranias, a facilidade de se rir de si próprio mesmo nos piores momentos. Descobri tudo isto e muito mais, tinha 16 anos, na empresa para onde fui trabalhar. Foi também nessa altura conheci a pessoa mais importante na construção da mulher que sou hoje, a mulher que homenageio com o nome Jacklyn, que não é evidentemente o meu, nem o dela, mas ela sabe que é assim que lhe chamo. Foi esta mulher que me ensinou a pensar, não me ensinou como pensar, mas a pensar, não me mostrou o caminho, mostrou-me que havia vários, e escolhê-lo me competia apenas a mim. E isso, querida Jacklyn, agradecer-te-ei até ao fim do mundo.
27.12.09
Férias
A ter em conta a falta que me fizeram na noite de Natal, esta semana que começou há pouco mais de meia hora adivinha-se penosa. E merdas à parte, é verdade, é verdade sim senhor, não os ter perto de mim na noite de Natal custou-me muito mais do que as 2 semanas de férias no Verão. Vou ter saudades de tudo, até das coisas que me enervam, já tenho. E este silêncio já me começa a irritar. Vou sair. Foda-se. E mais logo vou ver o mar, nem que chova a potes.
23.12.09
Choque
Ontem, na festa de Natal da empresa, o meu filho mais velho supreendeu-me. Estava eu a meter-me com o filho de uma colega, o miúdo tem 17 anos e obviamente tal como todos os outros filhos das outras colegas que são da mesma faixa etária encostam-se a um canto qualquer da sala, e enquanto nós, as mães e os miúdos pequenos dançamos e saltamos, eles não se misturam, ficam lá, a conversar ou a mandar sms ou a olhar, o que é normal nos putos daquela idade. Ainda por cima, como nos conhecemos todos há anos, os miúdos que pegamos ao colo, vão crescendo e alguns já são homens e mulheres feitos, o que é engraçado, ano após ano vemo-los e deitamos as mãosinhas à cabeça e percebemos que estamos velhos. Aquelas coisas do costume. Dizia eu, que estava na brincadeira com um deles, a gozar com ele e com os outros todos, e vem o meu filho, toca-me no ombro e com o indicador no ar, sobrancelha franzida e com o tom de voz mais reprovador possível diz-me: Mãe, o que estás a fazer? Confesso que não percebi imediatamente o que estava a acontecer e disse-lhe: Estou a falar com o filho da G. porquê? Ao que ele respondeu: Ah... ok... então está bem. Aí percebi que o gajo me estava a controlar, nem queria acreditar, caiu-me tudo ao chão. Tem 10 anos. Vai bem, vai. Está mesmo a ver-se o que me espera não está?
22.12.09
Gosto porque
- há alegria verdadeira, não é fingida, todos quantos estão estão felizes por estar;
- há pessoas mais velhas que se emocionam por verificarem que os mais novos se deram ao trabalho de pensar neles e de lhes comprar um presente;
- há confusão e papéis rasgados e fitas e coisas tipo pedaços de esferovite espalhados pelo chão porque os miúdos fazem questão de utilizar imediatamente todos os brinquedos;
- há gente sempre a chegar, mesmo os que jantam noutras casas vêm cá ter depois, para a troca de presentes, vão chegando em grupos até às 2:00h ou 3:00 da manhã;
- há risota, jogos e disparates variados, nos quais participam os mais velhos e os mais novos;
- há o conforto de saber que todas aquelas pessoas são minhas e que eu sou delas;
- há os doces que gosto mais do quaisquer outros doces em qualquer altura do ano, feitos pela minha tia mais velha, que apesar de ter quase 80 anos ainda não passou a pasta e passa a tarde de volta do fogão de lenha.
E há amor, sem o qual nada do que descrevi acima seria possível.
- há pessoas mais velhas que se emocionam por verificarem que os mais novos se deram ao trabalho de pensar neles e de lhes comprar um presente;
- há confusão e papéis rasgados e fitas e coisas tipo pedaços de esferovite espalhados pelo chão porque os miúdos fazem questão de utilizar imediatamente todos os brinquedos;
- há gente sempre a chegar, mesmo os que jantam noutras casas vêm cá ter depois, para a troca de presentes, vão chegando em grupos até às 2:00h ou 3:00 da manhã;
- há risota, jogos e disparates variados, nos quais participam os mais velhos e os mais novos;
- há o conforto de saber que todas aquelas pessoas são minhas e que eu sou delas;
- há os doces que gosto mais do quaisquer outros doces em qualquer altura do ano, feitos pela minha tia mais velha, que apesar de ter quase 80 anos ainda não passou a pasta e passa a tarde de volta do fogão de lenha.
E há amor, sem o qual nada do que descrevi acima seria possível.
10.12.09
As good as it gets
O puto tem 6 anos, não sabe falar inglês, tirando aquelas coisas básicas das cores, animais etc... que aprendeu no infantário e agora na 1ª classe. Mas curte à brava cantar alto e bom som em inglês. Não faz a mínima ideia do que está a dizer, repete os refrões mais ou menos bem, pelo menos identificam-se as palavras, o resto é apenas imitação de sons que se tornam hilariantes porque está com os "coisos" do Mp3 metidos nos ouvidos. Vai dos Pink Floyd aos U2, passa pelo Michael Jackson e pela Madonna. Mas gritos e saltos é com os Rage Against the Machine. Estas merdas comovem-me, que querem?
27.11.09
What goes around comes around
Ontem à noite:
"Não mãe, não te levantes, deixa-te estar, eu faço-te o chá"
O meu filho fez-me um chá, coisa insignificante para muitos, mas para mim foi um momento marcante. Foi a primeira vez desde há muitos anos que alguém fez alguma coisa por mim. Ainda por cima o meu filho. E lembrei-me de quando era miúda e a minha mãe tratava de mim quando estava doente. Venha quem vier, é um facto incontornável que só quando nos tornamos pais percebemos o que significa estar constantemente disponíveis e alerta para as necessidades dos filhos. Não importa se estamos doentes, se nos dói a cabeça ou se estamos mal dispostos, eles estão primeiro e reduzem as nossas próprias dores à insignificância. Aí relembramos todos os momentos enquanto crianças em que a nossa mãe ou o nosso pai nos trouxeram o leite à cama ou nos acarinharam durante a noite afastando os nossos pesadelos. Aí pensamos que nem por um segundo nos ocorreu que também eles poderiam sentir-se mal mas abdicaram sempre deles próprios em nosso proveito. Aí, secretamente agradecemos todos esses mimos e além do amor e dedicação que lhes temos, agarramo-nos também a essa recordação que nos traz ainda mais força para fazermos exactamente a mesma coisa pelos nossos próprios filhos. E depois os nossos filhos crescem e começam a retribuir e nós ficamos tão contentes. E pela primeira vez percebi que também eu proporcionei momentos destes à minha mãe.
"Não mãe, não te levantes, deixa-te estar, eu faço-te o chá"
O meu filho fez-me um chá, coisa insignificante para muitos, mas para mim foi um momento marcante. Foi a primeira vez desde há muitos anos que alguém fez alguma coisa por mim. Ainda por cima o meu filho. E lembrei-me de quando era miúda e a minha mãe tratava de mim quando estava doente. Venha quem vier, é um facto incontornável que só quando nos tornamos pais percebemos o que significa estar constantemente disponíveis e alerta para as necessidades dos filhos. Não importa se estamos doentes, se nos dói a cabeça ou se estamos mal dispostos, eles estão primeiro e reduzem as nossas próprias dores à insignificância. Aí relembramos todos os momentos enquanto crianças em que a nossa mãe ou o nosso pai nos trouxeram o leite à cama ou nos acarinharam durante a noite afastando os nossos pesadelos. Aí pensamos que nem por um segundo nos ocorreu que também eles poderiam sentir-se mal mas abdicaram sempre deles próprios em nosso proveito. Aí, secretamente agradecemos todos esses mimos e além do amor e dedicação que lhes temos, agarramo-nos também a essa recordação que nos traz ainda mais força para fazermos exactamente a mesma coisa pelos nossos próprios filhos. E depois os nossos filhos crescem e começam a retribuir e nós ficamos tão contentes. E pela primeira vez percebi que também eu proporcionei momentos destes à minha mãe.
25.11.09
Pronto, já está!
Os 7 dias de molho do mais velho acabaram, já curou a gripe e amanhã regressa à escola. Chego do trabalho hoje e o pequeno tem febre. Porreiro, outro que fica 7 dias recolhido, começa amanhã. Acaba um e começa outro, se fosse combinado não acertavam. Mas nem tudo é mau, se tivessem de ficar os dois em casa ao mesmo tempo, alguém iria entrar em depressão profunda, rouquidão extrema e cansaço muscular generalizado. Os meus filhos dão-se bem, que fique claro. Mas é só durante os primeiros 30 minutos, depois... bem depois... é uma alegria!
23.11.09
Life and death
Há 10 anos que não estou só. O mais velho faz hoje 10 anos. Desde o dia 23 de Novembro de 1999 que eu não penso só por mim, que eu não decido só por mim, que eu não ajo só por mim, ou seja tornei-me refém. Os progenitores são reféns dos filhos, temos sempre medo pelos filhos, ficamos presos a eles, desde que nascem até que um de nós morra. Não importa onde nem quando. Tudo o resto pode ir e vir, ser e não ser, estar e não estar, menos os filhos. Os meus filhos são a única constante da minha vida. E da morte também, serei vossa mãe mesmo depois de morrer, sereis meus filhos mesmo depois de morreres.
Estranhamente ainda não perdi a ideia de que terei 4 filhos, ainda persiste apesar de tudo. Algo em mim acha que ainda há mais dois para vir, o que neste momento é praticamente um absurdo, mas mesmo assim este sentimento não se esbate, e eu aceito-o.
Estranhamente ainda não perdi a ideia de que terei 4 filhos, ainda persiste apesar de tudo. Algo em mim acha que ainda há mais dois para vir, o que neste momento é praticamente um absurdo, mas mesmo assim este sentimento não se esbate, e eu aceito-o.
Subscrever:
Mensagens (Atom)